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Basta ensinar a verdade do evangelho, de que Jesus morreu pelos nossos pecados, e que a morte de Cristo se deu em obediência ao Pai, que jamais alguém sentirá culpa alguma pelos sofrimentos suportados por Jesus.


Jesus morreu por nossos pecados

A vontade de Deus

Em época de comemoração religiosa sempre aparece estudiosos com teorias e divagações acerca de questões bíblicas, mas, tem ideias que, pelo absurdo da proposta, carece ser comentado.

Na chamada sexta-feira da paixão, me deparei com um artigo na internet sob o título “Jesus não morreu por ‘nossos pecados’ e sim por enfrentar o interesse, a conveniência e a cobiça”[1], texto assinado por um frade da Ordem dos Servos de Maria, Alberto Maggi, rotulado biblista italiano, traduzido por Francisco Cornélio.

O frade Maggi fez uma rápida releitura do funcionamento do templo de Herodes, à época de Jesus, e chega a seguinte conclusão:

“Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o Filho de Deus: “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38). O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado, que o Senhor em sua misericórdia sempre consegue apagar, mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente refratários à ação divina.” Alberto Maggi, Jesus não morreu por ‘nossos pecados’ e sim por enfrentar o interesse, a conveniência e a cobiça, artigo disponível na Web.

Nesta conclusão, o frade Maggi, nas duas primeiras frases do parágrafo contraria duas questões essenciais ao evangelho de Cristo:

  1. Jesus morreu pelos nossos pecados – O apóstolo dos gentios é contundente: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,” (1 Coríntios 15:3). Se o apóstolo Paulo afirmou categoricamente que Jesus morreu pelos nossos pecados, qual é a pessoa que detém autoridade, por mais que possua formação acadêmica, para falar que Jesus não morreu pelos nossos pecados? Cristo, a seu tempo, morreu pelos pecadores, ou seja, pelos ímpios “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.” (Romanos 5:6).
  2. A morte de Cristo era a vontade de Deus – O apóstolo dos judeus, ao fazer a sua primeira exposição foi taxativo: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;” (Atos 2:23). Cristo foi entregue segundo a vontade (conselho) de Deus e conforme o previsto nas Escrituras (presciência). O escritor aos Hebreus deixa evidente que os cristãos são santificados pela oferta do corpo de Cristo (Hebreus 10:10), e, Cristo mesmo, tem a vontade de Deus como um cálice a beber (Mateus 20:22; Marcos 14:36).

 

A parábola do herdeiro

Após negar duas questões essenciais ao evangelho de Cristo, o frade Maggi enfatiza a ideia de que Jesus morreu por causa da ganancia de uma instituição religiosa, e cita trecho de uma parábola contada por Jesus; “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mateus 21:38).

A parábola não expõe nenhuma instituição, antes homens que, apesar de serem leitores das Escrituras, não atinaram que, conforme predito nos Salmos, rejeitariam o Cristo, que por sua vez, seria anunciado aos gentios:

“Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Essa foi posta por cabeça do ângulo; Pelo Senhor foi feito isto, E é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos.” (Mateus 21:42 -43).

Ora, os evangelistas Mateus e Marcos registraram que Pilatos sabia que, por inveja, os líderes judaicos entregaram o Cristo para ser morto.

“Porque sabia que por inveja o haviam entregado.” (Mateus 27:18; Marcos 15:10).

Mas, o fato de os principais dos judeus invejarem o ministério de Jesus e O entregarem para morrer, não depõem contra a verdade de que Jesus morreu pelos nossos pecados e que essa era a vontade de Deus.

Pela abordagem do frade Maggi, percebe-se uma crítica velada as instituições religiosas. Mas, não é somente as instituições religiosas que sofrem deste mal, pois, na essência, todas as instituições humanas são potencialmente capazes, em razão de interesses da liderança, tentar eliminar quem interfira em seus interesses.

Mas, esta questão última, nem de longe depõe contra a verdade de que Jesus morreu pelos pecadores, e segundo a vontade do Pai.

Outra questão a ser analisada é a ideia de que os ‘interesses’, as ‘conveniências’ ou a ‘cobiça’ humana é o que torna o homem refratário à ação divina, pois o frade parece desconhecer que a ação divina não é tolhida por questões humanas. A ação divina, apesar da oposição dos escribas e fariseus, foi dar o seu Filho Unigênito ao mundo para que todo aquele que nele crê não pereça, mas alcance a vida eterna (João 3:15 -16).

Quando alguém pergunta por que o Filho de Deus morreu crucificado, certo é que a resposta imediata somente apresenta um dos aspectos, que é: Cristo morreu pelos nossos pecados. No entanto, a morte de Cristo na cruz decorre de outra questão, e que possibilitou o perdão dos nossos pecados.

Cristo morreu crucificado em obediência ao Pai, pois apesar de ser o Filho, no mundo Ele teve que se fazer servo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz (Filipenses 2:8), pois como o pecado entrou no mundo pela desobediência de um homem, somente por um ato de justiça de outro homem (e o ato é a obediência), muitos são feitos justos (Romanos 5:19).

Morrer por morrer muitos morreram e morrem, e  cada qual com um determinado grau de sofrimento. Muitos morreram ao longo da história por suas causas, como mártir, como heróis, etc., outros como covardes, massacrados,  guerras, etc.

Mas, com relação a Cristo, Ele morreu não porque desejava a morte para ser um mártir e inspirar outras pessoas, antes morreu em obediência. Na morte de Cristo a questão maior é a obediência, pois Deus mesmo enfatizou: obediência quero e não sacrifício! (Oseias 6:6; Salmo 40:6 -8)

Cristo, na condição de servo de Deus, devia obediência ao Pai, e só foi morto porque Ele também era o cordeiro de Deus. Se não compreendermos a questão da obediência, não compreendemos como se dá a justificação do homem, pois necessariamente para Deus ser justo e ser possível Ele justificar o homem, teve que haver substituição de ato: obediência pela desobediência (Romanos 5:18).

Que é inevitável que quem tenha conhecimento de como foi o sofrimento e a crucificação de Cristo acabe recordando e, de certa forma, trazendo à memoria alguma imagem cruenta do evento, isto é fato. Mas, querer dizer que, quem se lembra da morte de Cristo, poderá ser acometido por um sentimento de culpa pelo fato de que a doutrina cristã estabelece que Jesus morreu pelos nossos pecados é inferência vazia.

 

A psique humana

No dia a dia são inúmeras as pessoas que frequentam psicólogos e psiquiatras por questões mil. No entanto, inferir que, por causa da doutrina que evidencia que Jesus morreu pelos nossos pecados, corre-se o risco de se infiltrarem sentimentos de culpa nas profundezas da psique humana, sob o argumento de ‘como bem sabem psicólogos e psiquiatras’, é leviano, pois nesse dito ‘saber’ dos profissionais de saúde mental não há nenhum dado cientifico.

Pelo artigo do frade, parece que os psiquiatras e psicólogos atendem somente pessoas religiosas, e mais, em razão de culpa por Cristo ter morrido pelos nossos pecados, e que somente as pessoa religiosas são acometida de medos e distúrbios.

O que se percebe através do artigo frade Maggi, que na tentativa de evitar que as pessoas se sintam culpas pelo fato de Jesus ter morrido pelos nossos pecados, lançou mão da ideia de que Jesus morreu por causa de interesses institucionais.

Há pessoas que sentem culpa sim em função de questões religiosas, porém, a culpa advém justamente de ensinamentos refratário as Escrituras em função dos interesse de líderes de instituições religiosas que querem manter o controle sobre os seus adeptos através de elementos como: não toques, não manuseies e não proves (Colossenses 2:21), e que não ensinam a verdade do evangelho.

Basta ensinar a verdade do evangelho, de que Jesus morreu pelos nossos pecados, e que a morte de Cristo se deu em obediência ao Pai, que jamais alguém sentirá culpa alguma pelos sofrimentos suportados por Jesus.

Que seja ensinado segundo a verdade qual é o pecado pelo qual Jesus Cristo morreu: a morte (separação) em decorrência da ofensa de Adão, que ergueu a barreira de separação entre Deus e os homens, e não conceitos humanos como os ‘sete pecados capitais’.

É imprescindível a quem anuncia o evangelho deixar bem claro as pessoas que somente um homem pecou, no sentido de transgredir um mandamento (Gênesis 2:16 -17), o que o apóstolo Paulo chamou de ‘ofensa’ (Romanos 5:12 -19). O pecado que afetou todos os descendentes de Adão diz de uma condição herdada de berço, isto por causa da ‘morte’ ter entrado no mundo pela ofensa de Adão e, essa condição ter passado a todos os homens.

Como a condenação de Adão passou a todos os homens, é dito que todos os homens pecaram, não em um sentido moral, comportamental ou de caráter, antes ‘pecaram’ no sentido do uso camponês do termo, quando é dito que um fruto de uma árvore ‘pecou’ ao não estar dentro dos parâmetros estabelecidos para consumo.

Jesus não diz que os escribas e fariseus eram pecadores por questões próprias aos sete pecados capitais, como moral, comportamento e caráter. Eles eram pecadores por não admitirem que o testemunho das Escrituras é verdadeiro, de que eles eram de fato cegos.

“Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver.” (Isaías 42:18);

“Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.” (João 9:41).

 

[1] <https://www.diariodocentrodomundo.com.br/jesus-nao-morreu-por-nossos-pecados-e-sim-por-enfrentar-o-interesse-a-conveniencia-e-a-cobica/ >  Consulta em 30/03/18.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

Um comentário em “Jesus morreu por nossos pecados

  • 20/04/2018 em 21:27
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    Tenho gostado muito de seus estudos,
    Me deleito muito, muito mesmo!
    Parabéns meu amado.

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