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Para as mulheres edificarem as suas casas, vimos ser imprescindível considerarem a palavra de Deus, assim como é imprescindível aos maridos, o conhecimento da palavra de Deus para bem instruírem os seus filhos.


A mulher sábia edifica a sua casa…

“A mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos” (Provérbios 14:1)

Para compreender a aplicabilidade deste provérbio, analisemos a atitude de algumas mulheres do Antigo Testamento que, como disse o apóstolo Pedro, esperavam em Deus (1Pd 3:5).

 

Entendendo o termo ‘casa

Quando Sará viu que Ismael, o filho da sua serva Agar zombava do seu filho Isaque, se socorreu de Abraão, dizendo: “Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho” (Gn 21:10).

Abraão ficou contrariado com a proposta de Sara, visto que Ismael era seu filho. Entretanto, Deus falou a Abraão para atender ao pedido de Sara, visto que a promessa de Deus era chamar o ‘Descendente’ de Abraão – o Cristo – através de Isaque, que nasceu segundo a promessa, e não de Ismael, que nasceu segundo a carne (Gn 21:12).

O que Sará estava fazendo ao despedir Agar e Ismael? Edificando a sua casa[1], pois a rivalidade entre os meios- irmãos, Ismael e Isaque, poderia destruir a descendência de Abraão! (Gl 4:29) Não foi assim entre Caim e Abel?

Rebeca, quando soube que o seu marido Isaque iria abençoar Esaú (Gn 27:4), considerou a palavra que o Senhor lhe disse quando ainda estava grávida dos gêmeos Esaú e Jacó:

“Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor (Gn 25:23).

Rebeca deu ordem a Jacó, o jovem que saiu da madre por último, que buscasse dois cabritos do rebanho. Quando preparou o guisado para Jacó se fazer passar por Esaú, Rebeca sabiamente estava edificando a sua casa em conformidade com a palavra do Senhor, pois percebeu que o seu marido iria abençoar Esaú por tê-lo em preferência, por ser caçador, e não em função da palavra do Senhor, que foi anunciada a Rebeca (Gn 25:28).

Rebeca estava confiada na palavra de Deus, de que o maior serviria o menor, mesmo não sabendo que Esaú tinha vendido o direito de primogenitura a Jacó (Gn 25:34).

Quando pediu para Jacó ir à casa de seu pai Labão para tomar uma esposa (Gn 27:43), e declinou o seu desejo a Isaque (Gn 27:46), Rebeca estava edificando a sua casa. Agiu conforme Sara, sua sogra, pois enviou Jacó para longe de Esaú, preservando a linhagem de Abraão.

De Raquel e Lia, mulheres de Jacó, está registrado nas Escrituras que ambas edificaram a casa de Israel:

“E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas; o SENHOR faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e porta-te valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém” (Rt 4:11).

A forma como a estrangeira Tamar agiu para prover descendência ao seu marido Er, ao se passar por uma prostituta, deitando-se com o seu sogro Judá, foi o meio que ela encontrou de edificar a sua casa (Gn 38:26), pois o seu sogro estava negando o que lhe era de direito: o filho mais novo.

Como Judá não cumpriu o que prometera com relação a obrigação da lei do levirato (Gn 38:11), Tamar foi considerada pelo seu sogro como sendo mais justa que ele, pois ela buscou descendência para o seu marido.

A atitude da estrangeira Tamar foi tão importante que ela consta na linhagem de Cristo e é tida como referência de bem-aventurada por causa da casa de Perez: “E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar deu à luz a Judá), pela descendência que o SENHOR te der desta moça” (Rt 4:12); “E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão” (Mt 1:3).

O fato de figurar na linhagem de Cristo, significa que Tamar soube edificar a sua casa, apesar da maldade do seu marido Er e do desprezo do seu cunhado Onã, que não queria suscitar linhagem ao irmão Er “Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão(Gn 38:9). Er era mal e foi morto por Deus, e Onã, por não considerarem a promessa que Deus fez a Abraão, Isaque e Jacó, também foi morto.

É por causa da atitude de Tamar, que hoje dizemos que Cristo é o Leão da Tribo de Judá “Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio” (Hb 7:14); “Antes elegeu a tribo de Judá; o monte Sião, que ele amava” (Sl 78:68; Ap 5:5).

Quando a prostituta Raabe creu que o Deus de Israel é Deus nos céus e na terra (Js 2:11), e pediu proteção para a sua família, edificou a sua casa, pois através dela Salmom gerou Boaz “E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé” (Mt 1:5).

Como soube edificar a sua descendência (casa), Raabe figura como uma das três mulheres ilustres que aparecem na linhagem de Cristo, pelos seus feitos de fé: Tamar, Raabe e Rute.

Quando Bate-Seba intercedeu com sabedoria por seu filho Salomão a Davi, estava edificando a sua casa (1Rs 1:17), diferente de Mical, filha de Saul, que, por si mesma derribou a sua casa, quando resolveu criticar Davi, na ocasião em que voltava para abençoar a sua casa (2Sm 6:20). Bate-Seba foi uma mulher sábia, já Mical, foi tola.

Observe que, dependendo do contexto, o termo ‘casa’ tem o sentido de descendência, linhagem, semente, como se lê:

“Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor DEUS, o disseste; e com a tua bênção será para sempre bendita a casa de teu servo” (2Sm 7:29).

 

Colocar a casa em ‘ordem’

No provérbio: ‘A mulher sábia edifica a sua casa…’, o termo ‘casa’ tem o sentido de descendência e não de um edifício destinado à habitação.

A mulher sábia edifica a sua casa, já o homem põe-na em ordem, como se lê:

“Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do SENHOR, para agir com justiça e juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:19).

Como Abraão ordenou a sua casa? Instruindo os seus filhos a obedecerem o mandamento do Senhor “Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se estabelece” (Pv 24:3).

Bem antes da lei mosaica, Abraão já cumpria o mandamento e as leis de Deus obedecendo-O, e quando instruía os seus filhos, Abraão estava ordenando a sua casa “Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis” (Gn 26:5).

Abraão instruiu os seus filhos quanto à promessa do descendente e os instou a guardarem o caminho do SENHOR, pois só obedecendo a Deus é possível ao homem agir com justiça e juízo. Ordenar a casa é ter e instruir os seus descendentes.

Com relação a Davi, Deus prometeu que faria casa a Davi: “E desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel; a ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que te fará casa (2Sm 7:11); “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” (2Sm 7:16).

A casa de Davi refere-se à sua descendência e, em Cristo cumpriu-se a promessa, pois Cristo é o rebento de Jessé “Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi homem que se assente sobre o trono da casa de Israel” (Jr 33:17).

Apesar da promessa de Deus, de edificar casa a Davi, ficou a cargo de Davi ordenar a sua casa, constituindo Salomão, rei em seu lugar e instruí-lo acerca do caminho da justiça: “Então subireis após ele, e virá e se assentará no meu trono, e ele reinará em meu lugar; porque tenho ordenado que ele seja guia sobre Israel e sobre Judá” (1Rs 1:35); “E APROXIMARAM-SE os dias da morte de Davi; e deu ele ordem a Salomão, seu filho, dizendo: Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem. E guarda a ordenança do SENHOR teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo quanto fizeres, e para onde quer que fores. Para que o SENHOR confirme a palavra, que falou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, com todo o seu coração e com toda a sua alma, nunca, disse, te faltará sucessor ao trono de Israel” (1Rs 2:1-4).

Quando Deus ordenou ao rei Ezequias para pôr ‘em ordem a sua casa’, o que ele devia fazer era cuidar das questões relacionadas à sua descendência, instrução dos seus filhos e sucessão do trono (2Rs 20:1).

Como foram acrescidos mais quinze anos ao rei Ezequias e seu filho Manasses reinou, muito jovem, em seu lugar, ainda com doze anos de idade, podemos inferir que Ezequias ainda não tinha filhos, quando Deus ordenou que colocasse a casa em ordem, ou seja, Deus estava instruindo Ezequias a constituir descendência.

Diferente da estrangeira Tamar, que estava preocupada com sua descendência, Ezequias pareceu não se importar. Se não fosse a instrução de Deus para que o rei Ezequias tivesse filhos, Ezequias e Manassés não figurariam na linhagem de Cristo “E Uzias gerou a Jotão; e Jotão gerou a Acaz; e Acaz gerou a Ezequias; E Ezequias gerou a Manassés; e Manassés gerou a Amom; e Amom gerou a Josias” (Mt 1:9-10).

Além de não ligar para a sua linhagem, Ezequias se preocupava somente consigo mesmo, pois ao ser informado que os seus filhos seriam levados cativos para a Babilônia, nada fez para instruir o seu filho ou a nação, pois considerou como sendo uma boa palavra o que foi predito pelo profeta, de que, enquanto vivesse, não haveria guerras (2Rs 20:19).

Por certo, Ezequias não tinha uma mulher sábia ao seu lado, pois o rei Ezequias só constituiu descendência, porque Deus prometeu a Davi que edificaria a casa de Davi. A intervenção divina, por intermédio do profeta Isaias, não foi por acaso, antes, foi devido à promessa feita a Davi “E desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel; a ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que te fará casa” (2Sm 7:11).

Apesar de Deus edificar casa a Davi, por intermédio de Ezequias, competia a Ezequias bem ordena-la, porém, não o fez, pois seu filho Manassés foi um dos piores reis em Israel: “TINHA Manassés doze anos de idade quando começou a reinar, e cinquenta e cinco anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Hefzibá. E fez o que era mau aos olhos do SENHOR, conforme as abominações dos gentios que o SENHOR expulsara de suas possessões, de diante dos filhos de Israel (…) E até fez passar a seu filho pelo fogo, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro e ordenou adivinhos e feiticeiros; e prosseguiu em fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, para o provocar à ira” (2Rs 21:1-2 e 6).

Todas mulheres sábias que edificaram a sua casa aparecem na linhagem de Cristo, e os homens que souberam ordena-la também[2]. Daí a máxima:

“Com a sabedoria se edifica a casa[3], e com o entendimento ela se estabelece” (Pv 24:3).

 

Como ordenar e instruir uma casa em nossos dias

Com que tipo de sabedoria os patriarcas e as mulheres de fé do Antigo Testamento edificaram e ordenaram suas casas? Filosofias, mandamentos de homens, rudimentos do mundo, fábulas, etc? Não! Edificaram casa através da palavra de Deus, que é o mesmo que ‘temor do Senhor’, o princípio da sabedoria, que é limpa e permanece para sempre (Sl 19:9).

Se as mulheres sábias edificaram as suas linhagens com base na palavra de Deus que permanece para sempre, e os homens ordenaram suas casas através do ensino da palavra de Deus aos seus filhos, como homens e mulheres devem proceder em nossos dias com suas casas?

Para as mulheres edificarem as suas casas, vimos ser imprescindível considerarem a palavra de Deus, assim como é imprescindível aos maridos, o conhecimento da palavra de Deus para bem instruírem os seus filhos.

Sabemos que o Descendente prometido já veio – Cristo -, e que hoje não compete as mulheres edificarem as suas casas, segundo a promessa que havia na Antiga Aliança; porém, é imprescindível às mulheres compreenderem que, em nossos dias, se quiserem construir um lar, devem se sujeitar aos seus maridos, pois, é indispensável aos maridos, autoridade para ordenarem e instruírem os seus filhos “Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas” (1Tm 3:12).

 

A esposa edificando a família

Em nossos dias, a instrução de Deus para as mulheres que querem edificar a sua família é: sejam sujeitas, em tudo, aos seus maridos:

“De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos(Ef 5:24).

Se há dúvidas, o apóstolo Paulo reitera:

“A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada” (Tt 2:5).

Alguém pode argumentar: – ‘Mas o que Deus exige é difícil!’. Na verdade, não é, pois o que Deus manda não é, e nunca será penoso (1Jo 5:3).

Se a mulher deseja que tudo concorra para o bem do seu lar, que obedeça a Deus, sujeitando-se ao seu marido, pois a Bíblia diz que tudo concorre para o bem daqueles que obedecem (amam) a Deus (Dn 9:4; Rm 8:28).

A sujeição da mulher ao marido é determinação divina e o apóstolo Pedro faz referência a sujeição da mulher ao marido como uma ferramenta útil, até para ganhar os maridos não crentes para o evangelho, vez que, observarão a conduta de suas mulheres como pura em obediência à ordem divina.

O apóstolo orienta que o adorno da mulher não seja exterior, como: os penteados exagerados, o uso de enfeites de ouro ou o vestir-se com pompa e luxo. O apóstolo instrui que o adorno da mulher esteja em um espírito manso e humilde (quieto) diante de Deus, pois a sujeição aos maridos era o enfeite das mulheres do Antigo Testamento que esperavam (confiavam) em Deus.

“SEMELHANTEMENTE, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; Considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura dos vestidos; Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos; Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto” (1Pe 3:1-6).

A sociedade contemporânea é dinâmica e possui características completamente diferente das sociedades do passado, porém, o ensinamento bíblico continua válido para os nossos dias, pois é do marido e dos filhos que a mulher deve esperar o verdadeiro louvor e não da sociedade, do patrão, dos amigos, etc. “Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva (…) Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada” (Pv 31:28 e 30).

O apelo dos interesses socioeconômicos é contrário as Escrituras, pois é apregoado que as esposas devem ser independentes dos seus maridos para que possam alcançar prestigio, reconhecimento, louvor, etc., no entanto, apesar de as mulheres, em nossos dias, seguirem tais recomendações sofrem inúmeras frustações.

Na relação conjugal, Deus estabeleceu o homem como cabeça da mulher, mas, muitas mulheres, guiadas pelo seu coração enganoso, pensam encontrar a felicidade, assumindo a posição de cabeça no lar, porém, cedo se desiludem, pois se veem casadas com um ‘banana’. O pior, é que nem conseguem notar que elas alcançaram o que desejaram: ser a cabeça.

Quando a Bíblia fala de submissão ao marido não está impondo subserviência, mas, sim, apontando o papel da mulher, na condição de adjutora. É a mulher que, no lar, atribui valor ao seu marido, quando submissa, pois, desta forma, constrói e fortalece a autoridade do marido perante os filhos “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que o envergonha é como podridão nos seus ossos” (Pv 12:4).

Não é a sociedade, a igreja, ou os familiares que constituem o marido como autoridade no lar, mas, a mulher. A sujeição da mulher ao marido, faz com que o marido tenha autoridade no lar, e a mulher dá exemplo aos filhos, o que resultará em filhos obedientes e submissos. Já, a mulher desobediente, descontrói a autoridade paterna, consequentemente, terá filhos rebeldes.

Para o homem governar a sua casa (mulher e filhos), a construção da autoridade do marido demanda tempo. A construção da figura paterna, como autoridade, demanda todo o período da infância da criança e o resultado desta construção, se verá na adolescência e início da fase adulta, construção decorrente da sujeição da mulher.

Construir a autoridade do pai de família é um papel que somente a esposa pode desempenhar, e isso só ocorre quando a mulher reverencia o seu marido como autoridade no lar. Não é o estado e nem as instituições que constroem a autoridade do marido.

Na infância a mulher faz patente a autoridade do marido aos filhos, mas se não construir a autoridade do marido nesta fase, na adolescência, a mulher não terá o controle dos filhos e muito menos, o marido. Se a autoridade do pai de família não for construída pela mulher, o pai não terá a autoridade para instruir os filhos, e ambos, marido e mulher sofrerão as consequências de não terem cumprido o seu papel, ao seu tempo.

A instrução deve ser dada às crianças, pois é na fase infantil que a ‘vara da correção’ livra o coração da criança da estultice “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” (Pv 22:15). Uma criança que não foi instruída, se torna um tolo quando adulto, condição que a instrução não consegue reverter “Ainda que repreendas o tolo como quem bate o trigo com a mão de gral entre grãos pilados, não se apartará dele a sua estultícia” (Pv 27:22)[4].

Geralmente as mulheres que não se sujeitam aos seus maridos, se justificam, apontando os erros do cônjuge. Entretanto, os erros do marido não anistiam a mulher do dever de obedecer. Na relação marido e mulher, ambos erram, porém, muitas mulheres se apoiam no erro do marido, para questionar-lhe a autoridade.

A condição de autoridade atende um princípio e os erros da autoridade não depõe a autoridade da sua posição “TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13:1); “Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior” (1Pd 2:13); “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra” (Tt 3:1).

Deus estabeleceu o homem como autoridade sobre a sua mulher, por conseguinte, não estar sujeito ao marido é insurgir-se contra a ordenação de Deus e o desobediente sofrerá as consequências dos seus desatinos “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao SENHOR; Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” Ef 5:22 -23).

Considerando o princípio evidenciado por Cristo, de que maior é quem serve, certo é que o papel da mulher como a que serve, é maior na construção de um lar, pois é ela quem serve, tanto ao marido, quanto aos filhos “Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve” (Lc 22:26).

Se a mulher se empenhar em construir a autoridade do seu marido, jamais a figura do marido se ausenta da sua casa, pois, na condição de quem serve, sempre evidenciará a autoridade do marido aos filhos, enquanto ele estiver ausente, como: – “Menino, olha o chinelo do seu pai”; – “Essa toalha não, ela pertence ao seu pai”; – “Esperaremos o pai para comer”; – “Esse lugar à mesa é do seu pai”; – “O controle da TV é do seu pai”, etc.

A mulher que assim age, mesmo quando o marido está trabalhando, sempre terá a figura do pai presente no lar e evidenciará a autoridade do marido.

Se o marido não consertou o chuveiro, jamais fará comentário depreciativo diante dos filhos, como: – “Seu pai é um banana”. A falha do marido não autoriza a mulher a depreciar a figura do marido, pois o marido possui a autoridade outorgada por Deus.

Quando instrui os filhos pequenos, a mulher jamais deve apontar a autoridade de pessoas externas à família como: – “Não faça isso porque a polícia vai te pegar”; – “Deus não gosta”; – “O padre, ou o pastor não deixa”, etc. Aponte para a autoridade do lar: – “O seu pai não quer, e se ele não quer, nós não faremos”.

Para ter filhos obedientes, a mulher precisa deixar claro aos seus filhos que também é sujeita ao marido. É imprescindível que seja incisiva, quando instrui os filhos, demonstrando qual a vontade do pai de família. A mãe jamais deve mentir para os filhos, dizendo que, atrás da porta tem um bicho, ou que o homem do saco vai pegar para fazer com que a criança obedeça.

Uma mãe não negocia com o filho para conseguir ser obedecida, pois, obediência é inegociável. A obediência não é conveniência, mas, obrigação. Neste quesito, a mulher deve dar o exemplo, pois se negocia com o marido o que obedecer, já não obedece, e essa lição os filhos aprendem.

A obediência dos filhos deve ser cultivada nas pequenas coisas, portanto, jamais dê várias alternativas à criança. Sempre aponte o que ela deve realizar ou aceitar. Ex: no café da manhã a mãe não pode dar várias alternativas de alimentação, antes escolha uma e apresente à criança.

Caso discorde da opinião ou da decisão do marido, nunca conteste o marido na frente dos filhos. Não discuta com o marido na frente dos filhos, antes chame o marido à parte e, como respeito e cumplicidade, exponha o seu ponto de vista. A mulher pode se dirigir ao marido para que ele reconsidere, porém, deve fazê-lo com palavras brandas e agradáveis “A RESPOSTA branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15:1).

 

O marido ordenando a sua casa

Na educação dos filhos é imprescindível a cumplicidade entre marido e mulher, pois a mulher deve obediência ao marido e o marido deve cuidar da sua esposa, como sendo o seu próprio corpo “Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja” (Ef 5:28 -29).

O marido tem o dever de suprir as necessidades da sua mulher, portanto, mulher, não pense que o marido deva suprir as suas vontades. Ninguém há no mundo que possa suprir os anseios e vontades de outrem. O marido tem que estar consciente da sua missão: as necessidades não são impossíveis de serem satisfeitas.

O maior erro em um casamento está em os cônjuges quererem agradar a si mesmos, pois no casamento, é imprescindível que cada um cuide em agradar o outro. Se não houver está cumplicidade, jamais haverá um lar para ambos “Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher (…) porém, a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido” (1Co 7:33-34).

Aos homens, resta exercerem autoridade sobre o seu lar, zelando, cuidando e instruindo, tanto a mulher, quanto aos filhos! Autoridade, do ponto de vista bíblico, é obrigação e não uma regalia. Quem exerce autoridade, não se serve dela, antes, presta um serviço.

Exercer autoridade é uma tarefa dificílima, pois a autoridade não deve se impor, antes evidenciar o seu cuidado. A autoridade tem o mesmo papel desempenhado por um médico que prescreve um receituário, e, mesmo que o remédio seja amargo, o paciente tem que se sujeitar à prescrição.

O marido é a cabeça da mulher, portanto, deve governa-la, senão sofrerá as consequências do seu desmando “Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas” (1Tm 3:12).

Adão tinha o dever de instruir a sua mulher e, quando ela apresentou o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, como cabeça, tinha dever de cuidar de si mesmo e da sua mulher.

Quando Eva comeu do fruto da árvore do conhecimento, o pecado não entrou no mundo, visto que ela não era a cabeça. Somente quando Adão assentiu e comeu o que lhe foi oferecido pela mulher, entrou o pecado no mundo. A responsabilidade pelo pecado que entrou no mundo recaiu sobre Adão, pois ele era a cabeça!

Neste sentido, cabe ao homem coabitar com sua mulher, com entendimento, honrando a mulher como vaso mais frágil, porém, a fragilidade da mulher não significa inferioridade, pois ambos, diante de Deus, possuem o mesmo valor “Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações” (1Pd 3:7).

A mulher deve ser honrada como vazo mais fraco por ela demanda um cuidado maior, se comparada com o cuidado que deve ser dispensado ao homem. A fragilidade da mulher engloba questões físicas e de ordem emocional.

O marido deve estar consciente quanto ao seu papel e qual a sua porção de tudo quanto fizer por sua mulher: “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol” (Ec 9:9).

O marido tem o dever de apoiar a mulher quando ela corrige os filhos. Jamais o marido deve desautorizar a esposa diante dos filhos e, se a mulher cometer um equívoco, deve ser corrigida a parte, porém, jamais o marido deve fazê-lo quando está nervoso, agitado ou no calor do momento.

O marido sempre concede o melhor à sua esposa, honrando-a. Jamais deve ter o filho em honra, em detrimento da sua esposa. A posição do homem como autoridade é nobre, portanto, deve ser generoso para com a sua mulher no carinho, nas palavras brandas, na honra, no cuidado, etc.

O marido não compete com a esposa, nem nas questões do lar e nem nas questões da família. Como autoridade, deve honrar a sua adjutora, compartilhando as suas conquistas e decisões. É imprescindível que o marido ouça e considere o posicionamento da esposa e, ao final, apresente as razões de sua decisão.

O marido deve ter um comportamento estável, o que proporcionará confiabilidade à esposa e aos filhos. Só se consegue estabilidade quando se é justo, correto, autentico, moderado, constante. Mudanças bruscas de humor, falta de padrão de comportamento, injusto em suas decisões, bruto, agressivo, etc., torna os filhos e a mulher instáveis, desconfiados e receosos.

Um pai de família viciado não é bom, porém, uma família que convive com um pai que chega bêbado todos os dias, tem a possibilidade de ser mais estável do que uma família que convive com um ‘bêbado emocional’, ou seja, alguém instável: que hora é dócil, hora amargo, hora agressivo, hora cordial, etc.

Os filhos e a mulher precisam se relacionar com uma autoridade estável, o que permite uma relação duradoura, baseada na confiança mútua.

 

Eis um mistério

“A mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos” (Pv 14:1)

Até agora apontamos questões materiais através do provérbio em comento. Porém, este mesmo proverbio encerra uma questão espiritual.

Assim como o apóstolo Paulo evidenciou um mistério na Escritura que diz: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef 5:31), demonstrando que o mistério trata de Cristo e a igreja (Ef 5:32), o provérbio da mulher sábia e da mulher tola aponta respectivamente para a Igreja e Israel.

A igreja é a mulher sábia, que edificou a sua casa em Cristo. Já Israel é a mulher tola que a derribou com as próprias mãos. Mas este é um assunto para outro texto.

“E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação. Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, aos quais não temeram vossos pais. Esqueceste-te da Rocha que te gerou; e em esquecimento puseste o Deus que te formou” ( Dt 32:15-18);

 


[1] “01129 banah uma raiz primitiva; DITAT – 255; v 1) construir, reconstruir, estabelecer, fazer continuar 1a) (Qal) 1a1) construir, reconstruir 1a2) construir uma casa (i.e., estabelecer uma família) 1b) (Nifal) 1b1) ser construído 1b2) ser reconstruído 1b3) estabelecido (referindo-se a exilados restaurados) (fig.) 1b4) estabelecido (tornado permanente) 1b5) ser constituído (de esposa sem filhos tornando-se a mãe de uma família através dos filhos de uma concubina)” Dicionário Bíblico Strong.

[2] Até o rei Davi as mulheres sábias edificavam casa (descendência), mas com a promessa de que Deus edificaria casa a Davi e que não faltaria homem que se assentasse sobre o trono, o próprio Deus estava edificando casa a Davi, por isso reis como Ezequias e Manassés, apesar de não ordenarem a sua semente e instruírem seus filhos, acabam aparecendo na genealogia de Cristo “Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi homem que se assente sobre o trono da casa de Israel” (Jr 33:17).

[3] “01004 bayith provavelmente procedente de 1129 abreviado; DITAT – 241 n m 1) casa 1a) casa, moradia, habitação 1b) abrigo ou moradia de animais 1c) corpos humanos (fig.) 1d) referindo-se ao Sheol 1e) referindo-se ao lugar de luz e escuridão 1f) referindo-se á terra de Efraim 2) lugar 3) recipiente 4) lar, casa no sentido de lugar que abriga uma família 5) membros de uma casa, família 5a) aqueles que pertencem à mesma casa 5b) família de descendentes, descendentes como corpo organizado 6) negócios domésticos 7) interior (metáfora) 8) (DITAT) templo adv 9) no lado de dentro prep. 10) dentro de” Dicionário Bíblico Strong.

[4] “Ainda que você moa o insensato, como trigo no pilão, a insensatez não se afastará dele” Provérbios 27:22.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

Um comentário em “A mulher sábia edifica a sua casa…

  • 06/03/2018 em 10:37
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    Meu Deus, que estudo incrível! Estou passando por questões no meu lar que me fizeram estudar sobre o que é ser uma mulher sabia que edifique o lar a luz da Palavra.
    E confesso que fui completamente corrigida pelo Senhor nesse estudo. E a partir de hoje pedirei auxilio ao Pai para que eu cumpra com tudo isso que me foi ensinado.
    Estou impactada e edificada!
    Muito obrigada por compartilhar esse estudo! Que benção!

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