O que é ‘tomar o nome de Deus em vão’?

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O verbo hebraico נשא utilizado para proibir a utilização do nome de Deus em vão traz no seu bojo a ideia de ‘levar’, ‘carregar’, ‘suportar’, ‘sustentar’, ‘aguentar’.


“Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão” (Salmos 139:20);

“Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20:7).

 

Introdução

Quanta celeuma surgiu da má leitura e interpretação desse verso!

Das inúmeras questões entorno do nome de Deus, todas tiveram origem no medo que os judeus nutriram quanto a transgredirem o terceiro mandamento que consta do Decálogo.

Por causa do terceiro mandamento, o termo hebraico [1]יהוה deixou de ser pronunciado entre os filhos de Israel, sendo substituindo por outros termos, como: ‘Senhor’, ‘Adonai’, ‘Eterno’, etc., e a pronuncia acabou se perdendo ao longo do tempo.

Como a forma da expressão do termo hebraico יהוה deixou de ser utilizada há milhares de anos pelos judeus e, a pronúncia correta da língua dos Cananeus (que deu origem ao hebraico original), em nossos dias é uma língua quase que extinta, perdeu-se a forma correta ou a mais satisfatória de dicção do termo hebraico יהוה, visto que durante a pronúncia de qualquer palavra há inúmeras combinações que dá origem a um som único, o que depende do posicionamento da língua, lábios, entonação, expiração, etc.

Mas, questões de dicção à parte, no que consiste utilizar[2] o nome de Deus em vão?

 

O nome de Deus

O cuidado de Deus ao estabelecer: ‘Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão’ (Êxodo 20:7), era com a dicção do seu nome?  Se os filhos de Israel não articulassem com uma entonação especifica e não pronunciassem de forma clara e precisa o nome de Deus estariam tropeçando nesse mandamento? Os gagos não conseguiriam viver a altura desse mandamento? Os mudos seriam os únicos capazes de cumprir tal mandamento? Este mandamento visava um cuidado para com um único terno hebraico יהוה, ou tinha em vista um cuidado de Deus para com o homem?

O objetivo deste artigo não é menosprezas as questões linguísticas, pois nas questões seculares e acadêmicas, a dicção e a escrita são de importância ímpar. Das regras linguísticas dependem a transmissão, o entendimento e a preservação do pensamento humano.

Por atribuirmos valor sentimental a nomes, William Shakespeare escreveu em uma de suas famosas peças, o seguinte: “O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.” William Shakespeare, Romeu e Julieta.

Embora o nome que se nomeia pessoas e coisas tenha importância no convívio social, não é de tais valores que Deus estava cuidando ao estabelecer o terceiro mandamento aos filhos de Israel. Para compreender o mandamento de Deus, não podemos nos socorrer de pensamentos e valores humanos, e sim da própria Escritura.

Se fosse possível utilizarmos a pronuncia correta do termo hebraico יהוה, na língua dos Cananeus, ou no aramaico, ou no hebraico original, a natureza da divindade não sofreria alteração alguma, assim como se a rosa tive outro nome não teria alteração alguma no seu perfume. Deus é Deus, ou seja, onipresente, onisciente, onipotente e imutável, se o homem souber ou não a pronuncia do termo יהוה.

Devemos entender que, ao estabelecer o terceiro mandamento, Deus não estava estabelecendo um mantra, ou uma palavra de conteúdo mágico que  fosse imprescindível uma correta dicção para se efetuar um encantamento.

Quando Deus se apresenta aos filhos de Israel, não deu ênfase ao termo יהוה, e sim a sua condição imutável: ‘Sou o que Sou’, o que, na essência, denota a fidelidade de Deus. Os filhos de Israel poderiam confiar n’Ele, pois Ele é o mesmo eternamente, pois eternamente é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e de todos quantos O obedecem.

“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós; E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome ETERNAMENTE, e este é meu memorial de geração em geração” (Êxodo 3:14 -15);

“Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Deuteronômio 7:9);

“Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:13).

Deus não estava dando um mandamento que preservasse a grafia e a dicção do seu nome, como se depreende da tradição religiosa dos judeus, especialmente a sua tradição esotérica e mística. Se esse era o objetivo do mandamento, não foi alcançado, pois por medo de transgredirem o terceiro mandamento, a correta pronuncia perdeu-se, consequentemente, tais elementos não eram imprescindíveis.

 

Não tomarás o nome de Deus em vão

“Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão” (Salmos 139:20).

‘Tomar’ o nome de Deus em vão vai muito além de pronunciá-Lo desavisadamente em interjeições.  O verbo hebraico נשא utilizado para proibir a utilização do nome de Deus em vão traz no seu bojo a ideia de ‘levar’, ‘carregar’, ‘suportar’, ‘sustentar’, ‘aguentar’.

Esse mandamento não era um cuidado a ser observado somente no momento de uma fala, antes era um mandamento para ser vivido de modo pleno e perene pelos filhos de Israel. Como? Quando dissessem: “Somos o povo de Deus”, nessa fala havia um encargo a ser suportado, levado, sustentado, etc., ou seja, deveriam obedecer a Deus de fato.

Verifica-se que há duas naturezas de mandamentos, de modo que é possível resumi-los em dois:

“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22:37 -40).

Deus é o Deus que havia arrancado os filhos de Israel do Egito, da casa da servidão (Ex 20:2), portanto: a) não podiam ter outros deuses (Ex 20:3); b) não podiam confeccionar imagens de esculturas, e c) nem reverenciar ou servir a outros deuses, e em seguida é dado o motivo.

“ENTÃO falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

Não te encurvarás a elas nem as servirás;

porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Ex 20:1 -6).

Após as proibições estabelecidas por Aquele que tirou os filhos de Israel do Egito, o motivo pelo qual não podiam ter, fazer, reverenciar ou servir outros deuses é patente: Deus é Deus zeloso, vez que visita a iniquidade daqueles que O odeiam, ou seja, que não obedecem ao seu mandamento (Ex 20:5).

A extensão do zelo de Deus ao visitar a iniquidade dos que O odeiam pode ser mensurado no fato de Deus não esquecer a iniquidade do transgressor, visitando-a indefinidamente (até a terceira e quarta geração).

Deus também se apresenta como Aquele que exerce misericórdia abundante (até mil gerações) para com aqueles que O amam, ou seja, que guardam a seu mandamento (Ex 20:6).

Através do contexto, percebesse que os termos traduzido por ‘amor’ e ‘ódio’ não se referem a sentimentos, e sim, atos frente ao mandamento de Deus: obediência e desobediência. Observe:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6:24).

Após enfatizar o primeiro e grande mandamento, vem máxima e o seu motivo:

“Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Ex: 20:7).

Embora Deus tivesse tirado os filhos de Israel do Egito como que sobre asas de águia (Ex 19:4), os filhos de Israel ainda não eram o povo de Deus, pois só seriam propriedade peculiar, um reino sacerdotal e povo santo se diligentemente ouvissem a voz de Deus e guardassem a sua aliança.

“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Ex 19:5- 6).

De nada adiantava dizer: – “Sou descendência de Abraão”, e não obedecer a Deus como fez Abraão. Dizer: ‘Sou descendência de Abraão’ e não ter a fé de Abraão é tomar o nome de Deus em vão, pois Deus é Deus de quem tem a fé de Abraão.

De nada adianta dizer: – “Somos povo de Deus”, e não cumprir o juramente solene que fizeram perante Deus, dizendo: “Tudo o que o SENHOR tem falado, faremos” (Ex 19:8), pois alegar ‘somos povo de Deus’ sem obedecer à aliança é tomar o nome de Deus em vão.

“OUVI isto, casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Judá, que jurais pelo nome do SENHOR, e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça. E até da santa cidade tomam o nome e se firmam sobre o Deus de Israel; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome” (Isaías 48:1 -2).

Tomar o nome de Deus em vão é nomear a si mesmo do nome de Israel. É fazer menção do Deus de Israel, mas não em verdade e nem em justiça. É tomar o nome da cidade santa Jerusalém e firma-se sobre o Deus de Israel, mas sem obedece-Lo de fato. É firmar-se em palavras falsas, e apontar para o templo de Salomão como garantia, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor.

“Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este” (Jeremias 7:4).

Ao se autodenominarem povo de Deus, os filhos de Israel tomavam o nome de Deus em vão, pois por causa deles o nome de Deus era blasfemado entre os gentios. Os gentios desconheciam o fato de que os filhos de Israel foram levados cativos por causa de suas transgressões, e assim, os judeus deram aso para que os gentios blasfemassem de Deus aos vê-los sendo punidos.

“E agora, que tenho eu que fazer aqui, diz o SENHOR, pois o meu povo foi tomado sem nenhuma razão? Os que dominam sobre ele dão uivos, diz o SENHOR; e o meu nome é blasfemado incessantemente o dia todo” (Isaías 52:5; Romanos 2:24).

As Escrituras dá testemunho de Abraão de que Ele foi amigo de Deus (2 Cr 20:7), isto porque Ele era obediente a Deus.

“Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis” (Gênesis 26:5);

“Porventura, ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo Israel, e não a deste para sempre à descendência de Abraão, teu amigo?” (2 Crônicas 20:7);

“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15:14).

Mas, qualquer que não obedece a Deus, constitui-se inimigo de Deus, portanto, toma o nome de Deus em vão.

“Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão” (Salmos 139:20).

Os filhos de Israel, ao rejeitarem o Cristo, se fizeram inimigos de Deus, de modo que se cumpriu a palavra que diz:

“Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa” (Miqueias 7:6).

A pretexto de uma lei, julgaram e condenaram o inocente, pois falaram malvadamente contra Deus:

“Porventura o trono de iniquidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei? Eles se ajuntam contra a alma do justo, e condenam o sangue inocente (Salmo 94:20 -21).

Embora os filhos de Israel não pronunciassem o nome de Deus, toda via tomavam o nome de Deus em vão, pois eram contados como transgressores e pecadores, como se lê:

“CLAMA em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados. Todavia me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos, como um povo que pratica justiça, e não deixa o direito do seu Deus; perguntam-me pelos direitos da justiça, e têm prazer em se chegarem a Deus” (Isaías 58 :1 -2).

Embora Deus determinasse aos profetas que clamassem em alta voz a transgressão dos filhos de Israel, nada parecia adiantar, pois rotineiramente a cada dia procuravam por Deus, e em saber os seus mandamentos como se fosse um povo que praticasse a justiça.

“E eles vêm a ti, como o povo costumava vir, e se assentam diante de ti, como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza” (Ezequiel 33:31);

Mas, se esqueciam de que não são justos os que ouvem a lei, e sim quem pratica!

“Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” (Romanos 2:13);

“Ora Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas” (Romanos 10:5).

‘Tomar o nome de Deus em vão’ é aproximar-se de Deus com a boca, honrando-O somente com os lábios, mas o coração se afasta de Deus, pois o que seguem são preceitos de homens!

“Todavia lisonjeavam-no com a boca, e com a língua lhe mentiam. Porque o seu coração não era reto para com ele, nem foram fiéis na sua aliança” (Salmo 78:36 -37);

“Plantaste-os, e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém longe dos seus rins” (Jeremias 12:2);

“Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Is 29:13).

Ao dar mandamentos para que os filhos de Israel não ter, fazer, reverenciar ou servir outros deuses, Deus estava cuidando para que não se contaminassem com os deuses de outras nações, mas ao exortar para não tomarem o nome de Deus em vão, Deus estava instruindo para que não fossem idolatras e feiticeiros como foi Saul, que diante do mandamento de Deus preferiu fazer a sua própria vontade.

“Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Samuel 15:22 -23);

“Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, antes andaram cada um conforme o propósito do seu coração malvado” (Jeremias 11:8);

“Antes andaram após o propósito do seu próprio coração, e após os baalins, como lhes ensinaram os seus pais” (Jeremias 9:14);

“Este povo maligno, que recusa ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração, e anda após deuses alheios, para servi-los, e inclinar-se diante deles, será tal como este cinto, que para nada presta” (Jeremias 13:10);

“Porque rejeitaram os meus juízos, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados; porque o seu coração andava após os seus ídolos” (Ezequiel 20:16).

Há um perigo em o homem ter, fazer, reverenciar ou servir a outros deuses, mas o mandamento para não tomar o nome de Deus em vão visa guardar o homem de um risco maior: se colocar a serviço do seu próprio ventre!

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18 -19).

Enquanto os mestres de Israel proibiam que se pronunciasse o nome de Deus a pretexto de não transgredirem um mandamento, pela falta de conhecimento praticavam a iniquidade e não invocavam a Deus, ou seja, tomavam o nome de Deus em vão.

“Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus” (Salmo 58:4).

A falta de conhecimento foi denunciada por Moisés, quando nomeou os filhos de Israel de ‘loucos’ e ‘ignorantes’:

“Recompensais assim ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu? (…) Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento. Quem dera eles fossem sábios! Que isto entendessem, e atentassem para o seu fim!” (Deuteronômio 32:6 e 28 -29).

Ter zelo de Deus, mas sem entendimento é tomar o nome de Deus em vão (Romanos 10:2). Os escribas, por zelo, todas às vezes que se deparava com o nome de Deus durante a transcrição dos textos bíblicos, faziam rituais de purificação, etc., mas tudo isso era em vão.

Diante de Deus os filhos de Israel já não eram filhos, mas uma mancha, geração perversa.

“Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é (Deuteronômio 32:5);

“E não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel a Deus” (Salmos 78:8);

“AI dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem, com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado” (Isaías 30:1);

“Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR” (Isaías 30:9);

“Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos” (Isaías 65:2);

“Mas este povo é de coração rebelde e pertinaz: rebelaram-se e foram-se” (Jeremias 5:23).

É por isso que, com tristeza, o apóstolo Paulo disse que gostaria de ser separado de Cristo por amor aos seus concidadãos (Rm 9:3), pois apesar de serem israelitas segundo a carne, deles ser a adoção de filhos, a glória, as alianças, a lei, o culto e as promessas, contudo, nem todos os que são de Israel são israelitas (Rm 9:4 -6).

Embora muitos em Israel tomassem o nome de Deus dizendo ser descendência de Abraão, contudo se esqueciam de que as Escrituras diziam que, em Isaque seria chamada a descendência de Abraão, e não que a descendência decorria de Abraão, portanto, tomavam o nome de Deus em vão.

“Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” (Romanos 9:7 -8).

Diante do que já foi demonstrado, certo está que os judeus não detinham o conhecimento necessário para tomar o nome de Deus em verdade, pois esse conhecimento foi manifesto em Cristo, nosso Senhor (Is 53:11), portanto, com relação a não tomar o nome de Deus em vão, os cristãos não têm o que aprender com os judeus.

 

Senhor, Senhor!

Ao instruir a multidão acerca dos falsos profetas, Jesus alertou que:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21).

Observe que tomar o nome do Senhor, ou fazer milagre, expulsar demônios ou profetizar em nome do Senhor não é garantia de salvação, pois só é salvo aquele que faz a vontade de Deus.

O nome Senhor, Adonai, Javé, Jeová, YHVH, etc., não possuem poder salvífico como se fosse uma fórmula, e sim, ser participante da família de Jesus, o que só é possível quando se faz a vontade de Deus:

“E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe” (Mateus 12:49 -50).

Ao crer que Jesus é o Filho de Deus, o homem faz a vontade de Deus e tem a vida eterna. Como nenhuma condenação há para os que estão em Cristo, certo é que não tomou o nome de Deus em vão, antes passou da morte para a vida.

“Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20:7);

“Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:40);

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5:24).

 

 

[1] “יהוה 03068 Y êhovah procedente de 1961; DITAT – 484a; n pr de divindade Javé = “Aquele que existe” 1) o nome próprio do único Deus verdadeiro 1a) nome impronunciável, a não ser com a vocalização de 136” Dicionário Bíblico Strong; “יהוה 03069 Y êhovih uma variação de 3068 [usado depois de 136, e pronunciado pelos judeus como 430, para prevenir a repetição do mesmo som, assim como em outros lugares 3068 é pronunciado como 136]; n pr de divindade 1) Javé – usado basicamente na combinação ‘Senhor Javé’ 1a) igual a 3068 mas pontuado com as vogais de 430” Dicionário Bíblico Strong.

[2]“05375 נשא nasa’ ou נסה nacah (Sl 4.6) uma raiz primitiva; DITAT – 1421; v 1) levantar, erguer, carregar, tomar 1a) (Qal) 1a1) levantar, erguer 1a2) levar, carregar, suportar, sustentar, aguentar 1a3) tomar, levar embora, carregar embora, perdoar 1b) (Nifal) 1b1) ser levantado, ser exaltado 1b2) levantar-se, erguer-se 1b3) ser levado, ser carregado 1b4) ser levado embora, ser carregado, ser arrastado 1c) (Piel) 1c1) levantar, exaltar, suportar, ajudar, auxiliar 1c2) desejar, anelar (fig.) 1c3) carregar, suportar continuamente 1c4) tomar, levar embora 1d) (Hitpael) levantar-se, exaltar-se 1e) (Hifil) 1e1) fazer carregar (iniquidade) 1e2) fazer trazer, ter trazido” Dicionário Bíblico Strong.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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