Salmo 114 – Bendizendo a Deus pelos seus feitos

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O Salmo 114 evidencia a magnificência e a fidelidade de Deus, pois a narrativa demonstra que a aliança de Deus é perpetua e não se fundamenta no homem, mas na sua palavra.


Salmo 114 – Bendizendo a Deus pelos seus feitos

  1. “QUANDO Israel saiu do Egito, e a casa de Jacó de um povo de língua estranha,
  2. Judá foi seu santuário, e Israel seu domínio.
  3. O mar viu isto, e fugiu; o Jordão voltou para trás.
  4. Os montes saltaram como carneiros, e os outeiros como cordeiros.
  5. Que tiveste tu, ó mar, que fugiste, e tu, ó Jordão, que voltaste para trás?
  6. Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros?
  7. Treme, terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó.
  8. O qual converteu o rochedo em lago de águas, e o seixo em fonte de água.” (Salmo 114:1 -8).

 

Introdução

Há somente duas formas de o homem bendizer a Deus:

  1. Proclamando os seus feitos (Salmo 103:1 -22), e;
  2. Descrever a grandeza e magnificência de Deus (Salmo 104:1 -35).

O Salmo 114 bendiz a Deus pelos seus feitos em prol dos filhos de Jacó, o que também nos faz vislumbrar a grandeza, o poder e a fidelidade de Deus.

 

A libertação da escravidão

“QUANDO Israel saiu do Egito, e a casa de Jacó de um povo de língua estranha,” (Salmo 140:1).

A libertação dos filhos de Israel da escravidão do Egito foi sobremaneira maravilhosa, que é narrado pelo salmista como uma saída, isto em função da forma espantosa que Deus agiu.

“E o SENHOR nos tirou do Egito com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto, e com sinais, e com milagres;” (Deuteronômio 26:8).

O povo de Israel é a descendência de Jacó, e no verso em comento, ‘casa’ tem o sentido de descendência (Salmo 105:23; Êxodo 1:1 -6).

O Egito é chamado de ‘povo de uma língua estranha’, o que enfatiza o fato de os filhos de Israel ser estrangeiros no Egito.

O dia em que os filhos de Jacó deixaram o Egito constitui louvor à fidelidade ao amor de Deus, pois cumpriu a boa palavra anunciada a Abraão.

“Então disse a Abrão: Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos,” (Gênesis 15:13).

 

Reino e templo

“Judá foi seu santuário, e Israel seu domínio.” (Salmo 114:2).

Sião é a cidade do grande Rei, a cidade do Filho de Davi, por isso o monte de Jerusalém é tido por santuário, sendo Cristo o Leão da Tribo de Judá, e os termos de Israel o seu reino.

“E os trouxe até ao termo do seu santuário, até este monte que a sua destra adquiriu. E expulsou os gentios de diante deles, e lhes dividiu uma herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.” (Salmos 78:54 -55).

Por causa do Descendente de Judá, a promessa para a casa de Judá foi a mais excelente:

“Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho, da presa subiste, filho meu; encurva-se, e deita-se como um leão, e como um leão velho; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos. Ele amarrará o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à cepa mais excelente; ele lavará a sua roupa no vinho, e a sua capa em sangue de uvas. Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite.” (Gênesis 49:8 -12).

Quando Cristo se assentar no trono da sua glória, unirá os ofícios de rei e sacerdote, e todos os povos subirão a Jerusalém em busca da palavra de Deus.

“E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR.” (Isaías 2:3).

 

As nações são comparadas a montes e outeiros

“O mar viu isto, e fugiu; o Jordão voltou para trás. Os montes saltaram como carneiros, e os outeiros como cordeiros. Que tiveste tu, ó mar, que fugiste, e tu, ó Jordão, que voltaste para trás? Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros?” (Salmo 114:3 -6)

O Salmista dá a entender que, por Israel sair do Egito atravessando o mar vermelho em pé enxuto, e atravessado o rio Jordão da mesma forma, as nações que habitavam além-rio ficaram temerosas, tal qual quando a presa se apressa a fugir ante o predador.

Se o mar teve que fugir, pois as suas águas fizeram dois montões de cada lado, e se a correnteza do rio foi represada (voltou atrás), as nações (montes e outeiros) que pareciam inabaláveis, ficaram como quando as presas pressentem a presença do predador.

“Mas os filhos de Israel foram pelo meio do mar seco; e as águas foram-lhes como muro à sua mão direita e à sua esquerda.” (Êxodo 14:29);

“Porque há de acontecer que, assim que as plantas dos pés dos sacerdotes, que levam a arca do SENHOR, o Senhor de toda a terra, repousem nas águas do Jordão, se separarão as águas do Jordão, e as águas, que vêm de cima, pararão amontoadas.” (Josué 3:13).

O salmista formula duas perguntas, uma direcionada ao mar e ao rio, e a outra às nações, indagando acerca do que ocorreu (Salmo 68:16). Se o mar e um rio tiveram que franquear passagem a um povo, tal evento minou a confiança dos cananeus, heteus, heveus, perizeus, girgaseus, amorreus e jebuseus.

O Salmo 114 também é importantíssimo para compreender as figuras que remente os termos ‘montanha’, ‘monte’, ‘outeiro’, ‘vale’, ‘planície’, ou ‘cordeiros’, ‘bestas’, ‘feras’.

A nação de Israel é comparada a um monte, e as nações ao derredor, por serem maiores e mais poderosas e vários sentidos, são nomeados ‘outeiros’. Dai podemos compreender a profecia de Isaias, de que nos últimos dias, ou seja, quando Cristo se assentar no trono da sua glória, Israel se firmará acima de todas as nações, e concorrerão para Israel todas as nações.

“E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.”  (Isaías 2 : 2).

Os reis de Israel, na sua grande maioria, confiavam em alianças como os povos vizinhos, sendo que a salvação estava em Deus, e não nas nações e na multidão que nelas havia.

“Certamente em vão se confia nos outeiros e na multidão das montanhas; deveras no SENHOR nosso Deus está a salvação de Israel.” (Jeremias 3:23).

As grandes nações pela sua capacidade bélica são descritas como ‘bestas’, ‘feras’, mas o salmista descreve os povos além do Jordão como cordeirinhos e carneirinhos amedrontados. Através do uso das figuras neste Salmo é possível compreendermos as figuras utilizadas em versos como esse de Ezequiel:

“E não servirão mais de rapina aos gentios, as feras da terra nunca mais as devorarão; e habitarão seguramente, e ninguém haverá que as espante.” (Ezequiel 34:28).

Ou porque as nações são descritas como leão, leopardo, urso, etc., quando Deus incita os povos vizinhos em razão da apostasia de Israel:

“Por isso um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias.” (Jeremias 5:6).

O ‘mar grande’ refere-se aos povos, e os animais grandes (feras) as nações como potencias mundias.

“Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande. E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar.” (Daniel 7:2 -3).

 

Tremer ante a presença do Deus de Jacó

“Treme, terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó. O qual converteu o rochedo em lago de águas, e o seixo em fonte de água.” (Salmo 114:7 -8).

O salmista conclama os filhos de Israel a se sujeitarem a Deus. ‘Tremer’ é obedecer, se sujeitar ao Deus de Jacó que no deserto fez um lago de águas correrem de um rochedo, de modo que uma pedra tornou-se uma fonte de água.

“Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas e o povo beberá. E Moisés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel.” (Êxodo 17:6).

Por que o salmista invoca o evento do milagre operado por Moisés em Horebe? Por que naquele evento Deus estava diante de Moisés sobre a rocha, de modo que Israel deveria tremer ante a presença d’Aquele que fez de uma rocha um manancial no deserto de Horebe.

O Salmo 114 evidencia a magnificência e a fidelidade de Deus, pois a narrativa demonstra que a aliança de Deus é perpetua e não se fundamenta no homem, mas na sua palavra. Embora os filhos de Israel se fizeram infiéis à aliança, Deus permaneceu fiel e cumpriu a sua boa palavra anunciada a Abraão: de Sião veio o libertador!

“E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR.” (Isaías 59:20).

“Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais. Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca; E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos. Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Ageu 2:5 -9)

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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