A fé que uma vez nos foi dada

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Em crer em Cristo não há mérito, pois não há vanglória em obedecer, ou jactância em se fazer servo. Crer em Cristo é o mandamento de Deus, e o amor de Deus é que obedeçamos aos seus mandamentos.


A fé que uma vez nos foi dada

“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho.” (Filipenses 1:27).

Você compreende o significado da fé foi concedida por Deus? Você entende o conceito de fé que é dom de Deus? Você sabe qual é a fé que o apóstolo Paulo guardou após combater o bom combate?

Os apóstolos utilizaram o substantivo grego πίστις, transliterado ‘pistis’ quando fizeram referência a fé que foi dada (Judas 1:3), a fé que é dom de Deus (Efésios 2:8), e que pode ser guardada ao fim do combate (2 Timóteo 4:7).

A ‘fé que foi dada’ diz do evangelho: uma doutrina que exige confissão, ou seja, diz de um mandamento que deve ser obedecido.

Quando lemos que o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16), ou, que quem ouve a palavra da verdade, o evangelho da salvação e crê, passa a estar em Cristo (Efésios 1:13), entendemos que a ‘fé que foi dada’ é o que faz os homens agradáveis a Deus (Hebreus 11:6).

A fé que foi dada diz de um firme fundamento (Hebreus 11:1), na qual o cristão deve permanecer fundados e firmes, sem se demover:

“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.” (Colossenses 1:23).

A fé que foi dada assume vários significados no Novo Testamento, pois há passagens em que a fé é apresentada como mensagem (Romanos 1:8), ou doutrina a ser obedecida (Romanos 1:5), ou um conhecimento mútuo (Romanos 1:12). Em outras passagens a palavra fé assume o significado de Cristo, como a fé a ser manifesta (Gálatas 3:23), ou como a fé que veio para remover o aio (Gálatas 3:25).

Essas ressignificação do substantivo grego πίστις só é possível porque a Bíblia apresenta Jesus como o autor e consumador da fé.

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” (Hebreus 12:2).

Como Cristo e o tema do evangelho, podemos utilizar o termo fé para falar do evangelho como ‘pregação da fé’ (Gálatas 3:2 e 3). Ou, como o tema da doutrina do evangelho é Cristo, podemos dizer que batalhar por Cristo é batalhar em defesa da fé do evangelho (Filipenses 1:27). Judas, ao falar da salvação comum aos cristãos, que é Cristo, sentiu a necessidade de exortar a batalhar pela fé, ou seja, pelo evangelho.

A ‘fé’ é descrita pelo apóstolo dos gentios como dom de Deus porque Cristo é o dom de Deus (Efésios 2:8; João 4:10). Sem Cristo, o dom de Deus, a fé manifesta ou o firme fundamento, não há salvação, porquanto não há outro nome dado entre os homens pela qual devam ser salvos (Atos 4:12).

Graciosamente Deus deu ao mundo o seu Filho Unigênito, o dom da fé, pela qual o justo viverá, como está escrito: “Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá.” (Habacuque 2:4).

Primeiro foi dado aos homens Cristo, a fé manifesta, e por Cristo é dado um mandamento:

“Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido.” (I Pedro 2:6).

A pedra principal de esquina é posta por Deus, portanto o firme fundamento. E em seguida é dado um mandamento: “E quem nela crer não será confundido’!

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento.” ( João 3:23).

Crer, acreditar, descansar, repousar, confiar, etc., em Cristo não é o dom de Deus, o dom de Deus é Cristo, o firme fundamento. A fé como doutrina, evangelho, verdade, Cristo, etc., precede a crença, pois esta só ocorre em função daquela.

O termo grego traduzido por crer é o verbo πιστεύω, transliterado pisteuó. Os apóstolos não fazem referencia a Cristo, ao evangelho, à verdade, etc., utilizando o verbo pisteuó, somente o substantivo pistis.

É por Cristo que o homem tem confiança em Deus (2 Coríntios 3:4). Sem Cristo não há como o homem confiar e ser recompensado. Que adianta ter confiança em Deus e não ter confiança em Cristo (João 14:1), pois não foi dado aos homens serem salvos pelo nome de Deus, mas pelo nome de Cristo.

“E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” (João 6:69).

Muitos, por desconhecerem a natureza da fé: Cristo a fé dada, anunciada, defendida e guardada, se embaraçam em questões como: O que veio primeiro, a fé ou o arrependimento? Quem veio primeiro, a fé ou a regeneração?

Se o leitor da Bíblia não compreender a natureza da fé, também não compreenderá a natureza do ‘crer’, e fará grande confusão.

Crer em Cristo não confere ao homem mérito, pois o mérito está em Deus que é fiel, verdadeiro, imutável e todo poderoso. O Deus não depende de o homem crer para que Ele seja verdadeiro, ou exista, antes, Ele é verdadeiro e galardoador, por isso os homens devem crer.

A fé manifesta não é o mesmo que crer, pois crer é sujeitar-se a um mandamento, e a fé é o mandamento.

“Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé;” (Romanos 16:26).

Crer é obediência à fé, o mandamento do Deus eterno. A fé como mandamento precede o arrependimento e a regeneração.

Quando é anunciada a fé e o homem muda a sua concepção de como ser salvo, ocorre a ‘metanoia’, a mudança de concepção, ou seja, o arrependimento. Sem a mensagem do evangelho não há arrependimento, não há confissão de que Jesus é o Cristo.

Sem a fé, que é evangelho, não há a semente incorruptível, pela qual o homem é gerado de novo para uma viva esperança (1 Pedro 1:3 e 23 -25).

Em crer em Cristo não há mérito, pois não há vanglória em obedecer, ou jactância em se fazer servo. Crer em Cristo é o mandamento de Deus, e o amor de Deus é que obedeçamos aos seus mandamentos. Quem crê em Cristo nega-se a si mesmo, pois se torna servo da justiça. Negar-se a si mesmo é se humilhar, deixando de fazer a própria vontade para fazer a vontade de Deus.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.” (1 João 5:3).

Quando Deus amou o mundo, deu ao mundo um mandamento, por isso é dito:

“E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:14 -16).

O Filho do homem foi levantado como a serpente levantada por Moisés no deserto para que todo aquele que creia não pereça, antes alcance vida eterna. Há um mandamento implícito no ato de Deus dar o seu Filho, porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos.

“Mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador;” (Tito 1:3).

O evangelho é a palavra de Deus confiada ao apóstolo Paulo e, Cristo é o tema do evangelho, pois a seu tempo Ele foi manifesto, e a palavra da pregação é segundo o mandamento de Deus.

A fé é o mandamento de Deus que deve ser guardado sem macula e repreensão, o que o apóstolo Paulo fez quando terminou a carreira: guardou a fé sem mácula e repreensão.

“Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo;” (1 Timóteo 6:14).

Quando Jesus amou o jovem rico, também deu um mandamento, mas o mandamento dado por Deus à igreja é permanecer em Cristo, ou seja, firme na fé.

“E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me.” (Marcos 10:21).

O crente deve permanecer fundando e firme em Cristo, a fé que foi manifesta, e não se demover da esperança do evangelho, ou seja, não deixar de crer que Jesus é o Cristo.

“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.” (Colossenses 1:23).

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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