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Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesto aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).


“Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” ( Mt 22:36 -40).

Certa feita Jesus foi questionado pelos discípulos porque falava aos seus ouvintes por parábolas. E Jesus lhes respondeu: “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” ( Mt 13:13 ).

Jesus falava ao povo por parábolas, pois neles se cumpria a profecia de Isaias, uma vez que o coração deles estava endurecido ( Mt 13:15 ).

No diálogo que Jesus teve com certo doutor da lei se faz necessário descobrir se Jesus também falou por parábolas, para que, o doutor da lei e fariseu ouvindo, não ouvisse e nem compreendesse ( Jo 1:5 ).

Os profetas anunciaram que o Cristo haveria de propor enigmas e parábolas aos seus ouvintes ( Sl 49:4 ; Sl 78:2 ), e Jesus não trouxe nada de diferente do que constava na lei, salmos e profetas ( Jo 5:39 ; Lc 24:44 ).

A pergunta capciosa de um fariseu foi: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”.

Jesus, por sua vez, demonstrou que o primeiro e grande mandamento na lei é: “Amará o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” ( Mt 22:37 ), e que o segundo, semelhante ao primeiro é: “Amará o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 22:39 ).

O mestre dos fariseus deu-se por satisfeito, pois era isto mesmo que ele queria ouvir. Ele escutou e aprovou a resposta de Cristo. Ele já havia lido e ouvido esta passagem bíblica inúmeras vezes, mas não ‘ouviu’ e nem ‘compreendeu’.

A pergunta que o doutor da lei precisava fazer para Jesus era: como se ama a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento?

As Escrituras nos revelam que cumprir todos os mandamentos assim como certo príncipe judeu cumpria a lei desde a mocidade, não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento ( Mt 19:20 ; Lc 18:18 -24).

“- Tudo isto tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” Se o Jovem rico amasse a Deus de todo o seu coração, não teria se retirado triste ( Mt 19:22 ). Se ele entendesse a proposta da lei, jamais teria perguntado: “Que bem farei para herdar a vida eterna” ( Lc 18:18 ), pois saberia que não há bem algum a ser realizado pelo homem que dê direito a salvação, antes, para que o homem possa herdar a vida eterna é necessário somente crer no Autor da salvação.

Mesmo sendo príncipe dos judeus, fariseu, juiz e mestre em Israel, Nicodemos também não amava o Senhor Deus de todo coração, de toda alma e de todo entendimento, uma vez que Jesus lhe disse: necessário vos é nascer de novo ( Jo 3:1 -5 ).

Outro fariseu subiu ao templo, e em oração disse: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” ( Lc 18:11 -12).

Mesmo ‘seguindo’ o que preceituava a lei, o fariseu que subiu ao templo não foi justificado! Não roubar, não matar, não furtar, não ser injusto ou adultero não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento, pois aqueles que amam a Deus e cumprem os seus mandamentos são declarados justos ( Dt 7:9 ).

Se os fariseus, apesar de serem religiosos, legalistas, formalistas e ritualistas, não cumpriram o primeiro e grande mandamento na lei, como esperar que qualquer do povo cumpriria o mandamento que diz: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” ( Dt 6:4 -5)?

A resposta está em Deuteronômio, verso 6, capítulo 30: “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Para que o homem possa ‘amar o Senhor Deus de todo o coração, de toda alma, de todas as forças e de todo o entendimento’ é necessário que o coração do homem seja circuncidado por Deus.

A circuncisão do coração feita por Deus tem dois objetivos definidos:

  • Que o homem obtenha vida, e;
  • Que o homem possa amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma, etc.

Somente um coração circuncidado pelo Senhor pode amá-Lo de todo. Somente após Deus realizar a sua obra, que é a circuncisão do coração, torna-se possível ao homem e a mulher amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo entendimento, etc “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…), para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma” ( Dt 30:6 ).

Um coração incircunciso está morto diante de Deus. Somente um coração circuncidado vive perante Ele “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…) para que vivas ( Dt 30:6 ). Nada representa diante de Deus os sentimentos de um coração incircunciso, ou seja, que está morto! A circuncisão de Deus é para que o homem tenha vida, pois Deus é Deus de vivos, e não de mortos.

O amor a Deus não se vincula a sentimentos humanos, à voluntariedade, aos serviços, aos sacrifícios ou esforço próprio, antes só é possível amar a Deus após a intervenção cirúrgica de Deus: a circuncisão do coração!

Havia um enigma no primeiro e grande mandamento da lei! Muitos leram, outros ouviram, porém, não entenderam e nem compreenderam como se cumpre o primeiro e grande mandamento na lei: circuncidai, pois o vosso coração!

Antes de entregar pela segunda vez as tábuas dos dez mandamentos, Deus orientou o povo a amá-lo ( Dt 10:12 ). De que modo? Circuncidando o prepúcio do coração ( Dt 10:16 ). Ou seja, o cumprimento da lei dependia diretamente da circuncisão do coração, o que só é possível através da ação divina, sem o auxílio de mãos humanas: obra exclusiva de Deus “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração…” ( Dt 30:6 ; Cl 2:11).

Da mesma forma que, segundo a carne, Abraão circuncidou Isaque, quando Deus recebe dentre os homens filhos para si, Ele circuncida o prepúcio do coração dos seus filhos. É o pai que circuncida o filho, e a circuncisão promovida por Deus demonstra que Ele recebeu o circuncidado por filho.

Os fariseus não amavam a Deus de todo o coração porque acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão. Por serem circuncidados na carne ao oitavo dia após nascerem, acreditavam que tal prática os tornava filhos de Deus.

Porém, Deus só recebe por filhos aqueles que ele circuncida. A circuncisão do coração é necessária para que o homem viva, ou seja, volte a ser participante da glória de Deus. Sem a circuncisão que Deus efetua no coração o homem está morto, continua na incircuncisão da carne herdada de Adão, mesmo após cumprir os quesitos da lei, como o é a circuncisão do prepúcio.

Enquanto a circuncisão do prepúcio era quesito para ser membro da nação de Israel, a circuncisão do coração é imprescindível para que fossem participantes do Israel de Deus ( Rm 9:6 ). Somente Deus pode realizar a circuncisão do coração do homem “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Após ser circuncidado pelo Senhor, o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ). É tirado o coração de pedra e concedido um coração de carne ( Ez 36:26 ). O criado em verdadeira justiça e santidade um novo homem( Ef 4:24 ). Tudo se faz novo!

Somente após receber um novo coração e um novo espírito, o homem regenerado passa a adorar a Deus em espírito e em verdade, ou seja, consegue amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.

O profeta Ezequiel anunciou que Deus haveria de espargir água pura sobre os homens, ou seja, através da sua palavra Deus haveria de conceder um novo coração e um novo espírito.

Após o novo nascimento, Deus haveria de habitá-los, condição imprescindível para que os homens andem, guardem e cumpram os estatutos de Deus ( Ez 36:25 -27 ). Para amar a Deus de todo o coração é necessário que Deus habite o homem.

Diante da lei e do protesto veemente dos profetas, o povo de Israel aplicavam-se a cumprir os mandamentos como guardar o sábado, utilizar os filactérios, jejuns, orações, sacrifícios, etc. Valorizavam a circuncisão ao oitavo dia, porém, o coração deles permanecia na incircuncisão, longe de Deus “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” ( Is 29:13 At 7:51 ).

O jovem rico era um perfeito retrato da nação de Israel, visto que a maioria seguia o estipulado nos dez mandamentos: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 19:18 -19 ; Ex 20:2 – 17), porém, sentiam que faltava alguma coisa.

Elogiar a Cristo não é o mesmo que amar a Deus de todo o coração: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste…!” ( Mt 12:32 -33). Para o escriba ainda faltava alguma coisa também, pois não basta reconhecer que Jesus apresentou um ensino verdadeiro: “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Se o escriba observasse melhor, veria que a porta para se entrar no reino de Deus estava aberta bem a sua frente! Se ele abandonasse os seus conceitos (arrependimento), veria o quão próximo estava o reino dos céus “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:2 ).

Após observarmos o jovem rico e o escriba, precisamos entender porque não basta guardar os mandamentos da lei “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” ( Mt 19:20 ). É essencial descobrir porque mesmo após admitir qual é o maior dos mandamentos, muitos ainda não tem acesso ao reino dos céus “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Embora fosse ferrenho seguidor da lei por ser fariseu, exemplo em Israel como mestre, conhecedor da lei como juiz, Nicodemos não podia entrar no reino dos céus, pois lhe faltava nascer de novo! ( Jo 3:2 ). Só é possível nascer de novo após morrer! Quando Deus oferece ao homem e a mulher a circuncisão do coração, ele demonstra a necessidade de se exterminar a velha natureza herdada de Adão, condição essencial para que ocorra o novo nascimento.

Para ser circuncidado pelo Senhor basta crer na palavra que diz: “Ouve, ó Israel…”, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus ( Sl 81:8 ).

Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesta aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).

 

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Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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