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Cooperadores de Deus


Somos cooperadores de Deus. Esta afirmação do apóstolo Paulo é pouco compreendida e até mesmo distorcida. Assimilamos a expressão “cooperadores” como “ajudantes”, pois acreditamos que “Deus faz tudo” e nós ajudamos, como um menino que “ajuda” o pai a lavar o carro, ou “Deus faz tudo através de nós”, e no caso seríamos apenas marionetes, como o menino que “escreve” uma carta para a mãe tendo sua mão segura e conduzida pela mão do pai.

A expressão “cooperar”, entretanto, pode significar ação conjunta, onde cada um dos cooperadores tem seu papel, sua contribuição, e o resultado é a “soma sinérgica” das partes. Escolho “soma sinérgica” para me referir ao princípio onde, na ação conjunta, 1+1 pode ser mais do que 2, pois quando dois trabalham juntos o resultado é maior do que a simples soma das partes. Nesse caso, cooperar com Deus significa realmente contribuir visando um resultado que não seria obtido com a atuação isolada tanto de Deus quanto da pessoa que com ele coopera.

Por exemplo, diz a Bíblia que “se o Senhor não guardar a Cida, em vão vigia a sentinela” e “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”. Veja que a ação de Deus sobre a ação humana potencializa o resultado: não se pode deixar a cidade sob a vigilância de Deus enquanto os guardas dormem, nem se pode deixar a construção da casa aos cuidados de Deus enquanto os construtores folgam. Mas nem o guarda nem os construtores terão o mesmo resultado caso deixem Deus de fora do processo.

Mal compreendida, a expressão “cooperar com Deus”, desenvolvemos posturas distintas, que nos impedem de fazer o que Deus espera que façamos e por conseguinte não nos permite colher os resultados desejados por Deus. Por exemplo, em vez de cooperação, escolhemos a teimosia: pretender convencer Deus de que estamos certos, prolongando uma discussão que já deveria ter sido encerrada. Além da teimosia, podemos chegar à rebeldia: desobediência explícita á vontade de Deus. Também podemos agir a partir da anulação: deixamos de expressar nosso coração a Deus, alegando que não importa nossa vontade, mas apenas a dele. Agimos também na base da resignação: dizemos a deus o que pensamos e sentimos, mas mesmo não convencidos aceitamos fazer o que Deus quer. Há também a possibilidade da pretensão: achar que conseguiremos desempenhar melhor papel sem a interferência de Deus. Finalmente, podemos agir com base na submissão: a opção consciente de obedecer, motivada pela confiança no amor e na sabedoria de Deus.

Sem dúvida, a submissão é a melhor de todas as alternativas, mas ainda não é o estágio final de nossa cooperação com Deus. Atingiremos o máximo da intimidade e da cooperação com Deus quando nossas vontades estiverem misturadas de tal maneira que não haverá distinção entre uma e outra. Isso é possível porque “temos a mente de Cristo”, mas quase impossível, pois somente pessoas absolutamente controladas pelo Espírito Santo alcançarão este nível de relacionamento com Deus.

Fonte: IBAB

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