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Foi especificamente esta palavra grega, desprovida da ideia de moralidade e caráter, que os escritores do N. T. escolheram para falar da santificação em Cristo, da mesma forma que a palavra hebraica ‘qodesh’ significa separar no A. T. No entanto, observa-se que, muito tempo depois, a palavra que se traduz para ‘santificação’ passou a apresenta um novo sentido conforme a concepção dos religiosos. Este novo sentido da palavra passou a predominar gradualmente, passando a estar vinculada à moral e ao que é religioso.


A doutrina da santificação

“Que dizem: Fica onde estás, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde todo o dia” ( Is 65:5 )

Introdução

Por ser um tema controverso, surgem inúmeras questões sobre o lado prático da Santificação, por exemplo: O que promove a santificação? A oração? O jejum? A leitura bíblica? A adoração? A obediência? Manter-se separado de outros pecadores? Depende de tempo?

Os teóricos procuram dar uma estrutura à doutrina da santificação: O que é ser santo? O que a palavra santo designa ou descreve? É por graça somente, sem qualquer vinculo com a lei?

Ciente da problemática em torno do tema Santificação e das dificuldades decorrentes das variadas correntes de interpretação bíblica, resta uma pergunta que motivou este trabalho: é possível ser mais santo do que outro irmão em Cristo?

Há quem diga que o crente precisa ‘entrar pra valer na corrida para a santificação’.

Como este tema é de extrema relevância para os cristãos, não poderíamos nos furtar em apresentar um trabalho que abordasse este tema, do qual, as várias correntes de interpretação acabaram por tornar controverso.

Nós cristãos precisamos compreender como ocorre a santificação, e por que somos designados santos, para que não incorramos nos mesmos erros do povo de Israel, e de muitos seguimentos religiosos da atualidade: legalismo, formalismo e tradicionalismo.

 

A palavra ‘santo’ e ‘santificação’

Para o nosso estudo faz-se necessário que o leitor considere as palavras do Dr. Bancroft, extraída do seu livro Teologia Elementar:

“A raiz da qual se originam esta e outras palavras correlatas, é o vocábulo grego ‘hagios’. O pensamento mais próximo da santidade de que era capaz o grego secular era “o sublime, o consagrado, o venerável”. O elemento moral está totalmente ausente. Ao ser adotada esta palavra nas Escrituras, entretanto, foi necessário proporcionar-lhe novo sentido. Empregando a palavra ‘santo’ em seu sentido mais elevado, quando aplicada a Deus, os melhores lexicógrafos definem-na como ‘aquilo que merece e exige reverência moral e religiosa'” BANCROFT, Emery. H., Teologia Elementar – 3º Edição 2001, Ed. EBR, Pg. 261. (grifo nosso).

A palavra grega ‘hagios’ possui variadas formas, porém, é traduzida para ‘santo’, ‘santificação’, ‘santificar’, ‘santidade’ e ‘santificado’. Esta palavra grega trazia a idéia do sublime, do consagrado e do venerável sem qualquer referência à moral ou ao caráter.

Foi especificamente esta palavra grega, desprovida da idéia de moralidade e caráter, que os escritores do N. T. escolheram para falar da santificação, da mesma forma que a palavra hebraica ‘qodesh’ significa separar no A. T.

No entanto, observa-se que, muito tempo depois, a palavra que se traduz para santificação passou a apresenta um novo sentido. Este novo sentido da palavra passou a predominar gradualmente, passando a estar vinculada à moral e ao que é religioso.

Observe o que Bancroft disse:

“Os melhores lexicógrafos definem-na como ‘aquilo que merece e exige reverência moral e religiosa”.

Neste sentido, Erickson também diz:

Esse sentido passou gradualmente a predominar. Ele designa não apenas o fato de os crentes serem formalmente separados, ou pertencerem a Cristo, mas que devem, portanto agir de acordo com isso. Eles devem viver em pureza e bondade” Introdução à Teologia Sistemática, por Millard J. Erickson, 1 ª ed. Vida Nova, Pg 418.

Era mesmo necessário proporcionar um novo sentido às palavras gregas e hebraicas que foram traduzidas pelas palavras ‘santidade’ e ‘santo’? Os apóstolos não tinham bem definido em suas mentes qual o sentido exato da palavra que utilizaram para escrever sobre a santificação?

O significado das palavras ‘hagios’ e ‘qodesh’ é separado para Deus, e em ambos os testamentos foram utilizada para designar pessoas e coisas. Quando tais palavras são utilizadas para coisas, não há qualquer referência à qualidade moral. Porém, quando se refere à pessoas, este deveria ser o mesmo tratamento, visto que, por mais que uma pessoa procure separa-se para ser santa, jamais alcançará tal intento, se Deus não o fizer.

Por que a palavra traduzida por santificação deixou de designar o fato dos crentes serem separados, ou pertencentes a Deus, para apontar um dever de se agir conforme um padrão de moral rotulado ‘santo’, ou que se deva agir de acordo com o certo e errado?

O trabalho de um lexicógrafo se resume em estudar as origens e evolução das palavras. O sentido que os dicionários empregam para cada palavra decorrem da sua origem, e conclui-se com a sua evolução ao longo do tempo, o que deve ser feito sem qualquer influência do estudioso em questão.

Resta nos a pergunta: quem foram os responsáveis por influenciar e fazer evoluir o sentido da palavra traduzida por santificação? Os religiosos ao longo dos anos. Sobre quais princípios as religiões se fundamentam? Não é sobre comportamento, moral, ética, caráter, e outros elementos humanos?

Quando os escritores bíblicos empregaram as palavras ‘hagios’ e ‘qodesh’ para falar sobre a santificação em Cristo, nem de longe fizeram qualquer referência a merecimento, exigência, moral e religiosidade, como hoje os lexicógrafos definem.

 

Como definir o significado de uma Palavra?

Se quisermos saber o significado de uma palavra, a melhor maneira de saber o seu significado é através de um bom dicionário. Neste aspecto, é de suma importância o trabalho de um lexicógrafo. Você terá em mãos o significado atual da palavra, e a sua evolução ao longo dos anos.

Mas, se você extraiu a palavra de um texto, a melhor maneira de se entender aquela palavra em específico, é estudando o contexto no qual ela esta inserida.

Um dicionário poderá auxiliar, mas o sentido exato da palavra é determinado pelo contexto geral do texto.

Esta regra de interpretação de uma palavra não é diferente quando se trata de textos bíblicos.

Em se tratando de uma palavra bíblica, o que é mais apropriado para a interpretação do texto: o sentido atual da palavra, ou o sentido original?

Claro está que o mais importante para a leitura de um texto bíblico é o sentido original da palavra, e não o seu sentido atual. Se queremos abstrair um entendimento acerca de uma única palavra de um texto, o melhor a se fazer é estudar o contexto, fixando a análise no sentido original da palavra.

Para o nosso estudo, estaremos utilizando o sentido secular das palavras gregas e hebraicas ‘hagios’ e ‘qodesh’, que significam respectivamente ‘o sublime, o venerável, o consagrado’ e ‘separar’.

Sem antes analisar os textos em que as palavras são empregadas, não as empregaremos no sentido que gradualmente passou a predominar.

 

Como obter a Santificação?

O Dr. Russell Shedd, em seu livro Lei, Graça e Santificação deixou a seguinte nota:

“Deus quer filhos à Sua imagem, que imitem a Sua santidade” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 55.

Daí surge a seguinte pergunta: a santidade dos filhos de Deus provem da capacidade deles em ‘imitar’ a santidade do Pai, ou por serem gerados d’Ele?

A Bíblia é muito clara ao demonstrar que a regeneração, a justificação e a santificação são provenientes de Deus por meio da fé em Cristo. É condição adquirida por terem sido gerados de novo segundo Deus, e não segundo a semente corruptível de Adão.

Através da fé em Cristo o homem é Santificado: “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim” ( At 26:18 ).

De igual forma, o homem é Justificado pela fé em Cristo: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” ( Gl 2:16 ).

A Regeneração é por meio da fé: “Necessário vos e nascer de novo (…) para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” ( Jo 3:7 e 15).

Através dos versículos acima, verifica-se que a fé é o elemento comum e essencial à regeneração, à santificação e à justificação.

Por meio do evangelho, Deus oferece Salvação graciosa a todos os homens que encontram-se perdidos, sendo que a Salvação é adquirida pela fé em Cristo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ).

O chamado de Salvação é para todos os homens, sem distinção alguma. Porém, somente quando o homem crê em Cristo, ou seja, descansa na promessa proposta, entra em ação o poder de Deus, que é concedido àqueles que creem para Salvação ( Jo 1:12 ).

A oferta de salvação é proposta ao homem na condição de pecador, porém, o homem não pode ser salvo enquanto pecador. É neste ponto que Deus realiza uma obra maravilhosa, segundo a sua vontade e poder: a Regeneração. O homem que recebe a proposta de salvação e crê, tem que morrer, e verdadeiramente morre com Cristo, sendo sepultado com Ele. Isto porque Deus não salva a planta que não foi plantada por Ele, antes ela é arrancada ( Mt 15:13 ).

A semente incorruptível que foi plantada no coração do homem, somente germina quando este morre e é sepultado com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12: 24). Neste sentido, Cristo não veio trazer conciliação com a velha natureza presente no homem, mas sim, trazer espada Mt 10: 34.

Na Regeneração Deus cria um novo homem. Este é gerado de Deus “Segundo a sua vontade, Ele nos gerou de novo…” ( Tg 1:18 ; Ef 2:10 ). O homem passa a ser a planta plantada pelo Pai. Esta nova criatura, e somente esta, recebe a Salvação de Deus. A oferta de Salvação foi feita ao homem na condição de pecador, mas a Salvação se efetiva naqueles que são de novo criados, segundo Deus ( Jo 1:12 -13).

Na Regeneração o homem ressurge com Cristo uma nova criatura, e somente este homem pode receber o prêmio da salvação, por não permanecer no pecado. Pois para isso Cristo ressurgiu “E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” ( 1Co 15:17 ).

Da Regeneração decorre a Justificação e a Santificação. A Justificação refere-se a declaração de Deus à nova criatura, visto que ela foi criada segundo a natureza divina: justa. Deus declara justo o justo que ressurgiu com Cristo dentre os mortos. Isto, porque não haveria como o velho homem que recebeu a proposta de salvação ser declarado justo. Na justificação entende-se também que o homem está livre da condição anterior, quando vivia no pecado.

Já, a Santificação refere-se à nova natureza recebida na Regeneração. Quando o homem é sepultado com Cristo, ele se reveste das condições pertinentes a Cristo ( Gl 3:27 ). Deus não tem o culpado por inocente, mas por sermos vivificados com Cristo, alcançamos o perdão de todos os delitos ( Cl 2:13 ).

O cristão não vive mais à ‘sombra das coisas futuras’, a Santificação é uma realidade na sua vida, pois a realidade é Cristo ( Cl 2:17 ). Não depende de esforço da parte do homem, visto que, ao ser de novo gerado, temos nos tornados participantes de Cristo ( Hb 3:14 ).

A Salvação em Cristo é adquirida por meio da fé, sendo que, aqueles que creem recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). A filiação divina é adquirida por meio da fé na mensagem do evangelho (a semente incorruptível). Por meio da semente incorruptível o homem recebe poder para ser feito, criado, ou gerado de novo “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade…” ( Tg 1:18 ).

O Novo Nascimento é condição indispensável à salvação, conforme Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Somente pela fé é possível alcançar a Regeneração, pois apenas os gerados de novo podem herdar a salvação ( Jo 3:16 ). O pecador não poder ser salvo, somente o homem redimido e remido é salvo.

Não podemos esquecer que o velho homem originou-se da queda de Adão, e que a condição de culpável, condenável, inimigo de Deus e destituído da glória de Deus passou a todos os homens. Por natureza o homem nascido segundo a semente corruptível de Adão é filho da desobediência e da ira. Todos os homens que vêem ao mundo estão em igual condição diante de Deus Rm 5: 18. A argumentação de Paulo de que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus se fundamenta na natureza decaída que a semente de Adão produz ( Rm 3:23 ).

Após crer em Cristo, o homem recebe de Deus poder para ser feito (criado), filho de Deus. Este homem criado ou gerado segundo a vontade e poder de Deus é declarado justo. É o que denominamos justificação. A justificação divina não guarda semelhança com a justiça emanada dos tribunais humanos. Somente o novo homem gerado segundo a palavra da verdade pode ser declarado justo por Deus, visto que este novo homem é participante da natureza divina, por ter sido de novo criada em verdadeira justiça.

O homem que estava morto em delitos e pecados, após ouvir o convite e crer no evangelho (que é poder de Deus para que o homem seja criado segundo Deus), ressurge com Cristo dentre os mortos, nova criatura. Esta nova criatura é declarada justa por Deus. Para que fossemos declarados justos, Jesus ressuscitou, e, ao ressurgimos juntamente com Ele, somos declarados justo em decorrência da nova vida ( Rm 4:25 ).

Da mesma maneira que a Justificação, a Santificação vem por meio da filiação divina. O homem nascido segundo a vontade de Deus é participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ). Segundo o poder de Deus, o homem que crê, é criado novamente em verdadeira justiça e santidade.

Observe que a vontade eterna de Deus é que Cristo seja primogênito dentre os mortos e primogênito de toda a criação, para que em tudo tenha a preeminência ( Cl 1:15 e 18). Em Cristo, o homem é uma nova criatura ( 2Co 5:17 ), sendo gerado de novo e tido por Deus como filhos por adoção ( Rm 8:15 ). Por meio de Cristo é conduzido à glória de Deus muitos filhos ( Hb 2:10 ), onde a condição de preeminência de Cristo diante de toda criação se torna efetiva.

Quando os homens que creem são recebidos por filhos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros com Ele de todas as coisas, é conferido a Jesus a condição de primogênito de toda criação e dos mortos. Pois só é possível alguém reclamar o direito de primogenitura quando se tem irmãos. O unigênito que nos fez conhecer o Pai, agora, após conduzir muitos filhos a Deus, torna-se o primogênito de toda criação.

Desta forma, Deus quis e gerou pelo Espírito Eterno filhos para si. Filhos à sua imagem e semelhança, que receberam d’Ele a plenitude ( Cl 2:10 ). Estes não precisam imitar o Pai em sua santidade, antes são gerados de novo e detém a natureza do Pai: santos. Não há como imitar a santidade de Deus, visto que ela decorre da própria natureza divina.

Sobre este aspecto Jesus alertou: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ). Quais são as plantas que o Pai não Plantou? Aqueles nascidos da semente corruptível de Adão! Já os nascidos de semente incorruptível, que é a Palavra de Deus, este são ‘plantas’ plantadas pelo Pai ( Jo 3:9 ; 1Pe 1:23 ).

A santidade daqueles que creem não pode ser uma mera imitação. Ela deve ser autentica, ou seja, em verdade. A santificação não fica a cargo do homem, e sim, de Deus.

É Deus que tem o poder de dar nova vida ao homem. Vida que procede d’Ele e que faz o homem ser participantes da sua natureza. Deus é luz, e aqueles que creem em seu Filho tornam-se filhos da luz “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ; 1Ts 5:5 ).

Da mesma forma que a justificação é de vida, a santificação também o é ( Rm 5:18 ).

O Dr. Shedd ao falar da santificação e justificação, argumentou que:

“Enquanto a justificação (grego dikaiosune) foi uma declaração de absolvição, da parte de Deus, que nos deu o status de santos, sem nenhuma condenação (Rm 8. 1) não entendemos a santificação da mesma maneira. Paulo chama a igreja de Corinto, aquela singularmente mundana e carnal, como composta dos que são ‘santificados em Cristo Jesus’ (I Co 1. 2). Obviamente os que recebem o Espírito de Deus, incorporados em Cristo, são posicionalmente santos. Por isso um dos títulos mais comuns atribuídos à Igreja no Novo Testamento é ‘santos’. Neste sentido os dois vocábulos, ‘justo’ e ‘santos’, são sinônimos” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 56.

A Justificação não é uma declaração de absolvição. O termo justificação significa declarar justo, ou seja, justificação é uma declaração de justo a quem verdadeiramente é justo. Deus não absolve o culpado, pois o culpado não pode ser tido por inocente ( Na 1:3 ).

Na justificação o homem não adquire ‘status’ de justo, antes adquire a justiça que é proveniente de Deus. Qual é a justiça proveniente de Deus? Uma nova vida “…justificação de vida” ( Rm 5:18 ), onde tudo se fez novo. Até o tempo é novo: tempo de paz, gozo e alegria no Espírito Santo de Deus. Deus declara justo a nova criatura que é criada através do seu poder regenerador. A velha criatura recebe o que preconiza a lei quando o homem é crucificado com Cristo: a alma que pecar, essa morrerá!

A Santificação e a Justificação não é posicional e por isso, não são sinônimas. A Justificação refere-se à declaração que o Cristão recebe de Deus, e a Santificação à nova natureza do Cristão.

Estes equívocos na abordagem do Dr. Shedd ocorrem por ele entender que a pecaminosidade da humanidade reside na vontade própria, sendo que a bíblia demonstra que a pecaminosidade decorre da natureza herdada em Adão.

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que é difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

Sobre este aspecto o apóstolo Pedro escreveu: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 1Pe 1:3 -4).

Deus chamou os que crêem pela sua glória e virtude, ou seja, os cristãos foram chamados para louvor de sua glória e em amor, a virtude de Deus ( Ef 1:4 -6). Para ser participante da natureza divina, os cristãos foram abençoados com a predestinação, ou seja, aqueles que crêem em Cristo não possuem outro destino, se não, serem filhos de Deus.

Só é possível escapar da corrupção que há no mundo (natureza pecaminosa herdada em Adão), quando se torna participante da natureza divina (filiação). Tudo isto é dado aos cristãos através do poder de Deus, que concede vida, o que contrasta com a condição antes de se ter a Cristo: morte. Esta nova vida deve ser desfrutada em piedade, ou seja, o cristão deve andar segundo as boas obras que Deus preparou ( Ef 2:10 ).

Como Deus desejou ter filhos para que o seu Filho obtivesse a preeminência em tudo, os cristãos são feitura Sua, criados em Cristo e à Sua imagem, em verdadeira Justiça e Santidade ( Ef 2:10 e Ef 4:24 ).

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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