Natureza pecaminosa

A natureza pecaminosa só é aniquilada após o homem ser crucificado com Cristo, morto e sepultado (Rm 6:6).


Natureza pecaminosa

Vincent Cheung, presidente da ‘Reformation Ministries International’, define a natureza pecaminosa do homem nos seguintes termos:

“Nós podemos definir a natureza pecaminosa do homem como uma forte disposição da mente para o mal (Colossenses 1:21; Romanos 8:5-7)” Vincent Cheung, Teologia Sistemática, páginas 188-189, disponível em: < http://www.monergismo.com/textos/regeneracao/regenerados_ts_cheung.htm > Acesso em 09/12/17.

A definição de Cheung é, no mínimo, equivocada, para não dizer mal intencionada, tendo por base a má leitura dos versículos que ele cita. Senão, vejamos.

 

A natureza do homem

A Bíblia é contundente em demonstrar que a natureza pecaminosa do homem abrange todo o seu ser e não somente uma disposição da mente. Por natureza pecaminosa, entende-se a essência do homem no pecado. Por ser gerado de uma semente corruptível, o pecador está separado de Deus e pertence ao pecado (Sl 51:5).

O homem é pecador por ter sido gerado e nascido no pecado, condição que não diz da disposição mental do indivíduo, mas do corpo, da alma e do espírito. Natureza pecaminosa é a condição do homem preso à condenação que herdou de Adão, a morte. Diz da má condição do homem: morto para Deus e vivo para o pecado (1 Co 15:21-22; Rm 5:16).

E, em função da alienação de Deus, que é dito que a natureza do homem é má, ou seja, ruim, vil, mentirosa, em trevas, etc., no sentido de inferior, ralé, escravo, o que contrapõe a natureza de Deus, que é bom, nobre, verdadeiro, luz. A análise acerca da natureza humana decaída não é da perspectiva moral ou, do caráter, mas do que é de per si.

Por isso é dito:

“De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” (Romanos 3:4).

Os termos ‘verdadeiro’ e ‘mentiroso’ não possuem conotação moral, antes, apontam, respectivamente, para a essência de Deus e do homem: este vil e aquele nobre.

Os escribas e fariseus eram maus, ou seja, vis, escravos, ralé, etc., em função da sujeição ao pecado, o que não os impedia de dar boas dádivas aos seus semelhantes.

“Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” (Mateus 7:11).

Os escribas eram maus porque eram mau nascidos, ou seja, não eram filhos de Deus, uma mancha, geração perversa e depravada (Dt 32:5). Embora a disposição mental deles fosse dar esmolas, fazer jejuns, orações prolongadas, etc., contudo, eram maus diante de Deus, por causa da natureza que herdaram de berço.

Em função do coração maligno que herdaram de Adão, não conseguiam dizer coisas boas, pois, falavam segundo os seus corações enganosos (Mt 12:34; Sl 58:3).

“O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem e o homem mau, do mau tesouro do seu coração, tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca” (Lucas 6:45).

O homem bom é aquele que descende de Deus e do seu coração procede o bem. Já o homem mau, é o mau nascido, ou seja, descendente da carne, do sangue e da vontade do varão (Jo 1:12-13).

Ao escrever aos cristãos de Colossos, no verso 21, do capítulo 1, o apóstolo Paulo não estava tratando da antiga natureza pecaminosa dos seus interlocutores, mas, da compreensão equivocada que os homens possuem, antes de serem salvos.

Com relação à natureza pecaminosa, entende-se que é necessário ao homem ser transportado das potestades das trevas para o reino de Cristo, ou seja, no verso 13 o apóstolo fez referência à natureza do homem sem Cristo: está sob domínio das trevas (Cl 1:13).

E como o homem é tirado da potestade das trevas e transportado para o reino de Cristo? Morrendo com Cristo, para que o corpo do pecado seja desfeito e, assim, cesse o domínio do pecado e, em seguida, Deus faz nascer um novo homem, que pertence ao reino de Cristo, vivo para Deus e morto para o pecado.

A natureza pecaminosa só é aniquilada após o homem ser crucificado com Cristo, morto e sepultado (Rm 6:6). Quando o pecador tem um encontro com Cristo, não é crucificada ‘uma forte disposição da mente para o mal’, mas, sim, o velho homem, uma natureza em sujeição ao pecado. No encontro com Cristo, não há a circuncisão de uma disposição mental, mas, o despojar do corpo da carne, a circuncisão de Cristo (Cl 2:11).

Devemos sempre lembrar que os homens nascidos segundo a semente corruptível de Adão, inexoravelmente, possuem uma natureza pecaminosa. A natureza pecaminosa é condição que o homem herda de nascimento e não decorre das suas disposições mentais.

Natureza pecaminosa é condição própria de quem entrou neste mundo pela porta larga, Adão, e segue por um caminho largo, que conduz à perdição. É um homem mau, por ser escravo do pecado, de condição vil, inferior.

Ao citar Romanos 8, versos 5 a 7, para enfatizar que a disposição mental do homem é má, Cheung torce a temática da passagem bíblica, pois, os termos ‘carne’ e ‘espírito’ são apresentados como antagônicos, portanto, não diz de disposição mental, antes foi um modo do apóstolo Paulo contrapor aqueles que seguem mandamentos de homens (carne), com aqueles que seguem a verdade do evangelho (espírito).

No texto, carne está para ‘mandamentos de homens’, assim, como, espírito para ‘mandamento de Deus’ e os seus seguidores se opõem, sendo que os que se guiam por mandamento de homens, nunca se sujeitam à lei de Deus, diferente daqueles que se guiam pelo espírito.

Daí a máxima:

“PORTANTO, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas, segundo o Espírito” (Romanos 8:1).

Não há condenação para os que são novas criaturas, por intermédio do evangelho, pois, servem a Deus em novidade de espírito (evangelho), diferentemente, dos que permanecem na velhice da letra, ou seja, na carne, onde há condenação.

“Mas, agora, temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito e não na velhice da letra (Romanos 7:8).

 

Regeneração

Regeneração ou, novo nascimento, é ato criativo de Deus, que faz vir à existência um novo homem, participante da natureza divina (2 Pedro 1:4). Diferentemente do homem gerado segundo a semente de Adão, participante de uma natureza terrena e corruptível, o novo homem é gerado da água e do espírito, ou seja, através da palavra de Deus.

Ser ‘regenerado’ é o mesmo que ressurgir com Cristo uma nova criatura (Rm 6:4), gerada segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Cl 3:1; Ef 4:24).

Quando a Bíblia fala de regeneração, ela trata da criação de um novo ser, com uma nova natureza, decorrente de uma nova semente e segundo a vontade de Deus. Não é reformulada a velha natureza ou, feito uma melhorada, como se entende, através de uma mudança de disposição mental.

Para ser regenerado, primeiro é necessário morrer, sendo crucificado, morto e sepultado com Cristo. Sem a morte do velho homem e da velha natureza, não há regeneração.

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1:12-13).

Mas, segundo a concepção de Vincent Cheung que, por sinal, é calvinista, a regeneração trata de mudança de personalidade e de intelecto e, ainda, da transformação do ‘espectro inteiro de sua cosmovisão e estilo de vida’.

“REGENERAÇÃO é uma obra de Deus, na qual ele muda tal disposição má numa que se deleita nas leis e nos preceitos de Deus (Ezequiel 11:19-20, 36:26-27) e isso resulta no que significa uma ressurreição espiritual. Regeneração é uma transformação drástica e permanente no nível mais profundo da personalidade e intelecto de alguém, que podemos chamar de uma RECONSTRUÇÃO RADICAL. [35] Os compromissos mais básicos do indivíduo, são voltados de objetos e princípios abomináveis, que ele uma vez serviu, para Deus. Essa mudança no primeiro princípio de pensamento e conduta de uma pessoa gera um efeito replicante que transforma o espectro inteiro de sua cosmovisão e estilo de vida” (Idem).

São dúbias as colocações de Cheung, acerca da regeneração, vez que afirma que a regeneração é uma mudança da ‘disposição má’. O que seria tal disposição má, que ao ser mudada, também, significa ressurreição espiritual?

A ressurreição não é algo que se dá nas disposições internas do individuo, mas algo que ocorre quando o individuo se une a Cristo. É algo que ocorre somente quando o homem é batizado na morte de Cristo, pelo fato de ter se tornado participante da carne e do sangue de Cristo, ou seja, da sua doutrina.

Mudança de personalidade só ocorre por doenças, lesões, abuso de drogas ou, de transtornos psicológicos. Na Bíblia, não se vê nenhum dos discípulos de Jesus tendo alteração de personalidade ou, de intelecto.

O apóstolo Pedro é prova cabal dessa verdade, pois, é certo que ele nasceu de novo e foi salvo, segundo a fé em Cristo. Entretanto, não vemos nenhuma mudança de personalidade e nem mesmo de intelecto, pois, sendo pescador e indouto, necessitou de alguém que escrevesse as suas epístolas (1 Pe 5:12). Após anunciar Jesus aos seus concidadãos, teve de aprender que não deveria considerar ninguém comum ou, impuro (At 10:28), o que demonstra que, na conversão, não há mudança de personalidade ou, de intelecto.

Para colocar o seu ponto de vista calvinista, Cheung, claramente, contraria a Bíblia, ao dizer: ‘uma pessoa não nasce de novo pela fé’.

“Regeneração, ou ser “nascido de novo”, ocorre em conjunção com o chamado eficaz de Deus para com os seus eleitos (1 Pedro 1:23; Tiago 1:18), e os capacita a responder em fé e arrependimento a Cristo. Isso significa que a regeneração precede a fé; isto é, uma pessoa não nasce de novo pela fé, mas ela é capacitada a crer precisamente porque Deus a regenerou primeiro. Fé não é a pré-condição da regeneração; antes, a regeneração é a pré-condição da fé” (Idem).

Além de não compreender a doutrina da Regeneração, Cheung desconhece que a ‘fé’, pela qual o homem nasce de novo, não diz da crença do indivíduo, antes diz da ‘verdade’ do evangelho, que é Cristo, manifesto aos homens, sem a qual ninguém verá a Deus.

“Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3:23).

A ‘fé’ pela qual uma pessoa nasce de novo, diz da ‘fé’ que uma vez foi dada aos santos (Jd 1:3), e após acabar a carreira, cada crente deve estar de posse dela.

A ‘fé’, como evangelho, é pré-condição para a regeneração, pois, sem haver a mensagem de salvação e sem haver quem pregue, não há quem creia e nem regeneração. É a fé pela qual o justo viverá, ou seja, a palavra de Deus (Dt 8:3).

Cristo, como a ‘fé’ manifesta, ou seja, a verdade, é pré-condição para o homem crer (ter fé). Como estar de posse da ‘fé’, se ela não for dada? Nesse sentido, primeiro é necessário o evangelho (fé anunciada), para que o homem se arrependa (metanoia) e creia, segundo a mensagem anunciada e seja regenerado por Deus.

Desse modo, a regeneração não precede nem a ‘fé’, pois ‘fé’ é uma metonímia para fazer referência à verdade do evangelho. A ‘fé’ dada aos santos precede a crença (fé) do indivíduo, que só será regenerado se crer na pregação da fé.

 

Regeneração e justificação

A condenação é pertinente à natureza pecaminosa e a justificação e vida, são pertinentes à nova natureza do homem, gerado pela semente do evangelho.

Só é declarado justo ou, justificado, o homem que não tem nenhuma condenação. Segundo o apóstolo Paulo, só não há condenação alguma para os que estão em Cristo, ou seja, para aqueles que são novas criaturas, pois, ser nova criatura e sem condenação, é condição inerente a quem está em Cristo.

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:1);

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17).

Cheung afirma que muitos cristãos confundem regeneração com salvação, que Deus justifica pela fé, mas, que a regeneração não é pela fé.

“Uma razão pela qual muitos cristãos pensam que a regeneração ocorre pela fé é por que eles têm confundido regeneração com “salvação” em geral, e “justificação” em particular. Quando a palavra “salvação” é aplicada ao pecador, ela é um termo geral que pode implicar diversas coisas, tais como os itens que estamos discutindo nesse capítulo [*]. Por outro lado, na justificação Deus confere ao eleito a justiça legal merecida por Cristo em sua obra redentora. A Bíblia ensina que nós somos justificados pela fé, e não que nós somos regenerados pela fé. A confusão acontece quando alguém considera tanto a justificação como a regeneração, como significando “salvação”.” (Idem).

Ao escrever aos Efésios, o apóstolo Paulo diz:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8).

Os crentes são graciosamente salvos por meio do evangelho, a ‘fé’ dada aos santos (Jd 1:3). É por meio dessa ‘fé’ dada aos santos que o homem passa a estar em Cristo e Cristo no homem: “Nisto conhecemos que estamos nele e ele em nós, pois, que nos deu do seu Espírito. E vimos e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (1 Jo 4:13-15).

O evangelho como ‘fé’ não é proveniente de homem algum, mas, de Deus. O evangelho é o firme fundamento que o homem não pode se demover.

“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.” (Colossenses 1:23).

Para o homem ser salvo, precisa ouvir e crer na esperança do evangelho, que é pregado sem distinção alguma aos homens de todas as tribos e línguas. A crença advém da ‘fé’ como promessa, fundamento firme e por meio dela o homem é regenerado, justificado e salvo.

 

O reino dos céus

No anunciado: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3:3), o termo ‘ver’ tem o significado de ‘entrar’, ‘ter acesso’, mas para enfatizar o seu posicionamento, Cheung afirma que o termo ‘ver’ refere-se à capacidade de compreensão do homem.

“Jesus diz: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo” (João 3:3). A palavra “ver” aqui se refere principalmente à capacidade de entender, ou “investigar”. Paulo escreve em 2 Coríntios 4:4: “O deus desta era cegou as mentes dos descrentes, para que não possam ver a luz do evangelho da glória de Cristo”. Se eles não podem ver o evangelho, então eles não podem aceitá-lo, o que consequentemente torna impossível que eles sejam salvos” (Idem).

Basta comparar os versos 3 e 5 para compreender o significado do termo ‘ver’ no verso 3. A proposta de Jesus é acesso ao Reino dos céus e não a capacidade de investigar.

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20).

Nascer de novo é entrar por Cristo. Cristo é a porta estreita e se o homem não nascer de novo, permanece em um caminho largo, que conduz à perdição. O que Jesus está expondo a Nicodemos é a necessidade do novo nascimento para a salvação e não se o homem é capaz de compreender o evangelho.

Além de não compreender a exposição de Jesus a Nicodemos, Cheung aplica à humanidade, que é alvo do amor de Deus, entraves que são próprios aos filhos de Israel, por causa da incredulidade.

“Mateus 13:15 estabelece um ponto similar: “Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com seus ouvidos, e fecharam seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração e se converter e eu os curaria”. Ou, como Marcos 4:12 diz: “De outro modo, poderiam converter-se e ser perdoados!”. Uma pessoa entenderá somente quando for capaz de ver, e somente quando ela entender é que ela será capaz de se voltar, isto é, se “converter” (Mateus 13:15). Se é necessário “ver” antes que alguém tenha fé e se a capacidade de “ver” é somente possível após a regeneração (João 3:3), então naturalmente a regeneração vem antes da fé” (Idem).

Mateus 13, verso 15 e Marcos 4, verso 12, são passagens que demonstram que os filhos de Israel sempre foram tardios de coração para crer nos profetas. Mas, dos gentios é dito:

“Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão e os que não ouviram o entenderão (Romanos 15:21).

Os textos bíblicos citados por Cheung tem a seguinte proposta: expor a condição dos judeus diante de Deus. Os textos da Antiga Aliança foram escritos para os judeus, de modo que se faz necessário considerar o seguinte princípio evidenciado pelo apóstolo dos gentios:

“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Rm 3:19).

O povo de coração insensível, que ouve de má vontade e fecha olhos, refere-se aos judeus, demonstrando o endurecimento de Israel, em parte, para que a graça de Deus fosse dada aos gentios.

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (Romanos 11:25).

A questão abordada nos textos acerca de ouvidos mocos, olhos cegos, não diz que os homens não podem compreender a mensagem do evangelho, mas que os filhos de Israel foram postos nesta condição para incitá-los à emulação.

“Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram e os outros foram endurecidos. Como está escrito: Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje. E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço e em armadilha, E em tropeço, por sua retribuição; Escureçam-se-lhes os olhos para não verem, E encurvem-se-lhes continuamente as costas. Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação” (Rm 11:7-11).

A citação que o apóstolo Paulo faz de Isaías demonstra que todos os homens são capazes de crer na mensagem do evangelho, condição diferente à imposta aos filhos de Israel, que eram tardios em ouvir:

“Assim borrifará muitas nações e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão e aquilo que eles não ouviram, entenderão” (Isaías 52:15; Romanos 15:21);

“Porque o SENHOR derramou sobre vós um espírito de profundo sono e fechou os vossos olhos, vendou os profetas e os vossos principais videntes” (Isaías 29:10).

Para enfatizar a ideia de que Deus, na eternidade, estabeleceu quem haveria de ser salvo, e que Cristo veio pagar o preço do pecado dos que foram eleitos, se fez necessário Cheung torcer a verdade, acerca da rejeição dos filhos de Israel e ignorar que o povo junto ao caminho do mar, a Galileia das nações, vira uma grande luz, apesar de habitar nas regiões das trevas.

“O povo que andava em trevas, viu uma grande luz e sobre os que habitavam na região da sombra da morte, resplandeceu a luz” (Isaías 9:2).

Deus não intima somente alguns homens a crer, antes, o evangelho é luz que os habitantes das regiões da sombra da morte estão aptos a ver!

“Mas a todos quantos o receberam, a eles ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus, àqueles que creem em seu nome, que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:12-13).

A passagem de João 1, verso 12 e 13 evidencia que a regeneração não se dá por pertencer a uma descendência natural em particular, ou seja, a descendência da carne de Abraão. Os judeus acreditavam que não precisavam de Cristo por terem Abraão por pai, e é tão somente isso que João evidencia.

Na verdade, todos quantos recebem a Cristo (e isso só é possível após ouvir a pregação da ‘fé’), crendo n’Ele, recebem o direito de serem feitos filhos de Deus. Os nascidos segundo a carne possuem genealogia, mas os nascidos de Deus nascem do espírito, por isso não se sabe de onde vem e nem para onde vai (Jo 3:8).

É equivocada a ideia de que a regeneração precede a fé.

“É fácil entender porque a regeneração deve preceder a fé se guardarmos em mente que o homem está espiritualmente morto antes da regeneração (Efésios 2:1; Romanos 3:10-12, 23). Por causa da hostilidade da mente às coisas de Deus, antes da regeneração, os eleitos por si mesmos nunca chegariam à fé em Cristo quando o evangelho lhes fosse apresentado. É Deus quem age primeiro, e tendo mudado a disposição deles de má para boa, e das trevas para a luz, eles então respondem ao evangelho pela fé em Cristo, e por ela eles se tornam justificados aos olhos de Deus. Atos 16:14 registra a conversão de Lídia, e o versículo diz que foi Deus quem primeiro “abriu seu coração” para que ela pudesse “responder à mensagem de Paulo”.” (Idem).

A pregação da fé precede a regeneração, pois apesar de o homem estar morto em delitos e pecados, contudo vive para o pecado e por estar vivo para o pecado, pode ouvir os embaixadores de Deus.

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).

Através da pregação da fé, é Deus que age primeiro, indo em direção aos pecadores para resgatá-los. Através da pregação da fé, o homem passa a viver pela palavra de Deus (Dt 8:3). Sem a palavra da fé que demonstra ser necessário crer em Cristo, os mortos não viverão.

É em função da pregação da fé, o evangelho anunciado à Lídia, que Deus lhe abriu o coração, para estar atenta ao que o apóstolo Paulo dizia. Mas, por que o coração de Lídia foi aberto, ante à palavra do evangelho? Porque ela já servia a Deus, à sua maneira, assim como o centurião Cornélio e através do que lhe foi anunciado que Deus lhe abriu o coração, se não permaneceria na sua própria religiosidade.

“E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o SENHOR lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia” (At 16:14).

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto