Colossenses 2 – Perfeitos em Cristo

Ao ser franco com os seus leitores, o apóstolo Paulo demonstra o seu cuidado. Os cristãos precisavam de conhecimento espiritual para não serem enganados com palavras persuasivas. A falta de conhecimento deixa os cristãos suscetíveis as inúmeras investidas dos falsos profetas, falsos apóstolos, falsos mestres, etc “Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Ef 5:6 ).


Falsas Doutrinas

1 Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne;

O capítulo dois da carta de Paulo aos Colossenses demonstra a motivação do apóstolo ao escrever aos cristãos: grande empenho na batalha pelo evangelho, principalmente pelos que não o viram em pessoa.

O que motivou o escritor da carta não pode ficar em segundo plano, uma vez que a motivação mescla-se com a ideia geral da carta.

Paulo escreveu aos de Colossos para demonstrar o seu cuidado pela igreja de Deus ( Cl 1:24 ), principalmente àqueles que não tiveram um contato pessoal com o apóstolo.

O teor da carta também poderia ser exposta aos cristãos de Laodiceia, pelo mesmo motivo: eles ainda não tinham visto o rosto do apóstolo ( Cl 4:16 ).

 

2 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

1- O combate do apóstolo visava consolar os corações dos cristãos! “Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” ( 2Co 1:4 ). A ideia que o apóstolo Paulo demonstra acerca da consolação é melhor compreendido quando se lê o versículo acima.

2- Fazê-los unidos em amor, e não através de vínculos consanguíneos, ou um código de leis – “Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco” ( 2Co 13:11 ).

3- O combate do apóstolo busca enriquecer os cristãos da plenitude da inteligência (mente de Cristo) “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” ( Cl 1:9 ). Além de pedir a Deus que eles fossem cheios do conhecimento da sua vontade, Paulo também combatia para que eles fossem enriquecidos!

Em momento algum Paulo promete riquezas materiais aos cristãos, antes ele lutava para que os cristãos fossem abastados do conhecimento pleno da vontade de Deus.

O objetivo de Paulo também está expresso aos Filipenses “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” ( Fl 1:27 ).

A carta foi escrita com o intuito de demonstrar que:

1. O apóstolo Paulo estava alegre em poder sofrer em prol dos cristãos ( Cl 1:24 );

2. Que ele foi feito ministro do evangelho segundo Deus ( Cl 1:5 );

3. O mistério de Deus possui riquezas ( Cl 1:7 );

4. O serviço do apóstolo era anunciar, admoestar e ensinar a todos os homens ( Cl 1:28 );

5. Paulo cumpria o seu ministério demonstrando Cristo aos homens, o mistério revelado, em quem está todos os tesouros.

 

3 Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

Em Cristo está escondido todos os tesouros da sabedoria e da ciência, ou seja, se o cristão prosseguir em conhecer a Cristo, alcançará a plenitude da inteligência espiritual.

Enquanto muitos tinha a lei como um tipo de ‘ciência’ e de verdade, Cristo é quem revela todos os tesouros da sabedoria e ciência.

 

4 E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas.

Paulo demonstra o seu cuidado ao ser franco com os seus leitores. Eles precisavam de conhecimento espiritual para que ninguém pudesse enganá-los com palavras persuasivas.

Paulo aponta aos seus leitores que a falta de conhecimento pode deixar os cristãos suscetíveis a investidas dos falsos profetas, falsos apóstolos, falsos mestres, etc “Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Ef 5:6 ).

 

5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.

Mesmo não os tendo visto pessoalmente, Paulo demonstra que estava vinculado a eles em espírito, o que motivava o cuidado e a alegria do apóstolo ( 1Co 12:13 ). Paulo estava alegre em saber de Epafras que os irmãos de Colossos eram dedicados e firmes na fé em Cristo.

 

 

Viver e Andar em Espírito

6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele,

Este versículo arremata a ideia do versículo anterior e o complementa.

Para uma melhor interpretação dos escritos das cartas de Paulo, faz-se necessário que o leitor observe todos os pronomes, as conjunções, os conectivos, etc.

Observe este versículo como exemplo.

“Como, pois, recebestes….” ou, “Portanto, assim como recebestes…” refere-se a uma conjunção conclusiva. Com base em elementos apresentados no versículo anterior, Paulo conclui a ideia e apresenta um novo elemento:

Dados anteriores: “…da vossa fé em Cristo” – A fé é a maneira pela qual recebemos a Cristo, ou antes, somos recebidos por Ele.

Conclusão: “…recebestes o Senhor Jesus Cristo…” receberam a Cristo, ou antes, foram recebidos por Ele por meio da fé.

Nova ideia: “…assim também andai nele,…” O apóstolo concita aqueles que foram recebidos por Cristo a que andassem nele! Como? Por meio da fé!

Observe que ‘também’ é uma locução conjuntiva aditiva enfática, ou seja, o termo da oração ‘também’ refere-se a um elemento anterior: a fé. Da mesma forma que por meio da fé os cristãos haviam recebido a Cristo, também, por meio da fé, deveriam andar em Cristo ( Cl 1:10 ).

A ideia deste versículo ecoa por quase todas as carta de Paulo:

“Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele” (v. 6), contém a mesma ideia expressa aos Gálatas: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ).

Aquele que recebe a Cristo, passa a viver no Espírito, e quem recebeu a Cristo, deve andar nele ou andar no Espírito.

Um resumo claro desta verdade encontra-se na carta aos Efésios: “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 ).

 

7 Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.

Eles deveriam andar arraigados e edificados em Cristo.

Este versículo não apresenta todos os elementos sobre como andar em Cristo. Para isso necessitamos de outras cartas para melhor definir o que é andar em Cristo “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” ( Gl 5:25 ).

Enquanto ‘viver no Espírito’ fala da nova vida adquirida por meio de Cristo, o ‘andar em Espírito’ fala de questões comportamentais pertinentes àqueles que são recebidos por filhos de Deus. Este conceito é melhor abordado no comentário a Carta de Paulo aos Gálatas.

“Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade” ( 2Pd 1:12 ). Os cristãos deveriam estar confirmados na fé, ou seja, na presente verdade.

Eles não deveriam demover daquilo que foram ensinados, sendo sempre agradecidos a Deus.

 

8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;

O contexto muda para exortação.

‘Tende cuidado’ – Esta exortação tem muito a dizer! Por que há a necessidade de cuidado? O que ocorre se alguém for feito presa de outrem? Como o apóstolo apresenta um cuidado a ser observado, isto demonstra há riscos em um cristão tornar-se presa de outrem.

Paulo aponta dois tipos de argumentação que poderá levar os cristãos a serem presas se não tiverem o devido cuidado: filosofia e vãs sutilezas.

Para o apóstolo, a filosofia é segundo a tradição dos homens, ou segundo os princípios pertinentes ao mundo. Tais princípios poderiam ser introduzidos sutilmente no seio da igreja local, comprometendo os seus integrantes. Vemos este perigo quando falsos cristãos tentam conciliar filosofia oriental com o evangelho de Cristo.

Paulo procurou divisar ‘tradições dos homens’ de ‘rudimentos do mundo’ é que produzem a filosofia humana. Não há mal naquilo que a tradição humana produz, no entanto, se o homem pensa que conhecerá Deus ou que pode alcançar a salvação por meio dela, ai sim, estará completamente enfatuado em sua mente carnal.

Já com relação às coisas pertinentes a salvação, é segundo Cristo, mistério de Deus revelado aos homens. Só através da revelação divina podemos conhecer a Deus, e Cristo nos revelou o Pai.

 

9 Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;

Paulo retoma a ideia do versículo seis “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus (…) Porque nele habita corporalmente a plenitude da divindade”, conforme foi exposto nos versículos 15 a 22 do capitulo 1.

 

10 E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;

Por meio de filosofias e vãs sutilizas alguém estava prometendo aos cristãos algo que não era segundo Cristo. Mas Paulo demonstra que ’em Cristo’ os cristãos já eram perfeitos. Eles estavam oferecendo algo, segundo a tradição dos homens e segundo os rudimentos do mundo que auxiliasse os cristãos a chegarem o mais próximo da perfeição.

Paulo demonstra que em Cristo eles já eram perfeitos, e, portanto, não precisavam daqueles ensinamentos.

 

11 No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne, a circuncisão de Cristo;

O apóstolo Paulo passa a demonstrar a perfeição alcançada em Cristo, que é a cabeça de todo principado e potestade.

O primeiro elemento da perfeição a se considerar: a circuncisão de Cristo.

Enquanto a circuncisão de Moisés era feita por meio de mãos de homens, a circuncisão de Cristo não é operada por mãos humanas.

Em Cristo eles foram circuncidados com uma circuncisão que despojou toda a carne, e não só o prepúcio. A circuncisão de Cristo é perfeita, pois se ocupa com toda a carne, e não só com aspectos cerimoniais da lei.

A circuncisão de Cristo é perfeita, pois pode alcançar tanto homens quanto as mulheres; gregos e romanos; escravos e livres, etc. Em Cristo podemos cumprir o que determina a lei:

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 );

“Circuncidai-vos ao SENHOR, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” ( Jr 4:4 ).

12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

O segundo elemento da perfeição em Cristo é: sepultados com Cristo no batismo, ou seja, o batismo representa aquilo que o cristão alcança pela fé. Da mesma forma que se é sepultado em Cristo, o cristão ressurge TAMBÉM nele, por meio da fé em Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.

 

13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,

O que Deus operou não podia ser ignorado. Quando se estava morto em pecado e na incircuncisão da carne, ou seja, a carne estava viva segundo o pecado, Deus vivificou os que creram na mensagem do evangelho juntamente com Cristo, e perdoou todas as ofensas.

Tudo o que Deus operou nos cristão deixou-os perfeitos como perfeito é o último Adão. Os cristãos passaram a ser participantes da natureza de Cristo ( 2Pe 1:4 ).

 

14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.

Havia uma dívida que o homem não podia pagar, e Deus a riscou. Paulo refere-se a lei, que além de tornar evidente a condição pecaminosa do homem, também o deixou com uma dívida por não conseguir cumprir as ordenanças “…desfazendo na sua carne a lei dos mandamentos…” ( Ef 2:14 -15).

A lei é nomeada de ‘escrito de dívida’, isto por causa da obrigação de cumpri-la integralmente para que o homem pudesse viver por meio dela. A divida foi anulada quando cravada na cruz.

 

15 E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.

Por meio do ato descrito anteriormente, Deus tomou o que era de valor para os principados e potestades. Ao riscar a cédula, ou ao tirar a lei, Deus retirou, ou seja, despojou os principados e potestades daquilo que dava força ao pecado e a lei.

Os principados e potestades neste versículo referem-se as hostes espirituais da maldade, conforme a carta de Paulo aos Efésios “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” ( Ef 6:12 ). Diferente do que é exposto em ( Tt 3:1 ).

 

16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,

Conclui-se: se os cristãos eram perfeitos em Cristo, ninguém podia assumir a condição de juízes, ou seja, que ninguém vós julgue!

A ninguém é dada a autonomia de julgar o que os cristãos comem, bebem, festejam, comemoram, etc. A ninguém é dado julgar os servos e Deus por causa de dias de festas, ou dias de luas, ou de sábados.

A Bíblia apresenta alguns motivos:

a) receberemos o louvor de Deus, e não de homem algum ( 1Co 4:5 );

b) Deus recebeu a todos ( Rm 14:3 );

c) Não se pode julgar o servo alheio ( Rm 14:4 );

d) Cada um deve estar seguro em sua própria mente ( Rm 14:5 ); etc.

 

17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.

Cada elemento que a lei apresentava acerca das comidas, das bebidas, das festas, dos dias, dos sábados e luas, apenas apontavam para elementos futuros, não sendo a imagem exata das coisas “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

Os elementos que a lei apresenta são para cuidados do corpo (comer, beber, festas, descansos, etc), só que o corpo (igreja) pertence a Cristo.

Segue-se que o corpo de Cristo é prefeito, pois ele tem cuidado de todos vós ( 1Pe 5:7 ).

 

 

Regras de Homens

18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão,

O apósotlo Paulo ordena: ninguém vos domine! Quando o apóstolo Paulo disse ninguém, é ninguém mesmo. Não há exceção!

Qualquer um que venha com teorias e ideias que estabeleça algum domínio sobre o cristão, e o apóstolo dá exemplo, deve ser descartado. Os judaizantes se apresentavam sob a roupagem de uma pretensa humildade dizendo-se sujeitos a lei e mascaravam as suas doutrinas sob o pretexto de reverencia aos profetas (culto aos anjos); estabelecem o domínio sobre os outros alegando terem visões, no entanto, estes possuem uma mente carnal.

A compreensão destas pessoas que tende a dominar os outros cristãos é segundo um entendimento carnal, seguem enfatuado segundo os rudimentos do mundo e segundo as tradições dos homens.

Para estabelecer este tipo de domínio eles procuram demonstrar que ainda falta alguma coisa para se alcançar a perfeição. Para isso faz-se necessário privar o cristão daquilo que já possui, mas ninguém pode privar o cristão daquilo que já recebeu em Cristo: somos perfeitos, pois recebemos a plenitude em Cristo.

 

19 E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus.

Aquele que está de posse de uma compreensão carnal não está ligado à cabeça, que é Cristo. De Cristo todo o corpo cresce em aumento de Deus. Observe que o corpo de Cristo cresce provido e organizado por juntas e ligaduras. Esta forma de ilustrar as verdades bíblicas é bem utilizada nesta carta e na carta de Efésios.

Enquanto a carta aos Gálatas possui várias citações do antigo testamento, esta não apresenta nenhuma citação direta.

 

20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:

Paulo chama os cristãos à responsabilidade: estais mortos quanto aos rudimentos do mundo e por que ainda se submetiam a ordenanças da lei? Se eles estavam se submetendo a lei, isto significava que ainda se comportavam como se vivessem no mundo.

 

21 Não toques, não proves, não manuseies?

O cristão não pode ser sobrecarregado de ordenanças como se dependesse delas para viver para Deus. O homem vive para Deus segundo a sua palavra, e não segundo aquilo que pretensos juízes estipulam para a vida do próximo.

Se alguém acredita que terá vida em Deus simplesmente porque não toca certas coisas, ou porque não prova certos alimentos e prazeres, ou porque não manuseia certos objetos, está completamente enfatuado em sua mente carnal.

 

22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;

A filosofia demonstra que tudo que há em baixo dos céus perece pelo uso, e por que alguns ainda estabelecem regras firmadas nestes princípios humanos?

 

23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.

As regras e as doutrinas dos homens possuem aparência, mas não são efetivas para o que se pretende. Parece sabedoria, apresenta uma devoção voluntária, aparenta humildade, parece que o homem está disciplinando o corpo, mas todas estas coisas só conseguem satisfazer a carne, o próprio ego humano.

Muitos querem por meio do jejum ‘alcançar’ uma ‘espiritualidade’, mas o ser espiritual só é possível em Cristo por meio da fé. Só é possível ser espiritual quando nascemos de Deus, e não da vontade do homem.

Alguns procuram disciplinar o corpo como forma de se crescer ‘espiritualmente’, como muitas religiões a pregoam: os espíritas afirmam que podemos alcançar a condição de espíritos elevados; os budistas acreditam que podem alcançar um estágio de perfeição espiritual; as religiões orientais apregoam que é possível ao homem, por meio de uma disciplina rígida e de meditações alcançar a ‘espiritualidade’.

Mas não é assim o evangelho de Cristo. Não adianta ter uma devoção voluntária, antes é necessário nascer de novo. Como exemplo temos Nadabe e Abiu que voluntariamente foram oferecer incenso “E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara” ( Lv 10:1 ).

Davi voluntariamente foi buscar a arca da aliança, e a forma com que estavam conduzindo a arca não foi aceito por Deus ( 2Sm 6:2 -9). Não é desta voluntariedade que Deus faz referência.

A voluntariedade do cristão é segundo o que pediu o salmista: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” ( Sl 51:12 ). Um espírito voluntário depende de Deus, que o sustêm.

O crescimento que é factível ao cristão é o crescer na graça e no conhecimento conforme assevera o apóstolo Pedro “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” ( 2Pe 3:18 ).

A aparência de humildade, a disciplina com relação ao corpo físico, a devoção como o celibato, tem aparência de sabedoria, mas não satisfaz o que Jesus disse a Nicodemos: todo homem necessariamente precisa nascer de novo.




O cristão frente ao movimento Ateísta

É razoável aos cristãos ficarem preocupados com a nova empreitada dos humanistas e ateístas? Com base no que expõe a Bíblia, os ateus não podem ser classificados como falsos profetas, visto que os falsos profetas se apresentam como se estivessem a serviço de Deus, e, para tanto, afirmam crer em Deus ( Mt 7:15 ). É impossível ser falso profeta negando a existência de Deus.

 


O movimento ateísta tem preocupado alguns cristãos, pois acreditam que tais acontecimentos referem-se à predição de Cristo, que diz: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” ( Mt 24:12 ).

Outros entendem que tal ‘ataque’ ateísta refere-se à seguinte pergunta do Senhor Jesus: “Quando, porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” ( Lc 18:8 ).

Será que o posicionamento de intelectuais ateístas promove um ‘esfriamento’ do amor segundo a predição de Mateus 24, verso 12? O movimento ateísta europeu possui alguma relação com a pergunta de Cristo em Lucas 18, verso 8? O que pensar do ateísmo?

 

Iniquidade ‘versus’ Amor

Quando Jesus declarou que, em decorrência da iniquidade o amor de muitos esfriaria, Ele o fez em particular com os seus discípulos no monte das Oliveiras ( Mt 24:3 ), pois eles queriam saber:

  • Quando o templo seria derribado;
  • Quais os sinais da vinda do Senhor, e;
  • O fim de todas as coisas.

Jesus alertou que muitos haveriam de ser enganados ( Mt 24:4 ; Lc 21:8 ), pois muitos falsos profetas viriam em nome de Cristo e enganariam a muitos ( Mt 24:5 ; Mt 24:24 ).

Foi predito também que haverá rumores de guerras, nação contra nação, reino contra reino, fome, pestes e terremotos, porém, estas coisas não eram o fim, antes era um prenúncio do tempo denominado de ‘princípios de dores’.

Neste tempo os filhos do povo do Messias (judeus) serão atormentados e mortos. Serão odiados por todas as nações por causa de Cristo. Neste tempo muitos dos judeus se escandalizarão, trairão uns aos outros e odiarão uns aos outros.

Falsos profetas enganarão a muitos e a iniquidade fará com que o amor de uns para com os outros diminua, ou seja, a traição e o ódio aumentam e o amor esfria (amor e ódio tornam-se grandezas inversamente proporcionais).

O tempo em que ‘o amor de muitos esfriará’ se dará somente após o período da ‘plenitude dos gentios’, ou seja, após o arrebatamento da igreja ( Mt 24:21 ). A instrução de Cristo aos discípulos tem em vista os judeus como nação, e não diz de um alerta específico para com a sua igreja.

Observe o que é predito em Mateus 24, versos 15 a 21. A igreja não tem que se preocupar com o inverno ou o sábado. A igreja não restringe a Judeia. A igreja não diz de uma nação. Portanto, a predição de Cristo em Mateus 24 e 25 têm em vista os judeus após a entrada do tempo dos gentios.

 

A Fé e a volta do Messias

É importante salientar que a fé que muitos dizem possuir quando tiram o chapéu para reverenciar a Deus não é a fé que salva. A fé que a religiosidade fomenta não é a fé que conduz o homem a Deus!

A única fé que salva é a que foi manifesta em Cristo Jesus “…aquela fé que havia de se manifestar” ( Gl 3:23 ), portanto, quando Jesus questiona se haverá ‘fé’ na terra quando da sua volta, ele inquiriu acerca da fé que foi manifesta aos homens, e não das crendices e misticismos que é próprio ao homem natural.

Jesus não afirma através deste versículo que o número de pessoas que não acreditam em Deus aumentará, ou que o número de religiões ao longo dos séculos reduzirá significativamente. A ênfase da pergunta de Cristo está na mensagem que Ele proclamava, ou seja, a fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ).

A questão levantada por Cristo tem em vista os que creem, para que reflitam se a mensagem do evangelho continuará sendo difundida da mesma forma que Ele ensinou. Será que até a volta de Cristo o evangelho continuará sendo anunciado aos homens assim como foi ensinado por Ele?

Dentro desta perspectiva, Judas, o servo de Jesus, conclama os cristãos a batalharem pela fé (evangelho) que foi entregue aos santos ( Jd 1:3 ; Fl 1:27 ). Se os cristãos não estiverem envolvidos nesta batalha, há de ser que, quando Jesus voltar, não mais haverá fé (evangelho genuíno) na terra.

 

 

O Ateísmo e a Doutrina de Cristo

O ateísmo é uma corrente filosófica que afirma não existir deuses, ou que rejeita a ideia de que Deus existe. Tal corrente filosófica encontrou terreno fértil na Europa e na Ásia com a disseminação de conceitos como a liberdade de pensamento, do ceticismo científico e através de críticas acida contra as religiões.

Esta onda ateísta que inundou a Europa fez com que aumentasse o número de publicações de livros ateus, e por último, fomentou o surgimento de campanhas publicitárias na mídia, sendo utilizados até mesmo outdoors com frases e slogans negando a existência de Deus.

É razoável aos cristãos ficarem preocupados com a nova empreitada dos humanistas e ateístas?

Com base no que expõe a Bíblia, os ateus não podem ser classificados como falsos profetas, visto que os falsos profetas se apresentam como se estivessem a serviço de Deus, e, para tanto, afirmam crer em Deus ( Mt 7:15 ). É impossível ser falso profeta negando a existência de Deus.

Poderíamos classificá-los como sendo anti-Cristo ou anti-Deus, porém, o espírito do anti-Cristo, que desde o princípio age no mundo, nega que Jesus é o Cristo e/ou que Ele tenha vindo em carne ( 1Jo 2:23 ; 1Jo 4:2 ), porém, não se aplica em negar a existência de Deus.

Por outro lado, devemos considerar que os ateus não são mais e nem menos perniciosos que as seitas e religiões que se proliferam no mundo. Há alarde quando uma pessoa nega a existência de Deus, e certo conformismo quando alguém, que distorce a verdade do evangelho, diz crer em Deus.

Há aqueles que até promovem o sincretismo religioso por causa de uma bandeira em defesa da existência de Deus. Não podemos descartar que a crescente onda ateísta tenha como plano de fundo uma estratégia demoníaca para se promover o ecumenismo.

Mesmo dizendo crer em Deus os falsos profetas são mais perigosos que os ateístas, visto que os falsos profetas vêm até os cristãos ‘vestidos’ de ovelhas e introduzem encobertamente heresias de perdição ( 2Pe 2:1 ).

A incredulidade dos ateus nem de longe ameaça a verdade do evangelho de Cristo ou a existência de Deus, porém, os falsos profetas, aqueles que dizem ‘Senhor’, ‘Senhor’, são a verdadeira ameaça, pois transtornam a mensagem do evangelho.

Diante do evangelho os ateístas não são melhores ou piores que os demais pecadores ( Mq 7:4 ), pois Deus amou o mundo sem acepção de pessoas. Deus ama o cético, o ateu e o religioso de igual modo, pois deseja que todos venham ao conhecimento desta fé (verdade) maravilhosa ( 1Tm 2:4 ).

Jesus não condena os ateus, da mesma forma que não condenou a mulher adultera, visto que a sua missão não é condenar o mundo, antes salvá-lo “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ). Seria um contra sendo Jesus condenar o mundo que já estava sob condenação ( Jo 3:18 ; Rm 5:18 ).

Como bem sabemos, a verdade (fé) produz fé (confiança), mas a fé (confiança) não produz verdade (fé). Por mais que alguém confie em algo que não é verdadeiro, jamais tal confiança tornará a ‘mentira’ em ‘verdade’.

Se os homens acreditam em Deus ou não, tal crença não influenciará o destino deles. Se o maior ateu passar a acreditar na existência de Deus, por observar e considerar a natureza, nada mudará para a humanidade ou para ele.

Agora, caso um ateu passe a crer em Deus, como diz as Escrituras, rios de água viva correrão do seu ventre ( Jo 7:38 ), pois esta é a promessa de Deus para os que creem em seu nome segundo o que preceitua a Bíblia.

Se Voltaire, o pensador Frances, que é tido por muitos como sendo o maior ateu, passasse a acreditar na existência de Deus, nada alcançaria de Deus, pois nenhuma promessa d’Ele há para os que acreditam em sua existência.

A mensagem do cristianismo deixa bem claro que ninguém é ou será punido por Deus por não acreditar em sua existência, visto que, sobre todos os homens já pesa, sejam ateus ou não, uma condenação.

Como qualquer descendente de Adão os ateus estão igualmente condenados diante de Deus ( Rm 5:19 ).

A condenação não foi estabelecida somente para os ateus, antes veio para todos os homens, visto que todos pecaram. Não é o entendimento filosófico que certos homens seguem que os condenam, antes a condenação foi estabelecida através da ofensa de Adão ( Rm 5:18 ).

É a incredulidade (ofensa) de Adão que trouxe condenação sobre todos os homens, pois através dele o pecado entrou no mundo, e por ele, todos pecaram ( 1Co 15:22 ).

A Bíblia demonstra que todos os homens sem Cristo estão debaixo do pecado. Não importa as correntes filosóficas, religiosas e morais que adotarem, se não crerem no Filho, já estão condenados ( Rm 3:23 e Rm 5:12 ).

A Bíblia também demonstra que o melhor homem é comparável a um espinho e o mais reto a uma sebe de espinhos “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos” ( Mq 7:4 ).

Este verso demonstra que os religiosos podem ser mais perniciosos que os ateus, pois o mais ‘reto’ dentre os homens, diante de Deus está em pior condição. Por que em pior condição? Porque os publicanos e meretrizes entram adiante dos religiosos no reino de Deus “Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer” ( Mt 21:31 -32).

A mensagem de Cristo pra todos os homens é a mesma: ‘necessário vos é nascer de novo’, não importando se são religiosos, juízes, ateus, cientistas, ricos, pobres, reis ou plebeus ( Jo 3:3 ).

 

Os cristãos e o ateísmo

Qual deve ser a atitude de um cristão frente ao posicionamento ateísta?

Em primeiro lugar os cristãos devem estar “… preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” ( 1Pe 3:15 ).

Em segundo lugar, o apóstolo Paulo alertou os cristãos a não lutarem contra a carne e o sangue, antes deveriam lutar contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais ( Ef 6:12 ).

Com base nestas duas premissas, conclui-se que um verdadeiro cristão não deve promover um embate contra qualquer homem ou contra suas vãs filosofias. Um verdadeiro cristão jamais deve estabelecer uma cruzada contra qualquer credo ou sistema filosófico. Jamais deve estabelecer um sistema inquisitório contra qualquer pessoa ou nação.

O mundo jaz no maligno por causa da queda no Éden, sem qualquer relação com filosofias, nações ou credos. Um enfrentamento contra qualquer ordem ou sistema humano não mudará a realidade da condenação herdada em Adão. Cruzadas e inquisições não salvam ninguém da condenação eterna.

Qual a batalha do cristão? Há uma única ordem para os cristãos se engajarem em uma batalha: “Amados, enquanto eu empregava toda diligência para vos escrever acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a batalhar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos” ( Jd 1:3 ).

Neste mesmo diapasão conclamou o apóstolo Paulo: “O que é mais importante, deveis porta-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo. Então, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais firmes em um mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho sem serdes intimidados pelos adversários” ( Fl 1:27 ).

Ele destacou o que é mais importante para os Cristãos:

  • Portarem-se dignamente conforme o evangelho de Cristo;
  • Que combatam juntamente pela fé do evangelho.

Para batalhar pelo evangelho, a fé dada aos homens, é necessário aos que creem estarem fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Qual a força do poder de Deus? Ora, o evangelho é o poder de Deus ( Rm 3:16 ), e os cristão tem que estar revestidos com o evangelho, que é a armadura de Deus para os seus servos ( Ef 6:13 ).

Após estar revestido, o cristão estará cônscio de que a ação de satanás neste mundo consiste em manter os homens entenebrecidos no entendimento, separados de Deus pela ignorância que há neles. Satanás luta para que não resplandeça aos homens ‘ignorantes’ a luz do evangelho “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ; Ef 4:18 ).

 

Conclusão

A incredulidade que condena o homem não está em dizer que não há Deus, pois a salvação não advém de afirmar que Deus existe.

Cartazes e outdoors negando ou afirmando a existência de Deus não mudam a realidade do pecado, pois um movimento pró-existência de Deus não salvará os homens.

O reino dos céus não depende de disputa publicitária em outdoors. Anúncios publicitários em transportes coletivos não têm poder para derrubar a barreira de separação que há entre Deus e os homens.

O poder de Deus é o evangelho, e o evangelho é poder de Deus. A ordem de Deus para os cristãos verdadeiros é anunciar o evangelho tal qual foi anunciado por Cristo. Slogan publicitário não promove a mudança de conceito (arrependimento) que só é possível através das boas novas do evangelho de Cristo.

Atacar os ateístas rotulando-os de burros, mentes fechadas, vazios, imorais, amoral, anarquistas, etc., não é o que ensina o evangelho de Cristo. Além do mais, a falta de moral, de conhecimento, de amor para com o próximo, de carinho, etc., é algo próprio a todos os homens, quer sejam ateus ou não.

Aliar-se a sistemas religiosos diversos tão somente para fazer tremular uma bandeira pró-existência de Deus também não é o que preceitua o evangelho de Cristo, pois não basta acreditar que Deus existe, antes é necessário crer naquele que Ele enviou para que possa alcançar salvação.