Nunca jamais tropeçareis

Se o cristão não for ocioso, omisso, ou prevaricar quanto a conhecer o evangelho, jamais tropeçará na palavra da verdade, tornando firme a vocação e eleição.


Nunca jamais tropeçareis

“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” ( 2Pe 1:10 )

O crente

Tornar-se um crente em Cristo é apenas o começo de uma vida nova e em comunhão com Deus. A comunhão com Deus se dá ao crer em Cristo conforme diz as Escrituras ( Jo 3:15 ), porém, se faz necessário ao crente prosseguir em conhecer a Cristo ( Os 6:3 ).

Essencialmente, ser um crente em Cristo é ter a certeza com base nas Escrituras que:

  1. Todos os homens são pecadores por serem descendentes de Adão, gerados em pecado ( Rm 3:23 );
  2. Jesus foi enviado por Deus ao mundo para salvar a humanidade porque todos estavam alienados de Deus por causa da ofensa de Adão ( Jo 3:16 );
  3. Jesus é o Verbo eterno que no princípio estava com Deus ( Jo 1:1 -2), e sendo Deus, esvaziou-se do seu poder e glória e tornou-se homem ( Fl 2:7 );
  4. Jesus foi introduzido no mundo como o Unigênito Filho de Deus gerado virginalmente no ventre de Maria pelo Espírito de Deus ( Jo 1:18 ; Mt 1:18 );
  5. Jesus viveu entre os homens, foi participante de todas as aflições, porém, sem pecado ( Hb 2:17 );
  6. Jesus foi crucificado, morreu, foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia e está assentado à destra de Deus nas alturas ( Rm 1:3 -4).

Os pontos elencados acima é um resumo das ‘boas novas’ que Jesus apresentou aos homens, e aquele que ouve e crê, ‘perde’ a vida herdada de Adão para ganhar uma nova vida ( Mt 10:39 ).  Quem creu em Cristo ‘tomou’ a sua própria cruz, seguiu após Cristo, foi crucificado juntamente com Ele, morreu e ressurgiu dentre os mortos ( Mt 10:38 ; Cl 3:1 ).

O ressurgir com Cristo dentre os mortos é o novo nascimento! É nascer da água e do Espírito, ou seja, de Deus e da sua Palavra ( Cl 3:1 ; 1Pe 1:3 e 23).

O crente em Cristo é nascido de Deus, pois ao crer em Cristo recebe poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ). Esta ‘criança’ recém-nascida pertence a uma nova geração, a geração eleita, a geração de Cristo (último Adão), que contrasta com a geração ‘perversa’, a geração de Adão ( 1Pe 2:9 ).

Apesar do crente em Cristo continuar em um corpo mortal sujeito às provações, tentações, vicissitudes e aflições desta vida, por ter recebido poder de ser criado (feito) filho de Deus, é um ser espiritual, pois os nascidos do Espírito são espirituais ( Jo 3:9 ; 1Jo 4:17 ; 1Co 15:48 ). Ao ressurgirem com Cristo compartilham da glória de Cristo, porque para este propósito foram de novo gerados “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ; 2Pe 1:4 ).

 

O propósito de Deus

Antes de criar o homem, Deus tinha um propósito eterno: que o Verbo eterno que seria introduzido no mundo como o Filho Unigênito de Deus, ao retornar à Sua glória, ocuparia a posição mais elevada em relação a todos (preeminência), pois foi do agrado de Deus elevar o Verbo eterno acima de todo o seu nome ( Sl 138:2 ; Ef 1:21 ); “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 ); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:9 -10).

Antes da criação do homem e de todas as coisas, Deus propôs algo em Si mesmo. A vontade de Deus era um mistério, mas na plenitude dos tempos, quando Cristo foi introduzido no mundo dos homens, foi revelado que a vontade de Deus é congregar em Cristo todas as coisas.

Quando Deus criou o homem, criou Adão segundo o propósito que havia estabelecido em Si mesmo, ou seja, em Cristo, porém, quando Adão desobedeceu ao mandamento no Éden, distanciou-se de Deus (pecado), ficando aquém do propósito de Deus (a preeminência de Cristo).

 

O pecado

Além de ficar aquém do propósito eterno que Deus havia estabelecido na eternidade, surgiu o problema da ofensa e as suas consequências ( Rm 5:18 -19). Observe que o homem foi criado em função do propósito eterno de Deus, e que a ofensa de Adão é um evento posterior ao propósito estabelecido na eternidade.

O ‘distanciar-se’ de Deus através da ofensa de Adão é o que se denomina pecado, e todos os que são gerados segundo a semente de Adão, a semente corruptível, estão em pecado, ou seja, mortos, alienados de Deus. São filhos da ira, filhos da desobediência, escravos do pecado, vasos de desonra, plantas que o Pai não plantou, etc.

Quando o homem crê em Cristo, o velho homem gerado em Adão é crucificado e morto e a justiça de Deus é estabelecida. É na morte com Cristo que se dá a justiça de Deus, pois se cumpre a palavra: “A alma que pecar, esta morrerá” ( Ez 18:4 ; Rm 6:7 ).

Observe que a pena estabelecida no Éden jamais passa da pessoa do transgressor, pois quem crê é morto e sepultado para que não sirva mais o pecado ( Rm 6:6 ).

Mas, quando alguém morre e é sepultado com Cristo à semelhança da Sua morte e sepultura ( Rm 6:5 ), ocorre um milagre, pois o mesmo poder que trouxe Jesus dentre os mortos é o que opera sobre o homem ( Ef 1:19 -20), momento que é gerada um nova criatura, ressurreta dentre os mortos ( Cl 3:1 ).

 

Novo nascimento

É na morte e ressurreição com Cristo que o problema do pecado é resolvido, pois a barreira de separação é desfeita. O homem gerado de novo recebe de Jesus a mesma glória que o Pai concedeu a Cristo ( Jo 17:22 ).

Como no Éden se instalaram dois problemas: a) o homem distanciou-se de Deus, e; b) ficou aquém do propósito estabelecido em Cristo, quando o novo homem ressurge com Cristo dentre os mortos, o problema do distanciamento entre Deus e o homem é anulado, pois se tornou um com Cristo e o Pai ( Jo 17:11 ), concomitantemente, por ser uma nova criatura, está apto para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo de fazê-lo preeminente.

Todos os homens gerados de Adão estavam distantes de Deus, e por serem filhos da ira e da desobediência, não estavam à altura do proposito que Deus estabeleceu em Cristo: a preeminência d’Ele em tudo. Para levar a efeito o propósito de convergir em Cristo todas as coisas, Deus providenciou salvação graciosa a todos os homens através de Cristo conforme as riquezas do evangelho “… antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou…” ( 2Tm 1:8 -9 ).

 

Predestinação e eleição

Depois de resolvido o problema do pecado proveniente da ofensa de Adão através do poder contido no Evangelho, todos os que são gerados de novo em Cristo são chamados com uma santa vocação para serem conforme a imagem do Seu Filho, de modo que, por estarem em Cristo, são filhos de Deus e inculpáveis “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

O homem é salvo do pecado segundo o poder que há no evangelho ( 1Co 1:18 ; 2Tm 1:8 ), e é chamado com santa vocação em função do propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo.

Como o pecado era um entrave ao propósito estabelecido, primeiro há a redenção do homem do poder do pecado por meio do evangelho, e em seguida, o salvo é chamado em vista do propósito de Deus que há em Cristo Jesus. Muitos equívocos surgem quando se analisa o evangelho de Cristo sem levar em conta o propósito eterno de Deus.

Para levar a efeito o seu propósito eterno, antes que houvesse mundo, Deus escolheu (elegeu) e chamou a descendência de Cristo com uma santa vocação para que os gerados de novo (que são santos e irrepreensíveis diante d’Ele, o que contrasta com a condição da geração de Adão, que é corrompida e perversa), sejam filhos de Deus possibilitando a primogenitura do Cristo ressurreto, que foi introduzido no mundo como o Unigênito de Deus.

É dado aos que creem em Cristo, não só serem salvos da condenação que há no mundo, mas também é concedido aos que creem fazerem parte do propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo. Quando Deus disse: – “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, estava colocando em curso o seu eterno propósito, pois em Cristo o homem é gerado de novo para ser conforme a imagem de Cristo, para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Acerca destes eventos escreve o apóstolo Paulo: “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” ( Ef 1:18 ). A graça concedida aos que estão em Cristo é superior a dos crentes da antiga aliança, pois há uma vocação especifica e uma herança de glória específica da qual todos que estão em Cristo são participantes.

Para que Cristo ocupasse posição mais elevada (preeminência), antes que todas as coisas viessem à existência, Deus predestinou a geração de Cristo para serem filhos, que em função da adoção serão semelhantes a Ele ( Rm 8:23 ). Cristo conduz a Deus muitos filhos, que por serem gerados da semente (descendentes, rebento) incorruptível, são eleitos para serem santos e irrepreensíveis e predestinados a serem conforme a imagem do Seu Filho, Jesus Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ; Hb 2:10 ).

Através de Cristo, os que morrem e ressurgem com Ele tornam-se membros do corpo de Cristo, e Ele é a cabeça. Os que ressurgiram dentre os mortos tornam-se filhos de Deus para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos. Na condição de primogênito da nova geração e cabeça de um corpo formado de homens ressurretos dentre os mortos semelhantes a Ele, Cristo é preeminente em tudo!

Cristo tem a preeminência ao assumir a condição de cabeça do seu corpo, que é a igreja. Cristo é preeminente, quando assume a posição de primogênito entre aqueles que são semelhantes a Ele, ou seja, entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ; 1Jo 3:1 -3).

Quando introduzido no mundo, Jesus foi, em tudo, semelhante aos homens ( Hb 2:17 ). Quando de volta a sua glória, o Cristo ressurreto herdou nome mais excelente e é superior aos anjos ( Hb 1:4 ), concomitantemente, conduziu à glória de Deus muitos filhos semelhantes a Ele ( Hb 2:10 ), e entre os filhos de Deus Jesus é o primogênito, ou seja, ocupa posição mais elevada (preeminente).

Para que Cristo se tornasse primogênito entre muitos irmãos, Deus predestinou os que são salvos segundo o evangelho a serem conforme a imagem do seu Filho ressurreto ( Rm 8:29 ). É em função do proposito que Deus estabeleceu em Si mesmo que os que são predestinados a serem filhos por adoção ( Ef 1:5 ).

É em função desta maravilha concernente aos filhos de Deus que toda a criação está na expectativa de como serão os filhos de Deus, pois qual Cristo é há de ser todos quantos creem em Cristo segundo a verdade do evangelho ( Rm 8:19 ; 1Jo 3:1 -2).

Como será a maravilha da adoção ( Rm 8:23 ), visto que Cristo é mais sublime que os céus? ( Hb 7:26 )

A condição dos cristãos como membros do corpo de Cristo é superior à dos anjos, e como cabeça do corpo, Cristo é preeminente. É em função deste propósito que o crente é chamado e eleito. É sobre o propósito de Deus em tornar Cristo preeminente que o cristão deve, cada vez mais, fazer firme a vocação e eleição “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” ( 2Pe 1:10 ).

 

Dons e vocação

Ora, se os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, por que é necessário fazer firme a vocação e eleição? “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” ( Rm 11:29 ).

Que ‘dons’ são irrevogável? Neste verso o apóstolo Paulo não estava tratando dos dons do Espírito Santo, antes apresentou um princípio relativo às promessas de Deus. Por exemplo: embora os judeus tenham rejeitado o evangelho, contudo, por causa da promessa que Deus fez a Abraão, Israel será salvo após o termino da ‘plenitude dos gentios’ ( Rm 11:25 -26). Os judeus são inimigos do evangelho, porém, como Deus deu a sua palavra a Abraão, a eleição segundo a promessa é irrevogável “Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 9:5 ; Rm 11:28 ).

Como Deus anunciou primeiramente o evangelho a Abraão, dizendo: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”, o que foi prometido a Abraão é irrevogável, de modo que através do descendente de Abraão, que é Cristo – dom de Deus, dom celestial – é concedida salvação ao mundo por meio do evangelho “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ); “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ; Hb 6:4 ; Ef 2:8 ; Ef 4:7).

Se a eleição do povo de Israel é irrevogável pela promessa que Deus fez a Abraão, Isaque e Jacó, quanto mais a eleição da descendência de Cristo segundo o propósito eterno estabelecido em Cristo! Se Deus chamou à existência um povo, de um homem já velho e de uma mulher estéril e em avançada idade (Sara e Abraão) em virtude da promessa de um descendente feita a Abraão ( Gl 3:16 ), Deus não chamaria a existência um povo especial através da semente incorruptível do último Adão para levar a efeito o seu propósito eterno? ( Tt 2:14 ; 2Co 6:16 )

Ora, a igreja de Cristo é o povo chamado à existência através do renovo justo prometido a Davi. Através do renovo (semente, descendência) justo, que é Cristo, Deus chamou a existência uma nova geração de homens espirituais, uma geração eleita para ser santa e irrepreensível, predestinada a serem conforme a imagem de Cristo, segundo o eterno propósito estabelecido em Cristo.

Como fazer mais firme a ‘nossa’ eleição e vocação? Há um risco real dos cristãos tropeçarem?

Há uma corrente doutrinária que afirma que a salvação se dá segundo a predestinação, em que Deus escolheu alguns homens caídos para salvar do pecado e restaurado a comunhão com Ele.

Se a eleição é incondicional de modo que Deus predestina alguns à salvação e outros à perdição, por que é necessário aos irmãos em Cristo fazerem cada vez mais firme a vocação e eleição? Se a eleição de alguns à salvação se deu na eternidade, como fazer mais firme o que já foi estabelecido?

Há a eleição, a predestinação e uma vocação, porém, a abordagem de Pedro não se refere à salvação em Cristo, antes ao propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo.

Deus chamou, elegeu e predestinou a descendência de Cristo para o seu proposito estabelecido antes dos tempos dos séculos, pois Deus chama as coisas que não são como se já fossem “(Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem” ( Rm 4:17 ).

Há uma geração eleita, uma semente escolhida, e esta eleição e vocação é irrevogável, pois está intimamente ligada ao propósito eterno de Deus. Ora, se a eleição, a vocação e a predestinação estão ligadas ao propósito de fazer o Cristo proeminente em todas as coisas, segue-se que a salvação não é determinada por vocação, eleição ou predestinação.

A abordagem do apóstolo Pedro trata de indivíduos que, após crerem em Cristo por intermédio da mensagem do evangelho são gerados de novo e passam a fazer parte da geração eleita, pois são gerados de uma semente incorruptível.

O propósito de Deus ao chamar a descendência do último Adão é irrevogável, pois Ele estabeleceu que Cristo é primogênito (preeminente) entre muitos irmãos.

É necessária muita atenção ao interpretar algumas passagens bíblicas, pois a ‘vocação’ de Deus não se refere ao velho homem, aos filhos da ira, aos filhos da desobediência, aos descendentes de Adão. A vocação refere-se aos que estão em Cristo, portanto, aos cristãos. É por isso que o apóstolo Pedro diz aos ‘irmãos’ para fazerem mais firme a vocação eleição.

Se a salvação fosse através da vocação e eleição, o correto seria o apóstolo Pedro fazer a recomendação do verso 10 do primeiro capítulo da segunda carta aos não crentes, pois os incrédulos são os que necessitam de salvação. Mesmo assim haveria uma contradição entre o recomendado pelo apóstolo e a doutrina da eleição incondicional, ou da predestinação absoluta.

A salvação é pela graça de Deus, e, por sua vez, a vocação e eleição diz das riquezas da graça. Cristo é a graça de Deus manifesta a todos os homens, já a riqueza da graça será revelada em um tempo futuro, pois está atrelada a ‘adoção’, ou seja, a redenção do corpo “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” ( Tt 2:11 ; 1Pe 1:20 ;  ); “Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” ( Ef 2:7 ; 1Jo 3:2 ).

Estar em Deus ou não, é condição que decorre de linhagem. Como Deus estabeleceu um renovo justo (nova linhagem) através de Cristo, o descendente de Davi, Deus está na linhagem de Cristo, o Justo ( Sl 14:5 ; Jr 33:15 ; Is 60:21 ; Sl 112:2 ). Deus chamou a linhagem de Cristo para o seu eterno propósito estabelecido em Si mesmo ( Ef 1:9 ; Ef 3:11 ), de modo que, para o propósito estabelecido em Cristo é necessário nascer de novo através do poder que há no evangelho.

Aquele que está em Cristo nova criatura é, por isso o apóstolo Paulo diz: “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder” ( 2Ts 1:11 ). Qual a vocação que o apostolo orava para que Deus os fizesse dignos? A vocação que faz o Cristo preeminente em tudo, pois esta é a vontade de Deus.

Basta analisar o contexto de segunda Tessalonicenses, capítulo 1 verso 11, para verificar que Cristo virá para ser glorificado naqueles que lhe pertencem, e que Ele se fará admirável através dos que creram no evangelho ( 2Ts 1:10 e 12).

É por isso que o apóstolo ora a Deus para que Ele faça os cristãos dignos da sua vocação (fazer-se admirável nos que creem) e que o desejo de Deus se cumpra ( 1Tm 2:4 ), pois esta é a obra do evangelho (fé) que é poder de Deus, pois o objetivo da maravilhosa graça, além da redenção, é que Cristo seja glorificado nos que creem e os que creem sejam glorificados em Cristo ( 1Ts 1:12 ).

Somente a nova criatura está à altura do propósito que Deus estabeleceu em Cristo, pois somente os de novo gerados em Cristo glorificam-no e n’Ele são glorificados “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

A ação de Deus ‘chamar’ é irrevogável, pois Ele chamou a geração eleita para o seu propósito. A geração segundo a carne de Adão, por sua vez, foi reprovada para o propósito de Deus, uma vez que a ofensa trouxe condenação sobre todos os homens, tonando-os escusáveis para o propósito eterno. Nenhum dos descendentes da carne de Adão são eleitos para a salvação, pois os descendentes da carne de Adão, para serem eleitos, precisam morrer para ressurgir com Cristo, quando fará parte da geração eleita.

Os cristãos de Éfeso passaram a estar em Cristo somente após ouvirem (crerem) o evangelho. Não há como crer e ser salvo se não houver quem anuncie que o Cristo ressurgiu dentre os mortos pelo poder de Deus “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação?” ( Rm 10:8 -16 ).

Observe que a salvação advém de obedecer à mensagem do evangelho, pois o evangelho é o poder de Deus para salvação dos que creem ( 1Co 1:18 ; Jo 1:12 ). Já o propósito eterno de fazer Cristo preeminente em tudo está atrelado à vocação e eleição de todos que estão em Cristo.

 

Israel e a Igreja

Há uma grande diferença entre a igreja de Cristo e o povo de Israel com relação à vocação e eleição. O povo de Israel foi escolhido para o próprio Deus preservar a linhagem do Cristo que havia de vir ao mundo, e Deus trouxe o povo à existência segundo a promessa feita a Abraão, mas para serem salvos deviam crer em Deus assim como o crente Abraão ( Rm 9:4 -9). O indivíduo pertencia à nação de Israel, entretanto, não era salvo, visto que o povo de Israel foi preservado para Deus cumprir a promessa feita a Abraão.

Com relação à igreja de Cristo, para ser eleito e vocacionado, necessariamente tem que estar em Cristo, portanto, ser salvo. Isto porque Deus chamou, elegeu e predestinou a geração de Cristo segundo o seu eterno propósito, mas para pertencer a geração de Cristo é necessário nascer de novo, portanto, é necessário crer em Cristo.

Por exemplo: Abraão creu em Deus e isso lhe foi por justiça ( Gl 3:6 ), já os cristãos creem no descendente prometido a Abraão, que disse: “Crede em Deus, crede também em mim” ( Jo 14:1 ). A promessa aos que creem em Cristo é superior, pois os que creem em Cristo possuem vocação celestial, enquanto Abraão e os seus descendentes segundo a carne possuem uma vocação terrena.

Não é dado a Abraão e a sua descendência segundo a carne serem conforme a imagem de Cristo, mas os remidos em Cristo segundo a fé que teve Abraão é concedido serem conforme a imagem de Cristo, pois a igreja de Cristo é formada de pessoas que morreram e ressurgiram dentre os mortos com Cristo para serem semelhantes a Ele.

O evangelho de Cristo redime o homem da perdição do pecado e, após ser gerado de novo, os que creram são participantes de Cristo, portanto, fazem parte do propósito que Deus estabeleceu em Cristo. Na condição de descendência de Cristo o cristão é vocacionado, eleito e predestinado, daí a ordem para fazer ‘mais’ firme a vocação e eleição.

Como fazer mais firme a vocação e eleição? Basta ao crente perseverar crendo em Cristo como diz as Escrituras, pois quem não persevera na doutrina não tem comunhão com o Pai e o Filho e, se não há comunhão com Deus, está separado, aquém do proposito estabelecido em Cristo “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ); “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” ( Tg 1:25 ); “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” ( 1Tm 4:16 ); “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” ( Mt 24:13 ).

Mas, para perseverar crendo é necessário seguir a recomendação do escritor aos hebreus: “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” ( Hb 2:1 ).

Em função dos riscos que rondam o cristão é imprescindível ser diligente em compreender a graça proveniente do evangelho, pois os cuidados desta vida, a sedução das riquezas, a angustia e a perseguição por causa da palavra, a oposição do inimigo, etc., só serão superados por aqueles que estiverem firmados sob o fundamento dos apóstolos e dos profetas ( Mt 13:18 -23; Ef 2:20 ).

Quando o apóstolo Pedro recomendou fazer ‘mais’ firme a eleição e vocação, tinha o mesmo propósito do escritor aos Hebreus: que os cristãos ficassem atentos ao que haviam ouvido “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pe 1:19 ).

O escritor aos hebreus perguntou aos seus interlocutores como seria possível escapar da condenação se não atentassem diligentemente para o evangelho que inicialmente foi anunciado por Cristo ( Hb 2:3 ; Ex 19:5 ). Quando se crê no evangelho o homem torna-se participante de Cristo e deve reter firmemente a confiança na mensagem do evangelho até o fim “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 ; Hb 3:14 ).

O imperativo ‘perseverai’ ecoa por todas as cartas dos apóstolos, pois perseverar na doutrina de Cristo é cuidar de si mesmo e batalhar pela fé (doutrina), de modo que o cristão salva se a si mesmo e os que o ouvem “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” ( 1Tm 4:16 Jd 1:3 ).

Tiago demonstra que é necessário atentar bem para o evangelho e perseverar. Aquele que ouve a mensagem do evangelho e faz conforme o mandamento de Deus crendo no enviado de Deus é bem-aventurado “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” ( Tg 1:25 ).

Aquele que crê é fazedor da obra, pois a obra de Deus é crer em Cristo ( Jo 6:29 ; 1Jo 3:23 ). Após obedecer a verdade do evangelho, basta perseverar crendo em Cristo, pois a perseverança é a obra perfeita do evangelho (fé) (Tg 1:4 ). É imprescindível inteirar-se da verdade do evangelho.

O escritor aos Hebreus é específico: “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ). Aquele que não retém o evangelho, prevarica, portanto, não tem o Pai e o Filho “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ).

O apóstolo Paulo é o exemplo a ser seguido, pois declarou no final do seu ministério que havia acabado a carreira e guardado a fé (evangelho), ou seja, perseverou até o fim guardando o princípio da Sua confiança “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” ( 2Tm 4:7 ); “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” ( Fl 1:27 ).

 

Heresias

O perigo das heresias ronda os recém-nascidos de modo que a recomendação para os neófitos na fé é que desejem afetuosamente o ‘leite racional’ para que cresçam, pois a carreira proposta ao cristão é chegar a medida da estatura de Cristo, a varão perfeito ( 1Pe 2:2 ; Ef 4:13 ).

Por que a recomendação para crescer? Porque um ‘menino’ na fé corre o risco de ser levado em roda por todo o vento de doutrinas fomentadas por homens que, com astucia, enganam fraudulosamente ( Ef 4:14 ). Já o ‘adulto’ tem os sentidos exercitados e consegue, através da palavra da verdade, discernir e rejeitar o engano das falsas doutrinas “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” ( Hb 5:14 ).

O escritor aos Hebreus repreendeu os seus interlocutores por causa da negligencia com relação ao evangelho, visto que pelo tempo decorrido no evangelho, já eram para serem mestres, porém, ainda estavam como crianças ( Hb 5:12 ). Observe que os interlocutores da carta aos Hebreus ainda não compreendiam os princípios elementares do evangelho ( Hb 6:1- 2).

A recomendação do apóstolo Pedro quanto a fazer mais firme a vocação e a eleição era para que todos os cristãos alcançassem a perfeição, ou seja, que chegassem à ‘unidade da fé’ tendo a mesma compreensão que os apóstolos detinham com relação à mensagem do evangelho. O crente é ministro do espírito, portanto, deve estar num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho, pois o evangelho é espírito e vida ( Jo 6:63 ; 2Co 3:6 ).

Se o crente não for diligente em analisar as Escrituras, não crescerá, e estará suscetível ao fascínio de homens corruptos de entendimento ( Gl 3:1 ; 2Tm 3:8 ). O alerta é claro: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” ( 1Co 1:9 ), mas se houver algum incrédulo que se aparte do evangelho ( Hb 3:12 ), Deus permanece fiel, de modo que negará o infiel diante do Pai ( Rm 3:3 ; 2Tm 2:12 -13).

É necessário chegar ao pleno conhecimento de Cristo, o seja, seguindo Cristo (verdade) em obediência (amor). Somente os que crescem em tudo estão aptos à identificar os hereges, combater os fomentadores de falsas doutrinas, rejeitar as vãs filosofias, etc. “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” ( Ef 4:15 ).

Um dos fundamentos da doutrina do evangelho é crer em Cristo como o descendente de Davi, que foi morto e ressurgiu dentre os mortos para gloria de Deus ( 2Tm 2:8 ). Mas, há os que se desviam da verdade e que se põe a proclamar que não há ressurreição dos mortos ( 2Tm 2:18 ; 1Co 15:12 ), ou seja, estes não fizeram firme a vocação e eleição ( 2Tm 2:18 ; 1Tm 6:20 -21; 1Tm 5:15 ; 1Tm 6:10 ).

Quando o apóstolo Paulo conclama a ser firme e constante, sempre abundante na obra do Senhor, ele tem em vista a semente incorruptível, que é a palavra de Deus. A semente é livre de corrupção, porém, há os réprobos quanto à fé, que semeiam joio em lugar da boa semente. Os réprobos se apresentam como mestres, porém a ‘sabedoria’ que expõe não vem do alto, antes é terrena e maligna ( Tg 3:15 ).

É no evangelho que o cristão deve ser diligente, perseverante, paciente, firme, obediente, o que promove a produção de fruto ( Jo 15:4 ). Se não há fruto é porque é cego e se esqueceu da eficácia do evangelho, de modo que, se o cristão não for ocioso, omisso, prevaricar quanto a conhecer o evangelho, jamais tropeçará na palavra da verdade, tornando firme a vocação e eleição.

Somente permanecendo no evangelho de Cristo a entrada no reino dos céus é garantida. Mas, desviar-se da verdade é perdição, e ao mesmo tempo é abrir mão do premio que há na soberana vocação de ser participante do propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

O premio que Deus proporciona ao homem quando crê em Cristo é ter um corpo conforme o de Cristo Jesus quando da adoção “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” ( Fl 3:21 ; Rm 8:23 ).

O crente tem que estar firme na seguinte verdade: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ). Qualquer que ouviu a mensagem do evangelho e creu, passa a estar em Cristo, ou seja, é nova criatura, de modo que a salvação decorre do evangelho, a maravilhosa graça de Deus.

Quem crê na mensagem do evangelho, que é a fé dada aos santos e não se demove é santo, irrepreensível (eleição) e inculpável (vocação, filiação) “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” ( Cl 1:22 -23 ).

Somente através do evangelho é dado entendimento para compreender qual é a esperança da vocação, e o que os santos herdarão ( Ef 1:19 ). Somente através do evangelho é possível dimensionar qual a operação da força do poder de Deus que foi manifesto em Cristo quando ressurgiu dentre os mortos, e é este mesmo poder que opera naqueles que creem em Cristo.

Aquele que é ‘perfeito’, ou seja, que não tropeça na palavra da verdade, está capacitado a anunciar e admoestar a todo o homem. Está apto a ensinar a todos em toda a sabedoria, ou seja, no evangelho, para que os homens sejam apresentados a Deus perfeito em Jesus Cristo ( Cl 1:28 -29).

Quando o apóstolo Pedro recomenda fazer mais firme a eleição e vocação para nunca tropeçar, ele tem em vista a palavra do evangelho, pois se o crente se inteirar da verdade do evangelho, jamais cometerá equívocos quanto a interpretação e exposição das boas novas, de modo que é perfeito e poderoso para ser mestre ( Tt 1:9 ; Tg 3:2 ).

A abordagem de Tiago e do apóstolo Pedro é a mesma que o apóstolo Paulo fez a Tito: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” ( Tt 1:9 ). Quem retém firme a fiel palavra, faz firme a sua vocação e eleição e torna-se perfeito, poderoso e jamais tropeçará na fiel palavra. Pode perfeitamente ser mestre, ou seja, tem a capacidade de refrear todo o corpo.

Fazer firme a vocação e eleição é o mesmo que prosseguir para o alvo, ou seja, permanecer na verdade do evangelho. Fazer firme a vocação e eleição é operar a salvação com tremor e temor, ou seja, obedecendo (tremor) a palavra do evangelho (temor) ( Fl 2:12). Após ‘conhecer’ a Cristo tornando-se um só corpo com Ele é recomendado ao cristão prosseguir em saber mais acerca o seu Senhor sem perder de vista o prêmio “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” ( Fl 3:14 ).

O prêmio que o apóstolo Paulo faz referencia diz glória concedida aos que creem em Cristo de alcançarem um corpo glorioso conforme o de Cristo Jesus ( Fl 3:21 ). Neste quesito temos que imitar a Cristo, que pelo gozo proposto, foi obediente até a morte “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ).

Prosseguir para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus, é andar segundo a mesma regra: o evangelho de Cristo ( Fl 3:16 ). Se não andar segundo a regra do evangelho, tornou-se inimigo do evangelho.

É em face desta verdade que ao escrever aos cristãos, o apóstolo Pedro demonstra que, tanto ele, quanto qualquer pessoa que crê em Cristo, alcançou fé igualmente preciosa através da justiça que há em Cristo.  Observe que o sentimento do apóstolo Pedro é igual ao do apóstolo Paulo: a fé, o evangelho, a cruz de Cristo para ambos é igualmente precioso.

Como apóstolos, ambos eram perfeitos, pois buscavam preservar intocável a verdade do evangelho ( Fl 3:15 ). Quem não faz firme a sua vocação e eleição, o fim é a perdição, pois será confundido e só pensará nas coisas deste mundo ( Fl 3:19 ; Cl 3:1 ).

O sentimento dos perfeitos é de que a fé é preciosa, pois o evangelho é a fé dada aos santos ( Gl 3:23 ). Há uma só fé, que é o ‘conhecimento’ de Deus e de Jesus, ou seja, o evangelho ( 2Pe 1:1 ; Ef 4:4 -5).

O ‘divino poder’ refere-se à mensagem do evangelho, que o apóstolo Paulo também especifica como o poder de Deus, ou o conhecimento de Deus ( 1Co 1:18 ; Rm 1:18 ; 1Pe 4:11 ; Cl 2:12 ). Através do evangelho, Deus concedeu aos homens, tudo que é pertinente à comunhão com Deus (vida) e obediência (amor).

O evangelho de Cristo é conhecimento que, ao ser anunciado aos homens se traduz em o chamado de Deus segundo a sua graça (glória) e fidelidade (2Pe 1:1 -10). A promessa de Deus é segundo a graça, pois livrar o homem da condenação que há no mundo (Adão) e o torna participante da natureza de Deus, pois é recebido por filho.

Um exemplo de pessoas que não estavam fazendo firme a eleição e o chamado de Deus eram os cristãos das regiões da Galácia. O apóstolo Paulo estava perplexo pela rapidez com que os cristãos estavam deixando o evangelho de Cristo para seguirem uma nova doutrina ( Gl 4:20 ).

Quando creram em Cristo, percorriam a carreira proposta por Deus, mas quando se deixaram circuncidar, deixaram de obedecer a verdade do evangelho ( Gl 5:7 ). Por este fascínio veio o alerta: Cristo de nada vos aproveitará, ou seja, separados estavam de Cristo, da graça caíram (tropeçaram) ( Gl 5:1 -5).

Perseveram em Cristo é permanecer crendo na verdade do evangelho, e qualquer distorção doutrinária que contrarie a verdades elencadas no inicio deste artigo devem ser rejeitadas.




Gálatas 4 – A plenitude dos tempos

Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o empecilho decorre da lei. O escravo (os gentios) só pode ser ‘livre’ do seu senhor quando for resgatado, ou quando morrer. O herdeiro enquanto menino (judeu) só terá direito a herança quando chegar o tempo determinado pelo pai. Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o elemento que constrói a ideia apresentada pelo apóstolo é a lei. A lei impede que o escravo deixe a sua condição, da mesma forma que impede o herdeiro menino de exercer o senhoril.


Gálatas 4 – A plenitude dos tempos

O ‘Menino’ e o ‘Servo’

1 DIGO, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo;

Este versículo utiliza a figura de um menino na condição de herdeiro para ilustrar qual foi a serventia da lei (aio). Através desta ilustração é possível entender qual a ideia que o apóstolo Paulo procurou destacar aos irmãos de Colossos ao enfatizar que eles eram idôneos: “…que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” ( Cl 1:12 ).

O menino herdeiro será senhor de tudo, porém, por ainda não ter atingido a maioridade, ou seja, a idoneidade, em nada difere do escravo.

O herdeiro tem por herança todos os bens do pai, porém, na casa do pai o herdeiro não possui condição distinta da do escravo, ‘…ainda que seja senhor de tudo’ ( Gl 4:1 ).

 

2 Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai.

O herdeiro deve resignar-se em esperar o tempo estabelecido pelo pai. Durante o tempo da minoridade o herdeiro não exerce as prerrogativas de senhor.

Embora herdeiro de tudo, o menino permanece sob cuidados de tutores e curadores até que chegue a idoneidade.

O tempo determinado pelo Pai é lei, tendo papel idêntico ao da lei que tutelava os Israelitas.

 

3 Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo.

O apóstolo Paulo compara a condição do menino herdeiro com a condição dos judeus sob a lei: “Assim também nós, quando éramos meninos…” ( Compare a utilização do pronome na primeira pessoa do plural ‘nós’ Gl 4:3 com Gl 2:15 ).

Quando o apóstolo Paulo diz que tanto os meninos (judeus) quanto os escravos (gentios) estavam reduzidos à servidão.

Considerando que o herdeiro enquanto menino em nada difere do escravo, segue-se que todos os judeus antes de terem um encontro com Cristo ‘são meninos’, visto que eram reduzidos à servidão.

O apóstolo Paulo comungava e expunha aos cristãos a mesma doutrina de Cristo, que disse: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” ( Jo 8:34 ). Por que os judeus eram escravos do pecado?

Porque eram ‘meninos’ (ou seja, não eram herdeiros de fato), em nada eram diferentes dos outros pecadores (gentios), pois não tinham direito a herança.

Porém, na plenitude dos tempos Deus enviou o Descendente, por quem vem a idoneidade, mas os judeus continuaram presos aos primeiros rudimentos (lei).

Neste exemplo os gentios são representados pela figura da ‘escravidão’, e os judeus representados pela figura do ‘menino’, ou seja, mesmo sendo classificados como meninos, os judeus em nada diferem dos escravos (gentios) “Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios” ( Gl 2:15 ).

Para falar da condição do homem debaixo da lei (judeus), Paulo lança mão de um exemplo que demonstra qual a condição de um herdeiro quando menino: em nada diferente de um escravo. Permanece sob cuidados de curadores e tutores até que se cumpra o tempo determinado pelo pai.

Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o empecilho decorre da lei. O escravo (os gentios) só pode ser ‘livre’ do seu senhor quando for resgatado, ou quando morrer. O herdeiro enquanto menino (judeu) só terá direito a herança quando chegar o tempo determinado pelo pai.

Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o elemento que constrói a ideia apresentada pelo apóstolo é a lei. A lei impede que o escravo deixe a sua condição, da mesma forma que impede o herdeiro menino de exercer o senhoril.

O versículo três resulta da comparação estabelecida nos dois versículos anteriores: o menino não difere do escravo em conseqüência do tempo estabelecido pelo seu pai, precisando ficar sob a tutela de tutores e curadores. Portanto, os homens judeus por ficarem debaixo da lei (aio) estão reduzidos à servidão.

Os judeus rejeitaram lançar mão da herança proposta no evangelho, pois não aceitaram o Descendente que foi enviado na plenitude dos tempos, ou seja, o tempo estabelecido pelo Pai Eterno.

Somente por intermédio do Descendente os judeus alcançariam a idoneidade ( Cl 1:12 ).

 

 

4 Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

Quando da plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho, o Verbo encarnado, para os herdeiros que estavam na condição de meninos “e os seus não O receberam”.

O que era necessário para que os judeus alcançassem o direito à herança?

  • O tempo determinado pelo Pai – A plenitude dos tempos ( Gl 4:4 );
  • a idoneidade ( Gl 4:5 ).

Na plenitude dos tempos, ou seja, no tempo determinado, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher e sob a lei.

Cristo nasceu de mulher para ser participante da carne e do sangue para que em tudo fosse semelhante aos seus irmãos ( Hb 2:14 e Hb 2:17 ).

Da mesma forma, para ser herdeiro da promessa, o homem necessita ser participante da carne e do sangue do Descendente, que é Cristo para alcançar a idoneidade “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” ( Jo 6:53 ).

 

5 Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

Para remir os que estavam debaixo da lei foi preciso:

  • A plenitude dos tempos;
  • O Filho de Deus ser enviado; o verbo encarnado nascer de mulher e estar sob a lei.

A vinda de Cristo ao mundo cumpre o tempo determinado pelo Pai, momento que torna possível àqueles que estão reduzidos à servidão (judeus), receber a adoção de filhos, ou seja, serem idôneos para participar da herança.

Ao fazer alusão à condição em que ele e os cristãos judeus eram ‘meninos’ (reduzidos à escravidão), o apóstolo Paulo demonstra que esteve sob a tutela da lei. A lei tinha a função de ‘tutor’ e ‘curador’, e estipulava o que o ‘menino’ devia ou não fazer até o tempo estabelecido pelo pai, quando tomaria posse da herança.

A filiação decorre de nascimento, já a adoção, neste versículo, refere-se ao processo em que o ‘menino’ passa a condição de idôneo para participar da herança do pai “Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei, e o culto, e as promessas; Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém” ( Rm 9:3 -5).

A adoção de filhos refere-se à filiação divina ou a herança dos israelitas? Eles eram filhos de Deus por serem descendentes da carne e do sangue de Abraão? Não! A filiação somente decorre de nascimento.

Para ser um dos filhos de Deus é necessário ser gerado d’Ele, através da semente incorruptível.

Os descendentes de Abraão não eram filhos de Deus e nem idôneos para participar da herança ( Rm 9:8 ). Os judeus foram formados em iniquidade e concebidos em pecado como todos os outros homens ( Sl 51:5 ). Mesmo sendo descendentes de Abraão, estavam retidos pela lei, estavam reduzidos à escravidão por serem nascidos segundo a vontade do varão, segundo a vontade da carne e do sangue ( Jo 1:13 ).

Cristo, o Descendente, veio na plenitude dos tempos resgatar os que estavam debaixo da lei, livrando-os da condição a que foram reduzidos. Os judeus que creram passaram a pertencer a Cristo na condição de filhos de Abraão e herdeiros, conforme a promessa segundo a fé que o Descendente revelou ( Gl 3:29 ; Gl 3:23 ).

Os judeus reputavam que a herança decorria da lei, porém, o apóstolo Paulo demonstra que a herança decorre da promessa, sendo alcançada pela fé revelada ( Gl 3:18 ). Quando o Descendente chegou na plenitude dos tempos, sendo ele quem tinha a promessa ( Gl 3:19 ), resgatou os judeus para que eles recebessem a promessa do Espírito, que é o penhor da herança ( Gl 3:14 ).

Da mesma forma que Cristo resgatou os judeus, também resgatou os gentios, visto que a promessa dada a Abraão diz do Descendente e de todas as famílias da terra. Para alcançar a bênção de Abraão basta qualquer homem crer em Cristo conforme Abraão creu na promessa.

Observe que o versículo seguinte estabelece a diferença na argumentação do apóstolo Paulo quanto aos gentios na condição de escravos, e os judeus na condição de meninos: “Ele nos resgatou para que a benção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a promessa do Espírito ( Gl 3:14 ).

Nos versos seguinte o apóstolo Paulo apresenta pontos importantes do Testamento que estipula a herança que será concedida ao herdeiro que alcançar a idoneidade ( Gl 3:15 e Gl 4:1 -2).

 

A adoção

A promessa de Deus a Abraão constitui-se um testamento, e ninguém o anula ou pode acrescentar coisa alguma ( Gl 3:15 ). As promessas foram feitas a Abraão e diz do seu Descendente, que é Cristo ( Gl 3:15 ).

Deus prometeu fazer de Abraão uma grande nação e que nele seriam benditas todas as famílias da terra ( Gl 3:8 ). Porém, havia um tempo estabelecido por Deus para que a promessa fosse levada a efeito, e para isso, havia a necessidade da vinda do Descendente ( Gl 4:4 ).

Os descendentes de Abraão embora tivessem a promessa, não podiam herdá-la, enquanto não viesse o Descendente, por Quem a adoção de filho é concedida. Eles estavam reduzidos à servidão, debaixo da lei, e em nada diferiam dos gentios.

Os gentios acabaram por receber a filiação divina através do Descendente e passaram à condição de filhos de Abraão por meio da fé. A bênção de Abraão chegou aos gentios através do Descendente, que é Cristo.

Mas, o Testamento (promessa) confirmado a Abraão não fez distinção entre os descendentes de Abraão e os gentios. Embora os descendentes de Abraão estivessem sob tutores e curadores até o tempo determinado por Deus, eles em nada diferiam dos gentios, pois Deus não faz acepções de pessoas.

Para adquirir a condição de filhos de Deus, é preciso crer no descendente, por quem é a promessa e a herança, e nisto não há distinção entre gentios e judeus ( Gl 3:26 ).

Se os judeus pensavam estar em uma condição privilegiada por serem ‘meninos’, o apóstolo Paulo demonstra que em nada diferiam dos escravos, e que eles não tinha direito à herança.

Todos quantos creem em Cristo são de novo gerados, criados idôneos para participar da herança dos santos na luz. Não são meninos, e não precisam de tutores e curadores.

Os judeus que têm a adoção de filhos, ou seja, a promessa da herança necessita crer em Cristo, o Descendente, para que sejam resgatados da lei pela fé em Cristo. Os descendentes de Abraão que foram reduzidos à escravidão por causa da lei, são alçados a idoneidade, deixando de ser meninos e com direito pleno à herança.

Desta forma, não há gentios ou gregos, pois todos são descendentes, ou melhor, filhos de Abraão, herdeiros conforme a promessa, pela fé em Cristo ( Gl 3:26 ).

 

6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Os judeus eram descendentes de Abraão e deles era a adoção por causa do Descendente (herança em testamento), porém não tinham em seus corações o Espírito do Descendente que clama: Aba, Pai.

Como entender a colocação seguinte: os que são da fé são filhos de Deus (filhos de Abraão) ( Gl 3:6 ). Os descendentes de Abraão refere-se aos seus filhos segundo a carne ( Jo 8:37 ), ou seja, a descendência de Abraão não concede aos judeus a filiação divina. João Batista disse que não basta dizer temos por Pai a Abraão, antes precisavam mudar de conceitos acerca de como se alcança a filiação divina, uma vez que até mesmo das pedras Deus pode constituir filhos para si ( Mt 3:9 ).

Todos os cristãos são filhos de Deus (ou, filhos de Abraão) pela fé em Cristo, e por fé não há distinção quanto às origens carnais, podendo ser judeu ou gentil ( Gl 3:26 ). Ou seja, todos quantos creem, se revestem de Cristo, por serem batizados em Cristo. Para ser batizado em Cristo é preciso fazer parte da carne e do sangue, tornando-se um em Cristo. Desta maneira, os cristãos além de serem filhos de Abraão (filhos de Deus), são descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa “E, se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” ( Gl 3:29 ).

Por participar da carne e do sangue do Descendente pela fé (Cristo) os gentios tornam-se filhos de Abraão (filhos de Deus), e também descendentes de Abraão. Desta maneira não há distinção alguma entre gentios e judeus.

Os judeus eram descendentes de Abraão por terem vínculo de sangue (adoção de filhos), mas não eram filhos de Deus (filhos de Abraão), por não terem recebido pela fé a promessa do Espírito, o seja, o Espírito do Descendente, que clama: Aba, Pai (v. 6).

Os que ‘estavam sob a lei’ (judeus) e aceitaram a Cristo pela fé, são filhos de Deus, pois receberam do Santo Espírito em seus corações.

 

7 Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

Conforme o que foi exposto anteriormente, o apóstolo conclui: “Assim que já não és mais servo…”. A quem o apóstolo Paulo direcionou esta conclusão? Aos escravos que em nada diferiam dos herdeiros quando eram ‘meninos’.

Observe que, quando o apóstolo enfatiza que os cristãos são herdeiros, ele quer demonstrar a total garantia de que, como filhos, possuem uma herança por meio da promessa assim como Abraão.

 

8 Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses.

O apóstolo Paulo lembra-os da condição passada: por não conhecerem a Deus, todos os cristãos serviam também aos que não eram deuses! O apóstolo Paulo apela para algo que talvez ainda não houvessem esquecido.

Continua….




O templo de Deus

A ideia de que os homens haveriam de ser templo de Deus surgiu das promessas anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Deus prometeu por intermédio do Profeta Isaías que haveria de vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos fazendo neles morada. O profeta Ezequiel anunciou que Deus poria dentro dos homens o seu Espírito, agraciando-os com um novo espírito e um novo coração ( Ez 36:27 ).


“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

O templo que Deus habita não se refere ao prédio onde os cristãos se reúnem, ou seja, a igreja de Deus não se constrói com tijolos, cimento, telhas, mosaicos, vidraças e portas.

De onde surgiu a ideia de que os cristãos são templo, casa, habitação, morada e santuário de Deus? Por que os cristãos são efetivamente templo e morada do Espírito? Por que os cristãos não são nomeados no plural de templo-s, santuário-s, etc.?

A ideia de que os homens haveriam de ser templo de Deus surgiu das promessas anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Deus prometeu por intermédio do Profeta Isaías que haveria de vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos fazendo neles morada.

O profeta Ezequiel anunciou que Deus poria dentro dos homens o seu Espírito, agraciando-os com um novo espírito e um novo coração ( Ez 36:27 ).

Como Deus haveria de vivificá-los? Fazendo neles morada: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

Somente quando o Autor da Vida passa a habitar no homem é que se dá a nova vida. Para que possa obter nova vida é imprescindível que Deus faça do homem ‘morada’.

Jesus anunciou aos seus discípulos esta verdade dizendo: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

Somente quem crê em Cristo Jesus como diz as escrituras guarda as suas palavras, e o Pai juntamente com o Filho fará nele morada. Então, cumpre-se o predito pelo profeta Isaías: O Alto e o Sublime que habitam a eternidade virão para o homem que crê e farão nele morada.

O objetivo de Deus em vivificá-los, concedendo-lhes um novo coração e um novo espírito é o de serem templo, lugar de habitação do Eterno ( Sl 51:10 ; Ez 36:27 ; Is 57:15 e Jo 14:23 ). O Pai é o Altíssimo, e o Filho é o Servo do Senhor, que ao ser entronizado no trono da sua glória, será mui Sublime, e ambos farão dos que creem morada ( Is 52:13 ).

Quais as características das pessoas que são chamadas a compor o templo do Senhor? São pobres, abatidos, contritos, sedentos, oprimidos, tristes, etc ( Is 61:1 ; Mt 11:28 ). A mensagem de Cristo sempre foi voltada aos pobres de espírito, aos cansados e oprimidos. Cristo veio em busca das ovelhas perdidas “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” ( Mt 15:24 ; Ez 34:16 ).

Os cristãos de Corintos pareciam desconhecer o que foi concedido gratuitamente por Deus, pois, além de não suportarem o ensinamento de do apóstolo Paulo (alimento sólido) ( 1Co 2:12 e 1Co 3:2 ), foram questionados: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

É assente entre os cristãos que todos são templo, morada, edifício e lavoura do Espírito de Deus ( 1Co 3:9 ), porém, esquecem que o santuário de Deus é sagrado. Cada cristão é sagrado, santo, morada do Altíssimo porque Deus habita em seu interior.

Ou seja, o templo de Deus é santo, sagrado, pois foi separado para propriedade e habitação inviolável de Deus (‘santo’ e ‘santificação’ são respectivamente ‘hagios’ e ‘hagiazõ’). Deus estabeleceu uma única morada, e todos os cristãos são morada de Deus. É por isso que Jesus disse aos discípulos: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” ( 1Co 11:24 ). O pão que foi repartido entre os discípulos representava o corpo de Cristo, que passaria a ser cada um dos cristãos.

Na santificação não existe um mero aspecto posicional, como alguns apregoam “Este aspecto da santificação é posicional…” Bíblia de Scofield com referências, Rm 1:7 , Pg. 1142.

A santificação não é posicional porque Deus efetivamente habita, ou seja, fez morada no Cristão. Cada cristão é uma ‘pedra viva’, edificados por Deus ‘casa espiritual’ ( 1Pe 2:5 )! Diferente do Antigo Testamento em que os homens construíram um templo de pedra e madeira, no Novo Testamento Deus edificou uma casa santa para sua habitação em Espírito ( Ef 2:22 ).

Ora, como é possível Deus habitar em algo ‘posicionalmente’ santo? Como é possível Deus edificar uma casa que não é efetivamente santa? Se Deus habita o crente, como é possível haver uma santificação posicional? Se o corpo de Cristo é repartido pelos cristãos, como é possível não serem santos?

Lembrando que a ideia de santificação que hoje muitos adotaram foi construída ao longo dos séculos, como foi exposto pelo Dr. Bancroft:

“A raiz da qual se originam esta e outras palavras correlatas, é o vocábulo grego ‘hágios’. O pensamento mais próximo da santidade de que era capaz o grego secular era ‘o sublime, o consagrado, o venerável’. O elemento moral está totalmente ausente. Ao ser adotada esta palavra nas Escrituras, entretanto, foi necessário proporcionar-lhe novo sentido. Empregando a palavra ‘santo’ em seu sentido mais elevado, quando aplicada a Deus, os melhores lexicógrafos definem-na como ‘aquilo que merece e exige reverência moral e religiosa’” Teologia Elementar, Bancroft, Emery H., pág. 260.

Não é o serviço do Cristão que o torna separado (santo), antes o que torna o homem santo é o fato de o Pai e o Filho vir e fazer nele morada, o que ocorre no momento em que ele crê na mensagem do evangelho. O que faz saltar uma fonte de água que jorra para a vida eterna é o fato de o homem beber da água ministrada por Cristo, e não o serviço que o homem prestará.

O crente é casa espiritual, pois como ‘pedras vivas’ foram edificados pelo Senhor como casa espiritual ( 1Pe 2:5 ; Hb 3:6 ). O cristão é templo e santuário de Deus, pois quem edificou a sua própria casa é o Senhor ( Hb 3:4 ), e não o serviço e a voluntariedade do homem ( 1Pe 1:2 ).

Quem serve no templo do Senhor?

O serviço no templo do Senhor ficou a cargo da geração eleita, ou seja, da geração que descende do último Adão, que é Cristo. A geração de Adão, por mais que construíssem templos, não podiam servir no templo. Porém, a nova geração de homens, criados segundo a palavra de Deus constituem uma linhagem de sacerdócio real, segundo a ordem de Melquisedeque ( 1Pe 2:9 ; Hb 7:11 ).

É com ousadia que os cristãos entram no santo dos santos para oferecer sacrifícios de louvor ( Hb 13:15 ), pois os seus próprios corpos constituem-se de ‘per si’ sacrifício vivo ( Rm 12:1 ). Ora, como os cristãos são filhos por adoção para louvor e glória da sua graça, os seus ‘corpos’ constituem em ‘sacrifícios de louvor’ a Deus ( Ef 1:5 e 6; Ef 1:11 e 12).

Assim como o sacrifício de Cristo foi submeter o seu corpo à vontade de Deus ( Hb 10:5 -10), o cristão deve apresentar o seu corpo como instrumento de justiça, seguindo a Cristo, que é: a justiça, a fé, o amor, a santificação, a paz, etc. ( 2Tm 2:22 ).

Onde estiver o cristão é templo e morada do Espírito. O cristão onde for oferece sacrifício vivo. Em todos os lugares e em qualquer tempo o cristão adora a Deus em espírito e em verdade, pois todos os elementos essenciais ao culto estão presentes nele.

O culto e adoração não cessam no cristão, pois é templo, santuário de Deus. É sacerdote e sacrifício. O louvor é perene, pois Deus criou o novo homem para louvor e glória de sua graça. O Cristão jamais se ausenta da presença de Deus, pois assim como o Pai e o Filho são um, todos que creem são um, pois da sua glória os cristãos receberam ( Jo 17:21 -23).