Culto aos anjos

Que tipo de ‘culto aos anjos’ o apóstolo Paulo alerta estar rondando os cristãos de Colossos? Havia um cerimonial dedicados aos seres celestiais que alguém queria introduzir nas igrejas primitivas?


Culto aos anjos

“Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão” ( Cl 2:18 )

São três palavras no grego que fomentam inúmeras especulações[1] acerca do ‘culto dos anjos’ que o apóstolo dos gentios fez alusão na epístola aos Colossenses, a saber: θρησκείᾳ τῶν ἀγγέλων (culto dos anjos).

Que ‘culto aos anjos’ o apóstolo Paulo alerta estar rondando os cristãos de Colossos? Havia um cerimonial dedicados aos seres celestiais que alguém queria introduzir nas igrejas primitivas?

Para compreendermos o que o apóstolo Paulo procurou evidenciar aos cristãos de Colossos devemos nos ater ao contexto, porque o termo grego ἀγγέλων[2] transliterado ‘aggelos’, dependendo do contexto, pode fazer referência aos seres angelicais ou apontar para um mensageiro de Deus, um profeta.

O apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos de Colossos enfatiza o seu combate por eles ( Cl 2:1 ) e exorta a não se deixarem enganar com palavras persuasivas ( Cl 2:4 ). Que nenhum dos cristãos se deixasse aprisionar por meio de filosofias e vãs sutilezas que decorrem da tradição dos homens que é segundo os princípios do mundo.

É acerca dos judaizantes que o apóstolo enfatiza aos cristãos que não se deixassem dominar pela aparente humildade. Pela quantidade de ordenanças decorrentes das tradições judaicas que voluntariamente se submetiam, os judaizantes tinham aparencia de ‘humildade’ ( Cl 2:20 e 23). Eles se proibiam tocar, provar e manusear sob pretexto de ‘submissão’ às tradições (humildade) e queriam enlaçar os cristãos com estas práticas.

Além de utilizar questões acerca de comida, dias de festa, lua nova e sábados para cativar os cristãos a retornar aos rudimentos fracos da lei, se utilizavam do ‘culto dos anjos’ (θρησκείᾳ τῶν ἀγγέλων). Que culto é esse?

Antes de afirmar que os referidos anjos desta passagem da epístola aos Colossenses são seres celestiais, devemos lembrar o que foi dito por nosso Senhor Jesus Cristo:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos” ( Mt 23:29 );

“Ai de vós que edificais os sepulcros dos profetas, e vossos pais os mataram” ( Lc 11:47 );

“Bem testificais, pois, que consentis nas obras de vossos pais; porque eles os mataram, e vós edificais os seus sepulcros” ( Lc 11:48 ).

Os escribas e fariseus alegavam honrar os profetas construindo sepulcros e adornando seus monumentos fúnebres. Alegavam que se fossem eles que vivessem à época dos profetas nunca se associariam aos pais para mata-los ( Mt 23:30 ).

Encontramos nesta reprimenda de Jesus um elemento de culto praticado pelos escribas e fariseus (no sentido de reverencia aos profetas), o que nos remete ao significado do termo grego θρησκεία, transliterado thréskeia[3].

O termo θρησκεία não possui só o significado de ‘adoração’, ‘culto’, mas pode indicar também algum tipo de cerimônia em reverencia a alguém ou algo.

Sabendo que o termo traduzido por ‘anjo’ no Novo Testamento é ἄγγελος (ággelos); que o termo pode fazer referência a um mensageiro (homem) ou a um ser celestial (anjo); e, que somente o contexto onde o termo ἄγγελος é empregado determina se faz referência a um mensageiro humano (profeta) ou a um ser celestial – pois ambos são mensageiros de Deus – se faz necessário considerar o contexto de Colossenses 2, verso 18, pois é improvável que o apóstolo Paulo esteja tratando de um possível culto aos seres angelicais.

Na verdade, os judaizantes, a pretexto de submeterem-se à lei (humildade) reverenciavam (culto) os profetas (anjos), inclusive edificavam e adornavam os seus túmulos.

A reverencia aos profetas era tamanha, que o escritor aos Hebreus teve que demonstrar aos seus interlocutores que Cristo é superior a Moisés: “Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou” ( Hb 3:3 ).

Dentre os profetas a figura de Moisés se destaca, e os líderes de Israel o reverenciavam argumentando que eram seguidores de Moisés: “Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés” ( Jo 9:28 ).

Devemos considerar que os sacerdotes e os profetas da Antiga Aliança eram mensageiros[4] do Senhor, e que o termo hebraico empregado podia ser utilizado para fazer referência aos seres angelicais ou aos homens mensageiros de Deus:

“Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos” ( Ml 2:7 );

“Então Ageu, o mensageiro do SENHOR, falou ao povo conforme a mensagem do SENHOR, dizendo: Eu sou convosco, diz o SENHOR” ( Ag 1:13 ).

Em suma, o apóstolo Paulo estava alertando os cristãos para não se deixarem julgar por pessoas que, a pretexto de se submeterem (humildade) a lei, reverenciavam os profetas.

 


[1] “Havia o culto aos anjos. Como vimos, os judeus possuíam uma doutrina muito evoluída sobre os anjos e os gnósticos criam em todo tipo de intermediários. E os adoravam. Para o cristão, pelo contrário, só devia tributar-se culto a Deus e a Jesus Cristo. Paulo faz quatro críticas a tudo isto: (…) Diz que isto pode conduzir a um orgulho pecaminoso (vv. 18 e 23). O homem meticuloso na observância de dias especiais, e atento a todas as leis e prescrições sobre a comida, que pratica uma abstinência ascética, encontra-se no grave perigo de considerar-se particularmente bom e de olhar a outros com desprezo. E é uma verdade básica do cristianismo que ninguém que se considere bom é bom, muito menos aquele que se crê melhor que os outros” Comentário do Novo Testamento de William Barclay à epístola de Paulo aos Colossenses; “Adoração dos anjos (ton aggelon). Seja qual for a função mediadora que os anjos tiveram na velha dispensação (cons. Gl. 3:19), agora está obstada pela habitação de Cristo. Para Paulo, os anjos ainda podiam ter alguma função ministerial (I Co. 11:10; cons. Mt. 18:10; Hb. 1:14; lI Pe. 2:11; Judas 8, 9), mas a doutrina herética parecia ter ido além da reverência do V.T. e dos judeus para com os anjos – mais além até do que as extravagantes especulações rabínicas – dedicando-se a um culto que, tal como a devoção hodierna dos católicos romanos à Virgem Maria, deslocavam a centralidade de Cristo. Ernst Percy (Die hobleme der Kolosser und Epheserbdefe, pág. 168, 169), destacando a identidade virtual do culto dos anjos com humildade (cons. Cl. 2:23), vê Paulo a dizer: “Suas práticas legalistas chegam até à adoração de anjos”. Mas algo mais do que isto estava envolvido (cons. Bruce)” Comentário Bíblico Moody à epístola de Paulo aos Colossenses; “Os falsos mestres estavam reivindicando que Deus estava longe e que só era possível aproximar-se dEle através de vários níveis de anjos. Esses falsos mestres ensinavam que as pessoas tinham de adorar os anjos em ordem hierárquica, para no final chegarem a Deus. Esse ensino não consta nas Escrituras” Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, Editora CPAD, pág. 1678.

[2] “32 αγγελος aggelos de aggello [provavelmente derivado de 71, cf 34] (trazer notícias); TDNT 1:74,12; n m 1) um mensageiro, embaixador, alguém que é enviado, um anjo, um mensageiro de Deus” Dicionário Bíblico Strong.

[3] “2356 θρησκεια threskeia de um derivado de 2357; TDNT – 3:155,337; n f 1) adoração religiosa 1a) esp. externo, aquilo que consiste de cerimônias 1a1) disciplina religiosa, religião” Dicionário Bíblico Strong.

[4] “(מלאך 04397 mal’ak procedente de uma raiz não utilizada significando despachar como um representante; DITAT – 1068a; n m 1) mensageiro, representante 1a) mensageiro 1b) anjo 1c) o anjo teofânico) de Deus” Dicionário Bíblico Strong




Como ultrapassar a justiça dos fariseus

Como o povo obteria justiça superior a dos fariseus, se os fariseus pautavam as suas práticas no que a religião judaica apresentava como melhor? Como alguém do povo, que era rotulado como multidão maldita pelos lideres da religião judaica, seria capaz de obter justiça superior a de um fariseu semelhante a Saulo, que vivia conforme os preceitos da mais severa seita do judaísmo “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” ( At 26:5 ); “Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita” ( Jo 7:49 ).


Como ultrapassar a justiça dos fariseus

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 )

Introdução

Como exceder a justiça dos escribas e fariseus, se os escribas e fariseus eram religiosos considerados justos aos olhos do povo? ( At 26:5 ) Como o povo à época de Cristo haveria de adquirir uma justiça superior a dos escribas e fariseus, se eles eram referência moral, religiosa e de serviço a Deus?

Observe o que um fariseu disse enquanto orava: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” ( Lc 18:11 -12 ).

Um jovem príncipe, quando interpelado acerca dos mandamentos, disse: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” ( Mt 19:20 ).

Acerca dos fariseus, Jesus disse: “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens…” ( Mt 23:28 ).

Daí a pergunta: como o povo obteria justiça superior a dos fariseus, se os fariseus pautavam as suas práticas no que a religião judaica apresentava como melhor? Como alguém do povo, que era rotulado como multidão maldita pelos lideres da religião judaica, seria capaz de obter justiça superior a de um fariseu semelhante a Saulo, que vivia conforme os preceitos da mais severa seita do judaísmo “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” ( At 26:5 ); “Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita” ( Jo 7:49 ).

Como adquirir justiça maior que a dos fariseus, se as suas práticas como jejuns, orações, sacrifícios, dízimos, moral, comportamento, religiosidade, nacionalidade, etc., não lhes concedeu o direito de entrarem no reino dos céus?

Para alcançar justiça superior, seria o bastante redobrar as práticas dos escribas e fariseus? Redobrar os jejuns, as orações, os sacrifícios, os dízimos, etc., concederia justiça superior?

 

O povo e os fariseus

Aos olhos do povo, os escribas e fariseus eram tidos por justos “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:28 ), entretanto, apesar da conduta social ilibada, Jesus vetou o reino dos céus aos fariseus e escribas “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Ao demonstrar que o reino dos céus estava vetado aos escribas e fariseus e exigir do povo uma justiça superior aos mestres em Israel, Jesus, de modo polido, estava dando a entender aos seus ouvintes que, tanto eles quanto os escribas e fariseus estavam destituídos do reino dos céus.

Se os fariseus não podiam entrar no céu, o que seria do povo? E o pior: como e onde obteriam uma justiça superior? O que era necessário fazer para ter direito a entrar no reino dos céus? Ser descendente da carne de Abraão não bastava? Ser israelita, prosélito, circuncidado, dizimista, guardar o sábado, ir ao templo, sacrificar, etc., não era suficiente?

 

O que fazer?

Para compreendermos o que Jesus exigiu do povo no Sermão da Montanha, é de grande ajuda comparar Mateus 5, verso 20 com João 3, verso 3:

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ), e;

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

Escolhemos João 3, verso 3, para compararmos com Mateus 5, verso 20 por causa da parte ‘b’ dos dois versículos:

 “… de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 );

“… não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

Através dos dois versos, verifica-se que, para entrar no reino dos céus é necessário: a) nascer de novo, e/ou; b) obter justiça que exceda a dos escribas e fariseus.

 

Como nascer de novo?

O apóstolo João deixa claro que, todos os que creem em Cristo recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Ora, para receber poder é imprescindível crer que o Filho do homem, o Jesus de Nazaré, desceu do céu ( Jo 3:13 ).

Crer em Cristo como o Verbo que se fez carne é o mesmo que recebê-Lo “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ). Que ‘poder’ é concedido aos que creem? Ora, o poder é o evangelho, como diz o apóstolo Paulo: “Não me envergonho do evangelho, que é poder de Deus” ( Rm 1:16 ).

Recebe a Cristo quem crê que o Filho do homem tinha que ser crucificado ( Jo 3:14 ); recebe quem crer nas palavras proferidas pelo Filho do homem ( Jo 3:15 ); recebe quem crer que Deus entregou o seu Filho Unigênito ( Jo 3:16 ); recebe quem crer que o Filho do homem foi entregue para salvar o mundo, e não para condená-lo ( Jo 3:17 ); recebe a Cristo quem crer que a condenação é rejeitar Cristo ( Jo 3:18 ), e; recebe a Cristo quem crer que praticar a verdade é o mesmo que estar em Cristo ( Jo 3:19 ).

Sobre esta verdade disse o apóstolo Paulo: “Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” ( Gl 3:25 -27).

Uma análise apurada demonstra que, para nascer de novo é necessário crer na mensagem do evangelho, as boas novas anunciadas por Cristo, que é semente incorruptível e poder de Deus ( 1Pe 1:3 e 23 ). Não basta crer em milagres, no impossível, em Deus, antes é necessário crer em Cristo como o enviado de Deus que tira o pecado do mundo ( Jo 14:1 e 11; Tg 2:19 ).

 

Como alcançar justiça superior a dos escribas e fariseus?

Jesus orientou aos seus ouvintes a buscarem o reino de Deus e a justiça proveniente do reino “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” ( Mt 6:33 ). Ora, sabemos que Cristo é o reino de Deus entre os homens ( Lc 11:9 -10; 11 e 20-21 ).

Certa feita a multidão perguntou acerca da obra de Deus, e Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Qualquer que crê no enviado de Deus, realiza a obra de Deus, de modo que excede a justiça dos escribas e fariseus “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Diante da pergunta: “Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus?” ( Jo 7:48 ), tem-se a resposta: não! Ora, se não creram no enviado de Deus, certamente não executaram a obra exigida; se não ‘buscaram’ o reino de Deus, consequentemente não alcançaram a justiça que vem do alto.

Com base na obra exigida por Deus, que é crer em Cristo, verifica-se que ser justo não decorre de ações tais como não roubar, furtar, adulterar, injustiçar, etc., antes diz da condição própria aos filhos de Deus “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” ( Lc 18:11 ); “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” ( Tt 3:5 ).

A obra exigida por Deus não se refere às obras da lei, antes se refere à obra da fé: crer no enviado de Deus ( Gl 3:2 ). As obras que os fariseus realizavam baseavam-se em preceitos de homens, portanto, jamais entrariam no reino dos céus “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” ( Mt 15:8 ).

Com base nos versos que analisamos, verifica-se que:

  • para nascer de novo é necessário crer em Cristo;
  • que crer em Cristo é a obra exigida por Deus;
  • quem crer executa obra maior que a dos escribas e fariseus, de modo que alcança justiça superior.

O advento do novo nascimento é o que estabelece justiça superior à justiça dos escribas e fariseus e, que ter justiça superior a dos escribas e fariseus só é possível a quem nascer de novo. Todos os que são de novo gerados pela fé em Cristo são criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Quem crê em Cristo possui a mesma fé que o crente Abraão que, após ouvir a promessa, creu que em seu Descendente todas as famílias da terra seriam benditas ( Gl 3:8 ). Quem crê em Cristo está de posse da mesma ‘fé’ que Abraão, portanto, é recebido por filho de Abraão por crer em Cristo “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” ( Gl 3:29 ).

Crer em Cristo é alcançar o reino dos céus e a sua justiça. A justiça do reino de Deus é superior, pois é de cima ( Mt 7:33 ).

 

A justiça nos Salmos

Onde o homem buscará justiça?

Segundo o salmista, a mão direita de Deus está plena de justiça ( Sl 48:10 ). Tudo o que fora dito pelos profetas acerca de Deus, o homem encontra em Cristo “Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus. Deus a confirmará para sempre” ( Sl 48:8 ).

O salmista profetizou dizendo que, tudo o que ouviram, assim viram na cidade de Jerusalém. O evangelista João confirma esta palavra, quando diz: “O QUE era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” ( 1Jo 1:1 ).

Cristo apresentou-se diante da multidão com as mãos plenas de justiça, pois veio e cumpriu o que fora ordenado pelo Pai ( Sl 48:11 ). Ele mesmo enfatizou ser o cumprimento cabal do que fora predito, portanto, era o cumprimento da lei ( Mt 5:17 -18).

Há uma má leitura da fala de Jesus quando disse que ‘veio cumprir a lei’. Muitos entendem que Jesus veio cumprir o sábado, a circuncisão, os jejuns, as luas novas, as festas, etc., porém, a leitura correta é que Ele é o cumprimento cabal da lei e dos profetas. Em Cristo tudo foi cumprido, quer seja um til ou um jota. Embora Jesus se assentasse com os pecadores e cobradores de impostos, não jejuasse aos moldes dos fariseus, não guardasse o sábado como os seus compatriotas, Ele era a encarnação da lei e dos profetas ( Mt 9:14 ; Jo 9:16 ).

Por fim, o salmista profetiza que Cristo há de ser o guia daqueles que nele confiam até a morte “Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte” ( Sl 48:14 ). Como? Jesus não veio para livrar o homem da morte? O correto não seria um guia que livrasse o homem da morte?

Não! Na verdade, para que a justiça de Deus fosse estabelecida, necessário é que o devedor recebesse o seu prêmio: a morte. Deus estabeleceu: a alma que pecar, essa mesma morrerá, de modo que a pena não passa da pessoa do transgressor ( Ez 18:4 ).

Por causa deste entrave é que Jesus convida os homens a tomarem sobre si a sua própria cruz e segui-lo. Qualquer que crê em Cristo toma a sua cruz; quem crê segue após Cristo, é crucificado e morto. Cristo morreu a morte física como cordeiro de Deus, em lugar de todos os pecadores. Porém, todos os que creem morrem com Ele para que a justiça de Deus seja estabelecida, e só então, é criado um novo homem, ressurreto em uma nova criatura “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” ( 1Pe 2:24 ).

Quando o homem morre com Cristo, Deus é justo. Quando o homem ressurge dentre os mortos, Deus é justificador, pois declara o ressurreto com Cristo justo. O homem de novo gerado é declarado justo porque foi de novo criado participante da natureza divina: justo ( 1Pe 1:4 ). Somente os nascidos de Deus são justos e praticam justiça. Praticar justiça é próprio aos nascidos d’Ele, assim como pecar é próprio aos escravos do pecado “Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” ( 1Jo 2:29 ).

Somente àqueles que se achegam a Cristo (luz) praticam a verdade. Como a obra de Deus é que o homem creia em Cristo, a obra de quem crê é realizada em Deus. Quem crê professa a verdade do evangelho, de modo que as suas obras são manifestas “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” ( Jo 3:21 ).

Confessar que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus, certo de que Deus o ressuscitou dentre os mortos é o artigo de fé pelo qual o homem é salvo.

Quem crê nesta verdade, alcança justiça e a boca manifesta a obra realizada por Deus “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” ( Rm 10:9 -11).




O Arrependimento

O arrependimento bíblico não se constitui em uma mudança de atitude promovida pela consciência humana. Uma vida integra diante dos homens diz de outro aspecto da vida cristã, e não do arrependimento promovido pelo evangelho. O verdadeiro arrependimento diz de uma mudança na concepção (metanóia), ou seja, uma mudança na maneira de pensar sobre como o homem alcança a salvação de Deus.


O Arrependimento

“E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão…” ( Mt 3:9 )

Para alcançar a salvação em Cristo foi necessário uma grande mudança (radical) na sua maneira de pensar e, essa mudança se deu quando você ouviu a mensagem do evangelho e creu em Cristo. O evangelho é boas novas que produz uma transformação radical na maneira de compreender a salvação. Essa mudança radical na maneira de pensar que o evangelho estabelece no homem que estava sem Deus é nomeada na Bíblia de ARREPENDIMENTO. Arrependimento é mudança de concepção, de conceito, acerca de como o homem alcança a salvação de Deus.

Muitos escribas e fariseus vinham ao batismo de João Batista, porém, mesmo após serem batizados, continuavam declarando que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. João Batista observou por meio daquilo que professavam que eles não tiveram um arrependimento genuíno “E não penseis que basta dizer: temos por pai a Abraão” ( Mt 3:9 ). Era preciso aos escribas e fariseus arrependerem-se de seus conceitos errôneos acerca de como ser salvo, ou seja, de como ser filho de Deus. João Batista é enfático, pois até mesmo das pedras Deus tem poder para fazer filhos a Abraão, ou seja, de fazer (criar) filhos para Si.

Qual é a sua concepção acerca da salvação? Você já se arrependeu de fato? Você está produzindo frutos dignos de Arrependimento?

Para você responder e verificar se já alcançou o arrependimento genuíno, note o seguinte:

a) Todos os homens já se arrependeram de algo errado que fizeram no decurso de sua vida. Arrependem-se de seus erros, atitudes, decisões, etc. Porém, é este tipo de arrependimento que concede Salvação?

b) Uma pessoa que vivia uma vida dissoluta, de crimes, promiscuidades e mentiras, mas que, ao arrepender-se dos erros cometidos (atitudes) e passa a morar em um mosteiro, alcançou o arrependimento genuíno?

c) Um cidadão que se dedica a viver uma vida regrada na sociedade, religioso, e que ao cometer um ato ilícito ou errôneo, e sente profunda tristeza pelo seu ato, alcançou o verdadeiro arrependimento?

Não! Não são estes tipos de arrependimentos que descrevemos acima que João Batista recomendou! Este arrependimento promovido pela consciência humana é o que a Bíblia denomina de arrependimentos de obras mortas.

O arrependimento bíblico não se constitui em uma mudança de atitude promovida pela consciência humana. A vida de integridade diante dos homens diz de outro aspecto da vida cristã.

O verdadeiro arrependimento diz de uma mudança na concepção, ou seja, na maneira de pensar sobre como alcançar a salvação de Deus.

Para os fariseus e escribas não bastava presumir que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão” Mt 3: 9. Para o Jovem Rico não bastava cumprir a lei ou fazer algo pela salvação “Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?” (Mateus 19: 16). Para Nicodemos não bastava ser juiz, mestre, fariseus, judeu, etc. “Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus ” ( Jo 3:1 ).

O apóstolo Pedro, ao falar do arrependimento, exortou os judeus a mudarem de pensamento, mudarem de ponto de vista a respeito do Cristo que crucificaram. Somente após os judeus crerem em Cristo como Senhor estariam de fato arrependidos ( At 2:38 ).

Observe que João Batista não repreendeu aos fariseus e escribas sobre erros que eles houvessem cometido. Antes, deveriam se arrepender porque, ou seja, por causa da proximidade do Reino de Deus, que é Cristo entre os homens “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:1 -2).

A missão de João Batista era essa: a de preparar o caminho do Senhor, ou seja, apregoar aos homens que eles precisavam abandonar a concepção deles de como ser salvo, e receber a Cristo.

Certa feita Jesus repreendeu alguns discípulos que não tiveram o arrependimento genuíno. Observe que estes discípulos criam em Cristo, porém, estavam confiados que eram salvos por serem descendentes de Abraão. Eles ainda não haviam tido um arrependimento genuíno, uma vez que continuavam presos à antiga concepção de como alcançar a salvação de Deus.

“Disse Jesus aos judeus que criam nele: Se permanecerdes no meu ensino, verdadeiramente sereis o meus discípulos. Então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Responderam eles: somos descendentes de Abraão, e jamais fomos escravos de ninguém” ( Jo 8:11 -34).

Aqueles judeus não haviam se arrependido. Eles eram simples seguidores de Cristo, por causa de pão, milagres, de um rei, etc. Mas, ao serem arguidos que, para serem verdadeiros discípulos era preciso conhecer a verdade, ou seja, abandonar a ignorância do pecado (arrependimento), evidenciaram qual era a concepção deles acerca da salvação: estavam confiados em uma presunção própria, a de que eram descendentes de Abraão.

Os seguidores de Cristo (os judeus que criam n’Ele) estavam na mesma condição dos escribas e fariseus que foram ao batismo de João Batista: estavam confiados que a salvação era proveniente da geração (descendência) de Abraão ( Mt 3:9 ) compare com ( Jo 8:33 ).

Portanto, se você creu em Cristo como o seu único e suficiente salvador, e abandonou a concepção antiga de que era preciso sacrifícios, orações, castigos, origens, esmolas, religião, etc, para ser salvo, você alcançou o arrependimento genuíno. Você se arrependeu de fato, houve uma mudança de pensamento decorrente do conhecimento do evangelho que o libertou da ignorância do pecado.

Por você ter se arrependido genuinamente, agora, ao professar o nome de Cristo como único salvador, estais produzindo o fruto digno do arrependimento, ou seja, o fruto dos lábios que professam a Cristo como Senhor ( At 4:12 ; Hb 13:15 ).

Um erro sobre o arrependimento surge da má interpretação do versículo: “Produzi frutos dignos de Arrependimento” ( Jo 3:8 ), quando inferem que ‘frutos dignos de arrependimento’ refere-se ao comportamento humano. Perceba que o fruto a que João Batista referiu diz daquilo que o homem professa acerca de como se alcança a salvação, uma vez que, em seguida ele trata da presunção dos fariseus e escribas.

Por que aquilo que uma pessoa professa (fruto) evidência se ela se arrependeu ou não? Porque o comportamento é algo externo, que não evidência o que está no coração do homem. Observe que os falsos profetas vêm disfarçados de ovelhas (comportamento), mas interiormente são lobos devoradores, e somente pelos seus frutos (o que professam) é possível conhecê-los ( Mt 7:15 -16).

Perguntas e Respostas:

1) Qual o pensamento dos escribas e fariseus sobre como alcançar a salvação? ( Mt 3:9 )
R. Pensavam que bastava ser descendente de Abraão (filho na carne) para alcançar a filiação divina.

2) Cite quatro exemplos de ‘arrependimento’ que não promove salvação:
R. Arrepender-se de uma briga com o esposo; arrepender-se de comportar-se mal na escola; arrepender-se de não tomar uma decisão importante na vida; arrepender-se por ter omitido ajuda a alguém.

3) O que é arrependimento para salvação?
R. Abandonar os conceitos antigos sobre como alcançar a salvação e aceitar a doutrina de Cristo.

4) O que o jovem rico pensava ser necessário para ser salvo?
R. Fazer algum ‘bem’ para Deus.

5) Qual o conselho de Pedro para os judeus que crucificaram o Senhor Jesus?
R. Arrependei-vos, ou seja, abandonem os conceitos concernentes a filiação segundo a carne de Abraão e a lei de Moisés, e sejam batizados em nome de Jesus ( At 2:38 ).

6) Qual o conselho que João Batista deu aos escribas e fariseus para serem salvos?
R. Não penseis que basta dizer: temos por Pai Abraão. Arrependei-vos, ou seja, abandonem este conceito!

7) Como o crente genuíno produz fruto digno de arrependimento?
Professando Jesus como Senhor de sua vida conforme a verdade contida na Bíblia.




O conselho dos ímpios

O que é necessário para que os homens deixem de ‘andar segundo o conselho dos ímpios’, ou de ‘se deter no caminho dos pecadores’ e ‘se assentar na roda dos escarnecedores’? Somente o novo nascimento é o que torna o homem bem-aventurado e sem qualquer vinculo com o conselho, o caminho e a roda dos escarnecedores ( Sl 1:1 ). Não é necessário aos cristãos deixarem de conviver com os ímpios para serem bem-aventurado.


O conselho dos ímpios

“E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador” ( Lc 19:7 ).

Para os escribas, fariseus e saduceus havia uma grande discrepância entre as Escrituras (o Antigo Testamento) e o comportamento de Jesus.

Certa feita, após convidar Mateus para segui-lo em seu ministério, Jesus assentou-se para comer, e vieram muitos publicanos e pecadores e assentaram-se com Ele e com os seus discípulos.

Os fariseus vendo que Jesus havia se assentado com os pecadores para comer, passaram a indagar: “Por que come o vosso mestre com os publicanos e pecadores?” ( Mt 9:10 -11).

Em outra ocasião uma grande multidão veio a Jesus para ouvi-lo, e os fariseus teceram um comentário semelhante: “Este recebe pecadores e come com eles” ( Lc 15:2 ).

Quando Jesus resolveu ser hospede de Zaqueu, o chefe dos publicanos ficou preocupado com o que os fariseus e os escribas estavam dizendo. A preocupação foi tamanha que ele propôs dar metade de seus bens aos pobres “E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador” ( Lc 19:7 ).

Os fariseus e escribas estavam intrigados com o comportamento de Jesus. Para eles, um judeu deveria ao menos conhecer o que diz os salmos e a lei, e muito mais alguém que se propôs ensinar o povo. Como seria possível Jesus se assentar e comer com os pecadores (gentios) e ainda exercer o ofício de mestre?

Para os religiosos judeus era inadmissível a ‘miscigenação’ cultural entre judeus e outros povos. Eles não admitiam a mistura do que pensavam ser santo com o que consideravam profano.

Os lideres do povo de Israel consideravam serem santo por descender da carne de Abraão, e, portanto, não podiam conviver num mesmo recinto com pessoas de outras nações. Por outro lado, Jesus entrava e se assentava na casa de pecadores para comer com eles sem se importar com o prescrito no Salmo primeiro.

Na visão dos religiosos era inadmissível alguém que se dizia mestre contrariar o que diz o Salmo primeiro: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” ( Sl 1:1 ).

Entrar na casa dos pecadores e assentar-se à mesa para comer, configura que Jesus assentou-se na roda dos escarnecedores? Ao andar com eles pelo caminho, Jesus se deteve no caminho dos pecadores? Ao conversar com os pecadores, Jesus andou segundo o conselho dos ímpios?

Como conciliar o Salmo primeiro e o fato de Jesus entrar, assentar, comer e se hospedar na casa de pecadores?

“BEM-AVENTURADO aquele que teme ao SENHOR e anda no seu caminho” ( Sl 128:1 )

O salmo 128 é claro: “Bem aventurado aquele que teme ao Senhor…”. É certo que há os que temem ao Senhor e são bem-aventurados, e os que não temem e estão sob maldição. Neste mesmo diapasão, há homens que andam no caminho que pertence ao Senhor, e os que não andam.

Qual é o caminho do Senhor? Qual o temor do Senhor?

Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14: 6).

Os fariseus e escribas estavam diante do Caminho que conduz os homens a Deus, mas seguiam somente os intentos dos seus corações. Mesmo não se aproximando de pessoas tidas por eles como sendo pecadoras, trilhavam o caminho de perdição. Por outro lado, embora Jesus estivesse assentando na mesma mesa e comendo com os pecadores, Ele não estava assentado na roda dos escarnecedores. Embora Jesus andasse com os pecadores, Ele não andava segundo o conselho dos ímpios.

Andar, falar, conviver e comer com os pecadores não muda o fato de que Cristo é o caminho que conduz a Deus. Mesmo assentado e comendo com os pecadores, Jesus, o ‘Caminho’, e o caminho dos pecadores nem mesmo se cruzaram.

Mesmo que um cristão esteja assentado em uma mesma mesa comendo com um grupo de pessoas ímpias, o caminho dos ímpios é o caminho de perdição e o caminho do cristão é o caminho de salvação.

Se os escribas e fariseus entendessem que Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz à perdição, e Cristo, o último Adão, a porta estreita e o caminho estreito que conduz à salvação, jamais estranhariam o fato de Jesus comer na mesma mesa com os pecadores, pois comer, assentar e andar com os ímpios não é o mesmo que trilhar o caminho dos pecadores.

O que é necessário para que um homem deixe de andar segundo o conselho dos ímpios, ou de se deter no caminho dos pecadores e se assentar na roda dos escarnecedores? Um novo nascimento é o que torna o homem bem-aventurado e sem qualquer vinculo com o conselho, o caminho e a roda dos escarnecedores ( Sl 1:1 ). Não é necessário aos cristãos deixarem de conviver com os ímpios para serem bem-aventurado.

Desde a madre os ímpios se alienam de Deus e andam por um caminho de perdição “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ). Somente após o novo nascimento o homem volta a compartilhar da glória de Deus ( Jo 17:22 ), e a andar no seu caminho ( Sl 128:1 ).

O que diferencia os justos dos ímpios é a porta por onde entraram, e não as interações e relações que que travam neste mundo. O nascimento natural é a porta larga por onde todos os homens entram ao nascer, e o novo nascimento segundo o último Adão a porta estreita por onde poucos entram ao crer em Cristo ( Mt 7:13 ).

O conselho, o caminho e a roda dos ímpios teve origem na queda de Adão. O caminho do Senhor é Cristo, pois Ele é o temor do Senhor e o último Adão. Ele é a porta estreita por quem ou onde os homens devem entrar para seguir pelo caminho de salvação.

Ao nascer de novo, ou seja, ao entrar pela porta estreita, jamais será possível andar no caminho dos ímpios, mesmo se compartilhar os mesmos talheres, mesas, lugares, etc.




A planta que o Pai não plantou

A planta que o Pai não plantou é proveniente da semente corruptível de Adão. Esta semente não é sujeita à vontade de Deus. É uma semente de inimizade e todos que dela são nascidos, não podem ver o reino de Deus “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” ( Rm 8:7 ).

 


Certa feita Jesus apresentou-se na sinagoga, em Nazaré, e lhe deram o livro de Isaías. Quando Ele abriu o livro, achou o texto que dizia: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do SENHOR…” ( Lc 4:18 -19).

Foi quando Jesus anunciou ao povo: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vosso ouvidos” ( Lc 4:21 ).

Quando Jesus esteve entre os homens, o Espírito de Deus esteve sobre Ele ( Jo 10:30 ). A missão de Jesus era trazer boas novas aos pobres de espírito ( Mt 5:3 ). Ele foi enviado para consolar os contritos de coração. Jesus apresentou-se como liberdade para os cativos do pecado. Aos cegos, Jesus é a Luz. Os oprimidos pelo pecado encontram liberdade em Cristo. Jesus inaugurou o tempo (ano) em que os homens são aceitáveis diante de Deus ( 2Co 6:2 ).

Isaías profetizou que, após Jesus desempenhar a sua missão, os homens seriam chamados de árvores de justiça, plantação do Senhor, para que Deus fosse glorificado.

Através da obra realizada por Cristo, os homens seriam chamados de plantação de justiça, ou seja, de “plantas que o Pai plantou”.

A palavra de Deus (evangelho) é a semente que dá origem às ‘árvores de justiça’ “Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus” ( Lc 8:11 ). As plantas que o Pai plantou, tem origem na semente incorruptível, que é a palavra de Deus ( 1Pe 1:23 ).

Cristo é o semeador, bem como todos aqueles que anunciam as boas novas do evangelho “O que semeia, semeia a palavra” ( Mc 4:14 ). Mas, para semear a palavra, é preciso ser nascido da vontade de Deus. É preciso receber poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 -13).

Não há como anunciar a palavra do evangelho se o homem não é nascido dela. Ou seja, só é possível ao homem produzir o fruto dos lábios que professam a Cristo, após ele ser gerado da palavra.

É por isso que o evangelho é poder de Deus para todo aquele que crê ( 1Co 1:18 ; 1Co 2:5 ; Rm 1:16 ). O evangelho é poder proveniente de Deus que concede vida aos homens.

Jesus veio ‘…restaurar a vista aos cegos…’, porém, os fariseus e escribas acreditavam que tinham perfeita visão acerca das coisas celestiais. A missão a que Jesus veio realizar, não foi operada naqueles que acreditavam possuir uma perfeita visão “E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:39 -41).

Jesus veio para os doentes, mas os religiosos acreditavam que eram são: “E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” ( Mc 2:17 ).

Mas, por que os fariseus e escribas consideravam que eram são? Porque eles acreditavam que eram filhos de Deus, por serem descendentes de Abraão “Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus” ( Jo 8:41 ).

Os fariseus e escribas estavam corretos? Eles eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão? Não! Os filhos de Deus têm origem na mesma fé que teve o crente Abraão e não na semente corruptível da descendência do patriarca “De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” ( Gl 3:9 ).

Para os homens serem benditos como o crente Abraão, ou seja, filhos do Altíssimo, é preciso crer na palavra de Deus como Abraão creu e isto lhe será imputado por justiça. Deus não faz acepção de pessoas e todos os que creem, conforme creu Abraão, são justificados pela sua maravilhosa graça.

Quando Abraão creu em Deus, ele tornou-se árvore de justiça, planta que o Senhor plantou (justificado). Porém, os seus descendentes carnais não alcançaram a mesma condição diante de Deus.

Ser filho de Abraão é praticar as obras de Abraão, ou seja, crer na palavra de Deus. É receber a semente incorruptível no coração. Está é a obra de Deus: crer naquele que Ele enviou ( Jo 8:39 ; Jo 6:29 ). Abraão executou as obras de Deus porque creu em Deus, mas os seus descendentes, confiados na carne, ou seja, em sua origem, não criam naquele que Deus enviou, e, portanto, não creram em Deus.

Os fariseus e escribas eram descendentes de Abraão ( Jo 8:37 ), mas, não eram filhos de Deus. Eles pensavam que bastava professar serem descendentes de Abraão para alcançar a filiação divina ( Mt 3:9 ).

Os fariseus e escribas não eram plantas plantadas por Deus (não criam em Cristo) e, por isso, seriam arrancados (passíveis do juízo de Deus) “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus” ( Jo 3:18 ).

Sabemos que, aqueles que não creem em Cristo, são plantas não plantadas pelo Pai, e aqueles que creem, são árvores de justiça, plantas pertencentes ao Pai.

Mas, quando e onde os homens ímpios foram plantados, visto que, todos os homens são plantas?

Os judeus consideravam que eram filhos de Deus por serem descendentes na carne de Abraão. Esqueceram que Abraão recebeu a filiação divina quando creu em Deus, e isto lhe foi imputado por justiça.

Embora os judeus fossem descendentes segundo a carne de Abraão, todavia, continuavam sendo filhos de Adão, pois a filiação divina só é possível através da fé.

Ou seja, todos os homens nascidos em Adão são plantas que o Pai não plantou. Não são árvores de justiça, e, portanto, não é plantação do Senhor!

Abraão era descendente de Adão, segundo a carne, e gerava filhos carnais. Os seus descendentes eram concebidos em pecado, da mesma forma que todos os homens são concebidos “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” ( Sl 51:5 ).

Por meio da fé Abraão tornou-se uma planta que o Pai plantou, pois ele foi justificado por Deus. Mas, os seus descendentes continuaram a ser gerados segundo a carne de Abraão, o que remete a Adão.

Embora Abraão tenha alcançado a condição de homem espiritual por confiar na promessa de Deus, contudo, ele continuava a gerar filhos segundo a carne, participantes da semente corruptível de Adão.

Somente os nascidos de Deus são criados homens espirituais. Abraão era filho de Deus pela fé e somente os que creem em Deus, conforme o crente Abraão, são gerados d’Ele.

A humanidade é uma plantação proveniente de uma semente corruptível (que não permanecerá para sempre), a semente de Adão. Todos os homens que vem ao mundo são plantas que o Pai não plantou e é por isso que a Bíblia diz que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.

Por nascerem da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue, os homens vêm ao mundo sob condenação. Somente após nascerem de novo, segundo a vontade de Deus (Espírito) e da semente incorruptível (água), o homem torna-se plantação do Senhor.

“E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” ( Is 60:21 ).

Para nascer de novo, é preciso ser plantado por Deus (renovo por mim plantados). A nova criatura gerada em Cristo é obra exclusiva das mãos de Deus. Não há como o homem participar ativamente do novo nascimento, pois está glória, somente a Deus pertence.

Para que o homem seja plantado pelo Pai é preciso crer na palavra de Deus que diz: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” ( Is 45:22 ). Aquele que olha para o autor e consumador da fé é porque creu que somente Deus pode salvá-lo.

Quem não crê no unigênito Filho de Deus deixa de olhar, e sofrerá as conseqüências do pecado da mesma forma que os picados pelas serpentes no deserto que não olhassem (cressem) para a serpente de metal sofreriam, na ocasião em que os hebreus atravessavam o deserto a caminho da terra prometida!

A planta que o Pai não plantou é proveniente da semente corruptível de Adão. Esta semente não é sujeita à vontade de Deus. É uma semente de inimizade e todos que dela são nascidos, não podem ver o reino de Deus “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” ( Rm 8:7 ).

As plantas que não foram plantadas por Deus serão arrancadas, pois não subsistirá ao juízo: “Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos” ( Sl 1:5 ).

Sobre este aspecto, vaticinou João Batista: “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” ( Mt 3:10 ).

Enquanto os fariseus e escribas continuassem professando que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão, estaria produzindo um mau fruto, o que indicava que Eles não eram plantas que o Pai plantou e sujeitos à ira de Deus.

Somente as árvores que produzem bons frutos, ou seja, que professam a proximidade do reino dos céus (a Cristo) permanecerão para sempre ( Hb 13:15 ). Não serão cortadas, pois Deus mesmo as plantou, e serão para sempre obras das mãos de Deus. Renovos (plantas) plantados por Deus.




A Justiça que excede a dos Escribas e Fariseus

Após ter um encontro com Cristo, o apóstolo Paulo, que também foi fariseu, compreendeu que, qualquer que busque estabelecer uma justiça com base em suas ações, por mais nobres que sejam, rejeita a justiça de Deus “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” ( Rm 10:3 ). O povo de Israel procurava servir a Deus, porém, sem entendimento ( Rm 10:2 ), e por mais que os profetas protestavam, não atinavam que estabelecer uma justiça com base em preceitos de homens é rejeitar a justiça de Deus.


A Justiça que excede a dos Escribas e Fariseus

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 )

Diante de uma multidão sequiosa de milagres e pão, Jesus alertou: “… se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Para compreender a declaração de Jesus, precisamos nos socorrer de outra declaração do Mestre por excelência feita a um fariseu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

Os fariseus eram referência moral, ética e religiosa para o povo de Israel à época de Jesus. Aos olhos do povo os fariseus eram tidos por justos “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:28 ).

Em nossos dias a palavra fariseu é utilizada de modo pejorativo, sinônimo de hipocrisia, mas à época de Cristo nomeava um grupo específico de seguidores do judaísmo.

O farisaísmo era uma das mais severas seitas do judaísmo e seus seguidores lideravam um movimento para trazer o povo a ‘submeter-se’ à lei de Deus. Eles eram extremamente legalistas, formalistas e tradicionalistas.

O que há em comum entre as declarações que Jesus fez a Nicodemos, um fariseu, e à multidão que ouviu o Sermão do Monte, que pouco entendia da lei?

As declarações de Jesus demonstram que, tanto a multidão julgada como maldita pelos fariseus quanto os próprios fariseus não podiam entrar no reino dos céus.

  • O Povo – “…se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus ( Mt 5:20 );
  • Os Fariseus “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus ( Jo 3:3 ).

A impossibilidade de o homem se salvar é destacada nos dois versos, sendo algo comum ao mestre, juiz e fariseu Nicodemos, e à multidão que estava ao pé do monte ( Jo 3:10 ; Jo 7:49 ). Em ambas as declarações, Jesus demonstra que não importa a condição social, econômica ou cultural: está vetado a entrada do homem no reino dos céus ( Mt 5:20 ; Jo 3:5 ).

Ao revelar que Nicodemos precisava nascer de novo, Jesus demonstrou que a justiça do juiz, mestre e fariseu estava aquém da justiça exigida por Deus. Nicodemos precisava obter justiça superior, assim como os outros fariseus e a multidão.

Ora, como seguidor da lei, Nicodemos não matava ( Mt 5:21 ), não roubava, não dizia falso testemunho ( Jo 3:11), não adulterava ( Mt 5:27 ), se necessário daria a carta de divórcio ( Mt 5:31 ), não perjurava ( Mt 5:33 ), amava o próximo ( Mt 5:43 ), ou seja, fazia tudo aquilo que os Antigos ensinaram.

Do mesmo modo que Nicodemos, a multidão tinha como meta fazer tudo conforme os seus mestres ensinavam, mas Jesus demonstrou que, mesmo que fizessem conforme os escribas e fariseus ensinavam, jamais entrariam no reino dos céus.

Jesus demonstrou no Sermão do Monte que é impossível ao homem salvar-se através das suas obras. Ora, quem dentre o povo nunca ficou nervoso com o irmão? Quem nunca chamou o próximo de tolo ( Mt 5:22 )? Como controlar os impulsos do corpo e os anseios do coração e dos pensamentos ( Mt 5:28 )? Quem consegue arrancar um braço, ou um olho? Quem consegue amar o inimigo? ( Mt 5:44 ), etc.

Através do Sermão da Montanha Jesus demonstrou que tudo que o povo de Israel fazia não era superior ao que os outros povos realizavam. Eles repousavam na lei, porém, os gentios também fazem naturalmente as mesmas coisas que a lei determinava ( Rm 2:14 ).

Diante do que Jesus propôs no Sermão da Montanha, os seus ouvintes viram a impossibilidade de se salvarem! ( Tg 2:10 ) Como obter justiça maior que a dos escribas e fariseus se é impossível fazer tudo quanto Jesus recomendou? Tanto a multidão quanto os escribas e fariseus precisavam alcançar justiça superior, mas qual justiça é superior a dos escribas e fariseus? Como alcançá-la?

Quando Jesus disse a Nicodemos que é necessário nascer de novo, o mestre fariseu também se viu envolto em uma impossibilidade: como poderia um homem voltar ao ventre materno e nascer? ( Jo 3:4 )

Após ter um encontro com Cristo, o apóstolo Paulo, que também foi fariseu, compreendeu que, qualquer que busque estabelecer uma justiça com base em suas ações, por mais nobres que sejam, rejeita a justiça de Deus “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” ( Rm 10:3 ).

O povo de Israel procurava servir a Deus, porém, sem entendimento ( Rm 10:2 ), e por mais que os profetas protestavam, não atinavam que estabelecer uma justiça com base em preceitos de homens é rejeitar a justiça de Deus.

O jovem rico é um exemplo de serviço sem entendimento, visto que desde a mocidade realizava tudo o que a lei preceituava, porém, faltava-lhe uma coisa: não tinha alcançado a justiça que excede a dos escribas e fariseus ( Mt 19:20 ).

O que ele fazia diante de Deus não passava de trapos de imundície. Tudo o que ele fazia não passava de obras de violência, ou seja, continuava culpado diante de Deus “Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão” ( Is 57:12 ); “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há em suas mãos” ( Is 59:6 ).

O fariseu que subiu ao templo para orar é outro exemplo esclarecedor, quando em oração agradeceu a Deus por não ser como os outros homens: roubadores, adúlteros, injustos, porém, não foi justificado por Deus ( Lc 18:14 ). Ora, ele fazia tudo quanto os Antigos prescreveram, porém, não alcançou a justiça que vem do alto.

A justiça que excede a dos escribas e fariseus é somente a justiça que vem de Deus.

Como obter justiça maior que a dos escribas e fariseus?

Ora, se para entrar no reino dos céus é necessário nascer de novo, segue-se que, em nascer de novo está a justiça que vem de Deus. Se não nascer de novo o homem não entra no reino dos céus, portanto, para obter a justiça que exceda a dos escribas e fariseus é necessário nascer de novo.

Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus”, ou seja, se não nascer de novo”: de modo nenhum entrareis no reino dos céus ( Mt 5:20 ; Jo 3:3 ).

Ao fariseu Nicodemos, Jesus recomendou nascer de novo, e à multidão que entrassem pela porta estreita. Ora, Cristo é a porta e o caminho que conduz à vida, e para entrar por ele é necessário nascer de novo ( Mt 7:13 ).

Jesus apontou a necessidade do novo nascimento porque o primeiro homem pecou ( Is 43:27 ). Desde a queda de Adão todos os homens são formados em iniquidade e concebidos em pecado ( Sl 51:5 ). Todos os homens se desviaram desde a madre. Andam errados e falam mentiras desde que nascem ( Sl 58:3 ). Depois que o homem piedoso pereceu (Adão), não há entre os homens um que seja reto ( Mq 7:2 ). Todos os descendentes de Adão se desviaram e não há quem faça o bem ( Sl 14:3 ; Sl 53:3 ), visto que, mesmo sem causa alguma transgridem ( Sl 25:3 ).

Mas, para nascer de novo, primeiro o pecador precisa morrer, pois Deus determinou que a alma que pecar, esta morrerá. Para estabelecer a justiça que excede a dos escribas e fariseus é necessário a morte do transgressor, visto que a pena imposta não pode passar da pessoa do transgressor ( Ez 18:20 ). Somente é justificado dentre os descendentes de Adão aquele que morre com Cristo, visto que ‘…aquele que está morto está justificado do pecado’ ( Rm 6:7 ).

Somente quando o homem morre com Cristo é que se dá a justiça de Deus. Somente após o velho homem ser crucificado com Cristo, Deus trás a existência o novo homem, gerado em verdadeira justiça e santidade. Após o corpo do pecado ser desfeito ( Cl 2:11 ), e sepultado com Cristo ( Cl 2:12 ), o homem é vivificado com Cristo ( Cl 2:13 ).

Através de Cristo o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Ez 18:31 ; Ez 36:25 -27), pois em Cristo é circuncidado para receber vida com Deus ( Dt 30:6 ; Cl 2:11 ). Deus não somente declara o homem justo, antes ele cria o novo homem segundo a sua justiça, e o novo homem é declarado justo.

A justiça que vem do alto é imputada por meio da fé em Cristo ( Rm 10:6 ). Ela vem do alto porque não se vincula a elementos humanos tais como comportamento, moral, caráter, sacrifícios, religiosidade, etc.

Conclui-se que a justiça que ultrapassa a dos escribas e fariseus decorre do novo nascimento. Enquanto os fariseus e saduceus não conseguiram ser justificados por intermédio das obras da lei, aqueles que creem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos (criados) filhos de Deus, nascidos de semente incorruptível (da água e do Espírito), que é a palavra de Deus, e declarados justos por Deus.

Os fariseus e a multidão que seguia a Cristo jamais seriam justificados por suas próprias obras, visto que em Adão já estavam condenados, e as suas obras reprováveis por não serem feitas em Deus ( Jo 3:18- 19). Já a nova criatura, é livre da condenação estabelecida em Adão porque é Deus quem os justifica, e as suas obras são aceitáveis, pois são feitas em Deus que as preparou para que andassem nelas ( Jo 3:21 : Ef 2:10 ).