A ceia do Senhor e a comunhão

O elementos que compõem a Ceia do Senhor, o pão e o vinho, são figuras, sendo que cada participante é a realidade! É comum as pessoas reverenciarem e atribuírem valor às figuras quem compõe a Ceia do Senhor, mas, negligenciarem a realidade.


A ceia do Senhor e a comunhão

“Porventura, o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão.” (1 Coríntios 10:16-17)

Introdução

É comum, nas comunidades cristãs, reverência extrema para com os elementos utilizados na composição da mesa, nas reuniões da ceia do Senhor. Os participantes da mesa cuidam, com esmero, de cada pedacinho de pão, servido pelos diáconos,  para que não sobre e nem caia nenhuma migalha no chão. Quando é servido o cálice, o cuidado é maior, com medo de entornar, e quando se participa, se faz com receio e com certa suspeição, pelo cuidado com o líquido que está no copo.

O que se percebe, por trás de tal cuidado e suspeição, é que muitos cristãos desconhecem o real significado da comunhão do corpo e do sangue de Cristo! Na verdade, são muitos os que participam da mesa, mas, poucos os que discernem o corpo do Senhor, e por isso, são muitos os que participam, indignamente (1 Co 11:29).

 

Discernindo o corpo do Senhor

O que é ‘discernir’[1]? Discernir é compreender (conceito, situação, etc.), perceber, entender.

Mas, o que o crente precisa compreender? Precisa compreender (discernir) o corpo do Senhor! O que é o corpo do Senhor? O corpo do Senhor é a Sua igreja!

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que, em tudo, tenha a preeminência.” (Cl 1:18);

“Antes, seguindo a verdade, em amor, cresçamos, em tudo, naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para a sua edificação em amor.” (Ef 4:15-16);

“Porque nunca, ninguém, odiou a sua própria carne; antes a alimenta e a sustenta, como, também, o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos.” (Ef 5:29-30).

Para ser participante da mesa, ou seja, da ceia do Senhor, é imprescindível compreender o que é a igreja, ou seja, o corpo do Senhor.

O cuidado que muitos demonstram para com o pão, que é servido pelos diáconos, acolhendo e protegendo-o nas palmas das mãos, para que não caia uma só migalha, na verdade, deveria ser demonstrado para com o irmão. A reverência que se tem com o pão de farinha de trigo, antes de se tocar e, após se pegar, na verdade, deveria ser dispensado para com cada membro do corpo de Cristo que, muitas vezes está assentado ao lado do participante.

 

Figura e realidade

Os elementos que compõem a mesa do Senhor (pão e vinho) é figura, sendo que cada participante é a realidade! É comum as pessoas reverenciarem e atribuírem valor às figuras, mas, negligenciarem a realidade.

Os escribas e fariseus agiam dessa forma: valorizavam o que era superficial, em detrimento da essência:

“Ai de vós, condutores cegos! Pois, que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas, o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor. Insensatos e cegos! Pois, qual é maior: o ouro ou, o templo, que santifica o ouro? E aquele que jurar pelo altar, isso nada é; mas, aquele que jurar pela oferta, que está sobre o altar, esse é devedor. Insensatos e cegos! Pois, qual é maior: a oferta ou, o altar, que santifica a oferta? Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está; E o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita; E o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele.” (Mt 23:16-22).

Qual o valor do ouro sem o templo? No entanto, os fariseus faziam as pessoas jurarem pelo ouro, o revestimento do templo de Herodes. Qual a serventia da oferta sem o altar? Os fariseus faziam as pessoas jurarem pela oferta.

Enquanto o participar da ceia do Senhor demonstra a comunhão do corpo de Cristo e o cuidado a ser dispensado para com o irmão, o que se apregoa é um cuidado consigo mesmo. Durante os sermões, que antecedem a ceia, geralmente, o que os preletores ensinam é que não se deve chegar atrasado para o culto da ceia ou, que é necessário se santificar, orar, jejuar, etc., para ser digno da mesa.

 

A comunhão entre os membros

No entanto, à luz das Escrituras, o que deveria ser ensinado, aos cristãos, é o cuidado para com o outro! Pela falta de cuidado para com os membros do corpo de Cristo, o apóstolo Paulo repreendeu os irmãos de Corinto que, ao se reunirem no culto de ceia, alguns comiam e se embriagavam e se esqueciam dos que nada tinham para comer.

Dai a reprimenda: ‘Não tendes casa para comer e beber’? A atitude de tais cristãos era de desprezo pela igreja (corpo de Cristo) e envergonhavam os membros do corpo que nada possuíam! (1 Co 11:22)

O ensinamento que o apóstolo Paulo passou aos irmãos de Corinto, foi o mesmo que ele aprendeu do Senhor Jesus que, na noite em que foi traído, pegou o pão e, após dar graças, partiu o pão e disse: ‘Isto é o meu corpo que é partido por vós’! (1 Co 11:24)

O pão que Cristo partiu tornou-se o seu corpo? Evidente que não! Ele estava estabelecendo o pão como figura, para fazer referência à unidade do seu corpo. Na verdade, cada um dos discípulos, que estava à mesa, tornou-se o corpo de Cristo, ou seja, a sua igreja.

Pelo fato de cada discípulo, em particular, comer do pão que Cristo repartiu, significa que eles gozavam de plena comunhão com Cristo: Cristo a cabeça e cada um dos discípulos, em particular, membros do seu corpo.

O pão que foi partido por Jesus significa a comunhão do corpo de Cristo, de modo que, existem muitos cristãos, porém, todos são um só pão e um só corpo em Cristo.

“O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão.” (1 Co 10:16-17).

 

Diferenças socioeconômicas

O que os cristãos, à época do apóstolo Paulo, precisavam compreender? Que, apesar de cada um, na sociedade, pertencer a uma classe social, contudo, todos eram membros do corpo de Cristo.

As diferenças socioeconômicas, à época, eram gritantes, de modo que havia servos e livres, judeus e gregos, senhores e escravos, homens e mulheres, em uma única comunidade e cada membro, em particular, tinha que compreender que, cada um dos que ali estavam reunidos, eram filhos de Deus, pela fé em Cristo:

“Porque todos sois filhos de Deus, pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl 3:26-28).

Um cristão, senhor de escravos, que não se acomodasse junto a um cristão escravo, sob o pretexto de que era senhor e jamais se ajuntaria a um escravo, era indigno de ser participante da mesa do Senhor Jesus, pois não discernia o corpo do Senhor.

Um cristão judeu, que dissimulasse para não se ajuntar com os cristãos convertidos dentre os gentios, na verdade, não andava segundo o evangelho de Cristo, portanto, não discernia o corpo de Cristo, visto que, após crer em Cristo, cada crente, não importando se judeu ou grego, em particular, se revestiu de Cristo, de modo que em Cristo não mais existe judeu ou, grego.

“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem, não vivam mais para si, mas, para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim, que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne e, ainda que, também, tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora já não o conhecemos desse modo.” (2 Co 5:14-16).

 

A essência da ceia do Senhor

Compreendendo a verdade do evangelho, certo é que a ceia do Senhor não deve ser rotulada como sendo a experiência mais rica da vida cristã, mas, sim, o fato de o crente ter morrido com Cristo e ressurgido uma nova criatura, quando creu que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.

Ao discernir o corpo do Senhor, o cristão tem plena consciência de que a expressão concreta do amor de Deus se deu quando Ele enviou o seu único Filho ao mundo, não no momento que participa da ceia. Do mesmo modo, compreende que, a partir do momento que creu em Cristo, é participante do corpo de Cristo e essa é a sua maior alegria,  não o fato de pertencer a uma denominação ou, a uma igreja local.

A ceia do Senhor não é o evento mais importante para o cristão, ou o culto de maior importância. Aquele que julga como entendido (1 Co 10:15), sabedor de que a ceia é um memorial para o cristão, não pode se esquecer da morte de Jesus (Lc 22:19), de que Ele morreu por todos os homens.

Só discerne o corpo de Cristo aquele que, aos se assentar à mesa com os demais componentes, que o foco central da reunião não são os elementos dispostos sobre a mesa, mas, os participantes da mesa. Os participantes da mesa são superiores à mesa, pois o cristão é o pão, cujo pão de farinha o representa. Quem é participante da aliança no sangue, é o cristão, cujo vinho presente na mesa, somente representa.

A ceia é um momento de ação de graças por algo que é perene na vida do crente: a comunhão com todos os santos no corpo de Cristo (1 Jo 1:3). A ceia do Senhor não representa renovação de aliança, preparação para vencer o mundo, renovação espiritual, perdão de pecados, etc.

Na verdade, os participantes da ceia  do Senhor já estão sob a proteção da nova aliança no sangue de Cristo, visto que escaparam da corrupção que há no mundo (2 Pe 1:4). O participante da mesa é mais que vencedor, por aquele que O amou e o maligno não lhe toca. (1 Jo 5:18; 1 Jo 2:13; Rm 8:37)

 

Má compreensão acerca da ceia

Quem participa da ceia esperando ser abençoado, na verdade, ainda não compreendeu, plenamente, o evangelho de Cristo, vez que o crente é quem abençoa o cálice de que irá participar:

“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?” (1 Co 10:16).

O cálice é de bênção, mas quem abençoa o cálice é o próprio crente. O cálice é simbolo da nova aliança no sangue de Jesus, que torna o crente abençoado, com todas as bênçãos espirituais (Ef 1:3). A comunhão do sangue de Cristo proporciona aos participantes a bem-aventurança prometida a Abraão!

A realidade da nova aliança efetivou-se na cruz, de modo que a comemoração, que é feita com os irmãos, somente é um memorial do que foi estabelecido na cruz, que cada cristão deve anunciar, até a volta de Cristo. (1 Co 11:25)

A reunião para cear à mesa do Senhor, visa anunciar a morte de Cristo até a sua volta, mas, quem come o pão e bebe o cálice sem discernir (compreender) que o corpo de Cristo é constituído de servos, livres, judeus, gregos, pobres, ricos, homens, mulheres, bárbaros, citas, etc., come e bebe para a sua própria condenação.

“Portanto, qualquer que comer este pão ou, beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR.” (1 Co 11:27-29)

Um crente em Cristo é membro do corpo de Cristo, portanto, é equivocada a ideia de que o crente precisa se preparar para participar da ceia. A importância maior está em ser membro do corpo de Cristo, pois a mesa com pão e vinho é somente um memorial!

“Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros, em particular.” (1 Co 12:27)

O pão representa o corpo de Cristo, para não esquecermos que somos o corpo de Cristo e seus membros, em particular. Não é o momento da ceia que deve ser levado a sério, mas, sim, a verdade de que cada cristão é membro do corpo de Cristo, portanto, se faz necessário considerar o outro, sempre em honra:

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas, por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.” (Fl 2:3).

Se o crente em Cristo, à época do apóstolo Paulo, compreendesse essa recomendação, certamente, que os cristãos, senhores de escravos, considerariam os cristãos que eram escravos, como superiores a si mesmo. Um cristão judeu, por sua vez, consideraria um cristão convertido dentre os gentios em alta conta. Um crente romano aceitaria o grego, o judeu, o bárbaro, como superior a si mesmo.

Geralmente, aqueles que exortam os cristãos a se concertarem ou, a se santificarem, para serem dignos da ceia, assim o fazem, com base no verso 28: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (1 Co 11:28). O auto exame que recomendam, refere-se à conduta do dia a dia, porém, o exame requerido é em relação ao outro, como membro do corpo de Cristo.

O crente precisa e deve fazer um auto-exame, se não despreza o outro, que Deus tomou por Seu servo, por questões socioeconômicas, partidarismo, fofocas, etc.

“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.” (Rm 14:4);

“E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebestes, por que te glorias, como se não o houveras recebido?” (1 Co 4:6-7);

“Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão e julga a seu irmão, fala mal da lei e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz.” (Tg 4:11)

De nada adianta a chamada ‘organização’ ou, a ‘ordem’ no culto, com relação à preparação do pão, à arrumação do pão e do cálice sobre a mesa, à disposição dos utensílios, o tomar o cálice ao mesmo tempo em que o outro ou, comer o pão todos ao mesmo instante, sob a voz de comando do anjo da igreja, etc., porque essa não é a ideia da ordem ‘esperai[2] uns pelos outros’. (1 Co 11:33)

A ordem do apóstolo Paulo é para se aceitar um ao outro, receber um ao outro como irmão em Cristo, não importando as barreiras socioculturais ou econômicas, ou seja, evitar as divisões, dissensões (1 Co 11:18), o que é completamente diferente da ideia de esperar um ao outro. De que adiante esperar o outro, se ele nada tem para comer?

Quando é dito que, comendo, cada qual se ‘antecipava’[3], isto se dava pela segregação que havia no seio da igreja (não vou me ajuntar à ralé), a ponto de alguém que tinha posses, se antecipava a comer e beber até se embriagar e quem nada tinha, ficar com fome.

Daí a consideração:

“Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que, em nós, são menos decorosos, damos muito mais honra. Porque os que em nós são os mais nobres, não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros”. (1 Co 12:22-25)

A ceia do Senhor visa conscientizar aqueles que não discernem o corpo do Senhor, de que não deve existir divisão no corpo. Que cada membro deve dispensar igual cuidado, uns para com os outros.

“Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas, cada qual, também, para o que é dos outros”. (Fl 2:4)

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “1252 διακρινω diakrino de 1223 e 2919; TDNT – 3:946,469; v 1) separar, fazer distinção, discriminar, preferir 2) aprender por meio da habilidade de ver diferenças, tentar, decidir 2a) determinar, julgar, decidir um disputa 3) fugir de alguém, desertar 4) separar-se em um espírito hostil, opor-se, lutar com disputa, contender 5) estar em divergência consigo mesmo, hesitar, duvidar.” Dicionário Bíblico Strong.

[2] “1551 εκδεχομαι ekdechomai de 1537 e 1209; TDNT – 2:56,146; v 1) receber, aceitar 2) procurar, esperar, aguardar”. Dicionário Bíblico Strong.

[3] “4301 προλαμβανω prolambano de 4253 e 2983; TDNT – 4:14,495; v 1) tomar antes 2) antecipar, prevenir 3) tomar alguém por prevenção (i.e., antes que possa fugir ou ocultar seu crime) 3a) surpreender, descobrir”. Dicionário Bíblico Strong.




Como não tomar a ceia do Senhor indignamente?

Demonstre que o cálice de bênção que eles abençoam representa a comunhão do corpo de Cristo, ou seja, embora haja muitos cristãos ali congregados, todos são um só pão e um só corpo ( 1Co 10:17 ). Enfatize que todos são um pão! Que todos são um só corpo, pois todos participam de um mesmo pão, o corpo de Cristo ( 1Co 10:17 ).


Como não tomar a ceia do Senhor indignamente?

Tempo mínimo de exposição da mensagem: 1 hora.

Este é um sermão expositivo e tem por objetivo fazer com que os seus ouvintes compreendam o que representa o cálice e o pão dos quais os cristãos fazem uso para comemorar a morte do Senhor até que Ele venha.

Como a abordagem é complexa você precisará utilizar textos ancoras para fazer a plateia compreenda a exposição. Como expositor da palavra, você deve estar cônscio de que a compreensão é essencial, conforme demonstrou o Mestre por excelência ( Mt 13:19 )

 

1° Parte – Você precisará de pelo menos 15 minutos.

Em uma abordagem inicial, explique aos seus ouvintes que a mensagem é complexa, mas que, com o auxilio deles a mensagem será inteligível. Esclareça que após ouvirem a mensagem, cada cristão presente na reunião será capaz de responder a seguintes questões:

  • O que representa o cálice?
  • O que representa o pão?
  • O que é tomar o cálice indignamente?

Convide os seus ouvintes para ler I Coríntios 3, verso 16, que diz: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ). Após pergunte a eles o que eles são. Todos vocês são….? Quem habita em vocês…..? A resposta deve ser enfatizada pelo expositor, que no caso é você!

Solicite que leiam Gálatas 3, verso 26: “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” ( Gl 3:26 ). Após a leitura, questione: Pelo evangelho (fé) todos vocês são…? Obtenha uma resposta de seus ouvintes!

Após, leia a primeira carta de João 3, verso 1: VEDE quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele” ( 1Jo 3:1 ). Agora pergunte a eles o que estão vendo. O que João pede aos seus leitores que vissem? Que todos são chamados filhos de Deus! Leia o verso seguinte é aponte a seriedade das palavras que você está apresentando: “Amados, agora somos filhos de Deus…” ( 1Jo 3:2 ). Aponte que todos são amados! Demonstre o tempo: Agora somos filhos! Não será amanhã! É agora, pois Deus é o Deus de já!

Leia Efésios 5, verso 8: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR” ( Ef 5:8 ). Pergunte o que somos e aguarde que respondam!

Para finalizar a abordagem inicial, peça que o acompanhe na leitura de primeira Pedro 2, verso 4, 5 e 9: “E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (…) Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:4 -5 e 9).

Faça os recordar enumerando a condição deles: – Todos vocês pela fé em Cristo são filhos, luz, templo, casa, sacerdotes, pedras vivas, nação santa, povo adquirido, etc.

 

2° Parte – Você precisará de 25 minutos.

Solicite que leiam juntamente com você a passagem de 1 Coríntios 10, verso 15 ao 17, e vá interpretando cada parte do verso a medida que você for evoluindo a leitura.

“Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo” ( 1Co 10:15 ) – Demonstre que o apóstolo Paulo havia escrito aos cristãos de Coríntios e que agora ele espera que analisem a questão como sábios. Que deveriam analisar (julgar) o que seria exposto.

“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?” ( 1Co 10:16 ) – Pergunte à plateia o que é o cálice segundo o versículo. Agora, pergunte quem é que abençoa o ‘cálice de bênção’. Talvez você não obtenha uma resposta, mas deve demonstrar que, da mesma forma que somos filhos, luz, casa, templo, etc., somos ‘nós’, ou seja, todos os seus ouvintes que abençoam o cálice.

Demonstre o quanto as pessoas são propensas a acreditar em promessas vazias, como que receberá uma casa, um emprego, visões de chaves de carros, etc., porém, quando a Bíblia diz que somos nós que abençoamos o cálice poucos creem.

O que representa o cálice de bênção que abençoamos? Após perguntar, demonstre que o cálice que abençoamos representa a comunhão do corpo de Cristo!

Para dirimir a dúvida deles quanto a saber se são eles mesmos que abençoam o cálice, solicite que leia Mateus 23, verso 16 à 19. Explique que os fariseus eram os mestres à época de Cristo, por isso são nomeados de condutores, porém, eram cegos. Todos que eram guiados por eles estavam perdidos! ( Mt 23:17 ).

Apresente o entreve que os fariseus apresentavam ao povo quanto ao que santifica o que. Para eles o ouro que revestia o templo era mais importante que o templo, porém é o templo que santifica o ouro, ou seja, demonstre que cada um deles são templo, casa, habitação do Deus vivo, e que, portanto, são eles que consagram as coisas exteriores. Se Eles são templo, eles são superiores a ouro.

Demonstre que, assim como o autor é mais importante que o sacrifício, cada cristão é mais importante que tudo que é oferecido a Deus, pois são luz, filhos, casa, templo, sacerdote, etc.

Demonstre que o cálice de bênção que eles abençoam representa a comunhão do corpo de Cristo, ou seja, embora haja muitos cristãos ali congregados, todos são um só pão e um só corpo ( 1Co 10:17 ). Enfatize que todos são um pão! Que todos são um só corpo, pois todos participam de um mesmo pão, o corpo de Cristo ( 1Co 10:17 ).

Agora você deve demonstrar qual a importância de cada um dos seus ouvintes se comparados ao cálice e ao pão que haverão de participar na comemoração da morte do Senhor.

Enfatize que o ser humano gosta de inverter o valor das coisas. Ex: Dá-se mais valor a bandeira do que as pessoas que a empunham; Dá-se mais valor ao estado, do que aos cidadãos; valoriza-se mais as instituições do que os seus associados, etc.

Demonstre que o cálice de vinho do qual todos serão participantes no cerimonial não possui valor maior do que os seus ouvintes. Demonstre que enquanto o cálice e o pão representa a comunhão do sangue e do corpo ( 1Co 10:16 ), cada um deles é o corpo de Cristo.

Demonstre que cada um ali presente não veio de suas casas para ser abençoado ou purificado pelo cálice e pelo pão, antes cada um são membros do corpo de Cristo, e por tanto, são aqueles que abençoam o cálice e o pão.

Relembre que tudo que o Antigo Testamento representa era sombra das coisas futuras, e que a realidade está em Cristo. Tudo que era feito e ofertado sob a velha aliança era somente sombra, mas agora somos filhos, templo, sacerdotes, luz, casa, etc. A mesa do qual todos participam somente representa aquilo que todos são: um só corpo, um só espírito, um só batismo ( Ef 4:4 ; Rm 6:3 ; Gl 3:27 ).

 

3° Parte – Você precisará de 20 minutos.

O texto base será primeiro Coríntios 11, verso 17.

Você precisará demonstrar que a igreja de corintos possuía uma diversidade cultural muito grande, pois havia ricos, pobres, servos, livres, judeus, gentios, homens e mulheres, etc. Enquanto cada um estava em suas casas as diferenças não apareciam, porém quando se reuniam as diferenças se evidenciavam, e muito se deixavam levar pelas aparências, pois se esqueciam que cada um eram um mesmo pão, membros de um mesmo corpo.

Demonstre que:

  • Não seriam elogiados quanto a reunião da ceia ( 1Co 11:17 );
  • A reunião não era para melhor, mas para pior ( 1Co 11:17 );
  • Havia divisões, o que não ocorre num corpo ou num pão ( 1Co 11:18 );
  • Quando se reuniam não era para cear ( 1Co 11:20 );
  • Antes cada um fazia a sua própria, mas não a do Senhor ( 1Co 11:21 );
  • Repreensão pelo comportamento contrário ao evangelho ( 1Co 11:22 );
  • Relembrando o que já foi ensinado ( 1Co 11:23 à 25);
  • Quando se bebe o cálice e come o pão, somente anuncia-se a morte do Senhor, ou seja, ninguém é abençoado por isso, antes todos são benção no Senhor porque são filhos, ou seja, herdeiros da promessa ( 1Co 11:26 );
  • Quem comer o pão e beber o cálice indignamente é culpado da carne e do sangue de cristo ( 1Co 11:27 );
  • Cada um deveria se auto examinar e comer, ou seja, não se deve abrir mão de ser participante da mesa ( 1Co 11:28 );
  • Embora muitos entendam que ser culpado, indigno de participar da mesa do Senhor tem relação com os possíveis comportamentos reprovável que podem ocorrer no dia-a-dia, a Bíblia demonstra que indigno é aquele que não discerne, não compreende o que é o corpo do Senhor. Se você não compreende que cada cristão é membro do mesmo corpo, você é indigno de ser participante da mesa que contém os elementos que representa todos ali reunidos “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR” ( 1Co 11:29 ).

 

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR ( 1Co 11:29 ).

Explique o significado de comer e beber indignamente, ou seja, a condição de condenação. Qualquer que não discerne (grego – diakrino), ou seja, não compreende que judeus, gentios, pobres, ricos, livres, escravos, homens e mulheres são membros de um mesmo corpo ( Gl 3:28 ), são participantes da carne e do sangue de Cristo é indigno, pois todos que compreendem esta verdade é porque creu em Cristo segundo as escrituras.

Somente os filhos da luz, aqueles que são luz no Senhor são dignos do reino de Deus e de participarem da mesa “Prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis” ( 2Ts 1:5 ).

Se para aquele que está em Cristo não há nenhuma condenação, isso significa que o indigno é aquele que participa da mesa sem ser membro do corpo ( Rm 8:1 ; Rm 12:5 ).

Para concluir enfatize que todos se tornaram um só corpo, uma só carne com Cristo “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos” ( Ef 5:30 ). Ou seja, Deus é a verdade e os seus ouvintes são um com a Verdade “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” ( Jo 17:11 ).

O grande mistério foi resolvido, ou seja, isto diz de Cristo e sua Igreja ( Ef 5:32 ). Quando nos unimos a Cristo como igreja, nos tornamos membros do seu corpo ( Ef 5:30 ). Ao tornar-se um só corpo com Cristo, a verdade que liberta, você ‘conheceu’ a Deus e és livre! ( Jo 8:32 ).

Só ‘conhece’ a ‘Verdade’ aquele que deixou pai e mãe e uniu-se ao esposo, que é Cristo. Este não é indigno de participar da mesa que anuncia a morte do Senhor até que Ele venha.




A ceia do Senhor

O objetivo de quem participa da mesa do Senhor deve ser única e exclusivamente anunciar a morte de Cristo. Se alguém usa do cerimonial comemorativo estabelecido por Cristo de modo indevido, como estava sendo feito por alguns da igreja de Corinto, acaba por tornar-se culpado da morte de Cristo (…) Aqueles que não discernem o corpo de Cristo, que é a igreja, e que continuam a participar do pão e do cálice, estes são réus, merecedores de castigo. Quando a pessoa não diferencia o que é o corpo de Cristo, ele acaba sendo egoísta, causando divisões e dissensões, o que demonstra que ele não está ligado à cabeça da igreja, que é Cristo.

 


O Alerta Solene

As mensagens e sermões que antecedem a cerimônia da ceia geralmente contêm alertas quanto ao não cear indignamente. Os pregadores solicitam aos ouvintes que façam um auto-exame e apelam para a consciência dos ouvintes: Não participem do cálice e do pão indignamente!

Alguns pregadores alegam que, se alguém cometeu um errou durante a semana, acabou por tornar-se indigno de participar do cálice e do pão. Outros alegam que, caso alguém não tenha se santificado durante o decurso da semana, também será culpado do corpo e do sangue de Cristo, isto, se participar do pão e do cálice.

Diante deste impasse, fica a questão: O que é participar do pão e do cálice indignamente?

Para compreendermos o que Paulo escreveu aos cristãos de Corinto, analisemos o capítulo 11 da carta que foi endereçada a eles.

 

O Contexto

“Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (v. 1).

Antes de analisarmos o texto que geralmente é lido no cerimonial da comemoração da morte de Cristo, é preciso determinar qual o contexto que motivou o apóstolo Paulo a escrevê-lo.

Para esta análise é preciso ler o capítulo anterior, onde é demonstrado com se deu e no que consiste a liberdade cristã.

Paulo lembra os cristãos de que todas as coisas são licitas, mas que nem todas são convenientes. Há coisas que são licitas, porém, nada constroem ( 1Co 10:23 ). Para resumir os elementos pertinentes à liberdade, Paulo demonstra que, tudo quanto o cristão fizer, deve fazer para a glória de Deus ( 1Co 10:31 ).

Ou seja, Paulo solicita aos irmãos que tivessem um comportamento que não escandalizasse nem os judeu, nem os gregos e nem a igreja de Deus “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar” ( 1Co 10:32 -33).

Paulo demonstra que, para não causar escândalos a quem quer que seja, ele procurava não satisfazer os seus próprios interesses, antes, buscava o interesse de muitos, com o único fito de salvar a muitos (v. 33).

Paulo demonstra que, a sua atitude pessoal era uma imitação clara das atitudes de Cristo, que não procurou agradar a Si mesmo. Desta maneira Paulo aconselha os cristãos a que fossem seus imitadores ( 1Co 11:1 ).

O capítulo 11 aborda dois temas distintos: o uso do véu na igreja de Corinto e a Ceia do Senhor. Para falar a respeito destes dois temas, o apóstolo fez dois tipos de abordagem: ao falar do uso do véu, Paulo louva os cristãos por lembrarem-se do que lhes fora ensinado anteriormente. Ao falar da Ceia, o apóstolo não louva os cristãos.

“Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior” (v. 17).

O apóstolo louva os cristãos por em tudo se lembrarem dele e dos preceitos que guardavam conforme foram ensinados, mas repreende a todos pela conduta durante o cerimonial da Ceia ( 1Co 11:17 ).

Desta maneira, verifica-se que o contexto do verso 17 em diante é de repreensão. Contexto bem diferente da instrução anterior, que foi o uso do véu.

Mas, qual o objetivo da censura do apóstolo? O que Paulo estava coibindo?

O apóstolo Paulo censura os cristãos de Coríntios por causa de suas reuniões “… pois vos reunis, não para melhor, senão para pior” ( 1Co 11:1 ). Ou seja, o assunto abordado e discutido do verso 17 em diante gira em torno das reuniões dos cristãos. Isto porque as suas reuniões não eram para melhor, senão para pior.

O objetivo, ou a finalidade da reunião dos cristãos estava desvirtuado, e por este motivo específico, Paulo censura a conduta dos cristãos. Conduta esta que podia causar escândalo à igreja de Deus.

 

Problemas nas Reuniões

“Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós divisões; e em parte o creio” (v. 18).

O apóstolo escreveu com base naquilo que ouviu a respeito do que estava acontecendo nas reuniões. Paulo ouviu de alguém que na igreja de Corinto havia divisões.

Paulo é cauteloso a cerca do que ouviu “… e em parte o creio” (v. 18).

Sobre as dissensões na igreja de Corinto, Paulo foi informado pelos da família de Cloé, e já havia recomendado aos cristãos que não agissem desta forma ( 1Co 1:10 ). Porém, o problema em pauta já não é dissensão, e sim, divisões de ordem socioeconômica.

Observe que as dissensões eram promovidas por questões partidárias no seio da igreja. Já as divisões surgiram por causa daqueles que tinham o que comer, e os que não tinham. Esta atitude acabava por envergonhar aqueles que nada tinham para comer (v. 22).

 

Divisões, Dissensões ou Heresias?

“E até importa que haja entre vós diferenças, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” (v. 19).

O apóstolo ressalta que as diferenças entre os cristãos são necessárias.

Diante das diferenças os cristãos sinceros desenvolvem a tolerância, o amor ao próximo, a sinceridade, a moderação, a misericórdia, etc ( Tg 3:17 ).

Os homens e as instituições não toleram diferenças, e na sua maioria empregam meios para minimizar as diferenças, ou até mesmo excluir aqueles que são diferentes.

A proposta das diferenças na criação é a interação harmoniosa dos homens, porém, estas diferenças funcionam como um reagente, tornando visível a malignidade da natureza humana corrompida pelo pecado em Adão: dissensões, porfias, vã gloria, inveja, contendas, confusão, mentiras, etc ( Tg 3:14 -15).

Embora os cristãos já estivessem libertos da natureza pecaminosa, sendo nova criatura pela fé em Cristo, o entendimento de ‘mundo’ deles ainda precisava ser reformulado. Embora nova criatura, ainda não haviam se despido dos feitos da velha natureza, o que só é possível através da transformação operada pelo renovar do entendimento.

O evangelho de Cristo não busca acabar com as diferenças. Da mesma forma, a igreja de Cristo é constituída daqueles que creem, não importando as diferenças sociais ( Gl 3:26 -29). Não importa as diferenças, todos são filhos de Deus pela fé em Cristo.

Este versículo demonstra que, mesmo tratando de certas questões geradas pela diferenças, jamais foi o objetivo de Paulo extirpá-las. O problema dos cristãos não era as diferenças, antes a forma de lidar com elas.

Quanto a forma de se lidar com as diferenças, este assunto já havia sido abordado no capítulo anterior ( 1Co 10:31 -33).

Há algumas traduções que rezam: “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” (v. 19), em lugar de ‘diferenças’. Qual a tradução mais acertada?

O que pode demonstrar qual a tradução acertada é o contexto. Importa que haja heresias no meio dos cristãos? Caso tenha importância existir heresias entre os cristãos, isto vai contra tudo o que os apóstolos pregavam.

Perceba que o tradutor fez um mero trabalho de verificação de léxico, porém, não analisou o contexto na qual tal palavra estava sendo empregada.

Da mesma forma a palavra correta no verso 18 é divisão, e não dissensões, o que foi abordado no início da carta, conforme Paulo foi avisado pelos da família de Cloé ( 1Co 1:11 ). Observe que Paulo não declina quem lhe avisou que havia divisões durante as reuniões ( 1Co 11:18 ).

“De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor” (v. 20).

O que o apóstolo ouviu acerca das reuniões para se comer a Ceia do Senhor foi o bastante para a conclusão: as reuniões que faziam não eram para comer a ceia do Senhor.

A crítica de Paulo continua sendo a reunião dos cristãos. Eles se juntavam num lugar, porém, tal ajuntamento não era para comer a ceia do Senhor.

O Problema

“Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se” (v. 21).

Este versículo firma-se no anterior, ou seja, Paulo passa a motivar a crítica feita no versículo anterior: “Porque…”.

Quando os cristãos de Corinto iam comer reunidos em um mesmo lugar, cada um se apressava a tomar a sua própria ceia, e conseqüentemente, uns ficavam com fome, e outros, de tão abastados, ficavam embriagados ( 1Co 11:21 ).

Os cristãos que tinham o que comer comiam tanto que, ao final do cerimonial estavam embriagados, e outros que nada tinham, ficavam com fome. Estes estavam esquecidos que a igreja de Deus é comporta por servos e livres, judeus e gentios, homens, mulheres e crianças, pobres e ricos, etc.

As diferenças eram muitas, porém, deveriam ser imitadores de Cristo, como filhos amados ( Ef 5:1 ; 1Co 10:32 -33).

Para compreenderemos o texto, faz-se necessário entendermos o modelo de reunião adotada pelos cristãos primitivos.

A determinação de Cristo aos discípulos foi específica: todas as vezes que fossem cear, deveriam comemorar a morte de Cristo até que Ele viesse outra vez ( 1Co 11:25 ).

Os cristãos de Corinto reuniam-se conforme a determinação de Cristo, porém, cada um fazia uma ceia ‘particular’, mesmo quando reunidos em um mesmo lugar. Esqueciam que a comunhão era tanto na hora de comer, quanto no ‘partir do pão’.

 

A Igreja de Deus

“Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo” (v. 22).

A repreensão do apostolo é enfática: “Não tendes casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm?”. O pouco apreço pela igreja de Deus é o que motivou a repreensão do apóstolo.

Para entender o texto, também é preciso verificar sobre qual igreja Paulo está fazendo referência. Observe que a igreja que Paulo faz referência neste versículo não é o templo, ou a casa onde ocorriam as reuniões, que hoje acabamos por denominar igreja.

A igreja de Deus refere-se ao corpo de Cristo formado pela comunhão em Cristo por vários povos de diferentes classes sociais e etnias.

A atitude de cada cristão em fazer uma ceia ‘particular’ nas reuniões que eram voltadas para anunciar e comemorar a morte de Cristo até que Ele voltasse estava simplesmente envergonhando aqueles que nada possuíam.

Esta atitude causava menosprezo à igreja de Deus, visto que, a igreja ou o corpo de Cristo é composto por várias pessoas de diferentes classes sociais.

Por que estava ocorrendo este menosprezo? Porque não compreendiam a dinâmica (mistério) que envolve a igreja de Deus, ou melhor, o corpo de Cristo. Se eles compreendessem a ideia da palavra igreja que está contida no Novo Testamento, eles não estariam participando do pão e do cálice indignamente.

A compreensão exata que o cristão deve ter a respeito do que é a igreja de Deus foi descrito por Paulo na carta aos cristãos em Éfeso:

1) A igreja era um mistério que esteve oculto em Deus, não sendo revelado aos homens em outras gerações ( Ef 3:4 -5); mas, que agora foi revelado aos santos apóstolos e profetas;

2) A igreja é a união de povos (gentios e judeus), onde ambos os povos têm “acesso ao Pai em um mesmo Espírito” ( Ef 2:18 ). Os gentios são membros do corpo de Cristo, e Cristo é o cabeça deste corpo ( Ef 3:6 e Ef 5:23 ). A igreja é o corpo de Cristo ( Cl 1:24 ), e todos estes elementos reunidos formam a ideia presente na palavra igreja, o corpo de Cristo;

3) Todos os homens que creem em Cristo (judeus, gregos, romanos, servos, livres), fazem parte do corpo de Cristo individualmente. Quando reunidos, havia pessoas de diferentes raças e classes sociais, mas todos fazem parte do corpo de Cristo ( 1Co 12:13 e 27).

4) A igreja, o corpo de Cristo, foi formada porque Cristo entregou a sua carne (o seu corpo humano); e, por meio da entrega do corpo de Cristo todos os que creem tornam-se participantes da morte de Cristo (morrem com Cristo), e ao serem de novo criados (ressurgirem com Cristo) por meio da fé, o homem deixa de ter qualquer vínculo com a sua antiga natureza, como bem expressa o apostolo Paulo: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, Ainda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” ( 2Co 5:16 ). Ou seja, com esta declaração Paulo demonstra que ninguém deveria se pautar em elementos pertinentes a antiga natureza para dizer que conhecia alguém dentro da igreja. Deveriam excluir qualquer tipo de discriminação como: “- Você conhecer aquele irmãozinho, o escravo de ‘fulano’?” Ou, “-Você viu ‘bertano’, o senhor de ‘fulano’?”. Depois que o homem aceita a Cristo, a ninguém mais deve conhecer por elementos pertinentes à carne, visto que, agora, em Cristo, todos são irmãos, filhos de Deus pela fé e concidadãos dos santos, pertencentes à família de Deus “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” ( Ef 2:19 ).

O apóstolo não aceitou aquela forma de comportamento, pois não foi dessa maneira que Paulo havia ensinado os cristãos.

Sobre a não utilização do véu, os cristãos estavam seguindo o determinado por Paulo, e por isso, foram louvados. Já com relação à ceia, não foram elogiados, visto que, estavam afastados dos preceitos ensinados por Paulo.

A Instituição da Ceia

Lemos em Mateus 26 que, no primeiro dia da festa dos pães amos, os discípulos queriam saber de Jesus onde haveriam de preparar a páscoa ( Mt 26:17 ). Jesus indicou uma casa pertencente a um homem que ficava na cidade.

Os discípulos foram e prepararam a páscoa, e à tarde, Jesus assentou-se à mesa com os doze. Durante a degustação da páscoa, Jesus anunciou que seria traído, e os discípulos com pesar perguntavam: “Por acaso sou eu Senhor?” ( Mt 26:22 ).

Foi quando Jesus disse que, aquele que metesse a mão juntamente com ele no prato, este o havia de trair. Judas, o que traiu, perguntou: “Por acaso sou eu, Rabi?”, e Jesus respondeu: “Tu o disseste”.

Enquanto todos comiam o preparado para a páscoa, Jesus pegou o pão e abençoando, partiu-o e deu aos seus discípulos. Depois, Jesus pegou o cálice, deu graças, e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “Bebei dele todos…” ( Mt 26:27 ).

Enquanto Mateus focou-se nos arranjos para se comemorar a páscoa, Lucas fixou-se no desejo de Jesus em participar juntamente com os seus discípulos daquela última páscoa ( Lc 22:15 ).

Lucas demonstra que, ao se assentar à mesa com os seus discípulos, Jesus mencionou o desejo de comer daquela ceia antes do seu sofrimento. Que em seguida, pegou o cálice e deu graça, e mandou que repartissem o cálice entre eles.

Após repartir o cálice, Jesus deu graças pelo pão e o repartiu entre os discípulos. Ao final da ceia, Jesus fez com o cálice da mesma forma que foi feito com o pão e explicou o significado do cálice ( Lc 22:19 -20).

Enquanto comiam a páscoa Mc 14:18 , Jesus falou-lhes da traição e em um determinado momento pegou o pão e o abençoou. Em seguida, parti-o e deu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo” ( Mc 14:22 ).

Da mesma forma Jesus lhes anunciou: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos” ( Mc 14:24 ).

Isto foi posto para entendermos o que estava ocorrendo na igreja de Coríntios. Devemos observar atentamente os moldes em que se deu a ceia ministrada por Jesus.

Na noite em que foi traído, Jesus e os discípulos estavam comendo o cordeiro da páscoa. Em dado momento da festa, Jesus pegou o pão e o abençoou e distribuiu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”.

Isto demonstra que, como a primeira ceia ministrada por Cristo se deu em meio à festa dos pães asmos (quando era necessário aos judeus sacrificarem a páscoa), os cristãos primitivos quando se reuniam para comemorar e anunciar a morte do Senhor Jesus, acabavam por fazer uma grande refeição semelhante a ceia dos judeus.

A dissensão que estava ocorrendo na igreja de Corinto era decorrente da refeição que faziam antes de comemorar a morte de Cristo.

Observe que Jesus após cear tomou o pão, ou seja, após comer o cordeiro pascoal que foi preparado pelos discípulos no dia dos pães asmos, é que foi instituído o cerimonial em sua memória. Foi durante a páscoa que Jesus tomou o cálice e o pão, abençoando-os ( Lc 22:7 ).

Podemos depreender dos textos a seguinte ordem nos eventos narrados:

a) Preparação para a páscoa;

b) Jesus assenta-se à mesa com todos os discípulos;

c) Diferente de outras páscoas, Jesus pega o recipiente que continha o vinho, deu graça, e entregou aos discípulos para que repartissem entre eles ( Lc 22:17 );

d) Depois, Jesus pegou o pão, deu graças e o partiu. Entregou aos seus discípulos o pão dizendo: “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim” ( Lc 22:19 );

e) Após a ceia, da mesma forma que foi feito com o pão, Jesus procedeu com o cálice. Pegou o cálice e disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado por vós” ( Lc 22:20 ).

Não podemos confundir a ceia referente à páscoa, da ceia que hoje se comemora à morte de Cristo. Da mesma forma que, antes de comemorarem a morte de Cristo, os cristãos de Corinto estavam se reunindo para se banquetearem, porém, ignoravam aqueles que nada tinham.

 

Recapitulando os Ensinamentos

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão” (v. 23).

Paulo passa a recapitular o que havia ensinado aos cristãos.

O que Paulo havia ensinado, era o mesmo que recebera de Cristo.

Paulo havia ensinado os cristãos, que Jesus, na noite em que fora traído, tomou o pão e tendo dado graças, o partiu e disse:

“E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (v. 24).

Jesus manda os discípulos pegarem e comerem o pão, e lhes apresenta o motivo: o pão repartido por eles representava o corpo de Cristo, que foi entregue por todos.

Este cerimonial foi instituído em memória de Jesus e da sua obra pela igreja. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.

“Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (v. 25);

Após Cristo terem comido do cordeiro pascoal juntamente com os discípulos (depois de cear), ele pegou o cálice, que momento antes fora repartido entre os discípulos, deu graças Lc 22. 17, e disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue”.

O testamento anterior foi invalidado quando Cristo instituiu o novo.

Os cristãos devem entender que a base de tudo esta no testamento no sangue de Cristo, e não no homem. É Cristo a garantia de salvação, e não os nossos atos.

Os elementos da ceia

Paulo ensinou que, na noite da traição, Cristo pegou o pão e após ter dado graças partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isso em memória de mim” (v. 24);

Sabemos que o pão não se transforma no corpo ou na carne de Cristo. Antes, ao dizer: “Isto é o meu corpo…”, Jesus estava demonstrando que o pão, naquele momento, representava o corpo de Cristo, que estava sendo entregue à humanidade.

Sabemos que o corpo de Cristo não foi dividido em partes, visto que, nenhum de seus ossos foi quebrado. Desta forma, sabemos que o pão partido e entregue aos discípulos não representava que o corpo de Cristo seria dividido em partes, antes que, cada um dos discípulos, após comerem, passaram a fazer parte do corpo de Cristo.

Cristo foi entregue em prol da humanidade, e todos os que creem passam a condição de participantes do corpo de Cristo.

Após ter dado graças e partido o pão aos discípulos, Jesus estava lhes demonstrando que todos eles constituíam o seu novo corpo. O pão repartido entre os discípulos representava o corpo de Cristo, ou seja, cada discípulo passou à condição de participante do corpo de Cristo.

O pão que foi partido por Cristo representava o seu corpo, e que, após ser entregue aos discípulos, passou a representar que cada um dos discípulos passaram a compor o corpo de Cristo.

O pão que representava o corpo de Cristo estava sendo ‘partido’ por todos, ou seja, ao partir o pão e o cálice, os cristãos manteriam viva a lembrança de que todos faziam parte do corpo de Cristo.

Paulo estava relembrando os cristãos que, embora fossem muitos, todos individualmente eram membros uns dos outros, da mesma forma que eram um só corpo em Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12: 5).

Da mesma forma que o pão representava o corpo de Cristo “Isto é o meu corpo…” (v. 24), cada um dos discípulos passou à condição de membros deste corpo.

Paulo citou todos os elementos quando se comemora a morte de Cristo:

a) Jesus entregou o pão a todos os presentes;

b) todos estavam comendo a páscoa;

c) o cálice foi repartido e entregue a todos os discípulos.

Estes elementos demonstram que todos os discípulos estavam reunidos em um único propósito: participarem da páscoa.

No antigo testamento todos os israelitas deviam participar do cordeiro pascoal. Da mesma forma, Cristo demonstra que todos os cristãos devem participar da ceia instituída no Novo Testamento, sendo que, até mesmo Judas participou do pão e do cálice.

Cristo sabia que Judas era um traidor, no entanto, deixou-o participar do pão e do cálice.

Pedro participou da ceia, mesmo Cristo sabendo que seria negado mais tarde.

Logo após a ceia houve uma grande discussão entre os discípulos sobre qual deles haveria de ser o maior no reino dos céus, mas todos participaram da cerimônia ( Lc 22:24 -30).

No jardim do Getsêmani todos os discípulos dormiram em um dos momentos mais cruciais, deixando Jesus só.

Pedro, muito tempo depois, tornou-se repreensível e Paulo teve que exortá-lo, porém, não há registro de que Pedro tenha deixado de participar da ceia por tornar-se indigno.

Todos estes casos demonstram que questões comportamentais, morais, hábitos e maneira de viver não tornam os homens indignos de participarem do pão e do cálice.

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (v. 26).

Ao instituir a ceia (comer do pão e beber do cálice), Jesus estava:

a) Dando a entender que os discípulos eram o corpo de Cristo (v. 24), e;

b) Que há uma nova aliança, um novo Testamento entre Deus e os homens firmados no sangue de Cristo (v. 25);

c) Comer do pão e beber do cálice em memória de Cristo é anunciar a morte de Cristo até a sua vinda (v. 26).

 

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (v. 27).

O apóstolo Paulo demonstrou anteriormente que a ceia é anuncio da morte do Senhor, e neste versículo remete os leitores a uma conclusão: “Portanto…”.

O apóstolo Paulo demonstra que qualquer um que comer do pão e beber do cálice indignamente, este será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

Os Indignos

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (v. 28).

O versículo anterior só aponta a condição de indigno, mas não demonstra o que leva uma pessoa a condição de indigno de participar do pão e do cálice.

Paulo solicita aos cristãos que façam um auto-exame para que não se vejam em condenação, para depois apresentar o que de fato torna um homem indigno de ser participante do pão e do cálice (v. 29).

Paulo determina que o homem deva examinar-se a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Observe que Paulo demonstra que não é coerente que outros julguem os nossos atos “Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem?” ( 1Co 10:29 b).

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (v. 29).

Por que o homem deve examinar-se a si mesmo? Porque o que come indignamente, comem e bebe para a sua própria condenação. Ou seja, não é a proibição imposta por outra pessoa impedindo que alguém participe da ceia, que livrará o outro de ser culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Quem participa do pão e do corpo indignamente, come e bebe para a sua própria condenação, ou seja, não há como outra pessoa impor regras e condições para que outra pessoa se torne digna.

Mas, o que tornava os cristãos de Corinto indignos de participarem da ceia?

Em uma primeira leitura do texto, a ideia que sobrevém são os erros diários! Muitos concluem que os erros são os responsáveis por tornar um cristão indigno de participar do pão e do cálice! Tremendo engano.

Paulo declara que se torna indigno de participar do pão e do cálice aquele que não discerne o corpo do Senhor, ou melhor, aquele que não sabe fazer uma apreciação do que é, ou no que constitui o corpo do Senhor.

Por não entenderem qual é o significado do corpo do Senhor, ou qual é o conceito que envolve a igreja de Cristo, alguns dos crentes de Corinto seriam culpados do corpo e do sangue de Cristo.

Isto porque o objetivo de quem participa da mesa do Senhor deve ser única e exclusivamente anunciar a morte de Cristo. Se alguém usa do cerimonial comemorativo estabelecido por Cristo de modo indevido, como estava sendo feito por alguns da igreja de Corinto, acaba por tornar-se culpado da morte de Cristo.

Ou seja, a condição daquele que se diz cristão e não compreende o que é o corpo de Cristo, a sua condição é pior que a do incrédulo “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” ( 2Pedro 2:20 ).

Todos aqueles que se reuniam para participar do pão e do cálice já haviam escapado da corrupção do mundo, por meio da fé em Cristo. Porém, caso permanecessem fazendo distinções, divisões, menosprezando a igreja de Deus, isto demonstra que continuavam perdidos. Continuavam culpados da morte de Cristo.

Sobre estas pessoas o apóstolo Pedro disse: “Receberão a paga da injustiça. Tais homens têm prazer na luxuria à luz do dia. São nódoas e máculas, deleitando-se em suas mistificações, quando banqueteiam convosco” ( 2Pe 2:13 ).

O versículo 27 e uma conclusão da ideia exposta no versículo anterior “Portanto, (…) será culpado…” ( 1Co 11:27 ). Desta conclusão decorre dos elementos apresentados anteriormente:

1) Do que foi ensinado por Paulo (v. 23 a 26) ao descrever o que foi realizado por Cristo na noite em que foi traído, e;

2) Interposto aqui como exemplo de que forma os cristãos devem se portar quanto da solenidade comemorativa da morte de seu Mestre, que a ninguém descriminou na cerimônia.

A ideia geral desenvolvida por Paulo neste capítulo parte da constatação de que havia divisões quando das reuniões dos cristãos. Estas divisões tinham como elemento central o cerimonial comemorativo da morte de Cristo, que é a comunhão em seu corpo e sangue.

Paulo apresenta as divisões: pressa ao tomar a própria ceia; uns com fome e outros embriagados; menosprezavam a igreja, envergonhado os que nada tinham.

Este tipo de comportamento era uma demonstração clara de menosprezo à igreja de Deus, uma vez que não estavam se importando com os domésticos da fé.

Paulo já havia ensinado que Cristo instituiu o cerimonial comemorativo de sua morte enquanto comiam à páscoa, sendo que todos participaram tanto da páscoa quanto do primeiro ato comemorativo da morte de Cristo.

Depois desta seqüência de ideias, o apóstolo chega a primeira conclusão: “… será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. Neste versículo, ‘corpo’ e ‘sangue’ referem-se ao corpo de Jesus que fora entregue aos homens e não a igreja de Cristo. Observe:

“Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice…” (v. 26)

“Portanto, qualquer que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente…” (v. 27)

“… anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (v. 26)

“… será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (v. 27)

O comer do pão e o beber do cálice foi instituído para anunciar a morte de Cristo até a Sua volta, e o cristão que come e bebe indignamente a ceia não esta anunciando a morte de Cristo, antes é réu da morte de Cristo.

O apóstolo não esta falando da igreja, organismo vivo e poderoso, onde os seus membros são ‘templo’ e ‘moradas’ do Deus vivo, antes faz referência à morte de Cristo (corpo e do sangue).

Há uma culpa para os indignos, mas qual? O escritor aos hebreus nos dá uma ideia do que é ser culpado da morte de Cristo, e não participante de sua morte, como é necessário para se escapar da ira vindoura.

O homem é livre de condenação quando se torna participante da morte de Cristo, o que a ceia representa. Porém, se já não é participante do corpo, e as divisões demonstram isto, não eram participantes da morte, antes eram culpados do corpo e do sangue.

“Se voluntariamente continuarmos s no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários (…) De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” ( Hb 10:26 –29).

O escritor aos Hebreus alerta que, aquele que foi inteirado plenamente das verdades contidas no evangelho, e mesmo assim decide permanecer no pecado (o pecado aqui refere-se a natureza herdada de Adão), não há mais que se oferecer sacrifícios pelos seus pecados (pecados aqui refere-se a conduta), pois o velho homem continua vivo e em inimizade com Deus.

Aqueles que não discernem o corpo de Cristo, que é a igreja, e que continuam a participar do pão e do cálice, estes são réus, merecedores de castigo. Quando a pessoa não diferencia o que é o corpo de Cristo, ele acaba sendo egoísta, causando divisões e dissensões, o que demonstra que ele não está ligado à cabeça da igreja, que é Cristo.

Quando alguém faz divisão na igreja, está conforme João disse: “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas” ( 1Jo 2:9 ), ou seja, por não saber discernir o corpo do Senhor, permanece no pecado (não fazendo parte do corpo, que é a igreja e não se conformando com Cristo na sua morte), estes estão novamente “… crucificando para si mesmos o Filho de Deus, e expondo-o ao vitupério” ( Hb 6:6 ).

Se estiverem crucificando para si o Filho de Deus, resta que são réus de juízo, e participam do pão e do cálice indignamente, para a própria condenação. São culpados da carne e do sangue.

Conclusão

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (v. 27- 29).

 

Os versículos 27 e 29 apontam um problema no seio da igreja, e o 28 é a solução do problema.

O apóstolo solicita aos irmãos que fizessem um auto-exame, e que após este exame, participassem do pão e do cálice (v. 28). O apóstolo não proíbe o comer do pão e do cálice, pois só o auto-exame já era suficiente para que o participante viesse a se conscientizar das questões pertinentes ao corpo do Senhor, que a Igreja.

Paulo estava questionado o comportamento individualista de alguns e não aquele que pode ou não participar da mesa do Senhor. Em momento algum Paulo diz de quem pode ou não participar da Ceia de Cristo.

Paulo solicita aos cristãos refletirem, e, após, que participassem do ato comemorativo que anuncia a morte do Senhor.

Qualquer pessoa que participa da ceia fora do objetivo principal, que é anunciar a morte do Senhor, acaba por condenar a si mesmo, pois não sabe discernir o corpo do Senhor, a igreja.

Assim que, aquele que participa da Ceia na intenção de santificar-se, ou que participa na intenção de alcançar o perdão dos pecados, esta enfatuado na sua carnal compreensão, e participa indignamente.

A Ceia é um anuncio da morte de Cristo, e a santificação se dá por meio da oferta do corpo de Cristo “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” ( Hb 10:29 ).

Por não compreenderem no que consiste a igreja, surgiu inúmeras dissensões, entre elas temos: Partidarismo entre os freqüentadores da igreja ( 1Co 1:11 e 12); Litígios entre os irmãos ( 1Co 6:1 -8); Comiam a ceia em separado ( 1Co 11:21 ); etc.

O apóstolo ao comentar as divisões e dissensões que estavam ocorrendo em Corinto quando os cristãos comiam a ceia como algo em particular, ele ainda tem em mente uma ideia exposta em capítulos anteriores:

 

Base para as Afirmações Anteriores

“Falo como a entendidos: julgai vós mesmos o que digo. Não é o cálice de bênção, que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:15 -17).

O texto do capítulo 11 deve ser lido segundo o que foi exposto neste dois versículos. Para entender plenamente o capítulo 11 deve ter em mente as observações seguintes:

  • Paulo escreveu a quem foi instruído anteriormente, ou seja, os cristãos de Corinto deviam entender plenamente o significado do corpo de Cristo, que é a igreja “Falo como a entendidos”; Uma vez que Paulo já havia ensinado e louvado os cristãos por terem guardado os preceitos da maneira que foram entregue, eles já entendiam das questões espirituais ( 1Co 11:2 );
  • Paulo escreve a quem já era capaz de discernir as verdades bíblicas através de um auto-exame “Julgai vós mesmos”. Quem havia aprendido de Paulo, sabia o quanto ele enfatizava à liberdade em Cristo ( 1Co 10:23 ). Daí a necessidade do auto-exame ( 1Co 11:13 );
  • Não é o cálice que traz a bênção para o crente, antes é o crente que abençoa o cálice. Por quê? Porque o cálice se resume em uma representação do que é real. Nós, que estamos em Cristo, é que temos comunhão com o sangue e com o corpo de Cristo, e por isso, abençoamos o cálice da bênção. Cristo abençoou o pão e partiu entre os discípulos ( Mt 26:26 );
  • Através do que é representativo (pão e cálice), todos tornam participantes de Cristo (exteriorização de uma realidade espiritual), desta forma é o cristão quem abençoa o cálice e o pão.

A atitude impensada de alguns (não sabiam discernir o que é o corpo do Senhor), que participavam da mesa do Senhor imbuídos de sentimentos egoístas (demonstravam que não estavam anunciando a morte do Senhor), acabava por fazer surgir entre os cristãos muitos fracos e doentes. Pior ainda, muitos já estavam dormindo.

Fraco – aqui não faz referência a alguém que pecou, antes àqueles que não entendem plenamente as verdades do evangelho e que podem ser induzidos a adotarem comportamentos errôneos ( 1Co 8:9 -10; 2Pe 2:18 ).

Doente – faz referência àquele que está prestes a perecer espiritualmente, deixando de crer.

Dormem – faz referência àqueles que perderam a esperança da salvação ( 1Ts 5:6 -8).

O apóstolo de uma forma amorosa e esplendida orienta os irmãos a que fizessem um auto-exame de suas condutas diárias, pois então, não seria mais necessário ter que repreendê-los. Mas, se fosse necessário o apóstolo repreendê-los, que considerassem que a disciplina do Senhor livra o homem da condenação com o mundo.

A orientação para acabarem com as distorções sobre a ceia é clara: esperem uns pelos outros quando se reunirem para comer; e, se alguém tiver fome, coma em casa.

Todas as vezes que realizassem o ato de comer e beber do cálice, estariam a anunciar a morte de Jesus, até o dia de sua volta. Diante disto o apóstolo conclui: se alguém participar do pão e do sangue de modo indigno, será culpado do corpo e do sangue, o que leva o participante a ter que examinar a si mesmo para não participar indignamente.

 

Concluí-se:

Não há como alguém que crê em Cristo, conforme diz as escrituras, e que entende plenamente o que é o corpo de Cristo, tomar a ceia indignamente.

Só aqueles que dizem amar a Deus, e que não amam os seus irmãos, a ponto de fazer distinção, divisões e serem egoístas quanto ao partir do pão, é que participam indignamente à mesa do Senhor ( 1Jo 3:10 ).

Porém, não há uma proibição quanto ao participar do pão e do cálice, visto que, quem participa deve examinar-se a si mesmo.

Aquele que não tem comunhão com o corpo de Cristo, que é a igreja, mas que participa do pão e do cálice indignamente. Continua sendo réu de juízo, culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Ademais, percebe-se que quando Cristo disse: “Isto é o meu corpo que é entregue (repartido) por vós”, nós nos tornamos um só pão e um só corpo, pois todos são participantes do mesmo pão.

Da mesma forma que Cristo é o pão, nós somos um só pão com Ele. Da mesma forma que Cristo é Luz, somos filhos da Luz. Da mesma forma que Cristo é o Filho de Deus, nós somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:17 ).

Aquele que não discerne que todos cristãos são um só pão e um só corpo em Cristo e que promovem divisões na igreja por questões economicas, sociais, nacionalidade, etc., é quem participa do pão e do cálice indignamente. Portanto, é culpado da carne e do sangue de Cristo.

“Quem não é participante do pão (corpo), é culpado da carne e do sangue”