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Dons Espirituais: Introdução

A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum. (1 Coríntios 12:7 NVI)

Durante a Sua vida na terra, Jesus foi capacitado pelo Espírito Santo para exercer Seu ministério. Jesus disse que um dia os cristãos fariam um ministério ainda maior do que ele fez (João 14:12). Isso não significa que os cristãos são maiores que Jesus. Significa que os cristãos que também recebem poder e são capacitados pelo Espírito Santo podem ministrar a muito mais pessoas que do que Jesus porque há bilhões de cristãos hoje espalhados pela Terra. Portanto, agora que estamos iniciando nosso estudo dos dons espirituais é de suprema importância que nós enxerguemos primeiro que nosso ministério pessoal é a continuação do ministério de Jesus. Ou, resumindo, os dons de Deus são distribuídos pelo Espírito de Deus de forma que a igreja de Deus possa ministrar como o Filho de Deus.

Há quatro posições básicas na questão dos dons espirituais:

Cessationista
Dons sobrenaturais (por exemplo, línguas e profecia) só funcionaram na igreja primitiva e não devem ser praticados hoje.

Carismática
Dons sobrenaturais são concedidos a toda geração e deveriam ser praticados hoje de acordo com os limites bíblicos.

Carismaníaca
Dons sobrenaturais são concedidos a toda geração. Revelações contemporâneas são, na prática, iguais à Bíblia.

Pentecostal
Essencialmente igual à posição carismática, mas só cristãos que falam em línguas têm o Espírito santo.

Autor: Mark Driscoll
Fonte: Mark Driscoll

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Avaliando os funcionários da igreja

Ainda que este tema seja mais comum nas empresas, pode-se dizer que mais do que em qualquer outro lugar, os empregados que trabalham em quaisquer áreas da igreja local, quer sejam contratados pela CLT ou prestem serviços habituais com qualquer outro tipo de vínculo, precisam ser avaliados.
Vamos chamá-los de colaboradores; primeiramente porque são mantidos com recursos oriundos de dízimos e ofertas, confiado à igreja para que a obra de Deus seja desenvolvida com sabedoria, aplicação e excelência; e, em segundo lugar, porém não menos importante, porque Deus espera receber o melhor de cada um de nós.
Mas, o que é avaliação? O processo de avaliação é uma comparação entre o trabalho (tarefa) realizado e um padrão de desempenho definido pela igreja que é comunicado formalmente aos colaboradores. A avaliação é um processo constante: o chefe ou responsável observa o conteúdo e a forma com que o trabalho é realizado, devendo elogiar quando o desempenho estiver de acordo com o padrão pré-estabelecido e corrigir (orientar com respeito) quando o oposto acontecer. O objetivo é que o colaborador possa atender as expectativas da direção da igreja o que a literatura denomina de “Dar e Receber Feedback” .
Há, porém, um processo formal de Avaliação de Desempenho que geralmente é realizado anualmente e cujo objetivo é o desenvolvimento e crescimento do colaborador. Neste processo, dois pontos muito importantes devem ser levados em consideração:
a) a igreja deve definir e comunicar o padrão de desempenho esperado para cada posição em seu organograma.
b) não se avaliam pessoas ou aspectos pessoais, e sim o desempenho dos colaboradores nas tarefas para as quais foram contratados.
Definindo padrões de desempenho

Antes de mais nada, é preciso que a igreja tenha suas declarações de Visão e Missão desenvolvidas. O padrão de desempenho ou a qualidade com que as tarefas serão desenvolvidas deve decorrer destas declarações.
Um exemplo é aquela igreja que dá importância aos relacionamentos, estabelecendo que o nosso relacionamento com Deus determina nosso padrão de relacionamento com os outros. Assim, a forma como o ministro de louvor (contratado) trata as pessoas do coral ou as equipes de louvor devem atender ao que a igreja entende como padrão de relacionamento. Não basta saber música e ser um bom dirigente de louvor; a forma de fazer é importante e reforça aquilo que a igreja estabeleceu como seu diferencial. Um outro exemplo: a pessoa da limpeza e conservação não deve somente deixar o ambiente limpo para as várias reuniões e atividades, mas deve fazê-lo de forma a demonstrar também nestas atividades a visão da Igreja.
Assim sendo, é importante que a igreja defina que pontos são importantes para ela como igreja, para que estes aspectos sirvam para a avaliação do desempenho de seus colaboradores. Na avaliação de desempenho não se avalia somente o conteúdo (técnico ou não) da tarefa, mas a forma (modo ou “jeito”) com que este trabalho específico é realizado.
A avaliação anual de desempenho


É uma oportunidade formal em que a chefia direta convoca o colaborador para uma reunião de avaliação. Este encontro é agendado, permitindo que a chefia e o colaborador se preparem. Uma forma simples e que torna a reunião mais produtiva é elaborar uma lista de atributos de comportamentos esperados no desempenho das atividades. Esta lista (que não deve conter mais do que 6 ou 8 itens)  deve ser amplamente divulgada e juntamente com a lista deve haver uma escala ( 1 – precisa se desenvolver,  2 – atende, e 3 – supera).
Antes do encontro, o colaborador deve fazer sua autoavaliação, enquanto o chefe em paralelo faz a pré-avaliação do colaborador. No encontro ambos compararão suas avaliações.  O chefe e o colaborador devem ter em mente exemplos de comportamentos que confirmem ou não o atendimento daquele item. Não é uma questão de “achar” isto ou aquilo, mas de discutir fatos concretos.
A duração desta avaliação, desde que ambos tenham se preparado para a reunião, não deve superar a marca de uma hora. Ao fim da avaliação deve-se estabelecer para todos os pontos com nota “1” quais serão as medidas de desenvolvimento que deverão ser adotadas. O objetivo é que na próxima avaliação o colaborador apresente melhor desempenho.
Neste momento do processo não se avalia a qualidade técnica do trabalho, mas a forma como este foi realizado. Desta forma, todos sabem o que se espera no desenvolvimento de suas tarefas, permitindo que a igreja mantenha toda a sua estrutura alinhada com sua Visão e Missão.
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Apresetar a Mensagem

Agora o irmão está pronto para APRESENTAR A MENSAGEM

A. A sua meta ao apresentar a mensagem é fazer com que a VERDADE DEIXE UMA IMPRESSÃO sobre as mentes dos ouvintes. Lembrando que é Deus que trabalha junto aos corações dos homens, o pregador faz a sua parte no plano de oratório através de:

1. Repetição da idéia central 3 a 4 vezes durante a pregação, assim sempre trazendo às mentes das pessoas uma recordação do tema principal.

2. Multiplicidade de exemplos. Dois exemplos reforçam o ponto melhor que um só.

3. Perguntas espalhadas pela mensagem em lugares estratégicos. Podem ser retóricas (não esperando uma resposta aberta) ou numa ocasião mais informal pode pedir a fim de receber uma resposta do auditório (num estudo bíblico, por exemplo).

4. Ilustrações visuais, ou da própria experiência, pondo uma verdade espiritual e abstratas em termos concretos. Jesus usou passarinhos, lírios, água, pão, e muitas outras coisas para tornar seus ensinos mais vívidos, assim criando uma impressão durável nas mentes dos seus discípulos.

B. Ligada a essa meta de fazer uma impressão é a necessidade de ganhar e segurar a atenção dos ouvintes. Um pregador inglês que era muito usado por Deus disse que se ele percebesse que havia alguém no auditório que não estava prestando atenção (mesmo se fosse uma criança), ele se julgava Ter falhado e procurava recuperar a sua atenção daquela pessoa.

1. O propósito da introdução é ganhar a tenção do povo. Se não conseguir isso, já está começando derrotado.

2. Durante a pregação, note constantemente as reações dos ouvintes, porque de vez em quando vai Ter que recuperar a sua atenção. Algumas das maneiras de fazer isso são:

a. Bater no púlpito ou levantar a voz de repente. Isso serve para acordar as pessoas que estão cochilando.

b. Sorrir para uma criança que está mexendo muito. Às vezes funciona muito bem para atrair a sua atenção.

c. Aproveitar as interrupções, tornando-as para o bem, trazendo de novo a atenção dos ouvintes para a palavra. Um nenê que chora pode servir de ilustração da insatisfação do coração humano, ou da nossa dependência de Deus, conforme a mensagem da ocasião. Uma interrupção da força ilustra bem a situação do pecador nas trevas espirituais, desligado de Deus. Nem sempre a mensagem combina com uma circunstância assim, mas esteja alerto para as possibilidades.

d. IMPORTANTE: Olhe diretamente nos olhos dos ouvintes; além de isso ser necessário para segurar a atenção deles, assim o irmão notará quando precisa ganhar de novo a sua atenção.

3. Deve-se preparar a mensagem pensando nesta necessidade de ganhar a atenção dos ouvintes.

a. Use um título atraente.

b. Tenha uma introdução bem preparada.

c. Na mensagem segure a atenção do povo:

1). Com PERGUNTAS.

2). Com IDÉIAS CONCRETIZADAS e específicas (não generalizadas) através de exemplos e ilustrações. Não FALE ACERCA do amor, DÊ EXEMPLOS do amor em ação.

3). Com VARIEDADE de exemplos, versículos e explicações. Não dê um versículo atrás do outro com um pouco de explicação entre eles. Varie seu método de apresentar a mensagem (nem sempre tópico, nem sempre textual), varie o seu ASSUNTO (já ouvi pregadores que tinham somente um ou dois assuntos prediletos de maneira que todo mundo já sabia de antemão o que iam falar), varie o MATERIAL (Não use só a leitura bíblica, nem somente exemplos ou ilustrações, mas misture os ingredientes da mensagem).

C. O ESTILO trata da maneira geral em que o pregador apresenta sua mensagem. Cada um tem seu próprio estilo que servem para criar e segurar a atenção dos ouvintes. Alguns desses princípios são:

1. SEJA BREVE. Não repita indevidamente. Se está no fim da mensagem, é melhor sentar-se duma vez do que repetir tudo. O mesmo princípio se aplica quanto aos pontos e às provas da mensagem. Evite vãs repetições; use repetições com sabedoria e PROPÓSITO, para alcançar algum objetivo (frisar um ponto, criar uma impressão). È como sal na comida: é muito bom e dá gosto, mas um pouco vai longe, basta.

2. SEJA CLARO NA SUA LINGUAGEM. Não use termos obscuros, pouco claros aos ouvintes.

3. IGUALMENTE SEJA CLARO NA PRONÚNCIA DAS PALAVRAS. Paulo falou sobre a importância de serem bem inteligíveis as nossas palavras, I Cor. 14:9. Não sendo claro na sua linguagem ou na sua pronuncia faz com que os ouvintes tenham de esforçar-se para ouvir. Deveras facilitar esta tarefa dos ouvintes para que possam concentrar-se em compreender os nossos pensamentos, pensando na MENSAGEM, e não na FALA.

4. USE VARIEDADE NA SUA FALA. NÃO SEJA MONÓTONO!

a. Varie o ritmo: a velocidade das palavras, ás vezes depressa, ás vezes devagar.

b. Varie as frases: às vezes curtas, rápidas, ás vezes longas e demoradas; com pausa ás vezes longas, ás vezes curtas. ILUSTRAÇÃO = Um rio é largo e grande, corre devagar; ele parece como uma lagoa e dá impressão de paz, tranqüilidade e descanso. Um rio estreito, com leito raso, corre rapidamente e dá impressão de ação, movimento e agitação. Se não usar variedade na sua fala, vai ser como um desses rios: se falar devagar com frases compridas, voz baixa, vai ser como um rio largo: vai dar sono em todo mundo, vão descansar; se falar depressa, sem nenhuma pausa, numa voz mais elevada, e nunca dá alívio para os ouvintes, eles vão chegar ao fim da mensagem fadigados de “correr” juntos com o irmão. Tem que “correr” um pouco. E “descansar” um pouco.

c. Varie a altura da voz: em média, o tom deve ser aquele usado na conversação. Ao fazer uma exortação, um apelo, ou ao despertar a atenção do povo, o tom da voz sobe.

d. Varie a força da voz: em média, fale como em conversação. Quando quer despertar atenção (acordar alguém) pode aumentar o volume. Se começar em voz muito alta, depois não tem de aumentar para dar ênfase. Fale com força suficiente para ser bem ouvido pela pessoa no último banco. Mais do que isso é gritar, a não ser de vez em quando para dar ênfase.

Autor: Pastor Edgar Potter
Fonte: www.palavraprudente.com.br

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Tenha uma relação saudável com o dinheiro

Que grande desafio para os nossos dias tratarmos sobre finanças num contexto cristão, em um ambiente onde há tantas correntes e práticas diversificadas, todas se apresentando em “nome de Deus”.

Não há duvidas de que a Bíblia se preocupa em tratar deste assunto de uma maneira muito abrangente, seja no Antigo Testamento quando fala da propriedade de terras, criações e outros, ou no Novo Testamento quando fala diretamente do dinheiro e das riquezas. Não vamos nos deter aqui tanto na definição de finanças segundo a Bíblia, mas principalmente na maneira como nos relacionamos com ela. Vamos olhar para o nosso coração.

Alguém já disse que “o dinheiro é um péssimo senhor, mas um ótimo servo”. Como pessoas ou como instituição, podemos ter muitos ou poucos recursos financeiros, o que faz a diferença é como nos portamos em relação a eles. Paulo exorta seu discípulo Timóteo (I Timóteo 6 3-10) que o dinheiro não é um mal, mas amá-lo torna-se a raiz de todo mal, colocando em risco nossa própria fé e ainda trazendo tormentos e dores.

Precisamos aprender a ter uma vida de contentamento, ou seja, estarmos contentes em qualquer situação (I Timóteo 6.8; Filipenses 4. 11-12). Isto só é possível quando olhamos para nossa vida financeira como fruto da graça, amor e soberania de Deus. O sábio Salomão (que soube mais que qualquer outra pessoa o que é riqueza) concluiu que “Quanto ao homem a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus” (Eclesiastes 5.19). É dom, é presente de Deus, seja qual for a medida.

Quando entendemos que o que temos vem das mãos de Deus e nos alegramos nisto, resta-nos ser bons mordomos de tudo que nos foi confiado. Muito se tem feito e muito ainda temos a fazer em prol do Reino de Deus naquilo que envolve o uso de finanças. Projetos, sonhos, alvos a serem alcançados e demandas a serem atendidas. Então, porque não começamos algo novo? Uma nova construção, um novo projeto, uma nova instituição. O nosso coração pulsa por isto.

Aqui vale o alerta de Jesus em meio a um contexto de entrega abnegada e serviço ao Reino de Deus. Devemos antes de construir uma torre (o nosso projeto) nos assentarmos para calcular a despesa e verificar os recursos (Lucas 14. 28-30). Parece um pouco frio em meio a uma causa tão nobre, mas efetuar a gestão dos recursos com mãos precavidas (Salmo 78.72), valendo-se dos melhores recursos disponíveis de administração, contabilidade e outros, é tão importante quanto ter a iniciativa de fazer algo. É desta maneira que poderemos não apenas lançar os alicerces, mas concluir toda boa obra a nós confiada com a devida prestação de contas a todos interessados.

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5.16). Nossas finanças também devem expressar “Soli Deo Gloria”.

Autor: Pedro Leal Júnior

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Corinto – Uma Igreja com Problemas de Disciplina

Uma Análise de 1 Coríntios 5

O Contexto de Corinto

A igreja de Corinto era uma igreja que havia sido muito abençoada por Deus em diversos aspectos. Quando Paulo inicia esta carta ele reconhece, no capítulo primeiro, que Deus havia abençoado a igreja com toda sorte de bênçãos espirituais, de dons espirituais, ao ponto de “não lhes faltar dom nenhum”. Corinto era uma igreja carismática no sentido bíblico da palavra, ou seja, tinha os “carismas” do Espírito de Deus, os dons, através dos quais desenvolvia seu serviço prestando culto a Deus e cumprindo a sua missão neste mundo. Infelizmente, por motivos que desconhecemos, esta igreja de Corinto, que havia sido fundada pelo apóstolo Paulo, com menos de três anos de fundada começou a desviar-se dos padrões de conduta e de doutrina que o apóstolo havia estabelecido por ocasião de sua fundação.

Os Problemas de Corinto
1) Divisões
Paulo estava no seu último ano de ministério na cidade de Éfeso, quando recebe informações de que a igreja de Corinto não estava indo muito bem. As informações eram muitas e poucas delas eram boas. Paulo soube que havia divisões na igreja, que estava dividida em 4 grupos. Grupos que se formaram em torno de personalidades, de pessoas que tinham tido uma participação no passado recente da igreja, com o próprio Paulo e Apolo (cap. 3:4). Havia até um grupo que talvez fosse o mais perigoso deles que era o “grupo de Cristo” (‘…e eu, de Cristo” Cap 1:12). Eles diziam que não eram seguidores de homem algum e sim de Cristo. Era como se dissessem: não queremos estar debaixo da orientação ou da instrução e autoridade de qualquer homem porque recebemos tudo diretamente de Cristo. Alguns estudiosos têm identificado este grupo como o “grupinho dos espirituais” que falavam em línguas e se gloriavam por terem experiências extraordinárias; que não aceitavam a autoridade de Paulo na igreja e outras coisas mais.

2) Problemas doutrinários
A igreja tinha todas estas divisões e além disso tinha problemas de ordem doutrinária. Um grupo não aceitava a ressurreição dos mortos (cap. 15). Havia um espírito faccioso naquela igreja; existiam problemas com respeito à doutrina da liberdade cristã ( 10:28). “Será que posso comer carne sacrificada aos ídolos”? Os “fortes” diziam que sim e subestimavam os “fracos”. Havia problemas com respeito às questões do casamento (cap. 7): O que é mais espiritual? Casar ou ficar solteiro?

A igreja estava dividida por uma série de problemas que se refletiam no culto. Os “espirituais” falavam línguas sem interpretação para a igreja e desta forma não edificavam (14:5); os profetas falavam, mas não havia ordem de quem deveria falar primeiro (14:29, 32); as mulheres entusiasmadas estavam querendo tirar qualquer sinal de que há uma diferença entre homem e mulher dentro da ordem da criação de Deus (11:8-9); na hora da Santa Ceia havia pessoas que até se embriagavam (11:21) e participavam do sacramento sem ter o espírito apropriado. Corinto era uma igreja com graves complicações. Mas, mesmo considerando isso, era uma igreja que se gloriava de ser “espiritual”. Afinal, muitos, na concepção deles, não tinham os dons que indicavam a presença do Espírito Santo? Muitos não estavam falando em línguas durante o culto (Cap. 14)? Outros não estavam profetizando e trazendo palavra de revelação? A igreja pensava que era espiritual e considerava-se assim apesar de estar toda minada de problemas.

3) Problemas Morais
Entre os problemas mencionados havia também problemas morais. Havia um irmão que estava processando outro num tribunal secular (6.4). Talvez a igreja não tenha se interessado o suficiente. A verdade é que não chegaram a um acordo e talvez por questão de terra ou talvez de dinheiro e negócios, este irmão estava em litígio com outro. Por isso estava processando-o no tribunal da cidade. Com esta atitude estava expondo o Evangelho à vergonha diante dos ímpios (v. 6).

Havia um grupo que estava voltando à prática da prostituição religiosa (6:18-19), o que era comum na cidade de Corinto. Isso era praticado nos templos onde se cultuava a deusa Afrodite.

Refletindo esta separação entre espiritualidade e a conduta moral surge um problema relatado no capítulo 5 e que estava bem de acordo com a natureza e espírito da igreja. Havia um homem, membro da igreja, que estava vivendo com sua madrasta. Seu pai provavelmente ainda estava vivo, mesmo assim estava tendo “um caso” a mulher de seu pai. O mais grave é que isto era do conhecimento não só da igreja mas também da própria sociedade de Corinto. Era algo notório e se comentava; circulava rumores verdadeiros com respeito a este incidente. Nos traz constrangimento o fato de que a igreja de Corinto, como um todo, parecia não ver nada de grave nisso: “Afinal Deus não está em nosso meio? Vejam o que acontece nos nossos cultos”! E este homem continuava a viver com sua madrasta às vistas de toda a igreja! Mas o que mais incomodava o apóstolo Paulo era a falta de uma atitude firme por parte da igreja com relação àquela pessoa. Ou seja, a igreja deveria constatar que conduta moral e espiritualidade são duas coisas que andam juntas. Temos de ter as duas coisas; e quando temos uma e não a outra, ou a espiritualidade é falsa ou a moralidade é falsa. Mas a genuína espiritualidade exige uma conduta de acordo com as verdades do evangelho.

O interessante é que Paulo não se dirige à liderança da igreja. Paulo, ao escrever, não se refere aos líderes mas fala à igreja como um todo. Porque, mesmo que no sistema presbiteriano, estes casos tenham a ver inicialmente com o Conselho, o fato é que na base do problema, além de um caso notório, pecado é um problema de toda igreja. É uma questão que afeta todos os membros e que não é somente responsabilidade do Conselho olhar para a vida dos outros membros e tomar algum tipo de decisão, mas que é responsabilidade de cada membro do corpo de Cristo zelar para que haja pureza, santidade, que haja no convívio da comunidade, verdadeira santidade ao Senhor. É uma responsabilidade de nós todos e não somente do pastor e dos presbíteros. É importante, portanto, que Paulo trata da questão dirigindo-se a toda comunidade. Talvez alguns estranhem este fato. Nas denominações batistas e congregacionais as questões disciplinares são resolvidas pela assembléia. Apesar de acharmos benefícios no sistema de governo representativo, através de pastores e presbíteros, a interpretação desta passagem só pode ser neste sentido: Paulo não está se referindo aos pastores e presbíteros porque ele sabe que a responsabilidade de vivermos uma vida santa na igreja, é de cada um dos seus membros. Devemos não só zelar por nós mesmos mas também pelo nosso irmão refletindo as palavras de Jesus: “Se o teu irmão pecar, vai repreendê-lo entre ti e ele só, se ele não te ouvir, leva mais alguém, se não te ouvir, comunica a liderança da igreja para que tomem as providências”. Mas, antes de chegar a este ponto existe todo um processo intra comunitário desenvolvido pelos membros, cada um participando e sendo responsável para que a vida da igreja ande corretamente. Se não for assim corremos o risco de sermos participantes dos pecados alheios e incorrermos na culpa de cumplicidade.

Assim, o apóstolo Paulo, no capítulo 5, chama a igreja à ordem e nos fala de forma apaixonada, fala com amor pela igreja; nos fala da responsabilidade que todos temos de cuidar de nós mesmos, de vivermos vidas santas e, de como comunidade, zelarmos para que o nome de Cristo seja honrado e glorificado através da vida santa da comunidade dos santos. Infelizmente nem sempre atentamos para esta maneira de Paulo abordar o problema em vista do nosso individualismo. Mais freqüentemente do que desejaríamos ouvimos falar de piedade em termos individuais, ou seja, piedosa é a pessoa que se fecha no seu quarto para ler e orar gastando tempo a sós com Deus. E santidade seria algo que se desenvolveria individualmente. Quando falamos em santificação geralmente temos a figura de uma pessoa em mente e nos esquecemos que Novo Testamento geralmente estas coisas são contempladas à luz da comunidade. Piedade é algo que eu exerço junto com o povo de Deus; culto não é algo que eu presto individualmente a Deus, somente, mas algo que faço com meus irmãos. Santidade é algo comunitário. Nós crentes caminhamos a vida de santidade juntos. Perdemos de vista este aspecto corporativo da Igreja apresentado no NT. É tão importante, salutar, equilibrado e abençoador para cada um de nós a idéia de andarmos juntos, vivermos juntos e nos santificarmos com a ajuda uns dos outros. É neste contexto que o apóstolo trás estas palavras.

O Texto

No versículo 1 e 2 encontramos o apóstolo Paulo apresentando o assunto que vai falar. Ele coloca o problema com palavra muito claras. O problema é duplo:

O Primeiro Aspecto do Problema
Primeiro, Paulo inicia dizendo que “Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade…” (v. 1) e depois especifica que imoralidade é esta. O pecado é de incesto que está proibido pela Lei mosaica em Deuteronômio 2:30 e outras passagens do VT onde Deus revela Sua repulsa ao adultério e muito menos que um homem faça isso com a mulher do seu pai. Era um caso claro de transgressão da Lei de Deus. É importante notarmos que para o apóstolo Paulo, a Lei de Deus sempre estava em vigor para o cristão. Paulo caracteriza bem esta imoralidade, e, muito embora não faça uma referência clara ao Antigo Testamento, há evidências na passagem, de toda legislação do VT sobre a conduta moral e sexual do povo de Deus. É bom enfatizar isso numa época em que as pessoas têm demonstrado descaso para com a Lei de Deus e para com os padrões morais das Escrituras. O apóstolo está muito à vontade expressando o ensino do VT para uma comunidade de cristãos do NT e caracterizando a conduta daquele indivíduo como sendo imoralidade à luz dos padrões Vetero Testamentários. Isso nos trás a um ensino importante, o de ter em alto apreço o Antigo Testamento que também é revelação de Deus para nós cristãos, ainda hoje. Tudo que foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que através das Escrituras e da paciência tenhamos conforto e esperança.

Esta era a primeira parte do problema: uma relação incestuosa de um homem que vivia com sua madrasta e que era do conhecimento de todos, como se vê nas palavras de Paulo: “Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade…” (v. 1).

O Segundo Aspecto do Problema
A segunda parte do problema está no v.2: “E, contudo, andais vós ensoberbecidos, e não chegaste a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?”. O que angustiava o apóstolo Paulo não era só o pecado em si, mas que a igreja, ao invés de “lamentar” o fato de ter um de seus membros vivendo uma relação pecaminosa e tomar a providência correta, que na ocasião seria tirar do meio da comunidade aquele indivíduo que não havia se arrependido (a julgar pelo que Paulo diz), ou que não queria corrigir-se. A atitude da igreja deveria ser excluir este membro contumaz. Paulo está angustiado pelo fato da igreja não tomar esta atitude para zelar pela vida e pela pureza da igreja, pelo nome de Cristo e pelo próprio pecador. Ao contrário, a igreja estava ensoberbecida, envaidecida possivelmente por causa dos dons espirituais. Os membros estavam orgulhosos de constituirem uma igreja “carismática”, ou quem sabe, uma igreja que amava a todos do modo que eram e de como agiam. Uma coisa é certa: Paulo entendia que a atitude da igreja não estava correta. Ao invés de lamentar e chorar pelo fato de um membro está sofrendo, e quando isso acontece, todos sofrem com ele, Paulo pensa na igreja em termos corporativos e vê uma comunidade negligente por não lamentar-se em vista do pecado que estava no seu meio. Ela assume uma postura oposta “festiva”, com um culto alegre, enquanto ninguém estava se preocupando com o problema. Paulo estava angustiado por ver um membro vivendo em pecado e por constatar uma igreja tolerante que convivia com o problema sem nenhuma dificuldade.

Antes mesmo de dizer os princípios pelos quais a igreja deveria expulsar o malfeitor que “tamanho ultraje praticou”, Paulo já vem com a solução para o problema, até contrariando seu método habitual, usado na primeira carta aos Coríntios. Paulo geralmente coloca o problema, introduz uma série de princípios doutrinários e no final apresenta a conclusão. Mas Paulo parece tão atribulado que apresenta o problema e logo dá a solução; só posteriormente fala sobre as doutrinas que estão por trás da questão. Isso, talvez pela angústia que lhe passava na alma em vista do grande amor que tinha por aquela igreja. Do versículo 3 até o 5 Paulo diz o que vai fazer. Ele fala como apóstolo de Jesus: “…já sentenciei…”. Ele usa das prerrogativas de apóstolo, a quem foi dada autoridade para edificar a igreja, fazê-la andar e para trabalhar no seu fundamento. Como tal, ele sentencia. Esta palavra “sentenciar” vem da linguagem jurídica que significa o pronunciamento final de um processo de julgamento. A igreja deveria ter feito isso e por que não fez, Paulo toma para si as prerrogativas de juiz. Ele mesmo faz o julgamento, sentencia o membro infrator dizendo: “…que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor [Jesus]” (vs. 3-5).

Quando o apóstolo Paulo sentencia que aquele infrator seja entregue a Satanás, ele o faz nos termos do ensino de Jesus. Paulo aqui está ecoando o ensino de Cristo quando disse num contexto de disciplina: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20). Jesus já havia dito dois versículos atrás (v. 18) que: “…tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu”. Este é um contexto de disciplina, quando Jesus estava respondendo a Pedro sobre o que deveria ser feito se um irmão pecasse contra ele. Jesus diz que a igreja reunida em espírito, com a presença do Senhor e em Seu nome deveria exercer o “poder das chaves”; de admitir alguém no Reino de Deus ou então excluir através da disciplina. Paulo está ecoando o ensino de Jesus quando diz: [Eu, juntamente com vocês] “em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor…” (v. 4). Dessa forma Paulo sentencia o membro daquela igreja.

O que significa “entregar a Satanás”? Isto tem sido bastante debatido e não vai fazer muita diferença na interpretação geral da passagem. Em linhas gerais se acredita que Paulo estava dizendo o seguinte: Uma vez que a pessoa não queira ouvir a voz da igreja, não aceita a repreensão do Espírito Santo, e, sendo excluído da comunidade, será como uma ovelha que foi colocada para fora do aprisco. Lá fora estão os lobos à espera. Satanás vai cirandar, vai colocar sua mão em cima. O objetivo de Paulo com isso não é destruir a pessoa como muitos pensam em relação ao ato disciplinar. Em termos eclesiásticos alguns pensam de disciplina como algo que trás simplesmente punição ou destruição do pecador. Mas não é este o objetivo da disciplina. Apesar de todo rigor e firmeza de Paulo em tratar o assunto, ele diz: “…a fim de que o espírito seja salvo” (v. 5). Este é o objetivo que Paulo revela na sua carta; o amor por aquele pecador e seu desejo de recuperá-lo, mesmo que para isso medidas drásticas tenham de ser tomadas. Paulo não fica vacilante. Se tem de ser entregue a Satanás, que seja, para que o espírito seja salvo. Se for o único meio, que assim seja excluído da igreja, ficando fora da proteção do Senhor e ficando exposto aos ataques do diabo. Ataques que são descritos no livro de Jó, quando este servo de Deus experimentou na carne a atividade satânica como doenças, aflições, perdas dos bens, etc. Em fim, toda sorte de aflições que com o decreto de Deus Satanás às vezes pode infligir às pessoas para que o propósito de Deus seja feito. No caso, para este membro da igreja, o propósito era trazê-lo de volta ao seio da igreja através das aflições, angústias, dificuldades, e tribulações que Deus permitiria (decreto permissivo) que Satanás trouxesse a este membro em pecado. Ele deveria ser levado ao arrependimento, cair em si e voltar ao convívio da igreja.

Não sabemos se a “estratégia” funcionou. Na Segunda carta que Paulo escreve à Igreja de Corinto há uma menção de alguém que se arrependeu, que mudou sua atitude. Paulo não diz quem foi esta pessoa. Mas Paulo recomenda que a igreja o receba, que o aceite, que não prolongue demasiadamente a disciplina para que ele não desfaleça. Alguns entendem que seja exatamente este homem citado por Paulo no v. 5.1. Se for o caso, a disciplina teria funcionado e o pecador voltado arrependido, recuperado, restaurado, e a igreja o teria recebido com alegria. Paulo passa para uma postura final e só depois explica o porque desta atitude. Pode parecer aos ouvidos pós-modernos uma atitude muito radical. Mas Paulo explica o porque de sua atitude.

As Razões de Paulo Para a Disciplina Rígida

1) Porque o pecado é como o fermento (v. 6). Se não cuidarmos ele se alastra e contamina toda a massa: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?”. Paulo usa uma linguagem muito comum no VT. No VT uma das coisas usadas para tipificar o pecado é o fermento. Tanto é que na celebração da páscoa era proibido se comer pão com fermento (o pão era “asmo” – sem fermento). O fermento era símbolo do pecado. Uma das propriedades do fermento pelas quais ele tornou-se símbolo do pecado, é sua capacidade de aumentar e dominar o ambiente onde se encontra. Se colocado um pouco de fermento no pão que está sendo preparado logo levedará toda a massa. O apóstolo diz que o pecado é exatamente assim. Paulo pergunta se os crentes de Corinto não sabem disso: Que o pecado é como o fermento, que leveda toda a massa? A idéia é que, se deixado sem correção, no seio da igreja, sem que as devidas soluções sejam tomadas, o pecado se propaga. O que pensar dos jovens da igreja de Corinto? O que eles estavam aprendendo quando viam aquele homem vivendo com a madrasta e ninguém dava importância? O que eles estavam aprendendo? Aprendiam, que aquela atitude não faz diferença na vida cristã e que não importa nosso comportamento sexual. Podemos continuar em pecado e como um cristão normal. Era essa a mensagem que estava sendo passada para os membros da igreja; que o pecado realmente não importava porque a igreja parecia aceitar normalmente. Qual a mensagem que está sendo passada para os jovens e novos convertidos? Que o pecado não afeta meu estado, o meu relacionamento e minha comunhão com Deus e nem a vida da igreja. Ou seja, o que é pregado no púlpito é totalmente desfeito por este tipo de atitude. Nós podemos pregar santidade, e se temos de viver vidas santas mas não acrescentarmos à Palavra pregada as medidas corretas para que todos nós trilhemos este viver santo, a mensagem deixa de ter seu efeito.

Quando Calvino começou sua obra em Genebra ele tinha a idéia de que se houvesse apenas pregação fiel da Palavra de Deus e administração correta dos sacramentos, a igreja seria edificada, os crentes ouviriam e os problemas se resolveriam. Algum tempo depois, Calvino reconheceu que era necessário e bíblico acrescentar um terceiro elemento: a disciplina eclesiástica.

Há necessidade do exercício da disciplina eclesiástica feita em amor para recuperação do pecador e para que se coloque em prática o que a Palavra de Deus nos recomenda e exige. O mais importante é que Paulo não está aqui falando para a liderança. Ele está falando para toda a igreja. Não caiamos no erro de interpretar mal o apóstolo Paulo pois o que ele fala é para todos nós; é responsabilidade de toda a igreja zelar pela vida da comunidade seguindo os princípios bíblicos. Porque o pecado é como o fermento. Se deixarmos ele contamina a massa toda. Que mensagem estamos passando para o mundo? Qual a mensagem que a “Tiazinha”, que se diz evangélica, passa para o mundo? Sua mensagem é que não importa seu comportamento sexual, sua profissão corrupta. Assim, se conclui que cabe tudo na igreja.

Estamos vivendo um momento de crise de referência na igreja brasileira. Ou seja, precisamos de pessoas que sejam referenciais. A pouco tempo a revista “Isto É” publicou um suplemento sobre os maiores religiosos do século e citava Dom Evaristo Arnes, Alziro Zarur, Chico Xavier, Madre Tereza, Leonardo Boff, Frei Beto, Marcelo Rossi, mas nenhum evangélico. Pode ser apenas preconceito contra os evangélicos, mas pensemos qual evangélico poderia estar nesta lista? Soubemos depois que o candidato dos evangélicos seria o Bispo Macedo. Se há um momento em que a igreja precisa fazer diferença no Brasil, é hoje. E temos de começar nos lembrando de que o pecado é como o fermento. Ele destrói a reputação da igreja, a sua credibilidade, seu ensino, e por isso temos de tratá-lo com firmeza. Devemos começar conosco mesmo, sendo implacáveis com nós mesmos e brandos com os outros, mas firmes no geral. Tudo isso para evitar que o pecado se alastre. Este é o caminho. Não estou me referindo a fazermos cruzadas de moralidade; não creio nisso. Mas devemos pregar o ensino simples do evangelho e como lemos nos salmos “que os que temem ao Senhor odeiem o pecado”, se afastem do pecado pois este é o ensino de toda a Bíblia. O primeiro ensino é este: O pecado é como o fermento e se nós não cuidarmos ele tomará conta de tudo corrompendo as consciências.

2) O segundo argumento de Paulo está baseado na Páscoa (também vem do Velho Testamento). Aqui no v. 7 Paulo se refere a Cristo como sendo nossa Páscoa e que ele já foi imolado por nós. Paulo compara a vida da igreja a uma grande Páscoa, a uma eterna festa. O nosso Cordeiro Pascal já foi imolado e nós já nos alimentamos dele e se vivemos em uma eterna Páscoa, não deve haver fermento. Tem de ser lançado fora os fermentos, a massa velha. Por isso Paulo diz: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa…” (v.7). A Igreja é a comunidade Pascal liderada, salva e resgatada por aquele que é a nossa Páscoa. Na festa da Páscoa não podia se ter pão com fermento. Essa é a figura que Paulo usa. Se há pão fermentado já não é mais Páscoa. No v. 8 Paulo diz da vida cristã que “celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia; e, sim, com os asmos da sinceridade e da verdade”. É só quando a sinceridade e a verdade prevalecem que nós verdadeiramente celebramos. Somos uma comunidade que celebra, que vive na alegria, no gozo da santidade do nosso Cordeiro.

É claro que Paulo não está pregando o perfeccionismo. Mas alguns podem ter esta idéia; Paulo não está pedindo que a igreja seja perfeita, mas sim que a igreja de Corinto tome as atitudes certas quando o pecado aparecer. O pecado vai aparecer, é verdade, e pode ser em minha vida e na sua, mas que a comunidade ajude o pecador com interesse de auxiliá-lo. Não devemos ficar falando mal e criticando mas que tomemos as providências bíblicas para ajudar aquele que caiu vítima do pecado. Celebremos a festa com os “asmos” da sinceridade e da verdade.

3) Vemos um outro princípio nos versos 9-12. Há um momento para uma separação santa. Infelizmente há momentos em que somente uma separação resolve. A separação da comunidade colocada aqui por Paulo é daquele membro impenitente que não deseja arrepender-se. Parece que Paulo coloca este ponto em destaque (ele gasta vários versículos nisso) provavelmente porque ele sente que foi mal compreendido. Paulo já havia escrito uma primeira carta aos coríntios. Essa primeira carta que conhecemos é, na verdade, uma segunda carta, porque Paulo já havia escrito uma carta antes que foi perdida. Paulo faz menção desta primeira carta perdida no v. 9. Nesta primeiríssima carta ele já havia falado da necessidade de separação, de não haver associação entre o cristão e a impureza. “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros”.

Aparentemente os coríntios haviam entendido que Paulo estava falando que os cristãos não deveriam ter qualquer contato com incrédulos. Por isso os coríntios concluíram que não haveria problema de ter associação com aquele irmão, mesmo que em gravíssimo pecado, visto que era “irmão”. Eles haviam pensado da primeira carta de Paulo que não deveriam se associar apenas com quem não fosse cristão. Paulo, então, corrige este equívoco e diz: “Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me com isto não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso teríeis de sair do mundo”. Paulo, aqui, está dizendo que não estava dizendo que não se associassem, ou mantivessem contato com este tipo de gente, com os pecadores deste mundo, porque, se assim fosse, teriam de sair do mundo. Paulo nunca sugeriu um gueto ou mosteiro, nem ao menos estava sugerindo que não convivessem com os não cristãos. O que Paulo diz é: “Mas agora vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com este tal nem ainda comais” (v.10). O que Paulo está dizendo é que não devemos nos associar com aquele que “dizendo-se irmão”, se fazendo passar por cristão, no meio da comunidade se comportem como não cristãos. A estes nem devemos convidar para uma refeição em nossas casas. Em outras palavras, há um momento em que é necessária uma separação clara e firme.

Muitos podem estar pensando nas palavras de Jesus quando disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7:1). É claro que Paulo e Jesus não estão em contradição. Quando Jesus disse estas palavras ele o fez no contexto do julgamento indevido. Ou seja, alguém julgar o comportamento de uma pessoa e não julgar-se a si mesmo. Lembremo-nos que nesta mesma passagem Jesus diz: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio” (Mt 7.3). O que Jesus proibiu foi o julgamento desproporcional, sendo pesado para com os outros e não para consigo mesmo. Isto não é correto! Mas quando Jesus fala estas palavras condenando o julgamento precipitado, no versículo 6 Ele diz: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas…” (Mt 7:6). Para eu cumprir este mandamento eu tenho de saber quem é “cão” e quem é “porco”. Ou seja, tenho de exercer julgamento. É claro que Jesus não está proibindo que nós, pelas evidências, pelo comportamento, por aquilo que está evidente e claro, cheguemos a uma conclusão de que uma pessoa não está se comportando como um cristão deve se comportar. Assim sendo podemos tomar as devidas providências.

Paulo termina este terceiro princípio dizendo: “Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora?” (5:12a). Paulo está dizendo que não vai julgar os de fora que não são cristãos e que vivem em outro contexto. E então pergunta: “Não julgais vós os de dentro?” (v.12b). Paulo aqui deixa muito claro que julgar os “de dentro” é competência da igreja. Não vamos julgar os de fora, pois Deus os julgará. É isso que Paulo diz no versículo 13: “Os de fora, porém, Deus os julgará” (v.13a). Mas os de dentro sim; a comunidade julga os de dentro e toma as providências para recuperar o faltoso, o extraviado, para trazer de volta o que se desviou. E, se necessário for, para isso, a santa separação, que haja separação.

Paulo conclui no v.13 dizendo: “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor”.

Conclusão

Estamos vivendo uma época em que se Paulo viesse expor esta mensagem, desta forma, não seria bem recebido.

Hoje se diz que a verdade é relativa e que cada pessoa tem sua própria verdade. Estamos vivendo a relativização dos valores morais. Se diz que a vida de cada um é governada por aquilo que a pessoa sente que é melhor. Se a pessoa está se sentindo bem em determinado lugar, se algo está fazendo-lhe bem, então, não importa outras questões, outros critérios. O critério que é usado é sentir-se bem e passa a ser o principal para governar a conduta das pessoas. O que valida uma situação ou uma conduta é eu estar ou não me sentindo bem no que estou fazendo.

Esses conceitos têm predominado em nossa sociedade e em muitas igrejas. A relativização na mídia, nas músicas, nos escritos modernos, nas universidades, nos debates da ética e da moralidade. Os formadores de opinião pública nacional estão totalmente envolvidos na pós modernidade que resume tudo que foi dito. Tudo isso acaba minando a vida da igreja, a literatura, os seminários, os congressos. Às vezes, de forma sutil, nos tornamos avessos aquilo que venha nos contrariar, que venha nos obrigar a dizer: “Isso está errado!”.

Mas temos de fazer a escolha. É um momento sério de decisão da Igreja, se vamos viver à luz da Palavra de Deus e de seus valores absolutos ou se vamos nos deixar levar pelos “ventos” da época.

A Palavra de Deus nos chama a viver vidas santas e retas. Nos chama a aborrecer o pecado e se necessário, tomar as devidas providências para que ele não tenha livre curso em nosso meio, nas nossas vidas, nas nossas famílias. Tomar a providência necessária em amor, em espírito de brandura, olhando por nós mesmos para que não sejamos também levados pelo pecado mas ajudando-nos mutuamente, levando as cargas uns dos outros para que a comunidade toda viva vida de santidade e de alegria. O problema não é o pecado somente, mas o pecado não resolvido. Para o pecado há perdão, resgate, redenção e libertação. O problema não é só o pecado mas o pecado não confessado, não reconhecido e não tratado. É contra isso que Paulo fala. Que Deus nos ajude.

Lembremo-nos que esta mensagem é para a igreja e não para os líderes. Sempre fico admirado com Paulo pelo fato de que quando fala de disciplina eclesiástica ele não se dirige aos pastores e aos presbíteros apenas mas fala para à comunidade toda. É nossa responsabilidade de orarmos e vivermos vidas santas ajudando-nos uns aos outros a nos livrar do inimigo das nossas almas. Esse é o pior inimigo: o pecado não tratado.

Que Deus nos dê graça e misericórdia para vivermos segundo o padrão da Palavra de Deus.

Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Estudo disponível no site www.ipb.org.br

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POR QUE CREIO NA BÍBLIA?

Referência: SALMO 119.105

A Bíblia é o livro dos livros. Inspirado por Deus, escrito pelos homens, concebido no céu, nascido na terra, odiado pelo inferno, pregado pela igreja, perseguido pelo mundo e crido pelos fiéis.

A Bíblia é o livro dos paradoxos: é o livro mais lido e o mais desconhecido. É o livro mais amado e o mais odiado. É o livro mais obedecido e o mais escarnecido. É o mais pregado e o mais combatido.

Exemplo: VAOLTAIRE = Combateu implacavelmente a Bíblia e o Cristianismo. Disse que acabaria sozinho com a Bíblia e com o Cristianismo. Morreu louco. Sua casa tornou-se logo numa sede de distribuição da Bíblia.

A Bíblia tem sido o farol de Deus na escuridão da história. Ela é o fanal que orienta o nauta. Ela é o mapa que norteia o caminhante. A Bíblia é o coração de Deus aberto. É o braço de Deus estendido. É a vontade de Deus declarada.

Na Bíblia os céus e a terra se abraçam. O infinito toca o finito. O eterno invade o temporal. O divino e o humano se encontram.

A Bíblia é a espada do Espírito – poderosa arma de combate contra as hostes inimigas que conspiram contra nós, que com sutilezas vis tentam nos arrastar na correnteza do pecado e nas seduções do mundo.

A Bíblia é o bisturi de Deus que corta e amputa os tumores infectos da alma e cirurgia os abcessos do coração.

A Bíblia é fogo que consome os entulhos da nossa vida e queima a pragana que suja a nossa alma.

A Bíblia é martelo que quebra as nossas resistências e a dureza pertinaz do nosso coração.

A Bíblia é o livro de Deus. É o livro do céu. É o livro dos livros. É o livro acorrentado que tem trazido livramento. É o livro queimado nas fogueiras que tem tirado vidas das chamas do inferno. É o livro odiado que tem ensinado o perdão. É o livro que aponta para a salvação!

Por que creio nesse livro?

I – POR CAUSA DA SUA UNIDADE NA DIVERSIDADE

Ela foi escrita durante 1600 anos. De Moisés a João na ilha de Patmos.

Ela foi escrita por cerca de 40 escritores. De lugares diferentes, de culturas diferentes, para destinatários diferentes.

Ela foi escrita em idiomas diferentes

Entretanto, em momento algum sua harmonia foi afetada. Há uma coesão, sintonia, uma concordância absoluta. Hoje a Bíblia é mais atual do que o jornal do dia.

II – POR CAUSA DO CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS

Só no Velho Testamento há mais de 2000 profecias que já se cumpriram literalmente.

A Bíblia escreve história antes dela acontecer.

Os vaticinadores atuais são falhos e suas profecias são vagas – NOSTRADAMUS.

a) Profecias acerca de Tiro – capital da Fenícia = Ez 26.19-21; 26.4,5; 26.12-14

b) Profecias acerca da Babilônia = Is 13.19; Jr 51.58,62; Jr 50.13,39

c) Profecias acerca dos nossos dias =

CAOS MORAL = 2 bilhões de litros de cachaça/ano; 4 milhões de aborto/ano; 20 milhões de crianças abandonadas; AIDS; falência do casamento; crimes; injustiça

CAOS SOCIAL = a fome, a injustiça, pessoas catando lixo para comer; assaltos, seqüestras, estupros, violência rural e urbana.

CAOS ESPIRITUAL = Racionalismo – Idealismo – Materialismo – Evolucionismo – Existencialismo – Positivismo – Humanismo.

III – PELA TRANSFORMAÇÃO QUE ELA OPERA

A Inglaterra do século XVIII = Estava num caos. Davi Hume, John Locke e Voltaire era os homens lidos. Os país naufragava. A sabedoria humana sem Deus estava levando o país ao caos. – Wesley e Whitefield se levantaram com a Bíblia na unção do Espírito e o país foi salvo.

Todas as nações que cresceram debaixo da bandeira da Bíblia = Todas as nações que foram colonizadas com o ensino da Bíblia são prósperas, ricas – e se hoje estão se degenerando é porque estão abandonando a Bíblia.

A AIDS = no final do milênio estima-se que cada família terá um aidético. Hoje as autoridades dizem: a questão não é a INFORMAÇÃO, mas a TRANSFORMAÇÃO - (e transformação só com a Bíblia).

A Ilha de Fidji = Há alguns anos, um conde inglês visitou a Ilha de Fidji. Ele sabia que as condições morais ali tinham sido péssimas e admirou-se do que eram por ocasião da sua vida. Esse incrédulo, visitando um velho chefe da tribo, que parecia civilizado disse: “O senhor é um grande chefe. É pena que tenha sido ingênuo bastante para crer na Bíblia. Lá no meu país ninguém mais crê nesse velho livro nem ouve a história de Jesus cristo. O povo hoje está ilustrado e não crê nisso mais. Estou triste porque o senhor crê nessas bobagens.”

Os olhos do velho chefe flamejaram e ele respondeu: “o senhor está vendo aquele forno? Ali é que nós queimávamos os corpos humanos para as nossas grandes festas. Se não fosse esse velho livro, a Bíblia e Jesus Cristo que nos transformou de selvagens em verdadeiros filhos de Deus, o senhor já teria sido morto e assado naquele forno. E nós já lhe teríamos comido a carne.”

Charles Darwin = depois de dar a volta ao mundo e voltar atrás na maioria dos seus postulados evolucionistas afirmou em Londres. “A diferença entre crer na Bíblia ou não é ser convidado para o jantar ou ser o jantar.”

Eu creio na Bíblia porque através dela eu conheci o amor de Deus e recebi a Jesus como meu Salvador e Senhor.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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Tito – Esboço e Introdução

Tito (Tt)
Autor: Paulo
Data: Cerca de 64 dC

Antecedentes


É estranho que uma pessoa cujo nome esteja listado entre os livros do NT seja tão pouco conhecida. Mesmo que Tito fosse companheiro e um valioso colaborador de Paulo, não existe nenhuma menção a seu respeito em Atos.
Tito era grego e evidentemente um convertido de Paulo. O fato de Tito não ser circuncidado (Gl 2.3) indica que ele não foi criado no judaísmo, nem tornou-se um prosélito. Paulo tinha muita estima por Tito e o apostolo se inquietava quando havia pouco ou nenhuma notícia sobre as atividades e o paradeiro do jovem.

Ocasião e Data
Embora o NT não registre um ministério de Paulo em Creta, passagens como 1.5 indicam claramente que ele e Tito conduziram uma missão lá. Ess campanha provavelmente tenha acontecido em alguns momentos durante 63-64 dC, após a libertação de Paulo de sua primeira prisão em Roma. Como tinha pouco tempo, Paulo deixou Tito em Creta para cuidar de novas igrejas. Então o apóstolo partiu para outras´áreas de trabalho. Em algum momento a caminho de Nicópolis, na Grécia (3.12), ele escreveu para Tito. A carta dá indicações de ter sido escrita durante o outono, provavelmente por volta de 64 dC (3.12).

Conteúdo


A carta a Tito tem uma afinidade com 1Tm. Ambas as epistolas são endereçadas a jovens homens aos quais tinham sido designados de liderança responsável em sua respectivas igrejas durante a ausência de Paulo. Ambas as epístolas ocupam-se com as qualificações daqueles que devem liderar a ensinar as igrejas. Tito tinha três grandes temas– a organização da igreja, a doutrina correta e a vida santa. Tito tinha de ordenar os presbíteros em cada cidade onde existia o núcleo de uma congregação. Eles devia ser homens de alto caráter moral, e deveriam ser inflexíveis em questões de princípio, mantendo a verdadeira doutrina apostólica e sendo capazes de reprovar os opositores.

Cristo Revelado


Fundamentando as instruções de Paulo está o tema de que Cristo está construindo sua igreja, escolhendo cuidadosamente as pedras que formam essa habitação para Deus. Paulo também enfatiza Cristo como nosso redentor (2.14; 3.4-7) e apresenta sua segunda vinda como um incentivo à vida sagrada (2.12,13).

O Espírito Santo em Ação


O ministério do ES é compreendido por toda a epístola. Os cretenses não podem mudar a si mesmo (1.12-13), e a regeneração só pode ser obra do ES (3.5). A pessoa que experimenta um novo nascimento recebe o ES a fim de manter um estilo de vida vitorioso seguindo os moldes do de Cristo (3.6-8).

Esboço de Tito

I. Introdução 1.1-5

Declaração do ofício, esperança e funções de Paulo 1.1-3
Saudação 1.4
Encargo de Tito 1.5

II. Instruções em relação aos presbíteros 1.6-16

Sua qualificações 1.6-9
A necessidade de administração adequada 1.10—16

III. Instruções em relação à conduta cristã 2.1-3-7

Entre eles mesmos 2.1-15
Em relação ao mundo todo 3.1-7

IV. Instruções finais 3.8-11

Para ensinar verdades espirituais 3.9-11
Pra evitar dissensões 3.9-11

V. Instruções e saudações 3.12-15

Fonte: Bíblia Plenitude & Site Vivos

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Paul Yonggi Cho – Testemunho

No caos que se seguiu ao conflito da Coréia, encontrei-me entre os que lutavam pela sobrevivência. Pobre, mas persistente, trabalhava em vários empre­gos no decurso de um dia.

Certa tarde, estava dando uma aula particular. Subitamente senti alguma coisa emanando-me do peito. Senti a boca cheia. Pensei que ia sufocar-me.

Abri a boca e o sangue começou a escorrer. Tentei estancar a hemorragia, mas o sangue continuava a sair-me pelo nariz e boca. Logo meu estômago e peito encheram-se de sangue. Severamente fraco, desmaiei.

Ao voltar a mim, tudo parecia rodar. Trêmulo, mal consegui chegar a casa.

Eu tinha dezenove anos de idade e estava morren­do.

Assustados, meus pais imediatamente venderam parte de suas posses a fim de levar-me a um bom hospital para tratamento. Os médicos fizeram exames cuidadosos; o diagnóstico: tuberculose incurável.

Ao ouvir esse julgamento, compreendi o quanto desejava viver. Minhas aspirações do futuro iam-se acabar antes de eu ter tido a chance de começar a viver.

Desesperado, voltei-me para o médico que dera o diagnóstico sombrio.

— Doutor — implorei — não há nada que o senhor possa fazer por mim?

Sua resposta muitas vezes ressoaria em minha mente.

—   Não. Este tipo de tuberculose é muito raro Espalha-se tão rapidamente que não ha jeito de contê-la. Você tem três, no máximo quatro meses de vida. Vá para casa, jovem. Coma tudo o que desejar e diga adeus a seus amigos.

Desolado, deixei o hospital. Passei por centenas de refugiados na rua e senti-me ligado a eles. Sentia-me totalmente só. Eu era um dos que não tinham esperança.

Voltei para casa num estado mental de total confu­são. Pronto para morrer, pendurei um calendário de três meses na parede. Por ter sido criado no budismo, orava diariamente para que Buda me ajudasse. Ne­nhuma esperança me vinha e a cada dia que passava eu ficava pior.

Percebendo que meu tempo de vida se encurtava, desisti da fé em Buda. Foi então que comecei a clamar ao Deus desconhecido. Pouco sabia eu do grande impacto que sua resposta teria sobre minha vida.

• • • • •

Alguns dias mais tarde, uma colegial veio visitar-me e começou a falar a respeito de Jesus Cristo. Contou–me do nascimento virginal de Jesus, sua morte na cruz, sua ressurreição e a salvação mediante a graça. Essas histórias pareciam não fazer sentido para mim. Eu não aceitava as histórias dela nem prestava muita atenção a essa jovem ignorante. Sua partida deixou–me com uma única emoção: alívio.

Mas no dia seguinte ela voltou. Voltou várias vezes, e toda vez perturbava-me com as histórias a respeito do

Deus-homem, Jesus. Depois de mais de uma semana destas visitas, fiquei grandemente agitado e repreen­di-a asperamente.

Ela não saiu correndo envergonhada nem retaliou com raiva. Simplesmente ajoelhou-se e começou a orar por mim. Grandes gotas de lágrimas escorreram-lhe pelas faces, refletindo uma compaixão estranha às minhas filosofias e rituais budistas bem organiza­dos e estéreis.

Ao ver suas lágrimas, meu coração foi profunda­mente tocado. Vi algo diferente nesta garota. Ela não recitava histórias religiosas para mim; ela vivia sua fé. Por intermédio de seu amor e lágrimas pude sentir a presença de Deus.

— Jovem —, implorei — por favor, não chore. Sinto muito. Agora conheço o seu amor cristão. Já que estou morrendo tornar-me-ei cristão para você.

Sua reação foi instantânea. Seu rosto iluminou-se e ela louvou a Deus. Apertando-me as mãos, deu-me sua Bíblia.

—  Examine a Bíblia — instruiu ela. — Se a ler fielmente encontrará as palavras de vida.

Essa era a primeira vez em minha vida que tinha em mãos uma Bíblia. Lutando com esforço para respirar, abri no livro do Gênesis.

Ela sorriu, abrindo a Bíblia no evangelho de Mateus:

—  O senhor está tão doente que se começar em Gênesis, acho que não durará o tempo suficiente para terminar o Apocalipse. Se começar com o evangelho de Mateus, acho que terá tempo de terminar.

Esperava encontrar profundos ensinamentos mo­rais e filosóficos, mas o que eu li chocou-me. “Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos.”

Senti-me ridículo. Fechei a Bíblia, dizendo:

—  Senhorita, não vou ler esta Bíblia. Isto é uma

história de um homem gerando outro. Preferiria ler uma lista telefônica.

— O senhor não reconhece esses nomes agora — respondeu ela. — Mas à medida que continuar a leitura, esses nomes terão significação especial para o senhor.

Encorajado, comecei a ler a Bíblia de novo.

• • • • •

Ao ler não encontrei filosofias nem teorias sistema­tizadas nem ciência médica nem quaisquer rituais religiosos. Mas encontrei um tema marcante: a Bíblia constantemente falava a respeito de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

A iminência de minha morte tinha-me levado à compreensão de que eu precisava de algo maior do que a religião, mais profundo do que a filosofia e mais alto do que a simpatia pelas tribulações da existência humana. Precisava de alguém que partilhasse minhas lutas e meus sofrimentos; alguém que pudesse dar–me a vitória.

Mediante a leitura da Bíblia descobri que esse alguém era o Senhor Jesus Cristo:

Essa Pessoa chamada Jesus Cristo não apresen­tava uma religião, um código de ética, nem uma série de rituais. De um modo profundamente prático, Jesus trazia a salvação à humanidade. Odiando o pecado, Cristo amava o pecador, aceitando a todos os que a ele se chegavam. Profundamente cônscio de meus pecados, sabia que precisava de seu perdão.

Cristo curou os doentes. Os enfermos vinham a ele, e ele curava a todos os que tocava. Isto trouxe fé a meu coração. Fiquei esperançoso de que ele pudesse me curar também.

Cristo deu paz aos perturbados. Ele insistia: “Tenham fé em Deus! Não se perturbem! Não há motivo para temor!” Cristo odiava o temor, mostrando que o homem nasceu a fim de viver pela fé. Cristo infundiu confiança, fé e paz aos que foram a ele pedindo ajuda. Essa tremenda mensagem emocionou-me o coração.

Cristo ressuscitou os mortos. Nunca encontrei um incidente na Bíblia em que Cristo tivesse dirigido um culto fúnebre. Ele trazia os mortos de volta à vida, transformando os funerais em magníficas ressurreições.

E o que mais sobressaía em minha mente era a misericórdia de Cristo para com os possessos do demônio. Durante a guerra da Coréia muitas pessoas perderam as famílias e os negócios. Sofrendo de esgotamentos nervosos, muitos tor­naram-se completamente possessos pelo diabo. Destituídos de abrigo, andavam sem rumo pelas ruas.

Cristo estava pronto até mesmo para enfrentar esse desafio. Ele expulsou os demônios e restau­rou os possessos à vida normal. O amor de Cristo era poderoso, tocava a vida e as necessi­dades de todos que vinham a ele.

Convencido de que Cristo Jesus estava vivo, e movido pela vitalidade de seu ministério, ajoelhei-me. Pedi que Cristo entrasse em meu coração e me salvasse, me curasse e me livrasse da morte.

Instantaneamente a alegria da salvação e a paz do perdão de Cristo me envolveram. Sabia que estava salvo. Cheio do Espírito Santo, levantei-me e gritei:

“Glória seja dada ao Senhor!”

Dessa hora em diante li a Bíblia como a pessoa que está morrendo de fome digere seu alimento. A Bíblia provia fundamento para toda a fé de que eu necessita­va. A despeito do prognóstico e dos antigos sentimen­tos de temor, logo fiquei sabendo que ia viver. Em vez de morrer em três meses, levantei-me do leito da morte em seis.

Desde esse dia tenho pregado o evangelho dinâmi­co de Jesus Cristo. A garota, cujo nome jamais vim a saber, ensinou-me o nome mais precioso que jamais conhecerei.

Através dos anos Deus tem-me ajudado a compre­ender vários princípios importantes de fé. Esses são os princípios que partilho com você nos capítulos que se seguem, para que você possa entrar numa dimen­são mais profunda e numa vida mais abundante.

Cristo jamais muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre.

Cristo deseja carregar seus fardos. Jesus pode perdoar-lhe e curá-lo. Ele pode expulsar Satanás e dar-lhe confiança, fé e paz.

Cristo deseja dar-lhe a vida eterna a fazer parte do seu viver diário. Ao passo que os ladrões vêm para matar e destruir, Jesus Cristo vem para dar vida, completa e livre.

Mediante a presença do Espírito Santo, Jesus está com você neste instante. Cristo deseja curá-lo e libertá-lo da morte. Ele é o seu Senhor redivivo. Coloque sua fé em Jesus Cristo e espere um milagre hoje.

Fonte: A quarta dimensão.  Paul Yonggi Cho. Vida

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É correto para um cristão namorar ou casar-se com alguém que não seja cristão?

Pergunta sobre Casamento: “É correto para um cristão namorar ou casar-se com alguém que não seja cristão?”

Resposta: II Coríntios 6:14 declara: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” Enquanto esta passagem não menciona especificamente o casamento, certamente tem implicações para o casamento. A passagem continua dizendo: “E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei” (II Coríntios 6:15-17).

A Bíblia continua dizendo: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (I Coríntios 15:33). Ter qualquer tipo de relacionamento íntimo com um incrédulo pode rapidamente e facilmente se tornar algo que obstrua sua caminhada com Cristo. Somos chamados a evangelizar os perdidos, não a sermos íntimos com eles. Não há nada errado em construir amizades de qualidade com os incrédulos, mas isto é o máximo que se pode fazer. Se você estivesse namorando um incrédulo, como vocês dois poderiam cultivar intimidade espiritual dentro do casamento? Como um casamento de qualidade poderia ser construído se vocês discordassem no assunto mais importante do universo: o Senhor Jesus Cristo?

Fonte: www.gotquestions.org

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A COMUNHÃO NA IGREJA

Referência: I JOÃO 1.3

Existem pessoas que estão longe de Deus e longe das pessoas. Outras estão perto de Deus e longe das pessoas. Outras estão longe de Deus e perto das pessoas. Devemos estar perto de Deus e perto das pessoas.

I. COMUNHÃO COM DEUS
a) Enoc – Gn 5.24
b) Noé – Gn 6.9
c) Abraão – Gn 17.1
d) Moisés – Ex 33.11-23
e) Robert McKeyne, David Brainerd, Finney

II. COMUNHÃO COM O FILHO
a) Somos um só espírito com o Senhor – I Co 6.17
b) Ele habita em nossos corações – Ef 3.16-19
c) Ele ceia conosco – Ap 3.20
d) Figuras: NOIVO-NOIVA; VIDEIRA-RAMOS; CABEÇA-CORPO

III. COMUNHÃO COM O ESPÍRITO SANTO
a) Fomos batizados no corpo pelo Espírito e bebemos do mesmo Espírito – I Co 12.13
b) Comunhão do Espírito – II Co 13.13
c) Fp 2.1

IV. COMUNHÃO COM OS SANTOS
a) É o modo natural de viver daquele que tem um encontro com Jesus – At 2.42,46
b) Para ter comunhão com os irmãos, é preciso andar na luz – I Jo 1.7
c) Exige esforço conjunto – Ef 4.15,16
d) Exige correção de pecados – Ef 4.25-32
e) Envolve socorro em coisas materiais – I Jo 3.17; Rm 12.13; II Co 8.4; Gl 2.10; At 11.29,30.

V. MUTUALIDADE DA COMUNHÃO
a) Somos membros uns dos outros – Rm 12.5
b) Amai-vos cordialmente (filostorgoi) uns aos outros – Rm 12.10
c) Preferindo-vos em honra uns aos outros – Rm 12.10
d) Tende o mesmo sentimento uns para com os outros – Rm 12.16; 15.5
e) Acolhei-vos uns aos outros como também Cristo nos acolheu – Rm 15.7
f) Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo – Rm 16.16

VI. QUANDO A COMUNHÃO NÃO É RECOMENDADA
a) Quando as amizades são com pessoas ímpias – Sl 1.1-3
b) Quando a outra pessoa se diz crente, mas não vive como tal – I Cor 5.6-11
c) Quando a outra pessoa tem uma vida comprometida com práticas de pecado – Ef 5.5-14; II Co 6.14
d) Quando a outra pessoa não tem cuidado com a língua – I Co 15.33; Pv 20.19
e) Quando a outra pessoa resiste ouvir e obedecer a Palavra de Deus – II Ts 3.14; Pv 13.20
f) Quando a outra pessoa é semeadora de contendas – Pv 6.16-19

CONCLUSÃO

Fp 2.1-5.

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