Eleição e Predestinação

Pela onisciência Deus conhece (saber) todos os salvos e todos os perdidos em todos os tempos. Entretanto, há aqueles que Deus nunca conheceu (nunca foram um com Ele) e estes irão para o fogo eterno (Mt 7:23) e há aqueles que conhecem a Deus, ou antes, são conhecidos d’Ele, ou seja, são um com Ele e são salvos (Gl 4:9).


Eleição e Predestinação

“Porquanto, aos que de antemão conheceu, também, os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Romanos 8:29 -30)

Os fins da predestinação

É consenso entre os estudiosos pensar a predestinação tendo o homem como fim imediato, isso porque, na sua grande maioria, entendem que, através da predestinação, Deus concede salvação aos homens.

Apesar de inúmeros textos bíblicos rezarem que Deus salva o homem por meio  do evangelho, que é poder de Deus para salvação de todo que crê (Rm 1:16), simplesmente, ignoram a verdade e se agarram a algumas teorias teológicas.

Sem embargo, os apóstolos afirmam, com todas as letras, que Deus, segundo a sua misericórdia, salva o homem pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, ou seja, pela semente incorruptível, que é a palavra de Deus (Tt 3:5).

Mesmo diante de declarações contundentes, de que Cristo Jesus aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo evangelho, (2 Tm 1:10; Ef 1:13; 1 Co 1:21), muitos insistem em afirmar que a salvação se dá através da predestinação.

 

O fim imediato da predestinação está vinculado a Cristo

Na Antiga Aliança, os primogênitos tinham direito a vários privilégios, em relação aos demais irmãos, pois, a eles, pertencia a bênção, o principado, o sacerdócio, porção dobrada da herança, etc. Em virtude de ter nascido primeiro, em relação aos demais irmãos, o primogênito detinha a preeminência em tudo.

Semelhantemente, Cristo é o primeiro a ressurgir dentre os mortos e, por isso, foi declarado primogênito dentre os mortos (Cl 1:18; Ap 1:5). Ao ressurgir dentre os mortos, Cristo conduziu muitos filhos à glória de Deus (Hb 2:10), de modo que Aquele que foi introduzido no mundo, na condição de Unigênito, agora é primogênito entre muitos irmãos.

Mas, para Cristo ser primogênito entre muitos irmãos, cada irmão, necessariamente, deve ser semelhante a Ele, pois, só é irmão aquele que participa das mesmas coisas (Hb 2:14). Cristo, para chamar os homens de irmãos, teve de participar da carne e do sangue (Hb 2:11-14), semelhantemente, os homens, para chamarem o Cristo glorificado de irmão, necessitam ser participantes de Sua glória.

A solução dessa equação está na predestinação! Na eternidade, antes de haver mundo, Deus estabeleceu que todos os homens salvos por intermédio do evangelho estão predestinados a serem conforme a imagem de Cristo, com o único objetivo de Ele ser o primogênito entre muitos irmãos.

Ao ser gerado de novo, através da semente incorruptível, o novo homem em Cristo faz parte da geração eleita, ou seja, eleito antes da fundação do mundo, para ser santo e irrepreensível diante de Deus (Ef 1:3).

Isso significa que Deus não elegeu indivíduos para serem santos e irrepreensíveis, mas, elegeu a geração de Cristo. Se Deus tivesse elegido indivíduos a escolher, a escolha recairia sobre os descendentes da geração imunda e culpável, segundo a semente corruptível de Adão. Entretanto, Deus elegeu a descendência de Cristo, o último Adão, pois os homens gerados segundo Cristo, são criados em verdadeira justiça e santidade, ou seja, santos e irrepreensíveis.

Como a geração de Cristo é eleita, significa que todos os que são gerados de novo, pela verdade do evangelho, sem exceção, também são predestinados a serem semelhantes a Cristo (1 Jo 3:1-2). Através da predestinação, todos os salvos pela misericórdia de Deus, demonstrada por intermédio do evangelho, terão a mesma imagem do homem celestial: Cristo (1 Co 15:49).

O evangelho foi anunciado para a salvação e a predestinação estabelecida para a imagem. O evangelho é semente incorruptível que trás à existência novas criaturas e são eleitos por terem sido de novo gerados segundo o último Adão, o eleito de Deus.

A eleição e a predestinação estão em conexão com a aprovação régia que Deus propusera em Si mesmo na pessoa de Cristo de, na plenitude dos tempos, tornar a congregar em Cristo todas as coisas, tanto as do céu quanto as da terra (Ef 2:9-10).

Nos céus, Cristo foi elevado à posição de cabeça da Igreja (Ef 1:22), e na terra à posição de mais sublime (Sl 89:27). Ao eleger Abraão, Deus congregou as coisas da terra em Cristo, e no Descendente prometido a Abraão, Cristo, Deus congregou as coisas dos céus.

“E sujeitou todas as coisas a seus pés e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja” (Ef 1:22);

“Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra” (Sl 89:27)

Segundo o conselho da Sua vontade, o propósito de Deus estabelecido em Cristo foi levado a efeito quando Ele se assentou à destra da Majestade nas Alturas, na posição de cabeça da Igreja, Primogênito entre muitos irmãos.

Agora, Cristo está aguardando que todos os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés (Sl 110:1), quando Ele se levantará para reger as nações da terra, assentado sobre o trono de Davi, seu pai, como o mais elevado do que os reis da terra.

Mas, como é ser semelhante a Cristo? Segundo o apóstolo João, ainda não é manifesto como haveremos de ser, mas uma coisa é certa: quando Cristo se manifestar seremos semelhantes a Ele! (1 Jo 3:2)

 

O fim mediato da predestinação em relação aos homens

Na eternidade, Deus decretou que a geração de Cristo, além de ser santa e irrepreensível, visto que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, todos os gerados d’Ele serão conformes à imagem de seu Filho.

É impossível Deus escolher os descendentes da carne de Adão, pois todos, juntamente, se desviaram e se fizeram imundos. Mas, por intermédio de Cristo, o homem, segundo Adão, que ouve a mensagem do evangelho e crê, morre e é sepultado com Cristo e, em seguida, ressurge uma nova criatura, santa e inculpável, predestinada a ser conforme a imagem de Cristo.

Tanto a eleição quanto a predestinação, estão relacionados à nova criatura, ou seja, àquele que está em Cristo. Por conseguinte, aquele que está em Cristo conhece a Deus e é conhecido d’Ele. É ‘conhecido’ de Deus, por estar intimamente ligado a Ele, ou seja, se fez um só corpo com Ele.

O fim imediato da eleição e da predestinação é a preeminência de Cristo, sendo que, na eternidade, a geração de Cristo foi eleita e predestinada a ser conforme a imagem de Cristo, segundo a vontade de Deus. Tanto a eleição, quanto a predestinação, foram levadas a efeito, quando da vinda da existência ao mundo das novas criaturas, que são criadas segundo o mesmo poder de Deus, manifesto em Cristo.

As benesses da eleição e da predestinação são herdadas no nascimento do cristão, de modo que, ser santo e irrepreensível  conforme a imagem de Cristo, não resulta de obras realizadas pelo crente, antes, tais benesses foram concedidas em Cristo, antes dos tempos dos séculos, segundo o próprio propósito de Deus: fazer Cristo preeminente em todas as coisas.

“Que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos” (2 Tm 1:9).

Quanto à salvação, a eleição e a predestinação não têm um fim, e sim, a misericórdia e a graça de Deus, concedidas pelo evangelho.

A misericórdia de Deus é manifesta à humanidade na encarnação de Cristo, que concede salvação a todos que n’Ele creem. O evangelho que concede salvação aos que creem foi anunciado, primeiramente, a Abraão (Gl 3:8) e hoje o evangelho é anunciado como o mandamento de Deus.

“Mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada, segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador” (Tt 1:3);

“Mas que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações, para obediência da fé” (Rm 16:26).

O mandamento de Deus é dado a todas as nações, para que obedeçam ao evangelho, a fé que uma vez foi dada aos santos (Jd 1:3).

“Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação?” (Rm 10:16);

“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” (1 Pd 4:17).

“Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Ts 1:8).

O mandamento do evangelho é crer em Cristo (1 Jo 3:23), a obra que o homem precisa realizar para se tornar servo de Deus (Jo 6:29). Só ama a Deus quem cumpre o seu mandamento, de modo que quem crê em Cristo, verdadeiramente amou a Deus.

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai,  eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14:21);

“Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus (Jo 16:27).

O evangelho é mandamento de Deus que demanda obediência. Quem obedece ao evangelho de Cristo não tem medo, pois o medo decorre da penalidade imposta ao desobediente (1 Jo 4:18).

Diante do evangelho de Cristo, o homem não pode ficar passivo. A ordem é: – “Entrai pela porta estreita” (Lc 13:24); “Operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2:12).

Com o homem efetua a própria salvação? O homem é salvador de si mesmo? É claro que não! Deus providenciou salvação poderosa a todos os homens na casa de Davi quando enviou Cristo ao mundo.

Quem obedece a Cristo ‘salvar-se-á’, pois o ‘temor’ diz do mandamento de Deus e o ‘tremor’ da obediência à sua palavra.

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á,  entrará, sairá e achará pastagens” (Jo 10:9).

O fim da fé, ou seja, o objetivo do evangelho é a salvação do homem:

“Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas” (1 Pd 1:9).

O fim da predestinação é a primogenitura de Cristo, pois, por ela, os homens são constituídos conforme a imagem de Cristo, portanto, o fim da predestinação não é a salvação.

O termo grego τελος, transliterado telos e traduzido por ‘fim’, no contexto, tem o sentido de propósito, objetivo. O termo πιστις, transliterado pistis e traduzido por ‘fé’, no contexto significa ‘verdade’, ‘fidelidade’, ‘lealdade’, em substituição ao termo ‘evangelho’, que é a ‘fé’ anunciada em todo o mundo (Rm 1:8).

A ‘fé’ deve ser anunciada a todas as gentes e obedecida (Rm 1:5), pois ela é o dom de Deus, por meio da qual o homem é salvo.

“Porque, pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8);

“Pelo qual, recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da entre todas as gentes pelo seu nome (…) Primeiramente, dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque, em todo o mundo, é anunciada a vossa (Rm 1:5 e 8).

É por meio do evangelho de Cristo que o homem é salvo, de modo que, aos não crentes não se prega eleição ou predestinação mas, sim, o evangelho, a palavra da redenção, que é poder de Deus para salvação.

“E nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim” (1 Ts 2:16).

“E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo (Lc 8:12).

Deus não escolheu e nem predestinou indivíduos para a salvação, pois é contraditória a concepção de que Deus deseja que todos se salvem e, no entanto, escolhe e predestina somente alguns para a salvação. Salvar a humanidade é desejo de Deus por sua graça e misericórdia, tanto que deu o Seu Filho Unigênito, no entanto, para ser salvo o homem precisa se tornar um com a verdade, crendo.

“Que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2:4);

“Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:40).

É imprescindível ao homem ‘conhecer’ a verdade, por dois motivos:

  1. Primeiro, para ser salvo, e;
  2. Em segundo lugar, para ser eleito e predestinado.

Pois só é predestinado a ‘serem conformes à imagem’ de Cristo, para que Ele seja o Primogênito entre muitos irmãos, aqueles que O conheceram, ou seja, que se fizeram um corpo com Cristo, a verdade que liberta (Jo 8:32). Mesmo Deus querendo salvar todos os homens, o meio de salvá-los não é através da Sua soberania, e sim, através da palavra da verdade!

Há um equívoco que perdura entre os teólogos, de que o termo grego προγινοσκω (proginosko), traduzido por ‘dantes conheceu’ significa ‘ter conhecimento de antemão’, ‘prever’, ‘predestinar’.

Entretanto, o termo, no contexto, foi utilizado como expressão idiomática judaica, indicando comunhão intima, quando o homem e a mulher se tornam uma só carne. São predestinados somente os que se tornaram um com o Pai e o Filho, ou seja, que ‘conhecem’ a Deus (Jo 17:21).

Somente os que se tornam uma só carne com Cristo, ou seja, os que amam a Deus, crendo que Jesus é o Cristo, também foram predestinados para serem conformes à imagem de seu Filho (Rm 8:29).

Deus é onisciente, ou seja, igualmente conhecedor de todas as coisas, quer seja do passado, quer do presente ou, do futuro. Ao dizermos que Deus é presciente, estabelecemos uma subdivisão da onisciência, que tolhe a compreensão acerca desse atributo de Deus. Deus anuncia de antemão, por intermédio dos seus profetas, eventos futuros, o que se dá pela sua onisciência e não pela sua presciência.

Pela onisciência Deus conhece (saber) todos os salvos e todos os perdidos em todos os tempos. Entretanto, há aqueles que Deus nunca conheceu (nunca foram um com Ele) e estes irão para o fogo eterno (Mt 7:23) e há aqueles que conhecem a Deus, ou antes, são conhecidos d’Ele, ou seja, são um com Ele e são salvos (Gl 4:9).

A má leitura de alguns versos impera, quando homens torcem a verdade exposta pelos apóstolos, com o objetivo de exporem uma doutrina contrária ao evangelho.

Por exemplo, leem 1 Pedro 1, verso 2 (“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.”), como se Deus elegeu alguns segundo a sua ‘presciência’. No entanto, o apóstolo Pedro estava enfatizando que os cristãos são eleitos segundo o anunciado de antemão pelos profetas (presciência), conforme expresso nos versos 10 a 12 do mesmo capítulo (1Pe 1:10 -12).

Os cristãos são designados ‘eleitos’, segundo o anunciado de antemão pelos profetas, santificados pela palavra de Cristo, vez que as palavras de Cristo são espírito e vida, sendo necessária aos cristãos a obediência, para serem purificados:

“… eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pe 1:2).

Ao escrever aos Tessalonicensses, o apóstolo Paulo expressa a mesma verdade:

“… porque Deus vos escolheu[1], desde o princípio, para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2 Ts 2:13).

O verso não trata de uma ‘escolha’ para ser salvo, antes pela santificação do evangelho (vez que o crente é ministro do espírito) e pela crença (fé) na verdade, os cristãos foram tomados como propriedade (herança) de Deus, desde o princípio, para a salvação (Ef 1:11 e 14), pois a salvação é o fim da fé (verdade).

O objetivo fim da predestinação é a preeminência de Cristo, mas, só os que se fizeram um corpo com Cristo (conheceram), são predestinados (Rm 8:29). Porém, os predestinados também foram eleitos, ou seja, foram feitos santos e irrepreensíveis (Ef 1:3).

Contudo, para ser predestinado e eleito, primeiro Deus declara justo o novo homem que ressurge com Cristo, porque, para ser justificado, é necessário ao homem morrer com Cristo, quando por intermédio do evangelho, o homem torna-se participante da carne e do sangue de Cristo (Rm 4:25; Rm 6:7; Jo 6:55).

Mas, para o crente ser justificado, eleito e predestinado, primeiro teve que ser glorificado, tornando-se um só corpo com Cristo, ou seja, conhecendo a Cristo. O crente é glorificado quando ressurge dentre os mortos com Cristo, pois, sofreu com Cristo, para ser participante da glória da sua ressurreição (Rm 8:17; Cl 2:12; Cl 3:1).

Os que estão em Cristo são templos de Deus, ou seja, conhecidos de Deus, membros do Seu corpo, concomitantemente, também, estão destinados a serem conforme a imagem de Cristo, quando se revelarem os filhos de Deus (Rm 8:19).

Mas, para fazerem parte do propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo, de fazê-Lo preeminente em todas as coisas, através do poder que há no evangelho, para salvação do que crê, Deus glorificou os que creram, ressuscitando-os com Cristo e os declarou justos, livres de condenação!

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “138 αιρεομαι haireomai provavelmente semelhante a 142; TDNT – 1:180,27; v 1) tomar para si, preferir, escolher 2) escolher pelo voto, eleger para governar um cargo público”, cf. Dicionário Bíblico Strong.




A essência da doutrina da predestinação

Deus nunca vinculou a perdição ou a salvação como destino dos homens, antes vinculou a salvação e o destino ao caminho no qual estão, por isso ninguém está predestinado à salvação ou à perdição.


A essência da doutrina da predestinação

“E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:49)

A imagem do terreno e do celestial

Ao abrir a madre todos os homens estão predestinados a serem conforme a expressa imagem de seus pais, daí a base da premissa do apóstolo Paulo: ‘… trouxemos a imagem do terreno…’ (1 Co 15:49).

Antes de todos os homens nascerem, já estava determinado qual imagem teriam: a imagem dos seus pais! Ninguém escapa ao que está preordenado, acerca da imagem que os pais transmitem aos seus filhos.

Semelhantemente, assim como todos estão predestinados a herdarem a expressa imagem dos seus pais terrenos, quando em Cristo, também estão predestinados a serem conforme a expressa imagem de Cristo.

Sobre esta verdade, declara o apóstolo Paulo, que Deus predestinou ‘para serem conforme a imagem de seu Filho’, todos os que creem em Cristo, através da mensagem do evangelho  (Rm 8:29), de modo que todos os que são de novo nascidos, passam a ter a imagem do homem celestial, que é Cristo.

 

O primeiro Adão e o último Adão

A afirmação de que todos quantos abrem a madre estão predestinados a serem conforme a imagem dos seus pais, remete a Adão, o primeiro homem. Quando Deus criou Adão, ele foi feito alma vivente e, por serem descendentes dele, todos os homens foram feitos almas viventes, de posse da imagem que Adão foi criado.

De Jesus Cristo, o Senhor, é dito que Ele é o último Adão, espírito vivificante e homem celestial. Por intermédio do evangelho, a semente incorruptível, todos os que são de novo gerados, são celestiais e conforme a imagem de Cristo.

A essência da predestinação bíblica está expressa nestes versos:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais, também, os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:45-49).

Da mesma forma que é impossível os filhos não compartilharem da mesma imagem dos seus pais, essa impossibilidade se estende aos homens ‘celestiais’. Por causa desta impossibilidade, de ‘terrenos’ e ‘celestiais’ não se desvincularem da imagem que herdam ao nascer, é dito que estão ‘predestinados’. Os celestiais estão predestinados a serem conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos. Há uma grande diferença em ser predestinado para salvação e ser predestinado a ser conforme a imagem.

 

Predestinar

O verbo grego traduzido por ‘predestinar’ é προορίζω (proorizó), que significa predeterminar, decidir de antemão e foi utilizado nas seguintes passagens bíblicas: Atos 4:28, 1 Corintios 2:7, Romanos 8:29 e Efésios 1:5 e 11.

Ao criar o homem, Deus estabeleceu que os descendentes de Adão seriam conforme a imagem de Adão. Neste quesito, diz-se que Deus ‘προορίζω’, ou seja, deixou estabelecido, preordenou, traçou limites, antes de os descendentes de Adão virem à existência, acerca de qual imagem teriam: a imagem do homem terreno.

Por que Deus estabeleceu, de antemão, que a imagem dos celestiais seria conforme a imagem de Cristo, o homem celestial? O motivo pelo qual os celestiais são conforme a imagem dos celestiais é claro e especifico: para que Jesus Cristo seja o primogênito de Deus entre muitos irmãos!

“Porque os que dantes conheceu, também, os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).

Jesus foi introduzido no mundo na condição de unigênito de Deus, mas, ao ressurgir dentre os mortos, tornou-se o primogênito de Deus. Por quê? Porque todo aquele que crê na verdade do evangelho ressurge uma nova criatura com Cristo. Ao crer em Cristo, o homem morre, é sepultado e ressurge uma nova criatura, criada segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

Por intermédio de Cristo, o homem alcança a imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), pois, Cristo é a expressa imagem do Deus invisível, o primogênito de toda Criação e os que creem são feitos à sua expressa imagem e semelhança: “O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênitos de toda a criação” (Cl 1:15).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que haveremos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos” (1 Jo 3:2).

A predestinação dos que creem, para serem semelhantes a Cristo, visa satisfazer o propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo: a preeminência de Cristo em tudo, e não a salvação do homem, que de dá pela loucura da pregação.

O mistério da vontade Deus, diz do beneplácito proposto em Si mesmo, que é tornar a reunir em Cristo todas as coisas!

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1:18);

“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus, como as que estão na terra” (Ef 1:9-10).

A predestinação bíblica é funcional, pois visa o propósito eterno de Deus estabelecido em Cristo: exaltá-lo soberanamente!

“Por isso, também, Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fl 2:9).

 

Equívocos do calvinismo e arminianismo

Na cultura greco-romana encontramos a concepção fatalista e na cultura grega antiga, temos os mitos, como as Moiras e o estoicismo entre os gregos e romanos.

Essa concepção fatalista acabou por influenciar pensadores cristãos, de modo a pensar que todos os eventos são arquitetados por Deus, ao que nomeiam predestinação, diferenciando do fatalismo, pelo fato de não recorrer a nenhuma ordem natural.

Vale destacar que as correntes filosóficas como o ‘fatalismo’ e a ‘predestinação’ diferem do determinismo, ‘teoria filosófica de que todo acontecimento (inclusive o mental) é explicado pela determinação, ou seja, por relações de causalidade’ Wikipédia.

Enquanto a Bíblia apresenta a predestinação, relacionada com o propósito eterno que Deus estabeleceu na pessoa de Cristo, alguns teólogos, como Agostinho de Hipona e João Calvino, influenciados pelo pensamento greco-romano,  entenderam que a predestinação é doutrina que trata da salvação de alguns e da condenação eterna de outros.

Em nenhuma passagem bíblica encontramos expresso que Deus predestinou alguém à salvação, antes encontramos que Deus predestinou aqueles que foram de novo gerados pela palavra da verdade, uma geração eleita, para serem conforme a imagem de Cristo (Rm 8:29). O novo homem, por ser gerado de Deus, alcança a mesma imagem de Cristo, além de ser herdeiro com Ele de todas as coisas.

Quando escreveu aos cristãos de Éfeso, o apóstolo Paulo enfatiza que Deus havia predestinado os cristãos a serem filhos por adoção, o que indica qual é a condição e natureza dos cristãos (Ef 1:5). O objetivo da predestinação, na qual os cristãos são feitos herança, visa o louvor da glória de Deus (Ef 1:11-12), não a salvação.

Uma má leitura do versículo 5, do capítulo 1, da carta de Paulo aos Efésios, dá conta que Deus predestinou os não crentes a serem salvos, porém, o apóstolo diz que Deus predestinou por adoção os santos e fiéis em Cristo, que estavam na cidade de Éfeso, a serem filhos (Ef 1:1).

Quando disse: ‘E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo…’, o apóstolo Paulo utilizou o pronome na primeira pessoa do plural: ‘nos’ (ἡμᾶς), indicando que tanto ele quanto os cristãos estavam predestinados, uma das bênçãos espirituais com que foram abençoados.

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça” (Ef 1:5-6)

É em Cristo que os cristãos são santos e fiéis. É em Cristo que os crentes foram abençoados, com todas as bênçãos espirituais. É em Cristo que os cristãos são eleitos e predestinados! Mas, como os cristãos passaram a estar em Cristo? Quando creram, ao ouvirem “a palavra da verdade, o evangelho da ‘vossa’ salvação” (Ef 1:13).

Os calvinistas e arminianistas erram o público alvo da predestinação, ao entenderem que esta se refere a não crentes em Cristo, sendo que o apóstolo Paulo aponta para a condição dos que creram em Cristo, em decorrência de uma das bênçãos concedidas: a predestinação.

Esperar de antemão (προελπιζω) em Cristo é o mesmo que ser conhecido (προέγνω) de Deus. O único modo de alcançar a salvação em Cristo é crendo no evangelho. Os que esperam em Cristo é porque creram no evangelho. Os que são conhecidos de Deus são aqueles que cumprem o seu mandamento, que é crer em Cristo (1 Co 8:3; 1 Jo 2:3).

Observe:

“Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1 Co 8:3);

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).

O que concede salvação ao homem é crer no evangelho, que é poder de Deus para salvação (Rm 1:16) e não a predestinação, que concede a imagem de Cristo aos que são salvos pelo evangelho.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16);

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13).

A fórmula para a salvação em Cristo, está expressa nos seguintes termos:

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que, com o coração se crê para a justiça e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Rm 10:8-11).

A Bíblia deixa claro que quem invocar a Cristo será salvo! A salvação em Cristo não segue o viés fatalista que é próprio ao pensamento greco-romano! Ninguém abre a madre predestinado à salvação, antes, ao nascer, entra por uma porta larga, que dá acesso a um caminho largo, cujo destino é a perdição.

O caminho que os homens trilham, quando vem ao mundo, está atrelado à perdição, pois entraram por uma porta larga quando nasceram: Adão. Já o caminho que os gerados de novo trilham está atrelado à salvação, por isso a necessidade de entrar por Cristo, a porta estreita.

Deus nunca vinculou a perdição ou a salvação como destino dos homens, antes vinculou a salvação e o destino ao caminho no qual estão, por isso ninguém está predestinado à salvação ou à perdição.

Todos os homens, quando vêm ao mundo, estão predestinados a serem conforme a imagem de Adão e essa verdade não podem mudar. Entretanto, todos os homens que entrarem no mundo estão em um caminho de perdição e essa condição só pode ser alterada, desde que os homens nasçam novamente.

Nenhum homem escolhe entrar pela porta larga, visto que todos os homens, ao virem ao mundo, entram por ela. A todos que entraram no mundo por Adão e que estão seguindo para a perdição, através do evangelho é ofertada a oportunidade de serem gerados de novo, entrando por Cristo, a porta estreita e o último Adão.

Ao nascer de novo, o homem se livra da condenação, que é próprio ao caminho largo, e atrelado à salvação em Cristo, torna-se participante da natureza divina, predestinado a ser conforme a expressa imagem de Cristo.

Embora ainda não seja manifesto o que haveremos de ser, contudo sabemos que seremos semelhantes a Cristo (1 Jo 3:2), pois o motivo da predestinação bíblica repousa no fato de que Cristo é o primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele:

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial (1 Co 15:45-49).




Predestinação

O termo predestinar é utilizado no Novo Testamento para fazer referência ao destino, que é exclusivo aos homens espirituais, gerados de novo em Cristo.


Predestinação

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 )

Destinados

O verbo grego traduzido por ‘predestinar’ é προορίζω (proorizó), e significa “decidir de antemão”, “demarcar de antemão”, “preordenar”.

O termo serve para apontar a condição do salvo estabelecida por Deus na eternidade. Todos os que creem em Cristo conforme a verdade do evangelho são de novo gerados através da semente incorruptível ( 1Pd 1:23 ), e quando revestidos da incorruptibilidade serão conforme a imagem expressa do Cristo glorificado “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

O homem vem ao mundo pela vontade da carne, vontade do varão e do sangue trazendo em si a imagem de Adão, o homem terreno ( Jo 1:12 ; 1Co 15:48 ), e somente quando creem em Cristo são gerados de novo da vontade de Deus segundo a verdade do evangelho, portanto, novas criaturas e, quando se der o revestimento da incorruptibilidade, todas as novas criaturas terão a imagem do homem espiritual, que é Cristo, o último Adão ( 1Co 15:48 -49).

O termo predestinar é utilizado no Novo Testamento para fazer referência ao destino, que é exclusivo aos homens espirituais, gerados de novo em Cristo. Os cristãos estão predestinados por Deus a serem conforme a expressa imagem de Cristo.

Deus estabeleceu de antemão que Cristo teria a posição de primogênito entre muitos irmãos, condição mais excelente que a de Unigênito, destinando aqueles que fazem parte do corpo de Cristo para este propósito “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

 

A semelhança do Altíssimo

Cristo homem foi o Unigênito de Deus introduzido no mundo em tudo semelhante aos homens para que fosse misericordioso sumo sacerdote ( Hb 2:17 ) e pudesse experimentar a morte por todos ( Hb 2:14 ).

Ao ser morto e ressurgir, Jesus foi glorificado à posição de primogênito dentre os mortos, e assumiu a posição de primogênito entre muitos irmãos, pois conduziu à gloria de Deus muitos irmãos ( Hb 2:10 ).

Cristo glorificado é a expressa imagem de Deus ( Hb 1:3 ; Cl 1:15 ), e herdou excelente nome que é acima de todos os nomes ( Fl 2:9 ), sendo Ele a cabeça do corpo, ou seja, da igreja, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos ( Ef 1:23 ). Os cristãos por sua vez, ressurgiram com Cristo e são membros do seu corpo, que é a igreja ( Cl 3:1 ).

Ainda não é manifesto como os salvos hão de ser ( 1Jo 3:2), contudo sabemos que todos os salvos serão conforme a imagem do Cristo glorificado, de modo que esta gloria que se revelará nos cristãos faz a criação gemer como se estivesse com dores de parto devido a expectativa no aguardando da manifestação dos filhos de Deus ( Rm 8:19 -21)

Quando revestidos da imortalidade e incorruptibilidade ( Rm 8:23), ou seja, quando se der a redenção do corpo no arrebatamento da igreja, os salvos em Cristo alcançarão a condição expressa por Deus registrada lá no Livro do Gênesis: – “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26 ), pois juntamente todos os gerados de Deus segundo a verdade do evangelho serão semelhantes ao Cristo glorificado, sendo Ele, por sua vez, a expressa imagem do Deus invisível ( Cl 1:19 ).

O propósito de Deus é eterno, e o seu propósito por ser eterno repousa sobre Ele mesmo, e não nas suas criaturas, que foram criadas, portanto, não são eternas.

“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo…” ( Ef 1:9 ).

E qual foi este propósito estabelecido ‘em Si mesmo’? Fazer o Filho Unigênito Primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele para que em tudo tenha preeminência.

“Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 );

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ; Cl 1:18 ).

Embora muitos filhos tenham sido conduzidos por Cristo à glória para levar a efeito o propósito eterno ( Hb 2:10 ), o cetro do propósito de Deus é o Cristo, ou seja, o Seu propósito foi estabelecido em Si mesmo ( Ef 1:9 ).

No corpo da carne do Filho Deus congregou todas as coisas ( Cl 1:20 -22), e Deus o exaltou soberanamente ( Fl 2:9 ), sujeitando todas as coisas aos seus pés e, acima de toda as coisas ( Cl 1:23 ), também foi constituindo como cabeça da igreja, o primogênito entre muitos irmãos ( Ef 1:22 ).

É necessário compreender qual a extensão da glória da igreja como corpo de Cristo, visto que Cristo foi posto acima de todo principado, domínio, autoridade, poder, etc., e acima de tudo, foi constituído cabeça da igreja, portanto, a igreja estará acima de todo principado, domínio, autoridade, poder, etc.

“Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” ( Ef 1:18-23).

Na eternidade, antes que houvesse mundo, Deus estabeleceu que a sua palavra fosse exaltada acima de todas as coisas ( Sl 138:2 ), e Cristo foi exaltado, pois ao ser introduzido na sua gloria se fez elevado e mui sublime ( Is 52:14 ). Para fazer o Cristo primogênito, seria necessário gerar muitos irmãos. Para torná-lo cabeça, seria necessário um corpo, a igreja.

Foi em vista do propósito estabelecido em Cristo que, por intermédio da pregação do evangelho (a loucura da pregação), Deus salva os descendentes de Adão que creem em seu testemunho acerca do Seu FIlho, pois aos que creem é dado o poder de serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12).

Aos perdidos no pecado é anunciado salvação no nome de Cristo, visto que os que comem da carne e bebem do sangue de Cristo tornam-se participantes de Cristo, ou seja, são constituídos membros do corpo de Cristo.

 

Vocação

Os que são salvos por intermédio do evangelho são chamados com uma vocação santa, ou seja, segundo o propósito estabelecido em Cristo antes dos tempos dos séculos “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

Por estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, o cristão está predestinado a ser conforme a imagem de Cristo, o que efetiva o propósito de Deus em Cristo, de torná-lo primogênito entre muitos irmãos, a mui sublime cabeça do corpo.

A vocação em Cristo foi estabelecida na eternidade com base no propósito estabelecido em Cristo, de modo que conceder à nova criatura a graça de ser participante deste propósito na condição de filhos ou de membros do corpo é graça que não decorre das nossas obras.

O apóstolo Paulo demonstra que, no corpo de Cristo quem planta e quem rega não há diferença, apesar de que cada um receberá individualmente o seu galardão conforme o seu trabalho “Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho” ( 1Co 3:8 ).

Isso significa que cada cristão será galardoado segundo o bem e o mal que houver feito por meio do corpo ( 1Co 3:13 -14; 1Co 9:17 ; 2Co 5:10 ; Cl 3:24 ), porém, a graça de ser contado como filho de Deus por estar em Cristo Jesus é graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos em virtude do propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

A vocação segundo o propósito de Deus estabelecido em Cristo antes dos tempos eternos é premio que só é dado aos que estão em Cristo, ou seja, às novas criaturas geradas de novo segundo a palavra da verdade “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” ( Fl 3:14 ).

Não se pode confundir o chamado do evangelho com a vocação segundo o propósito eterno, pois a vocação segundo o eterno propósito é para um conjunto específico de pessoas (todos os que creram em Cristo), enquanto o chamado do evangelho é universal (muitos), e tem por alvo todos os perdidos em decorrência da desobediência de Adão, mas os perdidos que atendem o convite são poucos ( Mt 7:14 ), dai o fato de poucos na condição de escolhidos “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” ( Mt 22:14 ).

Acerca do chamado universal do evangelho diz o apóstolo Paulo: “Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo” ( Rm 1:5 ).

A necessidade de obediência à palavra da fé é anunciada a todas as gentes ( At 15:14 -17), e entre todas as gentes os cristãos foram chamados para pertencerem a Jesus Cristo. Depois que ouviram a mensagem do evangelho de salvação e creram em Cristo, os cristãos passaram a ‘estar em Cristo’, ou seja, foram feitos novas criaturas “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

A salvação em Cristo é convite que se estende a todos os homens em todos os povos e durante o tempo que se chama hoje “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” ( Is 45:22 ); “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 ); “(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação)” ( 2Co 6:2 ).

Já a vocação segundo o propósito eterno se deu na eternidade, antes que houvesse mundo ( 2Tm 1:9 ). Na eternidade foi estabelecido Cristo preeminente entre muitos irmãos, acima de todas as coisas a cabeça da Igreja “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência ( Cl 1:18 ).

 

O propósito de Deus na criação

Para levar a efeito o Seu propósito, Deus criou Adão, o primeiro homem, segundo a imagem daquele que havia de vir, Jesus Cristo homem ( Rm 5:14 ).

Satanás, por sua vez, percebeu que Deus haveria de dar ao homem uma posição superior à dos anjos, a posição de semelhante ao Altíssimo, ao que intentou alcança-la para estar numa posição acima dos outros anjos ( Is 14:14 ).

A posição que Satanás cobiçou, Jesus Cristo ao ressurgir dentre os mortos alcançou, pois se satisfez da semelhança do Altíssimo, a expressa imagem de Deus ( Sl 17:15 ).

Todos que creem em Cristo, morrem, são sepultados e ressurgem com Cristo uma nova criatura na semelhança da sua ressurreição ( Rm 6:5 ),  e não possuem outro destino que não seja ser conforme a expressa imagem de Cristo para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos e, sobre todas as coisas a cabeça da igreja.

Todos os cristãos já são glorificados ( Jo 7:22 ; Rm 8:17 ; Rm 6:4 -5), pois já ressuscitaram com Cristo ( Cl 3:1 ) e estão assentados com Cristo nas regiões celestiais ( Ef 1:3 ; Ef 2:6 ; Hb 4:3 ).

Durante o tempo da peregrinação do crente, todos são concitados a permanecerem nesta graça e crescerem no conhecimento do evangelho, para que através do conhecimento chegue à medida da estatura de Cristo – homem perfeito – embora todos em Cristo sejam idôneos para a herança dos santos na luz “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” ( Ef 4:13 ; Cl 1:12 ).

É na redenção do corpo que o crente se conformará com a imagem de Cristo ressurreto. Só se dará no momento em que o que é mortal se revestir da imortalidade e o que é incorruptível se revestir da incorruptibilidade, o que se dará com o arrebatamento da igreja ( Rm 8:23 ).

O termo grego traduzido por ‘predestinar’ é utilizado pelo apóstolo Paulo na carta aos Romanos em conexão com a semelhança com Cristo, o que faz Cristo primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo utiliza o mesmo termo para lembrar os cristãos que eles foram abençoados com bênçãos espirituais por estarem em Cristo, ou seja, por serem novas criaturas.

Uma destas bênçãos é a ‘predestinação’ dos cristãos pelo fato de estarem em Cristo, o que os torna filhos de Deus por adoção ( Ef 1:4 ). Por serem novas criaturas, os cristãos foram feitos herança, pois a condição de semelhantes ao Filho de Deus a que foram predestinados redunda em louvor à glória de Deus ( Ef 1:11 -12).

A vocação que repousa sobre os membros do corpo de Cristo de serem conforme a imagem de Cristo é soberana e irrevogável, pois na eternidade Deus estabeleceu antes de todas as coisas que, para que Cristo fosse preeminente, a cabeça do corpo, todos os que fossem conduzidos á gloria por intermédio de Cristo seriam semelhantes a Ele.

 

A loucura da pregação

Deus salva os homens em todos os tempos, mas nenhum deles foi predestinado a ser conforme a imagem de Cristo senão os que foram vocacionados por Deus: a igreja. É no corpo de Cristo que a multiforme sabedoria de Deus é manifesta aos principados e potestades nos céus, pois o propósito estabelecido em fazer o Cristo preeminente entre muitos irmãos semelhantes a Ele se revela na igreja ( Ef 3:10 -11).

Enquanto na eternidade Deus soberanamente e irrevogavelmente predestinou os que no tempo em que se chama hoje aceitassem a salvação que Cristo oferece a serem conforme a expressa imagem do Cristo glorificado, no tempo presente, que se chama hoje, por intermédio dos seus embaixadores, que é a igreja, Deus roga aos perdidos que reconciliem com Ele “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ); “(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação)” ( 2Co 6:2 ).

Os que perseveram em Cristo estão predestinados a serem conforme a imagem do Cristo glorificado “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” ( Cl 1:23 ).

Enquanto os que estão ‘em Cristo’ (novas criaturas) serão conforme a imagem do Filho de Deus ressurreto, para estar ‘em Cristo’ é necessário ao perdido alcançar a salvação obedecendo a Cristo hoje “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” ( Hb 5:9 ).

Enquanto a bênção de ser conforme a imagem de Cristo é irrevogável aos que estão em Cristo, a graça da salvação por meio da obediência ao evangelho pode ser impedido “Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade?” ( Gl 5:7 ).

Diferente da ideia prolata pelos calvinistas e arminianistas, a Bíblia demonstra que ninguém vem ao mundo predestinado à salvação, pois todos são concebidos em pecado ( Sl 51:5 ), e precisam obedecer a forma de doutrina anunciada por Cristo e os apóstolos “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” ( Rm 6:17 ; Rm 10:8 ).

Somente após ouvir a palavra da verdade, o evangelho da salvação, e tendo crido em Cristo é que o homem é salvo “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ); “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Ninguém nasce segundo a carne predestinado a salvação, antes é necessário ouvir a mensagem de salvação e crer em Cristo como diz as Escrituras, decidindo-se por Cristo durante o tempo aceitável: hoje, perseverando até o fim crendo “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” ( Mc 16:16 ; Hb 3:6 e 14).

Só é predestinado aqueles que amam a Deus, ou seja, aqueles que obedeceram ao evangelho, pois só os que cumprem o mandamento de Deus que é crer em Cristo são chamados para serem  conforme a expressa imagem de Cristo, pois o propósito desta vocação é que o Cristo seja primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” ( Rm 8:28 ); “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” ( Jo 14:21 ; 1Jo 3:23 ).

Somente aqueles que previamente se tornam um com Cristo (conheceu) por intermédio do evangelho são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ); “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” ( 1Co 1:9 ).

O verbo grego traduzido por ‘conhecer’ não diz de ‘saber acerca de’, antes fala de comunhão intima, de ser um só corpo com Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” ( Rm 12:5 ); “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” ( 1Jo 3:24 ).

O chamado à comunhão do Filho promove a salvação no tempo que se chama hoje, já a vocação para ser conforme a imagem de Cristo se deu na eternidade segundo o propósito que Deus estabeleceu em Si mesmo, de tornar o Cristo glorioso e mui sublime entre muitos irmãos semelhantes a Ele.




A criação do homem e a encarnação do Cristo

Qual imagem e qual semelhança foram concedidas a Adão? A imagem e semelhança do Deus imortal que habita na luz inacessível que o apóstolo Paulo fez referência a Timóteo?


A criação do homem e a encarnação do Cristo

O nascimento do primeiro homem possui um ingrediente muito utilizado nas ficções cientificas: o tempo.

Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” ( Gn 1:26 -27).

Daí devemos perguntar: qual imagem e qual semelhança foram concedidas a Adão? Deus concedeu a Adão a expressa imagem e semelhança do Deus imortal que habita na luz inacessível que o apóstolo Paulo fez referência a Timóteo? “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém” ( 1Tm 6:16 ); “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” ( 1Tm 1:17 ).

Não!

A imagem que foi dada ao primeiro homem não foi a expressa imagem do Deus imortal e invisível, antes foi concedido a Adão a imagem do Cristo que haveria de vir ao mundo. Cristo veio ao mundo dos homens na plenitude dos tempos, e foi encarnado com a mesma imagem que havia dado ao homem quando criou Adão ( Gl 4:4 ).

O apóstolo Paulo ao interpretar Gênesis 1, verso 26, assim se expressou: “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ).

Aquele que havia de vir, ou seja, que havia de se manifestar é Cristo Jesus, o Filho Unigênito que, no princípio estava no seio do Pai e veio ao mundo na plenitude dos tempos revelar o Pai aos homens. Ele é a fé que foi manifesta ( Gl 3:23 ).

Adão foi criado à imagem daquele que havia de vir, e não à semelhança do Deus que habita a luz inacessível, pois a semelhança de Deus só é concedida aos homens que ressurgem com Cristo dentre os mortos “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ); “E criou Deus o homem à sua imagem” ( Gl 1:27 ).

Para que Jesus, o Filho Unigênito de Deus viesse ao mundo era necessário que o homem natural, o primeiro Adão fosse criado ( 2Sm 7:14 ; 1Co 15:45 ). O Cristo teve que ser participante da carne e do sangue do primeiro Adão para que em tudo fosse semelhante aos homens ( Hb 2:14 e 17), portanto, quando Adão foi criado, foi concedido a ele a imagem do Cristo que haveria de vir ao mundo, e não a imagem do Cristo glorificado.

Deus é espirito, por sua vez, o primeiro Adão foi criado alma vivente, com corpo animal e terreno, de modo que Adão não teve no Éden a semelhança do Deus invisível. O que Adão adquiriu de Deus no Éden foi a imagem daquele que seria feito menor que os anjos, Jesus Cristo homem ( Hb 2:7 ).

Os dons de Deus são irrevogáveis, portanto, se Deus houvesse dado a Adão a Sua  semelhança seria impossível Adão abrir mão da natureza que lhe foi concedida. Não haveria como Adão desvencilhar-se da sua própria natureza, assim como os anjos que caíram não se desvencilharam de sua natureza ( Rm 11:29 ).

Enquanto homem, Jesus em tudo foi participante das mesmas coisas dos homens: carne, sangue e sujeito às mesmas provações, porém, sem pecado ( Hb 4:15 ).

Jesus foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, diferente do restante da humanidade, que está no pecado porque se alienam de Deus desde a madre “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe” ( Sl 22:10 ); “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ).

Quando Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança’ ( Gn 1:26 ), iniciou-se o processo de fazer o homem semelhante a Ele, porém, esta semelhança o homem somente alcança quando crê em Cristo, pois os que creem serão conforme à imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

É por causa da semelhança que será dada aos homens que Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” ( Jo 5:17 ), apesar de Deus ter descansado de toda a sua obra no sétimo dia ( Gn 2:3 ).

Ora, Deus descansou no sétimo dia com relação às obras desta criação, mas com relação aos bens futuros, isto é, a nova criatura que não é deste mundo, desta criação, o Pai e o Filho continuam a trabalhar “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” ( Hb 9:11 ); “E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam” ( Hb 12:27 ).

É por isso que o profeta Isaías predisse: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” ( Is 65:17 ; Is 66:22 ; Ap 21:1 ), e devemos aguardar: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” ( 2Pe 3:13 ).

É através da Igreja que Deus cria os homens conforme a Sua semelhança. Jesus glorificado é a expressa imagem do Deus invisível ( Hb 1:3 ), e os que creem são gerados de novo semelhantes a Ele, portanto, semelhantes a Deus “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

Da mesma forma que não conseguimos ver que todas as coisas estão sujeitas a Cristo, também não é manifesto como haveremos de ser, mais uma coisa é certa, da mesma forma que trouxemos a imagem do animal e terreno, traremos a expressa imagem do espiritual, a semelhança de Jesus Cristo glorificado ( Hb 2:8 ; 2Co 15:48 -49).

Da mesma forma que os que creem em Cristo são sepultados a semelhança da sua morte, quando ressurgem, ressurgem uma nova criatura, que aguarda ser revestido de incorruptibilidade, visto que o tabernáculo terrestre ainda se desfaz ( 2Co 5:1 -4).

Mas, quando o que é corruptível for revestido da habitação que é do céu, teremos a semelhança do Cristo glorificado, e o Cristo, o primogênito de Deus terá muitos irmãos semelhantes a Ele “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:3 ).

Para conduzir muitos filhos de Deus à glória se fez necessário que o Verbo de Deus viesse ao mundo dos homens participante de todas as coisas da Sua criação ( Hb 2:10 ).

Para compreender a relação que há entre o nascimento de Cristo e a criação de Adão, o leitor tem que considerar que Jesus, o Verbo de Deus é pré-existente. O Verbo de Deus é superior ao espaço tempo, sendo que, no princípio o Verbo que seria introduzido no mundo criou todas as coisas, inclusive o homem do pó da terra com as suas mãos e assoprou em suas narinas o folego de vida. Ele fez Adão à imagem que possuía quando se manifestou teofanicamente no Éden.

‘Teofania’ é termo teológico utilizado para descrever manifestações de Deus na Bíblia que foram tangíveis aos sentidos humanos.

Deus disse: ‘Façamos o homem a nossa imagem e semelhança’ ( Gn 1:26 ), e em seguida o Verbo eterno criou o homem à Sua imagem. Como? O Verbo eterno, a expressa imagem do Deus invisível que a tudo criou, tomou o barro do pó da terra e criou o homem conforme a imagem que Ele mesmo haveria de vir ao mundo ( Gn 1:27 ; Ef 3:9 ; Hb 1:3 Hb 1:10 -12).

É por isso que o apóstolo Paulo disse que Adão era a imagem daquele que havia de vir, pois a semelhança d’Aquele que ressurgiu dentre os mortos é herança exclusiva dos membros do corpo de Cristo.

Ao profetizar acerca da ressurreição de Jesus, o rei Davi aponta que o Cristo homem se satisfaria da semelhança de Deus quando ressurgisse dentre os mortos, da mesma forma que os que ressurgem com Cristo são semelhantes a Ele “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ).

O Salmo 8 é messiânico, fala do Cristo, o Verbo eterno quando introduzido no mundo. O Salmo é um louvor ao Verbo eterno que conquistou um nome que está acima de todo nome “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” ( Fl 2:9 ; Sl 8:1 ).

Jesus, ao falar com os escribas e fariseus demonstra que o verso 2 do Salmo 8 dizia d’Ele “E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” ( Mt 21:16 ; Lc 24:44 ; Sl 8:2 ).

O Salmo declara que os céus, a lua e as estrelas são obras das mãos do Verbo eterno, conforme aponta o escritor aos Hebreus: “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:10 -12; Sl 102:25 -27).

Em seguida, o Salmo aponta que o Verbo eterno foi introduzido no mundo em uma posição menor do que a dos anjos, porém, mesmo na condição humana, o Filho de Deus foi coroado pelo Pai de honra e glória, pois tudo o que foi criado estava sob o domínio de Cristo “Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” ( Sl 8:4 -8).

O Salmo 8 amolda-se à proposta divina que consta no verso 26 do capítulo 1 do livro do Gênesis: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” ( Gn 1:26 ).

Ao explicar o Salmo 8, o escritor aos Hebreus demonstra que o homem o qual ‘todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés’, diz de Cristo. Os cristãos à época que viram Jesus em carne não conseguiam visualizar que todas as coisas estavam sujeitas a Cristo. Dai a explicação do escritor aos Hebreus: ainda não vemos que todas as coisas estão sujeitas a Cristo, porem, devemos visualizar que o Cristo que foi feio menor que os anjos foi coroado de glória e honra visto que o Pai lhe sujeitou todas as coisas ( Hb 2:8 -9).

Para Cristo são todas as coisas e é mediante Ele quem tudo existe! É ele que sustem todas as coisas pela palavra do seu poder, pois foi constituído herdeiro de tudo, e por meio d’Ele o mundo foi feito ( Hb 1:2 -3; Hb 2:8 -10).




Hebreus 2 – O Criador de todas as coisas

Todas as coisas estão sujeitas a Jesus, porém, os cristãos ainda não viam que todas as coisas estavam sujeitas a ele. Este era um problema de entendimento de alguns cristãos que o escritor queria esclarecer: embora não vissem que todas as coisas estavam sujeitas a Cristo, isto não muda a realidade dos fatos: todas as coisas estão sujeitas a Cristo!


Introdução

Somente no capítulo 2 é possível precisar qual o contexto da carta aos Hebreus, visto que, o primeiro capítulo resume-se em uma abordagem específica sobre a pessoa de Cristo.

Antes de prosseguir, é necessário enfatizar que, caso não houvesse o aposto explicativo do primeiro capítulo que trata especificamente da pessoa de Jesus ( Hb 1:3 -4), juntamente com várias citações do Antigo Testamento ( Hb 1:5 -14), o texto principal da carta ficaria assim:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho (…). Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido…” ( Hb 1:1 -2 e Hb 2:1 – 4).

O assunto principal que o escritor da carta transmite aos leitores começa no capítulo 1, versos 1 e 2, e continua no capítulo 2, verso 1 em diante. Ele queria que os cristãos entendessem que, como Deus falou muitas vezes e de várias formas aos pais (israelitas) utilizando os seus profetas, agora falou através do seu Filho, o que demanda maior diligencia por parte dos ouvintes com relação ao que já foi ouvido.

O tema em destaque na carta aos Hebreus é a mensagem anunciada.

O texto base da epístola consiste nos versículos citados acima grifados em vermelho. Observe que a exclusão dos versículos 3 ao 14 do capítulo 1 não alteram em nada a ideia principal que o escritor da carta aos Hebreus expõe.

A ideia que ele defende nestes versículos permeia toda a carta, o que torna possível precisar qual o tema central que ele evidencia.

Neste capítulo é possível determinar o tema, o enfoque e o contexto da carta aos Hebreus.

1 Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, 3 Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; 4 Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?

O verso 1 do capítulo 2 da carta é conclusivo “Portanto,…”, e decorre do argumento apresentado anteriormente nos versos 1 e 2 do capítulo 1.

O escritor demonstrou que antigamente Deus falou várias vezes e de muitas maneiras, mas, que nos últimos dias, falou através do seu próprio Filho! Conclui-se que Deus falou e depois enviou o seu Filho para falar aos homens, o que demonstra o compromisso e o amor de Deus para com os homens, enviou seu Filho.

Os cristãos não podem seguir o exemplo negativo dos israelitas, que foram relapsos quanto ao que Deus falou por intermédio dos seus servos e profetas. Agora, após terem ouvido a mensagem de Deus por intermédio do Filho, os cristãos devem atentar diligentemente para ‘as coisas que já ouviram’.

A conclusão do escritor segue com uma exortação: “… convém-nos atentar com mais diligência…”. É conveniente aos cristãos atentarem diligentemente para as coisas que já ouviram, para que em tempo algum se desviem do evangelho.

Ora, se Deus falou várias vezes e de muitas maneiras ao povo do Antigo Testamento, e muitos pereceram por não atentarem para a mensagem, o cristão, por sua vez, deve utilizar o passado do povo de Israel como exemplo e ser diligente, atentando para o que já ouviu.

O adendo explicativo acerca da pessoa de Jesus no capítulo 1 ( Hb 1:3 -4), foi inserido antes da argumentação do capítulo 2 com dois objetivos:

  • Para dar peso à argumentação que o escritor da carta apresenta nos versículos 2 a 4 do capitulo 2;
  • Para compreendermos que o Filho de Deus glorificado é a expressa imagem do Deus invisível.

O peso da argumentação decorre dos seguintes fatores: se a palavra dos anjos, que são ministros de Deus, permaneceu firme e toda transgressão e desobediência couberam justa retribuição, que se dirá da palavra do Filho, que é a expressa imagem do Deus invisível?

A exortação é clara: o cristão deve atentar para o que já foi dito, para que em tempo algum se desvie do que foi anunciado. Observe que o risco de desviar-se da palavra anunciada é factível, uma vez que o próprio escritor da carta inclui-se entre aqueles que devem atentar diligentemente para a mensagem do evangelho ao utilizar a primeira pessoa do plural: “nos”.

Ao registrar: “Portanto, convém-nos…”, o escritor da carta demonstra que ele também ficaria exposto a riscos, caso não atentasse diligentemente para o que Deus já noticiou por intermédio do seu Filho.

Em hipótese alguma o escritor descarta a fidelidade de Deus, visto que, por mais que o homem seja infiel, Deus continua fiel e é poderoso em salvar ( Rm 9:6 ).

Longe de nós entendermos que a salvação não é eterna, porém, não e porque alguém frequenta uma igreja evangélica que já lhe pertence à adoção.

Ou seja, o cristão deve entender que a palavra falada por Deus tem o suporte da sua fidelidade e imutabilidade, ou seja, ela não volta atrás. Esta e a garantia da salvação dos que creem: a fidelidade e imutabilidade de Deus. Mas, da mesma forma que o homem é salvo por causa da fidelidade de Deus, é necessário compreender e não esquecer que, Deus trará ira sobre todo coração impenitente.

Deus não volta atrás em sua palavra, porém, o homem pode de moto próprio, desconsiderar o que já foi ouvido, e desviar-se do que Deus propõe através do evangelho de Cristo. A pessoa pode ouvir a mensagem do evangelho, não compreender e nem atentar para o que já ouviu, e o maligno vir e arrebatar o que foi semeado ( Mt 13:19 ).

A indagação do escritor aos Hebreus é oportuna: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?” ( Hb 2:3 ), ou seja, atentar com mais diligência para o que já se ouviu é o mesmo que atentar para a tão grande salvação revelada em Cristo.

A ‘tão grande salvação’ começou a ser anunciado por intermédio de Jesus, o Senhor, e se os cristãos não atentarem diligentemente para o que ouviram, há a possibilidade de desviar-se das palavras de Cristo, que é espírito e vida.

Não há como o homem ser salvo se não atentar para o que foi anunciado por Cristo e seus apóstolos ( Hb 12:2 ). O que foi anunciado por Jesus, também foi confirmado pelos que ouviram d’Ele, e Deus, por meio de sinais e milagres também deu testemunho com eles (v. 4).

O tema da carta começa a ficar perceptível, que é: atentar para a palavra que Deus anunciou aos homens por intermédio do seu Filho. Observe como o tema tem início no capítulo 1, e percorre toda a carta:

  • Outrora Deus falou por intermédio dos profetas ( Hb 1:1 );
  • Nestes últimos dias falou por intermédio do Filho ( Hb 1:2 );
  • Exortação para se atentar para o que já ouviu ( Hb 2:1 );
  • Considerar que a palavra dos anjos permaneceu firme ( Hb 2:2 );
  • Como ser salvo se negligenciar o que foi anunciado por Jesus? ( Hb 2:3 );
  • Confirmando o que Jesus anunciou, Deus novamente testificou por meio de sinais e prodígios ( Hb 2:4 ).

Isto posto, verifica-se que o tema da carta aos Hebreus é:

“A palavra de Deus anunciada através dos tempos”

Para não perder o foco, estaremos demonstrando capítulo após capítulo, como se desenvolve este tema no transcorrer da carta.

O tema da carta é ‘a palavra de Deus anunciada através dos tempos’, porém, o contexto geral da carta se expõe através de exortações: “… convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido…” ( Hb 2:1 ).

O enfoque do escritor centra-se na atitude dos cristãos frente à palavra de Deus, que foi anunciada pelos profetas, e que, nos últimos dias, foi anunciada pelo Filho.

Para auxiliar na leitura e interpretação do texto, os versículos foram coloridos em três cores:

O vermelho apresenta o tema central da carta, que é a palavra de Deus anunciada através dos tempos.

O azul contém explicações gerais, e geralmente serve para ilustrar ou dar sustentabilidade a argumentação principal, e que se refere ao que está colorido em vermelho.

O preto são citações do Antigo Testamento que reforça a ideia apresentada, e concede peso as explicações em azul.

 

Anjos e Homens

5 Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos. 6 Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? 7 Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; 8 Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. 9 Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. 10 Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. 11 Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12 Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. 13 E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. 14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. 16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

Os versículos 5 a 18 constituem um novo adendo explicativo semelhante ao apresentado no primeiro capítulo ( Hb 1:3 -14 compare Hb 2:5 -18).

O escritor já havia demonstrado que todos os anjos são espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação ( Hb 1:14 ), e que a palavra falada pelos anjos permaneceu firme ( Hb 2:2 ).

A missão dada por Deus aos anjos de ministros e mensageiros em favor dos homens somente demonstra o cuidado do Criador para com os homens, porém, não foi a eles que Deus sujeitou o mundo vindouro. Esta ressalva é pertinente, e esclarecedora.

Os anjos foram comissionados como mensageiros, porém, não serão eles que exercerão domínio no mundo vindouro. O escritor apresenta alguns versículos que dá sustentação à sua argumentação, para tornar evidente o exposto no versículo dezesseis: “Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão” (v. 16).

Estas citações inseridas pelo escritor da carta demonstram que a mensagem que ele estava proclamando não era de particular interpretação, e que não eram invenções provenientes de uma mente carnal. Ele demonstra que as suas palavras e argumentações tinham o peso das Escrituras (A.T.)

Os cristãos devem apegar-se com firmeza às verdades ouvidas, visto que, há um mundo vindouro, no qual todos os que creem em Cristo exercerão domínio. Não será um mundo sujeito aos anjos, conforme é possível depreender da explicação que o escritor aos Hebreus faz do Salmo que se segue:

“Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés” ( Sl 8:4 -6; Hb 2:6 -8).

O salmo oitavo envolve inúmeras questões, porém, para o nosso estudo demonstraremos que ele é eminentemente messiânico.

Ao ler citações do Antigo Testamento é necessário ter o cuidado de verificar qual a relação entre o texto citado e a argumentação do escritor da carta.

Ao lermos: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!” ( Sl 8:1 ), se observa que o verso primeiro do salmo oitavo é um momento de louvor ao mesmo Senhor identificado no salmo quarenta e cinco “Tu, Senhor, no precipício fundaste a terra…” ( Sl 45:6 ), e que o escritor aos Hebreus demonstra com propriedade ser uma referencia a pessoa do Filho ( Hb 1:10 ).

O versículo 2 do salmo 8 também foi citado por Jesus: “E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” ( Mt 21:16 ).

Os principais dos sacerdotes e escribas ficaram indignados com o louvor das criancinhas que estava sendo direcionado à pessoa de Cristo. Eles queriam que Jesus repreendesse as crianças, e Jesus lhes citou o Salmo 8, verso 2, o que demonstra que Cristo é especificamente o Senhor do versículo 1 do salmo 8, sendo Ele digno do louvor das criancinhas “Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador” ( Sl 8:2 ).

Da mesma forma que as criancinhas, o salmista também irrompeu em louvor ao ver as obras das mãos de Cristo: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste” (v. 3), conforme demonstra o estribilho: “O SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!” (v. 9).

O salmista, através da pergunta: “… que é o homem mortal…”, demonstra interesse em saber qual o papel que o homem mortal desempenha na criação. Da mesma forma, ele também não sabia quem seria ou como seria o Filho do homem, porém, ele profetiza: “Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” ( Sl 8:5 -8). Este entrave do salmista é descrito por Pedro: “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada” ( 1Pe 1:10 ).

O que o salmista não sabia acerca dos bens futuros, o escritor aos Hebreus demonstra ao responder a pergunta: Que é o homem? É aos homens em Cristo que Deus sujeitou o mundo vindouro. Quem é o Filho do homem? É o Cristo, o Filho de Deus, conforme o escritor da carta aos Hebreus já havia demonstrado no adendo anterior.

“Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” ( Sl 8:5 -8).

Esta é a explicação dada pelo escritor aos Hebreus sobre este salmo:

“Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” ( Hb 2.8 b-11).

O escritor aos Hebreus demonstra que Jesus é aquele que foi feito um pouco menor que os anjos ( Sl 8:5 ), conforme o salmo diz, porém, o mesmo salmo também apresenta Jesus como àquele para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe ( Sl 8:1 ).

Perceba que o texto em verde explica o texto colorido em azul.

O escritor aos Hebreus demonstra que, desde que todas as coisas foram sujeitas a Cristo, nada está fora do seu domínio ( Hb 2:8 ).

Todas as coisas estão sujeitas a Jesus, porém, os cristãos ainda não viam que todas as coisas estavam sujeitas a ele. Este era um problema de entendimento de alguns cristãos que o escritor queria esclarecer: embora não vissem que todas as coisas estavam sujeitas a Cristo, isto não muda a realidade dos fatos: todas as coisas estão sujeitas a Cristo!

Embora Cristo esteja coroado de glória e honra, contudo não é possível vê-lo deste modo “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” ( Jo 17:5 ). O que o escritor e os cristãos viam? Qual a imagem nítida que estava na memória dos cristãos?

Eles ainda ‘viam’, ou tinham uma ideia de Cristo como homem, o que demandava atentarem melhor para o que já tinham ouvido. Quando os cristãos anunciavam a Jesus, muitos deles ainda tinham em mente o Jesus que ‘foi feito um pouco menor que os anjos’, o que demonstrava que não estavam sendo diligentes com relação ao que já tinha sido falado. Muitos ainda não haviam alcançado uma compreensão plena sobre a pessoa de Cristo, porém, o escritor da carta procura demonstrar que todas as coisas estão sujeitas a Cristo.

A escritura (V.T.) já demonstrava que todas as coisas estariam sujeitas a Cristo, ou seja, os cristãos precisavam enxergar (ver) por meio da escritura que Jesus haveria de ser coroado de glória e de honra. Após a ressurreição dentre os mortos Cristo assumiu o seu lugar de honra e glória.

A posição de homem que Jesus assumiu neste mundo implica em algumas considerações que serão apresentadas gradativamente no transcorrer da carta. Uma delas é exposta aqui: Jesus ao ser introduzido neste mundo foi feito menor que os anjos, visto que era necessário que Ele passasse pela paixão da morte.

No capítulo 1 o escritor da carta faz um adendo explicativo acerca da pessoa de Cristo enfatizando a sua divindade, demonstrando que aquele homem que esteve entre eles e que conheceram pessoalmente é “o resplendor da glória de Deus”, “a imagem expressa da divindade”, e que “sustem todas as coisas pela palavra do seu poder” ( Hb 1:3 ).

No capítulo 2, o adendo explicativo é para explicar quem é o homem que sustem tudo pela sua palavra, enfatizando a sua humanidade por ter se esvaziado da sua glória ( 1Jo 1:1 ; Jo 17:5 ).

8 Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. 9 Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. 10 Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. 11 Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12 Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. 13 E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. 14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. 16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

Ao ser introduzido no mundo, Cristo foi feito em uma posição menor que a dos anjos de Deus, porém, digno de honra e glória, uma vez que anjos e homens lhe devem adoração ( Sl 8:5 ; Hb 1:6 ).

O Filho Unigênito de Deus ao ser introduzido no mundo ( Hb 1:6 ; Pr 30:4 ), apesar de estar em um corpo carnal ( 2Co 5:16 ), na eternidade ele possui domínio sobre as obras do Pai. Os cristãos não possuíam o conhecimento de que tudo estava sob o seu domínio, pois continuavam a considerar Cristo apenas como homem. O escritor aos hebreus estava esclarecendo aos cristãos a mesma dúvida que Felipe possuía ( Jo 14:9 ).

Por que Deus estabeleceu todas as coisas sob o domínio de Cristo? Porque esta foi a sua vontade ao fazer o homem, conforme se lê no Gênesis: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” ( Gn 1:26 -27).

Cristo é a expressa imagem de Deus, e quando na eternidade Deus propôs criar o homem, ele propôs fazê-lo a sua imagem, ou seja, a imagem de Cristo. Do mesmo modo que Cristo tem o domínio sobre as obras das mãos de Deus, foi dado a Adão, figura de Cristo, domínio sobre toda a terra.

Compare Gênesis 1, verso 26, com Hebreus 2, verso 8, e Salmos 8, verso 5 a 8. A expressa imagem de Deus, Cristo criou todas as coisas, e quando foi dito: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, Deus fez Adão como figura de Cristo. Não como imagem exata, antes figura, pois a expressa imagem de Deus somente o Filho possui.

E criou Deus o homem à sua imagem! Como? Ora, a própria Imagem expressa de Deus que criou todas as coisas, criou também o homem. O último Adão, a expressa imagem de Deus criou o homem.

O verso 27 de Gênesis 1 é melhor compreendido, se lermos “… a imagem de Deus o criou”, assim: “A expressa imagem de Deus o criou”.

Embora todas as coisas estejam sujeitas a Cristo, muitos dos cristãos não entendiam assim (v. 8b). O apóstolo Paulo também alertou que, embora os cristãos conhecessem Cristo segundo a carne, contudo, agora, não mais o conheciam daquela maneira ( 2Co 5:16 ).

O que eles deveriam ver depois que ouviram o evangelho de Cristo? Deveriam ver a Cristo coroado de honra e glória, desvencilhando da ideia que tinham: aquele Cristo feito menor que os anjos porque lhe era necessário padecer e morrer, provando a morte por todos os homens “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” ( Hb 2:8 ).

Os cristãos deviam ter em mente que Cristo já havia sido glorificado com a glória que possuía antes de haver mundo ( Jo 17:5 ), e que agora estava assentado à destra do Pai nas alturas ( Hb 1:13 ; Hb 8:1 ; Sl 110:1 ).

O escritor destaca que era necessário Cristo sofrer, embora todas as coisas pertencessem a Ele e existissem por Ele. Somente através das aflições Cristo seria consagrado o príncipe redentor, e conduziria muitos filhos a Deus. Somente através da morte na cruz, o Unigênito de Deus seria consagrado como Primogênito de Deus, posição de Príncipe entre os filhos de Deus ( Hb 2:10 ; Cl 1:18 ).

O sacrifício voluntário de Cristo na cruz fez com que, tanto Ele, o que santifica, quanto os que são santificados, a igreja, passassem a ser propriedade particular de Deus. São todos de Deus! Cristo, o Filho unigênito de Deus conduziu à glória, ou antes, deu aos que creram a mesma glória que lhe foi concedida, o que os tornou filhos de Deus, pertencentes a Ele, podendo legitimamente chamar-lhes irmãos( Hb 2:11 ; Jo 17:22 ).

Através desta explanação, o escritor queria que os cristãos pudessem ver a glória do Filho, que outrora se lhes apresentou como servo “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” ( Jo 17:24 ). O apóstolo João ao falar da filiação divina pertinente aos cristãos também conclama a verem o que lhes foi concedido: “Vede quão grande amor nos concedeu o Pai, que fossemos chamados filhos de Deus. E somos mesmos seus filhos!” ( 1Jo 3:1 )

Além de explicar a natureza de Cristo antes de ser encarnado, durante a encarnação, e após a ressurreição, o escritor demonstra através das Escrituras o que Cristo fez: “anunciou o Pai”, pois ele aponta o Salmo 22, versos 22 e 25 como sendo a obra que Cristo realizou para conduzir seus irmãos ao Pai ( Sl 22:22 ; Hb 1:1 ).

O que Cristo faria pelos seus irmãos? Anunciaria a eles todas as realizações do Pai, o que os levaria a confiar em Deus “Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor DEUS, para anunciar todas as tuas obras” ( Sl 73:28 ; Hb 2:13 ).

O tempo em que Cristo ficou com os homens em carne, é cumprimento de uma profecia em particular: “Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu” ( Is 8:18 ; Hb 2:13 ).

 

14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.

Como a condição de filho exige a participação de carne e sangue, Cristo ao ser introduzido no mundo participou de ambos: carne e sangue. Por que ele participou da carne e do sangue? Para poder morrer, e assim, aniquilar o império que pertence a morte, ou seja, o império do diabo.

Somente pela morte de Cristo houve abertura de prisão aos presos ( Is 42:7 ; Is 61:1 ). Cristo trouxe liberdade a todos que estavam sob o domínio do pecado (servidão) em decorrência da lei (pena) “… certamente morrerás” ( Gn 2:17 ) “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).

 

16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

O escritor encerra neste verso o ciclo de exposição acerca do papel desempenhado pelos seres angelicais.

Embora Cristo ao ser encarnado tenha assumido uma posição inferior a dos anjos, contudo possui melhor nome do que eles ( Hb 1:4 ). Isto porque Deus não escolheu os anjos para exercer domínio no mundo vindouro ( Hb 2:5 ), e nem socorre a anjos, antes socorre os descendentes de Abraão, ou seja, os filhos de Deus ( Hb 2:16 ).

Cristo tornou-se semelhante aos homens em tudo, pois Ele mesmo criou o homem a sua imagem e semelhança. Por Adão ser figura de Cristo, quando ele despiu-se da sua glória e foi encarnado, passou a possuir a imagem e a semelhança que concedeu ao homem no Éden.

Jamais um anjo poderia fazer a mediação entre Deus e os homens, pois somente Aquele que é o eterno e tomou a forma de servo pode fazê-lo, pois alem de ser misericordioso, também lhe era necessário ser fiel sumo sacerdote para oferecer os dons exigidos por Deus, ou seja, além de se compadecer, também era necessário fazer a propiciação pelos pecados do mundo.

Cristo é misericordioso por se compadecer dos pecadores, sumo sacerdote ao ser escolhido por Deus, e ofereceu um sacrifício perfeito, santo e agradável a Deus: o seu corpo ( Hb 2:3 ; Hb 7:28 ; Hb 10:10 ).

Uma vez que o Filho resistiu à tentação e padeceu conforme as Escrituras, agora pode auxiliar aqueles que são tentados ( Hb 2:18 ).




O cristianismo e o julgamento final

Estes estudiosos chegam a afirmar que grande parte da cultura Persa foi adaptada e copiada pelos Judeus, e, que, grande parte do Antigo Testamento é Cópia do Zend-avesta, um livro sagrado dos Mazdeistas, seguidores de Zoroastro. Um dos mitos presente na maioria das civilizações e religiões é a do juízo final, sendo que Egípcios, Babilônicos, Persas, e outras civilizações acreditavam em um juízo final. As religiões apostam em um julgamento final, mas a Bíblia não apresenta a mesma ideia. O que a Bíblia diz acerca deste tema? Haverá um julgamento final?


 

O que os homens dizem

A humanidade ao longo dos séculos acreditou em um Juízo final, mas, o que a Bíblia diz? Haverá mesmo um juízo final? O que será julgado em tal juízo?

Alguns estudiosos comparam a cultura judaico-cristã com outras culturas e alegam que o cristianismo e o judaísmo adotaram vários mitos provenientes de outras civilizações.

Estes estudiosos chegam a afirmar que grande parte da cultura Persa foi adaptada e copiada pelos Judeus, e, que, grande parte do Antigo Testamento é cópia do Zend-avesta, um livro sagrado dos Mazdeistas, seguidores de Zoroastro.

Um dos mitos presente na maioria das civilizações e religiões é a do juízo final, sendo que Egípcios, Babilônicos, Persas, e outras civilizações acreditavam em um juízo final.

As religiões apostam em um julgamento final, mas a Bíblia não apresenta a mesma ideia. O que a Bíblia diz acerca deste tema? Haverá um julgamento final? Vejamos!

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:18 ).

A Bíblia é enfática ao demonstrar que o tal juízo final esperado pela humanidade já ocorreu no início da civilização humana. O julgamento da humanidade se deu em Adão e através dele uma condenação pesa sobre todos os homens.

 

O homem

Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Muitos questionam o que vem a ser a imagem e a semelhança que o homem adquiriu do seu Criador, visto que Deus é Espírito, e como tal, não possui partes ou substâncias tangíveis para que o homem fosse feito a Sua semelhança. Paulo esclarece este ponto: “… o qual (Adão) é a figura daquele que havia de vir (Jesus)” ( Rm 5:14 ), Adão foi agraciado com a figura de Cristo, o último Adão ( 1Co 15:45 ).

Adão também foi agraciado com a semelhança do seu Criador. Que semelhança? Intelectual? Moral? Não! A semelhança com o Criador não se fixa em elementos pertinentes a humanidade.

Antes, por Deus exercer domínio sobre o universo, ao homem foi dado por semelhança domínio sobre a face da terra “… domine ele (…) sobre toda a terra” ( Gn 1:26 ). Para exercer domínio sobre a terra, Adão foi agraciado com intelecto e livre-arbítrio.

Deus exerce domínio sobre todas as coisas e Adão, por semelhança, passou a exercer domínio sobre a terra. Deus é plena liberdade e Adão, por semelhança, foi agraciado com o livre-arbítrio. Deus é criador e o homem foi agraciado com a autonomia de poder trazer outro semelhante à existência através de sua própria vontade.

Nem mesmo os anjos, superiores em poder e glória, podem trazer à existência outro ser, que o homem, por semelhança ao seu Criador, traz ao mundo.

Com a ordenança divina surge um entrave: Adão não devia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Muitos vêem na determinação divina uma simples proibição. Porém, através da ordenança divina Adão adquiriu outra semelhança com o Criador. Vejamos:

Deus soberano é plenamente livre, porém, Ele não pode mentir, ou seja, Deus não pode negar-se a si mesmo, ou seja, atentar contra a Sua própria natureza. Deus jamais atentará contra a sua própria natureza ou existência, e ao ser instituída a ordenança no Jardim do Éden, Adão por semelhança foi instruído a não atentar contra a sua própria natureza.

Após a ordenança de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, Adão tornou-se semelhante ao seu Criador, visto que, não podia atentar contra a sua própria natureza: vida proveniente da comunhão com Deus.

Adão possuía plena liberdade, visto que podia comer de todas as árvores do jardim: “De toda a árvore do jardim comerás livremente…” ( Gn 2:16 ). Deus não impôs a necessidade de escolha, mas Adão possuía liberdade para escolher comer de toda árvore ou não. Ele não era obrigado a escolher nada. Se quisesses, viveria passivamente, sem fazer escolha alguma, e continuaria livre.

Adão era perfeito e habitava em um lugar perfeito. Posteriormente, o Jardim tornou-se o cenário do Tribunal onde a humanidade foi julgada e condenada.

 

 

A Regra

“…mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2: 17 ).

Deus é onipotente, porém não pode mentir ou negar-se a si mesmo ( 2Tm 2:13 ). Deus é fiel e justo. Se Deus mentisse, fosse infiel ou injusto, Ele deixaria de ser Deus: o Deus que conhecemos: santo, justo e bom. Esta mesma regra foi estabelecida por Deus ao homem.

O homem de posse de plena liberdade não podia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mesmo sendo livre e capaz, Adão não devia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Há certas coisas que Deus não pode fazer, e da mesma forma, por semelhança, foi demonstrado ao homem o que ele não podia fazer, visto que, comprometeria a sua própria natureza.

Deus podia intervir não deixando Adão exercer a sua livre vontade quando intentou comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus podia, mas não o fez, uma vez que Ele não voltar atrás em seus propósitos.

Adão podia comer de todas as árvores do jardim, mas no dia em que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, neste dia haveria de morrer. De que morte Deus falou a Adão?

Como a regra foi instituída por Deus, o conceito de morte expressava uma ideia presente no próprio Deus e não segundo a concepção humana, que é voltar ao seio da terra.

O conceito de morte que a humanidade conhece foi instituída somente após a queda de Adão, quando Deus disse: “…és pó, e ao pó tornarás” ( Gn 3:19 ) (morte física). Quando foi dito que Adão certamente morreria, caso comesse da árvore do conhecimento, Deus não estava falando da volta do homem ao pó da terra (morte física), e sim da separação que se estabeleceria entre o homem e Deus, tornando o homem alienado da vida que há em Deus.

Após comer da árvore ‘proibida’, Adão deixou a condição de santo, justo e bom, e passou a estar separado do seu Criador. Deus é vida, e separado do seu Criador, que é santo, justo e bom em essência, Adão passou a condição de morto, ou seja, a sua natureza deixou de possuir as mesmas características da natureza do seu Criador.

 

A Ofensa, o Juízo e a Condenação

Adão desobedeceu ao Criador e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão com capacidade plena para comer de todas às árvores do jardim escolheu justamente a árvore que lhe era vetada. Ele lançou mão do juízo e da condenação.

No instante em que Adão comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele abraçou um juízo, uma condenação e foi apenado: morreu! O que ocorreu com Adão passou a toda humanidade, e por isso a Bíblia diz que ‘todos pecaram e destituídos estão de Deus’.

Paulo descreve o que ocorreu com a humanidade em conseqüência da ação de Adão: “O juízo veio de uma só ofensa, na verdade para condenação (…) Pois se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse (…) assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação (…) Pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores” ( Rm 5:16 -19 ; 1Co 15:21 -22).

Sobre a condição da humanidade Jesus disse: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado…” ( Jo 3:18 ), ou: “…tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

Através destes versículos é possível perceber que o julgamento da humanidade se deu no passado. Todos os homens foram julgados e condenados em Adão. O juízo ‘final’, que muitos esperam, deu-se no início da história da humanidade e todos os homens nascem debaixo de condenação.

O posicionamento da Bíblia difere em muito do que as nações e religiões pagãs anunciam. Não há paralelo no patrimônio histórico cultural da humanidade, ou uma similaridade entre o que as religiões do mundo acreditam e o posicionamento bíblico. Que cultura apresenta a humanidade como julgada e debaixo de condenação?

Enquanto muitos esperam comparecer perante um tribunal semelhante aos tribunais humanos, onde o conceito de justiça é segundo parâmetros de certo e errado, leis, moral, caráter, comportamento, que decorrem das ações praticadas no dia-a-dia. Enquanto a humanidade espera um julgamento por suas próprias ações individuais, a Bíblia demonstra que toda a humanidade está condenada como conseqüência do ato de um único homem: Adão.

A Bíblia apresenta uma única transgressão, um único juízo e uma condenação que se estende a humanidade.

Sobre este aspecto Davi disse: “Certamente em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” ( Sl 51:5 ). A sujeição ao pecado vem desde o nascimento do homem. Por conseguinte “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há se quer um” ( Sl 14:3 e Sl 53:3 ). Tal condição afeta o homem desde a madre: “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ).

O profeta Isaías em seu livro descreve a condição dos homens retratando tal condição em seu povo ( Is 59 ).

Certamente que a humanidade já está julgada e pesa sobre ela uma condenação. Por isso o escritor aos Hebreus diz: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?” ( Hb 2:3 ).

Somente o cristianismo apresenta a urgência da salvação para o dia que se chama ‘hoje’, visto que, os homens estão perdidos (condenados) em Adão. As religiões e a própria cultura da humanidade aponta o futuro na espera de uma decisão de que serão ou não condenados, porém, a Bíblia demonstra que estão enfatuados em sua carnal compreensão.

O mito do juízo final presente na maioria das civilizações e religiões não resiste à verdade do evangelho, que demonstra que a humanidade está de baixo de condenação ( Jo 3:18 ), e que a salvação encontra-se em Cristo, o último Adão.

Haverá sim um juízo no futuro da humanidade, porém, este juízo será quanto às obras dos homens perdidos, que foram condenados em Adão.




A expressa Imagem e a figura de Deus

Da mesma forma que convinha que em tudo Cristo se tornasse semelhante à descendência da sua figura (Adão), para poder expiar os pecados do povo, agora importa também que, através da igreja, que é composta de seus irmãos, os homens sejam semelhantes a Ele, para que Cristo alcançasse a posição de primogênito do Pai, o que só é possível quando se tem outros irmãos.


Quando Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” ( Gn 1:26 ), e Cristo, a ‘expressa’ Imagem do Deus invisível formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas, naquele instante foi criado somente uma figura (imagem) da expressa imagem e semelhança de Deus. Ou seja, no Éden o homem não foi criado conforme a imagem e semelhança de Deus.

Como? Adão não foi criado à imagem e semelhança de Deus? Não! Por mais estranho que pareça, Adão não foi criado de posse da semelhança do Criador, antes era somente uma figura daquele que estava por vir.

Apesar de se divulgar ao longo dos séculos que Adão foi criado a imagem e semelhança de Deus, a Bíblia apresenta outra realidade: Adão foi criado somente como figura da expressa imagem de Deus “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir ( Rm 5:14 ).

Quando Adão foi formado do pó da terra à imagem de Cristo, somente iniciou-se o projeto de Deus que é fazer o homem à sua semelhança.

Para compreender esta verdade, se faz necessário compreender que foi Cristo quem formou Adão do barro e soprou em suas narinas, dando início ao projeto eterno de fazer o homem conforme a imagem e semelhança de Deus (Elohim), para que em tudo Cristo tivesse a preeminência “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

O apóstolo Paulo e o apóstolo João lembram que todas as coisas foram criadas por Cristo, o verbo de Deus “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” ( Cl 1:16 : Jo 1:3 e 10), e o homem faz parte desta criação. Quando o homem foi criado à imagem (figura) de Deus, foi a expressa Imagem de Deus que, teofanicamente criou Adão “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” ( Gn 1:27 ).

Em Gênesis 1, verso 27 está descrito como o homem foi criado. Deus (Elohim) criou o homem a sua imagem, ou seja, a sua figura. Como? Cristo, a expressa imagem de Deus, foi quem criou o homem. Macho e fêmea os criou.

O apóstolo Paulo e o escritor aos Hebreus demonstraram que Cristo é a expressa imagem do Deus invisível, e não Adão “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:3 ).

Com relação a Adão, o apóstolo Paulo demonstrou que ele era somente uma figura de Cristo, e não a expressa imagem de Deus. Do mesmo modo que a lei somente possuía a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata, semelhantemente Adão também foi apenas uma figura, uma sombra daquele que estava por vir, Cristo, a semelhança exata de Deus “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

No que implica o cristão saber que Adão era somente figura, e não a imagem exata (semelhança) de Deus?

Em primeiro lugar descobre-se que o homem nunca perdeu a semelhança do Altíssimo, pois Deus não concedeu a Sua semelhança a Adão.

Descobre-se também que a semelhança do Altíssimo só é possível alcançar em Cristo, como se lê: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhante a ele, porque assim como é, o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

Como isto se dá? Quando se crê em Cristo, o homem recebe de Deus poder para ser feito seu filho, filho nascido não do sangue, nem da carne e nem da vontade dos homens, mas de Deus ( Jo 1:13 ), pois ao receber a Cristo o homem morre juntamente com Ele na semelhança da sua morte, para ressurgir semelhante a Ele “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6:5 ).

Isto porque, da mesma forma que convinha que em tudo Cristo se tornasse semelhante à descendência da sua figura (Adão), para poder expiar os pecados do povo, agora importa também que, através da igreja, que é composta de seus irmãos, os homens sejam semelhantes a Ele, para que Cristo alcançasse a posição de primogênito do Pai, o que só é possível quando se tem outros irmãos “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” ( Hb 2:17 ); “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Após exercer o oficio de sacerdote para expiar os pecados do povo, quando ressurgiu, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos, e ao expiar o pecado dos homens, conduziu muitos filhos a Deus, tornando-se primogênito entre muitos irmãos “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

Com relação a igreja de Cristo, que é o seu corpo, todos que creem estão de rostos descobertos, diferente daqueles que estão sob o véu da lei, do pecado e da morte. Cada cristão reflete como um espelho a glória de Deus, ou seja, tornaram-se semelhantes a Deus por serem seus filhos. Os cristãos foram transformados de glória em glória na mesma imagem do Senhor, e isto foi realizado por Ele mesmo, tornando possível aos que creem refletirem a sua glória como um espelho “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” ( 2Co 3:18 ).

Por que o cristão é transformado de glória em glória? Porque uma é a glória do homem natural, e outra a glória do homem espiritual ( 1Co 15:40 ). Deus concedeu a Adão a glória de ser sua imagem, e ao último Adão a glória da sua semelhança.

O apóstolo Paulo demonstra que, do mesmo modo que possuíamos a imagem do nosso antigo pai, Adão, assim traremos a imagem do nosso Pai celestial, pois os nascidos da carne são carnais e os nascidos do Espírito são espirituais “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” ( 1Co 15:49 ).

Esta nova condição pertinente aos cristãos é atual, pois já ressurgiram com Cristo, já foram vestidos do novo homem segundo Aquele que o criou, e por fim, tal qual Cristo é são os cristãos aqui neste mundo “E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” ( Cl 3:10 ); “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” ( 1Jo 4:17 ).

Quando lemos que Melquisedeque foi feito semelhante ao Filho de Deus, pois permanece sacerdote para sempre, devemos ter em mente que os cristãos também são feitos semelhantes ao Filho de Deus, são reis e sacerdotes para sempre. Por serem sacerdotes reais, são sacerdotes e reis, pois reinarão com Cristo “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” ( Hb 7:3 ); “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pd 2:9 ); “E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” ( Ap 5:10 ).

Deste modo, temos Adão como figura do último Adão, que é Cristo. Em Adão e em seus descendentes tem-se somente uma figura de Cristo, pois a semelhança do Altíssimo pertence somente ao último Adão, que é Cristo, pois Ele é a expressa imagem do Deus invisível.

Quando Cristo morreu, deixou na sepultura a semelhança da sua figura (Adão), para ao ressurgir adquirir a semelhança do Altíssimo, e todos quantos ressurgem com Ele são semelhante ao Altíssimo “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ).

Mesmo sendo homem espiritual, Cristo primeiro veio em carne, a semelhança do homem natural, para ser revestido na ressurreição do homem espiritual “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ). Após ser de novo gerado da semente incorruptível, segue-se que, seremos semelhante a Ele “Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” ( 1Co 15:48 -49).