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As doutrinas Calvinista e Arminianista estão equivocadas, pois ambas acreditam que Deus elegeu e predestinou alguns homens para a salvação.


As doutrinas de João Calvino e Jacó Armínio

Introdução

Analisaremos os cinco pontos segundo as perspectivas das doutrinas Calvinista e Arminianista, mas antes, faz-se necessário destacar que os cinco pontos da doutrina calvinista como conhecemos foram formulados pelo Sínodo de Dort, pontos estes destacados da doutrina defendida por João Calvino.

O Sínodo foi convocado pelos estados gerais da Holanda e composto por 84 teólogos e 18 representantes seculares, para debaterem os ensinamentos de Armínio, que fez objeções à Confissão de Fé Belga.

Os Cinco Pontos do Calvinismo foram formulados em resposta a um documento apresentado ao Estado da Holanda pelos discípulos de Jacob Hermann, um professor de um seminário holandês, e esse documento ficou conhecido na história como ‘Remonstrance’ ou ‘Protesto’.

A ‘Remonstrance’ possuía cinco pontos principais, conhecidos como “Os Cinco Pontos do Arminianismo”, e em resposta a estas cinco questões principais, o Sínodo de Dort elaborou o que passou a ser denominado “Os Cinco Pontos do Calvinismo”.

 

Os cinco Pontos em debate

ArminianismoCalvinismo
Vontade LivreTotal Depravação
Eleição CondicionalEleição Incondicional
Expiação UniversalExpiação Limitada
A Graça pode ser ImpedidaGraça Irresistível
O Homem pode Cair da GraçaPerseverança dos Santos

 

Com relação ao evangelho, os alunos de Armínio alegaram que a vontade do homem é ‘livre’ para escolher, ou a palavra de Deus, ou a palavra de Satanás, e o Sínodo de Dort concluiu que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente para receber o evangelho, dependendo, portanto, da uma obra de Deus, que vivifica o homem habilitando a crer em Cristo.

Em ambos os seguimentos doutrinários há equívocos, mas o Calvinismo, neste ponto, é mais pernicioso que o Arminianismo.

Para compreender a essência dos erros destes dois seguimentos teológicos, se faz uma pequena análise da ofensa e condenação de Adão, consequentemente, da obediência e salvação em Cristo, o último Adão.

Vê-se nos argumentos apresentados durante a Reforma Protestante que os teólogos à época interpretavam a Bíblia com base em uma dualidade: Deus ‘versus’ Satanás, entretanto, a Bíblia deve ser interpretada tendo por base dois Adão (homens): Adão e Cristo.

 

Vontade Livre ‘versus’ Total Depravação

O apóstolo Paulo analisou as questões da perdição e da salvação nos seguintes termos:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5:18 -19).

A ofensa de Adão estabeleceu o juízo, e todos os homens foram condenados, por outro lado, com um só ato de justiça, a graça foi concedida sobre todos os homens, ou seja, sem distinção alguma de nação, tribo ou língua.

Em Adão a humanidade já foi julgada e apenda com a morte, em Cristo há salvação poderosa, de modo que por uma substituição de ato, obediência pela desobediência, muitos são feitos justos.

O primeiro equívoco do Arminianismo é afirma que a vontade do homem é livre para escolher, ou a palavra de Deus, ou a de Satanás.

Analisando o Éden, a vontade de Adão era livre caso se decidisse desobedecer a Deus. A palavra de Satanás à Eva não vem ao caso, visto que Adão recebeu mandamento diretamente de Deus, e cabia a Ele como a cabeça do corpo obedecer a Deus, tanto que o casal somente descobriu que estava nu quando Adão tomou do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e comeu.

A ofensa só se consumou quando Adão comeu do fruto, e assim, com a contaminação da cabeça (Adão), o corpo (casal) se perdeu por completo.

Por causa da ofensa, todos os descendentes de Adão foram vendidos ao pecado como escravos, de modo que todos os descendentes de Adão quando entram no mundo, já entram na condição de escravos do pecado.

Em razão da ofensa, o nascimento natural, pelo qual vêm todos os homens ao mundo, tornou-se a porta larga. Ao abrir a madre, todos os homens entram no mundo sob condenação, mesmo não tendo feito escolha ou decisão alguma, e estão em um caminho largo que os conduz à morte.

Para serem salvo, Deus enviou o seu Filho Unigênito na condição de último Adão, e Ele é a porta estreita pela qual os homens devem se decidir entrar, ou seja, novo nascimento para que possam trilhar um caminho estreito que os conduzirá a Deus.

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.” (1 Coríntios 15:45).

Hoje, o homem está no pecado porque entrou no mundo por Adão, a porta larga, e permanece neste estado sem tem feito uma escolha ou decisão, e não há uma palavra de Satanás anunciada no mundo que faz o homem ser conduzido à perdição, e sim, o caminho largo é o único meio que conduz o homem à perdição.

O homem antes da queda, e depois da queda, apesar de escravo do pecado, possui a vontade livre, mas não há a tal escolha entre a palavra de Deus e a palavra de Satanás.

A conclusão de que a salvação depende, portanto, ‘da obra de sua fé’ é outro equivoco completo, tendo em vista que não compreenderam a essência do termo ‘obra’, e nem a natureza do termo ‘fé’.

A salvação decorre de Cristo, a ‘fé’ manifesta, e que foi dada aos santos (Gálatas 3:23; Judas 1:3). Nesse sentido o termo ‘fé’, significa mensagem, verdade, querigma, doutrina, etc., de modo que a fé é anunciada, pregada aos homens (Gálatas 3:2), ao que se dá o nome de fé mutua (Romanos 1:12).

‘Sua fé’ é algo pessoal, no sentido de acreditar, crer, ter convicção, algo pertinente ao home, diferente da fé como dom de Deus, que é Cristo, a verdade anunciada.

Outra questão está relacionada ao termo ‘obra’, que devido ao trabalho de Lutero, acabou demonizada. Martinho Lutero apresentou a fé, no sentido de crer, como essencial à salvação, contrapondo a fé às exigências católicas das indulgencias para salvação, ao que se deu o nome obras.

Com o trabalho de Lutero, a essência do termo ‘obra’ perdeu-se, sendo que o termo era muito utilizado em meio à comunidade judaica à época de Jesus, principalmente nas relações senhor e servo, significando o resultado da obediência a um mandamento.

A obra só acontecia quando havia mandamento de um lado, e obediência do outro. Aristóteles bem apresenta o significado do termo à época:

“… existe uma obra, desde que haja comando de uma parte e de outra, obediência” (ARISTÓTELES, 2011, p. 25);

“… um ser que ordena e um ser que obedece” (ARISTÓTELES, op. cit., p. 20);

Crer em Cristo é uma obra? Conforme Jesus disse, sim!

“Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” (João 6:29).

Crer em Cristo é a obra da fé, pois a fé anunciada aos homens constitui-se mandamento de Deus que os homens devem obedecer para serem salvos.

“Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,” (1 Tessalonicenses 1:3).

Portanto, a salvação depende da obra da fé, que é crer no enviado de Deus, e não da obra da sua fé, que é a crença divorciada do mandamento de Deus, como indulgências, sacrifícios, esmolas, etc. A salvação é por meio do dom de Deus, a fé pela qual o justo viverá, ou seja, a palavra que sai da boca de Deus (Deuteronômio 8:3; Habacuque 2:4).

Os Arminianistas não souberam diferenciar a fé que é anunciada a todos os homens sem distinção alguma, da fé que se refere à crença dos homens.

“Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.” (Romanos 1:8)

A proposta da Vontade Livre é a essência da Bíblia, porém, a defesa formulada pelos Arminianista, equivocada.

Já o argumento da Depravação Total instituída no Sínodo de Dort é totalmente equivocada.

A Bíblia apresenta o homem como escravo do pecado, e não como escravo de Satanás. A morte é o que prendia o homens, sujeitando-os à servidão (Hebreus 2:15), de modo que a condição de pecado era determinada pela imposição (aguilhão) da morte decorrente da ofensa de Adão (1 Coríntios 15:56).

O homem pode exercer a sua vontade livremente, mas o que o torna ligado ao pecado é a lei, assim como a mulher quando ligada ao marido pela lei, e não a sua vontade livre (Romanos 7:1 -3).

Enquanto o homem viver para lei que diz: ‘certamente morrerás’, estará ligado ao pecado pela lei, pois a lei é à força do pecado. A vontade livre do homem não o livra do pecado, e sim, a sua morte para a lei. O problema do homem sob o domínio do pecado não está na sua livre vontade, mas na lei que o mantém ligado ao pecado.

“Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” (1 Coríntios 15:56).

O homem depende do mandamento de Deus para salvar-se (Salmo 71:3), e o evangelho é mandamento: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento.” (1 João 3:23), e quando o homem crê, a obra de Deus é realizada (João 6:29).

Enquanto a Bíblia enfatiza que a obra de Deus é o homem crer em Cristo, o Calvinismo apregoa que a obra de Deus é vivificar o homem para que seja habilitado a crer em Cristo.

Tem-se no conceito da Depravação Total três equívocos:

  1. a) o homem é escravo do pecado;
  2. b) é incapaz de exercer a sua própria vontade livremente, e;
  3. c) depende da obra de Deus para que possa crer.

 

Eleição Condicional versus Eleição Incondicional

Para os Arminianista a eleição é condicional, vez que acreditam que Deus escolheu aqueles que ‘pré-conheceu’. ‘Pré-conhecer’, na concepção Arminianista, é Deus saber antecipadamente quem haverá de aceitar a salvação, e assim escolhe-los, de modo que a escolha de Deus estaria condicionada a uma resposta prevista por Deus.

Os calvinistas, por sua vez, acreditam que o pré-conhecimento de Deus está relacionado ao Seu propósito ou plano, e decorre da livre vontade de Deus, sem qualquer cooperação do homem.

A doutrina calvinista da Eleição Incondicional é equivocada na sua essência, e os Arminianistas, acabaram sendo induzidos a outro erro, ao contraporem os calvinistas.

Os equívocos decorrem por três motivos:

  1. não sabem qual é o propósito eterno de Deus;
  2. desconhecem o que é ‘pré-conhecer’;
  3. desconhecem o objetivo da eleição.

Na Bíblia o proposito eterno de Deus refere-se a congregar em Cristo todas as coisas, de modo que Ele seja Primogênito entre muitos irmãos e mais elevado do que os reis da terra (Efésios 1:10; Efésios 3:11; Salmo 89:27), o Calvinismo entende que o propósito eterno de Deus é a salvação do homem.

O proposito eterno de Deus não é a salvação do homem, pois há um tempo determinado para findar a oportunidade de salvação dos homens. Como há um tempo determinado para findar a oportunidade de salvação, salvar não é o propósito eterno.

Como o proposito de Deus é eterno e, somente Deus é eterno, o propósito d’Ele foi estabelecido n’Ele mesmo, em Cristo. Para realizar o Seu propósito, Deus introduziria no mundo o seu Filho Unigênito, de modo que, quando retornasse à sua glória, alçasse a posição de Primogênito entre muitos irmãos.

Em função do propósito eterno estabelecido em Cristo, Deus criou o homem. Como o proposito de Deus foi estabelecido em Cristo, o eleito de Deus, na criação do homem havia duas alternativas:

  1. se o homem não se corrompesse, o propósito de Deus estaria firme, e;
  2. como o homem se corrompeu, o propósito de Deus permaneceu firme.

Por que o propósito permaneceu firme? Porque o propósito de Deus não se fundamenta em obras, antes n’Ele que chama.

Com a ofensa de Adão, os homens firam em uma condição imprópria para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo, que é fazê-lo primogênito entre muitos irmãos, embora ainda fosse possível fazê-lo o mais elevado do que os reis da terra.

Para introduzir o Seu Filho Unigênito no mundo, Deus elegeu a descendência de Abraão, e, na plenitude dos tempos, o Cristo veio ao mundo como o último Adão (1 Coríntios 15:45). Através de Cristo, o último Adão, todo aquele que crê conforme as Escrituras são crucificados, mortos e sepultados com Cristo, tornando-se livre da lei do pecado e da morte (Romanos 8:2).

Após ser morto e sepultado com Cristo, o homem que estava morto para Deus em delitos e pecados, ressurge com Cristo uma nova criatura, criada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4:24).

Essa nova criatura gerada segundo a semente incorruptível do evangelho torna-se uma com o Pai e o Filho (João 17:21), de modo que o homem ‘conhece’ a Deus, ou antes é ‘conhecido’ d’Ele.

“Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gálatas 4:9).

O crente em Cristo é membro do corpo de Cristo, portanto, ‘conhece’ a Cristo, ou seja, se fez um só corpo com Ele. Somente os que são um só corpo com Cristo, ou seja, que conheceram a Deus, são eleitos para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

‘Estar em Cristo’ é o que concede salvação, pois não há nenhuma condenação para os que são novas criaturas (Romanos 8:1; 2 Coríntios 5:17). Concomitantemente, por estar em Cristo, o crente é eleito para ser santo e irrepreensível diante de Deus.

O termo grego προγινοσ[1] (proginosko), geralmente traduzido por ‘ter conhecimento de antemão, prever, daqueles que Deus elegeu para a salvação, predestinar’, possui uma ideia que é desprezada: estar unido (conhecendo[2]) a Deus de antemão.

Quando lemos em Romanos 8, verso 29: “Porque os que dantes conheceu…”, a ideia em pauta diz daqueles que anteriormente ‘se tornaram um com o Pai e o Filho…’, diferentemente da a ideia equivocada de que Deus anteviu o futuro para eleger ou predestinar.

Qualquer que ama a Deus é ‘conhecido’ de Deus, não no sentido de pré-conhecer, mas no sentido de se tornar um com Ele. É conhecido de Deus quem ‘dantes’ amou a Deus!

“Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele.” (1 Coríntios 8:3).

É equivocada a ideia de que Deus antevê o futuro, conforme alegam através da malograda ideia de que Deus é ‘presciente’. Na verdade, Deus é onisciente, ou seja, conhecedor de todas as coisas, quer do passado, presente ou futuro, de modo que, a concepção da presciência não é um atributo divino.

A ideia defendida em Romanos 8, verso 29, é diferente da ideia contida em primeira Pedro 1, verso 2: “Eleitos segundo a presciência[3] de Deus Pai…”, pois este verso apresenta a ‘presciência’ como a profecia, ou o prognóstico das Escrituras (Atos 2:23), e aquele apresenta a ideia de conhecer previamente, no sentido de se faze um com o Pai e o Filho (Gálatas 4:9).

Considerando a concepção calvinista da soberania de Deus para a salvação, a eleição visa o propósito eterno de Deus estabelecido em Cristo, e não a salvação do homem. A salvação do homem em Cristo, quando se torna um com o Pai e o Filho, é o que torna o homem eleito para ser participante do proposito eterno, que é a preeminência de Cristo em todas as coisas.

A salvação se da pela pregação do evangelho, pois no evangelho está o poder de Deus para redenção do homem. Após ser salvo por intermédio do evangelho, o novo homem por estar em Cristo (conhecer), está apto ao propósito eterno. Nesse sentido a eleição é condicional.

Ao contestar o calvinismo, os Arminianistas além de abraçarem a premissa equivocada de que a eleição possui relação com a salvação, e não considerarem nas Escrituras a questão do propósito eterno, somente substituiu a ideia calvinista da salvação segundo a soberania de Deus pela ideia da salvação segundo a presciência de Deus.

Nem os calvinistas nem os Arminianistas consideraram a eleição tendo em vista o propósito eterno de Deus, antes ambos consideraram a eleição visando à salvação do homem, sendo que um sistema doutrinário aponta para a soberania de Deus e o outro para uma presciência que não é atributo de Deus, mas uma profecia de Deus dada ao homem.

 

Expiação Universal versus Expiação Limitada

A concepção da expiação universal é equivocada, bem como a concepção da expiação limitada.

Quando lemos João 3, verso 16, temos a seguinte declaração:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).

Jesus expôs a Nicodemos que, ao enviar o Seu Filho ao mundo, Deus não fez acepção de pessoas, pois Ele amou o mundo. Embora Deus tenha entregado o seu Filho ao mundo, só obtém vida eterna todo aquele que crê em Cristo.

A expressão ‘todo aquele’ é inclusiva, significando ‘qualquer que’. Por causa do amor de Deus o mundo todo foi agraciado com a vinda do Seu Filho unigênito, porém, a salvação eterna está ao alcance somente dos que creem em Cristo.

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” (Tito 2:11).

Cristo é a graça de Deus manifesta, e por meio dele qualquer homem, independentemente de tribo, nação ou língua, pode alcançar a salvação.

A proposta de Deus ao entregar o Seu Filho ao mundo é salvar os que creem pela loucura da pregação:

“Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” (I Coríntios 1:21).

O homem só conhece a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele, depois que ouve a palavra da verdade, o evangelho da salvação e crê.

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” (Efésios 1:13).

Essa mesma verdade é exposta em outras palavras pelo irmão Tiago, quando ele enfatiza que os cristãos são gerados de novo pela palavra da verdade (Tiago 1:18), e que, portanto, deveriam recebe-la com mansidão, visto que pode para salvar almas (Tiago 1:21). Receber a palavra é o mesmo que ser cumpridor da palavra, diferente do ouvinte esquecido, que não cumpre. Só é bem-aventurado aquele que atenta para o evangelho, à lei perfeita da liberdade, e é perseverante, portanto, uma fazedor da obra (Tiago 1:25 e Tiago 1:4).

Certo é que Cristo morreu, mas não para salvar algumas pessoas em particular ou determinadas, antes ele morreu para salvar a todos quantos crerem.

O erro do Calvinismo é entender que Deus, na eternidade, deu ao Filho pessoas em pecado determinadas para serem salvas, sendo que na eternidade Deus estabeleceu que os que fossem gerados de novo, pela palavra da verdade, seriam como primícias das suas criaturas. As primícias é que pertencem a Cristo, pois são os eleitos de Deus para esse propósito.

Deus não elegeu pessoas determinadas, antes elegeu uma geração: a geração de Cristo. Todos os que são nascidos da semente incorruptível, que é o evangelho, fazem parte da geração eleita, povo adquirido, portanto, primícias de todas as criaturas de Deus, para o seu eterno proposito: a preeminência de Cristo.

Para a salvação em Cristo é imprescindível que o homem ouça a verdade do evangelho, pois no evangelho está o poder para a salvação, e então, crer que Jesus é o Cristo.

 

A Graça pode ser Impedida versus Graça Irresistível

Em primeiro lugar, como a graça de Deus é Cristo, e Ele trouxe salvação a todos os homens, verifica-se que não houve impedimento algum quanto à manifestação da graça de Deus.

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” (Tito 2:11).

Em segundo lugar, Deus quer que todos os homens se salvem,  e para isso e necessário que venham ao conhecimento da verdade do evangelho, pois sem crer no Evangelho não há salvação.

“Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:4).

Assim como Adão sendo livre do pecado pode rejeitar o mandamento de Deus, homem o homem no pecado pode rejeitar o mandamento de Deus que há no evangelho.

Há algumas correções no posicionamento Arminianista a ser observado, vez que o Espírito Santo não tem a missão de levar os homens a Cristo, antes é Cristo que foi enviado como mediador para conduzir os homens a Deus. A missão do Espírito Santo é guiar o crente a toda verdade, diferente da ideia de que o Espírito Santo conduz o homem a Cristo (João 16:13).

Outro equivoco é entender que a vontade de Deus está amarrada à vontade do homem. Deus quer que todos os homens se salvem, diferentemente do Seu propósito, que não fica somente no Seu querer, antes Deus faz tudo o que lhe apraz para levar a efeito a preeminência de Cristo.

Em certo aspecto a teoria Arminianista, de que Deus concede a sua graça é verdadeira, pois se Deus não tomasse a iniciativa de enviar o seu Filho ao mundo ninguém seria salvo. A graça de Deus não induz o homem a crer n’Ele, e nem altera a sua natureza para que possa crer. Crer é capacidade inerente à natureza do homem.

O equivoco está em considerar que a fé é resultado da cooperação de Deus e do homem, o que denominam sinergismo. A fé é dom de Deus, pois se refere a Cristo, o tema da mensagem do evangelho. Mas, como a mensagem do evangelho, a fé entregue aos santos é firme, e Deus é fiel, poderoso e imutável para cumprir oque prometeu, resta ao homem confiar n’Ele, de modo que a crença do homem decorre da fé anunciada.

Quando alguém rejeita o convite do evangelho, não está resistindo o Espírito Santo de Deus como se fosse um oponente à altura, na verdade rejeitou a palavra de Cristo, que é espírito e vida. A mensagem do evangelho é espirito, concedido pela pregação da fé (Gálatas 3:2), e não podemos confundir a mensagem que é espírito, com a pessoa do Espírito Santo, como o fazem os Calvinistas.

Os Calvinistas, por sua vez, alegam que a graça de Deus não pode ser resistida pelo homem, vez que, aqueles que Deus escolheu e predestinou para serem salvos através da sua soberania, são agraciados com o dom da vida, a regeneração, o que os habilita a crer no evangelho, o que denominam monergismo.

Deste modo, os Calvinistas alegam que Deus não ignora a vontade do indivíduo suplantando-a, antes muda a orientação da sua vontade, concedendo-lhe uma graça superveniente.

Ora, considerando o posicionamento Calvinista de que é necessário o homem ser regenerado para que seja habilitado a crer, e assim, poder responder ao evangelho, crendo e ser salvo, segue-se que tal colocação é demasiadamente equivocada, pois desconsidera a verdade de que o homem morto em delitos e pecados, antes de ressurgir com Cristo, tem que ser crucificado, morrer e ser sepultado.

Dai a pergunta: Por que Deus concederia uma graça especial a um morto que, logo em seguida, tem que ser morto e sepultado? Tal proposta é descabida. O homem no pecado está morto para Deus, porém, vivo para a lei do pecado e da morte, e mesmo nessa condição a sua vontade é livre para decidir ouvir a voz do Filho de Deus (João 5:25).

O que retém o homem nessa condição é o medo da morte (Hebreus 2:16), mas quando lhe é anunciado a verdade do evangelho, em que o homem é informado que se crer em Cristo se conforma com Ele em sua morte, sendo crucificado, morto e sepultado, de modo que ressurgirá uma nova criatura para a glória de Deus Pai, como não atentar para tão grande salvação?

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;” (Hebreus 2:3).

As questões que envolvem a graça de Deus são diferentes das questões que envolvem o propósito eterno de Deus. Enquanto com relação a graça o homem é livre para aceitar a mensagem da cruz, crendo em Cristo, com relação ao propósito eterno de Deus, que é Cristo preeminente sobre todas as coisas, todos que creem em Cristo são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo.

Com relação ao propósito eterno o homem não tem com exercer escolha: se creu em Cristo, não terá outro destino a não ser conforme a imagem de Cristo, pois é assim que Ele é feito primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele. Observe que a predestinação é para ser conforme a imagem de Cristo, e não para ser salvo, pois a salvação é por meio do evangelho.

 

O Homem pode Cair da Graça versus Perseverança dos Santos

As questões da perda da salvação e da perseverança dos santos decorrem de questões lógicas, tanto no Calvinismo quanto no Arminianismo.

Como o Arminianismo não crê na predestinação para salvação segundo a soberania, mas numa predestinação segundo a presciência, logo, quem exerceu a livre vontade e creu, a qualquer momento, ante um vento de doutrina, pode deixar de crer ou passar a outro evangelho, como estava passando os cristãos da Galácia.

O Calvinismo, por sua vez, como crê na predestinação para a salvação segundo a soberania de Deus, sustenta que não perderá a salvação por ser decorrente de uma eleição e predestinação. Neste ponto, por mais absurdo que pareça ao Calvinismo manter a lógica, tiveram que abraça-la, para não fazerem ruir a concepção teológica.

Deus começou a sua boa obra nos que creem concedendo um mandamento como Senhor, o evangelho, e é certo que Ele a aperfeiçoará até o dia de Cristo, quando Ele se manifestará como a cabeça da igreja, o seu corpo, formado de irmãos semelhantes a Ele, sendo Ele o primogênito.

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” (Filipenses 1:6).

É Deus quem aperfeiçoa a Sua obra por Ela ser executada em Cristo, mas a perseverança é cuidado que fica a cargo dos que creem, e não uma obra que Deus realiza.

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” (Mateus 24:13).

Cabe ao cristão ter cuidado da doutrina e de si mesmo, perseverando nela, pois disto depende a salvação de quem crê dos que ouvem o evangelho.

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4:16).

A ideia da perseverança dos santos com apresentada pelo Calvinismo não é bíblica, pois cabe ao crente perseverar na doutrina para ter tanto o Pai como o Filho.

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.” (2 João 1:9).

O apóstolo Pedro se preocupava com aqueles que, sendo enganados, abandonassem a crença em Cristo.

“Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza;” (2 Pedro 3:17).

Os Calvinistas alegam que, caso alguém descaia, que o tal não era eleito e nem predestinado, pois se fosse, mesmo que abandone a verdade do evangelho, Deus o fará voltar porque está predestinado a ser salvo.

 

Eleição e predestinação para salvação

Conforme o exposto, a diferença crucial entre o Arminianismo e o Calvinismo se resume nas palavras soberania e livre-arbítrio. Enquanto os Calvinistas entendem que Deus opera a salvação na vida do homem conforme a sua livre e soberana vontade, os Arminianos salientam que o homem é capaz de por si só aceitar ou rejeitar a verdade do evangelho.

Entretanto, ambos os sistemas doutrinários estão equivocados, pois acreditam que Deus elegeu e predestinou alguns homens para a salvação, e a diferença entre ambos repousa em equívocos quanto à soberania e a presciência de Deus.

Primeiro porque Deus não salva ninguém porque escolheu ou predestinou, antes pela loucura da pregação. Deus elegeu e predestinou os que creem em Cristo para o seu propósito estabelecido em Cristo, e os salvos são chamados e predestinados a esse propósito, o que é completamente diferente da ideia de ser predestinado para a salvação.

Segundo, a concepção da presciência de Deus é equivocada, assim como a ideia construída sobre a soberania de Deus.

Deus não é presciente, antes é onisciente, vez que é onipresente. Ao revelar eventos futuros aos homens podemos falar em presciência, porém, Deus não precisa prever ou fazer prognóstico acerca do futuro, pois todas as coisas estão nuas e patentes aos seus olhos.

Quando dizemos que Deus é soberano, isto não quer dizer que Ele pode fazer o que quiser, mesmo tendo poder para tal. Deus é soberano por não haver quem olhe seja superior na ordem do universo, sendo Ele mesmo o criador de todas as cosias.

Mesmo sendo soberano, Deus não pode muitas coisas. Ele não pode mentir, negar a si mesmo, não cumprir a sua palavra, deixar de ser Deus, etc. Por causa da sua retidão e justiça, Deus não pode salvar quem quiser, vez que Ele sendo justo não pode justificar o ímpio. Entretanto, sendo justo e reto, Deus propôs exercer misericórdia aos que O obedecem, para que Ele seja justo e justificador dos que tem fé (creem) em Cristo.

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:26).

 

[1] “4267 προγινοσ κω proginosko de 4253 e 1097; TDNT – 1:715,119; v 1) ter conhecimento de antemão 2) prever 2a) daqueles que Deus elegeu para a salvação 3) predestinar” Dicionário bíblico Strong.

[2] “1097 γινωσ κω ginosko forma prolongada de um verbo primário; TDNT – 1:689,119; v 1) chegar a saber, vir a conhecer, obter conhecimento de, perceber, sentir 1a) tornar-se conhecido 2) conhecer, entender, perceber, ter conhecimento de 2a) entender 2b) saber 3) expressão idiomática judaica para relação sexual entre homem e mulher 4) tornar-se conhecido de, conhecer Sinônimos ver verbete 5825” Dicionário bíblico Strong.

[3] “4268 προγνω σις prognosis de 4267; TDNT – 1:715,119; n f 1) pre-conhecimento 2) presciência, prognóstico” Dicionário bíblico Strong.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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