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Os exilados de Israel em Babilônia deveriam compreender que, mesmo escravos em terras estrangeiras, Deus permanecia fiel, e o seu amor era evidenciado.


Salmo 137 – Saudades de Sião

“1 JUNTO dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. 2 Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas. 3 Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. 4 Como cantaremos a canção do SENHOR em terra estranha? 5 Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. 6 Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria. 7 Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces. 8 Ah! filha de Babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. 9 Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras.” (Salmos 137:1 -9).

 

Salmo 137 – Introdução

Salmo bíblico conhecidíssimo, que em suma contém um lamento do povo judeu quando no exílio Babilônico, isto por volta de 586 a. C.

A autoria do Salmo 137 é desconhecida, embora a tradição judaica atribua a Jeremias a autoria deste Salmo, com se vê na inscrição do Salmo 136 da versão Septuaginta: “Para Davi, por Jeremias, no cativeiro”.

A canção intitulada ‘Rivers of Babylon’, que contém trechos do Salmo 137 foi composta pelos jamaicanos Brent Dowe e Trevor McNaughton, da banda The Melodians, e a música foi gravada originalmente em 1969, e ganhou projeção no filme de 1972, The Harder They Come, que lançou internacionalmente o cantor Jimmy Cliff e apresentou ao mundo a música reggae.

 

Os rios de Babilônia

“1 JUNTO dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. 2 Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.” (Salmo 137:1 -2).

O Salmo 137 assume um tom de revolta pela condição dos filhos de Israel e saudosismo de Jerusalém.

O Salmo foi escrito da perspectiva de um dos exilados, que sofreram a deportação de Jerusalém para a Babilônia, conforme narrado pelo profeta Jeremias (Jeremias 39:1 -18; Jeremias 52:1 -34; 2 Reis 24:20;  2 Reis 25:12;  2Cr 36:10-21).

O salmista descreve os judeus as margens dos rios de Babilônia, quando se lembravam de Jerusalém: assentados e chorando. Um povo com várias festividades estabelecidas na lei, mas que, no exílio, por terem sido consumidos pela tristeza, penduraram os seus instrumentos musicais nos salgueiros.

 

Canção em terra estrangeira

“3 Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. 4 Como cantaremos a canção do SENHOR em terra estranha?” (Salmo 137:3 -4).

O salmista explica em tom de lamento que, os babilônicos, o povo que levou os judeus cativos e que destruíram as cidades de Jerusalém pedia uma canção. Indignado, o salmista enfatiza que, o povo que os havia destruído, pedia uma canção daquelas que eram entoadas lá em Jerusalém, o monte Sião.

Diante do pedido dos exatores, o salmista somente lamenta e questiona: como entoar uma canção do Senhor em terra alheia?

 

Saudosismos

“5 Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. 6 Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria.” (Salmo 137:5 -6).

Ainda inebriado pela lembrança da pujança da cidade de Jerusalém que foi destruída, o salmista se recusa se esquecer de Jerusalém, herança herdada de Deus segundo a promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó.

O salmista invoca maldições como sobre si, como perder a destreza da mão direita, ou que a língua se apegue ao paladar (emudeça), caso deixei de ter a cidade de seus pais em preferencia, conformando-se em se alegrar em terras estrangeiras.

 

Anseio por vingança

“7 Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces. 8 Ah! filha de Babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. 9 Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras.” (Salmo 137:7 -9).

Ao que parece, o salmista atribuiu o inicio da derrocada dos judeus as invasões dos edomitas, à época do rei Acaz, que diante dos ataques dos edomitas e filisteus, buscou apoio do rei da Assiria, e que, para pagar o apoio delapidou os bens do templo (2 Crônicas 28:21).

“Porque outra vez os edomitas vieram, e feriram a Judá, e levaram presos em cativeiro.” (2 Crônicas 28:17).

Por fim, ansioso para ver a derrocada dos babilônios, o salmista expressa que, será ditoso quem retribuir aos babilônios o que foi feito com os judeus, e que execute tal derrocada com a violência singular: acabando com a chance de os babilônios se restaurarem.

 

Interpretação do Salmo 137

Diferentemente de outros Salmos, o Salmo 137 não é profético, como é o caso dos salmos messiânicos.

O Salmo 137 é expressão de um misto saudosismo, revolta e anseio dos judeus deportados para a caldeia, e pela condição de sujeição aos babilônicos.

Como expressão da alma, o Salmo 137 é míope, pois não traz a lume a essência da problemática dos judeus.

De quem era a culpa por os judeus terem sido deportados para a babilônia? Dos caldeus? É evidente que não!

Na verdade, a culpa pelo exílio era tão somente dos filhos de Israel, que por terem rejeitado a Deus, foram vomitados da terra que herdaram segundo a promessa feita aos pais.

Nem mesmo após estarem no exílio, os filhos de Israel reconheciam as suas iniquidades. O Salmo 137 evidencia que, mesmo após Deus ter executado toda a sua palavra que havia sido anunciada por intermédio dos seus profetas, os filhos de Israel não se arrependeram.

As Escrituras eram claras acerca do motivo da deportação:

“Porque assim sucedeu por causa da ira do SENHOR contra Jerusalém, e contra Judá, até os rejeitar de diante da sua presença; e Zedequias se rebelou contra o rei de Babilônia.” (2 Reis 24:20);

“Mas depois que nossos pais provocaram à ira o Deus dos céus, ele os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, o caldeu, o qual destruiu esta casa, e transportou o povo para Babilônia.” (Esdras 5:12);

“Porque assim diz o SENHOR: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e para todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos o verão. Entregarei todo o Judá na mão do rei de Babilônia; ele os levará presos a Babilônia, e feri-los-á à espada.” (Jeremias 20:4);

“Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem, diz o SENHOR; na mão do rei de Babilônia se entregará, e ele queimá-la-á a fogo.” (Jeremias 21:10).

O Salmo 137 é expressão de quem se baseia somente em seus sentimentos e emoções à vista da realidade nefasta que o cerca, diferente da concepção alicerçada na palavra de Deus, como se observa:

“Ó DEUS, tu nos rejeitaste, tu nos espalhaste, tu te indignaste; oh, volta-te para nós.” (Salmos 60:1).

O Salmista Davi consciente de que os filhos de Israel só são espalhados, porque Deus se indignou contra seu povo e o rejeitou. Dai o rogo por misericórdia: volta-te para nós, em lugar do lamento que se vê no Salmo 137.

Pela compreensão da palavra de Deus, certo é que não se pode ficar constrangido em entoar os cânticos de Sião entre os povos:

“Despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva.  Louvar-te-ei entre os povos, SENHOR, e a ti cantarei louvores entre as nações.” (Salmo 108:2 -3; Salmo 56:9);

Os exilados de Israel em Babilônia deveriam compreender que, mesmo escravos em terras estrangeiras, Deus permanecia fiel, e o seu amor era evidenciado. Como? A servidão dos filhos de Israel era expressão da fidelidade e do amor de Deus? Sim!

Por intermédio de Moisés, Deus havia estabelecido por sinal e maravilhas, que, se não servissem ao Senhor com alegria, serviriam aos seus inimigos. Antes mesmo de entrarem na terra prometida, Deus já havia estabelecido que, se desviassem, Deus enviaria contra Israel uma nação longínqua que os dominaria com jugo de ferro.

“E serão entre ti por sinal e por maravilha, como também entre a tua descendência para sempre. Porquanto não serviste ao SENHOR teu Deus com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo. Assim servirás aos teus inimigos, que o SENHOR enviará contra ti, com fome e com sede, e com nudez, e com falta de tudo; e sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te tenha destruído. O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço;” (Deuteronômio 28:46 -50).

Observe que a língua era um dos elementos do sinal estabelecido por Deus, de modo que sinal é próprio dos incrédulos.

“De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.” (1 Coríntios 14:22).

O profeta Daniel no cativeiro tinha consciência da condição dos filhos de Israel, e por isso admitiu o pecado dos filhos do seu povo:

“E orei ao SENHOR meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; Pecamos, e cometemos iniquidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra.” (Daniel 9:4 -6).

Daniel não nutria raiva ou desprezo pelos seus exatores, antes sabia por quais motivos foram deportado de Jerusalém e quem trouxe sobre Israel aquele grande mal:

“Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele. E ele confirmou a sua palavra, que falou contra nós, e contra os nossos juízes que nos julgavam, trazendo sobre nós um grande mal; porquanto debaixo de todo o céu nunca se fez como se tem feito em Jerusalém. Como está escrito na lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não suplicamos à face do SENHOR nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades, e para nos aplicarmos à tua verdade.” (Daniel 9:11 -13).

Mesmo em terras estrangeiras os filhos de Israel deveriam cantar a fidelidade e o amor de Deus, pois se Deus não houvesse deixado alguns  remanescentes, Israel seria como Sodoma e Gomorra.

“Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra.” (Isaías 1:9).

O castigo de Deus evidencia o seu amor, porém, os filhos de Israel quanto mais eram castigados, se insurgiam contra o seu Deus.

“Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo. A vossa terra está assolada, as vossas cidades estão abrasadas pelo fogo; a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e está como devastada, numa subversão de estranhos. E a filha de Sião é deixada como a cabana na vinha, como a choupana no pepinal, como uma cidade sitiada.” (Isaías 1:5 -8);

“Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” (Provérbios 3:11 -12).

A perspectiva de um homem carnal, que segue preceitos de homens e não se atenta para a palavra do Senhor, geralmente é de desolação quando enfrenta as agruras decorrentes de suas próprias ações.

“De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.” (Lamentações 3:39).

Se os exilados de Israel se conscientizassem da sua rebeldia, mesmo em terra estranha bendiriam ao Senhor, pois a palavra de Deus dada a Abraão, Isaque e Jacó permanecia firme.

“Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.” (Malaquias 3:6).

O exilados deveriam louvar a Deus porque a sua palavra é firme, e não volta vazia, pois anunciou de antemão que, se não descansassem a terra, seriam deportados até que a terra descansasse os seus sábados.

“E espalhar-vos-ei entre as nações, e desembainharei a espada atrás de vós; e a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas. Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos; então a terra descansará, e folgará nos seus sábados. Todos os dias da assolação descansará, porque não descansou nos vossos sábados, quando habitáveis nela.” (Levítico 26:33 -35).

Mesmo sendo transgressores, Deus dá garantia aos filhos de Jacó de que jamais invalidaria a aliança feita com Abraão.

“E, demais disto também, estando eles na terra dos seus inimigos, não os rejeitarei nem me enfadarei deles, para consumi-los e invalidar a minha aliança com eles, porque eu sou o SENHOR seu Deus. Antes por amor deles me lembrarei da aliança com os seus antepassados, que tirei da terra do Egito perante os olhos dos gentios, para lhes ser por Deus. Eu sou o SENHOR.” (Levítico 26:44 -45).

Por todas as questões elencadas acima, conclui-se que o Salmo 137 tem o condão de evidenciar a mentalidade do povo judeu quando exilados, que não atinavam que pelos seus próprios pecados estavam em terra estranha.

“CONVERTE-TE, ó Israel, ao SENHOR teu Deus; porque pelos teus pecados tens caído.” (Oseias 14:1).

Em lugar de os filhos de Jacó admitirem que pelos seus próprios pecados foram levados cativos, era muito mais fácil justificar que não cantariam em terra estrangeira, pendurando os instrumentos musicais nos salgueiros à margens dos rios de babilônia pela saudade que nutriam de Jerusalém (Salmo 137:3).

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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