Filemom e o escravo Onésimo

O nome Onésimo significa ‘útil’, e o apóstolo dos gentios faz um jogo de palavras: ‘inútil’ versos ‘útil’. Ora, outrora Onésimo como escravo foi inútil a Filemom, porém, agora estava sendo útil tanto ao apóstolo quanto a Filemom, por causa do seu trabalho em prol do evangelho de Cristo (v. 12). Possivelmente Onésimo foi enviado a Filemom de posse desta carta, pois o apóstolo Paulo deixa claro na epístola que enviou Onésimo ainda no corpo da carta “Eu to tornei a enviar” ( v. 11).

 


Introdução

Esta carta do apóstolo Paulo tem muito a nos ensinar, pois demonstra como se estruturavam algumas relações sociais próprio à sociedade à época.

Através desta epístola é possível nos informarmos e compreender como o apóstolo se relacionava com os seus irmãos em Cristo, bem como nos apresenta um pouco da personalidade e das disposições íntimas do apóstolo dos gentios.

A carta foi endereçada a Filemom, um cooperador do apóstolo, e trata de um escravo fugitivo que se converteu a Cristo, Onésimo, que pertencia, por direito, a Filemom.

 

 

1 PAULO, prisioneiro de Jesus Cristo, e o irmão Timóteo, ao amado Filemom, nosso cooperador, 2 e à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa:

O apóstolo Paulo apresenta-se ao destinatário da carta, o irmão Filemom, como prisioneiro de Cristo. Os remetentes da epístola são, respectivamente, o apóstolo Paulo e o irmão Timóteo.

O irmão Filemom é tido em boa conta, tanto pelo apóstolo Paulo, quanto por Timóteo. A carta também contempla como destinatários a irmã Áfia, o irmão Arquipo, um companheiro de batalha, e todos quantos se reuniam na casa de Filemom (igreja).

A apresentação do apóstolo dos gentios serve somente para identificá-lo como remetente da Epístola, pois é possível depreender da própria carta que Filemom e o apóstolo Paulo eram amigos de longa data ( Fm 1:21 -22).

 

3 Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

A saudação do apóstolo Paulo nesta carta segue o mesmo padrão das outras epístolas.

O apóstolo deseja que o favor imerecido de Deus, ou seja, a graça manifesta em Cristo, seja comum a todos.

De igual modo, ele desejou que a paz da parte de Deus, ou seja, a paz que excede todo entendimento, também fosse pertinente aos destinatários da carta, visto que, por meio dela, a inimizade que havia entre Deus e os homens foi desfeita.

 

4 Graças dou ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações; 5 Ouvindo do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus Cristo, e para com todos os santos;

O apóstolo Paulo sempre fazia menção do nome de Filemom em suas orações, e estava grato a Deus por ouvir acerca da confiança que Filemom deposita em Cristo, e do amor que ele dispensava a todos os cristãos (santos).

O agradecimento do apóstolo Paulo a Deus por Filemom é igual ao agradecimento que o apóstolo fez a Deus por causa da fé e do amor dos cristãos em Éfeso ( Ef 1:15 -16).

 

6 Para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento de todo o bem que em vós há por Cristo Jesus.

O apóstolo Paulo compreendia que o amor que Filemom dispensava aos irmãos é um dos veículos de ‘comunicação’ mais eficiente na transmissão da verdade do evangelho.

Em nossos dias, muitos apostam no rádio, na televisão, na internet, em panfletos, etc., como sendo os veículos mais eficazes na comunicação da mensagem do evangelho. Mas, o apóstolo Paulo entendia que o amor demonstrado aos irmãos, além de ser o veículo de comunicação mais eficaz na propagação do evangelho, também demonstrava todo o bem que neles havia por ser uma nova criatura.

 

 

7 Tive grande gozo e consolação do teu amor, porque por ti, ó irmão, as entranhas dos santos foram recreadas.

O amor de Filemom era causa de alegria e consolação para o apóstolo Paulo, por dois motivos:

  • Saber que outros irmãos compartilham da mensagem do evangelho (fé) é consolo inefável “Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha” ( Rm 1:12 ; 1Ts 3:7 ), e;
  • Ter as necessidades supridas em momentos difíceis por irmãos em Cristo também promove consolo e alegria, visto que tais dádivas são provenientes do amor que alguns cristãos nutrem para com os santos.

Não podemos nos esquecer que a consolação dos irmãos em amor é refrigério para o tempo presente, mas, a consolação do Senhor proveniente da verdade do evangelho é eterna “E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança” ( 2Ts 2:16 ).

A ‘eterna consolação’ e a ‘boa esperança’ é o mesmo que a ‘mensagem do evangelho’, ou a ‘fé’ que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ).

 

 

Relações Sociais

 

8 Por isso, ainda que tenha em Cristo grande confiança para te mandar o que te convém, 9 Todavia peço-te antes por amor, sendo eu tal como sou, Paulo o velho, e também agora prisioneiro de Jesus Cristo.

Antes de enviar Onésimo, o apóstolo Paulo faz um pedido a Filemom. O pedido tem por base o amor que Filemom nutria pelos cristãos, e não a condição de apóstolo que Paulo possuía.

O apóstolo Paulo evoca a sua real condição: um velho, que naquele momento estava preso. Observe qual era a condição de um dos maiores apóstolos de Cristo, e compare com o que é alardeado por muitas igrejas em nossos dias.

O apóstolo confiava em Filemom para restituir o seu escravo, porém, achou por bem enviá-lo juntamente com uma missiva demonstrando a nova condição em Cristo de Onésimo.

 

10 Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões;

O pedido do apóstolo Paulo não era em seu próprio beneficio, antes tinha por alvo Onésimo, que embora era um dos seus filhos na fé, era escravo de Filemom.

Para Filemom, Onésimo era um escravo fujão, e para o apóstolo Paulo, um filho. O apóstolo declara que Onésimo é seu filho, que foi gerado em suas prisões.

 

 

11 O qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar.

Onésimo fugiu de Filemom e possivelmente acabou preso por algum motivo não expresso na carta, tendo se encontrado com o apóstolo Paulo na prisão.

O nome Onésimo significa ‘útil’, e o apóstolo dos gentios faz um jogo de palavras: ‘inútil’ versos ‘útil’. Ora, outrora Onésimo como escravo foi inútil a Filemom, porém, agora estava sendo útil tanto ao apóstolo quanto a Filemom, por causa do seu trabalho em prol do evangelho de Cristo (v. 12).

Possivelmente Onésimo foi enviado a Filemom de posse desta carta, pois o apóstolo Paulo deixa claro na epístola que enviou Onésimo ainda no corpo da carta “Eu to tornei a enviar” ( v. 11).

 

12 E tu torna a recebê-lo como às minhas entranhas. 13 Eu bem o quisera conservar comigo, para que por ti me servisse nas prisões do evangelho;

Do mesmo modo que Onésimo foi enviado pelo apóstolo Paulo, um irmão em Cristo e companheiro na prisão, Filemom devia recebê-lo, não como um escravo, antes como sendo o próprio coração do apóstolo dos gentios.

 

Embora desejasse conservar Onésimo, o apóstolo Paulo restituiu o que pertencia por direito a Filemom. Em momento algum o apóstolo dos gentios se arroga no direito de ter o que pertencia a Filemom pelo fato de ser um dos apóstolos.

 

14 Mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por força, mas, voluntário.

Embora fosse apóstolo de Cristo, Paulo nada fez sem a anuência de Filemom. Embora Onésimo prestasse serviço ao apóstolo em sua prisão, o apóstolo não quis forçar Filemom a deixar Onésimo com ele.

Em momento algum o apóstolo Paulo cobra pelo beneficio de ter anunciado evangelho ( 2Co 11:7 ).

15 Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre, 16 Não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no SENHOR?

O apóstolo Paulo enfatiza que a fuga de Onésimo foi providencial, uma vez que lhe trouxe a possibilidade de ter um encontro com Cristo.

As relações sociais à época eram fortes, com fulcro em questões legais. Onésimo e Filemom nem mesmo figuravam em pólos distintos nas relações sociais, uma vez que Filemom era proprietário, e Onésimo era considerado como sendo um objeto.

Contudo, por serem ambos cristãos, e cientes da nova condição em Cristo: servos de Deus e irmãos em Cristo, o apóstolo Paulo procura lembrar Filemom que considerasse Onésimo como irmão amado, e não somente como servo.

Observe que com relação à igreja de Cristo, o apóstolo Paulo demonstra que não há diferença entre os membros do corpo do Senhor “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” ( Gl 3:28 ), porém, o apóstolo Paulo não ergue uma bandeira ‘abolicionista’, antes conscientiza os servos a servirem aos seus senhores, como se servissem ao Senhor ( Cl 3:22 ; Ef 6:5 ).

Mas, o apóstolo Paulo também exorta que, caso fosse dado aos cristãos que eram escravos a oportunidade para serem livres, que aproveitassem a ocasião “Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião” ( 1Co 7:21 ).

Observe que o caso de Filemom e Onésimo é distinto do caso de outros servos à época, visto que neste caso em específico, o apóstolo dos gentios tinha amizade com Filemom, e nada fez por imposição (v. 14).

A parte final do verso parece destacar que Onésimo e Filemom eram provenientes de um mesmo povo, nação, ou etnia, pois ao dizer a Filemom que considerasse como irmão na carne e no Senhor “Não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no SENHOR?” (v. 16 ).

 

 

17 Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo. 18 E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta.

O apóstolo Paulo invoca a amizade que possuíam para dar sustentação ao seu pedido. Se Filemom considerava o apóstolo dos gentios como seu companheiro, que recebesse Onésimo como se fosse o próprio apóstolo.

É evidente que só a fuga de um escravo já auferiu um prejuízo a Filemom, porém, o apóstolo quer pagar qualquer dano que fora causado pelo, agora, irmão Onésimo.

 

19 Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi; eu o pagarei, para te não dizer que ainda mesmo a ti próprio a mim te deves. 20 Sim, irmão, eu me regozijarei de ti no Senhor; recreia as minhas entranhas no Senhor.

O apóstolo Paulo apresenta a sua escrita de próprio punho como forma de autenticar a carta.

Embora apóstolo, Paulo não usou do seu ministério para defraudar o seu irmão em Cristo.

O apóstolo dos gentios esperava ter a oportunidade de poder pagar os prejuízos causados por Onésimo, embora se fosse pesar em uma balança, quem estava em débito com o apóstolo Paulo seria Filemom, uma vez que o apóstolo Paulo estava lhe enviando alguém com nova disposição.

Antes, Onésimo causava prejuízo, agora, por ter um encontro cm Cristo, Onésimo serviria o seu senhor como se estivesse prestando um serviço ao Senhor de sua alma. A dívida de Filemom não guarda qualquer relação com o fato de o apóstolo Paulo ter-lhe anunciado o engelho de Cristo “Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus” ( Cl 3:22 ).

 

21 Escrevi-te confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo. 22 E juntamente prepara-me também pousada, porque espero que pelas vossas orações vos hei de ser concedido.

O apóstolo recomenda Onésimo a Filemom, porém, deixa a cargo de Filemom a decisão de como tratar o seu escravo, embora agora fosse seu irmão em Cristo.

Observe que o apóstolo Paulo não se intromete em questões de ordem sócio-cultural. Este não é o estandarte do evangelho de Cristo.

Soma-se ao pedido do apóstolo o desejo de visitar os irmãos, quando menciona a necessidade de preparar uma pousada. Ora, se os cristãos oravam esperançosos que o apóstolo Paulo fosse solto, que preparasse pousada.

 

23 Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão por Cristo Jesus, 24 Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores.

O apóstolo Paulo enumera alguns dos seus irmãos em Cristo que estavam em sua companhia e também estavam enviando uma saudação.

Dentre eles, o apóstolo Paulo destaca Epafras, um dos fiéis ministros de Cristo e conservo do apóstolo dos gentios ( Cl 1:7 ).

Dentre os cooperadores, temos Marcos, cujo nome era João ( At 12:25 ). Aristarco, um macedônico ( At 19:29 ). Demas, um dos que abandonaram o apóstolo Paulo ( 2Tm 4:10 ; Cl 4:14 ), e Lucas, o médico amado ( 2Tm 4:11 ).

No final da carreira do apóstolo Paulo, somente Lucas ficou com ele ( 2Tm 4:11 ).

Outro, que o apóstolo enumera entre os que mandaram saudação, e que é digno de destaque, refere-se a João Marcos, que outrora fora o motivo da contenda entre Paulo e Barnabé.

Observe que o apóstolo Paulo errou quanto à avaliação que fez de Marcos, visto que Barnabé aconselhou que o apóstolo Paulo levasse consigo Marcos, porém, o apóstolo negou-se a tê-lo em sua companhia preferindo Silas ( 2Tm 4:11 compare At 15:38 ).

No fim da carreira do apóstolo Paulo somente João Marcos ficou com ele, o que demonstra que o julgamento de Barnabé acerca de Marcos foi mais preciso, embora Marcos tivesse se afastado deles “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” ( 2Tm 4:11 ; Atos 15:37 -38).

 

25 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito. Amém.

O apóstolo Paulo despede-se do seu irmão em Cristo rogando que o favor imerecido de Deus (graça) em Cristo Jesus estivesse com Filemom.

Quando o apóstolo diz: ‘com o vosso espírito’, é uma referência ao homem em sua plenitude: corpo, alma e espírito.




O pecado e a escravidão

A Bíblia utiliza a escravidão como figura para descrever o pecado. Como o sistema escravagista foge a realidade dos nossos dias, faz-se necessário estudar os princípios jurídicos que regiam este instituto social estabelecido por figura para melhor compreender a condição da humanidade sob a égide do pecado. Você já deve ter aprendido que o pecado é o que separa o homem de Deus, por isso, analisaremos o que é o pecado e no que consiste a alienação de Deus.


O pecado e a escravidão

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ).

Um menino escravo

Apesar de sua tenra idade, Trévio era um menino forte, inteligente e muito trabalhador. Ele nasceu escravo, uma condição que a própria existência lhe impôs por ter sido gerado de uma mulher escrava.

Trévio convive com outros meninos e meninas em igual condição: eram todos escravos. Muitos dos amigos de Trévio não conheciam suas genitoras, Trévio, porém, sentia-se privilegiado por viver com sua mãe.

Assim como Trévio, a sua genitora era propriedade de um senhor. Tudo que ambos possuíam era o seu Senhor, pois a única situação que lhes permitia utilizar o pronome possessivo ‘meu’, era quando faziam referencia ao seu senhor.

Trévio era obediente, trabalhador, aplicado, interessado, sequioso por conhecimento, mas suas qualidades não influenciavam sua condição. Os desejos, anseios, acertos, trabalho, compreensão, função, aplicação, etc., não podia alterar a condição de Trévio.

A medida que Trévio compreendia sua condição aumentava em seu coração o desejo de ser livre e com ele a tristeza, pois sabia que lhe era impossível alcançar a liberdade por suas próprias forças e qualidades.

Em um sistema escravagista:

  • Um escravo é comparável a um objeto, uma propriedade do seu senhor, assim como os animais da fazenda;
  • Tudo que um escravo produz pertencia por direito ao seu senhor, e;
  • Por mais anseio que tenha pela liberdade, nunca disporia de meios para levar a efeito tal objetivo.

Você pode imaginar como Trévio se sentia?

Toda humanidade vem a existência em condição semelhante à de Trévio. Qualquer que não crê em Cristo é escravo do pecado!

O que é ser escravo do pecado? É estar sujeito a uma condição na qual você não tem como libertar-se por si só.

Esforço, dedicação, moral, comportamento, regras, leis, qualidades, etc., não são contados como meio para alcançar a liberdade. Por mais que uma pessoa pratique boas ações, doe todos os seus pertences, viva uma vida de ascetismo pessoal, paute sua existência segundo a melhor corrente filosófica e religiosa não consegue livrar-se de tal condição.

A condição suplanta os atributos morais e intelectuais do indivíduo, pois abarca o ser, e não suas ações. Um escravo podia ser bom ou mau, porém, estes qualificativos não alteravam a sua condição: continuava escravo.

A definição ‘Todo homem é mortal’ expressa uma condição pertinente a humanidade, independentemente de quaisquer questões. Não importa a nação, origem, intelecto, religião, sabedoria, moral, intenção, dolo, etc., a morte é uma realidade para o ser humano.

Quando falamos de ‘escravidão’ e ‘liberdade’, estamos diante de duas condições sociais distintas, e embora sejam condições estabelecidas pela sociedade, dentro desta realidade, impressões pessoais não mudam a condição do homem.

A condição não se expressa em meio termo: ou é escravo, ou é livre. Não há como ser meio livre e meio escravo. Escravo de manhã e livre à tarde.

Trévio era escravo porque a sua mãe era escrava. De igual modo a humanidade tornou-se escrava do pecado por causa dos nossos pais, Adão e Eva, uma vez que também eram escravos do pecado.

  1. Trévio era escravo porque sua mãe era _____________!
  2. A escravidão era uma condição imposta pela sociedade que não podia ser alterada por quesitos pessoais tal qual ________________, _____________,________________ .
  3. Todas as pessoas nascem escravas do pecado porque elas são filhas de______ e _______!

 

A escravidão

Quando Adão e Eva desobedeceram a Deus venderam-se ao pecado, e desde então, todas as pessoas nascem pecadoras.

As pessoas são pecadoras porque pecam? Não! São pecadoras porque nasceram nesta condição (sujeitas ao pecado), e portanto, pecam porque são pecadores. Pecado, pecador diz da condição pertinente a humanidade quando alienada de Deus.

Havia duas formas de um homem tornar-se escravo:

  • Condição herdada dos pais;
  • Por dívida, conquistas.

Trévio não se tornou escravo, antes nasceu nesta condição, diferente de sua mãe, que antes era livre. A escravidão é condição que se estabelecia sobre homens, mulheres, crianças, jovens, adultos e velhos.

Quando foram criados por Deus, Adão e Eva eram livres, mas a Bíblia relata que eles desobedeceram a Deus, e os nossos pais carnais (Adão e Eva) tornaram-se escravos do pecado.

Eles perderam o melhor que uma criatura pode ter: a comunhão com seu Criador. Eles foram destituídos da glória de Deus. Esta ‘nova’ condição a que Adão e seus descendentes foram submetidos é melhor descrita e representada através da escravidão.

Mas, porque Jesus e os apóstolos utilizaram o instituto da escravidão como figura para representar a condição do pecador? Porque o homem foi condenado à morte, uma condição alienada de Deus!

A condenação estabeleceu uma condição: morte, separação de Deus. Assim como a escravidão, a morte é uma condição que o homem não pode mudar por si só. A morte tornou-se uma condição própria aos homens destituídos de Deus, o autor da vida.

  1. A morte é uma _____________, assim como a escravidão.
  2. A escravidão é uma _____________ para ilustrar a condição da humanidade sob condenação.
  3. Uma pessoa livre podia tornar-se ______________ , e alguns escravos nunca experimentaram a liberdade, pois foram gerados nesta __condição___.

 

Escolhas e Vontades

Na medida do possível Trévio desejava fazer as melhores escolhas. Cumprir as regras era uma delas. Dentre os seus ‘amigos’ em igual condição esta não era a temática. Muitos eram arredios, descumpriam pequenas regras, mentiam, etc., mas a condição deles era idêntica.

As melhores escolhas melhoravam as relações de Trévio com os seus amigos e evitava as correções imposta pelo seu senhor. Por causa deste compromisso consigo mesmo, Trévio ainda não fora submetido a nenhum castigo severo.

A escravidão era um empecilho para a liberdade, porém, a capacidade de escolha, a livre vontade, os sonhos, os anseios de Trévio não foram tolhidos. O que difere livres e servos é somente a condição.

De modo semelhante à condição de Trévio é a de toda a humanidade, faz inúmeras escolhas e leva a efeito inúmeros anseios, mas não podem mudar a sua condição: são escravos do pecado!

Tudo que os descendentes de Adão fazem, escolhem, sonham e anseiam só influenciam, melhoram ou pioram as relações entre os seus semelhantes, mas não pode reatar a relação com Deus.

A condição que se abateu sobre a humanidade decorre de uma escolha específica que Adão fez: ele não confiou na palavra de Deus que é vida, e, por isso, morreu. Todos os seus descendentes herdaram igual condição porque Adão escolheu não confiar na palavra de Deus.

Hoje, por intermédio do evangelho a humanidade é informada que há uma única maneira do homem escapar de tal condição. É necessário escolher confiar na palavra encarnada que concede vida.

Da falta de confiança adveio a separação: todos juntamente se desviaram e tornaram-se imundos, condenáveis diante de Deus. Agora, por intermédio de Cristo, a redenção, a liberdade da escravidão está em uma escolha específica: crer n’Aquele que Ele enviou.

  1. Escolhas e anseios não podem mudar a _____________ dos servos do pecado.
  2. Boas e más escolhas somente interferem nas _______________ humanas.
  3. A ordem: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás” é a palavra de Deus que preservava a condição do homem (vida), do mesmo modo que a palavra encarnada tem poder de mudar a condição do homem de morte para ______________.
  4. A melhor figura para representar a condição do homem alienado de Deus é a __________________ .



O que entender por ‘jugo desigual’?

Embora o jugo seja termo utilizado para denominar a canga posta sobre animais de parelhas, o termo também foi utilizado para fazer alusão à condição de sujeição dos escravos aos seus senhores ( Jr 28:2 ) e, subsidiariamente, como figura, é utilizado para fazer referência à condição do homem sob a égide do pecado (Rm 7:14 ).


A servidão na antiguidade também era denominada de jugo. Vemos que Hesíodo, citado por Aristóteles, já dizia que uma família era formada de uma casa, uma mulher e um boi, visto que o boi (animal sobre o qual a canga é colocada) é o escravo do pobre (Aristóteles, A Política, Tradução Nestor Silveira Chaves, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011, pág. 20, § 6).

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”  ( 2Co 6:14 -18)

Certo dia minha esposa fez a seguinte pergunta: o jugo desigual que o apóstolo Paulo vetou aos cristãos de Corintos refere-se a casamento? Após a pergunta não pude descansar enquanto não analisei a questão.

É consenso entre os evangélicos, protestantes e católicos que o jugo desigual do qual o apóstolo Paulo fez referência na sua carta aos cristãos de Corintos refere-se a casamento, ou seja, que o apóstolo estaria orientando aos cristãos a não se casarem com pessoas não cristãs. Em função da má leitura deste verso o casamento entre crente e não crente tornou-se amplamente divulgado como jugo desigual!

Ao ler a segunda carta do apóstolo Paulo aos Corintos foi surpreendente verificar que o apóstolo dos gentios não trata de questões relativas a casamento.

Na primeira carta aos Corintos o apóstolo aborda questões matrimoniais, porém, quando ele analisa o assunto e passa aos cristãos, o apóstolo Paulo tem o cuidado de informar que não estava impondo mandamento algum, antes como por permissão, estava dando o seu parecer sobre a questão em pauta ( 1Co 7:6 e 40).

No versículo 14 de 2Co 6, a questão é de outra ordem, pois temos um mandamento específico: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis”, que se aplicado a casamento, contrariaria completamente o posicionamento inicial do apóstolo de expor somente o seu parecer, ou seja, o de não impor aos cristãos mandamento algum.

Outro aspecto do verso é que a mensagem tem como público alvo a igreja como um todo, ou seja, não visa somente os solteiros, pois o alerta para os casados foi específica na primeira carta ( 1Co 7:12 ). Também chama a atenção o fato de que, se fosse uma questão de matrimônio, porque o apóstolo faz alusão ao suposto pretendente utilizando se do plural? – infiéis -, se a regra social é ter um só cônjuge o correto seria: ‘não vos prendais a um jugo desigual com um infiel’ ( 1Tm 3:2 ; 3:12 ; 5:9 e Tt 1:6 ).

Caso o apóstolo estivesse determinando aos solteiros que não se casassem com descrentes (a ordem não incluiria os casados), ao menos o suposto pretendente seria descrito como infiel, e não como se apresenta: com os infiéis.

Por outro lado, faz-se necessário considerar se o instituto do casamento é tido por jugo ou prisão, pois a ordem é clara: “Não vos prendais a um jugo desigual…”.

O jugo diz de uma espécie de canga que se coloca em uma junta de animais que passam a andar conjugado um ao outro. Ou seja, para labutar com apenas um animal não é necessário o jugo.

A servidão na antiguidade também era denominada de jugo. Vemos que Hesíodo, citado por Aristóteles, já dizia que uma família era formada de uma casa, uma mulher e um boi, visto que o boi (animal sobre o qual a canga é colocada) é o escravo do pobre (Aristóteles, A Política, Tradução Nestor Silveira Chaves, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011, pág. 20, § 6).

Seria o casamento uma espécie de jugo, de escravidão?

Analisando algumas passagens bíblicas do Antigo Testamento que abordam questões relativas a jugo (servidão), vê-se que em nenhuma delas o matrimônio é abordado.

Certa feita o apóstolo Paulo citou a lei ao defender o seu direito de apóstolo dizendo: “Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois?” ( 1Co 9:9 ; Dt 25:4 ). Ou seja, o adágio que consta na lei foi expresso de modo a indicar que Deus estava cuidando dos homens, mesmo dos transgressores, pois era vetado ao juiz lesar o culpado ( Dt 25:3 ), de modo que o provérbio que consta da lei visava proteger os homens, e não os animais (bois).

Tratando da honra devida aos presbíteros, o apóstolo escreve a Timóteo e, novamente cita a mesma passagem da lei que cita animais: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário” ( 1Tm 5:17 -18), de modo que as citações da Escritura aplicam-se estritamente às questões de honra e mérito, pois o apóstolo Paulo utiliza as passagem para defender o seu apostolado e a honra dos presbíteros “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho” ( Jr 22:13 ).

Quando foi dito: “Com boi e com jumento não lavrarás juntamente” ( Dt 22:10), a lei expressa um cuidado para com quem havia de utilizar os animais para realizar um trabalho e, subsidiariamente, os animais também eram beneficiados, porém, o cuidado não era específico para com os ‘bois’.

Tais textos do Antigo Testamento aplicam-se ao casamento? Não! Porque o instituto, ou o contrato de casamento, segundo a visão do homem da antiguidade, não comportava dois iguais, antes por causa da autoridade que possuía sobre a mulher, o homem exercia o cuidado e a mulher, por sua vez, lhe devia obediência.

Esta era a visão das sociedades antigas acerca do matrimônio:

“Cada um, senhor absoluto de seus filhos e de suas mulheres, distribui leis a todos…”  (Homero apud Aristóteles, A Política, 2011, pág. 21).

Na mesma obra, Aristóteles complementa:

“O pai de família governa sua mulher e seus filhos como a seres livres, mas cada um de um modo diferente: sua mulher como cidadã, seus filhos como súditos (…) Quanto ao sexo, a diferença é indelével: qualquer que seja a idade da mulher, o homem deve conservar sua superioridade”  (Idem).

Ora, se o marido é a cabeça da mulher, não há como considerar o casamento como jugo, pois no matrimônio as funções são distintas, e a condição de ambos na relação também. Assim como Cristo em relação à igreja é a cabeça por exercer o cuidado, o marido em relação à mulher é a cabeça, pois tem a função de cuidado do corpo “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” ( Ef 5:23 ).

Dentro deste mesmo aspecto, caso a mulher compartilhasse com o marido de um jugo, ser-lhe-ia impossível submeter-se ao cuidado de seu marido “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor” ( Ef 5:22 ).

Diante das objeções acima poderíamos continuar afirmando que a determinação do apóstolo em 2co 6.14 tem referência a casamento?

Se a determinação paulina da segunda carta aos Coríntios 6, verso 14 não possui relação com casamento, do que trata, então?

Embora o jugo seja termo utilizado para denominar a canga posta sobre animais de parelhas, o termo também foi utilizado para fazer alusão à condição de sujeição dos escravos aos seus senhores ( Jr 28:2 ) e, subsidiariamente, como figura, é utilizado para fazer referência à condição do homem sob a égide do pecado (Rm 7:14 ).

Todos os homens em função da transgressão e filiação de Adão tornaram-se pecadores, ou seja, passaram a ser servos, escravos do pecado ( Rm 3:23 ). Por descenderem de Adão, um escravo do pecado, todos os homens passaram a servir ao pecado de modo que estava posto sobre os ombros de todos os homens um jugo. O pecado exercia domínio sobre todos os homens, logo, ser pecador diz de uma condição semelhante à condição de escravo.

O domínio do pecado é um jugo de opressão e a humanidade sem Deus é descrita como oprimida, cansada, sobrecarregada, etc. Entretanto, os profetas anunciaram que haveria um tempo de refrigério. O profeta Isaías anunciou que: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz (…) Porque tu quebraste o jugo da sua carga, e o bordão do seu ombro, e a vara do seu opressor, como no dia dos midianitas” ( Is 9:2 -4).

Isaías profetizou acerca dos gentios que, apesar de andarem em trevas e habitarem nas regiões da morte, resplandeceu-lhes a luz, de modo que o jugo da carga, o bordão que estava sobre o ombro e a vara do opressor foi quebrado. Para quem vivia sem Deus e sem esperança no mundo ( Ef 2:12 ), raiou a luz da vida, de modo que, os que creem em Cristo, são transportados do domínio das trevas para o domínio da luz “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:12 ).

Quando Jesus oferece aos seus ouvintes o seu jugo e o seu fardo, ele se identificou como Senhor, e qualquer que O obedece se sujeita a um jugo suave e toma sobre si um fardo leve. Basta aos ouvintes de Jesus reconhecer que está cansado e oprimido em decorrência do jugo do pecado, que há de ser aliviado do cansaço e da opressão: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” ( Mt 11:28 -30).

A proposta de Cristo é conforme as promessas preditas pelos profetas: “Julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o opressor” ( Sl 72:4 ), portanto, para ser alcançado pela promessa, os ouvintes de Cristo devem reconhecer a sua condição e confiar em Cristo como o Senhor que resgata o homem do pecado “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ).

Ao crer em Cristo, dá-se o explicado pelo apóstolo Paulo: “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” ( Rm 6:16 -18).

Ora, através da leitura, fica patente que há somente dois senhores, dois jugos. Há os servos da obediência e os servos do pecado. Os servos da obediência são aqueles que foram gerados de novo segundo a vontade de Deus segundo o último Adão, que é Cristo, e os servos do pecado, que vem ao mundo sob o jugo decorrente da desobediência de Adão ( 1Co 15:22 -23 e 1Co 15:45 ).

Aos homens só é possível estar em uma destas condições: ou se é servo da justiça ou se é servo do pecado, ou se está sob o jugo da justiça ou sob o jugo do pecado, conforme declarou Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” ( Mt 6:24 ).

Há apenas dois senhores e o nascimento determina a quem o homem servirá. Se nascidos da carne de Adão são servos do pecado, se nascidos de novo, servem a justiça ( Sl 58:3 ; Sl 51:5 ).

Todos os homens estavam em igual condição diante de Deus por serem descendentes de Adão, mas os judeus consideravam que haviam deixado tal condição por serem descendentes da carne de Abraão. Não consideraram que para serem filhos de Abraão era essencial que tivessem a mesma fé que Abraão, pois ser gerado da carne de Abraão, em última instância era o mesmo que ser descendente de Adão “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ); “Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim” ( Os 6:7 ).

O maior problema de Israel estava em não reconhecer que estavam sob a mesma maldição que todos os homens “Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um. Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus” ( Sl 53:2 -4).

Por ser descendente da carne de Abraão, Deus deu ao povo de Israel a lei como aio para conduzi-los a Cristo, porém, quando Cristo veio, os judeus se apegaram a letra da lei e rejeitaram a mensagem de Cristo. Era necessário que mudassem de concepção (metanóia=arrependimento), pois Cristo era o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra seriam benditas.

Por causa desta condição de Israel foi que o apóstolo Paulo escreveu: “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:7 -8).

Tanto judeus quanto gentios estavam alienados de Deus em virtude de serem descendentes de Adão, portanto, filhos da ira e da desobediência. Ao desobedecer, Adão tornou-se escravo do pecado e todos os seus descendentes passaram a compartilhar de igual condição.

Com a vinda de Cristo, Ele obedeceu ao Pai em tudo, de modo que ao ser crucificado, morto e sepultado, ressurgiu dentre os mortos pelo poder de Deus. Ora, todos que creem em Cristo, tornam-se participantes da sua carne e sangue, ou seja, são crucificados, mortos, sepultados e, pelo poder de Deus ressurgem uma nova criatura.

Em virtude de estarem em uma nova condição diante de Deus: servos da justiça, é que o apóstolo Paulo ordena: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos?” ( 2Co 6:14 -).

A mensagem à igreja em Corintos é a mesma anunciada aos Gálatas: “Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão” ( Gl 5:1 ).

O jugo dos infiéis é o jugo do pecado, e o jugo dos fiéis é o jugo da justiça. Se o cristão é liberto do Senhor, deve permanecer livre, firme, e não mais retornar a submeter-se ao jugo da escravidão. Como é possível a um homem liberto do Senhor, conforme na carta aos gálatas, voltar a se sujeitar ao jugo da servidão? Buscar ser justificado pelas obras da lei, como o submeter-se à circuncisão do prepúcio da carne.

Antes de dar a determinação aos cristãos de Corintos, o apóstolo Paulo relembra que o ministério de Cristo é segundo a misericórdia ( 2Co 4:1 ) e que ele, o apóstolo, não era falsificador da palavra de Deus como alguns faziam ( 2Co 4:2; 2Co 2:12 ), para tanto, o apóstolo Paulo contrasta a lei com o evangelho ( 2Co 3:6 ), de modo similar ao que foi feito com os cristãos da Galácia.

Em razão de haver obreiros fraudulentos entre os Corintos e, que se impunham sobre os cristãos apresentando como base da autoridade deles o serem descendentes da carne de Abraão, o apóstolo Paulo replica demonstrando a inutilidade da base da autoridade que eles invocavam, porque em Cristo todos morreram ( 2Co 5:14 ). Como Cristo morreu, segue-se que todos morreram e, se todos morreram e ressurgiram com Ele, certo é que ninguém mais deve ser conhecido ou honrado segundo a carne (descendência, nação, povo, sangue, etc), pois todos em Cristo são novas criaturas.

De modo que o alerta imperativo do verso 14 do capítulo 6 tem por foco alertá-los de jamais se submeterem as prescrições daqueles que se apresentavam como apóstolos de Cristo, porém, eram falsificadores da palavra ( 2Co 2:17 ). Compartilhar da doutrina e das práticas dos obreiros fraudulentos, que se louvavam a si mesmos, eram astuciosos e gloriavam-se da aparência, da carne 2Co 4:2 e 5; 2Co 5:12 e, 2Co 10:2 à 12 ).

Qualquer que aderisse à doutrina dos falsos apóstolos ( 2Co 11:11 -15), estava se prendendo a um ‘jugo desigual’, o jugo que é pertinente aos infiéis. Do mesmo modo que o apóstolo Paulo questiona aos Gálatas se eles não caíram da fé por se deixarem circuncidar, o apóstolo questiona aos Corintos se não havia caído da fé ( 2Co 13:5 ), em função de terem aderido ao ensinamento dos aproveitadores do evangelho, homens que não cuidava do rebanho, antes cuidava de arrematar os bens do rebanho para si ( 2Co 12:13 -15).

Da mesma forma que é descabido a um liberto do Senhor voltar às práticas da lei apregoadas pelos judaizantes, é descabido aos cristãos tolerarem os insensatos que os induzia a submeterem-se a um jugo para devorá-los “Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. Pois sois sofredores, se alguém vos põe em servidão, se alguém vos devora, se alguém vos apanha, se alguém se exalta, se alguém vos fere no rosto” ( 2Co 11:19 -20).

Se não há sociedade entre a justiça e a injustiça; Se não há sociedade entre a luz e as trevas; Se não há acordo entre Cristo e o inimigo; Se os fiéis não hão de herdar juntamente com os infiéis; Se o templo de Deus, que eram os cristãos, não possuía consenso com a rebelião ( 2Co 6:14 -), porque deveriam se prender ao jugo de apóstolos infiéis? Tal comunhão é proibida, vetado, ou seja, um jugo desigual.

O apóstolo não estava vetando os cristãos de negociarem, conviverem ou relacionarem com os infiéis, antes vetou que comungassem das mesmas práticas em virtude da divergência que há entre a doutrina e vaidade dos falsos apóstolos e o zelo do que é honesto e da doutrina do evangelho de Cristo ( 2Co 8:21 ).

O ensino do apóstolo Paulo visava o estipulado na primeira epístola: “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” ( 1Co 5:7 -8).

De modo que, quando ele aponta que é jugo desigual (proibido) os fiéis prenderem-se aos infiéis, não tinha em vista os devassos do mundo, antes aos que se diziam irmãos, porém, eram falsificadores da palavra de Deus “Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” ( 1Co 5:10 -11).

Observe que o foco principal do alerta do apóstolo Paulo na primeira carta não é o comportamento moral desregrado (embora seja salutar um bom proceder social), antes a doutrina daquelas pessoas que estavam levedadas pelo fermento da maldade e da malícia, que contrasta com os asmos da sinceridade e da verdade ( 1Co 5:8 ).

Quando o apóstolo veta: não vos associeis com os que se prostituem, ele se refere às pessoas como aquelas que Tiago tratou: Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade com Deus ( Tg 4:4 ; 1Co 5:9 ). Enquanto o público de Tiago diz daqueles que faziam festas com o fermento velho (lei), o apóstolo trata de alguns que faziam festa com o fermento da maldade e da malícia, pois eram astuciosamente falsificadores da palavra de Deus.

Portanto, a determinação paulina não tem relação com casamento, união conjugal entre crentes e descrentes, pois ao tratar de casamento, o apostolo falou por permissão, não impondo mandamento.

Há equívocos nos seguintes pensamentos que têm por base 2Co 6:14:

“É impossível que a pureza do cristão e a contaminação do pagão sejam postas num mesmo jugo”, e ainda: “A passagem em sua totalidade é uma intimação para que não exista nenhum tipo de comunhão com os não crentes” (Barclay, William, Comentário do Novo Testamento, Tradução Carlos Biagini, 2 Coríntios 6:14-18—7:1), ou:

“A ordem pode ser traduzida assim; “parem de se ligar heterogeneamente com os incrédulos. O princípio reverte à legislação mosaica (cons. Lv. 19:19; Dt. 22:10). Os cristãos são “novas criaturas” (II Co. 5:17); não devem se ligar espiritualmente com os incrédulos mortos (cons. Ef. 2:1)” (Moody, Comentário Bíblico Moody, Moody Bible Institute of Chicago; 2Co 6:14-16).

O que o apóstolo Paulo trata no verso em comento não impôs aos cristãos abandonarem os seus empregos, sociedades, vida social, laços de família ou casamentos que tinham com descrentes, antes tratou de alertá-los dos falsos obreiros que queriam prende-los a um jugo que lhes desse ocasião para devorá-los ( 2Co 11:12 compare com 2Co 11:21).




É possível vender a ‘alma’ ao diabo?

Como bem sabemos, o diabo é o pai da mentira e a especialidade dele é enganar os incautos. Ora, todos os homens estão perdidos por serem descendentes de Adão, porém, o diabo propaga a ideia de que é possível o homem vender sua alma em troca de bens materiais para prendê-los ainda mais à ignorância, pois os que ignoram a verdade do evangelho não sabem que estão perdidos por causa da desobediência de Adão.


É possível vender a ‘alma’ ao diabo?

No imaginário popular é corrente a ideia de que é possível ao homem vender a sua alma ao diabo e tal pensamento também está tomando corpo nas igrejas evangélicas.

Circula um vídeo na internet do Pastor Josue Yrion que aponta uma apresentadora de programa infantil brasileira de ter vendido a alma ao diabo por 100 milhões de dólares e de doar, duas vezes por ano, o seu sangue a uma igreja satanista situada na Califórnia.

O que a Bíblia diz? É possível a alguém vender-se ao diabo? De onde surgiu tal concepção?

A Bíblia demonstra que todos os homens pecaram e que todos estão destituídos da glória de Deus ( Rm 3:23 ). Ela demonstra que toda humanidade foi vendida como escrava ao pecado por Adão ( 1Co 15:21 ).

Nenhum descendente de Adão precisou escolher conscientemente estar sujeito ao pecado para ser pecador. Independentemente da consciência, do conhecimento, da moral, do costume, do comportamento, do bem e do mal todos os homens ao nascer (simplesmente por nascer segundo Adão) tornaram-se escravos do pecado ( Rm 5:12 ).

A humanidade está sob o jugo do pecado porque Adão e Eva conscientemente ignoraram a informação concedida por Deus e resolveram comer do fruto proibido tendo em vista um prêmio ( Gn 3:6 ) não dando a devida importância para as conseqüências anunciadas ( Gn 2:17 ).

Depois da queda de Adão, nenhum dos seus descendentes tem a possibilidade de pecar do mesmo modo que Adão, visto que ele se vendeu como escravo ao pecado e todos os seus descendentes com ele.

Os descendentes de Adão são escravos do pecado (propriedade), e, portanto, é impossível serem novamente vendidos ou venderem-se ao pecado. O mundo está morto no maligno (jaz no maligno) por causa da corrupção da natureza herdada de Adão.

A Bíblia também demonstra que o diabo não possui propriedades ou herdades. O inferno e o lago de fogo foram preparados para ele e os seus anjos (e todas as gentes que se esquecem de Deus), porém, ele não gerencia e nem administra o inferno. Antes, ele é réu do fogo do inferno “Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” ( Mt 25:41 ).

A Bíblia não atribui ao diabo à posição de senhor. Ele não exerce senhorio sobre os homens e nem sobre os anjos caídos. Todas as criaturas sem Deus estão sujeitas ao pecado por causa da natureza destituída de Deus, e não ao diabo. Entre as criaturas destituídas de Deus está o diabo e os seus anjos, que também são escravos do pecado.

O diabo é o pai da mentira, porém, do mesmo modo que os homens gerados de Adão, ele também é escravo do pecado. Ao buscar a semelhança do Altíssimo (desobedeceu e não guardou o seu principado) ele tornou-se escravo do pecado, ou seja, destituído da vida que há em Deus.

Somente quem obedece à palavra de Deus pode ser participante de sua natureza, tanto homens quanto anjos “Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, vós que excedeis em força, que guardais os seus mandamentos, obedecendo à voz da sua palavra” ( Sl 103:20 ). A soberba do diabo o conduziu à desobediência, e conseqüentemente a queda.

Por sua vez, levado pelo engano do diabo e pela concupiscência dos olhos, o homem (Adão e Eva) desobedeceu ao Criador e foi destituído da glória de Deus, e conseqüentemente arrastou todos os seus descendentes para a mesma condição.

Após serem lançados da presença de Deus, tanto o ‘anjo de luz’ quanto ‘o primeiro homem’, ambos passaram à condição de trevas. Enquanto o diabo seduziu um terço da ordem angelical, o homem, por sua vez, através da sua capacidade de trazer outros semelhantes à existência passou a gerar filhos segundo a sua desobediência e destinados a ira ( Jo 3:6 ).

Por que o pecado é comparado a um senhor e os destituídos de Deus a escravos? Porque os que estão em sujeição ao pecado, e isto inclui o diabo e seus anjos, mesmo que queiram, a eles é impossível mudarem a condição pertinente a natureza caída.

Em linhas gerais, o pecado é uma condição pertinente a natureza destituída (lançada da presença) de Deus “Do pecado, porque não creem em mim” ( Jo 16:9 ). Por ser impossível à criatura mudar a sua própria natureza, ela está sujeita à condição adquirida pela desobediência. A sujeição da criatura destituída de Deus ao pecado compara-se a sujeição de um escravo ao seu senhor ( Jo 8:34 ).

Diante do que a Bíblia expõe é seguro afirmar que é impossível a todos (quaisquer) os homens venderem-se ao diabo pelos seguintes motivos:

  • Um escravo não dispõe de nada que possa oferecer ou negociar – todos os homens gerados segundo Adão são escravos do pecado, e, portanto, propriedades do pecado (objeto ou instrumento). Segundo a lei que norteava o regime escravocrata, uma ‘coisa’ (escravo) não dispunha de bens e não podia negociar por ser uma ‘coisa’ do seu senhor. Ora, se todos os homens são escravos do pecado por causa de Adão, segue-se que o homem não pode vender-se ao diabo;
  • Cristo resgata o homem das garras do pecado, e qualquer contrato com o diabo é um engodo satânico – ao admitir a possibilidade de alguém vender-se ao diabo, teríamos de admitir também que tal pessoa estaria irremediavelmente perdida. Caso alguém tenha ‘vendido a sua alma’ ao diabo e ouça acerca de Cristo e queira aceitá-lo, o contrato com o diabo impedirá a salvação, caso ele se arrependa? Por certo que não, visto que o homem sem Cristo pertence ao pecado, e não ao diabo;
  • Um escravo não compra ou vende-se a outro escravo – Haveria validade em um contrato estabelecido entre escravos? Se ambos, o diabo e o pecador estão perdidos (escravos do pecado), como é possível alguém perdido vender-se a outro perdido?

A Bíblia aponta a existência de dois senhores: o pecado e a obediência ( Rm 6:16 ). Quando o homem é salvo do pecado, automaticamente também é liberto do engano do diabo que deriva da ignorância ( Ef 4:18 ).

Como bem sabemos, o diabo é o pai da mentira e a especialidade dele é enganar os incautos. Ora, todos os homens estão perdidos por serem descendentes de Adão, porém, o diabo propaga a ideia de que é possível o homem vender sua alma em troca de bens materiais para prendê-los ainda mais à ignorância, pois nem mesmo sabem que estão perdidos por causa da desobediência de Adão.

Se os homens soubessem que a perdição da humanidade sem Cristo está no nascimento segundo Adão, compreenderiam que precisavam nascer de novo. Porém, tal verdade não é divulgada, e o diabo propaga inúmeras ideias que prende os homens a ignorância.

Por ignorarem que estão perdidos em Adão, os homens aceitam a ideia de que somente estarão perdidos caso vendam (de algum modo) a alma ao diabo. A ignorância somada à vaidade dos pensamentos faz com que o homem acredite que certas práticas levam a perdição, ou que através delas o homem vende a alma ao diabo.

Para muitos o homem nasce livre de condenação, e ao fazer certas escolhas consciente, pautadas pela moral, consciência, costumes, leis, regras religiosas, etc., alcançará a salvação no juízo final, e que, só através de ritos e oferendas ao diabo estará irremediavelmente perdido, ou seja, quando vender a alma ao diabo.

A estratégia usada pelo diabo ao estabelecer cultos aos demônios (repletos de oferendas, rezas, rituais, templos, sacerdotes, seguidores, etc.), é fazer com que o homem não veja que está perdido por causa da condenação estabelecida em Adão. É objetivo do diabo que o homem permaneça na ignorância, acreditando que é um perdido por ter vendido a alma ao diabo.

Porém, a estratégia do diabo presente nas inúmeras religiões é para que o homem acredite que será salvo por não ter participado de tais cultos demoníacos onde fazem a tal ‘venda’ da alma ao diabo.

As religiões que estabelecem regras comportamentais e cerimoniais como sendo o caminho de acesso a Deus, também são um engodo do diabo, pois ao adotar tais praticas, o homem considera-se salvo, e ignora a verdade: que é gerado de Adão, e que precisa nascer de novo.

O homem está vendido como escravo ao pecado (perdido) e é impossível o diabo comprá-lo, porque os homens sem Cristo já estão em um caminho largo que conduz à perdição. A propagação da ideia de que é possível ao homem vender a sua alma em troca de bens materiais faz surgir vários mitos e lendas que promove a ignorância (alienação da verdade).

Um mito popular da conta de que Robert Johnson, um famoso cantor e guitarrista americano de Blues, vendeu a sua alma na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, no Mississippi, em troca da proeza de tocar guitarra. Soma-se a isto, o fato de algumas letras de suas canções fazerem referência ao diabo, como “Crossroads Blues”.

Diante deste mito, algumas pessoas engodadas pela soberba da vida acreditam que é possível estabelecer tal contrato e acabam por procurar templos satanistas. Elas estão perdidas? É claro que sim, porém, a perdição delas está no fato de serem descendentes de Adão, e não por praticarem certos rituais.

Outras pessoas repudiam a ideia de servirem o diabo e procuram nas religiões um caminho que leve a Deus. Elas serão salvas? É claro que não, visto que só é salvo quem entra pelo caminho estreito, que é Cristo, ao nascer de novo.

Para alguém que não conhece a verdade do evangelho é compreensível que aceitem a ideia de que é possível vender a alma ao diabo, porém, para aqueles que conhecem a verdade do evangelho é inadmissível tal argumento.

Ora, é bem provável que Robert Johnson tenha de fato realizado certos ritos e feito oferendas pensando que estava vendendo a sua alma ao diabo, porém, a ‘negociata’ é só um engodo do diabo. A verdade do evangelho demonstra que a ação do diabo é cegar o entendimento dos perdidos para que não vejam a verdade “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ).

Não há qualquer referência bíblica que aponte a ideia de que é possível estabelecer um contrato entre o diabo e os homens. Que valor há em um contrato, mesmo que assinado com sangue, a meia-noite, numa encruzilhada, com inúmeros sacrifícios, se o diabo também é escravo e não dispõe de recursos?

O que a Bíblia diz? “Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?” ( 1Co 10:19 ). Ora, se o que é sacrificado aos ídolos não é nada, que se dirá dos contratos ‘celebrados’ nos templos construídos aos demônios?

Geralmente a concepção de alguns pregadores está embotada por se apoiarem em visões, e não na verdade, que é o evangelho. Sobre estes alerta o apóstolo Paulo, que estão enganados por causa da mente carnal ( Cl 2:18 ). Ora, se é impossível ao homem sem Cristo vender a alma ao diabo, que espírito trouxe tal mensagem ao pregador?

Acerca do diabo sabemos que ele é homicida desde o principio. Que nunca se firmou em Deus. Quando ele profere mentiras, é algo próprio da sua natureza. É mentiroso e pai da mentira. Ora, o que Cristo demonstrou acerca do diabo é suficiente para que o cristão conheça as armas do seu inimigo, ou seja, a Bíblia basta “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ).

Qual o objetivo de conhecer as práticas pagãs? Que instrução ou edificação há em saber de certos ritos e práticas pagãs? Desde a antiguidade a humanidade faz oferendas e sacrifícios, chegando ao cumulo de sacrificar os seus próprios filhos ( Sl 106:37 ). Isto demonstra que nada há de novo na face da terra, e que a temática do cristão deve ser o evangelho de Cristo.

Não é imprimindo medo nas pessoas que elas serão salvas, antes o amor lança fora o medo “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” ( 1Jo 4:18 ). Basta ao cristão anunciar o perfeito amor de Deus aos homens (evangelho) que eles se converterão, sem qualquer artifício meramente emocionalista ou referência ao engodo do diabo.




A salvação em Cristo

Que mudança será operada por Deus na vida de quem crê?

  • Será filho de Deus“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ; Gl 3:26 );
  • Gerado de Novo“Segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição dos mortos…” ( 1Pd 1:3 ).

A salvação em Cristo

A Bíblia apresenta à humanidade uma oferta de salvação. Ora, se há uma oferta de salvação é porque a humanidade está perdida.

Antes de entender como o homem é salvo por Deus, é necessário compreender do que o homem é salvo e como a humanidade se perdeu.

 

Adão – A Porta Larga

O homem é salvo por intermédio do evangelho de uma condição herdada do primeiro Pai da humanidade. Foi Adão quem pecou, e por causa da ofensa dele, todos os homens pecaram ( Rm 5:19 ).

Através da ofensa de Adão todos os homens tornaram-se pecadores, ou seja, separados de Deus, alienados da vida que há em Deus, destituídos da glória de Deus.

Não importa a posição social, a religiosidade, a moral, o comportamento, a nacionalidade, o cargo, etc., todos os homens gerados segundo a carne e do sangue de Adão são pecadores. Ora, são pecadores em conseqüência da condição herdada de Adão, e não por causa do comportamento ou moral que adotaram.

A Bíblia compara a condição do pecador como sendo semelhante à condição de um escravo.

Na antiguidade havia homens ‘livres’ e ‘escravos’. A diferença entre livres e servos não estava na constituição física, mental ou comportamental do homem, antes a diferença era produto de uma condição social.

O homem livre era submetido a servidão quando não saldava suas dívidas, por ser despojo de guerra ou quando gerado de pais escravos!

Assim como os filhos de escravos também eram escravos, todos os homens tornaram-se servos do pecado por serem filhos de Adão. Adão vendeu-se ao pecado tornando-se escravo do pecado, e todos os seus descendentes vêem ao mundo em igual condição ao pai ( Is 43:27 ).

Não são as ações dos homens que determina se ele é ou não pecador, antes é da sua origem que decorre a condição de sujeição ao pecado.

Jesus demonstrou que todo aquele que comente pecado é escravo do pecado, ou seja, por ser escravo do pecado é que o homem peca. A condição de sujeição ao pecado é que determina a condição do homem: pecador. Na condição de pecador todas as suas ações são reputadas como sendo pecado.

O apóstolo Paulo demonstra que todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus ( Rm 3:23 ). A doutrina anunciada pelo apóstolo Paulo também foi anunciada pelos profetas, visto que Davi declarou ter sido formado em iniquidade e concebido em pecado ( Sl 51:5 ).

Davi demonstrou que todos os homens se desviaram e num mesmo evento (juntamente) se tornaram imundos ( Sl 14:3 ). A queda de Adão foi o único evento que comprometeu toda a humanidade, e após a queda, todos os homens tornaram-se abomináveis em suas obras: não há quem faça o bem ( Sl 14:1 ).

A condição do homem é miserável, visto que o melhor dentre os homens é comparável a um espinho, e o mais justo a uma sebe de espinhos. Desde que Adão pecou (pereceu), não há entre os filhos dos homens um que seja reto ( Mq 7:2 e Mq 7:4 ).

Desde o ventre materno os homens estão desviados, pois entraram por um caminho que os conduz a perdição, em decorrência da desobediência, julgamento e condenação de Adão ( Sl 58:3 e Sl 53:2- 3).

Não importa condição social, religiosa, boas ações, comportamento, moral, sacrifícios, votos, etc., a condição herdada de Adão tornou todos os homens pecadores, ou seja, homens a serviço do pecado. Pecam por que são pecadores! Não fazem o bem porque são maus.

 

O Evangelho

Por intermédio do evangelho, os homens são informados que Deus é rico para com todos que o invocam. Não importa a condição social, moral ou comportamental, Deus é generoso para com todos os homens ( Rm 10:12 ).

O evangelho de Cristo alcança tanto Nicodemos que era mestre, juiz e religioso, quanto a samaritana, que teve cinco maridos e o que agora tinha, não lhe pertencia.

Através da fé que se manifestou, o homem reconhece a sua condição de pecador que decorre da condenação em Adão, e compreende o quanto necessita de salvação ( Gl 3:23 ; Rm 5:18 ).

Nos dias atuais as pessoas procuram as igrejas em busca de um milagre, de um emprego, de um casamento, porém, a graça de Deus se revelou salvadora, ou seja, o evangelho destina-se tão somente a salvar os pecadores da condenação herdada de Adão.

Caso o homem não aceite a Cristo como Senhor, o seu destino é o inferno de fogo e enxofre, pois entrou por um porta larga (Adão) que o faz andar por um caminho largo que conduz à perdição ( Mt 7:13 ).

Qualquer que não aceitar a mensagem que concede nova vida não pode entrar no reino dos céus ( Jo 3:3 ). Basta ao homem ouvir e crer que será salvo da condição que o leva para um tormento eterno.

A Bíblia demonstra que o evangelho foi anunciado primeiramente a Abraão. Abraão creu na promessa e isto lhe foi imputado por justiça ( Gl 3:8 ). Do mesmo modo, todo aquele que crê na mensagem do evangelho, será justificado.

Para ser salvo, basta crer na mensagem do evangelho, ou seja, conforme diz as Escrituras ( Jo 7:38 ).

Crer em Cristo não tem relação com um sentimento de medo, tremor, terror do inferno, antes decorre da mensagem anunciada, a fé que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ).

O evangelho é poder de Deus para todo que crê. Por intermédio do evangelho o homem ganha nova vida, uma vez que Deus concede ao que crê um novo coração e um novo espírito ( Is 57:15 ).

Observe que o evangelho de Cristo, a fé que foi manifesta aos homens, também é nomeado de: poder de Deus, fé, esperança, promessa, etc. Observe o emprego da palavra fé e crer em um mesmo verso:

  • “…sabemos que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, também temos crido em Jesus Cristo…” ( Gl 2:16 );
  • “Pois nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé ( Rm 1:17 ).

Nestes versos o apóstolo Paulo faz referência à fé contrastando-a com a lei, ou seja, ele fez referência à mensagem do evangelho quando utilizou o substantivo ‘fé’. Em seguida, ele demonstra que, por meio da fé, os cristãos têm crido, ou seja, no evangelho se descobre que a justiça de Deus se dá por intermédio da mensagem do evangelho (fé), quando o homem descansa (fé) na esperança proposta.

 

A Salvação

Jesus demonstrou que quem ouve a sua palavra e crê em Deus, tem a vida eterna, ou seja, não entrará na condenação, pois passou da morte para a vida ( Jo 5:24 ).

A condição do pecador é morte, o mesmo que escravo do pecado, destituído da glória de Deus, filho da desobediência, filho da ira, etc. Quem crê deixa a condição de morto e passa a condição de vida. Quem crê em Cristo não é condenado, mas quem não crê já está condenado, pois permanece sob a condenação imputada a Adão e todos os seus descendentes ( Jo 3:18 ).

A condenação e a ira de Deus veio sobre todos os homens por causa da ofensa de Adão. Através da ofensa de Adão todos pecaram e morreram, ou seja, foram separados d’Aquele que é a vida. Qualquer que crê em Cristo possui vida eterna e não mais será alvo da ira de Deus ( Jo 3:36 ).

A todos que ouvirem a mensagem do evangelho e confessar a Cristo, o sumo sacerdote da nossa confissão, crendo que Cristo foi ressuscitado dentre os mortos para a glória de Deus Pai, serão salvos ( Rm 10:9 -10 ).

Serão salvos de que? Da atual condição financeira? Da família problemática? Dos problemas socioeconômicos? Etc. Não! Jesus alertou que os que n’Ele crê serão salvos da condenação estabelecida em Adão, porém, não seriam tirados do mundo e continuariam tendo aflições ( Jo 16:33 ).

Qualquer que crer em um pseudo-evangelho que anuncia que Deus mudará a condição social do homem, ou que haverá uma mudança financeira radical daquele que segue a Cristo, não será salvo, nem da ira vindoura, nem das questões relativo a este mundo, pois o evangelho de Deus é segundo as escrituras e não se constitui programa social.

A Bíblia é clara: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” ( Rm 10:13 ), porém, a promessa de Deus diz da esperança futura, e não das coisas deste mundo.

Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna, ou seja, o evangelho não veio promover riquezas deste mundo ( Jo 3:16 ). Por que é necessário ao homem crer em Cristo? Para justificação de todo que crê ( Rm 10:4 ).

Qual a preocupação do carcereiro que guardava Paulo e Silas? Aumento de salário? Mudança na sua posição social? Comandar uma empresa? Ser um magistrado? Não! A pergunta dele é clara: “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” ( At 16:30 ).

 

O Novo Nascimento – Cristo: a Porta Estreita

Quando o pecador crê em Cristo, ao mesmo tempo está recebendo a Cristo. Crer e receber refere-se ao mesmo evento “Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” ( Jo 1:12 ).

Há quem diga que é necessário crer e depois receber, porém, o apóstolo João demonstra que, crer é o mesmo que receber.

Que mudança será operada por Deus na vida de quem crê?

  • Será filho de Deus“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ; Gl 3:26 );
  • Gerado de Novo“Segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição dos mortos…” ( 1Pd 1:3 );
  • Nova Criação“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 );
  • Nova condição“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…” ( Rm 8:1 );
  • Nova Natureza“Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 2Pe 1:4 ).

Assim como a morte (condenação) veio por um homem, assim também a salvação, pois assim como todos morrem em Adão, somente em Cristo serão vivificados ( 1Co 15:21 –22).

A relação que o apóstolo Paulo estabelece entre Cristo e Adão demonstra que Adão é a porta larga por onde a humanidade entrou e segue para perdição. E que Cristo é a porta estreita, por onde todos que entram são salvos.

Em Cristo e em Adão temos o espiritual e o carnal. Os nascidos de Adão são carnais, e os nascidos do último Adão, espirituais. Primeiro veio o homem carnal, para depois vir a existência os homens espirituais ( 1Co 15:46 ).

Adão, o primeiro homem, por ser da terra era terreno, feito por Deus alma vivente ( 1Co 15:47 ). Mas Cristo, o último Adão, pertence ao céu.

Ambos, Cristo e Adão, concedem as suas imagens aos seus descendentes: Do mesmo modo que os homens terrenos têm a imagem de Adão, os homens espirituais possuem a imagem de Cristo, visto que, assim como o terreno, assim também são os terrenos, e ‘qual o celestial, tais também os celestiais’ ( 1Co 15:48 ).

Através do novo nascimento (regeneração) o homem de novo gerado passa a ser participante da natureza divina ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ). A nova condição da nova criatura se efetiva ainda neste mundo “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” ( 1Jo 4:17 ).

Por ter sido gerado de uma semente incorruptível, que é a palavra de Deus, os cristãos tem uma viva esperança ( 1Pe 1:23 e 1Pe 1:3 ). Foi de novo criado na condição de idôneo para participar da herança dos santos ( Cl 1:12 ). É herdeiro de Deus ( Gl 4:7 ), e co-herdeiro com Cristo ( Rm 8:17 ). É templo e morada do Espírito ( 1Co 3:16 ), pois tem em si mesmo o penhor da herança ( Ef 1:13 ).

Qualquer que crê em Cristo é testemunha fiel, pois de Deus vem o fruto dos lábios, que confessam a Cristo ( Os 14:8 ; Hb 13:15 ).

 

Eterna Redenção

Sabemos que Cristo efetuou eterna redenção “Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” ( Hb 9:12 ).

Que, além da salvação os cristãos foram agraciados com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais, visto que estão assentados em Cristo ( Ef 1:3 ). Tudo que diz respeito a vida e a piedade foi concedido aos que creem no seu divino poder (evangelho) ( 2Pe 1:3 ; 1Co 1:18 ).

Além de ser salvo da condenação estabelecida em Adão, não há outro destino para os que são salvos pela fé em Cristo: são filhos de Deus, ou seja, predestinados a serem filhos por Adoção, ou seja, condição diferente da dos salvos em outras dispensações.

As novas criaturas geradas segundo Deus em Cristo foram predestinadas a serem filhos. A predestinação não diz da velha criatura, antes se refere ao destino da nova criatura. Como sabemos, aquele que está ‘em Cristo’ nova criatura é, e foi ‘em amor’, ou seja, ‘em Cristo’ que a nova criatura foi predestinada a ser filho por Adoção, visto que somente por intermédio de Cristo são conduzidos muitos filhos à glória de Deus “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

A salvação de Deus se dá por meio da fé em todas as dispensações, porém, a filiação divina é concedida especificamente a igreja de Cristo, pois toda a criação geme na expectativa da revelação dos filhos de Deus “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ; Rm 8:21 ).

Os que creem em Cristo foram escolhidos para serem santos e irrepreensíveis, visto que, ‘em Cristo’ foram criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Antes da fundação do mundo Deus elegeu os cristãos para serem santos e irrepreensíveis porque em Cristo seriam criados nesta condição. Aquele que fez dos cristãos herança em Cristo ( Ef 1:11 ), também é o que operou a nova criação, concedendo poder aos que creem para que fossem feitos filhos de Deus, santos e irrepreensíveis.

Porém, há um adendo do apóstolo Paulo: “TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão” ( 1Co 15:2 ).

O apóstolo procura relembrar aos cristãos o evangelho anunciado, o mesmo que receberam e permaneciam nele. Os cristãos foram salvos por que creram na mensagem do evangelho, porém, se não o retiver o evangelho tal qual ele foi anunciado, ou seja, se abraçar um outro evangelho, terão crido em vão ( 1Co 15:2 ).

Qualquer que se distanciar da verdade do evangelho sofrerá as conseqüências de ter caído da graça: separado está de Cristo “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” ( Gl 5:4 ).

Qualquer que está separado de Cristo continua sob condenação, pois a salvação pertence somente aos que conhecem a Deus, ou antes, são conhecidos d’Ele.