A mulher sábia edifica a sua casa…

Para as mulheres edificarem as suas casas, vimos ser imprescindível considerarem a palavra de Deus, assim como é imprescindível aos maridos, o conhecimento da palavra de Deus para bem instruírem os seus filhos.


A mulher sábia edifica a sua casa…

“A mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos” (Provérbios 14:1)

Para compreender a aplicabilidade deste provérbio, analisemos a atitude de algumas mulheres do Antigo Testamento que, como disse o apóstolo Pedro, esperavam em Deus (1Pd 3:5).

 

Entendendo o termo ‘casa

Quando Sará viu que Ismael, o filho da sua serva Agar zombava do seu filho Isaque, se socorreu de Abraão, dizendo: “Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho” (Gn 21:10).

Abraão ficou contrariado com a proposta de Sara, visto que Ismael era seu filho. Entretanto, Deus falou a Abraão para atender ao pedido de Sara, visto que a promessa de Deus era chamar o ‘Descendente’ de Abraão – o Cristo – através de Isaque, que nasceu segundo a promessa, e não de Ismael, que nasceu segundo a carne (Gn 21:12).

O que Sará estava fazendo ao despedir Agar e Ismael? Edificando a sua casa[1], pois a rivalidade entre os meios- irmãos, Ismael e Isaque, poderia destruir a descendência de Abraão! (Gl 4:29) Não foi assim entre Caim e Abel?

Rebeca, quando soube que o seu marido Isaque iria abençoar Esaú (Gn 27:4), considerou a palavra que o Senhor lhe disse quando ainda estava grávida dos gêmeos Esaú e Jacó:

“Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor (Gn 25:23).

Rebeca deu ordem a Jacó, o jovem que saiu da madre por último, que buscasse dois cabritos do rebanho. Quando preparou o guisado para Jacó se fazer passar por Esaú, Rebeca sabiamente estava edificando a sua casa em conformidade com a palavra do Senhor, pois percebeu que o seu marido iria abençoar Esaú por tê-lo em preferência, por ser caçador, e não em função da palavra do Senhor, que foi anunciada a Rebeca (Gn 25:28).

Rebeca estava confiada na palavra de Deus, de que o maior serviria o menor, mesmo não sabendo que Esaú tinha vendido o direito de primogenitura a Jacó (Gn 25:34).

Quando pediu para Jacó ir à casa de seu pai Labão para tomar uma esposa (Gn 27:43), e declinou o seu desejo a Isaque (Gn 27:46), Rebeca estava edificando a sua casa. Agiu conforme Sara, sua sogra, pois enviou Jacó para longe de Esaú, preservando a linhagem de Abraão.

De Raquel e Lia, mulheres de Jacó, está registrado nas Escrituras que ambas edificaram a casa de Israel:

“E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas; o SENHOR faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e porta-te valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém” (Rt 4:11).

A forma como a estrangeira Tamar agiu para prover descendência ao seu marido Er, ao se passar por uma prostituta, deitando-se com o seu sogro Judá, foi o meio que ela encontrou de edificar a sua casa (Gn 38:26), pois o seu sogro estava negando o que lhe era de direito: o filho mais novo.

Como Judá não cumpriu o que prometera com relação a obrigação da lei do levirato (Gn 38:11), Tamar foi considerada pelo seu sogro como sendo mais justa que ele, pois ela buscou descendência para o seu marido.

A atitude da estrangeira Tamar foi tão importante que ela consta na linhagem de Cristo e é tida como referência de bem-aventurada por causa da casa de Perez: “E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar deu à luz a Judá), pela descendência que o SENHOR te der desta moça” (Rt 4:12); “E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão” (Mt 1:3).

O fato de figurar na linhagem de Cristo, significa que Tamar soube edificar a sua casa, apesar da maldade do seu marido Er e do desprezo do seu cunhado Onã, que não queria suscitar linhagem ao irmão Er “Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão(Gn 38:9). Er era mal e foi morto por Deus, e Onã, por não considerarem a promessa que Deus fez a Abraão, Isaque e Jacó, também foi morto.

É por causa da atitude de Tamar, que hoje dizemos que Cristo é o Leão da Tribo de Judá “Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio” (Hb 7:14); “Antes elegeu a tribo de Judá; o monte Sião, que ele amava” (Sl 78:68; Ap 5:5).

Quando a prostituta Raabe creu que o Deus de Israel é Deus nos céus e na terra (Js 2:11), e pediu proteção para a sua família, edificou a sua casa, pois através dela Salmom gerou Boaz “E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé” (Mt 1:5).

Como soube edificar a sua descendência (casa), Raabe figura como uma das três mulheres ilustres que aparecem na linhagem de Cristo, pelos seus feitos de fé: Tamar, Raabe e Rute.

Quando Bate-Seba intercedeu com sabedoria por seu filho Salomão a Davi, estava edificando a sua casa (1Rs 1:17), diferente de Mical, filha de Saul, que, por si mesma derribou a sua casa, quando resolveu criticar Davi, na ocasião em que voltava para abençoar a sua casa (2Sm 6:20). Bate-Seba foi uma mulher sábia, já Mical, foi tola.

Observe que, dependendo do contexto, o termo ‘casa’ tem o sentido de descendência, linhagem, semente, como se lê:

“Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor DEUS, o disseste; e com a tua bênção será para sempre bendita a casa de teu servo” (2Sm 7:29).

 

Colocar a casa em ‘ordem’

No provérbio: ‘A mulher sábia edifica a sua casa…’, o termo ‘casa’ tem o sentido de descendência e não de um edifício destinado à habitação.

A mulher sábia edifica a sua casa, já o homem põe-na em ordem, como se lê:

“Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do SENHOR, para agir com justiça e juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:19).

Como Abraão ordenou a sua casa? Instruindo os seus filhos a obedecerem o mandamento do Senhor “Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se estabelece” (Pv 24:3).

Bem antes da lei mosaica, Abraão já cumpria o mandamento e as leis de Deus obedecendo-O, e quando instruía os seus filhos, Abraão estava ordenando a sua casa “Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis” (Gn 26:5).

Abraão instruiu os seus filhos quanto à promessa do descendente e os instou a guardarem o caminho do SENHOR, pois só obedecendo a Deus é possível ao homem agir com justiça e juízo. Ordenar a casa é ter e instruir os seus descendentes.

Com relação a Davi, Deus prometeu que faria casa a Davi: “E desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel; a ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que te fará casa (2Sm 7:11); “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” (2Sm 7:16).

A casa de Davi refere-se à sua descendência e, em Cristo cumpriu-se a promessa, pois Cristo é o rebento de Jessé “Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi homem que se assente sobre o trono da casa de Israel” (Jr 33:17).

Apesar da promessa de Deus, de edificar casa a Davi, ficou a cargo de Davi ordenar a sua casa, constituindo Salomão, rei em seu lugar e instruí-lo acerca do caminho da justiça: “Então subireis após ele, e virá e se assentará no meu trono, e ele reinará em meu lugar; porque tenho ordenado que ele seja guia sobre Israel e sobre Judá” (1Rs 1:35); “E APROXIMARAM-SE os dias da morte de Davi; e deu ele ordem a Salomão, seu filho, dizendo: Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem. E guarda a ordenança do SENHOR teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo quanto fizeres, e para onde quer que fores. Para que o SENHOR confirme a palavra, que falou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, com todo o seu coração e com toda a sua alma, nunca, disse, te faltará sucessor ao trono de Israel” (1Rs 2:1-4).

Quando Deus ordenou ao rei Ezequias para pôr ‘em ordem a sua casa’, o que ele devia fazer era cuidar das questões relacionadas à sua descendência, instrução dos seus filhos e sucessão do trono (2Rs 20:1).

Como foram acrescidos mais quinze anos ao rei Ezequias e seu filho Manasses reinou, muito jovem, em seu lugar, ainda com doze anos de idade, podemos inferir que Ezequias ainda não tinha filhos, quando Deus ordenou que colocasse a casa em ordem, ou seja, Deus estava instruindo Ezequias a constituir descendência.

Diferente da estrangeira Tamar, que estava preocupada com sua descendência, Ezequias pareceu não se importar. Se não fosse a instrução de Deus para que o rei Ezequias tivesse filhos, Ezequias e Manassés não figurariam na linhagem de Cristo “E Uzias gerou a Jotão; e Jotão gerou a Acaz; e Acaz gerou a Ezequias; E Ezequias gerou a Manassés; e Manassés gerou a Amom; e Amom gerou a Josias” (Mt 1:9-10).

Além de não ligar para a sua linhagem, Ezequias se preocupava somente consigo mesmo, pois ao ser informado que os seus filhos seriam levados cativos para a Babilônia, nada fez para instruir o seu filho ou a nação, pois considerou como sendo uma boa palavra o que foi predito pelo profeta, de que, enquanto vivesse, não haveria guerras (2Rs 20:19).

Por certo, Ezequias não tinha uma mulher sábia ao seu lado, pois o rei Ezequias só constituiu descendência, porque Deus prometeu a Davi que edificaria a casa de Davi. A intervenção divina, por intermédio do profeta Isaías, não foi por acaso, antes, foi devido à promessa feita a Davi “E desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel; a ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que te fará casa” (2Sm 7:11).

Apesar de Deus edificar casa a Davi, por intermédio de Ezequias, competia a Ezequias bem ordena-la, porém, não o fez, pois seu filho Manassés foi um dos piores reis em Israel: “TINHA Manassés doze anos de idade quando começou a reinar, e cinquenta e cinco anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Hefzibá. E fez o que era mau aos olhos do SENHOR, conforme as abominações dos gentios que o SENHOR expulsara de suas possessões, de diante dos filhos de Israel (…) E até fez passar a seu filho pelo fogo, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro e ordenou adivinhos e feiticeiros; e prosseguiu em fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, para o provocar à ira” (2Rs 21:1-2 e 6).

Todas mulheres sábias que edificaram a sua casa aparecem na linhagem de Cristo, e os homens que souberam ordena-la também[2]. Daí a máxima:

“Com a sabedoria se edifica a casa[3], e com o entendimento ela se estabelece” (Pv 24:3).

 

Como ordenar e instruir uma casa em nossos dias

Com que tipo de sabedoria os patriarcas e as mulheres de fé do Antigo Testamento edificaram e ordenaram suas casas? Filosofias, mandamentos de homens, rudimentos do mundo, fábulas, etc? Não! Edificaram casa através da palavra de Deus, que é o mesmo que ‘temor do Senhor’, o princípio da sabedoria, que é limpa e permanece para sempre (Sl 19:9).

Se as mulheres sábias edificaram as suas linhagens com base na palavra de Deus que permanece para sempre, e os homens ordenaram suas casas através do ensino da palavra de Deus aos seus filhos, como homens e mulheres devem proceder em nossos dias com suas casas?

Para as mulheres edificarem as suas casas, vimos ser imprescindível considerarem a palavra de Deus, assim como é imprescindível aos maridos, o conhecimento da palavra de Deus para bem instruírem os seus filhos.

Sabemos que o Descendente prometido já veio – Cristo -, e que hoje não compete as mulheres edificarem as suas casas, segundo a promessa que havia na Antiga Aliança; porém, é imprescindível às mulheres compreenderem que, em nossos dias, se quiserem construir um lar, devem se sujeitar aos seus maridos, pois, é indispensável aos maridos, autoridade para ordenarem e instruírem os seus filhos “Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas” (1Tm 3:12).

 

A esposa edificando a família

Em nossos dias, a instrução de Deus para as mulheres que querem edificar a sua família é: sejam sujeitas, em tudo, aos seus maridos:

“De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos(Ef 5:24).

Se há dúvidas, o apóstolo Paulo reitera:

“A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada” (Tt 2:5).

Alguém pode argumentar: – ‘Mas o que Deus exige é difícil!’. Na verdade, não é, pois o que Deus manda não é, e nunca será penoso (1Jo 5:3).

Se a mulher deseja que tudo concorra para o bem do seu lar, que obedeça a Deus, sujeitando-se ao seu marido, pois a Bíblia diz que tudo concorre para o bem daqueles que obedecem (amam) a Deus (Dn 9:4; Rm 8:28).

A sujeição da mulher ao marido é determinação divina e o apóstolo Pedro faz referência a sujeição da mulher ao marido como uma ferramenta útil, até para ganhar os maridos não crentes para o evangelho, vez que, observarão a conduta de suas mulheres como pura em obediência à ordem divina.

O apóstolo orienta que o adorno da mulher não seja exterior, como: os penteados exagerados, o uso de enfeites de ouro ou o vestir-se com pompa e luxo. O apóstolo instrui que o adorno da mulher esteja em um espírito manso e humilde (quieto) diante de Deus, pois a sujeição aos maridos era o enfeite das mulheres do Antigo Testamento que esperavam (confiavam) em Deus.

“SEMELHANTEMENTE, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; Considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura dos vestidos; Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos; Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto” (1Pe 3:1-6).

A sociedade contemporânea é dinâmica e possui características completamente diferente das sociedades do passado, porém, o ensinamento bíblico continua válido para os nossos dias, pois é do marido e dos filhos que a mulher deve esperar o verdadeiro louvor e não da sociedade, do patrão, dos amigos, etc. “Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva (…) Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada” (Pv 31:28 e 30).

O apelo dos interesses socioeconômicos é contrário as Escrituras, pois é apregoado que as esposas devem ser independentes dos seus maridos para que possam alcançar prestigio, reconhecimento, louvor, etc., no entanto, apesar de as mulheres, em nossos dias, seguirem tais recomendações sofrem inúmeras frustações.

Na relação conjugal, Deus estabeleceu o homem como cabeça da mulher, mas, muitas mulheres, guiadas pelo seu coração enganoso, pensam encontrar a felicidade, assumindo a posição de cabeça no lar, porém, cedo se desiludem, pois se veem casadas com um ‘banana’. O pior, é que nem conseguem notar que elas alcançaram o que desejaram: ser a cabeça.

Quando a Bíblia fala de submissão ao marido não está impondo subserviência, mas, sim, apontando o papel da mulher, na condição de adjutora. É a mulher que, no lar, atribui valor ao seu marido, quando submissa, pois, desta forma, constrói e fortalece a autoridade do marido perante os filhos “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que o envergonha é como podridão nos seus ossos” (Pv 12:4).

Não é a sociedade, a igreja, ou os familiares que constituem o marido como autoridade no lar, mas, a mulher. A sujeição da mulher ao marido, faz com que o marido tenha autoridade no lar, e a mulher dá exemplo aos filhos, o que resultará em filhos obedientes e submissos. Já, a mulher desobediente, descontrói a autoridade paterna, consequentemente, terá filhos rebeldes.

Para o homem governar a sua casa (mulher e filhos), a construção da autoridade do marido demanda tempo. A construção da figura paterna, como autoridade, demanda todo o período da infância da criança e o resultado desta construção, se verá na adolescência e início da fase adulta, construção decorrente da sujeição da mulher.

Construir a autoridade do pai de família é um papel que somente a esposa pode desempenhar, e isso só ocorre quando a mulher reverencia o seu marido como autoridade no lar. Não é o estado e nem as instituições que constroem a autoridade do marido.

Na infância a mulher faz patente a autoridade do marido aos filhos, mas se não construir a autoridade do marido nesta fase, na adolescência, a mulher não terá o controle dos filhos e muito menos, o marido. Se a autoridade do pai de família não for construída pela mulher, o pai não terá a autoridade para instruir os filhos, e ambos, marido e mulher sofrerão as consequências de não terem cumprido o seu papel, ao seu tempo.

A instrução deve ser dada às crianças, pois é na fase infantil que a ‘vara da correção’ livra o coração da criança da estultice “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” (Pv 22:15). Uma criança que não foi instruída, se torna um tolo quando adulto, condição que a instrução não consegue reverter “Ainda que repreendas o tolo como quem bate o trigo com a mão de gral entre grãos pilados, não se apartará dele a sua estultícia” (Pv 27:22)[4].

Geralmente as mulheres que não se sujeitam aos seus maridos, se justificam, apontando os erros do cônjuge. Entretanto, os erros do marido não anistiam a mulher do dever de obedecer. Na relação marido e mulher, ambos erram, porém, muitas mulheres se apoiam no erro do marido, para questionar-lhe a autoridade.

A condição de autoridade atende um princípio e os erros da autoridade não depõe a autoridade da sua posição “TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13:1); “Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior” (1Pd 2:13); “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa obra” (Tt 3:1).

Deus estabeleceu o homem como autoridade sobre a sua mulher, por conseguinte, não estar sujeito ao marido é insurgir-se contra a ordenação de Deus e o desobediente sofrerá as consequências dos seus desatinos “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao SENHOR; Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” Ef 5:22 -23).

Considerando o princípio evidenciado por Cristo, de que maior é quem serve, certo é que o papel da mulher como a que serve, é maior na construção de um lar, pois é ela quem serve, tanto ao marido, quanto aos filhos “Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve” (Lc 22:26).

Se a mulher se empenhar em construir a autoridade do seu marido, jamais a figura do marido se ausenta da sua casa, pois, na condição de quem serve, sempre evidenciará a autoridade do marido aos filhos, enquanto ele estiver ausente, como: – “Menino, olha o chinelo do seu pai”; – “Essa toalha não, ela pertence ao seu pai”; – “Esperaremos o pai para comer”; – “Esse lugar à mesa é do seu pai”; – “O controle da TV é do seu pai”, etc.

A mulher que assim age, mesmo quando o marido está trabalhando, sempre terá a figura do pai presente no lar e evidenciará a autoridade do marido.

Se o marido não consertou o chuveiro, jamais fará comentário depreciativo diante dos filhos, como: – “Seu pai é um banana”. A falha do marido não autoriza a mulher a depreciar a figura do marido, pois o marido possui a autoridade outorgada por Deus.

Quando instrui os filhos pequenos, a mulher jamais deve apontar a autoridade de pessoas externas à família como: – “Não faça isso porque a polícia vai te pegar”; – “Deus não gosta”; – “O padre, ou o pastor não deixa”, etc. Aponte para a autoridade do lar: – “O seu pai não quer, e se ele não quer, nós não faremos”.

Para ter filhos obedientes, a mulher precisa deixar claro aos seus filhos que também é sujeita ao marido. É imprescindível que seja incisiva, quando instrui os filhos, demonstrando qual a vontade do pai de família. A mãe jamais deve mentir para os filhos, dizendo que, atrás da porta tem um bicho, ou que o homem do saco vai pegar para fazer com que a criança obedeça.

Uma mãe não negocia com o filho para conseguir ser obedecida, pois, obediência é inegociável. A obediência não é conveniência, mas, obrigação. Neste quesito, a mulher deve dar o exemplo, pois se negocia com o marido o que obedecer, já não obedece, e essa lição os filhos aprendem.

A obediência dos filhos deve ser cultivada nas pequenas coisas, portanto, jamais dê várias alternativas à criança. Sempre aponte o que ela deve realizar ou aceitar. Ex: no café da manhã a mãe não pode dar várias alternativas de alimentação, antes escolha uma e apresente à criança.

Caso discorde da opinião ou da decisão do marido, nunca conteste o marido na frente dos filhos. Não discuta com o marido na frente dos filhos, antes chame o marido à parte e, como respeito e cumplicidade, exponha o seu ponto de vista. A mulher pode se dirigir ao marido para que ele reconsidere, porém, deve fazê-lo com palavras brandas e agradáveis “A RESPOSTA branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15:1).

 

O marido ordenando a sua casa

Na educação dos filhos é imprescindível a cumplicidade entre marido e mulher, pois a mulher deve obediência ao marido e o marido deve cuidar da sua esposa, como sendo o seu próprio corpo “Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja” (Ef 5:28 -29).

O marido tem o dever de suprir as necessidades da sua mulher, portanto, mulher, não pense que o marido deva suprir as suas vontades. Ninguém há no mundo que possa suprir os anseios e vontades de outrem. O marido tem que estar consciente da sua missão: as necessidades não são impossíveis de serem satisfeitas.

O maior erro em um casamento está em os cônjuges quererem agradar a si mesmos, pois no casamento, é imprescindível que cada um cuide em agradar o outro. Se não houver está cumplicidade, jamais haverá um lar para ambos “Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher (…) porém, a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido” (1Co 7:33-34).

Aos homens, resta exercerem autoridade sobre o seu lar, zelando, cuidando e instruindo, tanto a mulher, quanto aos filhos! Autoridade, do ponto de vista bíblico, é obrigação e não uma regalia. Quem exerce autoridade, não se serve dela, antes, presta um serviço.

Exercer autoridade é uma tarefa dificílima, pois a autoridade não deve se impor, antes evidenciar o seu cuidado. A autoridade tem o mesmo papel desempenhado por um médico que prescreve um receituário, e, mesmo que o remédio seja amargo, o paciente tem que se sujeitar à prescrição.

O marido é a cabeça da mulher, portanto, deve governa-la, senão sofrerá as consequências do seu desmando “Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas” (1Tm 3:12).

Adão tinha o dever de instruir a sua mulher e, quando ela apresentou o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, como cabeça, tinha dever de cuidar de si mesmo e da sua mulher.

Quando Eva comeu do fruto da árvore do conhecimento, o pecado não entrou no mundo, visto que ela não era a cabeça. Somente quando Adão assentiu e comeu o que lhe foi oferecido pela mulher, entrou o pecado no mundo. A responsabilidade pelo pecado que entrou no mundo recaiu sobre Adão, pois ele era a cabeça!

Neste sentido, cabe ao homem coabitar com sua mulher, com entendimento, honrando a mulher como vaso mais frágil, porém, a fragilidade da mulher não significa inferioridade, pois ambos, diante de Deus, possuem o mesmo valor “Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações” (1Pd 3:7).

A mulher deve ser honrada como vazo mais fraco por ela demanda um cuidado maior, se comparada com o cuidado que deve ser dispensado ao homem. A fragilidade da mulher engloba questões físicas e de ordem emocional.

O marido deve estar consciente quanto ao seu papel e qual a sua porção de tudo quanto fizer por sua mulher: “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol” (Ec 9:9).

O marido tem o dever de apoiar a mulher quando ela corrige os filhos. Jamais o marido deve desautorizar a esposa diante dos filhos e, se a mulher cometer um equívoco, deve ser corrigida a parte, porém, jamais o marido deve fazê-lo quando está nervoso, agitado ou no calor do momento.

O marido sempre concede o melhor à sua esposa, honrando-a. Jamais deve ter o filho em honra, em detrimento da sua esposa. A posição do homem como autoridade é nobre, portanto, deve ser generoso para com a sua mulher no carinho, nas palavras brandas, na honra, no cuidado, etc.

O marido não compete com a esposa, nem nas questões do lar e nem nas questões da família. Como autoridade, deve honrar a sua adjutora, compartilhando as suas conquistas e decisões. É imprescindível que o marido ouça e considere o posicionamento da esposa e, ao final, apresente as razões de sua decisão.

O marido deve ter um comportamento estável, o que proporcionará confiabilidade à esposa e aos filhos. Só se consegue estabilidade quando se é justo, correto, autentico, moderado, constante. Mudanças bruscas de humor, falta de padrão de comportamento, injusto em suas decisões, bruto, agressivo, etc., torna os filhos e a mulher instáveis, desconfiados e receosos.

Um pai de família viciado não é bom, porém, uma família que convive com um pai que chega bêbado todos os dias, tem a possibilidade de ser mais estável do que uma família que convive com um ‘bêbado emocional’, ou seja, alguém instável: que hora é dócil, hora amargo, hora agressivo, hora cordial, etc.

Os filhos e a mulher precisam se relacionar com uma autoridade estável, o que permite uma relação duradoura, baseada na confiança mútua.

 

Eis um mistério

“A mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos” (Pv 14:1)

Até agora apontamos questões materiais através do provérbio em comento. Porém, este mesmo proverbio encerra uma questão espiritual.

Assim como o apóstolo Paulo evidenciou um mistério na Escritura que diz: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef 5:31), demonstrando que o mistério trata de Cristo e a igreja (Ef 5:32), o provérbio da mulher sábia e da mulher tola aponta respectivamente para a Igreja e Israel.

A igreja é a mulher sábia, que edificou a sua casa em Cristo. Já Israel é a mulher tola que a derribou com as próprias mãos. Mas este é um assunto para outro texto.

“E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação. Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, aos quais não temeram vossos pais. Esqueceste-te da Rocha que te gerou; e em esquecimento puseste o Deus que te formou” ( Dt 32:15-18);

 


[1] “01129 banah uma raiz primitiva; DITAT – 255; v 1) construir, reconstruir, estabelecer, fazer continuar 1a) (Qal) 1a1) construir, reconstruir 1a2) construir uma casa (i.e., estabelecer uma família) 1b) (Nifal) 1b1) ser construído 1b2) ser reconstruído 1b3) estabelecido (referindo-se a exilados restaurados) (fig.) 1b4) estabelecido (tornado permanente) 1b5) ser constituído (de esposa sem filhos tornando-se a mãe de uma família através dos filhos de uma concubina)” Dicionário Bíblico Strong.

[2] Até o rei Davi as mulheres sábias edificavam casa (descendência), mas com a promessa de que Deus edificaria casa a Davi e que não faltaria homem que se assentasse sobre o trono, o próprio Deus estava edificando casa a Davi, por isso reis como Ezequias e Manassés, apesar de não ordenarem a sua semente e instruírem seus filhos, acabam aparecendo na genealogia de Cristo “Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi homem que se assente sobre o trono da casa de Israel” (Jr 33:17).

[3] “01004 bayith provavelmente procedente de 1129 abreviado; DITAT – 241 n m 1) casa 1a) casa, moradia, habitação 1b) abrigo ou moradia de animais 1c) corpos humanos (fig.) 1d) referindo-se ao Sheol 1e) referindo-se ao lugar de luz e escuridão 1f) referindo-se á terra de Efraim 2) lugar 3) recipiente 4) lar, casa no sentido de lugar que abriga uma família 5) membros de uma casa, família 5a) aqueles que pertencem à mesma casa 5b) família de descendentes, descendentes como corpo organizado 6) negócios domésticos 7) interior (metáfora) 8) (DITAT) templo adv 9) no lado de dentro prep. 10) dentro de” Dicionário Bíblico Strong.

[4] “Ainda que você moa o insensato, como trigo no pilão, a insensatez não se afastará dele” Provérbios 27:22.




Descubra o que poucos cristãos sabem sobre salvação e filiação divina

Somente os que primeiro ‘conheceram’ a Deus por intermédio do evangelho são predestinados à filiação divina. Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).


Descubra o que poucos cristãos sabem sobre salvação e filiação divina

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 )

Nova Criatura

Após ouvir a mensagem do evangelho (fé) e crer em Cristo os cristãos passaram a estar em Cristo “É nele que vós também estais…” (v. 1 ), ou seja, após ouvir e crer no evangelho da salvação todos os cristãos efetivamente passara a ser uma nova criatura ( 2Co 5:17 ).

O apóstolo Paulo é categórico ao afirmar: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 ). Qualquer que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura goza de uma nova condição. O que motivou o apóstolo dos gentios a bendizer a Deus no verso 3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” ( Ef 1:3 ).

Ao que parece, os cristãos em Éfeso desconheciam que estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, lhes concedia nova condição, pois o apóstolo teve que afirma de modo contundente que eles também estavam em Cristo após ouvir e crer na mensagem do evangelho.

Esta abordagem incisiva do apóstolo dos gentios deixa evidente o contexto do capítulo 1 da carta aos Efésios. Ele estava tratando especificamente das benesses pertinentes à nova criatura, posição recém adquirida pelos cristãos por estarem em Cristo.

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! Quem estava assentado nas regiões celestiais? Os cristãos!

E porque os cristãos foram abençoados com todas as bênçãos e gozavam de um lugar de descanso (assentados)? Porque estavam em Cristo, porque eram novas criaturas, ou seja, o apóstolo estava abordando questões especificas à nova criatura.

Ao dizer: ‘É nele que vós também estais…’, o apóstolo procura demonstrar que:

a) Eles foram abençoados com todas as bênçãos, e;

b) que estavam assentados nas regiões celestiais, porque foram gerados de novo e eram novas criaturas.

Faz-se necessário destacar que no Capítulo 1 da carta aos Efésios em momento algum o apóstolo dos gentios faz referencia ao homem sem Cristo. Todas as bênçãos espirituais pertencem aos que estão em Cristo! Somente os que são novas criaturas descansaram de todas as suas obras, ou seja, estão assentados!

Somente aqueles que ouviram a mensagem do evangelho e creram em Cristo, ou seja, que estão n’Ele, e que, portanto, são novas criaturas, são os eleitos de Deus. Observe que o apóstolo está tratando de questões pertinentes à nova criatura: “… nos elegeu n’Ele…”, ou seja, antes da fundação do mundo Deus determinou que, aqueles que estariam em Cristo, ou seja, que seriam novas criaturas, haveriam se ser santos e irrepreensíveis.

Deus escolheu a nova criatura para ser santa e irrepreensível diante d’Ele. Para ser eleito de Deus é necessário estar em Cristo, ou seja, é necessário ouvir e crer na mensagem do evangelho. Quando não se está em Cristo é impossível ser eleito de Deus. Como a posição de eleito é pertinente somente à nova criatura, segue-se que o pecador não preenche o quesito da eleição, pois jamais a velha criatura, alguém que ainda não está em Cristo, seria eleita para ser santa e irrepreensível.

Quando o apóstolo Paulo trata da eleição, ele diz da nova criatura, pois o pecador, o velho homem, a natureza pecaminosa não é escolhida por Deus. Como Deus elege o homem em pecado para ser santo e irrepreensível se ele precisa ser desfeito para surgir uma nova criatura? ( Rm 6;6 ). Deus não elege o homem sob o domínio do pecado porque o velho homem precisa morrer para Deus possa criar o novo homem em Cristo Jesus.

Como Deus escolheria o homem em pecado, se Deus elege o homem somente quando se está em Cristo? Se Deus “… nos elegeu n’Ele…”, acaso Cristo é ministro do pecado? Não! O homem em pecado não foi escolhido para ser santo e irrepreensível, antes, a nova criatura, aquele que está em Cristo, é a escolhida para ser santa e irrepreensível.

Jamais Deus elegeria ou predestinaria os homens sob o pecado, pois antes de ser servo da justiça o velho homem precisa ser crucificado e sepultado com Cristo. Se o velho homem é destruído para que o cristão tenha um encontro com Deus, como o homem em pecado pode ser escolhido ou predestinado?

A relação de equivalência na asserção:

a) ‘…se alguém está em Cristo…’, e;

b) ‘… nova criatura é’,

A relação a=b e b=a possibilita substituir no capítulo 1 da carta aos Efésios o ‘estar em Cristo’ por ‘nova criatura’.

Com a substituição teríamos a seguinte abordagem:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais por sermos uma nova criatura; Como também nos elegeu por sermos uma nova criatura antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele por sermos novas criaturas; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si por sermos novas criaturas. Por sermos novas criaturas temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça (…) novas criaturas vocês também são, depois que ouvistes a palavra da verdade…”.

O apóstolo procurou demonstrar aos cristãos em Éfeso que as benesses de Deus são pertinentes à nova criatura. Quando se admiti que, só após ser uma nova criatura é que se está de posse da redenção pelo sangue e da remissão das ofensas, tem-se que admitir também que só o homem em Cristo (nova criatura) assume a condição para a qual é eleito: santo e irrepreensível.

Tudo que foi demonstrado pelo apóstolo Paulo no capítulo 1 de Efésios refere-se aqueles que, primeiro esperaram em Cristo “… nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 ).

Quando o apóstolo Paulo menciona ‘… os que primeiro esperamos em Cristo’, não se refere aos apóstolos ou aos pais da igreja, antes diz daqueles que receberam as bênçãos porque ‘primeiramente’ creram em Cristo. Quando o homem crê em Cristo passa a ‘conhecer a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele’. Primeiro é necessário ao homem crer em Cristo (esperar, permanecer na palavra, ser discípulo), para depois conhecê-lo “Então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:32 ).

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! ‘Nos abençoou’, ou seja, o pronome na primeira pessoa do plural ‘nós’ demonstra que Deus abençoou ‘os que primeiro esperamos em Cristo’. Quem foi assentado nas regiões celestiais? ‘Nós’, ou seja, aqueles que foram feitos novas criaturas. Quem são os eleitos? ‘Nós’, ou seja, os que creram em Cristo! Quem é predestinado a ser filhos por adoção? ‘Nós’, os que esperamos em Cristo!

Segundo a riqueza da sua graça, Deus concedeu:

  • Sabedoria e prudência aos cristãos;
  • Revelou a sua vontade;
  • Foram feitos herdeiros, e;
  • Constituem-se louvor à Sua glória.

A quem Deus concedeu estas bênçãos? Aos que primeiramente esperaram em Cristo, ou seja, aos cristãos! Em momento algum o apóstolo Paulo faz referencia aos não cristãos.

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo deixa registrado tudo o que é pertinente à nova criatura, ou seja, ele faz alusão à nova condição pertinente aos cristãos, aqueles que esperam em Cristo, e que, apesar de desconhecer as benesses desta nova condição, também eram nova criaturas e necessitavam se conscientizar do que receberam após crer no evangelho ( Ef 1:13 ).

Tudo que o apóstolo dos gentios demonstra tem por sujeito os cristãos, sendo utilizada a primeira pessoa do plural (nós) para fazer referencia a tudo quanto os cristãos receberam após estarem em Cristo.

O que o apóstolo faz é lançar luz aos olhos do entendimento dos cristãos, para que eles soubessem o montante (todas) de benesses que receberam ao aceitar o chamado do Senhor segundo o evangelho ( Ef 1:18 ). O apóstolo assim o faz porque os cristãos de Éfeso desconheciam a riqueza da glória da herança de Deus nos santos.

Eles deviam saber que, o poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos foi o mesmo que operou sobre os cristãos por terem crido na mensagem do evangelho ( Ef 1:20 ), e que o mesmo Deus que fez o Senhor Jesus assentar a sua direita, também fez com que os cristãos assentassem nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo escreveu aos santos e fiéis em Cristo, ou seja, escreveu àqueles que são novas criaturas, que estão assentados nas regiões celestiais, que são herdeiros e herança, selados com o espírito santo da promessa, redimidos do pecado, gerados de novo para serem filhos por adoção (predestinados) e de posse da irrepreensibilidade e santidade que só é próprio aos de novo gerados em Cristo (eleitos).

Deus escolheu de antemão todos os que seriam gerados de novo para serem irrepreensíveis e santos. Deus predestinou todos os que seriam gerados de novo, segundo Cristo, para serem filhos de Deus por adoção.

Nenhuma destas benesses é pertinente aos filhos de Adão. Os filhos de Adão são imundos e infiéis. Não são eleitos e nem predestinados. Foram amaldiçoados e são cansados e oprimidos, ou seja, não encontraram descanso. Não são herança e nem herdeiros de Deus.

Como Cristo foi eleito para conduzir muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), e antes mesmo da fundação do mundo fora ofertado como cordeiro imaculado ( Ap 13:8 ), de antemão Deus elegeu (escolheu) os descendentes do último Adão, que é Cristo, para serem santos e irrepreensíveis, ou seja, elegeu aqueles que primeiro esperam em Cristo.

De igual modo, Deus estabeleceu os descendentes do Descendente, que é Cristo, como sua herança peculiar e os predestinou para serem filhos por adoção “… com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 e Ef 1:5 ).

A condição de filhos por adoção é para louvor e glória da sua graça, uma vez que os cristãos foram feitos agradáveis a Deus por esperarem em Cristo, ou seja, primeiro crerem na mensagem do evangelho e foram de novo criados, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, ou seja, irrepreensíveis e santos ( Ef 4:24 ). Ao crer na mensagem do evangelho, os cristãos receberam poder para serem feitos filhos de Deus, tornando-se agradáveis a Deus através do Amado Senhor Jesus Cristo ( Jo 1:12 ).

 

Velha Criatura

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo trata somente do que é pertinente aos cristãos. No capítulo 2, o apóstolo trás a lembrança dos cristãos qual era a condição deles antes de crer no evangelho de Cristo.

Após demonstrar aos cristãos que eles eram obras realizadas por Deus, criados em Cristo Jesus “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Ef 2:10 ), o apóstolo Paulo fez com que lembrassem que, houve um tempo em que todos não tinham esperança “Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” ( Ef 2:11 -12).

Ora, se noutro tempo os cristãos não tinham esperança, segue-se que nenhum deles era eleito ou predestinado à salvação aos moldes do que foi alardeado pelos reformadores, pois, se assim fosse, todos eles tinham uma esperança.

Como nova criaturas, os cristãos vivem um novo tempo de justiça, e paz e alegria no Espírito Santo ( Rm 14:17 ). Após ser gerado de novo, o calendário de medição do tempo do novo homem também muda. Ao fazer referencia a antiga condição, o apóstolo Paulo diz: “Noutro tempo”, ou “outrora”.

Quando os cristãos estavam sem Cristo eram estranhos à aliança da promessa, não tinham esperança, estavam sem Deus, e, por natureza, eram filhos da ira ( Ef 2:12 e Ef 2:2 -3).

Todos os homens gerados de Adão são filhos da desobediência, e, portanto, filhos da ira. Não têm esperança, pois entraram por uma porta larga que os conduz à perdição. Todos quantos querem ser salvos, precisam entrar pela porta estreita, que é Cristo, ou seja, precisam nascer de novo.

O último Adão é a porta estreita (por onde os homens entram e são conduzidos à salvação), e o primeiro Adão a porta larga (por onde os homens entram e são conduzidos à perdição).

Se a eleição e a predestinação fossem aos moldes da doutrina calvinista ou arminianista contrariaria o exposto pelo apóstolo Paulo, uma vez que alguns homens sempre estiveram de posse de uma garantia. Estes seriam filhos da desobediência, porém, não seriam filhos da ira. Nunca seriam perdidos de fato, pois antes mesmo de serem gerados já estavam destinados a salvação.

Mas, não é assim a verdade do evangelho, visto que, quanto ao trato passado (condição), todos os cristãos estavam efetivamente mortos, e, portanto, perdidos ( 1Co 15:22 ). A salvação se da através das boas novas do evangelho, ou seja, alguém anuncia as boas novas do evangelho e os que ouvem precisam crer ( 1Co 15:2 ; Rm 10:14 ).

A salvação em Cristo não se dá pela eleição e nem pela predestinação, como apregoam os que dizem que a soberania divina não coaduna com o livre arbítrio do homem. Para justificar este posicionamento, perguntam: Se o homem está morto, como poderia decidir servir a Deus? Esquecem do alerta de Cristo que diz: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

A condição do homem não é causa de impedimento para que se possa crer em Cristo, visto que, ainda que esteja morto, ao crer em Cristo, viverá.

Para que os cristãos alcançassem as benesses pelas quais o apóstolo Paulo bendiz a Deus no capítulo 1, foi necessário Deus vivificá-los, pois estavam todos mortos ( Ef 2:1 ). Para vivificar os cristãos, Deus ressuscitou-os juntamente com Cristo e os fez assentar nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo aponta dois tempos e duas condições específicas na vida dos cristãos: outrora éreis trevas, agora sois luz no Senhor (no Senhor=em Cristo=nova criatura), ou seja, sois luz por ser nova criatura “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR” ( Ef 5:8 ).

Mas, como os cristãos se tornaram luz? Foram escolhidos dentre os perdidos para serem luz? Foram predestinados para serem luz? Não!

O apóstolo João é claro ao repetir as palavras de Cristo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ). Ou seja, é necessário ao homem crer na luz para ser filho de Deus. Qualquer que recebe a Cristo, ou seja, crê na mensagem do evangelho, recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ).

Deixar de considerar que o apóstolo Paulo faz referencia a dois tempos, duas condições e dois tipos de criaturas no capítulo 1 da carta aos efésios, faz com que surja e se perpetue alguns erros de interpretação.

Os reformadores erraram:

  • Ao estabelecer como finalidade da eleição e da predestinação a salvação, e;
  • Por não levar em conta que o apóstolo Paulo faz referência a dois tipos de criaturas.

Erraram ao estabelecer que Deus elegeu e predestinou dentre os filhos da desobediência de Adão alguns para serem salvos. Deixaram de observar que a eleição refere-se à santidade e irrepreensibilidade, e que a predestinação refere-se a filiação.

Após observar que há os filhos da ira e os filhos da luz, e que, para ser filho da luz é necessário crer na luz, conclui-se que, antes da fundação do mundo Deus estabeleceu que, os que cressem na mensagem do evangelho, receberiam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e na condição de eleitos de Deus são santos e irrepreensíveis ( Tt 1:1 ).

Isto que dizer que, de antemão Deus estabeleceu um único destino (predestinou) aos que haveriam de crer em Cristo: seriam salvos da condenação estabelecida em Adão e seriam filhos por adoção.

Quando o apóstolo escreve aos cristãos em Éfeso, capítulo 1, ele trata única e exclusivamente das bênçãos que Deus concede aos cristãos na condição de novas criaturas. Para fazer alusão às bênçãos concedidas por Deus, o apóstolo utiliza os verbos no pretérito perfeito (elegeu, predestinou, deu, derramou, desvendou, etc.), tendo por sujeito dos verbos no pretérito perfeito, os cristãos (nos), e não aqueles que são filhos da ira e da desobediência.

Deste modo não há contradição alguma entre a soberania e o livre-arbítrio do homem, pois os filhos da ira são provenientes de uma geração e os filhos da luz proveniente de outra geração. A geração dos ímpios é segundo o sangue, a vontade da carne e a vontade do varão, e a geração dos justos segundo a vontade de Deus.

A geração dos ímpios jamais foi eleita, pois a eleição é pertinente a geração dos justos, como se lê: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ).

Os cristãos são geração eleita, pois a geração segundo a carne foi rejeitada. Como os cristãos alcançaram a eleição? Deus os chamou através do evangelho das trevas para a luz, ou seja, não foram predestinados e nem eleitos. Foram chamados!

 

Salvação e a filiação

No capítulo 1 da carta aos Efésios o apóstolo Paulo faz alusão ao propósito eterno de Deus. Qual o propósito eterno de Deus? Ora, o propósito eterno não se refere à salvação do homem, pois apesar de Deus querer e salvar os homens, há um tempo pré-determinado para a obra redentora ser encerrada.

A salvação é eterna, porém, Deus não continuara salvando os homens por toda a eternidade, portanto, a obra redentora de Deus não se refere ao propósito eterno.

O propósito eterno diz de algo que nunca terá fim, ou seja, o único evento que nunca terá fim é a preeminência de Cristo, pois ela perdurará pela eternidade ( Ef 1:10 ).

É propósito eterno de Deus:

  • Que a multiforme sabedoria de Deus seja revelada aos principados e potestades nas regiões celestiais;
  • Que Cristo tenha a preeminência em tudo;
  • Que Cristo seja o primogênito de toda criação;
  • Que Cristo seja o primogênito dentre os mortos, e;
  • Que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Através da igreja, que é o corpo de Cristo, Deus concretizou o seu propósito eterno!

Em todos os tempos os homens são salvos por Deus mediante a fé, porém, a condição dos membros do corpo de Cristo é diferente da condição dos outros salvos que existiram ao longo da história da humanidade. Como?

Ora, os homens são salvos em todos os tempos pela fé em Deus, pois Deus salvou e salvará:

  • Antes da lei de Moisés;
  • Durante o período da lei de Moisés;
  • Durante o período das boas novas do evangelho;
  • No período da grande tribulação, e;
  • Durante o milênio.

Porém, diferente dos outros salvos, que continuarão na posição de homens, a igreja de Cristo foi elevada a categoria de ‘semelhantes a Deus’, posição superior a dos anjos, uma vez que serão semelhantes a Cristo ( 1Jo 3:2 ). Observe a tabela abaixo:

 

Hierarquia dos seres antes da constituição da Igreja

Hierarquia dos seres depois da constituição da Igreja

Criador

Deus

Deus

Criaturas

—————-

Semelhantes a Deus

Anjos

Anjos

Homens

Homens

 

Aos salvos que não são membros do corpo de Cristo, que é a igreja, não será dado a autonomia de julgar os anjos ( 1Co 6:3 ), mas a igreja julgará o mundo e os anjos ( 1Co 6:2 -3).

Diferentemente dos salvos de outras épocas, a igreja foi participante da morte de Cristo e passou a ser semelhante a Ele na ressurreição “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6:5 ; Cl 3:1 -3).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, também operou sobre os membros do corpo de Cristo, a igreja ( Ef 1:19 ). Cristo é o primogênito dentre os mortos, e o seu corpo, também nomeado de a universal assembléia, é a igreja dos primogênitos ( Hb 12:23 ).

Cristo é Filho e herdeiro de todas as coisas, e os membros do seu corpo, filhos e co-herdeiros, pois é certo que os cristãos com Ele morreram (padecemos) para com Ele serem glorificados (ressurgir) ( Rm 8:17 ; Cl 3:3 ).

Tal qual Cristo é, é a sua igreja aqui neste mundo ( 1Jo 4:17 ). A igreja possui a imagem de Cristo, pois qual o Celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:47 -48). Esta condição é efetiva hoje, agora, não diz de algo para o futuro ( Ef 5:8 ).

Conclui-se que, todos os salvos de todas as épocas são filhos de Deus, porém, nem todos os salvos são qual o último Adão, que é Cristo. Há muitos filhos, mas somente a igreja é conforme a imagem de Cristo. Há muitos salvos, porém, somente através da igreja Cristo tornou-se primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

O apóstolo João e o apóstolo Paulo anunciaram que todos os cristãos receberam da plenitude de Cristo ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 -11), ou seja, todos são participantes da natureza divina, pois a semente de Deus permanece neles ( 2Pe 1:4 ; 1Jo 3:9 ).

A condição da igreja é tão diferenciada da dos outros salvos que os profetas estavam cientes que a graça que seria concedida à igreja não era igual a que lhes pertencia ( 1Pe 1:12 ).

As potestades e principados, por sua vez, desconheciam qual a multiforme sabedoria que foi revelada na igreja ( Ef 3:10 ), e assim como os profetas da antiga aliança também desejaram compreende-la “… para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 b).

Este verso tem causado inúmeros equívocos, visto que os anjos não desejaram anunciar o evangelho como muitos apregoam, antes eles desejavam atentar para as mesmas coisas que os profetas desejavam compreender Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 ).

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ).

Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).

No entanto, a manifestação dos filhos de Deus somente se dará quando Cristo se manifestar, e, então, a igreja será manifesta com Cristo em glória, ou seja, semelhantes a Ele ( Cl 2:11 ; 2Co 5:4 ; 1Co 15:53 -54).

Deus levou a efeito o seu propósito eterno quando adquiriu um povo, gerado segundo a palavra da verdade, constituído sacerdócio real e nação santa para que Cristo tenha a preeminência em tudo. Como? Através da igreja Cristo é o mais sublime entre os sublimes. Ele é o primogênito entre muitos irmãos! “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ).

Somente através da igreja, o Servo do Senhor, o Filho do Altíssimo, é exaltado, elevado e mui sublime.

 

Conheceu e Predestinou

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Após alertar que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que há de ser revelada, e lembrar a expectativa da criação quanto a revelação dos filhos de Deus ( Rm 8:18 -22), o apóstolo Paulo demonstrou estar ansioso quanto a redenção do corpo ( Rm 8:23 ).

Ele reitera o que os cristãos deviam saber: que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus ( Rm 8:28 ), ou seja, os ‘que amam a Deus’ são aqueles que foram ‘chamados segundo o seu propósito’.

Quem são os chamados? Todos os que ouvem a mensagem do evangelho. Quem são os que amam a Deus? Todos que atenderam o chamado contido no evangelho.

Ora, somente as ‘boas novas’ do evangelho promove o propósito de Deus, pois todos os que foram ‘conhecidos’ de Deus, também foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo ( Rm 8:29 ).

Deste verso surgem algumas perguntas essenciais a compreensão:

  • O que é conhecer a Deus?
  • O ‘dantes’ refere-se a que?
  • Foram predestinados a que?
  • Com que propósito Deus chama os homens através do evangelho?

Conhecer a Deus “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ) – ‘Conhecer’ a Deus não é ter ‘ciência’, ‘saber’ ou ‘conhecimento acerca de’ Deus, antes, ‘conhecer’ é tornar-se um só corpo e um só espírito com o Pai e o Filho ( Ef 4:4 ), ou seja, refere-se a comunhão intima ( 1Co 1:9 ). Assim como o homem torna-se um só corpo ao ‘conhecer’ a mulher, conhecer a Deus, ou antes, ser conhecido d’Ele, diz de comunhão intima. Conhecer a Deus é algo pertinente ao tempo presente dos cristãos “Mas, agora…” ( Gl 4:9 ).

Dantes conheceu – A que tempo refere o ‘dantes’? O que ‘dantes conheceu’ é o mesmo que ‘… primeiro esperamos em Cristo’ ( Ef 1:12 ). Os que primeiro esperaram em Cristo são os que conheceram a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele. Os que ‘dantes’, ou os que ‘primeiro’ conheceram a Deus, por esperar em Cristo, são os que foram feitos herança e predestinados segundo o propósito de Deus ( Ef 1:11 -12). ‘Dantes conheceu’ remete a mesma ideia que o apóstolo Paulo expôs aos cristãos da região da Galácia: conhecendo a Deus, ou ANTES, sendo conhecido d’Ele ( Gl 4:9 ). Este ‘dantes’ não tem relação com a ‘pré-ciência’ de Deus.

Predestinados a quê? – Deus predestinou os que ‘dantes’, ou seja, que em primeiro lugar O conheceram ao crer no evangelho para serem conformes à imagem de seu Filho. Observe que ninguém é predestinado a salvação! Antes de ser predestinado a ser conforme a imagem do Filho é necessário ao homem ‘conhecer’ a Deus, ou antes, ser ‘conhecido’ d’Ele.

O evangelho do propósito eterno – A oferta de salvação em Cristo, além da redenção do homem, faz parte do propósito eterno de Deus, que é tornar o Unigênito Filho de Deus no Primogênito de Deus entre muitos irmãos. Para tanto, todos os que creem no evangelho, além de salvos, são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo.

Somente os que primeiro ‘conheceram’ a Deus por intermédio do evangelho são predestinados à filiação divina. Ninguém é predestinado a ‘conhecer’ a Deus, ou seja, ninguém é predestinado a salvação, antes, é necessário primeiramente (dantes) crer em Cristo, que o homem terá o seu destino definido conforme o que foi proposto na eternidade: será conforme a imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

E qual o propósito de Deus ao conceder filiação aos remidos segundo a graça demonstrada no evangelho? Que o Unigênito Filho de Deus, que foi morto e ressurgiu, seja o primogênito dentre os mortos com muitos irmãos.




Que ‘vara’ utilizar ao educar uma criança?

É comum, em nossos dias, os educadores questionarem a validade da Bíblia nas questões de ordem educacional sob o argumento de que a Bíblia é um livro anacrônico. Sera?


Que ‘vara’ utilizar ao educar uma criança?

“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” ( Provérbios 22:15 )

Introdução

Em função do provérbio “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” ( Pv 22:15 ), muitos pais questionam se podem ou se devem corrigir os seus filhos utilizando–se de uma vara. Para respondê-los, primeiro analisaremos o versículo.

 

Um provérbio hebraico

Um provérbio ou dito popular de cunho secular, geralmente, é uma frase curta, de autoria desconhecida, e que é repetida sistematicamente em uma determinada cultura por sintetizar um senso comum.

Com relação aos provérbios contidos no Livro dos Provérbios, sabemos que, quem escreveu e organizou muitos deles foi o rei Salomão e, por sua inspiração e relevância, fazem parte das Escrituras.

Vale destacar que a composição dos provérbios hebraicos assemelha-se à poesia hebraica, pois muitos provérbios foram construídos através de repetições de ideias que denominamos paralelismo. Para compor um verso através de paralelismo, geralmente é necessário que o provérbio possua um antecedente e um consequente, o que estabelece um somatório de ideias que se complementam ou se excluem.

 

A estultícia e a criança

O provérbio estampado no verso 15, do capítulo 22 do livro dos Provérbios apresenta uma realidade fática:

‘A estultícia está ligada ao coração da criança…’.

Por estultícia entende-se estupidez, parvoíce, tolice, etc. Quando o versículo estabelece que a estultícia está vinculada ao coração da criança, ela faz referência a uma característica, uma peculiaridade que é própria a uma faixa etária da vida do homem, ou seja, do infante, que age sem pensar, ou que comportar-se de maneira tola.

O Pregador apresenta a estultícia como ente vinculado ao coração da criança, por conseguinte, a estultícia não deve fazer parte da sua essência, de modo que o coração da criança e a estultícia devem ser separados.

É em razão desta dissociação: criança e estultícia, que se faz necessário orientar, educar e corrigir a criança.

 

A vara da correção

Antes de prosseguirmos, vale destacar que o termo hebraico traduzido por ‘vara’ (shebet) procede de uma raiz não utilizada, e que possui diversos significados:

“1) vara, bordão, ramo, galho, clava, cetro, tribo; 1a) vara, bordão; 1b) cabo (referindo-se a espada, dardo); 1c) bordão (apetrecho de um pastor); 1d) bastão, cetro (sinal de autoridade); 1e) clã, tribo” Dicionário Strong.

Após apresentar uma realidade fática acerca da criança, o provérbio apresenta uma solução:

“… mas a vara da correção a afugentará dela” ( Pv 22:15 ).

Da solução que o provérbio apresenta, imediatamente surgem várias perguntas: que tipo de vara? Uma vara de marmelo? Uma vara pequena? Uma vara macia? A vara pode ser substituída por uma cinta? Um chinelo pode ser utilizado como vara? Surte o mesmo efeito utilizar a mão em lugar de uma vara?

As perguntas parecem pertinentes, porém, evidencia adultos ávidos por soluções fáceis, e a pressa em determinar o tipo de vara a ser utilizada conduz o leitor ao equivoco.

Para uma boa interpretação do texto, primeiro é imprescindível questionar qual é a ideia que se depreende do termo ‘vara’, pois o provérbio trata de uma vara específica: a vara da correção.

A vara que possui a capacidade de afugentar, dissociar, a parvoíce do coração da criança, assim como são expulsos os animais indesejáveis de um determinado recinto, diz da ‘vara da correção’, e não uma vara de ‘marmelo’, ou uma vara de ‘amora’, vara de ‘goiabeira’, etc.

Substituir a vara da correção por qualquer outro tipo de vara não afastará a parvoíce do coração da criança. Pode até afastar a criança de quem utiliza qualquer outra vara, mas a estultícia continuará no coração.

O texto instrui que se deve utilizar a vara da correção para afugentar a tolice, não que se deva simplemente fustigar a criança.

O provérbio em comento não estabelece que a ação de desferir varadas em uma criança separará a parvoíce do coração, antes é a vara da correção que expulsa a loucura do coração do infante.

 

A correção como vara

É comum, em nossos dias, os educadores questionarem a validade da Bíblia nas questões de ordem educacional sob o argumento de que a Bíblia é um livro anacrônico. Tal argumento deriva da leitura equivocada do Provérbio:

“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” ( Pv 22:15 ).

Ora, o provérbio em comento não apresenta as varas que produzem folhagens e frutos nas árvores como instrumento de educação, mas a fala equivocada de alguns propala o pensamento de que, para educar, basta aplicar varadas na criança.

Um provérbio é utilizado para evidenciar uma ideia de modo rápido e sucinto, e, para cumprir o seu propósito, os provérbios são construídos através de figuras. As figuras que compõem um provérbio não devem ser interpretadas de modo literal, antes as figuras são utilizadas para evidenciar um princípio.

Por exemplo, quando se lê o provérbio: “Onde há fumaça, há fogo”, a construção do provérbio através dos elementos ‘fumaça’ e ‘fogo’ tem o fito de evidenciar a lei da física da causa e efeito. Ora, a fumaça é o resultado da queima de algo, de modo que, se há fumaça, presume-se que há fogo.

O provérbio acima pode ser utilizado em qualquer diálogo para evidenciar a relação de causa e efeito, de modo que, quando realmente há a combustão de qualquer material que produz fumaça, o provérbio geralmente não é utilizado.

Portanto, quando lemos o provérbio acerca da ‘vara da correção’ é imprescindível considerar que a ‘vara’ é uma figura utilizada para tornar compreensível o conceito de educar, instruir e corrigir. O provérbio não evidencia uma vara colhida de uma árvore.

O Pregador evidencia o valor da instrução, da correção, utilizando-se da vara como figura. Assim como a vara é utilizada por um pastor de ovelhas como instrumento de condução do rebanho, a vara da correção é o instrumento que os pais devem utilizar para conduzir a criança à sabedoria. Deste modo, fica evidente que o versículo bíblico institui através da figura ‘vara da correção’ um conjunto de medidas a serem adotadas que afugentará a tolice do coração do infante: o ensinar, o redarguir, o exemplo, a exortação, a admoestação e a punição.

É um equivoco considerar que somente através de castigos físicos se afugentará a estultícia do coração do infante, pois a correção depende da combinação das medidas elencadas acima.

 

O tolo e o aprendizado

A ‘correção’ é um instrumento aplicável à criança, e não ao adulto. Quanto ao adulto, a correção deixa de ser um instrumento efetivo, pois a realidade do adulto que não adquiriu sabedoria é expressa no seguinte provérbio:

“Ainda que repreendas o tolo como quem bate o trigo com a mão de gral entre grãos pilados, não se apartará dele a sua estultícia” ( Pv 27:22 ).

A repreensão é efetiva quando aplicada à criança, pois a tolice nesta fase da existência do homem é apresentada dissociável do coração.  No caso do adulto, ou seja, do tolo, a repreensão não é um instrumento efetivo, pois a tolice já não é dissociável.

Mesmo que o educador aumente em intensidade a instrução, com intensidade comparável à força que com o pilão se aplica sobre o grão de trigo para apartar a casca do grão, a estultice não se apartará dele. Observe que o provérbio não estabelece que, para repreender o tolo é necessário agressões físicas, antes que, mesmo que a instrução seja intensa, não haverá resultado.

A correção é como um instrumento, uma ferramenta, para lidar com o homem na sua tenra idade, ou seja, a educação é uma ferramenta para tratar especificamente com crianças, pois no homem formado a correção perde sua eficácia.

A má leitura dos versos bíblicos compromete a educação que os pais dispensam aos seus filhos, que em vez de educar as crianças, simplesmente lançam mão de uma vara e se restringem a aplicar castigos físicos.

Vale destacar que, da mesma forma que não se utiliza a ‘mão de gral’ para educar um tolo, não se utiliza apenas vara para instruir uma criança ( Pv 27:22 ).

 

Quem são os que aprendem o temor do Senhor

Até aqui abordamos o provérbio segundo uma perspectiva secular, no entanto, faz-se necessário abordarmos uma questão de ordem espiritual.

A Bíblia apresenta a instrução, o ensino, a orientação, a correção, como instrumento efetivo de educação, conforme-se lê: “Ensina o menino no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” ( Pv 22:6 ).

Até mesmo com relação à salvação, o ensino é o instrumento fundamental para que o homem possa se inteirar da vontade de Deus para que possa realiza-la “E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” ( Dt 6:7 ).

A ordem que consta do verso 6 do Provérbio 22 é para instruir o menino, a criança, dando lhe o exemplo a seguir (caminho). Uma vez no caminho, mesmo que a criança cresça e se torne homem feito, jamais se desviará.

Observe que o Provérbio está em consonância com a ordem divina que consta em Deuteronômio: “E as ensinarás a teus filhos…”, e o convite exarado nos salmos: “Vinde, meninos, e aprendei o temor do Senhor”.

O povo de Israel, quando recebeu o mandamento de Deus ( Dt 6:1 ), eram homens formados, adultos, e a instrução divina não lhes surtiu efeito, pois pereceram no deserto. Somente dois escaparam: Josué e Calebe.

Por não se deixarem instruir, o povo de Israel era tido por loucos, tolos, homens de ‘dura cerviz’ (desobedientes) “Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios, e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem” ( Jr 4:22 ), mas, os homens que se deixam instruir são comparáveis a meninos, daí o convite de Deus: “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” ( Sl 34:11 ).

Sabendo que o adulto é arredio à instrução, Jesus disse aos seus interlocutores: “E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” ( Mt 18:3 ); “Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele” ( Mc 10:15 ).

A conversão demanda mudança de concepção (metanoia=arrependimento), pois é necessário ao homem abandonar seus conceitos e submeter-se a uma nova matéria. ‘Fazer-se como menino’ é dar ouvidos à instrução de Jesus, pois é Ele que veio ensinar o temor do Senhor aos homens.

Fazer-se menino não é o mesmo que ser inocente, desavisado, simples, visto que o desavisado é penalizado assim como o tolo ( Pv 27:12 ). Na verdade o simples (inocente), o louco e o escarnecedor estão no mesmo bojo ( Pv 1:22 ). Fazer-se menino é deixar ser instruído pelo Senhor, por isso a abordagem espiritual do provérbio: “Ensina o menino no caminho em que deve andar”.

O convite de Cristo é efetivo para aqueles que se deixarem instruir, ou seja, para aqueles que se fizerem como meninos: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ). Como tomar sobre si o jugo de Jesus? Obedecendo-O. Aquele que se submete ao jugo de Cristo é humilde, pois se fez servo, ou seja, humilhou-se a si mesmo.

Aquele que se faz servo, humilhou-se a si mesmo, pois diminuiu (reduziu-se à servidão), se fazendo como menino. Aquele que toma sobre si o jugo está apto a aprender de Cristo, pois ao sujeitar-se a Cristo reduziu-se à servidão, tornou-se como menino.

Quando o Salmista profetizou dizendo: “Vinde, meninos, ouvi-me”, em espirito estava instruído o povo de Israel a estarem, como meninos, abertos ao conhecimento que o Messias traria, pois os ‘meninos’ são os quebrantados, os contritos, os pobres, os humildes que recebem o reino “Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” ( Sl 34:18 ).

Mas, os filhos de Israel não se deixaram instruir pelo Filho de Deus, porque confiavam que eram guias dos cegos, luz dos que estão em trevas, instrutores dos néscios e mestres de crianças. Não se fizeram como meninos, não submeteram ao temor do Senhor “E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei” ( Rm 2:19 -20).

O objetivo do evangelho é a salvação. O evangelho é comparável à semente, e o coração do homem à terra. Aquele que ouve a palavra de Deus e a compreende produzirá muito fruto, de modo que, a compreensão do evangelho se traduz em obediência ( Mt 13:23 ). O evangelista tem a missão de semear a semente de modo que submeta o entendimento do ouvinte ao senhorio de Cristo, que é crer que Jesus é o enviado de Deus “Levando cativo todo o entendimento à obediência…” ( 2Co 10:5 ).

 

Corrigindo uma criança

A correção (vara) é o elemento de maior importância na educação de uma criança. A correção parte do pressuposto de que a criança de per si procurará guiar-se através do seu conhecimento rudimentar, porém, ela necessita de um cuidado especial, pois o seu entendimento deve ser ajustado, corrigido.

Há duas áreas do saber a ser trabalhado com uma criança: a) conhecimento, e; b) sabedoria. Portanto, é imprescindível que os pais saibam distinguir entre educar e transmitir informações. Educar é abrangente e vai muito além do processo de transmissão de conhecimento, pois envolve a formação do caráter e a personalidade do indivíduo.

A aquisição de conhecimento é um processo natural de desenvolvimento do ser humano, que tem inicio após o nascimento, se estende por toda a vida, e se dá através da inteiração com o mundo. Inicialmente, muito do que a criança aprende decorre da experimentação entre conforto e desconforto.

O cuidado dos pais vai além de alimentação e vestimenta, pois o maior desafio dos pais é a construção do caráter do futuro homem.

Em nossos dias o maior investimento que os pais fazem para com os seus filhos se dá na área da transmissão do conhecimento e, para isso contam com altos investimentos do governo. Subsidiariamente temos a televisão, a internet, os jogos eletrônicos, eletroeletrônicos, etc., que aceleram o processo de assimilação de conhecimento.

Na antiguidade a transmissão de conhecimento, maciçamente, ficava a cargo dos pais e restringia-se ao conhecimento pertinente a profissão do pai. Poucos dispunham do privilégio de frequentar os bancos escolares para aprender a ler e escrever e optar por uma profissão.

A instrução é um oficio delegável, de modo que as crianças são instruídas por professores e mentores, e as matérias lecionadas são inúmeras. Aprender a ler, escrever, calcular, etc., é conhecimento que pode ser ensinado a qualquer tempo, e não há idade limite.

Apesar do investimento na área do conhecimento hoje, pouco se investe no campo da sabedoria. Cada vez mais cedo as crianças são encaminhadas para adquirir conhecimento, são encaminhadas a frequentar as escolas. Mas o ensino nas escolas visa o mercado de trabalho, e pouco se dedica ao ensino da convivência harmoniosa. Os pais não devem apreciar demais aquisição de conhecimento em detrimento de adquirir sabedoria.

Instruir em sabedoria é função de quem detém o pátrio poder e acompanha todo o processo de desenvolvimento da criança. A vara da correção é ferramenta disponível aos pais, pois eles são detentores do poder/dever de ensinar o contentamento, a discrição, a camaradagem, a parcimônia, etc.

A estultícia ligada ao coração da criança só é afastada quando há correção no campo do juízo, da justiça e da prudência (sabedoria).

A correção que os pais devem impor aos filhos visa desenvolver um senso de justiça, equidade, retidão, juízo, pois através destes elementos o infante tornar-se-á prudente, sábio.

O pai que não instrui o seu filho não o ama. O termo amor aqui não deve ser interpretado como um sentimento de afabilidade para com a prole, antes diz de cuidado. O amor traduz-se em cuidado dos pais para com os filhos, e o amor dos filhos para com os pais em obediência.

Se o pai não instrui, não repreende, não corrige e nem disciplina, não está cuidando do seu filho, portanto, não o ama. É neste sentido que o termo vara é empregado no provérbio que se segue: “O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga” ( Pv 13:24 ).

O pai que não corrige (vara) o seu filho não exerce a sua função, em outras palavras, não ama o filho. Por outro lado, o que ama faz uso da vara (correção) desde a mais tenra idade. O termo ‘amor’ possui um veio funcional, e não emocional, como entendemos em nossos dias.

O escritor aos Hebreus, ao falar do amor de Deus para com aqueles que Ele recebe por filhos, disse: “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho” ( Hb 12:6 ). A correção e o amor estão intimamente ligados, assim como a paternidade e o dever de disciplinar (açoite): “Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão” ( Pv 3:11 ; Hb 12:5 ).

Deixar de disciplinar e corrigir é prova velada da falta de amor dos pais para com os filhos. A criança conduzida com correção, disciplina, não terá amalgamada ao coração a tolice, a parvoíce, de modo que será prudente, sábia e permeável a repreensão sempre, diferente do tolo “A repreensão penetra mais profundamente no prudente do que cem açoites no tolo” ( Pv 17:10 ).

A criança instruída e corrigida através da vara da correção tornar-se um adulto que não despreza instrução, por outro lado, a criança largada a mercê da parvoíce tornar-se um adulto tolo, e por mais que sofra as punições proveniente de suas ações, dificilmente corrigirá a sua maneira de ser.

O provérbio demonstra que a repreensão, quando aplicada sobre o sábio é efetiva, de modo que o sábio se conduzirá de maneira a evitar ações que o leve a ser punido “O tolo despreza a instrução de seu pai, mas o que observa a repreensão se haverá prudentemente” ( Pv 15:5 ); já o tolo não sofre a correção, mesmo que ele seja repreendido cem vezes mais que o sábio, nada mudará em seu ser “Na boca do tolo está a punição da soberba, mas os sábios se conservam pelos próprios lábios ( Pv 14:3 ).

Isto indica que a criança é moldável como a argila, maleável, elástica, característica que não se aplica ao adulto. Daí a ordem: “Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno” ( Pv 23:13 -14).

Alguém poderá inferir da passagem acima: – ‘Há! É necessário açoitar meu filho com vara de marmelo, pois fustiga-lo com vara de marmelo não o matará’. É obvio que fustigar uma criança com uma vara não leva a morte física, porém, não é este pressuposto que o provérbio enfatiza.

O objetivo do proverbio é destacar a funcionalidade da disciplina, pois a disciplina é a vara da correção que afasta a parvoíce e não causa a morte física.

O que o pregador determina? Ele determina de modo objetivo que a disciplina não pode ser afastada da criança. Ponto! O que é a disciplina? A disciplina é a ‘vara da correção’. A criança deve ser estimulada constantemente com instrução, ensino, orientação, correção e, na desobediência, que seja aplicada a punição.

O leitor deve lembrar que os provérbios são construídos com elementos que são próprios à poesia hebraica: paralelismo. Temos neste provérbio uma variante do paralelismo sinônimo, o paralelismo emblemático, pois o provérbio expressa um pensamento utilizando-se de um misto de literalidade e metáfora. A metáfora complementa o que é literal, e vice-versa.

Literalidade: “Não retires a disciplina da criança…”;

Metáfora: “… pois se a fustigares com a vara (da correção ou da disciplina),…”

Literalidade: “… nem por isso morrerá”.

Pensamento completo expresso por metáforas, o que é próprio ao provérbio: “Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno”, ou seja, se o infante for disciplinado com a vara da correção, na verdade será livre da sepultura, pois a morte (sepultura) é a pena dada aos tolos.

Quantos males uma criança adequadamente corrigida evitará em sua vida adulta?

A disciplina é imperativa: “Tu a fustigarás com a vara…”, o que demonstra que educar não é uma faculdade, antes um dever, é imperativo, e compete aos pais ministra-la, pois assim como há uma promessa para os filhos que honram (obediência) os pais, há uma maldição de morte para os filhos que são desobedientes “Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR teu Deus” ( Dt 5:16 ; Pv 1:32 ).

Quando a criança é instruída em retidão, justiça, juízo, equidade, prudência, bom siso, saberá gerir os seus sentimentos e controlar as suas emoções. Não se desviará da rota que os seus pais traçaram e viverá bem “O caminho para a vida é de quem guarda a disciplina (instrução), mas o que abandona a correção (repreensão) erra” ( Pv 10:17 ).

Este provérbio apresenta a visão do filho com relação à instrução do pai: “E ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive” ( Pv 4:4 e 10).

Quando não é instruída, a criança fica entregue ao seu coração, porém, o coração está unido à parvoíce. O louco perece por não dar crédito aos avisos. Não dar ouvidos aos avisos é loucura em excesso “Ele morrerá, porque desavisadamente andou, e pelo excesso da sua loucura se perderá” ( Pv 5:23 ).

Vale destacar que os provérbios que estamos analisando abordam questões humanas e espirituais, visto que quem guarda a instrução do Pai celeste herdará a vida eterna, mas também há promessa para quem guarda a instrução dos seus pais terrenos, pois terá os seus dias multiplicados na face da terra “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” ( Hb 12:7 -11).

A ‘disciplina’, o ‘temor’, a ‘correção’ do Senhor, do ponto de vista celestial, diz do evangelho de Cristo, do qual todos são participantes para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Qualquer que se sujeitar (condição de servo, menino) ao Pai dos espíritos obedecendo ao evangelho terá vida eterna. Aquele que se sujeita (suporta) à correção, Deus o recebe por filho, mas se alguém está sem disciplina (evangelho) é bastardo: “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ); “A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho” ( Ef 3:6 ).

Não podemos esquecer que o escritor aos Hebreus estava escrevendo a hebreus, homens que possuíam uma doutrina recebida dos seus pais por tradição, que diante da doutrina (disciplina) de Cristo sentiam tristeza quando corrigidos. Mas, para serem recebido por filhos, necessário lhe era sujeitarem-se à correção do Senhor: crer em Cristo.

Os pais não podem retirar a disciplina da criança, pois a disciplina é a vara da correção que afasta a tolice do coração da criança “A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe” ( Pv 29:15 ). A correção produz sabedoria, mas uma vara de marmelo ou qualquer outra não produz instrução.

Há traduções que rezam que a ‘vara’ e a ‘correção’ dão sabedoria, porém, a tradução acertada é a que reza ‘vara da correção’.

A correção está ligada à instrução, por isso assevera o Pregador: “Filho meu, ouve a instrução do teu pai, e não deixes a doutrina da tua mãe” ( Pv 1:8 ). O pegador não orienta os filhos a lembrarem das surras, antes da instrução, da doutrina.

O que esperar quando da repreensão? Conversão, mudança de pensamento, como está escrito: “Convertei-vos pela minha repreensão…” ( Pv 1:23 ), o que muitas vezes é confundido com punição. Punição, por si só não converte. A conversão não se dá pela punição. A mudança de pensamento da criança não decorre de surra!

 

Posso punir o meu filho?

Por ‘castigo’ temos as seguintes definições:

“1.pena imposta a quem cometeu delito ou falta 2.repreensão, admoestação, correção 3. (Taur.) ato de meter os ferros no toiro”.

Por ‘punição’ temos as seguintes definições:

“1.ato ou efeito de punir 2.qualquer tipo de castigo imposto a alguém por falta cometida 3.(Direito) pena a quem fez um crime ou delito, determinada por julgamento 4.(Figurado) situação embaraçosa e/ou penosa que alguém é obrigado a suportar”.

Quando lemos o versículo: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” ( Pv 22:15 ), qual é o sentido do termo correção? É o mesmo que castigo, ou é o mesmo que punição?

Ora, o provérbio em comento não trata de delitos, de crimes ou das faltas cometias contra a sociedade, antes o provérbio trata da parvoíce, da estultice, portanto, a vara que afugenta a estultícia do coração da criança diz da vara da correção que tem como elemento principal a instrução, a admoestação, a repreensão e a correção.

Através das definições dos termos ‘punição’ e ‘castigo’ que consta nos dicionários, verifica-se que os termos são intercambiáveis, o que demanda do leitor maior acuidade na análise da frase onde os termos estão inseridos.

Por que a necessidade de maior acuidade? Porque os termos são empregados tanto para eventos nos seio familiar quanto no seio da sociedade, de modo que, por intermédio dos termos é impossível determinar se os termos ‘punição’ e ‘castigo’ referem-se a delitos gravosos contra a sociedade, ou se trata de desobediência no seio familiar.

Do ponto de vista espiritual, quando alguém se converte a Cristo é o mesmo que ser levado cativo, ou seja, que a pessoa foi convencida a obedecer à verdade do evangelho. O novo cristão foi conduzido à servidão de Cristo, humilhou-se (altives abatida), visto que se fez servo espontaneamente.

O processo de levar cativo o entendimento de alguém à obediência de Cristo somente se dá por meio da admoestação, repreensão, correção “Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo; E estando prontos para vingar toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência” ( 2Co 10:5 -6).

O pecado cativa o corpo, a justiça o entendimento, pois este é um servo livre e aquele subjugado contra a própria vontade. O que é levado cativo a Cristo é o entendimento, demonstrando que a obediência é voluntária.

É possível cativar o corpo sem cativar a mente, mas é impossível cativar a mente e o corpo não obedecer.

Parece contraditório os termos ‘cativo’ e ‘obediência’, porém, faz-se necessário lembrar dos escravos voluntários, servos que após libertos pelos seus senhores, tinham as orelhas furadas como sinal de servidão voluntaria “Então tomarás uma sovela, e lhe furarás a orelha à porta, e teu servo será para sempre; e também assim farás à tua serva” ( Dt 15:17 ).

Quando se lê: “E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do SENHOR, E não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?” ( Hb 12:5 -7), por ‘correção’ e ‘açoite’ deve-se compreender ‘castigo’: 2.repreensão, admoestação, correção, conforme se lê em Provérbios: “Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem” ( Pv 3:11 -12).

O termo traduzido por ‘correção’ em Provérbios 3, verso 11 é:

“(muwcar) 1) disciplina, castigo, correção; 1a) disciplina, correção; 1b) castigo”, e o termo traduzido por ‘repreensão’ é: “(towkechah e towkachath) 1) repreensão, correção, censura, punição, castigo; 2) argumento, reprimenda; 2a) argumento, contestação; 2b) reprimenda, desaprovação; 2c) correção, repreensão”.

O Senhor reprende (corrige) aquele que Ele ama assim como o pai ao filho a quem quer bem, ou seja, ‘castiga’, pois o ‘castigo’ faz parte da repreensão, da admoestação e da correção etc. A reprimenda que ocorre no seio familiar tem por base a autoridade do pai e a submissão do filho “Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras (…) Antes rejeitastes todo o meu conselho, e não quisestes a minha repreensão” ( Pv 1:23 e 24).

A repreensão, o castigo, o açoite diz da instrução que há nas Escrituras ( Pv 1:23 -24 ); “Não obedeceu à sua voz, não aceitou o castigo; não confiou no SENHOR; nem se aproximou do seu Deus” ( Sf 3:2 ); “Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos” ( Hb 12:8 ).

Leia atentamente estes dois versos:

  • “Então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniquidade com açoites” ( Sl 89:32 );
  • “Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra” ( Sl 119:67 ).

Os filhos de Israel foram ‘punidos’ por diversas vezes, porém, quanto mais eram punidos, mais se rebelavam ( Is 1:5 ). Para punir a nação, Deus enviava os povos vizinhos para oprimi-los, um modo especial de Deus corrigi-los.

Como? Através da punição advinda das perseguições das nações vizinhas a nação de Israel deveria reconhecer as suas transgressões, visto que tais situações estavam previstas nas Escrituras, ou seja, a punição tinha um fim didático: observarem as Escrituras “Em vão castiguei os vossos filhos; eles não aceitaram a correção; a vossa espada devorou os vossos profetas como um leão destruidor” ( Jr 2:30 ).

Deus não utilizou a punição pela punição, antes a punição foi estabelecida para que compreendessem que a palavra de Deus é fiel e não volta vazia.

Este foi o alerta de Deus: “Quando, pois, gerardes filhos, e filhos de filhos, e vos envelhecerdes na terra, e vos corromperdes, e fizerdes alguma escultura, semelhança de alguma coisa, e fizerdes o que é mau aos olhos do SENHOR teu Deus, para o provocar à ira; Hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente logo perecereis da terra, a qual passais o Jordão para a possuir; não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos” ( Dt 4:25 -26).

A correção que Deus impunha sobre os filhos de Israel estava nas palavras que os profetas anunciavam, pois eles anunciavam que as doenças, improdutividade, exilio, etc., sobrevieram em decorrência de terem desobedecido ao mandamento de Deus.

A punição é um meio de fazê-los entender a gravidade da desobediência “Castiga o teu filho, e te dará descanso; e dará delícias à tua alma” ( Pv 29:17 ).

Com relação ao adulto que foi avesso a instrução dos pais, será um homem soberbo e sujeito às consequência da sua soberba, diferente dos filhos que se deixaram instruir.

A relação que Deus estabelece com os seus servos é funcional, como se lê: “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão” ( Pv 8:17 ), pois Ele tem misericórdia de quem guarda os seus mandamentos “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos” ( Dt 5:10 ).

A relação pai/filho prioritariamente deve ser funcional, e não emoção. Quando a relação é funcional, ambos possuem deveres: o pai deve cuidado ao filho e o filho obediência ao pai. Ora, o pai cuida do filho dando lhe mandamento, e o filho honra o pai obedecendo.

A punição tem em vista o crime, o delito, e também destaca a reprimenda necessária quando da desobediência do filho. Punição diz de justa retribuição que os pais dão ao filho recalcitrante.

A desobediência é a causa, a punição consequência. A punição se enquadra na correção severa, pois a desobediência viola dois valores distintos:

a) a segurança do próprio desobediente;

b) ofende a autoridade dos pais “Correção severa há para o que deixa a vereda, e o que odeia a repreensão morrerá” ( Pv 15:10 ).

Quando há desobediência, a punição é necessária: “E estando prontos para vingar toda a desobediência,…” ( 2Co 10:6 ).

A criança deve ser instruída acerca das consequências de suas ações. As consequências das ações das crianças são facilmente demonstráveis por meio da interação que elas fazem com as leis naturais que há no mundo. Toda ação gera consequências e muitas delas são imediatas. Ex: colocar o dedo na tomada com corrente elétrica, consequência: choque elétrico; pular de uma altura considerável, consequência: machucar gravemente ou morrer; entrar na água sem saber nadar, consequência: afogamento.

Quando o pai instrui para não colocar o dedo em uma tomada, temos a expressão do seu cuidado. Mas, quando a criança viola a determinação e desobedece, ele se afasta desse cuidado, e diante da desobediência é função do pai repreender e punir.

No infante a parvoíce é recorrente por causa do instinto de exploração, e para evitar que o instinto de exploração traga prejuízos irreparáveis à criança, o pai deve cerca-lo de cuidado.

Há certas ações que não possuem consequências imediatas e que tem por base a índole, o caráter do indivíduo. Ex: a mentira. O mentiroso consegue driblar algumas circunstâncias da vida, porém, mais cedo ou mais tarde sofrerá as consequências.

A criança deve ser instruída de que há leis que regem o mundo físico e leis que regem o mundo das relações humanas. Um pai deve instruir o seu filho e demonstrar que tudo quanto o homem plantar, isto mesmo ceifará, e que neste quesito não há acepção de pessoas “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” ( Gl 6:7 ).

Se semear uma porção de feijão colherá uma saca de feijão, mas se semear ‘vento’, colherá ‘tempestade’. Há leis que regem a plantação do feijão e leis que regem as relações humanas.

É neste ponto que entra a punição: retribuição pela desobediência, pela quebra das regras que há entre pai e filho. Um filho deve aprender que as relações humanas tem por base a autoridade, a hierarquia. O filho que é exercitado nestas questões não terá dificuldade de relacionar-se na sociedade.

A punição deve ser justa, portanto, os pais devem estabelecê-la previamente( Dt 25:3 ) para que não extrapolem na reprimenda “Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não deixes que o teu ânimo se exalte até o matar” ( Pv 19:18 ).

A punição não deve ser sem medida, e nem aplicada em momentos que os pais estão fragilizados emocionalmente, porque em ambos os casos os pais não promoverão uma punição justa.

A exemplo do que Deus fez com Adão no Éden, o primeiro homem foi instruído sobre a liberdade que possuía (de todas as árvores comerás livremente), do mandamento (não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal), das consequências das suas ações (certamente morrerás), e a punição estabelecida (morte).

Um pai deve agir da mesma forma: instruir, dar uma ordem direta, demonstrar as consequências da desobediência. Quando as consequências da ação de um filho pode provocar um dano muito grave, se faz necessário o pai antecipar-se e intervir.

Exemplo: se uma criança demonstra que irá colocar o dedo em uma tomada de alta voltagem, mesmo tendo sido advertido, o pai deve intervir e aplicar a punição. Por que punir? Porque se não fosse a intervensão direta do pai, a criança sofreria as consequências. Neste caso a punição substitui os danos que a descarga elétrica poderia ocasionar.

É dever do pai demonstrar ao filho qual é o comportamento adequado, enfatizar que não deve se portar de maneira inconveniente, demonstrar qual será as consequências e, por fim, estabelecer a pena. Alguns pais não instruem e, quando a criança erra, em vez de instruir e corrigir, aplicam a punição, que só deveria ser aplicada caso houvesse a desobediência.

Os pais devem estar prontos a punir a desobediência, e prontos para instruir quando ocorre um erro. O erro faz parte do processo de aprendizagem, já a desobediência não. A desobediência é ofensa contra a autoridade dos pais. Os filhos que desobedecem devem ser punidos como consequência da ação ou da omissão. Os pais devem diferenciar equívocos, erros, acidentes, das ações que são produzidas por despeita, arrogância, nervosismo, que por sua vez, geram desobediência “Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta” ( Pv 20:11 ).

Um acidente com um copo pode se dar por erro, descuido, o que é passível de orientação. Na orientação o pai deve demonstrar cuidado com o filho e não com o objeto. Ex: – “Filho, tenha atenção quando manuseia um copo de vidro, pois se cair você pode se machucar”; – “Não ande sem o chinelo, pois você pode se cortar com os cacos de vidro”.

Mas, há pais que punem os filhos em caso de acidentes demonstrando que o objeto possui mais valor que o filho.

De nada adianta os pais comprarem brinquedos caros, colocar os filhos nas melhores escolas, não deixar faltar vestes e alimento, se não instruem o seu filho. Ter uma foto na carteira, idolatrar o filho, sem discipliná-lo, na realidade não é amar seu filho “O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga” ( Pv 13:24 ).

O amor do pai para com o filho consiste em cuidado, estabelecer regras, dar mandamentos.

 

Frustrações na infância

Os pais devem permitir que os filhos sofram frustações, pois nas frustações os pais efetivamente conhecerão se ainda há parvoíce no coração de seus rebentos. Mesmo que os pais tenham condições financeiras de comprar tudo o que a criança deseja, alguns desejos devem ser frustrados. Por quê? Porque muitas coisas que trás felicidade não se compra com dinheiro, é conquistada. Porque a existência neste mundo é repleta de frustrações. A terra produzirá constantemente espinhos e cardos, portanto, se o infante não experimentar frustrações, não suportará as frustrações quando adulto. É através das frustrações e perdas na infância que os pais preparam a índole do adulto.

Os maiores desajustados psíquicos foram os príncipes da antiguidade, crianças e jovens criadas sem sofrerem frustações. Tudo o que desejavam era providenciado. Tornaram-se déspotas, homens insuportáveis, iracundos, odiáveis.

O provérbio quando fala do amor do pai para com o filho e do filho para com o pai estabelece uma relação entre quem manda e quem obedece. Esta é uma relação própria às sociedades da antiguidade “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou” ( Jo 14:23 -24).

O homem louco pela sua loucura não instrui o seu filho. Deixa a criança entregue a si mesma, e no dia de amanhã terá dissabores “A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe (…) Castiga o teu filho, e te dará descanso; e dará delícias à tua alma” ( Pv 29:15 e 17).

Através da punição, que é retributiva, a criança desde cedo aprenderá que todas as suas ações geram consequências. Uma das retribuições pela desobediência pode ser a reprimenda verbal, palmada, a vara no seu sentido literal.

Quando uma criança lida com fogo está sujeita a se queimar. Sofrer a queimadura é a retribuição por não ter a habilidade necessária para mexer com um material perigoso. Semelhantemente, a palmada, a varada, é consequência pela desobediência a uma determinação prévia: – “Não mexa com fogo”.

O pai deve orientar a criança demonstrando que a punição aplicada é um ato amoroso (cuidado), pois se houver desajuste nas relações sociais, a punição imposta pela sociedade não será branda, e nem em amor. Desde cedo é imprescindível aprender que: “Eis que o justo recebe na terra a retribuição; quanto mais o ímpio e o pecador!” ( Pv 11:31 ).

Os versículos que demonstram contrastes entre o entendido e o falto de entendimento tem por base a retribuição: a vara é para a costa do louco, assim como os lábios do entendido destilam sabedoria “Pobreza e afronta virão ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado” ( Pv 13:18 ); “Nos lábios do entendido se acha a sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de entendimento” ( Pv 10:13 ; Pv 19:23 ; Pv 26:3  ).

Quando a criança desobedecer deve receber justa punição. Em erros sem ligação com a desobediência não se deve fazer uso da punição. Equívocos como ser intolerante quando está nervoso e permissivo quando se está calmo, ou nunca aplicar a punição frente a desobediência é inaceitável.

Há o equivoco de pais que revolvem punir os filhos, mas o fazem pelo motivo errado. Muitos punem os seus filhos em momento de estresse, desavença com o cônjuge, desavença com o chefe, frustações do dia a dia, etc. Os pais, em vista dos problemas e desajustes do dia a dia, acaba descontando na criança suas frustrações, sendo que compete ao pai e a mãe corrigir.

A punição deve ter uma medida e os pais devem pactuar qual será esta medida e qual punição aplicar. As diferenças de opiniões acerca da educação da criança devem ser resolvidas longe das crianças, e os cônjuges devem apoiar um ao outro na presença da criança.

Posicionamento no lar tais como: ‘Não corrija a minha filha’, ou ‘Não chame a atenção do meu filho’ é pernicioso, pois a criança, quando repreendida ou punida por uma das partes dissidentes, se portará de modo a fazer com que os pais entrem em conflito, o que levará ambos a se digladiarem e esquecerão a reprimenda que cabia à criança.

Pais omissos no momento de aplicar a punição geralmente fogem da dor de ver o filho chorando. É um sentimento egoísta, que visa o bem estar dos pais, e não o interesse do filho, que deve sofrer frustações ou receber a justa punição em virtude da desobediência.

Lembrando que utilizar a criança como escudo ou objeto de barganha nas discussões familiares é pernicioso e afetará o comportamento da criança. Este é outro comportamento mesquinho dos pais, que pensam defender os seus interesses, mas se esquecem que prejudicam o desenvolvimento da sua prole.

Mas, como punir o meu filho diante da desobediência? Por exemplo: crianças com até dois pode ser punida. Como? Os pais devem fazer valer a sua palavra. Se o pai disse para a criança não fazer certa coisa, e a criança desobedecer (o que ocorrerá por diversas vezes por causa do instinto de exploração), os pais devem impedir fisicamente. Se o pai disse: – ‘Não mexa no cachorro Junior’!, e a criança se direciona para o cachorro, o pai deve pegar a criança no colo e não permitir.

Neste instante a ordem deve ser repetida: – ‘Não mexa no cachorro’!, isto porque crianças até dois anos ainda não sabem o que significa ‘NÃO’ com perfeição. A atitude do pai ajuda a criança assimilar o significado da palavra!

Não manifeste qualquer demonstração de apreciação quando disser não e a criança desobedecer.

Não deprecie seu cônjuge através de gestos ou palavras diante de seu filho.

Maiores de dois anos podem ser punidos com uma palmada nas nádegas de modo a causar um desconforto. A punição deve ser aplicada não importando se a desobediência foi molhar as mãos (algo sem valor) ou quebrar um vaso chinês (algo valioso).

Não faça promessas de premiar a obediência, pois a obediência não é negociável. O maior beneficiado pela obediência é a própria criança.

Não faça ameaças, o mais indicado é a advertência verbal instrutiva.

Não faça chantagens, pois na chantagem não há justiça e compromete o caráter da criança.

A punição faz parte da disciplina, mas por si só a punição não instrui. O que instrui é a orientação.

O exemplo é o elemento mais efetivo no ensino. Os pais só conseguem ensinar os filhos a falarem a verdade se falarem a verdade. O pai só ensina o dever de cuidar aos filhos se cuidar da esposa e dos filhos. A mãe só ensinará aos filhos o valor da obediência se obedecer ao marido.




Nunca jamais tropeçareis

Se o cristão não for ocioso, omisso, ou prevaricar quanto a conhecer o evangelho, jamais tropeçará na palavra da verdade, tornando firme a vocação e eleição.


Nunca jamais tropeçareis

“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” ( 2Pe 1:10 )

O crente

Tornar-se um crente em Cristo é apenas o começo de uma vida nova e em comunhão com Deus. A comunhão com Deus se dá ao crer em Cristo conforme diz as Escrituras ( Jo 3:15 ), porém, se faz necessário ao crente prosseguir em conhecer a Cristo ( Os 6:3 ).

Essencialmente, ser um crente em Cristo é ter a certeza com base nas Escrituras que:

  1. Todos os homens são pecadores por serem descendentes de Adão, gerados em pecado ( Rm 3:23 );
  2. Jesus foi enviado por Deus ao mundo para salvar a humanidade porque todos estavam alienados de Deus por causa da ofensa de Adão ( Jo 3:16 );
  3. Jesus é o Verbo eterno que no princípio estava com Deus ( Jo 1:1 -2), e sendo Deus, esvaziou-se do seu poder e glória e tornou-se homem ( Fl 2:7 );
  4. Jesus foi introduzido no mundo como o Unigênito Filho de Deus gerado virginalmente no ventre de Maria pelo Espírito de Deus ( Jo 1:18 ; Mt 1:18 );
  5. Jesus viveu entre os homens, foi participante de todas as aflições, porém, sem pecado ( Hb 2:17 );
  6. Jesus foi crucificado, morreu, foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia e está assentado à destra de Deus nas alturas ( Rm 1:3 -4).

Os pontos elencados acima é um resumo das ‘boas novas’ que Jesus apresentou aos homens, e aquele que ouve e crê, ‘perde’ a vida herdada de Adão para ganhar uma nova vida ( Mt 10:39 ).  Quem creu em Cristo ‘tomou’ a sua própria cruz, seguiu após Cristo, foi crucificado juntamente com Ele, morreu e ressurgiu dentre os mortos ( Mt 10:38 ; Cl 3:1 ).

O ressurgir com Cristo dentre os mortos é o novo nascimento! É nascer da água e do Espírito, ou seja, de Deus e da sua Palavra ( Cl 3:1 ; 1Pe 1:3 e 23).

O crente em Cristo é nascido de Deus, pois ao crer em Cristo recebe poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ). Esta ‘criança’ recém-nascida pertence a uma nova geração, a geração eleita, a geração de Cristo (último Adão), que contrasta com a geração ‘perversa’, a geração de Adão ( 1Pe 2:9 ).

Apesar do crente em Cristo continuar em um corpo mortal sujeito às provações, tentações, vicissitudes e aflições desta vida, por ter recebido poder de ser criado (feito) filho de Deus, é um ser espiritual, pois os nascidos do Espírito são espirituais ( Jo 3:9 ; 1Jo 4:17 ; 1Co 15:48 ). Ao ressurgirem com Cristo compartilham da glória de Cristo, porque para este propósito foram de novo gerados “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ; 2Pe 1:4 ).

 

O propósito de Deus

Antes de criar o homem, Deus tinha um propósito eterno: que o Verbo eterno que seria introduzido no mundo como o Filho Unigênito de Deus, ao retornar à Sua glória, ocuparia a posição mais elevada em relação a todos (preeminência), pois foi do agrado de Deus elevar o Verbo eterno acima de todo o seu nome ( Sl 138:2 ; Ef 1:21 ); “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 ); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:9 -10).

Antes da criação do homem e de todas as coisas, Deus propôs algo em Si mesmo. A vontade de Deus era um mistério, mas na plenitude dos tempos, quando Cristo foi introduzido no mundo dos homens, foi revelado que a vontade de Deus é congregar em Cristo todas as coisas.

Quando Deus criou o homem, criou Adão segundo o propósito que havia estabelecido em Si mesmo, ou seja, em Cristo, porém, quando Adão desobedeceu ao mandamento no Éden, distanciou-se de Deus (pecado), ficando aquém do propósito de Deus (a preeminência de Cristo).

 

O pecado

Além de ficar aquém do propósito eterno que Deus havia estabelecido na eternidade, surgiu o problema da ofensa e as suas consequências ( Rm 5:18 -19). Observe que o homem foi criado em função do propósito eterno de Deus, e que a ofensa de Adão é um evento posterior ao propósito estabelecido na eternidade.

O ‘distanciar-se’ de Deus através da ofensa de Adão é o que se denomina pecado, e todos os que são gerados segundo a semente de Adão, a semente corruptível, estão em pecado, ou seja, mortos, alienados de Deus. São filhos da ira, filhos da desobediência, escravos do pecado, vasos de desonra, plantas que o Pai não plantou, etc.

Quando o homem crê em Cristo, o velho homem gerado em Adão é crucificado e morto e a justiça de Deus é estabelecida. É na morte com Cristo que se dá a justiça de Deus, pois se cumpre a palavra: “A alma que pecar, esta morrerá” ( Ez 18:4 ; Rm 6:7 ).

Observe que a pena estabelecida no Éden jamais passa da pessoa do transgressor, pois quem crê é morto e sepultado para que não sirva mais o pecado ( Rm 6:6 ).

Mas, quando alguém morre e é sepultado com Cristo à semelhança da Sua morte e sepultura ( Rm 6:5 ), ocorre um milagre, pois o mesmo poder que trouxe Jesus dentre os mortos é o que opera sobre o homem ( Ef 1:19 -20), momento que é gerada um nova criatura, ressurreta dentre os mortos ( Cl 3:1 ).

 

Novo nascimento

É na morte e ressurreição com Cristo que o problema do pecado é resolvido, pois a barreira de separação é desfeita. O homem gerado de novo recebe de Jesus a mesma glória que o Pai concedeu a Cristo ( Jo 17:22 ).

Como no Éden se instalaram dois problemas: a) o homem distanciou-se de Deus, e; b) ficou aquém do propósito estabelecido em Cristo, quando o novo homem ressurge com Cristo dentre os mortos, o problema do distanciamento entre Deus e o homem é anulado, pois se tornou um com Cristo e o Pai ( Jo 17:11 ), concomitantemente, por ser uma nova criatura, está apto para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo de fazê-lo preeminente.

Todos os homens gerados de Adão estavam distantes de Deus, e por serem filhos da ira e da desobediência, não estavam à altura do proposito que Deus estabeleceu em Cristo: a preeminência d’Ele em tudo. Para levar a efeito o propósito de convergir em Cristo todas as coisas, Deus providenciou salvação graciosa a todos os homens através de Cristo conforme as riquezas do evangelho “… antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou…” ( 2Tm 1:8 -9 ).

 

Predestinação e eleição

Depois de resolvido o problema do pecado proveniente da ofensa de Adão através do poder contido no Evangelho, todos os que são gerados de novo em Cristo são chamados com uma santa vocação para serem conforme a imagem do Seu Filho, de modo que, por estarem em Cristo, são filhos de Deus e inculpáveis “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

O homem é salvo do pecado segundo o poder que há no evangelho ( 1Co 1:18 ; 2Tm 1:8 ), e é chamado com santa vocação em função do propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo.

Como o pecado era um entrave ao propósito estabelecido, primeiro há a redenção do homem do poder do pecado por meio do evangelho, e em seguida, o salvo é chamado em vista do propósito de Deus que há em Cristo Jesus. Muitos equívocos surgem quando se analisa o evangelho de Cristo sem levar em conta o propósito eterno de Deus.

Para levar a efeito o seu propósito eterno, antes que houvesse mundo, Deus escolheu (elegeu) e chamou a descendência de Cristo com uma santa vocação para que os gerados de novo (que são santos e irrepreensíveis diante d’Ele, o que contrasta com a condição da geração de Adão, que é corrompida e perversa), sejam filhos de Deus possibilitando a primogenitura do Cristo ressurreto, que foi introduzido no mundo como o Unigênito de Deus.

É dado aos que creem em Cristo, não só serem salvos da condenação que há no mundo, mas também é concedido aos que creem fazerem parte do propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo. Quando Deus disse: – “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, estava colocando em curso o seu eterno propósito, pois em Cristo o homem é gerado de novo para ser conforme a imagem de Cristo, para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Acerca destes eventos escreve o apóstolo Paulo: “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” ( Ef 1:18 ). A graça concedida aos que estão em Cristo é superior a dos crentes da antiga aliança, pois há uma vocação especifica e uma herança de glória específica da qual todos que estão em Cristo são participantes.

Para que Cristo ocupasse posição mais elevada (preeminência), antes que todas as coisas viessem à existência, Deus predestinou a geração de Cristo para serem filhos, que em função da adoção serão semelhantes a Ele ( Rm 8:23 ). Cristo conduz a Deus muitos filhos, que por serem gerados da semente (descendentes, rebento) incorruptível, são eleitos para serem santos e irrepreensíveis e predestinados a serem conforme a imagem do Seu Filho, Jesus Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ; Hb 2:10 ).

Através de Cristo, os que morrem e ressurgem com Ele tornam-se membros do corpo de Cristo, e Ele é a cabeça. Os que ressurgiram dentre os mortos tornam-se filhos de Deus para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos. Na condição de primogênito da nova geração e cabeça de um corpo formado de homens ressurretos dentre os mortos semelhantes a Ele, Cristo é preeminente em tudo!

Cristo tem a preeminência ao assumir a condição de cabeça do seu corpo, que é a igreja. Cristo é preeminente, quando assume a posição de primogênito entre aqueles que são semelhantes a Ele, ou seja, entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ; 1Jo 3:1 -3).

Quando introduzido no mundo, Jesus foi, em tudo, semelhante aos homens ( Hb 2:17 ). Quando de volta a sua glória, o Cristo ressurreto herdou nome mais excelente e é superior aos anjos ( Hb 1:4 ), concomitantemente, conduziu à glória de Deus muitos filhos semelhantes a Ele ( Hb 2:10 ), e entre os filhos de Deus Jesus é o primogênito, ou seja, ocupa posição mais elevada (preeminente).

Para que Cristo se tornasse primogênito entre muitos irmãos, Deus predestinou os que são salvos segundo o evangelho a serem conforme a imagem do seu Filho ressurreto ( Rm 8:29 ). É em função do proposito que Deus estabeleceu em Si mesmo que os que são predestinados a serem filhos por adoção ( Ef 1:5 ).

É em função desta maravilha concernente aos filhos de Deus que toda a criação está na expectativa de como serão os filhos de Deus, pois qual Cristo é há de ser todos quantos creem em Cristo segundo a verdade do evangelho ( Rm 8:19 ; 1Jo 3:1 -2).

Como será a maravilha da adoção ( Rm 8:23 ), visto que Cristo é mais sublime que os céus? ( Hb 7:26 )

A condição dos cristãos como membros do corpo de Cristo é superior à dos anjos, e como cabeça do corpo, Cristo é preeminente. É em função deste propósito que o crente é chamado e eleito. É sobre o propósito de Deus em tornar Cristo preeminente que o cristão deve, cada vez mais, fazer firme a vocação e eleição “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” ( 2Pe 1:10 ).

 

Dons e vocação

Ora, se os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, por que é necessário fazer firme a vocação e eleição? “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” ( Rm 11:29 ).

Que ‘dons’ são irrevogável? Neste verso o apóstolo Paulo não estava tratando dos dons do Espírito Santo, antes apresentou um princípio relativo às promessas de Deus. Por exemplo: embora os judeus tenham rejeitado o evangelho, contudo, por causa da promessa que Deus fez a Abraão, Israel será salvo após o termino da ‘plenitude dos gentios’ ( Rm 11:25 -26). Os judeus são inimigos do evangelho, porém, como Deus deu a sua palavra a Abraão, a eleição segundo a promessa é irrevogável “Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 9:5 ; Rm 11:28 ).

Como Deus anunciou primeiramente o evangelho a Abraão, dizendo: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”, o que foi prometido a Abraão é irrevogável, de modo que através do descendente de Abraão, que é Cristo – dom de Deus, dom celestial – é concedida salvação ao mundo por meio do evangelho “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ); “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ; Hb 6:4 ; Ef 2:8 ; Ef 4:7).

Se a eleição do povo de Israel é irrevogável pela promessa que Deus fez a Abraão, Isaque e Jacó, quanto mais a eleição da descendência de Cristo segundo o propósito eterno estabelecido em Cristo! Se Deus chamou à existência um povo, de um homem já velho e de uma mulher estéril e em avançada idade (Sara e Abraão) em virtude da promessa de um descendente feita a Abraão ( Gl 3:16 ), Deus não chamaria a existência um povo especial através da semente incorruptível do último Adão para levar a efeito o seu propósito eterno? ( Tt 2:14 ; 2Co 6:16 )

Ora, a igreja de Cristo é o povo chamado à existência através do renovo justo prometido a Davi. Através do renovo (semente, descendência) justo, que é Cristo, Deus chamou a existência uma nova geração de homens espirituais, uma geração eleita para ser santa e irrepreensível, predestinada a serem conforme a imagem de Cristo, segundo o eterno propósito estabelecido em Cristo.

Como fazer mais firme a ‘nossa’ eleição e vocação? Há um risco real dos cristãos tropeçarem?

Há uma corrente doutrinária que afirma que a salvação se dá segundo a predestinação, em que Deus escolheu alguns homens caídos para salvar do pecado e restaurado a comunhão com Ele.

Se a eleição é incondicional de modo que Deus predestina alguns à salvação e outros à perdição, por que é necessário aos irmãos em Cristo fazerem cada vez mais firme a vocação e eleição? Se a eleição de alguns à salvação se deu na eternidade, como fazer mais firme o que já foi estabelecido?

Há a eleição, a predestinação e uma vocação, porém, a abordagem de Pedro não se refere à salvação em Cristo, antes ao propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo.

Deus chamou, elegeu e predestinou a descendência de Cristo para o seu proposito estabelecido antes dos tempos dos séculos, pois Deus chama as coisas que não são como se já fossem “(Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem” ( Rm 4:17 ).

Há uma geração eleita, uma semente escolhida, e esta eleição e vocação é irrevogável, pois está intimamente ligada ao propósito eterno de Deus. Ora, se a eleição, a vocação e a predestinação estão ligadas ao propósito de fazer o Cristo proeminente em todas as coisas, segue-se que a salvação não é determinada por vocação, eleição ou predestinação.

A abordagem do apóstolo Pedro trata de indivíduos que, após crerem em Cristo por intermédio da mensagem do evangelho são gerados de novo e passam a fazer parte da geração eleita, pois são gerados de uma semente incorruptível.

O propósito de Deus ao chamar a descendência do último Adão é irrevogável, pois Ele estabeleceu que Cristo é primogênito (preeminente) entre muitos irmãos.

É necessária muita atenção ao interpretar algumas passagens bíblicas, pois a ‘vocação’ de Deus não se refere ao velho homem, aos filhos da ira, aos filhos da desobediência, aos descendentes de Adão. A vocação refere-se aos que estão em Cristo, portanto, aos cristãos. É por isso que o apóstolo Pedro diz aos ‘irmãos’ para fazerem mais firme a vocação eleição.

Se a salvação fosse através da vocação e eleição, o correto seria o apóstolo Pedro fazer a recomendação do verso 10 do primeiro capítulo da segunda carta aos não crentes, pois os incrédulos são os que necessitam de salvação. Mesmo assim haveria uma contradição entre o recomendado pelo apóstolo e a doutrina da eleição incondicional, ou da predestinação absoluta.

A salvação é pela graça de Deus, e, por sua vez, a vocação e eleição diz das riquezas da graça. Cristo é a graça de Deus manifesta a todos os homens, já a riqueza da graça será revelada em um tempo futuro, pois está atrelada a ‘adoção’, ou seja, a redenção do corpo “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” ( Tt 2:11 ; 1Pe 1:20 ;  ); “Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” ( Ef 2:7 ; 1Jo 3:2 ).

Estar em Deus ou não, é condição que decorre de linhagem. Como Deus estabeleceu um renovo justo (nova linhagem) através de Cristo, o descendente de Davi, Deus está na linhagem de Cristo, o Justo ( Sl 14:5 ; Jr 33:15 ; Is 60:21 ; Sl 112:2 ). Deus chamou a linhagem de Cristo para o seu eterno propósito estabelecido em Si mesmo ( Ef 1:9 ; Ef 3:11 ), de modo que, para o propósito estabelecido em Cristo é necessário nascer de novo através do poder que há no evangelho.

Aquele que está em Cristo nova criatura é, por isso o apóstolo Paulo diz: “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder” ( 2Ts 1:11 ). Qual a vocação que o apostolo orava para que Deus os fizesse dignos? A vocação que faz o Cristo preeminente em tudo, pois esta é a vontade de Deus.

Basta analisar o contexto de segunda Tessalonicenses, capítulo 1 verso 11, para verificar que Cristo virá para ser glorificado naqueles que lhe pertencem, e que Ele se fará admirável através dos que creram no evangelho ( 2Ts 1:10 e 12).

É por isso que o apóstolo ora a Deus para que Ele faça os cristãos dignos da sua vocação (fazer-se admirável nos que creem) e que o desejo de Deus se cumpra ( 1Tm 2:4 ), pois esta é a obra do evangelho (fé) que é poder de Deus, pois o objetivo da maravilhosa graça, além da redenção, é que Cristo seja glorificado nos que creem e os que creem sejam glorificados em Cristo ( 1Ts 1:12 ).

Somente a nova criatura está à altura do propósito que Deus estabeleceu em Cristo, pois somente os de novo gerados em Cristo glorificam-no e n’Ele são glorificados “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

A ação de Deus ‘chamar’ é irrevogável, pois Ele chamou a geração eleita para o seu propósito. A geração segundo a carne de Adão, por sua vez, foi reprovada para o propósito de Deus, uma vez que a ofensa trouxe condenação sobre todos os homens, tonando-os escusáveis para o propósito eterno. Nenhum dos descendentes da carne de Adão são eleitos para a salvação, pois os descendentes da carne de Adão, para serem eleitos, precisam morrer para ressurgir com Cristo, quando fará parte da geração eleita.

Os cristãos de Éfeso passaram a estar em Cristo somente após ouvirem (crerem) o evangelho. Não há como crer e ser salvo se não houver quem anuncie que o Cristo ressurgiu dentre os mortos pelo poder de Deus “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação?” ( Rm 10:8 -16 ).

Observe que a salvação advém de obedecer à mensagem do evangelho, pois o evangelho é o poder de Deus para salvação dos que creem ( 1Co 1:18 ; Jo 1:12 ). Já o propósito eterno de fazer Cristo preeminente em tudo está atrelado à vocação e eleição de todos que estão em Cristo.

 

Israel e a Igreja

Há uma grande diferença entre a igreja de Cristo e o povo de Israel com relação à vocação e eleição. O povo de Israel foi escolhido para o próprio Deus preservar a linhagem do Cristo que havia de vir ao mundo, e Deus trouxe o povo à existência segundo a promessa feita a Abraão, mas para serem salvos deviam crer em Deus assim como o crente Abraão ( Rm 9:4 -9). O indivíduo pertencia à nação de Israel, entretanto, não era salvo, visto que o povo de Israel foi preservado para Deus cumprir a promessa feita a Abraão.

Com relação à igreja de Cristo, para ser eleito e vocacionado, necessariamente tem que estar em Cristo, portanto, ser salvo. Isto porque Deus chamou, elegeu e predestinou a geração de Cristo segundo o seu eterno propósito, mas para pertencer a geração de Cristo é necessário nascer de novo, portanto, é necessário crer em Cristo.

Por exemplo: Abraão creu em Deus e isso lhe foi por justiça ( Gl 3:6 ), já os cristãos creem no descendente prometido a Abraão, que disse: “Crede em Deus, crede também em mim” ( Jo 14:1 ). A promessa aos que creem em Cristo é superior, pois os que creem em Cristo possuem vocação celestial, enquanto Abraão e os seus descendentes segundo a carne possuem uma vocação terrena.

Não é dado a Abraão e a sua descendência segundo a carne serem conforme a imagem de Cristo, mas os remidos em Cristo segundo a fé que teve Abraão é concedido serem conforme a imagem de Cristo, pois a igreja de Cristo é formada de pessoas que morreram e ressurgiram dentre os mortos com Cristo para serem semelhantes a Ele.

O evangelho de Cristo redime o homem da perdição do pecado e, após ser gerado de novo, os que creram são participantes de Cristo, portanto, fazem parte do propósito que Deus estabeleceu em Cristo. Na condição de descendência de Cristo o cristão é vocacionado, eleito e predestinado, daí a ordem para fazer ‘mais’ firme a vocação e eleição.

Como fazer mais firme a vocação e eleição? Basta ao crente perseverar crendo em Cristo como diz as Escrituras, pois quem não persevera na doutrina não tem comunhão com o Pai e o Filho e, se não há comunhão com Deus, está separado, aquém do proposito estabelecido em Cristo “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ); “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” ( Tg 1:25 ); “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” ( 1Tm 4:16 ); “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” ( Mt 24:13 ).

Mas, para perseverar crendo é necessário seguir a recomendação do escritor aos hebreus: “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” ( Hb 2:1 ).

Em função dos riscos que rondam o cristão é imprescindível ser diligente em compreender a graça proveniente do evangelho, pois os cuidados desta vida, a sedução das riquezas, a angustia e a perseguição por causa da palavra, a oposição do inimigo, etc., só serão superados por aqueles que estiverem firmados sob o fundamento dos apóstolos e dos profetas ( Mt 13:18 -23; Ef 2:20 ).

Quando o apóstolo Pedro recomendou fazer ‘mais’ firme a eleição e vocação, tinha o mesmo propósito do escritor aos Hebreus: que os cristãos ficassem atentos ao que haviam ouvido “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pe 1:19 ).

O escritor aos hebreus perguntou aos seus interlocutores como seria possível escapar da condenação se não atentassem diligentemente para o evangelho que inicialmente foi anunciado por Cristo ( Hb 2:3 ; Ex 19:5 ). Quando se crê no evangelho o homem torna-se participante de Cristo e deve reter firmemente a confiança na mensagem do evangelho até o fim “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 ; Hb 3:14 ).

O imperativo ‘perseverai’ ecoa por todas as cartas dos apóstolos, pois perseverar na doutrina de Cristo é cuidar de si mesmo e batalhar pela fé (doutrina), de modo que o cristão salva se a si mesmo e os que o ouvem “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” ( 1Tm 4:16 Jd 1:3 ).

Tiago demonstra que é necessário atentar bem para o evangelho e perseverar. Aquele que ouve a mensagem do evangelho e faz conforme o mandamento de Deus crendo no enviado de Deus é bem-aventurado “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” ( Tg 1:25 ).

Aquele que crê é fazedor da obra, pois a obra de Deus é crer em Cristo ( Jo 6:29 ; 1Jo 3:23 ). Após obedecer a verdade do evangelho, basta perseverar crendo em Cristo, pois a perseverança é a obra perfeita do evangelho (fé) (Tg 1:4 ). É imprescindível inteirar-se da verdade do evangelho.

O escritor aos Hebreus é específico: “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ). Aquele que não retém o evangelho, prevarica, portanto, não tem o Pai e o Filho “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ).

O apóstolo Paulo é o exemplo a ser seguido, pois declarou no final do seu ministério que havia acabado a carreira e guardado a fé (evangelho), ou seja, perseverou até o fim guardando o princípio da Sua confiança “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” ( 2Tm 4:7 ); “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” ( Fl 1:27 ).

 

Heresias

O perigo das heresias ronda os recém-nascidos de modo que a recomendação para os neófitos na fé é que desejem afetuosamente o ‘leite racional’ para que cresçam, pois a carreira proposta ao cristão é chegar a medida da estatura de Cristo, a varão perfeito ( 1Pe 2:2 ; Ef 4:13 ).

Por que a recomendação para crescer? Porque um ‘menino’ na fé corre o risco de ser levado em roda por todo o vento de doutrinas fomentadas por homens que, com astucia, enganam fraudulosamente ( Ef 4:14 ). Já o ‘adulto’ tem os sentidos exercitados e consegue, através da palavra da verdade, discernir e rejeitar o engano das falsas doutrinas “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” ( Hb 5:14 ).

O escritor aos Hebreus repreendeu os seus interlocutores por causa da negligencia com relação ao evangelho, visto que pelo tempo decorrido no evangelho, já eram para serem mestres, porém, ainda estavam como crianças ( Hb 5:12 ). Observe que os interlocutores da carta aos Hebreus ainda não compreendiam os princípios elementares do evangelho ( Hb 6:1- 2).

A recomendação do apóstolo Pedro quanto a fazer mais firme a vocação e a eleição era para que todos os cristãos alcançassem a perfeição, ou seja, que chegassem à ‘unidade da fé’ tendo a mesma compreensão que os apóstolos detinham com relação à mensagem do evangelho. O crente é ministro do espírito, portanto, deve estar num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho, pois o evangelho é espírito e vida ( Jo 6:63 ; 2Co 3:6 ).

Se o crente não for diligente em analisar as Escrituras, não crescerá, e estará suscetível ao fascínio de homens corruptos de entendimento ( Gl 3:1 ; 2Tm 3:8 ). O alerta é claro: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” ( 1Co 1:9 ), mas se houver algum incrédulo que se aparte do evangelho ( Hb 3:12 ), Deus permanece fiel, de modo que negará o infiel diante do Pai ( Rm 3:3 ; 2Tm 2:12 -13).

É necessário chegar ao pleno conhecimento de Cristo, o seja, seguindo Cristo (verdade) em obediência (amor). Somente os que crescem em tudo estão aptos à identificar os hereges, combater os fomentadores de falsas doutrinas, rejeitar as vãs filosofias, etc. “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” ( Ef 4:15 ).

Um dos fundamentos da doutrina do evangelho é crer em Cristo como o descendente de Davi, que foi morto e ressurgiu dentre os mortos para gloria de Deus ( 2Tm 2:8 ). Mas, há os que se desviam da verdade e que se põe a proclamar que não há ressurreição dos mortos ( 2Tm 2:18 ; 1Co 15:12 ), ou seja, estes não fizeram firme a vocação e eleição ( 2Tm 2:18 ; 1Tm 6:20 -21; 1Tm 5:15 ; 1Tm 6:10 ).

Quando o apóstolo Paulo conclama a ser firme e constante, sempre abundante na obra do Senhor, ele tem em vista a semente incorruptível, que é a palavra de Deus. A semente é livre de corrupção, porém, há os réprobos quanto à fé, que semeiam joio em lugar da boa semente. Os réprobos se apresentam como mestres, porém a ‘sabedoria’ que expõe não vem do alto, antes é terrena e maligna ( Tg 3:15 ).

É no evangelho que o cristão deve ser diligente, perseverante, paciente, firme, obediente, o que promove a produção de fruto ( Jo 15:4 ). Se não há fruto é porque é cego e se esqueceu da eficácia do evangelho, de modo que, se o cristão não for ocioso, omisso, prevaricar quanto a conhecer o evangelho, jamais tropeçará na palavra da verdade, tornando firme a vocação e eleição.

Somente permanecendo no evangelho de Cristo a entrada no reino dos céus é garantida. Mas, desviar-se da verdade é perdição, e ao mesmo tempo é abrir mão do premio que há na soberana vocação de ser participante do propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

O premio que Deus proporciona ao homem quando crê em Cristo é ter um corpo conforme o de Cristo Jesus quando da adoção “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” ( Fl 3:21 ; Rm 8:23 ).

O crente tem que estar firme na seguinte verdade: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ). Qualquer que ouviu a mensagem do evangelho e creu, passa a estar em Cristo, ou seja, é nova criatura, de modo que a salvação decorre do evangelho, a maravilhosa graça de Deus.

Quem crê na mensagem do evangelho, que é a fé dada aos santos e não se demove é santo, irrepreensível (eleição) e inculpável (vocação, filiação) “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” ( Cl 1:22 -23 ).

Somente através do evangelho é dado entendimento para compreender qual é a esperança da vocação, e o que os santos herdarão ( Ef 1:19 ). Somente através do evangelho é possível dimensionar qual a operação da força do poder de Deus que foi manifesto em Cristo quando ressurgiu dentre os mortos, e é este mesmo poder que opera naqueles que creem em Cristo.

Aquele que é ‘perfeito’, ou seja, que não tropeça na palavra da verdade, está capacitado a anunciar e admoestar a todo o homem. Está apto a ensinar a todos em toda a sabedoria, ou seja, no evangelho, para que os homens sejam apresentados a Deus perfeito em Jesus Cristo ( Cl 1:28 -29).

Quando o apóstolo Pedro recomenda fazer mais firme a eleição e vocação para nunca tropeçar, ele tem em vista a palavra do evangelho, pois se o crente se inteirar da verdade do evangelho, jamais cometerá equívocos quanto a interpretação e exposição das boas novas, de modo que é perfeito e poderoso para ser mestre ( Tt 1:9 ; Tg 3:2 ).

A abordagem de Tiago e do apóstolo Pedro é a mesma que o apóstolo Paulo fez a Tito: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” ( Tt 1:9 ). Quem retém firme a fiel palavra, faz firme a sua vocação e eleição e torna-se perfeito, poderoso e jamais tropeçará na fiel palavra. Pode perfeitamente ser mestre, ou seja, tem a capacidade de refrear todo o corpo.

Fazer firme a vocação e eleição é o mesmo que prosseguir para o alvo, ou seja, permanecer na verdade do evangelho. Fazer firme a vocação e eleição é operar a salvação com tremor e temor, ou seja, obedecendo (tremor) a palavra do evangelho (temor) ( Fl 2:12). Após ‘conhecer’ a Cristo tornando-se um só corpo com Ele é recomendado ao cristão prosseguir em saber mais acerca o seu Senhor sem perder de vista o prêmio “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” ( Fl 3:14 ).

O prêmio que o apóstolo Paulo faz referencia diz glória concedida aos que creem em Cristo de alcançarem um corpo glorioso conforme o de Cristo Jesus ( Fl 3:21 ). Neste quesito temos que imitar a Cristo, que pelo gozo proposto, foi obediente até a morte “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ).

Prosseguir para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus, é andar segundo a mesma regra: o evangelho de Cristo ( Fl 3:16 ). Se não andar segundo a regra do evangelho, tornou-se inimigo do evangelho.

É em face desta verdade que ao escrever aos cristãos, o apóstolo Pedro demonstra que, tanto ele, quanto qualquer pessoa que crê em Cristo, alcançou fé igualmente preciosa através da justiça que há em Cristo.  Observe que o sentimento do apóstolo Pedro é igual ao do apóstolo Paulo: a fé, o evangelho, a cruz de Cristo para ambos é igualmente precioso.

Como apóstolos, ambos eram perfeitos, pois buscavam preservar intocável a verdade do evangelho ( Fl 3:15 ). Quem não faz firme a sua vocação e eleição, o fim é a perdição, pois será confundido e só pensará nas coisas deste mundo ( Fl 3:19 ; Cl 3:1 ).

O sentimento dos perfeitos é de que a fé é preciosa, pois o evangelho é a fé dada aos santos ( Gl 3:23 ). Há uma só fé, que é o ‘conhecimento’ de Deus e de Jesus, ou seja, o evangelho ( 2Pe 1:1 ; Ef 4:4 -5).

O ‘divino poder’ refere-se à mensagem do evangelho, que o apóstolo Paulo também especifica como o poder de Deus, ou o conhecimento de Deus ( 1Co 1:18 ; Rm 1:18 ; 1Pe 4:11 ; Cl 2:12 ). Através do evangelho, Deus concedeu aos homens, tudo que é pertinente à comunhão com Deus (vida) e obediência (amor).

O evangelho de Cristo é conhecimento que, ao ser anunciado aos homens se traduz em o chamado de Deus segundo a sua graça (glória) e fidelidade (2Pe 1:1 -10). A promessa de Deus é segundo a graça, pois livrar o homem da condenação que há no mundo (Adão) e o torna participante da natureza de Deus, pois é recebido por filho.

Um exemplo de pessoas que não estavam fazendo firme a eleição e o chamado de Deus eram os cristãos das regiões da Galácia. O apóstolo Paulo estava perplexo pela rapidez com que os cristãos estavam deixando o evangelho de Cristo para seguirem uma nova doutrina ( Gl 4:20 ).

Quando creram em Cristo, percorriam a carreira proposta por Deus, mas quando se deixaram circuncidar, deixaram de obedecer a verdade do evangelho ( Gl 5:7 ). Por este fascínio veio o alerta: Cristo de nada vos aproveitará, ou seja, separados estavam de Cristo, da graça caíram (tropeçaram) ( Gl 5:1 -5).

Perseveram em Cristo é permanecer crendo na verdade do evangelho, e qualquer distorção doutrinária que contrarie a verdades elencadas no inicio deste artigo devem ser rejeitadas.




O templo de Deus

A ideia de que os homens haveriam de ser templo de Deus surgiu das promessas anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Deus prometeu por intermédio do Profeta Isaías que haveria de vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos fazendo neles morada. O profeta Ezequiel anunciou que Deus poria dentro dos homens o seu Espírito, agraciando-os com um novo espírito e um novo coração ( Ez 36:27 ).


“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

O templo que Deus habita não se refere ao prédio onde os cristãos se reúnem, ou seja, a igreja de Deus não se constrói com tijolos, cimento, telhas, mosaicos, vidraças e portas.

De onde surgiu a ideia de que os cristãos são templo, casa, habitação, morada e santuário de Deus? Por que os cristãos são efetivamente templo e morada do Espírito? Por que os cristãos não são nomeados no plural de templo-s, santuário-s, etc.?

A ideia de que os homens haveriam de ser templo de Deus surgiu das promessas anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Deus prometeu por intermédio do Profeta Isaías que haveria de vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos fazendo neles morada.

O profeta Ezequiel anunciou que Deus poria dentro dos homens o seu Espírito, agraciando-os com um novo espírito e um novo coração ( Ez 36:27 ).

Como Deus haveria de vivificá-los? Fazendo neles morada: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

Somente quando o Autor da Vida passa a habitar no homem é que se dá a nova vida. Para que possa obter nova vida é imprescindível que Deus faça do homem ‘morada’.

Jesus anunciou aos seus discípulos esta verdade dizendo: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

Somente quem crê em Cristo Jesus como diz as escrituras guarda as suas palavras, e o Pai juntamente com o Filho fará nele morada. Então, cumpre-se o predito pelo profeta Isaías: O Alto e o Sublime que habitam a eternidade virão para o homem que crê e farão nele morada.

O objetivo de Deus em vivificá-los, concedendo-lhes um novo coração e um novo espírito é o de serem templo, lugar de habitação do Eterno ( Sl 51:10 ; Ez 36:27 ; Is 57:15 e Jo 14:23 ). O Pai é o Altíssimo, e o Filho é o Servo do Senhor, que ao ser entronizado no trono da sua glória, será mui Sublime, e ambos farão dos que creem morada ( Is 52:13 ).

Quais as características das pessoas que são chamadas a compor o templo do Senhor? São pobres, abatidos, contritos, sedentos, oprimidos, tristes, etc ( Is 61:1 ; Mt 11:28 ). A mensagem de Cristo sempre foi voltada aos pobres de espírito, aos cansados e oprimidos. Cristo veio em busca das ovelhas perdidas “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” ( Mt 15:24 ; Ez 34:16 ).

Os cristãos de Corintos pareciam desconhecer o que foi concedido gratuitamente por Deus, pois, além de não suportarem o ensinamento de do apóstolo Paulo (alimento sólido) ( 1Co 2:12 e 1Co 3:2 ), foram questionados: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

É assente entre os cristãos que todos são templo, morada, edifício e lavoura do Espírito de Deus ( 1Co 3:9 ), porém, esquecem que o santuário de Deus é sagrado. Cada cristão é sagrado, santo, morada do Altíssimo porque Deus habita em seu interior.

Ou seja, o templo de Deus é santo, sagrado, pois foi separado para propriedade e habitação inviolável de Deus (‘santo’ e ‘santificação’ são respectivamente ‘hagios’ e ‘hagiazõ’). Deus estabeleceu uma única morada, e todos os cristãos são morada de Deus. É por isso que Jesus disse aos discípulos: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” ( 1Co 11:24 ). O pão que foi repartido entre os discípulos representava o corpo de Cristo, que passaria a ser cada um dos cristãos.

Na santificação não existe um mero aspecto posicional, como alguns apregoam “Este aspecto da santificação é posicional…” Bíblia de Scofield com referências, Rm 1:7 , Pg. 1142.

A santificação não é posicional porque Deus efetivamente habita, ou seja, fez morada no Cristão. Cada cristão é uma ‘pedra viva’, edificados por Deus ‘casa espiritual’ ( 1Pe 2:5 )! Diferente do Antigo Testamento em que os homens construíram um templo de pedra e madeira, no Novo Testamento Deus edificou uma casa santa para sua habitação em Espírito ( Ef 2:22 ).

Ora, como é possível Deus habitar em algo ‘posicionalmente’ santo? Como é possível Deus edificar uma casa que não é efetivamente santa? Se Deus habita o crente, como é possível haver uma santificação posicional? Se o corpo de Cristo é repartido pelos cristãos, como é possível não serem santos?

Lembrando que a ideia de santificação que hoje muitos adotaram foi construída ao longo dos séculos, como foi exposto pelo Dr. Bancroft:

“A raiz da qual se originam esta e outras palavras correlatas, é o vocábulo grego ‘hágios’. O pensamento mais próximo da santidade de que era capaz o grego secular era ‘o sublime, o consagrado, o venerável’. O elemento moral está totalmente ausente. Ao ser adotada esta palavra nas Escrituras, entretanto, foi necessário proporcionar-lhe novo sentido. Empregando a palavra ‘santo’ em seu sentido mais elevado, quando aplicada a Deus, os melhores lexicógrafos definem-na como ‘aquilo que merece e exige reverência moral e religiosa’” Teologia Elementar, Bancroft, Emery H., pág. 260.

Não é o serviço do Cristão que o torna separado (santo), antes o que torna o homem santo é o fato de o Pai e o Filho vir e fazer nele morada, o que ocorre no momento em que ele crê na mensagem do evangelho. O que faz saltar uma fonte de água que jorra para a vida eterna é o fato de o homem beber da água ministrada por Cristo, e não o serviço que o homem prestará.

O crente é casa espiritual, pois como ‘pedras vivas’ foram edificados pelo Senhor como casa espiritual ( 1Pe 2:5 ; Hb 3:6 ). O cristão é templo e santuário de Deus, pois quem edificou a sua própria casa é o Senhor ( Hb 3:4 ), e não o serviço e a voluntariedade do homem ( 1Pe 1:2 ).

Quem serve no templo do Senhor?

O serviço no templo do Senhor ficou a cargo da geração eleita, ou seja, da geração que descende do último Adão, que é Cristo. A geração de Adão, por mais que construíssem templos, não podiam servir no templo. Porém, a nova geração de homens, criados segundo a palavra de Deus constituem uma linhagem de sacerdócio real, segundo a ordem de Melquisedeque ( 1Pe 2:9 ; Hb 7:11 ).

É com ousadia que os cristãos entram no santo dos santos para oferecer sacrifícios de louvor ( Hb 13:15 ), pois os seus próprios corpos constituem-se de ‘per si’ sacrifício vivo ( Rm 12:1 ). Ora, como os cristãos são filhos por adoção para louvor e glória da sua graça, os seus ‘corpos’ constituem em ‘sacrifícios de louvor’ a Deus ( Ef 1:5 e 6; Ef 1:11 e 12).

Assim como o sacrifício de Cristo foi submeter o seu corpo à vontade de Deus ( Hb 10:5 -10), o cristão deve apresentar o seu corpo como instrumento de justiça, seguindo a Cristo, que é: a justiça, a fé, o amor, a santificação, a paz, etc. ( 2Tm 2:22 ).

Onde estiver o cristão é templo e morada do Espírito. O cristão onde for oferece sacrifício vivo. Em todos os lugares e em qualquer tempo o cristão adora a Deus em espírito e em verdade, pois todos os elementos essenciais ao culto estão presentes nele.

O culto e adoração não cessam no cristão, pois é templo, santuário de Deus. É sacerdote e sacrifício. O louvor é perene, pois Deus criou o novo homem para louvor e glória de sua graça. O Cristão jamais se ausenta da presença de Deus, pois assim como o Pai e o Filho são um, todos que creem são um, pois da sua glória os cristãos receberam ( Jo 17:21 -23).




A família de Deus

Por meio da regeneração (criar de novo) você passou a pertencer à família de Deus. Ao crer na mensagem do evangelho você recebeu poder para ser feito (criado) filho de Deus ( Jo 1:12 ).  Nesta nova família, Deus é o seu Pai, e Jesus é o seu irmão primogênito ( Rm 8:29 ). Todos os que creram receberam graça sobre graça, alcançando salvação (graça) e a condição de filhos (mais graça) ( Jo 1:16 ). Ao subir à glória Cristo conduziu muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), e, portanto, todos que creram são mesmo filhos de Deus ( 1Jo 3:1 ).


A família de Deus

Ao crer na mensagem do evangelho você recebeu poder para ser feito (criado) filho de Deus ( Jo 1:12 ). Por meio da regeneração (criar de novo) você passou a pertencer à família de Deus. Nesta nova família, Deus é o seu Pai, e Jesus é o seu irmão primogênito ( Rm 8:29 ).

Todos os que creram receberam graça sobre graça, alcançando salvação (graça) e a condição de filhos (mais graça) ( Jo 1:16 ). Ao subir à glória Cristo conduziu muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), e, portanto, todos que creram são mesmo filhos de Deus ( 1Jo 3:1 ).

Como filho de Deus você deve estar cônscio que Ele cuida de você “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” ( 1Pe 5:7 ), sem esquecer a recomendação de Jesus, de que os filhos não precisam inquietar-se com as coisas deste mundo ( Mt 6:31 ).

Você já verificou quais são as benesses por ser um dos filhos de Deus?

Por ser filho de Deus você:

  • Venceu o maligno ( 1Jo 2:13 e 14);
  • O maligno não lhe toca ( 1Jo 5:18 );
  • A sua vida está escondida com Cristo em Deus ( Cl 3:3 );
  • Você é participante da natureza de Deus ( Cl 2:10 ; Jo 1:16 );
  • Você é semelhante a Cristo neste mundo ( 1Jo 4:17 );
  • Possui uma herança;
  • Você venceu o mundo “Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” ( 1Jo 5:5 );
  • Você é mais que vencedor ( Rm 8:37 );
  • Tudo concorre para o seu bem ( Rm 8:28 );

Os filhos dos homens têm direito a herdar bens de seus pais, e para administrarem esses bens, precisam atingir a maioridade, mas , como herdeiro de Deus, assim que se ingressa na família já é idôneo para participar da herança dos santos ( Cl 1:12 ). Você foi abençoado com todas as bênçãos espirituais ( Ef 1:3 ); Você está assentado nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ); Você é templo e morada do Espírito Santo ( 1Co 6:9 ); Você é nova criatura, você é luz, etc.

É de grande importância que você saiba os direitos que adquiriu quando ingressou nessa ilustre família, tanto que o apóstolo Paulo empenhou-se na árdua tarefa de conscientização sobre a nova condição daqueles que creram no evangelho, veja: “É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação” ( Ef 1:13 ). Por estar em Cristo, ou seja, por ser uma nova criatura, todas as condições enumeradas anteriormente são pertinentes a você.

Por pertencer à família de Deus, além de você ter um Pai Celestial, você tem muitos irmãos. Quem são os seus irmãos? Todos que em todo o lugar invocam o nome de Cristo conforme anunciado nas Escrituras. Eles são seus irmãos porque creram em Cristo, e também receberam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ).

E qual deve ser o seu tratamento para com os seus irmãos em Cristo?

Você não pode esquecer que os seus irmãos são provenientes de todos os povos, de todos os lugares e de todas as condições sociais. À época de Paulo, os cristãos eram provenientes de diversas nações (gregos, judeus, romanos, etc). Também eram provenientes de diversas regiões (Ásia, Europa, África, etc). Da mesma forma, os cristãos possuíam condições sociais distintas (ricos, pobres, servos, livres, doutores, pescadores, etc).

Quando Deus acolheu os seus filhos pela fé em Cristo não fez distinção alguma entre eles. Da mesma forma, você não pode fazer distinção entre aqueles que foram chamados à graça de Deus, preferindo uns em detrimento de outros por causa de suas origens e condições sociais pertinentes a este mundo.

Não se esqueça que somente são filhos de Deus os que aceitaram a Cristo por intermédio da fé, e que, as questões culturais, matérias e sociais não demonstram quem é ou não filho de Deus.

Você precisa estar cônscio desta verdade, visto que, aparecerão pessoas que lhe dirá que os filhos de Deus são abastados financeiramente e possuem saúde física plena, focando-se apenas em questões materiais. Chegarão ao cumulo de afirmar que você não é filho de Deus por não estar abastado financeiramente, ou por estar passando por alguma enfermidade e ainda comparando condições financeiras para levá-lo a fazer imprecações contra Deus.

Ao deparar-se com estas pessoas, você deve lembrar-se que:

  • os cristãos não têm neste mundo possessão permanente;
  • os gerados de Deus ajuntam tesouro em uma pátria onde a ferrugem e a traça não come;
  • a sua esperança está focada no mundo vindouro, pois os que esperam em Deus com relação às coisas deste mundo são os mais miseráveis dos homens ( 1Co 15:19 );
  • o dever dos filhos de Deus está em buscar as coisas que são dos céus, e as demais serão acrescentadas.

Vimos anteriormente que, os filhos de Deus são reconhecidos através daquilo que professam acerca de Cristo, e não através de suas origens, posses, cultura, condição social ou comportamento.

Os nascidos de Deus, ou os que obedecem a Deus, ou os que se arrependeram, enfim, os cristãos devem compreender que as diferenças existentes neste mundo servem aos filhos de Deus como estímulo ao amor, visto que, é dever considerar uns aos outros na condição em que eles estão ( Hb 10:24 ).

 

Perguntas:

1) Você pertence a qual família por crer em Cristo?

R. Por meio da regeneração (criar de novo) você passou a pertencer à família de Deus.

2) Você é _um dos filhos _ de Deus pela fé em Cristo. E Jesus é o _primogênito _ entre muitos irmãos.

3) Por que os filhos de Deus não precisam estar inquietos?

R. Os filhos de Deus não precisam inquietar-se com as coisas deste mundo ( Mt 6:31 ), porque Deus cuida de seu filhos “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” ( 1Pe 5:7 )

4) Quem são os seus irmãos?

R. Todos que em todo o lugar invocam o nome de Cristo conforme o anunciado nas Escrituras são os seus irmãos porque creram em Cristo. Todos eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 )

5) Qual a condição social de Onésimo? Como Paulo o considerava? ( Fm 1:16 )

R. Onésimo era escravo, porém, Paulo o considerava irmão.

6) A igreja era composta por __judeus__,__gregos__, _escravos_, __livres__, __homens__, mulheres__ … ( Gl 3:28 )

7) A condição social, financeira, ou de saúde influência a salvação?

R. Não!

8) As diferenças socioeconômicas servem para __estimular os cristãos ____ ao amor fraternal.




O novo nascimento

O que é Regenerar segundo a Bíblia? Regenerar não é uma reforma. Não é reaproveitar o velho. Regenerar é criar de novo! É um ato criativo de Deus sem qualquer referência a uma reforma na velha natureza do homem.Deus concede ao homem um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ).


O novo nascimento

O verso 12, do capítulo 1 do evangelho de João, diz:

“A Todos que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem em seu nome”.

O versículo demonstra que crer em Jesus é o mesmo que recebê-lo. Só é possível receber a Cristo quando o homem crê nele. Todos quantos creem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos (criados) filhos de Deus. Com base neste versículo, verifica-se que quem crê na palavra de Jesus (ou na pessoa de Jesus) recebe poder para ser feito filho de Deus. Mas, em que implica ser feito (criado) filho de Deus?

1- Quem crê em Cristo passa a pertencer à família de Deus;
Pertencer à família de Deus não é fazer parte de uma religião ou de uma igreja (instituição). Pertencer a família de Deus implica diretamente em receber uma natureza segundo a natureza daquele que o gerou (de Deus). Por você crer em Cristo, Deus lhe concedeu (deu) grandíssimas e preciosas promessas, e por meio delas você tornou-se participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ; Jo 1:16 ).

2- Quem crê é recebido por filho de Deus e passa a ser irmão de Cristo ( Gl 3:26 );
João ao escrever disse: “Amados, agora somos filhos de Deus… E somos mesmo seus filhos” ( 1Jo 3:1 -2).

3- Os filhos têm direito a herança, logo, quem crer passa a ter direito a herança;
Além de ser filho, os que creem tem direito a uma herança. Você como cristão é co-herdeiro com Cristo de todas as coisas “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

Quando se recebe (crê) a Cristo, o homem nasce na família de Deus. Quando se crê, o homem nasce de novo na condição de filho de Deus e com direito a herança dos santos na Luz.

Este novo nascimento não traz somente uma nova família, lhe concede também uma nova vida, segundo a vida que há em Deus. Os que recebem a Cristo ‘recebem’ poder para serem feitos filhos de Deus e recebe de sua plenitude ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ).

A nova vida do cristão tem início com uma nova criação, que a Bíblia apresenta como Regeneração “Bendito o Deus e Pai… que, segundo a sua muita misericórdia nos regenerou” ( 1Pe 1:3 ).

O que é Regenerar? Regenerar não é uma reforma. Não é reaproveitar o velho. Regenerar é criar de novo! É um ato criativo de Deus sem qualquer referência a uma reforma na velha natureza do homem. Deus concede ao homem um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ).

Desta maneira temos que:

a) O Novo Nascimento é ato criativo de Deus, onde ele faz nova todas as coisas;
b) O Novo Nascimento decorre do poder de Deus, ou seja, nenhum ser humano pode promover o novo nascimento;
c) O Novo Nascimento faz o homem filho de Deus, e irmão de Cristo;
d) Por meio do novo nascimento o homem passa a ter uma nova família e direitos;
e) Tudo ocorre por meio da fé em Cristo através do evangelho, que constitui poder de Deus a todos quantos crerem.

Deus deu ao homem capacidade de transformar coisas, porém, somente ele tem o poder de criar. Segue-se que o novo nascimento só é possível através do evangelho, que é poder de Deus que faz do homem seus filhos.

Perguntas e Respostas:

1) O Novo Nascimento é ato__criativo__ de Deus, que faz __nova__ todas as coisas;

2) O Novo Nascimento é o mesmo que re__generação___________, e significa___nascer___ de novo.

3) Ao nascer de Novo o homem passa a pertencer a___família____ de Deus, e com__direito a herança___.
4) Qual a natureza do Novo Homem?
R. Divina.

5) O que significa receber graça sobre graça?
R. 1) Graça – Favor imerecido;
2) Graça – Filiação divina.

6) Como o homem alcança a condição de filho de Deus? Por meio da_fé__em Cristo.

7) O Homem alcança o novo nascimento por pertencer a uma igreja, ou porque é religioso?
R. Não! Pertencer a alguma instituição não dá direito a vida eterna.




Vitória sobre o mundo

O bom ânimo é uma ordem de Cristo, e está deve ser uma das características dos cristãos neste mundo. Aqueles que creem em Cristo não devem estar turbados ( Jo 14:1 ). As aflições deste mundo presente são certas, porém, elas não são para se comparar com a glória do mundo vindouro, do qual você é participante.


Vitória sobre o mundo

Recapitulando: Você foi gerado de novo, e agora faz parte da família de Deus na condição de filho, porém, é da vontade d’Ele que você não seja tirado do mundo “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” ( Jo 17:15 ). Diante deste mundo a ordem de Cristo é clara: tende bom ânimo, Eu venci o mundo! ( Jo 16:36 ).

Sabemos que “Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu Filho unigênito…” ( Jo 3:16 ), para que todo aquele que cresse em Cristo não perecesse e obtivesse a vida eterna. Que mundo Deus amou? Deus amou a humanidade, ou seja, Deus amou sem distinção alguma todos os homens nascidos de Adão (humanidade=mundo).

Você era uma das pessoas que Deus amou de tal maneira, e Cristo foi entregue para que você não perecesse, pois este seria o fim da humanidade, por causa da semente corruptível de Adão.

Agora, por estar em Cristo, você não mais faz parte da humanidade que está perdida “Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou” ( Jo 17:16 ). Deus amou todos os homens, e aqueles que creram foram criados novamente na condição de homens espirituais, e deixaram de pertencer ao mundo de Adão.

Você creu, nasceu de novo e passou a ser participante da natureza e família de Deus. Deixou de ser filho de Adão e passou a ser filho de Deus em Cristo (o último Adão), homem espiritual.

Cristo, antes de ser crucificado, orou ao Pai dizendo: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guarde do mal” ( Jo 17:15 ). Ou seja, Jesus estava prestes a ser tirado deste mundo, porém, os que nele creram não seriam tirados deste mundo. Isso demostra que, apesar de você ainda não ter sido tirado deste mundo, não mais pertence a ele (o mundo).

Você é propriedade exclusiva de Deus, selado com o Espírito Santo que fora prometido: “… o qual é a garantia da nossa herança, para redenção da propriedade de Deus, em louvor da sua glória” ( Ef 1:14 ).

Embora ainda não tenha sido tirado do mundo, você já escapou da corrupção que nele há “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 2Pe 1:4 ).

Tendo sempre na memória “… que somos de Deus, e que o mundo jaz no maligno” ( 1Jo 5:19 ).

Jesus pediu ao Pai para que você não fosse tirado do mundo e que fosse guardado livre do mal. Desta forma, confie também que é Jesus quem te guarda intocado do maligno ( 1Jo 5:18 ).

Jesus venceu o mundo e você é participante desta vitória. Porém, isto não significa que, enquanto estiver neste mundo você é imune às aflições “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” ( Jo 16:33 ).

O bom ânimo é uma ordem de Cristo e esta deve ser uma das características daqueles que n’Ele crê. Aqueles que creem em Cristo não devem ficar turbados quando se depararem com problemas desta vida ( Jo 14:1 ). As aflições deste mundo são certas, porém, elas nem de longe são comparáveis com a glória do mundo vindouro, do qual você é participante.

Você venceu o mundo quando passou a pertencer a família de Deus “Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” ( 1Jo 4:4 ).

Você é mais que vencedor por aquele que te amou ( Rm 8:37 )!

Porém, há uma mensagem de alerta: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo…” ( 1Jo 2:15 ). Sabemos que Cristo é a propiciação pelos pecados do mundo todo, quem O aceita é porque O ama e ama aquele que O gerou.

Quem crê em Cristo faz a vontade de Deus, é o mesmo que amar a Deus. Quem ama a Deus não ama o mundo e nem pertence ao mundo, ou seja, por ter feito a vontade de Deus, que é crer naquele que Ele enviou, você não ama o mundo. Mas, aos que não amam o mundo (os que creem em Cristo), resta não amar o que há no mundo.

Para não amar o que há no mundo você deve acatar a recomendação do apóstolo Paulo: “E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” ( 1Co 7:31 ). “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência…” ( 1Jo 2:17 ), mas você permanecerá para sempre com Cristo.

Ao nascer de Deus você venceu o mundo e passou a viver no espírito. Por isso, aquele que vive no espírito (evangelho), deve também andar em espírito “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” ( 1Jo 5:4 ).

Você tem fé (descansa) em Deus, e por isto, já venceu o mundo. Tal vitória foi concedida através do evangelho de Cristo, a fé que vence o mundo. Agora, resta a você andar entre os homens de modo digno da vocação que foste chamado. Ou seja, não andar (comportar-se) mais como andam os outros gentios, cometendo toda sorte de dissolução e torpezas ( Ef 4:1 e 17).

 

Perguntas e Respostas:

1) Quem não é deste mundo?

R) Você, por agora estar em Cristo “Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou” ( Jo 17:16 )

2) Este mundo está morto (jaz) no mali__gno___ .

3) Por que você não foi tirado do mundo? ( Jo 17:15 )

R) Porque este foi um pedido do Filho ao Pai com o objetivo de que seus irmãos sejam luzeiros no mundo que está em trevas “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” ( Mt 5:16 ).

4) A quem você pertence?

R) Você é propriedade exclusiva de Deus, selado com o Espírito Santo da promessa.

5) O que você já venceu por pertencer a Deus?

R) O mundo.

6) Quem não pode te tocar? ( 1Jo 5:18 )

R) O maligno.

7) O maligno não lhe toca por que você não pertence mais ao _mundo________ .

8) Você ama a Deus por ter fé em Cristo, agora você precisa não amar as coisas que há no __mundo____. ( 1Jo 2:15 )

7) Você permanecerá para sempre porque já venceste o _maligno____ e o maligno não lhe __TOCA_________. ( 1Jo 2:17 ) e ( 1Jo 5:18 ).

8) Você vive agora em Paz com Deus, porém, por permanecer neste mundo ainda vai ter __aflições________.

9) É preciso ter bom ânimo e não turbar o coração, pois Cristo venceu o mundo, e você igualmente venceu por ter fé em Cristo. Isto porque você é nascido de _Deus___. ( 1Jo 5:4 )




A Obediência

Hoje, são muitas as mensagens que dizem que o cristão deve servir e obedecer a Cristo dando-lhe o primeiro lugar em suas vidas. Para uns, servir a Cristo é ter uma religião; outros entendem que precisam de uma filosofia de vida; outros entendem que servir a Cristo decorre do comportamento, da moral e da ética.


A Obediência

Quando falamos de obediência, geralmente vêm a nossa mente a ideia de regras, mandamentos, ordens, etc. Jesus disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” ( Jo 14:15 ).

Quais são os mandamentos de Cristo? Jesus especificou qual o comportamento daqueles que o amam?

Jesus é enfático com relação aos seus mandamentos: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” ( Jo 14:21 );“Se alguém me amar, guardará a minha palavra (…) Quem não me ama não guarda as minhas palavras” ( Jo 14:23 -24).

Mas, quais são os mandamentos? Ao falar deles, João disse: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” ( 1Jo 5:3 ).

a) Os mandamentos de Deus revelam o seu amor?;

b) Os homens necessitam dos mandamentos, como sendo essenciais à vida? e;

c) Os mandamentos não são pesados, ou seja, não são penosos?

Por que os mandamentos revelam o amor de Deus? A resposta é: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo…” ( 1Jo 3:23 ).

O apóstolo João demonstra que cumprir o mandamento de Deus é o mesmo que crer no nome do seu Filho, ou seja, a partir do momento que você ouviu a mensagem do evangelho e creu, cumpriu cabalmente o mandamento de Deus.

Crer em Cristo, ou cumprir o mandamento de Deus é designado também como obediência: “Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade…” ( 1Pe 1:22 ).

Por meio da obediência à verdade do evangelho (que apresenta o Filho de Deus aos homens) o homem deixa de ser filho da desobediência (Adão) “Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Cl 3:6 ), e passa a ser filho de Deus, o que é essencial a nova vida. Segue-se que os homens precisam dos mandamentos de Deus para obter nova vida.

Por que os mandamentos não são penosos? Diferente daquilo que os homens imaginam, o mandamento de Deus é crer, o que não demanda esforços ou realizações. Se comparado as ordenanças humanas no intento de alcançar a salvação “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los” ( Mt 23:4 ), os mandamentos de Deus são suaves e leves ( Mt 11:30 ).

Há aqueles que nomeiam a Cristo de Senhor, mas que não fazem a sua vontade “Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu mando?” ( Lc 6:46 ). Somente aqueles que creem em Cristo como salvador são verdadeiramente seus servos e fazem a vontade Dele “Qualquer que vem a mim, ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante” ( Lc 6:47 ).

Você como cristão deve ter o cuidado para não ser enganado. Há muitos que apregoam que você deve fazer uma ‘pseudo’ vontade de Deus, ou fazer a ‘obra’ de Deus. Mas, como você já aprendeu, a vontade de Deus e a obra de Deus é que o homem creia naquele que Ele enviou.

Algumas pessoas perguntaram a Cristo sobre o que fazerem para executarem a obra de Deus, ou seja, o que deveriam realizar para serem servos de Deus, e a resposta de Jesus é clara: “A obra de Deus é esta: crede naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

Hoje, são muitas as mensagens que dizem que o cristão deve servir e obedecer a Cristo dando-lhe o primeiro lugar em suas vidas. Para uns, servir a Cristo é ter uma religião; outros entendem que precisam de uma filosofia de vida; outros entendem que servir a Cristo decorre do comportamento, da moral e da ética.

Pelas suas ações os homens nunca alcançarão a salvação de Deus, porém, além de serem religiosos, moralistas, formalistas, legalistas, tradicionalista, etc, aplicam-se aos jejuns, celibatos, isolamentos, sacrifícios, meditações, orações, rezas, abstinências, etc, tudo na procura de salvação.

Mas, não é isto que Deus preparou para os seus filhos, àqueles que creem no nome do seu Filho. Em Cristo Jesus há liberdade. Aos seus filhos ele convida que vivamos o presente século de maneira sóbria e piamente “Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” ( Tt 2:12 ).

O apóstolo Paulo recomenda que os filhos da luz comportam-se como filhos da luz, porém, não é o comportamento dos filhos da luz que os tornam filhos “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 ).

Há muitos lideres cristãos que aprisionam os seus seguidores através de ordenanças em nome da obediência ao evangelho de Cristo. Fica o alerta de Paulo: Que ninguém faça de você uma presa, pois já obedecestes de coração a forma de doutrina que lhe foi apresentada ( Cl 2:8 ; Rm 6:17 ).

Que ninguém prive você do prêmio tentando sujeitá-lo a ordenanças como não tocar, não provar ou não manusear ( Cl 2:18 ). Que ninguém te julgue pela comida, pela bebida, por dias, por festas, por vestes, pois já estais unidos à Cabaça, que é Cristo.

Após você ter obedecido a Deus por intermédio do evangelho, a única obra que deve realizar é a perseverança, pois a perseverança é a OBRA perfeita da fé Tg 1: 4, pois quem te guardará incontaminado do mal é Deus ( Jo 17:15 ); “Mas fiel é o SENHOR, que vos confirmará, e guardará do maligno” ( 2Ts 3:3 ).

É preciso diferenciar obediência a verdade, que é crer em Cristo, do dever de amar os irmãos. O amor aos irmãos não promove a salvação, mas a obediência à verdade promove. Porém, a obediência à verdade leva ao amor fraternal não fingido ( 1Pe 1:22 ; 1Jo 3:23 ).

 

Perguntas:

1) O que é obediência a Deus?

R. Crer no seu Filho, o enviado de Deus ( 1Jo 3:23 )

2) O que é crer?

R. É descansar na promessa de salvação em Cristo. Crer em Cristo, ou cumprir o mandamento de Deus também é designado como obediência: “Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade…” ( 1Pe 1:22 ).

3) Qual a relação entre obediência e os mandamentos do Senhor?

R. Cumprir os mandamentos de Deus é obedecer e obedecer é cumprir os seus mandamentos. Ora, quem obedece a Deus crê naquele que Ele enviou, e quem obedece crê no enviado de Deus.

4) Você é obediente a Deus?

R. Se você crê em Cristo como salvador conforme diz as escrituras, você é obediente.

5) O que Jesus exige daqueles que lhe chamam ‘Senhor, Senhor’?

R. Que façam a sua vontade, que é crer em Cristo conforme diz as Escrituras.

6) Qual é a obra perfeita da fé?

R. Perseverar na esperança proposta. A perseverança é a obra perfeita da fé (evangelho)!

7) O que fazer para executar as obras de Deus?

R. Que creiais naquele que ele enviou.




Um inocente também é justo?

A Bíblia afirma que os homens alienaram-se de Deus desde a madre, e que andam errados desde que nascem, e segundo os seus corações falam mentiras ( Sl 58:3 ; Mt 12:34 ). Dentre os filhos dos homens não há ninguém que tenha entendimento e que busque a Deus ( Sl 53:2 ), e nem mesmo as crianças são apontadas como exceção a regra.


Um inocente também é justo?

“Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles” ( Gn 18:26 )

O Problema

É comum a ideia de que uma pessoa ‘inocente’ também é ‘justa’, como se estas duas palavras ‘inocente’ e ‘justo’ fossem sinônimas, porém, do ponto de vista bíblico não é correta está correlação entre as duas palavras.

A Bíblia ensina que inocente é o mesmo que justo? Uma criança recém nascida é inocente e justa? Um inocente pode não ser justo? O ímpio pode ser inocente?

Analisemos algumas passagens bíblicas.

 

As Crianças de Sodoma e Gomorra

Observe este diálogo entre Deus e o patriarca Abraão: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? Então disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles” ( Gn 18:25- 26 ).

Este diálogo é muito conhecido, porém, é comum não serem feitas as seguintes perguntas: havia inocentes nas cidades de Sodoma e Gomorra? As crianças das cidades de Sodoma e Gomorra não eram inocentes, e por que elas foram destruídas? Elas, apesar de serem inocentes, também eram ímpias, uma vez que foram destruídas?

Consideremos o que Deus disse a Abraão: “Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles ( Gn 18:26 ). Deus garantiu a Abraão que, se houvesse dentro dos portões das cidades de Sodoma e Gomorra pelo menos dez justos, não destruiria as cidades! ( Gn 18:32 )

Como bem sabemos, as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas, pois os três justos que haviam na cidade foram resgatados de lá, ou seja, Deus demonstrou que jamais destrói o justo com o ímpio, e que o juiz de toda a terra efetivamente faz justiça, pois não trata os justos como trata os ímpios ( Gn 19:16 ).

Após observar as garantias que Deus concedeu a Abraão “Não a destruirei por causa dos dez” ( Gn 18:36 ), e o resultado final, a destruição de Sodoma e Gomorra ( Gn 19:25 ), chega-se a seguinte conclusão: diante de Deus, ser ‘inocente’ não é o mesmo que ser ‘justo’, pois, se os inocentes fossem justos, ambas as cidades não seriam subvertidas devido às inúmeras crianças que haviam naquelas cidades.

Neste mesmo diapasão, o que dizer de milhares de crianças ‘inocentes’ que foram mortas no dilúvio, sendo que somente Noé foi declarado justo por Deus ( Gn 6:9 ; Gn 7:1 ; Hb 11:7 ).

Que dizer dos filhos de Acã? Eles também eram ímpios, mesmo sendo inocentes? ( Js 7:24 ). Os primogênitos do Egito não eram inocentes? ( Ex 12:29 ).

Através destes eventos é possível determinar que, ser inocente não e o mesmo que ser justo, e que ser justo não é o mesmo que ser inocente.

 

Os inocentes

Geralmente a Bíblia utiliza a palavra ‘inocente’ para designar uma pessoa ingênua, ou desavisada, como se lê: “Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” ( Ex 20:7 ), ou seja, após receber o alerta solene “Não tomarás o nome do Senhor em vão”, o homem deixa de ser inocente.

Qualquer que utilizasse o nome de Deus em vão não mais seria considerado inocente, pois foi alertado.

Ora, se qualquer que for avisado pelo Senhor deixa de ser inocente, temos que Adão nunca foi inocente, pois ele foi avisado por Deus do mau, mas resolveu por si mesmo passar, e como conseqüência sofreu a pena “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:17 ).

Por causa do alerta solene Adão deixou de ser inocente, porém, continuava sendo um homem justo e sem conhecer o bem e o mal. Após desobedecer, Adão deixou de ser justo e passou a ser como Deus, conhecedor do bem e do mal.

O alerta divino acerca das conseqüências em ser participante da árvore do conhecimento do bem e do mal arrancou a inocência de Adão. Adão deixou de ser justo após desobedecer e passou a ser como Deus: conhecedor do bem e do mal, em virtude de ser participante (comer) da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Ou seja, a inocência de Adão foi perdida muito antes de ele conhecer o bem e o mal. A inocência não se perdeu após a transgressão, ou seja, antes mesmo da ofensa Adão já não era inocente por causa do alerta solene de Deus.

Salomão alertou: “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pv 27:12 ). Ou seja, o aviso torna o homem apto para ver o mal, e este, por sua vez, deve se esconder. Em contra partida, o simples, o desavisado, o inocente, passa e sofre a pena! Por quê?

É comum os homens atinarem que o inocente não deva sofrer a pena, mas a Bíblia demonstra que a pena não passa do simples (inocente) “O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando” ( Pv 22:3 ).

Mesmo os inocentes são passíveis de punição, mesmo as criancinhas inocentes são tratadas como os adultos, pois ambos são ímpios diante de Deus, e sofrem a pena: destituídos da glória de Deus.

 

Uma Criança pode ser considerada justa?

Após esta abordagem inicial, sobrevêm inúmeras perguntas: como é possível uma criança não ser justa, se ela é inocente? A partir de que idade uma criança é considerada ímpia? Qual a base da justiça de Deus ao destruir crianças e adultos? Etc.

As alegações de Abraão são verdadeiras: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” ( Gn 18:25 ), pois Deus mesmo diz: “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).

  • O juiz de toda a terra faz justiça;
  • Ele faz distinção entre justos e ímpios;
  • Deus não mata o justo com o ímpio, e;
  • Deus não declara (justifica) o ímpio como sendo justo.

Quando Deus recomendou ao povo de Israel algumas questões de direito, Ele orientou para que guardassem da falsa acusação, e que a pena capital não devia ser aplicada ao inocente e ao justo “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).

Este verso estabelece uma diferença significativa entre justo e inocente, pois se ‘justo’ e ‘inocente’ fossem maneiras distintas de fazer referência a uma mesma condição, Deus não estabeleceria a distinção: não matarás o inocente e o justo ( Ex 23:7 ).

Tudo começou com Adão, o primeiro pai da humanidade. Através dele a humanidade lançou mão de uma condição miserável. Por causa da ofensa dele todos os homens pecaram, e em um só evento, todos juntamente se desviaram de Deus ( Sl 14:3 ).

Adão foi criado por Deus santo, justo e bom, ou seja, ele compartilhava da natureza de Deus. Adão existia em comunhão com a Vida e compartilhava da glória de Deus.

Porém, Adão foi avisado por Deus que, no dia em que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, que estava no meio do jardim, haveria de morrer ( Gn 2:17 ).

Embora santo, justo e bom, Adão nunca foi inocente (ingênuo), pois foi alertado quanto as conseqüências de sua decisão “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pr 27:12 ).

Adão foi avisado e não se escondeu do mal, ou seja, por ter sido avisado, ele já não era simples, ou seja, inocente.

Há diferença entre ‘inocência’, que é ingenuidade e pureza, e ‘inocência’, que é estado de quem não é culpado, significado que é próprio aos tribunais. Não podemos confundir os significados da designação ‘inocência’, pois é essencial para a interpretação bíblica.

Para o Dr. Scofield houve a dispensação da inocência, ou seja, ‘o homem foi criado em inocência, colocado em um ambiente perfeito (…) e advertido das conseqüências da desobediência’ Bíblia de Scofield com Referências, explicação a Gn 1:28 . Ora, como foi avisado por Deus, Adão já não era mais ‘simples’ (inocente, ingênuo), mas não era culpado, ou melhor, segundo a linguagem utilizada nos tribunais ‘inocente’.

Deus criou o homem do pó da terra ( Gn 2:7 ), colocou-o no Jardim do Éden para lavrá-lo e guardá-lo ( Gn 2:15 ), e foi alertado por Deus quanto a árvore que estava no meio do jardim ( Gn 2:17 ). Adão foi criado puro (inocente, inculpável), santo e bom, e alertado (não mais inocente) quanto ao perigo de se comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Porém, apesar de avisado, tanto a mulher quanto o homem preferiram dar ouvidos à serpente: “Certamente não morrereis” ( Gn 3:4 ). Não dar ouvidos (credito) a palavra de Deus alienou (extraviou) o homem do seu Criador. Após atender a palavra de Satanás, o homem deixou de compartilhar da vida e da glória que há em Deus.

O Homem morreu conforme a palavra do Senhor ( Gn 2:17 )! A justiça divina não tardou: o homem foi julgado e apenado com a morte “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:18 ).

A morte é alienação de Deus. Por causa da lei santa justa e boa que diz: ‘… certamente morrerás’ ( Gn 2:17 ), o pecado encontrou ocasião na força da lei estabelecida por Deus, e por ela aprisionou o homem ( 1Co 15:56 ). Sem a lei que diz: ‘certamente morrerás’ ( Gn 2:17 ), não existia para o homem a possibilidade de alienação de Deus, ou seja, o pecado estaria morto ( Rm 7:8 ).

 

Os ímpios

Mas, porque os infantes de Sodoma e Gomorra, mesmo sendo inocentes, mentalmente e fisicamente incapazes de fazer o bem ou o mal não foram poupados por Deus? Por que não foram tidos por justos?

É fato: Deus prometeu que se houvessem dez justos nas cidades de Sodoma e Gomorra não a destruiria, porém, apesar de inúmeros inocentes, a cidade foi completamente destruída, o que nos deixa uma mensagem clara: as crianças não são justas, apesar de serem inocentes!

As cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas porque todos os homens foram formados em iniquidade, todos foram concebidos em pecado ( Sl 51:5 ).

O salmista Davi profetizou dizendo que todos os homens se desviaram e que juntamente se fizeram imundos ( 1Cr 25:1 ; Sl 53:3 ). Mas, onde e quando ocorreu o desvio, ou seja, a alienação da humanidade de Deus? Qual a idade que o homem passa a estar alienado de Deus?

A Bíblia afirma que os homens alienaram-se de Deus desde a madre, e que andam errados desde que nascem, e segundo os seus corações falam mentiras ( Sl 58:3 ; Mt 12:34 ).

Dentre os filhos dos homens não há ninguém que tenha entendimento e que busque a Deus ( Sl 53:2 ), e nem mesmo as crianças são apontadas como exceção a regra.

Profeticamente o salmista Davi escreve uma oração ao Senhor que retrata o anseio do Messias: “Ó Senhor, com a tua mão, livra-me dos homens do mundo, cuja porção está nesta vida. Enche-lhes o ventre da tua ira entesourada. Fartem-se delas os seus filhos, e dêem ainda os sobejos aos seus pequeninos” ( Sl 17:14 ).

Os ‘homens deste mundo’ referem-se aos filhos de Adão, e tudo que possuem restringe-se a este mundo. A ira de Deus está reservada aos homens deste mundo, conforme demonstra o apóstolo Paulo “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” ( Rm 1:18 ).

A informação acima é de conhecimento geral, porém, o mais interessante é a informação a seguir: “Fartem-se delas os seus filhos, e dêem ainda os sobejos aos seus pequeninos” ( Sl 17:14 ). Os filhos dos homens deste mundo também se fartarão da ira de Deus, e mesmo os seus pequeninos sobejarão da ira entesourada por Deus.

 

Julgamento e Condenação

O apóstolo Paulo traz a lume que a humanidade foi julgada e está sob condenação “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:17 ), o que difere de qualquer sistema religioso, pois todas as religiões dão conta que o juízo de Deus ainda está por vir.

Através de uma única ofensa Adão trouxe o juízo de Deus sobre todos os homens para condenação, ou seja, em Adão todos os homens se desviaram de Deus e juntamente se fizeram imundos ( Sl 53:3 ).

Todos os homens, sem exceção: homens, mulheres, crianças e velhos tornaram-se imundos e sob condenação.

A ofensa de Adão foi não crer na palavra de Deus que lhe preservaria a vida, o que o levou comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que o tornou como Deus, conhecendo o bem e o mal. A ofensa se deu antes do conhecimento do bem e do mal, portanto, a condenação não depende da consciência, ou da capacidade do homem em realizar o bem e o mal.

Quando a Bíblia afirma que o homem é escravo do pecado, ela demonstra que assim como os filhos de escravos eram escravos, todos os descendentes de Adão também são escravos. Não importa a idade ou condição social, se criança ou velho, uma vez descendente de Adão são escravos do pecado.

A escravidão é uma condição que se estabelecia sobre homens, mulheres, jovens e crianças, da mesma forma que o pecado. Não é porque as criancinhas de Sodoma e Gomorra não possuíam consciência e nem dispunham de condições para realizar bem ou mal, que eram justas. Embora inocentes, simples, sofreram a mesma pena que foi imposta aos adultos, pois já estavam condenados à perdição por serem descendentes de Adão, e, portanto, por serem servos do pecado (ímpios).

Que ação, que entendimento, que compreensão, do que era capaz um infante que o tornava escrava? Bastava simplesmente nascer de pais escravos para ser escravo. Não havia nenhuma ação ou omissão por parte da criança, e neste aspecto, todos os descendentes de Adão são escravos do pecado.

A condição é própria a todos os homens, e não se vincula a questões de méritos. O apóstolo Paulo ao falar da condição do homem em sujeição ao pecado utiliza o vocábulo ‘doulos’, indicando escravidão em oposição à condição do homem livre, que é ‘eleutheria’.

‘Doulos’ é um termo que não possui conotação moral ou ética, e que data de um período histórico anterior a Sócrates, e que, portanto, também já era de conhecimento do apóstolo. O apóstolo Paulo preferiu o vocábulo ‘Doulos’ em lugar de ‘eleutheria’, o que demonstra que a escravidão ao pecado não depende de questões morais ou comportamentais.

‘Doulos’ possui sentido diferente de ‘enkráteia’, que é um conceito socrático, que introduziu o conceito de liberdade ética. Este conceito estabelece a liberdade como possuidora de senhorio sobre a existência orgânica e psíquica do homem, indicando a virtude como sendo ‘conhecimento’ e fundamentando a liberdade do homem no conhecimento e na racionalidade: conhecer o bem implica praticá-lo.

Observe: “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” ( Rm 6:17 ). O homem é servo do pecado sem qualquer conotação moral, uma vez que o apóstolo dos gentios utiliza o vocábulo ‘doulos’ e despreza o termo ‘eleutheria’.

 

O Caminho Largo

Quando Jesus orientou os seus ouvintes a entrarem por Ele: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ), ou seja, que nascessem de novo ( Jo 3:3 ), Ele também alertou acerca da porta larga.

Jesus é o último Adão, sendo necessário ao homem nascer de novo para ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:2 e 22 -23 ; 1Co 15:45 ).

Mas, como não é primeiro o espiritual, senão o animal (o terreno), pois primeiro os homens carnais são gerados através de Adão, que é a porta larga, por onde todos os homens entram ao nascer neste mundo, para depois entrarem pela porta estreita, segue-se que a porta larga é o primeiro Adão “… porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( MT 7:13 ).

Jesus alertou que a porta é larga e que o caminho que conduz a perdição é espaçoso. Ir à perdição não depende da vontade, da consciência, do conhecimento ou da volitividade do indivíduo. O que conduz à perdição é o caminho largo que o homem se encontra após ter nascido segundo a vontade da carne, do sangue e da vontade do varão ( Jo 1:12 ).

De modo semelhante, é Cristo, o caminho, que conduz o homem a Deus, e, portanto, é necessário nascer de novo para trilhar o novo e vivo caminho.

 

Conclusão

Deus destruiu Sodoma e Gomorra porque não havia dez justos em ambas as cidades, o que nos faz lembrar dos infantes que nelas habitavam.

Como Deus garantiu que não destruiria as cidades se houvesse nela dez justos, e acabou subvertendo Sodoma e Gomorra, conclui-se que as crianças não eram justas, embora fossem inocentes.

Devemos ter em mente também que a palavra inocente no Antigo Testamento tem o sentido de alguém ‘simples’, ‘desavisado’, diferente do sentido que passou a predominar ao longo dos anos, devido aos tribunais.

A ação de Deus no Antigo Testamento reitera a declaração do Salmista Davi, que diz: “E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente” ( Sl 143:2 ). O apóstolo Paulo reitera: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” ( Rm 3:10 ), nem os infantes.

Em nenhuma das referências bíblicas excetuam-se as crianças, que embora sejam inocentes, diante de Deus são ímpias.

Esta distinção entre justo e inocente se fez necessária porque muitos cristãos, embora admitam que a humanidade sem Cristo seja réu do inferno por causa da sua natureza pecaminosa, entendem que os infantes não se enquadram neste quesito, pois entendem que os infantes não são lúcidos e não possuem consciência para diferenciar o bem do mal, o que impede que exteriorizem uma ação ou omissão pecaminosa.

Ou seja, contraria totalmente a mensagem de Cristo: os homens são sujeitos do verbo ‘hamartia’ porque são escravos do pecado, e não o contrário: são pecadores por causa de suas ações e omissões.

Qual a condição dos inocentes de Sodoma e Gomorra? “Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles” ( Gn 18:26 ). Eram ímpias, pois Abraão argumenta: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” ( Gn 18:25 ).