Deus é justo? Entenda a justiça de Deus

Diferentemente de Adão que, pela ofensa, morreu, o último Adão, que é Cristo, pela obediência, também, morreu, porém, não foi deixado na morte, de modo que, pelo poder de Deus, ressurgiu dentre os mortos e o mesmo ocorre com aqueles que creem.


A justiça de Deus

Há inúmeros erros, acerca de como se dá a justiça de Deus e para piorar, muito desses erros são fomentados por cristãos, quando tentam explicar o tema. Esses erros surgem, quando alguns cristãos, bem-intencionados, a pretexto de explicar a justiça de Deus, estabelecem um paralelo entre a justiça de Deus e a justiça administrada nos tribunais humanos.

Na tentativa de explicar a justiça de Deus, muitos cristãos lançam mão de uma parábola espúria, com a seguinte colocação: uma pessoa foi morta e o assassino, preso em flagrante; no julgamento, o juiz determina que o homicida seja solto, sem impor qualquer tipo de punição e, por fim, concluem: assim é a justiça de Deus.

Ora, é inconcebível a proposta de um juiz que detenha as prerrogativas da estória acima, quanto mais um juiz que atue à margem da lei, como apresentado. O argumento de que o juiz solta o homicida, sem qualquer punição, porque é um juiz muito bondoso e misericordioso, é escabroso, porém, é com base nesse argumento, que alegam se dar a justiça de Deus.   

É após contarem uma pequena estória semelhante à narrada que, geralmente, alguns cristãos fazem a seguinte pergunta: Como Deus pode ser justo e ao mesmo tempo justificar o ímpio? Justificar quer dizer tornar justo.

 

Perdão

Por falta de conhecimento bíblico, geralmente, após a pergunta ‘como pode o Deus justo justificar o ímpio’, o tema perdão vem à tona. A resposta de muitos cristãos é curta e sucinta: – ‘Deus perdoa nosso pecado e nos torna justos porque Ele é amor’.

O tema perdão é introduzido por muitos cristãos, por entenderem que Deus é amor e que amor implica em perdão. No entanto, a questão ‘como pode o Deus justo justificar o ímpio’ não é esclarecida, pois, se o perdão se dá em função do amor, segue-se que não há justiça em Deus, visto que toda transgressão deve ser punida.

Considerando o que Moisés descreveu acerca de Deus, é inconcebível a ideia de que Deus tenha o culpado por inocente:

“Passando, pois, o Senhor perante ele, clamou: O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração” (Êxodo 34.6 -7).

Tendo por base o que Moisés anunciou, acerca de Deus, certo é que o culpado jamais será inocente, portanto, o perdão divino jamais será concedido ao pecador. Nesse sentido, o perdão divino não pode ser tido como uma anistia ou, como indulto concedido ao pecador, pois, mesmo nos tribunais humanos, quando são concedidos ao criminoso tais benefícios, uma coisa é certa: a anistia ou, o indulto, não inocenta o criminoso.

O termo perdão jamais combina com o pecador, mas, sim, o termo morte, pois:

“Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá (Ezequiel 18.4).

Não há na Bíblia um só versículo que diga ‘a alma que pecar, essa será perdoada’, vez que Deus odeia o que pratica o mal” (Salmos 5.5). O perdão de Deus deve ser considerado somente no contexto, em que o ‘arrependimento’ é exigido.

“Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lucas 13.3);

“Arrepende-te, pois, dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração” (Atos 8.22).

 

Deus é justo

Primeiro, analisaremos o fato de Deus ser justo quando justificar o ímpio.

“Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Romanos 4.5).

Para compreender como se dá a justiça de Deus, se faz necessário entender que ‘a alma que peca, essa mesma morre’ (Ezequiel 18.4 e 32). Essa é uma lei estabelecida por Deus, portanto, irrevogável! 

Essa lei foi apresentada por Deus a Adão lá no Éden, quando foi dito:

“E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2.16- 17).

Todos os homens vêm ao mundo na condição de mortos para Deus, por causa da ofensa de Adão (Romanos 5.15). Em decorrência da ofensa, a humanidade foi julgada e apenada com a morte (Romanos 5.16). Todos os homens, por causa da ofensa, estão separados de Deus (mortos) e vivos para o pecado.

Para o homem ser justificado, se faz necessário morrer para o pecado, para que possa viver para Deus. Somente quando o homem morre com Cristo é justificado, como se lê:

“Porque aquele que está morto está justificado do pecado” (Romanos 6.7).

Deus é justo, portanto, a pena não pode passar do transgressor, de modo que a morte de Cristo na cruz é substitutiva, ou seja, não é necessário ao pecador morrer fisicamente, entretanto, para ocorrer justiça, conforme Deus é justo, se faz aos pecadores morrerem para o pecado.

Deus é justo, pois ao justificar o ímpio Ele impõe ao pecador que morra! Daí o expresso pelo apóstolo Paulo:

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3.26).

Para ser justo e justificador, Deus não permite que o pecador permaneça vivo para o pecado, pois jamais a pena pode passar da pessoa que pecou. A ideia da parábola de que Deus é amor e que, por isso, o homicida é liberado sem ter que pagar a pena, não é conforme a verdade das Escrituras. Cristo morreu, mas se faz necessário que os pecadores morram com Ele, para que possam ser justificados e Deus ser justo juiz.

“Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18.25);

“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram (2 Coríntios 5.14).

O velho homem crucificado e morto com Cristo está justificado do pecado, mas para Deus ser justificador dos que creem, Cristo ressurgiu dentre os mortos para que, ao ressurgirem com Ele uma nova criatura, Deus os declarasse justos.

“O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4.25).

Deus só justifica aqueles que ressurgem com Cristo na condição de novas criaturas, pois a velha criatura jamais será justificada. Para a velha criatura resta morrer com Cristo, de modo que a justiça de Deus permaneça.

 

O amor de Deus

Há um equívoco no pensamento de que Deus perdoa o homem porque é amor. Na verdade, Deus é amor e o Seu amor foi dado à humanidade em Cristo:

“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 João 4.9).

O amor de Deus está na pessoa do Seu Filho amado, Jesus Cristo, e somente quando a pessoa obedece a Cristo, o amor de Deus torna-se efetivo para aquela pessoa.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1 João 5.3);

“Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele” (1 João 2.5).

Deus amou todos os homens, indistintamente, quando deu o Seu Filho, mas, só aquele que crê, ou seja, que guarda a sua palavra, é perdoado. O Pai amou, indistintamente, todos os homens e deu o Seu Filho e no Filho há um mandamento: crer no enviado de Deus. O mandamento para crer em Cristo é o amor de Deus (1 João 3.23; 1 João 5.3).

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14.21).

Deus é amor por ter concedido o seu Filho em resgate dos pecadores e Ele é justo porque perdoa os que O obedecem. Os descendentes de Adão estão no pecado por causa da desobediência de Adão, mas os que creem são perdoados em função da obediência.

Se Deus perdoa porque é amor, não seria justo, porque todos os pecadores merecem a punição (Romanos 6.23). Mas, como Deus é justo, perdoa os que O obedecem, segundo o amor de ter concedido o Seu Filho.

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos (Êxodo 20.6).

Longe de Deus perdoar quem não O obedece, pois, a sua misericórdia é somente para os que O amam, ou seja, que guardam os seus mandamentos.

“Portanto, diz o Senhor Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz o Senhor: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados” (1 Samuel 2.30).

Devemos ter em mente que Jesus amou o jovem rico dando um mandamento:

“E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me” (Marcos 10.21).

 

A exigência da justiça de Deus

Por causa da ofensa, Adão morreu para Deus, consequentemente, todos os seus descendentes vieram ao mundo alienados de Deus, ou seja, todos morrem em Adão (1 Coríntios 15:22), por isso, é dito que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Romanos 3:23).

Cristo – o último Adão – por sua vez, em obediência ao Pai, sujeitou-se à morte de cruz (Filipenses 2.9), de modo que Ele foi morto, consequentemente, todos morreram e, por isso, é dito:  “… que, se um morreu por todos, logo todos morreram.” (2 Coríntios 5.14).

Diferentemente de Adão que, pela ofensa morreu, o último Adão, que é Cristo, pela obediência, morreu, porém, não foi deixado na morte, de modo que, pelo poder de Deus, ressurgiu dentre os mortos e o mesmo ocorre com aqueles que creem. A justiça de Deus se evidencia no fato de que Adão e Cristo morreram, este por obedecer, e aquele por desobedecer.

“Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Coríntios 15.21-22)

Se Cristo, em obediência ao Pai, se entregou na morte, por isso Deus O glorificou, fazendo com que se assentasse à destra da Majestade, nas alturas, segue-se que todos que creem em Cristo, igualmente, obedeceram a Deus, por isso é dito que todos que creem que Jesus é o Cristo, morrem com Cristo.

Como Cristo morreu, porque foi obediente, e ressurgiu dentre os mortos, todos que obedecem a Deu, crendo que Jesus é o Cristo, morrem e ressurgem dentre os mortos, à semelhança de Cristo; se assentam nas regiões celestiais, tal como Cristo está assentado, à destra da Majestade, nas alturas.

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Romanos 8.17);

“Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” (Romanos 6.5).

Ao ressurgir com Cristo (Colossenses 3.1), o cristão é glorificado com Cristo, pois passa a estar assentado nas regiões celestiais (Efésios 1:3) e no dia que o corruptível se revestir de incorruptibilidade (1 Coríntios 15:54), todos os cristãos serão semelhantes a Cristo (1 João 3:1-2).

“E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2.6).

 

Nem tudo que reluz…

Tive que fazer a exposição acima em decorrência de um artigo que circula na internet, que vem assinado pelo Sr. Mauro Fraga, com o título ‘A Justiça de Deus’[1].

O texto apresenta várias imprecisões teológicas, sendo, a principal, o modo como se dá a justiça de Deus. Mas, destaco o parágrafo abaixo, que possui algumas imprecisões terminológicas, que demandam uma análise apurada:

“Jesus não pagou para o diabo nos libertar. Jesus pagou para Deus. O sacrifício de Jesus satisfez a exigência de justiça de Deus. E por causa disso é que somos perdoados e podemos conhecer o amor de Deus por nós. Deus tratou Jesus como culpado em nosso lugar e separou-se Dele quando estava na cruz, e aí Jesus clamou: “Deus meu, porque me desamparaste?” (Mc.15:34). Jesus teve que ficar separado do Pai por nossa causa, para nos reconciliar com Ele ao morrer (Rm 8:32). Em Jesus, a justiça de Deus foi feita e, assim, Ele pode nos mostrar Seu amor (Rm 5:8).” Mauro Fraga, ‘A Justiça de Deus’, 6º parágrafo.

O Sr. Mauro, acertadamente, afirma que Jesus não pagou ao diabo para libertar o cristão, porém, comete um equívoco ao dizer que Jesus pagou para Deus. Ora, se Deus propôs salvar os crentes pela loucura da pregação, como poderia exigir pagamento por parte do Seu Filho? O apóstolo Pedro afirma que foi Deus quem pagou o resgate:

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1 Pedro 1.18-19).

Ora, não foi o sacrifício de Jesus que ‘satisfez’ a justiça de Deus, antes a obediência de Cristo, pois Deus mesmo disse: “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar” (1 Samuel 15.22), e acerca de Cristo estava predito:

“Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste. Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Salmos 40.6-8; Hebreus 10.5).

Na morte de Cristo ocorreu substituição: desobediência por obediência:

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5.19).

O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo não foi tratado por Deus como culpado, antes, como servo, que em tudo foi obediente. Seria injustiça por parte de Deus tratar o Justo como injusto. A comunhão entre o Pai e o Filho em tempo algum foi interrompida.

De Cristo vaticinou o Salmista:

“Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” (Salmos 22.24);

“Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei” (Salmos 91.15).

As profecias dos Salmos demonstram que Deus prometeu estar com o Seu Filho na angústia e que não o desprezaria e nem abominaria a aflição de Cristo, mas, por má leitura, interpretaram uma citação que Jesus fez das Escrituras, quando na cruz, como lamento, sendo que Jesus estava indicando aos que assistiam que aquelas Escrituras estavam se cumprindo naquele momento.

“DEUS meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu bramido?” (Salmo 22.1).

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] < http://pregacaocrista.com/a-justica-de-deus/ > consulta realizada em 29/01/19.




Deus odeia o pecado, mas ama o pecador?

O sentido do verbo grego ἀγαπάω (agapaó), ou do verbo hebraico אָהַב (aheb), traduzido por amor, quando utilizado na Bíblia detém um valor aristocrático voltado para a realidade do homem camponês da antiguidade, utilizado para descrever as relações que envolviam os senhores e os servos, ou as relações familiares entre marido e mulher, pais e filhos nos tempos antigos.


Deus odeia o pecado, mas ama o pecador?

Em uma conversa informal, um cristão afirmou: – “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”!  Não pude deixar de questionar:  – “Está na Bíblia”? Não obtive resposta!

É comum citações de pensamentos de origem desconhecida, como se fossem uma verdade bíblica. Sermões e pregações, em nossos dias, estão repletos de frases, pensamentos, provérbios, como: – “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”.

Quem cunhou a frase ‘Deus odeia o pecado, mas ama o pecador’, não compreendia verdades bíblicas essenciais, além de desconhecer o significado bíblico de termos como ‘ódio’, ‘amor’, ‘pecado’ e ‘pecador’.

Para entender qual a relação de Deus com o pecador, primeiro faz-se necessário entender o significado dos termos ‘amor’ e ‘ódio’; após isso, abordaremos o significado de ‘pecado’ e ‘pecador’.

 

Amor e ódio

“Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17).

Segundo esse provérbio, pergunta-se: – a quem Deus ama? A resposta é direta: – àqueles que O amam!

Esse provérbio trata do amor[1], segundo os sentimentos ou as emoções humanas?  Qual o melhor significado para a palavra ‘amor’, segundo os termos utilizados pelos gregos? Eros, Fhilia, Ágape? Deus exige do homem afeição, amizade, caridade?

Não! Absolutamente, não! Deus não exige do homem que tenha afeição por Ele! Deus não está em busca de amizade! Deus não quer caridade! Todos esses significados que se atribui ao termo amor, não condizem com o que Deus requer do homem.

Mas, alguém pode contra argumentar, dizendo: – “O termo grego ‘ágape’ define o amor de Deus para com os homens e vice-versa”.  Alto lá! Essa concepção, é fruto de uma má leitura bíblica, engendrada por vários padres, influenciados pela filosofia grega, como Agostinho, de Hipona e Tomás de Aquino, da Itália, sendo que este pendia para a tradição aristotélica enquanto que, aquele, para as ideias platônicas.

Diante de tantas teorias, como amar a Deus? No que consiste o amor a Deus?

O sentido do verbo grego ἀγαπάω (agapaó), ou do verbo hebraico אָהַב (aheb), utilizado na Bíblia, detém um valor aristocrático, voltado para a realidade do homem camponês da antiguidade, apontando para as relações que envolviam os senhores e os servos, ou as relações familiares entre marido e mulher, pais e filhos nos tempos antigos.

Quando lemos:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt 6:24).

Depreende-se do texto que ‘amor’ está para sujeição a um senhor, assim como ‘ódio’ está para insubordinação a outro senhor. Os termos não foram empregados para fazer referências a sentimentos ou, emoções, mas, sim, para destacar a relação entre senhor e servo.

Ama a Deus aquele que O obedece, ou seja, que se sujeita a Ele, como servo obediente.

Jesus mesmo disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14:21). “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14:15). “Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra,  meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14:23). “Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou” (Jo 14:24).

Jesus não estava exigindo que gostassem d’Ele! Na verdade, Jesus exigia que os homens se sujeitassem a Ele, tomando sobre si o jugo d’Ele. “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11:29). “E por que me chamais, SENHOR, Senhor, se não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).

Jesus nos deixou exemplo de como se ama a Deus: “Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui” (Jo 14:31).

Por conseguinte, obediência é a essência do amor bíblico: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1Jo 5:3).

Quando os apóstolos escreveram os Evangelhos e as cartas do Novo Testamento, o termo ἀγαπάω[2] (agapaó) foi escolhido dentre outros por uma caraterística impar: não tinha um significado específico e, raramente, era utilizado! A ideia do termo deriva do seu significado básico: honra.

Quando é dito que Deus ama os que O amam, é o mesmo que dizer que Ele honra aqueles que O honram: “Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim, perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam, serão desprezados” (1Sm 2:30).

 

É possível Aquele que é amor, odiar?

O apóstolo João afirma que Deus é amor, mas como compreender essa declaração acerca de Deus? Comparemos os dois versos abaixo, considerando que ambos foram extraídos do mesmo contexto:

“Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele, em Deus” (1Jo 4:15);

“E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus e Deus nele” (1Jo 4:16).

O apóstolo afirma que quem confessar que Jesus é o Filho de Deus, significa que Deus está nele e ele em Deus. Por conseguinte, o Pai e o Filho fizeram morada naquele que confessa a Cristo. Mas, como o Pai e o Filho passam a fazer morada no homem? Obedecendo a palavra de Cristo, ou seja, ao amá-Lo:

“Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra,  meu Pai o amará, viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14:23).

Perceba que, confessar a Cristo, é o mesmo que amar, obedecer e crer, e resulta em salvação: “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10:9).

Por intermédio de Moisés, Deus deixou bem claro que Ele faz misericórdia aos que o amam, ou seja, àqueles que guardam os mandamentos de Deus.

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êx 20:6).

“Eu amo aos que me amam e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17)

O amor de Deus para com os que O obedecem, não diz de um sentimento ou de uma emoção. O amor de Deus para os que O amam é misericórdia, ou seja, bondade, benignidade, fidelidade.

“Deus amou o povo de Israel”. Esta frase é verdadeira! Mas, como Deus amou os filhos de Israel? R: guardando o juramento feito a Abraão, a Isaque e a Jacó.

“Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” (Dt 7:8).

O amor de Deus é demonstrado na sua fidelidade à Sua palavra. Como Deus fez aliança com Abraão e prometeu que ele seria pai de muitas nações, Deus ‘amou’ os filhos de Israel, mantendo a palavra que falara a Abraão: resgatando-os da servidão do Egito (Gn 17:4-8).

Mas, apesar de Deus demonstrar a sua benignidade, conforme a boa palavra que falara aos patriarcas, Ele também odeia a todos os que praticam a maldade, ou seja, que não O obedecem.

“Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade” (Sl 5:5);

“E retribui no rosto a qualquer dos que o odeiam, fazendo-o perecer; não será tardio ao que o odeia; em seu rosto lhe pagará” (Dt 7:10);

“Se eu afiar a minha espada reluzente e se a minha mão travar o juízo, retribuirei a vingança sobre os meus adversários e recompensarei aos que me odeiam” (Dt 32:41);

“Eis que o justo recebe na terra a retribuição; quanto mais o ímpio e o pecador!” (Pv 11:31).

Enquanto o amor de Deus é dar o que prometeu, segundo a sua palavra aos que O amam, o ódio de Deus refere-se à sua retribuição a todos os que são ímpios e pecadores.

“Amai ao SENHOR, vós todos que sois seus santos; porque o SENHOR guarda os fiéis e retribui, com abundância, ao que usa de soberba” (Sl 31:23);

“Mas, o que pecar contra mim, violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte” (Pv 8:36).

Quando a Bíblia fala daqueles que odeiam a Deus, não fala de pessoas que tem um sentimento rancoroso ou que falam impropérios contra Deus. O ódio a Deus decorre da desobediência, de propagar o engano, ou seja, de pronunciar mentiras em nome de Deus: “Efraim era o vigia com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves, em todos os seus caminhos e ódio na casa do seu Deus” (Os 9:8).

Não basta dizer: – “Deus existe”; “Deus é bom”; “Eu amo a Deus”; “Vive o Senhor”, etc., mas não fazer o que Ele manda. Os filhos de Israel eram religiosos, legalistas, moralistas e ritualistas e tinham a lei chegada à boca, mas longe do coração: “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Is 29:13).

Quando Jesus faz referência aos que O odiaram, diz daqueles que não O obedeceram, pois não creram em Cristo, por consequência, não creram em Deus. Quem crê em Cristo, obedeceu a Deus, ou seja, amou a Deus. Mas, quem não crê em Cristo, desobedeceu, tanto a Cristo, quanto a Deus, ou seja, odiou tanto o Filho, quanto o Pai: “Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. Se eu, entre eles, não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai. Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa” (Jo 15:23-25). “Jesus clamou e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou” (Jo 12:44).

Enquanto o amor do homem para com Deus consiste em obediência ao seu mandamento, o amor de Deus, diz do seu cuidado, expresso em um mandamento: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15:10).

O amor de Deus é proteção, cuidado, abrigo, fidelidade, como se lê:

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15:10).

O apóstolo Paulo expressa a essência do amor de Deus, nessas palavras:

“Palavra fiel é esta: que, se morrermos com Ele, também com Ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2:11 -13).

 

Pecado e pecador

No imaginário popular, o pecado é representado por um fardo pesado que o pecador leva sobre os seus ombros.  Várias ilustrações e canções advertem os pecadores a deixarem o fardo do pecado aos pés de Cristo. Mais um engano!

A Bíblia apresenta o pecado com um senhor, não como um fardo: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (Jo 8:34). Os servos do pecado pecam, por isso são nomeados pecadores! Nas sociedades escravagistas a servidão era intrínseca ao escravo, portanto, era impossível ao servo se separar do seu senhor.

A ilustração que apresenta o pecado como um fardo não descreve a verdade das Escrituras, pois o pecador é apresentado como quem tem autonomia para deixar o pecado (fardo) ao pé da cruz e sair livre.

Além dessa figura, há várias considerações equivocadas, acerca do pecado: “O pecado nasce no coração do homem”. “O homem é uma fábrica de pecado”. “O homem não apenas, ama praticar o pecado, como ele em si mesmo é o pecado”, etc.

O homem não é o pecado, por não ser senhor de si mesmo. O pecado não é uma questão de gostar, querer, etc., na verdade, é uma questão de sujeição. O pecado não nasce no homem, antes o homem é concebido no pecado, ou seja, escravo do pecado.

Uma má leitura de Tiago 1, versos 12 à 15, leva ao entendimento de que o pecado é gerado dentro da pessoa, ou seja, em algum momento da existência do indivíduo o pecado nasce. Erro gravíssimo de interpretação do versículo, pois o que gera o pecado é a concupiscência, não o indivíduo.

O evento em que a concupiscência deu a luz ao pecado, ocorreu no Éden, quando Eva foi tentada e, ao observar o fruto da árvore do conhecimento, surgiu a concupiscência dos olhos: olhou para a árvore do conhecimento do bem e do mal e entendeu que o fruto era bom para comer, vez que agradou os seus olhos e considerou ser desejável para dar entendimento.

O evangelista João aponta três tipos de concupiscência: da carne, dos olhos e a soberba da vida (1Jo 2:16). A concupiscência não é pecado, mas se deixar guiar por ela levará o homem a sujeitar-se ao pecado. A prática reprovável não é o pecado, antes é uma ofensa. O pecado é o senhor que o indivíduo se sujeita, após a ofensa decorrente da concupiscência.

O pecado não é uma ‘simbiose’, antes, um senhor que utiliza o corpo do indivíduo como instrumento, independentemente do tipo de ação que o indivíduo vier a praticar: “Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade, mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm 6:13).

A concupiscência que deu à luz ao pecado pela ofensa e que trouxe a morte a todos os homens, iniciou-se com Eva e foi consumada por Adão. Tiago não estava tratando com os pecadores, quando fez essa descrição do surgimento do pecado, mas com os cristãos judeus (das doze tribos da dispersão). Esses cristãos estavam livres do pecado, pois se fizeram servos da justiça, quando creram em Cristo (Rm 6:18).

Entretanto, se os cristãos se deixassem levar por falsos discursos (a tentação que leva à concupiscência), e não perseverassem na lei perfeita da liberdade, novamente seriam presas do pecado, consequentemente, sujeitos à morte (Tg 1:22 e 25). Cristo de nada aproveitaria aos cristãos das doze tribos da dispersão, caso se deixassem levar por falsos discursos.

As Escrituras apontam que o único modo de desfazer a sujeição do pecador ao pecado é através da morte do pecador:

“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6:6).

Não se separa o pecado do pecador. É impossível punir o pecado ou deixar o pecador sem punição. O pecador é instrumento do pecado, de modo que o pecador só peca por ser servo do pecado.

O pecado (senhor) entrou no mundo por causa da ofensa de Adão, e, em função do pecado, entrou a morte, pela força que há na lei, que diz: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16-17).

Adão foi quem ofendeu a Deus, porém, a consequência do seu ato (morte) passou a todos os seus descendentes, por isso é dito que todos pecaram (Rm 5:12). Isso equivale a dizer que todos se tornaram imundos, pecadores, não por suas próprias ações ou omissões, mas, pelo fato de terem herdado essa condição de Adão: morte!

Equivocadamente, as pessoas acham que os homens tornam-se pecadores porque fazem coisas inconvenientes, contrárias à moral e aos bons costumes, ou, por transgredirem a ordens legais. Na verdade, os homens são pecadores por causa da morte que lhes foi transmitida. Todos pecaram, porque a morte passou a todos, e não porque todos ofenderam a Deus: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5:12).

Ocorreu somente uma transgressão, e por meio dela entrou no mundo o pecado (senhor) e a morte (aguilhão). O que prende o homem ao pecado é a morte, ou seja, a condenação decorrente da ofensa de Adão (1Co 15:56).

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Rm 5:19).

O salário que o pecado (senhor) dará aos seus servos (pecadores) é a morte. Aqui temos uma figura decorrente das relações que existiam nas sociedades escravocratas, pois, a única certeza dos escravos é que morreriam. Tudo o que os escravos produziam, pertenciam, por direito, a seu senhor:

“Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos, para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, do pecado para a morte, ou da obediência, para a justiça?” (Rm 6:16).

Deus, sendo justo, estabeleceu que:

  • A alma que pecar, essa mesma morrerá, portanto, a pena não pode passar da pessoa do transgressor: “Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado” (Dt 24:16).
  • Não pode justificar o ímpio: “De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei ao ímpio” (Êx 23:7).
  • Não faz acepção de pessoas: “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas” (Dt 10:17).
    Todos os homens que veem ao mundo, independente das suas ações, são pecadores, ou seja, servos do pecado. Todos os descendentes de Adão estão condenados à morte, sem exceção. Todos os descendentes de Adão foram gerados segundo a carne, portanto, são carnais, e carne e sangue não podem herdar o reino dos céus (1Co 15:50).

Estamos diante de um impasse: como é possível esse Deus justo, justificar o ímpio? O que é necessário para que Deus seja, simultaneamente, justo e justificador?

“Para demonstração da sua justiça, neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador, daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26).

Deus não pode negar-se a si mesmo, portanto, segundo a Sua palavra, Ele não justifica o ímpio (Ex 23:7). Mas, o apóstolo Paulo, por sua vez, afirma categoricamente que Deus justifica o ímpio: “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4:5).

Como inocentar um culpado? Como perdoar o ímpio sem ser injusto?

Há outro problema: a pena imposta ao pecador não pode ser paga por outro, pois a alma que pecar, essa mesma morrerá (Ez 18:4 e 20).

A figura de um homem carregando um fardo pesado de pecados não explica essas várias nuances que envolvem a relação senhor/servo, pecado/pecador, por isso não deve ser utilizada ou propagada.

Todos os homens são concebidos em pecado, ou seja, sujeitos ao pecado. Da mesma forma que os filhos dos escravos nasciam escravos, o homem é concebido servo do pecado. O único modo de o homem ser livre do pecado é através da morte, por isso é dito que ‘o salário do pecado é a morte’.

Quando o homem recebe o convite, que há no evangelho, e crê em Cristo, na verdade, seguiu após Cristo, até o calvário, sendo crucificado com Ele, tornando-se participante da morte de Cristo. O pecador, quando tem um encontro com Cristo, não deixa um fardo ao pé da cruz, na verdade, deixa o seu corpo crucificado na cruz:

“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” (Rm 6:6).

Quando o pecador é crucificado com Cristo, Deus é justo, pois a pena, efetivamente, não passou da pessoa do transgressor. Na morte do pecador com Cristo, Deus não justificou o ímpio, antes o pecador sofreu a pena, pois a alma que pecar, essa mesmo morrerá.

O batismo em Cristo significa morrer com Cristo, não sepultar pecados. Em Cristo, o pecador é declarado morto para o pecado, pois o corpo do pecado é desfeito e sepultado (Cl 3:3).

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?” (Rm 6:3)

Após o pecador ser sepultado com Cristo, por intermédio d’Ele ressurge com Cristo, pela fé no evangelho, um novo homem, criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 3:24). Sómente após morrer com Cristo e ser sepultado, é que ocorre o novo nascimento, passando a existir uma nova criatura: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5:17).

“Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé, no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2:12).

“De sorte, que fomos sepultados com ele, pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6:4).

Deus é justo, por isso é necessário que o homem morra com Cristo, e é justificador, quando cria o novo homem e o declara justo. O novo homem é livre do pecado e servo da justiça. Como é impossível servir a dois senhores, o novo homem não é mais pecador: “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6:18).

O pecado decorre da semente, não do comportamento. Os nascidos da semente corruptível, a semente de Adão, são pecadores. Já os nascidos da semente incorruptível, a palavra de Deus, são santos, irrepreensíveis e inculpáveis, pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” (1Jo 3:9). “No corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele, vos apresentar santos, irrepreensíveis e inculpáveis” (Cl 1:22).

 

Deus amou o mundo

Vale destacar que os termos ‘pecador’ e ‘ímpio’ são intercambiáveis, pois o ímpio é pecador e vice-versa: “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5:6).

A frase “Deus ama os pecadores, mas odeia o pecado” não está na Bíblia e nem evidencia uma verdade das Escrituras. Deus é essencialmente justo e fidedigno à justiça. Deus olha (mostra o seu favor) somente para os retos, consequentemente, Deus não olha para os ímpios, pois olhar para o ímpio não é ser justo: “Porque o SENHOR é justo e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos” (Sl 11:7).

O termo ‘amor’, quando tem Deus por sujeito, não diz de um sentimento de afinidade, afeição, carinho, afeto, antes, revela, essencialmente, o cuidado que Ele dispensa aos que O obedecem: “O SENHOR guarda a todos os que o amam; mas todos os ímpios serão destruídos” (Sl 145:20).

O cuidado, a proteção, a fidelidade de Deus se faz presente somente naqueles que ouvem o mandamento de Deus e creem: “A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam os teus estatutos” (Sl 119:155). Por isso, é dito que Deus ama os que O amam e honra os que O honram, mas para os ímpios é dito: não há paz! (Is 57:21)

Semelhantemente, o termo ‘ódio’ quando tem Deus como sujeito, não possui o sentido de antipatia, desgosto, aversão, raiva, rancor, horror, inimizade, execração, ira ou repulsa. O termo é utilizado para fazer referência a justa retribuição que Deus dá aos que são desobedientes à sua palavra: “Eis que vem o dia do SENHOR, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação e dela destruir os pecadores” (Is 13:9).

Quem obedece, é retribuido com salvação, aos pecadores, por sua vez, destruição. Se Deus amasse o pecador, preservaria a vida do pecador, sem ser necessário morrer e ser sepultado com Cristo. Mas, como é imprescindível o pecador ser batizado na morte de Cristo para ressurgir uma nova criatura, certo é que Deus não ama o pecador. “Mas, os transgressores e os pecadores, serão juntamente destruídos; e os que deixarem o SENHOR serão consumidos” (Is 1:28). “Pois, eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti” (Sl 73:27).

Mas, alguém pode contra argumentar utilizando a seguinte passagem bíblica:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).

É em função deste versículo que muitos dizem: – “Deus ama o pecador”.

Vamos analisar o versículo? Esse verso é explicação do verso anterior, portanto não é uma asserção independente do seu contexto, em decorrência do ‘Porque…’. O que diz o verso anterior?

“Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:15).

O evangelista João estava explicando que, assim como Moisés levantou a serpente de metal no deserto, para que aqueles que foram picados pelas serpentes olhassem para ela, a fim de serem curados, importava que o Filho do homem, também, fosse levantado (morto).

O motivo de Cristo ser levantado da terra é para que todo aquele que crê n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Semelhantemente, era necessário que os picados pelas serpentes cressem na palavra anunciada por Moisés para não morrerem, pois assim foi anunciado: “E disse o SENHOR a Moisés: Faze-te uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela” (Nm 21:8).

Mas, para que a palavra de Deus tivesse efeito sobre os mortalmente picados, a serpente de metal precisava ser erguida por Moisés. Se Moisés não levantasse a serpente de metal não haveria cura e os picados, por sua vez, deveriam crer na palavra dita por intermédio de Moisés e olharem para serpente de metal, erguida segundo a palavra de Deus.

E como Deus amou o mundo? Dando o seu Filho Unigênito! Esse amor diz de afeição? Não! O amor de Deus diz do mesmo amor com que Jesus amou o Jovem rico:

“E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me” (Mc 10:21).

Jesus amou o Jovem rico dando, um mandamento: – “Vai, vende tudo quanto tens…”. Jesus não estava afeiçoado ao rapaz, não tinha predileção e nem estimava aquele jovem, antes deu um mandamento, para ser Senhor daquele homem rico. Se acatasse o mandamento de Cristo, aquele jovem se faria servo, ou seja, se humilharia a si mesmo e Cristo tornar-se-ia seu Senhor. Entre Jesus e o jovem rico, dar-se-ia a mesma relação que havia entre Jesus e Deus:

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (Jo 15:10).

Se Cristo é Senhor, os homens devem obedecê-Lo: “E por que me chamais, SENHOR, Senhor, se não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).

Quando o evangelista João disse que Deus amou ao mundo, na verdade estava evidenciando que Deus estava dando um mandamento a todos os homens, mandamento esse que demanda obediência. Quando o evangelista João disse que Deus deu o seu Filho unigênito, estava anunciando o mandamento de Deus: crer naquele que Ele enviou!

Outra questão que se faz necessário observar no versículo é que Deus amou O MUNDO, não indivíduos. Ao enviar o Seu Filho, Deus deu o mesmo mandamento para todos os homens, ou seja, não há acepção de pessoas. Cristo ter sido enviado ao mundo, demonstra que Deus não tem preferência por ninguém.

O amor de Deus pela humanidade já havia sido expresso a Abraão, quando foi dito: “… em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12:3). Semelhantemente, Deus amou os filhos de Israel e, por isso, foram resgatados do Egito, entretanto, o amor de Deus estava no mandamento que deviam seguir e, como não obedeceram, pereceram no deserto (Dt 7:8). Deus não amou a indivíduos, mas a nação, em função da promessa dada a Abraão, agora, cada indivíduo da nação de Israel deveria permanecer no amor de Deus, obedecendo ao Seu mandamento (Dt 4:1).

Deus amou todas as famílias da terra, assim como amou a Israel, de modo que, para ter vida eterna, se faz necessário crer em Cristo (o mandamento de Deus na Nova Aliança), assim, como era necessário ouvir e cumprir todos os mandamentos e estatutos da Antiga aliança (Jo 3:16 e Dt 4:1; 1Jo 3:23).

Quando lemos: Deus amou o mundo, temos que ter esse versículo em mente:

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1Jo 5:3).

E qual é o mandamento de Deus?

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1 Jo 3:23)

A salvação em Cristo se dá por substituição de ato. Adão desobedeceu ao mandamento de Deus no Éden, e Cristo foi obediente ao pai em tudo (Rm 5:19). Agora, para ser salvo, é necessário obedecer ao mandamento de Deus, por isso o Salmista pede um mandamento:

“Sê tu a minha habitação forte, à qual possa recorrer continuamente. Deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza” (Sl 71:3).

Vale destacar que o termo ‘mundo’ em João 3, verso 16 tem o sentido de ‘toda criatura’, ‘todos os povos’, evidenciando que Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, deviam pregar para judeus e gentios da mesma forma que Deus amou judeus e gentios: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15; Mt 28:19; Cl 1:23; At 10:34).

 

Deus ‘odeia’ o ímpio e ‘ama’ o justo

“O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia” (Sl 11:5)

Quando é dito que Deus ‘prova’ os justos (צַדִּ֪יק), significa que é Ele quem purifica os justos, assim como se purifica a prata: “Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata” (Sl 66:10; Is 1:25; Sl 51:2). Neste verso, ‘prova’ não é sinônimo de provação, aflição, mas, sim, de redenção.

Tanto o ouro, quanto a prata, se purificam com meios específicos, já o coração do homem, só Deus pode purificar: “O crisol é para a prata e o forno para o ouro; mas, o SENHOR é quem prova os corações” (Pv 17:3). “Tenha já fim a malícia dos ímpios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus, provas os corações e os rins” (Sl 7:9).

A partir do momento que o homem (pecador) ama a justiça, ou seja, obedece à palavra de Deus, Deus o purifica e o torna justo. É só o homem reconhecer a sua cegueira e se humilhar (se fazer servo), debaixo das potentes mãos de Deus, guardando os Seus mandamentos, que será amado por DeusL “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15:10). “O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos” (Sl 146:8).

Se o pecador guardar os mandamentos de Deus, ou seja, esconder a Sua palavra no coração, deixará de pecar (não mais será servo do pecado) e passa à condição de justo. Como a boca fala do que o coração está cheio, transbordará a boca do justo de sabedoria e juízo: “A boca do justo fala a sabedoria; a sua língua fala do juízo” (Sl 37:30). “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl 119:11).

Antes de ter um encontro com Cristo, o homem é nomeado pecador, mas após obedecê-Lo, crendo que Ele é o Filho de Deus, passa à condição de justo.

O uso do termo ‘pecador’ é semelhante ao uso do termo ‘náufrago’. Enquanto alguém está à deriva no mar, é um náufrago, mas após ser resgatado, tornou-se passageiro da embarcação. O título de náufrago já não se aplica a quem foi resgatado. Semelhantemente, quando servo do pecado, o homem é pecador, mas após deixar a servidão do pecado, é servo da justiça, portanto, justo e amado de Deus.

Mas, aos ímpios, ou seja, aqueles que não obedecem a Deus (amam a injustiça), Deus os odeia: “Os arrogantes não são aceitos na tua presença; odeias todos os que praticam o mal” (Sl 5:5).

Como Deus poderia amar os que amam a injustiça? Ele é claro: “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17), ou: “Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim, perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam, serão desprezados” (1 Sm 2:30).

Podemos dizer que ‘Deus ama o pecador’? Teologicamente tal asserção é equivocada, porém, na linguagem evangelística é plenamente aceitável, desde que você aponte o mandamento de Deus: crer em Cristo, assim como Jesus fez com o Jovem rico, quando o amou dizendo: – ‘Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres…’ “E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me” (Mc 10:21).

O evangelista deve saber qual é o amor de Deus, antes de dizer aos pecadores: – ‘Jesus te ama’.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1 Jo 5:3).

Deus não justifica o ímpio, mas podemos dizer, evangelisticamente, como o apóstolo Paulo disse, que Deus justifica o ímpio, desde que não deixemos de enfatizar que é necessário crer naquele que justifica o homem: “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4:5). “De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio” (Êx 23:7).

 


[1] “Amor (do latim amore) é uma emoção ou sentimento, que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa”. Dicionário Aurélio.

[2] “Amor (gr. agape) (1 Pe 4.8; Rm 5.5, 8; 1 Jo 3.; 4.7,8,16; Jd 21). Esta palavra, raramente, era usada na literatura grega, antes do Novo Testamento. E quando isso acontecia, ela era usada para expressar um ato de gentileza aos estrangeiros, oferecer hospitalidade e ser caridoso” O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao alcance de todos. Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House, Rio de Janeiro, 2010, pág. 701.

“agapaõ que, originalmente, significava “honrar” ou, “dar boas-vindas”, é, no Gr. clássico, a palavra que tem menos definição específica; frequentemente, se emprega como sinônimo de phileõ, sem haver qualquer distinção, necessariamente, nítida quanto ao significado (…) 4. Não está clara a etimologia de agapaõ e agapè. O vb. agapaõ aparece, frequentemente, na literatura gr. de Homero em diante, mas o subs. agapè é uma construção que só aparece no Gr. posterior. Foi achada uma só referência fora da Bíblia: ali, a deusa Isis recebe o título de agapè (P. Oxy. 1380, 109; século II d.C.), agapaõ é, frequentemente, uma palavra descolorida”. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento/Colin Brown, Lothar Coenen (orgs.); [tradução Gordón Chown]. — 2ª ed. — São Paulo; Vida Nova, 2000 págs. 113 e 114.




A doutrina da predestinação e a parábola dos dois caminhos

Sobre as duas portas e os dois caminhos escreveu o apóstolo Paulo: “Pois assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Pois assim como todos morreram em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22). Adão é a porta larga pela qual todos os homens entram ao nascer. Todos eles ao nascer morrem em Adão. Porém, do mesmo modo que todos os homens morrem em Adão, assim também todos são vivificados em Cristo!


A doutrina da predestinação e a parábola dos dois caminhos

“Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida…” ( Mt 7:14 ).

Duas Portas e Dois Caminhos

Jesus demonstrou haver ‘duas portas’ e ‘dois caminhos’ e que todos os homens que desejam salvação precisam entrar pela porta estreita, uma vez que trilham um caminho de perdição ( Mt 7:13 ).

Jesus é a ‘porta estreita’ pelo qual todos os homens necessitam entrar para que possam deixar de trilhar o caminho de perdição. Cristo é o ‘caminho apertado’ pelo qual somente os homens que creem têm acesso a Deus.

Cristo e Adão são dois personagens antagônicos (Adão conduz à morte e Cristo à vida). Cristo é o último Adão (espírito vivificante), diferente de Adão, que foi criado alma vivente ( 1Co 15:45 ). Enquanto este foi criado por Deus, aquele foi gerado de Deus. Por causa da transgressão de Adão todos os homens (que dele são gerados) tornaram-se escravos do pecado. Todos os homens são concebidos e gerados em pecado ( Sl 51:5 ).

Portanto, Adão é a ‘porta larga’ pelo qual todos os homens ao serem concebidos (segundo a vontade do varão, segundo a vontade da carne e do sangue) entram ao nascer. O nascimento natural segundo Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho largo de perdição. Por causa desta realidade Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ), ou ainda: ‘entrai pela porta estreita’. Sem Cristo o homem seguirá rumo a um destino de perdição, porém, tal destino não pode ser tido como um fado, um destino (fatum), fatalismo ou predestinação.

Em Adão ocorreu o juízo por causa da ofensa (pecado) para condenação. O juízo e a condenação foram estabelecidos em Adão e alcançaram todos os homens, por isso todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus ( Rm 5:18 ).

 

Destino e Predestinação

Ao nascer, por ser descendente de Adão, o homem entra por uma porta larga e segue por um caminho que fatalmente o levará à perdição ( 1Co 15:47 ). Isto significa que o homem está ‘destinado’ à perdição?

Antes de uma resposta afirmativa ou negativa, precisamos definir qual o significado das palavras ‘destino’ e ‘predestinação’.

Destino sm. 1. Sucessão de fatos que podem ou não ocorrer, e que constituem a vida do homem, considerados como resultantes de causas independentes de sua vontade; sorte; fado. 2. O futuro. 3. Aplicação, emprego. 4. Lugar aonde se dirige alguém ou algo; direção.

Dos quatro sentidos pertinentes a palavra destino, qual é o utilizado na parábola dos dois caminhos? A sucessão de fatos e eventos cotidianos determinará a sorte (fado) do homem sem Deus? Não! A parábola dos ‘dois caminhos’ definem o ‘lugar’ para onde se dirige alguém após trilhar o caminho largo ou estreito? Sim!

Por causa de algumas crendices geralmente as pessoas aplicam a palavra destino a ideia proveniente do conceito grego, a ‘moira’, ou do pensamento romano, o ‘fatum’. O fado, sina, sorte ou destino surge como uma ameaça implacável que determina a inexorável punição diante da falta cometida.

Segundo a mitologia, o ‘Destino’ nasceu da noite e do Caos. Ele estava acima das divindades, submetendo-as ao seu poder. Era descrito como cego e inexorável, exercia domínio sobre o universo.

Da filosofia estoica temos o ‘fatum’ ou ‘destino implacável’ que aparece também acima de todos os deuses e homens. O ‘fatum’ estabelecia as leis do universo, e ninguém podia furtar-se a seu alcance.

No evangelho não existe a ideia de um destino (sina, fado) implacável e inevitável como é o caso da mitologia grega ou da filosofia estoica.

Jesus apontou a existência de dois caminhos e a possibilidade de mudar para o caminho estreito;

A ideia de ‘destino’ que o evangelho contém aponta para um lugar especifico para onde o homem se dirige.

A parábola dos dois caminhos demonstra que os caminhos (largo e estreito) possuem destino, e não o viajante, por isso é factível ao homem que segue o caminho de perdição entrar pela porta estreita que dá acesso ao caminho que conduz à vida.

Quem está em um caminho que ‘conduz’ a uma determinada cidade tem a opção de mudar de caminho a qualquer momento, porém, tal pessoa não está predestinada a seguir para tal cidade, pois pode mudar de caminho. Todo caminho possui um destino, porém, quem segue pelo caminho não é predestinado.

Se houvesse predestinação para a salvação, ao nascer, alguns homens nasceriam trilhando o caminho apertado, porém, a Bíblia demonstra que todos os homens nascem no caminho de perdição e são convidados a entrar por Cristo.

De igual modo, não há predestinação para perdição, visto que, todos os homens nascem no caminho de perdição. É o caminho que conduz à perdição, o que difere do argumento que diz que o homem (viajante) está predestinado à perdição “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição…” ( Mt 7:13 ).

É possível ao homem mudar o seu ‘destino’, visto que ninguém nasce predestinado à perdição. Todos ao nascerem entram pela porta larga e trilham um caminho de perdição, mas ao decidir-se por Cristo, a porta estreita, obterá poder para alcançar a salvação. Esta verdade é evidente no alerta que Jesus apresenta a Nicodemos “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:3 ).

Existem dois caminhos bem definidos que conduzem a dois lugares distintos: perdição e salvação. O homem sem Cristo segue o caminho que conduz à perdição. Não é o homem que tem um destino, antes é o caminho que conduz, ou seja, há um lugar específico para onde o caminho conduz.

Do mesmo modo, todos que entrarem por Cristo terá um novo rumo, uma nova direção, que lhes conduz à vida. Cristo é o caminho que conduz à salvação. O homem não é predestinado à salvação, antes é Cristo, o caminho estreito que conduz à salvação “Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida…” ( Mt 7:14 ).

Haveria predestinação para salvação se em qualquer das portas que o homem entrasse (Adão ou Cristo) alcançasse salvação. Porém, todos os homens nascem em um caminho que conduz à perdição, e precisam nascer de novo para que possam ver a Deus.

Entrar por Adão e seguir pelo caminho que conduz à perdição não é resultado de escolhas por parte da humanidade. Os homens gerados segundo Adão trilham o caminho de perdição por causa da escolha de Adão. É por isso que Jesus disse que muitos entram pelo caminho de perdição sem fazer qualquer alusão a uma escolha ou decisão por parte dos homens.

Entrar por Adão não depende da consciência, conhecimento, moral, comportamento (bem ou mal). Basta nascer! Em contra partida, para entrar pela porta estreita demanda conhecimento da verdade contida no evangelho tais como: a vontade de Deus, a oferta de salvação e decisão consciente tal qual a decisão de Adão no Éden “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” ( Jo 6:68 ).

Só escapará quem atentar para porta estreita “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” ( Hb 2:3 ).

 

Salvação e Predestinação

Temos duas portas (Adão e Cristo), dois nascimentos (natural e espiritual), dois caminhos (largo e apertado) que conduzem a dois destinos (morte e vida). Onde a doutrina da predestinação se encaixa neste quadro?

Adão e Cristo são as duas portas apresentadas na da parábola dos dois caminhos, sendo que todos os homens obrigatoriamente entram por Adão quando nascem (exceto Cristo, porque ele foi gerado de Deus), porém, para todos que entram por Adão e estão caminhando para a perdição é anunciado o caminho de salvação.

O nascimento é o modo pelo qual o homem entra pelas portas (larga e estreita). Enquanto o nascimento natural faz com que o homem seja conduzido à perdição (caminho largo), através do novo nascimento o homem percorre o caminho (Jesus) que conduz a Deus.

Enquanto o homem percorre o caminho que conduz à perdição, não significa que ele está predestinado à perdição. Do mesmo modo, enquanto o homem percorre o caminho que conduz à salvação, não significa que ele foi predestinado à salvação. Perdição e salvação são destinos pertinentes aos caminhos, e não aos homens, pois cabe aos homens decidirem-se a trilhar o caminho do demonstrado no evangelho de Cristo.

Oferecer salvação a quem está predestinado a perdição é plausível? Caso não houvesse uma oportunidade para os perdidos através do evangelho de Cristo, o evangelho não seria de boas novas, antes seria um engodo. Enquanto há uma oportunidade para o homem deixar o caminho que está trilhando, não há o que se falar em predestinação.

  • Como Deus sendo justo e verdadeiro poderia oferecer salvação a quem nunca se perdeu?
  • Como Deus sendo justo e verdadeiro poderia oferecer salvação a quem não foi predestinado para ser salvo?
  • Como é possível Deus providenciar salvação poderosa a todos os homens, se ele mesmo predestinou àqueles que haveriam de ser salvos e perdidos?

Nenhum homem nasce predestinado à perdição porque não seria plausível ter que lhes anunciar o evangelho sem haver a possibilidade real de salvação ( 1Tm 2:4 ). Pelo fato de Jesus ter ordenado: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ), demonstra que não é possível rotular a condição da humanidade sem Cristo de predestinada à morte.

Não há predestinação para perdição porque há dois caminhos, porque todos os homens obrigatoriamente entram por Adão e segue pelo caminho que conduz a perdição. Todos os cristãos, necessariamente, foram de novo gerados pela semente incorruptível, o que demonstra que estavam efetivamente perdidos, contrastando com a ideia da predestinação para salvação.

Os homens sem Cristo entraram por uma ‘porta larga’ ao serem gerado segundo Adão e seguem um caminho que conduz à perdição, porém, Deus estabeleceu antes dos tempos eternos salvação poderosa o bastante para todos os homens, uma vez que o Cordeiro de Deus foi morto antes mesmo da fundação do mundo, o que demonstra que pecador algum foi destinado à morte.

 

Salvos e Predestinados

No que consiste a doutrina da predestinação?

Desde os reformadores alguns estudiosos apontam que a predestinação é para salvação. Porém, sabemos que a perdição se deu em Adão e a salvação está em Cristo “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ). É provável que este pensamento tenha surgido por causa de distorções quanto ao entendimento acerca da porta larga e de como ter acesso a ela.

O propósito deste texto não é negar a doutrina da predestinação, e sim, corrigir erros quanto ao seu entendimento.

Sobre as duas portas e os dois caminhos escreveu o apóstolo Paulo: “Pois assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Pois assim como todos morreram em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22).

Adão é a porta larga pela qual todos os homens entram ao nascer. Todos eles ao nascer morrem em Adão. Porém, do mesmo modo que todos os homens morrem em Adão, assim também todos são vivificados em Cristo!

Não há predestinação para salvação, visto que, assim como todos morrem ao entrar pela porta larga, todos quantos entrarem pela porta estreita serão vivificados. Ora, basta atender a ordem solene: “Entrai pela porta estreita” que serão vivificados.

Até este ponto falamos de salvação da perdição proveniente da queda de Adão. Agora, analisemos a predestinação.

Adão era terreno, e todos os seus descendentes terrenos. Todos os seus descendentes trouxeram a imagem exata de Adão ( 1Co 15:47 -49). Porém, o último Adão (Cristo) é do céu, e todos quantos foram gerados de Deus são semelhantes a Ele “… e qual o celestial, tais também os celestiais” ( 1Co 15:48 b).

Do mesmo modo que os homens gerados de Adão trouxeram a imagem do terreno, os gerados de Deus trarão a imagem do celestial (do último Adão). Ou seja, assim como Jesus foi feito as primícias dos que dormem ( 1Co 15:20 ), os que entram pela porta estreita são feitos primícias “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” ( Tg 1:18 ).

Para entrar pela porta estreita e livrar-se do caminho que conduz à perdição é necessário nascer de novo. No novo nascimento, quando o homem é regenerado, ocorrem dois eventos simultaneamente: o homem livra-se da condenação de Adão (salvação) e adquire também a filiação divina (primícias das criaturas).

Em Adão o homem encontrou a morte, em Cristo (último Adão) a vida ( 1Co 15:45 ), porém, para obter a eterna redenção em Cristo (salvação), o homem tem que ser gerado pelo Espírito Eterno, o que concede aos homens (regenerados) a condição de ‘filhos de Deus’ semelhantes ao Altíssimo ( Hb 2:10 ).

No Antigo Testamento houve salvação, porém, os salvos do Antigo Testamento não foram gerados de novo pela fé em Cristo, portanto, não são herdeiros da esperança celestial: filhos de Deus e semelhantes a Cristo para que Ele seja primogênito entre muitos irmão. Quando da ressurreição os salvos do Antigo Testamento continuarão sendo homens, mas os salvos na plenitude dos gentios, a Igreja, serão glorificados e terão um corpo semelhante ao de Cristo glorificado.

Observe que os profetas do Antigo Testamento anunciavam grandezas inimagináveis, porém, essas grandezas não eram para eles, era para a igreja de Cristo ( 1Pe 1:12 ). Até mesmo os anjos queriam compreender (atentar) as grandezas que os profetas anunciavam, mas só puderam compreende-las com o advento da Igreja ( Ef 3:10 ).

Os homens de novo gerados, além de adquirirem salvação que os livra da condenação em Adão, são filhos de Deus. Cristo é o primogênito entre muitos irmãos (O Sublime entre sublimes), para que em tudo tenha a preeminência.

Predestinação significa ‘determinar de antemão’, ou seja, ‘preordenar’, estabelecer uma condição futura, o que é diferente de determinar eventos futuros. Ora, por causa da condenação em Adão, Deus providenciou em Cristo um novo e vivo caminho pelo qual os homens têm acesso a Deus ( Hb 10: 20 ). Porém, além da salvação dos homens em Cristo, o propósito eterno de Deus é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas (primogênito dentre os mortos, e primogênito entre muitos irmãos).

Para levar a efeito o propósito eterno, Deus estabeleceu antes dos tempos eternos que, todos quantos entrassem pela porta estreita, que é Cristo, estariam predestinados a serem filhos do Altíssimo, conforme a imagem expressa do Cristo glorificado dentre os mortos ( 1Jo 3:2 ). Deus determinou de antemão que os de novo gerados (que entraram por Cristo), herdariam com Cristo todas as coisas.

Todos os versículos do Novo Testamento que fazem referência à ideia da predestinação apontam para a filiação divina:

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 );

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” ( Ef 1:5 );

“Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” ( Ef 1:11 ).

Qual elemento é comum aos versículos citados acima? Ora, o apóstolo Paulo demonstra que os cristãos foram predestinados para serem filhos, semelhantes a Cristo, ou seja, para que Cristo alcançasse a condição de primogênito precisaria de irmãos. Ao nascer de novo, o homem é gerado do Espírito. Cristo é o primogênito entre muitos irmãos porque na eternidade Deus estabeleceu (predestinou) que todos quantos fossem gerados de novo em Cristo serão filhos de Deus. Do mesmo modo que os homens gerados segundo Adão trouxeram a mesma imagem do homem terreno, os homens gerados de novo em Cristo trarão a imagem do celestial ( 1Co 15:49 ).

Quem pode receber herança se não os filhos? Por que os cristãos são co-herdeiros com Cristo? Quem são os herdeiros de Deus?

Ora, o beneplácito da vontade divina estabeleceu antes dos tempos eternos que Cristo haveria de ser mui sublime “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ), e para levar a efeito ao seu propósito eterno, Deus constituiu dentre os homens filhos para si (não nascidos da vontade do varão, da vontade da carne e do sangue).

Verifica-se que, todos os que entram por Cristo alcançam salvação. Porém, além da salvação, não lhes resta outro ‘destino’, serão filhos por adoção. Resta que a predestinação é para alcançar a filiação divina, a expressa imagem de Cristo, e não para salvação.

Quem aceita a Cristo como salvador, além da salvação da condenação em Adão, receberá a filiação divina e será a imagem e a semelhança do Altíssimo conforme o que foi pré-estabelecido antes dos tempos eternos ( Gn 1:26 ).

O nascimento natural é a porta de entrada que dá acesso ao caminho que conduz à perdição. O novo nascimento (nascimento espiritual) é a porta de entrada que dá acesso ao Caminho que conduz à vida. Porém, além da salvação adquirida após entrar pela porta estreita, o homem de novo gerado alcança a filiação divina, pois para isso os de novo gerados foram predestinados.

A predestinação não é para salvação, antes é concernente a filiação divina. No Antigo Testamento, na grande tribulação e no milênio haverá homens salvos pela graça e misericórdia de Deus, porém, somente os salvos em Cristo, que hoje constituem o seu corpo, que é a igreja, alcançam a filiação divina.

É possível ser salvo sem ter sido predestinado à filiação divina, como foi o caso dos justos do Antigo Testamento.

Em última instância, quem não quiser ser um dos filhos de Deus tal qual Cristo é, que não entre pela porta estreita, que é Cristo; não deve nascer de novo; não deve beber da água que faz jorrar uma fonte que salta para a eternidade, visto que, todos quantos aceitarem a verdade do evangelho serão constituídos filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito dentre muitos irmãos.

Para filhos por Adoção é que Deus predestinou todos quantos entrarem por Cristo.

A salvação é fato para todos quantos se refugiam em Deus. Desde o Antigo Testamento é possível aos homens alcançar salvação ofertada por Deus. Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara e muitos outros homens que alcançaram o testemunho de que agradaram a Deus, antes eram pecadores (desagradáveis), pois eram descendentes de Adão. Todos eles alcançaram o testemunho de que eram justos e agradáveis, porém, não são filhos por adoção; eles não são um corpo com Cristo; não são pedras espirituais; não fazem parte da igreja.

Há um grande diferencial entre os justos do Antigo Testamento e os justos do Novo Testamento. Enquanto estes são recebidos e nomeados filhos de Deus, feitos herança pela fé em Cristo, aqueles são somente salvos da condenação.

É por isso que o apóstolo João argumenta que os cristãos receberam ‘graça’ sobre ‘graça’, visto que foram salvos da condenação de Adão (graça), e ao mesmo tempo, por terem sido gerados de novo, receberam também a filiação divina (graça).

A salvação ofertada por Deus livra o homem da condenação proveniente da queda de Adão, ou seja, o homem deixa de ser conduzido à perdição e passa a ser conduzido a Deus. A Bíblia demonstra que os que são conhecidos por Deus, salvos em Cristo, são os predestinados a serem filhos e herdeiros de Deus.

 

Perseverança e Salvação

É por isso que os apóstolos enfatizaram que, após crer na mensagem do evangelho (entrar pela porta que é Cristo e passar a percorrer o novo e vivo caminho), é preciso a perseverança: a obra perfeita da fé “Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” ( Hb 10:36 ).

Qual a vontade de Deus que os cristãos fizeram? A resposta é clara: eles creram no enviado por Deus ( Jo 6:29 ). Somente aqueles que creem em Cristo, O enviado de Deus, permanecerão para sempre “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” ( 1Jo 2:17 ).

Os cristãos haviam crido em Cristo, porém, necessitavam de perseverança para alcançar a promessa. Mas, de que tipo de perseverança os cristãos precisavam? Eles precisavam perseverar na esperança proposta “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta” ( Hb 6:18 ).

Haveria necessidade de perseverança caso a salvação fosse pré-determinada? Não! Mas, como a salvação é segundo a promessa, após a confissão é necessário estar seguro em quem prometeu “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” ( Hb 10:23 ); “E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus” ( 1Pe 1:21 ).

Tiago falou acerca da perseverança, pois somente a perseverança termina a obra que teve inicio através da fé “… sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora, a perseverança deve terminar a sua obra, para que sejais maduros e completos…” ( Tg 1:2 -3).

Qual a obra pela qual a fé é aperfeiçoada? ( Tg 2:22 ) Não é a perseverança?

As obras que Tiago faz referência não são boas ações. Interpretar o comparativo estabelecido nos versos 15 a 17 como sendo as obras exigíveis por Deus é um engodo. O comparativo “Assim também a fé…” ( Tg 2:17 ), demonstra que a fé sem a perseverança é semelhante a alguém que, mesmo após saber que o irmão tem fome, despede-o irmão sem dar-lhe mantimento.

Do mesmo modo, de que adianta professar a verdade do evangelho e não perseverar na verdade? Ora, a perseverança é a perfeita obra da fé! Sem perseverança a fé é morta. Sem a perseverança o cristão é incompleto e menino, podendo ser levado por vários ventos de doutrinas.




Romanos 2 – Os que ouvem a lei não são justos diante de Deus

Há um dia predeterminado para a ira de Deus “Pois é vindo o grande dia da ira deles, e quem poderá subsistir?” ( Ap 6:17 ). Neste dia os homens conhecerão (saber acerca de, entender, compreender) o juízo de Deus. O juízo de Deus foi estabelecido lá em Adão, mas os homens ignoram esta verdade. Quando do dia da ira será manifesto a eles que estão debaixo de condenação. Por serem filhos de Adão, ou filhos da desobediência, por conseguintes, também são filhos da ira ( Cl 3:6 ); “E éramos por natureza filhos da ira, como também os demais” ( Ef 2:3 ).


Romanos 2 – Os que ouvem a lei não são justos diante de Deus

Lógica

Antes de prosseguirmos, segue mais uma lição de interpretação bíblica. Utilizaremos nesta lição uma linguagem própria à lógica.

Conforme escreveu o apóstolo João, sabemos que: ‘Deus é luz’, e que: ‘não há nele trevas alguma’ ( 1Jo 1:5 ).

Considerando os elementos da lógica, a primeira oração é uma proposição simples declarativa: Deus é luz. Há valores lógicos às proposições: verdadeiro e falso. Conforme a ideia bíblica, temos que a proposição ‘Deus é luz’ tem o valor lógico verdadeiro.

Dentro da lógica há três princípios:

a) Princípio da identidade – se qualquer proposição é verdadeira, então, ela é verdadeira;
b) Princípio de não-contradição – nenhuma proposição pode ser verdadeira e falsa;
c) Princípio do terceiro excluído – uma proposição ou é verdadeira ou é falsa.

A proposição ‘Deus é luz’ é verdadeira, e por conseqüência não é falsa. Jamais esta proposição assumirá dois valores simultaneamente.

Dada uma proposição qualquer, se inserirmos o conectivo ‘não’, poderá formar a sua própria negação. Ex: ‘Deus não é luz’ – proposição simples declarativa com valor lógico falso.

A segunda oração ‘não há em Deus trevas alguma’, apesar de ter o conectivo ‘não’ tem o valor lógico verdadeiro, visto que reafirma a ideia da proposição ‘Deus é luz’.

As cartas bíblicas foram escritas essencialmente na linguagem lógica, sendo que definições e conceitos quase não são utilizados.

Definir: determinar a extensão ou os limites de; explicar o significado de; fixar, estabelecer; etc;
Conceituar: formulação de uma ideia por palavras, definição.

Já estudamos o seguinte versículo: “Do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça” ( Rm 1:18 ). Considerando que este versículo é uma proposição simples declarativa e verdadeira quanto ao valor lógico, é plenamente possível construímos uma nova proposição se substituirmos alguns elementos.

Da mesma forma que ‘do céu se manifesta a ira de Deus’, é certo que de lá também se manifesta a bondade de Deus. Como a bondade de Deus é certa, restam as perguntas: sobre quem a bondade se manifesta?

Durante o estudo do segundo capítulo da carta aos Romanos aplicaremos os elementos que apresentamos acima.

 

Romanos – Capítulo II

1 PORTANTO, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.

O capítulo dois tem início com uma conjunção (portanto), o que indica uma relação de conclusão ao que foi dito anteriormente.

O que foi dito anteriormente (no capitulo 1)? Foi dito que:

a) Os homens que detém a verdade em injustiça são objetos da ira de Deus ( Rm 1:18 );
b) A natureza depõe contra os homens que detém a verdade em injustiça, deixando-os inescusáveis ( Rm 1:20 );
c) Há homens que detém a verdade em injustiça, e que, mesmo reconhecendo a existência de Deus, seus raciocínios tornarem-se fúteis e os corações insensatos se obscureceram, e criaram deuses para si ( Rm 1:21 ), e;
d) Há homens que detém a verdade em injustiça e que foram entregues às suas concupiscências ( Rm 1:24 ), as suas paixões infames ( Rm 1:26 e a uma disposição mental reprovável ( Rm 1:28 ), e passaram a praticar todos os tipos de ações reprováveis diante de Deus e dos homens ( Rm 1:29 -31).

O homem que Paulo evoca neste versículo “ó homem”, refere-se ao mesmo homem que ‘detém a verdade em injustiça’ do capitulo anterior ( Rm 1:18 ). Por que refere-se ao mesmo homem do capítulo anterior? Ao lermos o versículo “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais cousas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” ( Rm 1:32 ), percebe-se que as conjunções ‘ora’ e ‘portanto’ são empregadas indicando uma relação de conclusão em relação ao que foi dito anteriormente.

Neste caso em específico, a conjunção ‘ora’ ou ‘portanto’ introduz uma conclusão. O versículo trinta e dois, do capítulo um, demonstra que, embora os homens que detêm a verdade em injustiça, conhecendo a justiça de Deus (de que são dignos de morte quem pratica as ações enumeradas anteriormente), praticam as ações reprováveis e consentem com quem as praticam. Com base nestas informações, qualquer que seja o homem, mesmo que ele se sinta em posição privilegiada por julgar outros homens, ele permanece inescusável diante de Deus.

Seja quem for o homem (a fala de Paulo é para pegar os judeus), se ele detém a verdade em injustiça, ele está na mesma condição de quem ele julga, e pratica o que ele mesmo condena.

Neste versículo o apóstolo Paulo desfaz toda e qualquer diferença entre os homens. Este versículo e o último do capítulo anterior são inseparáveis quando se faz uma interpretação.

 

2 E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem.

Paulo reitera que os cristãos estão cônscios de que o juízo de Deus é segundo a verdade. Observe que ele enfatiza: “Bem sabemos…”. A verdade da qual o apostolo faz referência é a verdade do evangelho.

Através desta afirmativa, o apóstolo Paulo demonstra que os cristãos não julgam aqueles que estão fora da verdade, porém, é de conhecimento que o juízo de Deus é certo sobre quem pratica as ações descritas no capítulo primeiro, versos 29 a 31.

O conhecimento que o cristão dispõe é segundo a verdade do evangelho, enquanto que o ‘conhecimento’ dos homens que detêm a verdade em injustiça é proveniente da lei escrita em seus corações, ou da consciência ( Rm 2:15 ).

 

3 E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?

Paulo volta a questionar o ‘homem’ que detém a verdade em injustiça, e aponta o seu comportamento questionável: basta julgar aqueles que fazem as coisa descritas anteriormente para se ver livre do juízo de Deus?

Observe que o juízo segundo a verdade já está estabelecido e as atitudes dos homens visam escapar a tal juízo. O escritor ao Hebreus é claro: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” ( Hb 2:3 ).

Note que há uma diferença entre ser inescusável e escapar ao juízo de Deus. Este refere-se a condenação adquirida em Adão, enquanto aquele refere-se ao comportamento reprovável dos que foram condenados em Adão. O juízo de Deus é uma condição muito mais dura diante de Deus, pois afeta a natureza do homem. Do juízo de Deus surgiu a semente corruptível de Adão. Tal semente faz com que os frutos dos homens nascidos de Adão sejam maus ( Jo 3:19 -20). A árvore que tem origem na semente de Adão só produz o mal, visto que uma árvore não pode produzir dois tipos de frutos ( Mt 7:17 ).

 

4 Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?

O versículo quatro depende do versículo três. No versículo três Paulo questiona a atitude do homem que pensa ser possível praticar as coisas reprováveis descritas anteriormente e escapar ao juízo de Deus. O homem que julga os que praticam as coisas reprováveis, ou pensa é possível escapar ao juízo de Deus, ou evidencia uma atitude mais grave ainda: desprezar a benignidade de Deus.

Paulo demonstra não entender a atitude daqueles que detêm a verdade em injustiça. Ou tal homem acha que é possível escapar ao juízo de Deus estabelecido lá em Adão, ou é uma atitude de desprezo a benignidade, paciência e longanimidade de Deus.

O desprezo à benignidade de Deus é por incredulidade, visto que, é a benignidade que leva o homem a arrepender-se de suas concepções errôneas.

 

Uma Figura Importante

Antes de perseguirmos no estudo faz-se necessário entendermos a seguinte colocação de Jesus:

“Entrai pela porta estreita. Pois larga e a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que a encontram” ( Mt 7:13 -14).

Jesus demonstra que há duas portas e dois caminhos. Há uma porta estreita e há uma porta larga. Há um caminho apertado e um caminho espaçoso.

O texto demonstra duas diferenças gritantes entre os dois caminhos e as duas portas, eles conduzem: a vida, ou a perdição.

O leitor deve perceber que há uma ordem clara: “Entrai pela porta estreita”, ou seja, Cristo alerta os seus ouvintes para que entrem pela porta estreita. É um convite que demanda uma decisão por parte de quem ouve. Para ter acesso a vida é preciso entrar pela porta sugerida por Cristo.

Por que é necessário entrar pela porta estreita? Jesus explica: porque ‘larga e a porta’, e ‘espaçoso é o caminho que conduz à perdição’. Através da explicação de Jesus, percebe-se que não é necessário ao homem tomar uma decisão para entrar na porta e percorrer o caminho que conduz a perdição. Por quê? O que isto quer dizer?

A explicação de Jesus demonstra implicitamente que todos os homens quando nascem, eles entram por uma porta larga; ou seja, a porta é larga que comporta todos quantos vêem ao mundo. O nascimento é a entrada por esta porta, e por isso não é necessário uma decisão de entrar por ela.

Todos os homens entraram por uma porta e percorrem um caminho que conduz a perdição. Para ter acesso ao caminho da vida, se faz necessário tomar a decisão de entrar pela porta estreita, e seguir o caminho apertado.

A figura das duas portas e dos dois caminhos são semelhantes à figura da árvore boa e da árvore má ( Mt 12:33 ); o bom tesouro e o mal tesouro ( Mt 12:35 ); as fontes de água doce e água amarga ( Tg 3:11 -12). Estas figuras são semelhantes quanto a ideia principal e cada uma apresenta um dos aspectos da salvação em Cristo.

A ideia principal destas figuras aponta para o evento da queda de Adão. Em Adão todos os homens foram julgados e condenados. A pena que pesa sobre a humanidade é a morte. Para Deus os homens nascidos de Adão estão mortos em delitos e pecados. A queda de Adão comprometeu a natureza do homem: Deus é vida, e a queda separou o homem de Deus. O homem perdeu a essência da natureza divina, deixando-o na condição de morto para Deus.

Todos os homens nascem sem ser participantes da natureza divina. A natureza do homem é segundo a natureza de Adão, visto que, nasceram da vontade da carne, da vontade do homem e do sangue ( Jo 1:13 ). Para o homem livrar-se da condenação que ocorreu em Adão, é preciso ao homem nascer de novo. Ele precisa nascer da vontade de Deus para tornar-se um dos filhos de Deus ( Jo 1:12 ).

Com base nestas informações, verifica-se que todos nascem sob condenação, e pesa sobre eles o juízo de Deus e por isso todos que vem ao mundo ‘são os que entram por ela’, a porta larga e o caminho espaçoso ( Mt 7:13 ). Todos entram pela porta ao nascer e no caminho que conduz à perdição, e esta figura evidência a necessidade do homem decidir-se pela oferta de salvação que há em Cristo.

Para entrar pela porta, que é Cristo, é necessário um novo nascimento. Observe que o nascimento é a ‘porta’ de entrada para a perdição eterna e para a vida eterna.

Todos descendem da semente de Adão (semente corruptível), e, portanto, são árvores más. Como pesa sobre eles a condenação de Adão, resta às árvores que tiveram origem na semente corruptível serem cortadas e lançadas no fogo. Como é próprio das árvores produzirem frutos segundo a sua espécie, as árvores que descendem da semente de Adão, só produzem frutos maus. Diferente da figura da porta e do caminho, a figura da árvore demonstra que é impossível aos homens nascidos de Adão produzirem o bem ( Mt 12:34 ).

Os corações dos homens nascidos sob a condenação de Adão são maus, e por mais que se esforcem, só pode tirar do coração o mau, do seu mau tesouro. Esta figura demonstra que o problema do homem pecador encontra-se em seu coração, na sua natureza. Para livrar-se desta condição é preciso circuncidá-lo por meio da circuncisão de Cristo.

Os homens nascidos de Adão têm uma vida restrita a este mundo. Vivem para si e para o pecado. Após aceitar a Cristo, o novo homem terá uma fonte de água viva que jorra para a vida eterna, passando a viver para Deus ( 2Co 5:15 ; Rm 14:7 ).

A figura da árvore demonstra que os homens permanecem na condição herdada em Adão: serão ‘cortados’ e lançados no inferno por pesar sobre eles o juízo de Deus ( Rm 2:3 ; Mt 3:10 ). Como uma árvore produz um único tipo de fruto, os frutos das árvores que surgiram da semente corruptível de Adão são maus, ou seja, segundo a espécie da árvore. Por mais que o homem nascido de Adão procure fazer o bem, isto é impossível, visto que as suas obras não foram feitas em Deus, e não foram preparadas por Deus.

Por produzirem o mal, o homem entesoura ira para si. A condenação em Adão decorre da retidão e justiça de Deus, sem qualquer referência a ira. Já que o homem se deixou levar pela natureza corrompida, à prática de toda impiedade e injustiça, Deus trará a juízo todas as ações dos homens, e com relação a isto, não há acepção de pessoas.

As ações dos nascidos de novo serão julgadas e recompensadas no tribunal de Cristo, e as ações do velho homem serão julgadas e recompensadas no grande trono branco.

Depois desta pequena introdução estamos aptos a interpretar os versículos seguintes.

 

5 Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;

A ‘dureza’ refere-se a ação de resistir à verdade em injustiça, e o ‘coração impenitente’, refere-se à natureza pecaminosa herdada em Adão.

Todos os homens quando vêm ao mundo, nascem com um coração impenitente. No Antigo Testamento, mesmo após a entrega da lei, Moisés recomenda ao povo de Israel a circuncisão do coração “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ). Observe que a circuncisão do prepúcio do coração refere-se ao coração impenitente, e o endurecimento da cerviz à dureza do homem.

No Novo Testamento é recomendado a circuncisão de Cristo, no despojar do corpo da carne. A circuncisão do A. T equivale a circuncisão do N. T., visto que, qualquer incisão no coração levará a morte. A morte em Cristo é o despojar do corpo da carne “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo” ( Cl 2:11 ).

A circuncisão de Cristo (N. T.), não é feita por mãos humanas, da mesma forma que a circuncisão do coração (A. T.), recomendada por Moisés;

A circuncisão de Cristo (N. T.), e a circuncisão do prepúcio do coração (A. T.), e pode ser realizado no homem e na mulher.

O homem que detém a verdade em injustiça, por manter-se insensível ao convite de salvação, simplesmente continua na empreitada de entesourar ira para si. Como compreender esta declaração de Paulo? Devemos ter em mente que:

a) Todos os homens estão condenados em Adão ( Rm 5:18 );
b) A condenação da humanidade em Adão decorre da justiça e retidão de Deus, sem qualquer referência a ira. Deus não se irou contra o homem quando da queda, antes fez justiça conforme a determinação dada a Adão ( Rm 3:23 );
c) A condenação afetou a natureza do homem, e todas as suas ações passaram a ser reprováveis diante de Deus ( Mt 12:34 );
d) Por não estarem em Deus, as ‘obras’ dos homens não são feitas em Deus, e por isso são reprováveis ( Jo 3:19 -21);
e) Todas as ações de todos os homens serão julgadas em juízo específico, e isso independe da condição de salvos ou perdidos ( Rm 2:11 );
f) Haverá o juízo do Trono Branco para os perdidos e o juízo do Tribunal de Cristo ( 2Co 5:10 e Ap 20:13 );
g) O homem que detém a verdade em injustiça continua na prática do mal, visto que as suas obras não são feitas em Deus e não foram preparadas por Deus ( Jo 3:21 e Ef 2:10 );
h) As obras más serão retribuídas por Deus com indignação e ira, e as obras feitas em Deus serão retribuídas com glória, honra e paz.

Há um dia predeterminado para a ira de Deus “Pois é vindo o grande dia da ira deles, e quem poderá subsistir?” ( Ap 6:17 ). Neste dia os homens conhecerão o juízo de Deus. O juízo de Deus foi estabelecido lá em Adão, mas os homens ignoram esta verdade. Quando do dia da ira será manifesto a eles que estão debaixo de condenação. Por serem filhos de Adão, ou filhos da desobediência, por conseguintes, também são filhos da ira ( Cl 3:6 ); “E éramos por natureza filhos da ira, como também os demais” ( Ef 2:3 ).

 

6 O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: 7 A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; 8 Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;

O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber:

a) Dará vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;
b) Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;

A vida eterna é prometida àqueles que procuram glória, honra e incorrupção, e não a quem faz boas ações, pois fazer boas ações não é fazer o bem. O homem só pode fazer o bem quando está em Cristo. Somente em Cristo o homem encontra glória, honra e incorrupção, e após encontrar estas bênçãos em Cristo, é preciso ao crente perseverar fazendo o bem. Boas ações não concederão vida eterna aos homens.

Em primeiro lugar é preciso ao homem buscar o reino de Deus e a sua justiça, que é Cristo; e como Deus há de recompensar a cada um segundo as suas obras, é de bom alvitre que se faça o bem. O bem que o cristão faz visa a recompensa futura, e não a salvação. A salvação só é possível através do evangelho de Cristo, que é poder de Deus.

Deus também recompensará as obras dos homens que detêm a verdade em injustiça. Observe que a ira e a indignação de Deus permanece sobre aqueles que são desobedientes à verdade. A indignação e a ira não decorre das más ações dos homens, antes decorre da desobediência à verdade e obediência à iniquidade. Enquanto o homem for obediente à iniquidade, jamais será filho de Deus. Permanecerá na condição de filho da ira e sujeito à ira de Deus.

O homem sem Cristo é desobediente à verdade, e acumula ira para si por ser faccioso, contencioso. As boas ações realizadas pelos homens obedientes à iniquidade não será tido por Deus como sendo boas obras. Essas ações Isaías nomeia ‘trapos de imundície’.

 

9 Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; 10 Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego;

Paulo demonstra que não há qualquer diferença entre judeus e gentios. Tanto os judeus quanto os gentios praticam o mal diante de Deus caso sejam desobedientes à verdade do evangelho. Lembre que uma árvore má não produz frutos bons. A natureza corrompida do homem, que é obediente à iniquidade, impede que o homem faça o bem.

Da mesma forma que o pecado escraviza judeus e gregos, também não há diferença entre judeu e grego quando se tornam escravos da justiça. Todos que aceitam a Cristo praticam o bem. Por terem adquirido um novo coração em Cristo tem um bom tesouro, e as suas ações são boas, pois são feitas estando em Deus.

Quem aceita a Cristo pode fazer o bem e o mal, mas suas ações não o levarão para o inferno, pois Deus já o recebeu por seu. Da mesma forma, os descrentes fazem o bem e o mal, mas para Deus as suas ações são más, pois eles não pertencem a Deus.

 

11 Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

Se um judeu e um grego praticam o bem (devemos entender a prática do bem vinculado à crença em Cristo), não há distinção entre eles perante Deus. Ele recompensará a cada um segundo as suas obras, pois em Deus não há acepção de pessoas.

Se um judeu e um grego praticam o mal (a prática do mal decorre da obediência à iniquidade), para Deus não há acepção: receberão a recompensa devida: indignação e ira.

 

 

Introdução

Na página quatro estudamos alguns elementos de lógica, e na página cinco algumas questões doutrinárias. Agora veremos como aplicar elementos da lógica durante uma leitura bíblica para não nos afastarmos das questões doutrinárias.

Lemos em uma publicação evangélica, no tópico ‘Falsos profetas’, ao citarem Mateus dez, versículo dezesseis, o seguinte:

“É possível ao homem de falso coração fazer certas coisas boas. Pode-se até receber edificação pela sua mensagem, porque Deus honra a sua Palavra. Mas a pregação não o salvará da sentença do Juiz: ‘Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!'” Pearlman, Myer, Mateus, o Evangelho do Grande Rei, 1. edição, Rj, Ed. CPAD, pág. 44.

Considerando que fazer ‘coisas boas’ é possível a todos os homens, mas fazer ‘o bem’, só é possível aos nascidos de novo, visto que ‘não há quem faça o bem’ sem estar ligado em Cristo Rm 3: 12. Considerando que aos homens é pertinente limparem o exterior do copo e do prato, mas que é impossível limparem o seu interior “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade” ( Mt 23:25 ), segue-se que, ao tentar explicar que “Há maldade nos melhores, e bondade nos piores” Pág 39, Myer não faz distinção entre ‘fazer coisas boas’ e ‘fazer o bem’, e acaba por afirmar que o homem de coração ‘falso’ faz ‘certas coisas boas’.

Aos falsos profetas é pertinente fazem boas ações, pois somente com ações exteriores é que eles se dão a conhecer como ovelhas, porém, o interior deles é comparado a lobos. As religiões que negam a Cristo como Senhor geralmente se esmera em praticar boas ações aos seus semelhantes, mas a mensagem que apregoam não aproxima o homem de Deus.

Fazer o bem não é uma questão de vontade, e sim de natureza. Não basta querer fazer o bem, antes é necessário obter uma nova natureza, segundo a semente incorruptível que é a palavra de Deus, para que se torne possível ao homem produzir o bem ( 1Pe 1:23 ). Somente aqueles que são nascidos de Deus fazem bem ( Jo 3:21 ). As boas obras foram preparadas por Deus para que os vivificados em Cristo possam andar nelas ( Ef 2:9 ).

Fazer boas ações está ligado a vontade do homem. Se ele quiser fará boas ações aos seus semelhantes, e isto não diz da disposição do seu coração. Agora, fazer o bem só é possível quando se está em Deus, pois é algo vinculado a natureza do novo homem e não à vontade, como é o caso de boas ações ( Jo 3:21 ).

É plenamente possível a um falso profeta fazer certas coisas boas, mas é impossível a eles fazerem o bem. Primeiramente porque a Bíblia diz que ‘não há quem faça o bem’ ( Rm 3:12 ). Um falso profeta não pode fazer de modo algum o bem, pois eles não estão em Deus. Fazer ações humanitárias ou boas ações fará com que os homens acreditem que eles são ‘ovelhas’ ( 2Tm 4:1 -4).

Observe o que Jesus disse: “Não pode a árvore boa produzir maus frutos, nem a árvore má produzir frutos bons” ( Mt 7:18 ). Se é impossível a árvore má produzir bons frutos, como é possível ao homem de coração falso (coração falso remete a falso profeta), produzir ‘certas coisas boas’ quando Myer faz a citação acima? A análise de Pearlman não está em consonância com o que Jesus ensinou ( Mt 7:18 e Mt 12:33 -35). Se ele quis dizer ‘certas coisas boas’ não utilizou a citação de Mt 7: 18 em seu contexto correto. Da mesma forma, se ele utilizou ‘certas coisas boas’ em lugar de ‘fazer o bem’, contrariou o que Jesus disse: “…nem a árvore má produzir bons frutos” ( Mt 7:18 ).

A segunda declaração que complementa a primeira é muito mais grave: É possível receber edificação por meio da mensagem de um falso profeta?

A premissa que foi utilizada para dar sustentação à argumentação é verdadeira, pois ‘Deus honra a sua palavra’, e condiz com a ideia bíblica: “E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” ( Jr 1:12 ), mas, dizer que é possível receber edificação através das palavras de um falso profeta corresponde a uma inverdade.

Há um erro na argumentação do Sr. Myer, visto que:

a) Se Deus vela sobre a palavra de um ‘falso profeta’, este falso profeta já não é falso, e passou à condição de profeta;
b) O cuidado que a Bíblia demonstra que devemos ter com os falsos profetas é com aquilo que dizem (doutrina) “E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” ( 2Pe 2:1 );
c) Aspectos humanos como caráter, comportamento e moral não são fatores que determinam se alguém é ou não um falso profeta.

Não há como receber edificação por meio de uma mensagem de um falso profeta. Primeiro, porque a mensagem de um falso profeta não provém de Deus; segundo, a tal mensagem não é a semente incorruptível; o fruto que um falso profeta produz é segundo a sua natureza: é mal ( Mt 12:34 -35).

Elementos humanos como comportamento, moral, caráter, sacrifícios, orações, são utilizados pelos falsos profetas como vestimentas para se disfarçarem em ovelhas. Tais elementos são manipuláveis pelos homens, pois diz de aspectos externos, como o exterior do copo e dos sepulcros. O que não podem manipular é o interior, onde somente Deus tem acesso e pode mudar.

Paulo ao escrever a Timóteo alerta dizendo: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e tem cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças…” ( 1Tm 4:1 -3).

Deus não honra a palavra de um falso profeta, pois a palavra de um falso profeta não é a palavra de Deus. A palavra é clara: Quem é que pratica a iniquidade? Os falsos profetas, que se apresentam disfarçados de ovelhas, porém são lobos devoradores.

Somente é possível identificar os falsos profetas pelos seus frutos. Quais são os frutos de um falso profeta? O que um falso profeta produz? Mensagens que não têm origem em Deus! Este é o fruto dos falsos profetas: mensagens que não são conforme a verdade do evangelho!

Da mesma forma, o fruto de alguém que é profeta de Deus, é o fruto dos lábios, que professam que Cristo é o Filho de Deus ( Hb 13:15 ) compare ( 1Jo 4:1 -3).

A mensagem de Cristo visa transformar a natureza do homem, e a conduta é transformada gradativamente por intermédio do Espírito de Deus. A mensagem do evangelho não tem a finalidade de transformar concepção de mundo, caráter, conduta, etc. Se assim fosse, Paulo não pediria aos cristãos que vivessem de modo digno do evangelho de Cristo ( Ef 4:1 ).

Myer Pearlman também registrou um argumento de Agostinho:

“O que faz com que o caminho seja estreito? perguntou Agostinho. Ele mesmo responde: ‘O caminho não é estreito por si mesmo, mas nós o fazemos assim, mediante o insuflar do nosso orgulho…” Pág. 42 (idem e grifo nosso).

A premissa “estreita é a porta, e apertado o caminho’ foi anunciada por Jesus. Esta premissa é verdadeira! Conforme Pearlman, Agostinho declara que ‘o caminho não é estreito’, o que torna a declaração de Agostinho uma premissa falsa. A premissa de Agostinho contraria completamente a ideia anunciada por Cristo.

Cristo disse ser o caminho e que o caminho é estreito. Quando se afirma que o caminho não é estreito por si mesmo, estamos negando que a declaração de Jesus seja verdade e que a sua natureza não é conforme o que foi dito por si mesmo.

A Bíblia demonstra que o caminho é apertado, mas Agostinho argumenta que o caminho é ‘feito’ estreito. A Bíblia demonstra que Jesus é o caminho, mas Agostinho declara que ‘nós o fazemos assim’. Observe que as alegações de Agostinho contrariam completamente as premissas bíblicas, pois o caminho é estreito, e não é o homem que o faz desta maneira. Cristo é o caminho, e não é pertinente aos homens determinar a largura do caminho.

Myer declara que Jesus disse que devemos optar por um dos caminhos “Cristo, no entanto, ensinou haver dois caminhos, que levam a direções opostas, e por um dos quais devemos optar” Pág. 40 (idem), mas o que diz a Bíblia? “Entrai pela porta estreita. Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que a encontram” ( Mt 7:13 -14).

Há alguma discrepância entre o que diz Myer e a Bíblia? Há sim!

Jesus ordenou aos seus ouvintes que entrassem pela porta estreita, ou seja, é uma premissa que não apresenta opções “Entrai pela porta estreita…”. Jesus não apresentou opções aos seus ouvintes como se eles estivessem em um ‘limbo’. Cristo ensinou haver dois caminhos, mas não apresentou duas opções.

Cristo se apresenta como única opção à condição em que os seus ouvintes estavam. Cristo é a única opção aos perdidos! Não há, portanto, a ideia de duas opções aos homens perdidos.

Estes erros que apontamos decorre da seguinte análise equivocada de Myer Pearlman: “…mas um exame mais profundo do caráter humano mostrará que a classificação de Cristo é verdadeira” Pág. 38 (idem). A mensagem de Cristo é a verdade, e independe de comprovação pautada em questões humanas. Não é uma análise do comportamento humano que fará compreendermos as declarações de Cristo.

Não é a filosofia, ou a sociologia que nos fará dimensionar as verdades do evangelho. Só é possível entendermos as declarações de Cristo “comparando as coisas espirituais com as espirituais” ( 1Co 2:13 -14).

 

12 Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.

Paulo demonstra que não há acepção de pessoas em Deus, visto que não há diferenças entre judeus e gregos diante da retribuição divina: cada um será recompensado segundo as suas obras ( Rm 2:6 ).

Os gentios foram concebidos em pecado, e por isso, todos pecaram. Eles pecaram, não por falta de uma lei, mas por causa da condenação em Adão. Observe que o pecado aqui não decorre da transgressão da lei, visto que não havia lei para os gentios. Porém, mesmo não havendo lei para os gentios, eles pecaram. Mesmo sem lei, eles estão condenados.

Não é alívio para o judeu ser levado a julgamento. Todos os que pecaram, mesmo tendo uma lei, serão julgados pela lei que receberam. Da mesma forma que os gentios, os judeus, por terem pecado, estão sob condenação, visto que a alma que pecar, esta morrerá. Qualquer devedor que for a juízo perecerá, não importando quem seja: judeu ou grego.

 

13 Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

Os pretensos seguidores da lei eram somente ouvintes. Os ouvintes da lei (os judeus) não eram justos diante de Deus, visto que não a praticavam. A lei é bem clara: “Portanto os meus estatutos e os meus juízos guardareis, pois o homem que os cumprir por eles viverá” ( Lv 18:5 ; Rm 10:5 ).

Há como ser justificado pela lei? “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” ( Tg 2:10 ).

 

14 Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; 15 Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;

Os judeus consideravam serem melhores que os gentios por terem uma lei. Paulo apresenta argumentos que desmistificam esta ideia. Os gentios não tinha um código específico, porém, faziam ‘coisas’ da lei Mosaica, mesmo não tendo a lei. Paulo demonstra que Deus trará a juízo as ações dos gentios, visto que eles tem uma lei interna, em seus corações. Aliado a lei interna, há a consciência e os seus pensamentos, quer acusando quer defendendo as suas ações.

Perceba que nem todos os homens são depravados e que muitos fazem naturalmente o que preceitua a lei. Observe que os homens constituem leis para as suas ações.

 

16 No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.

Deus recompensará a cada um segundo as suas ações no dia que Ele se assentar para julgar os segredos de todos os homens.

Não podemos confundir as vicissitudes da vida com o juízo de Deus. Muitas pessoas consideram que Deus pune os homens no dia-a-dia, porém, esquecem que o que o homem colhe o que plantou, e esta lei natural não diz do juízo de Deus.

 

17 Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; 18 E sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei; 19 E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, 20 Instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei;

Após demonstrar que:

a) Deus não faz acepção de pessoas ( Rm 2:11 );
b) que Deus retribuirá a cada um (todos os homens) segundo as suas obras, tanto judeus quanto gregos ( Rm 2:6 -10);
c) que a lei não estabelece diferencias entre gentios e judeus diante de Deus ( Rm 2:12 ), visto que tanto judeus quanto gentios foram julgados em Adão e nasceram sob a égide do pecado, e;
d) que não há distinção entre judeus e gentios, visto que todos os homens serão julgados quanto as obras ( Rm 2:6 ).

Paulo passa a questionar os homens que se escudavam no sobrenome ‘judeu’. Observe que, apesar do sobrenome ‘judeu’, o primeiro nome ainda continua sendo ‘homem’. Quando Paulo faz referência aos Judeus, procura não fazer distinção, e continua a tratá-los como os outros homens, o que demonstra que não há distinção entre os homens, a não ser pelo sobrenome que adotaram.

Os quesitos abaixo não tornam os judeus melhores que os outros homens:

  • adotar o sobrenome judeu;
  • descansar na lei de Moisés nas questões relativas à salvação;
  • ter um sentimento de orgulho por terem sido escolhidos como povo de Deus;
  • saber a vontade de Deus, e não conhece- lá;
  • pensar que aprova o que é melhor;
  • ser uma pessoa instruída da lei;
  • confiar que está em melhor condição que os outros homens por reputar ser guia, instrutor, mestre, etc;
  • adotar a lei como ciência e verdade.

 

21 Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? 22 Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? 23 Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?

Paulo coloca em xeque o comportamento dos judeus. Muitos dos judeus ensinavam, mas pareciam não ter aprendido a matéria que ensinavam.

Eles pregavam que não se devia furtar, e acabavam furtando. Diziam que não podia adulterar, e adulteravam. Abominar os ídolos era a bandeira dos judeus, no entanto, cometiam sacrilégios. Os homens que se orgulhavam de ter recebido a lei, desonravam a Deus quando transgrediam a lei.

 

24 Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós.

Paulo apresenta a base para as suas argumentações: as Escrituras! “Agora, que farei eu aqui, diz o Senhor, visto ter sido o meu povo levado sem preço? Os seus tiranos sobre ele dão uivos, diz o Senhor; e o meu nome é blasfemado incessantemente todo dia” ( Is 52:5 ). Observe que Paulo não cita o versículo ‘ipses literes’, porém, ele fez uma citação aplicada: por causa dos judeus, o nome de Deus estava sendo blasfemado entre os outros povos.

Em toda citação que fizermos da Bíblia, devemos nos portar da mesma maneira que Paulo: preservar a ideia principal. Como Deus disse que o seu nome era blasfemado entre os gentios por causa dos judeus, qualquer citação que contrarie esta ideia deve ser tida por anátema.

Qual seria o argumento dos judeus para rebater a própria Escritura? Isaías demonstra que o próprio Deus disse que o nome d’Ele era blasfemado entre os gentios por causa dos judeus.

 

25 Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão.

A circuncisão foi um ritual instituído por Deus após ter anunciado a Abraão uma aliança. Deus apareceu a Abraão e lhe propôs uma aliança, onde Deus abençoaria sobre modo a Abraão e a sua descendência. Por Deus ter prometido abençoar Abraão e a sua descendência, os judeus acreditavam que eram salvos por serem descendentes de Abraão e por cumprirem o ritual da circuncisão ( Gn 17:10 -11).

Paulo contesta a crença dos judeus, demonstrando que a circuncisão só é proveitosa após o homem cumprir o determinado pela lei. A condição estabelecida para a validade da circuncisão é o cumprimento cabal da lei.

Após demonstrar a condição para a circuncisão ser válida diante de Deus, Paulo se reporta aos transgressores da lei. Aos transgressores da lei, a circuncisão não representa nada.

 

26 Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão?

Paulo torna a lembrar que os gentios, quando cumprem com os preceitos da lei, são reputados como prosélitos (pessoas convertidas ao judaísmo) pelos próprios judeus, e por isso, circuncidadas. Se é válido reputar um prosélito que cumpre com os preceitos da lei um circunciso, que se dirá de um judeu que não cumpre a lei? Será tido por incircunciso, embora tenha feito a circuncisão na carne.

 

27 E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, não te julgará porventura a ti, que pela letra e circuncisão és transgressor da lei?

Paulo demonstra que ser judeu ou gentil é uma questão da natureza. A incircuncisão (gentios) é determinada pela natureza, da mesma forma que a circuncisão (judeu). Ser judeu, da forma que consideravam, não é uma condição proveniente de Deus, antes é uma condição determinada pela natureza.

Ser judeu ou gentil é uma condição determinada pelo nascimento e decorre de vínculos sanguíneos, o que demonstra não ter relação com a vontade e Deus.

Paulo destaca que, se os incircuncisos cumprem os quesitos da lei, eles estão em condição de julgar os circuncidados. Observe que os circuncidados de Israel tinham a lei de Moisés e a circuncisão, porém, mesmo com estes dois quesitos, eles eram transgressores da lei.

Os judeus eram transgressores da lei, visto que, ao tropeçarem em um único quesito da lei, tornavam-se culpados de toda a lei ( Tg 2:10 -11).

Já os incircuncisos não haviam recebido a circuncisão e nem mesmo uma lei, e o fato de cumprirem quesitos da lei, demonstra que a prática da lei compete a todos os homens, não importando quem quer que eles sejam. Este argumento demonstra que não há diferenças entre judeus e gentios perante Deus, pois todos são inescusáveis.

Enquanto os judeus reputavam que eram salvos por cumprirem com o rito da circuncisão e por terem recebido a lei, Paulo demonstra que a verdadeira condição de ‘judeu’ e a verdadeira ‘circuncisão’ não é possível determinarmos por questões externas como nascimento e regras exteriores.

 

28 Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. 29 Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.

Paulo apresenta os motivos da sua argumentação anterior. Devemos considerar que, neste versículo, Paulo está se referindo ao verdadeiro judeu, ou seja, ao homem que realmente é salvo por Deus.

Ele demonstra que tudo quanto os judeus consideravam ter recebido de Deus por serem descendentes de Abraão, somente se constituíam em aspectos externos, o que não condizia com a realidade interior.

Para o apóstolo, o verdadeiro judeu, ou seja, o homem que é salvo por Deus, é aquele que recebeu de Deus a circuncisão no coração. Enquanto os judeus se apegavam às questões externas da lei, Paulo procura demonstrar que a verdadeira circuncisão se dá no coração do homem.

Enquanto os judeus consideravam aspectos exteriores da lei e a circuncisão da carne como sendo os elementos essências a quem desejasse ser salvo, Paulo demonstra que o verdadeiro judeu precisa da circuncisão do coração. A mensagem do evangelho de Cristo apregoado por Paulo não difere em nada do que era apregoado pelos profetas: “Circuncidai-vos ao SENHOR, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” ( Jr 4:4 ).

Moisés apregoava a circuncisão do coração mesmo após ter entregue a lei ao povo de Israel: “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ).

A circuncisão do coração remete ao despojar da velha natureza (velho homem), e somente através de Cristo é possível adquiri-la “Nele também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo” ( Cl 2:11 ).

A circuncisão de Cristo se dá no coração e não é feita por mão humanas. A circuncisão dos homens é exterior, no corpo, segundo os quesitos da lei, mas não é proveniente de Deus e nem recebe d’Ele louvor. O homem que é judeu interiormente, é aquele que recebeu a circuncisão no coração, no espírito, desvinculado dos elementos da lei (letra), que são exteriores.

Por intermédio de Jeremias Deus censura as obras do povo, mas por qual motivo? Por que as obras dos judeus, um povo religioso e cheio de regras morais e éticas é reputado ‘maliciosas’ por Deus? Eles não praticavam boas ações?

Os judeus sempre praticaram boas ações aos seus irmãos no intuito de conquistar a salvação, e em decorrência desta particularidade elas são ‘maliciosas’, visto que a salvação só é possível através da circuncisão do coração, que é uma ação exclusiva de Deus.




Como Deus sendo justo justifica o ímpio?

Todos os questionamentos surgem porque falta a compreensão de como se dá a justiça de Deus. Como Deus justifica o ímpio ( Rm 3:26 ), se Ele mesmo afirmou que jamais justifica o ímpio ( Ex 23:7 ). Se é reto que a justiça condene o culpado, um juiz que absolve ou justifique o injusto não age injustamente?


Como Deus sendo justo justifica o ímpio?

Introdução

Uma das inestimáveis doutrinas do Cristianismo é a justificação. Tal doutrina foi abordada pelo apóstolo Paulo quando escreveu aos cristãos em Roma, porém, é mal compreendida por muitos cristãos.

A incompreensão da doutrina da justificação é nítida desde os primeiros pais da igreja e, assim continuou no período da Idade Média.

Com o advento da reforma, muitos pensam que houve um retorno aos princípios do evangelho, e que, daí por diante, o conceito de justificação é o mesmo que foi apresentado pelos apóstolos. Grande equivoco!

 

Justificação forense

Quanto ao sentido do termo traduzido por ‘justificar’ no Antigo Testamento, na sua maioria o erro decorre da conotação moral e ética que atribuem ao termo. Porém, a vertente mais perniciosa é aquela que vê no termo aspectos forense, como quando uma pessoa comparece perante um tribunal e é declarada judicialmente justa por ter uma vida coerente com as exigências legais, pois o sentido neotestamentário do termo “justificar” não guarda relação com a justiça dos tribunais, pois a justiça de Deus se dá através do seu poder.

O apóstolo Paulo é claro ao dizer que o evangelho de Cristo é poder de Deus para salvação de todo o que crê, pois no poder de Deus se descobre a justiça de Deus ( Rm 1:16 -17). Jesus ao curar um paralítico disse: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 ). Ou seja, a justificação se dá pelo poder de Deus, sem qualquer referencia a um tribunal.

A justiça forense não justifica os réus, somente emitem uma sentença de que aquela pessoa é inocente ou culpada, o que é diferente de declarar alguém justo. Num tribunal verifica-se somente uma conduta isolada, ou seja, não se analisa a vida de quem é julgado, o que inviabiliza declarar alguém justo ou injusto.

Ao pensarmos em um tribunal divino, temos que considerar que tal tribunal foi estabelecido no Éden, quando Adão pecou. Naquele momento ele foi julgado e apenado com a morte, separação, alienação de Deus “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Naquele evento todos os homens pecaram. Naquele ‘tribunal’ toda a humanidade tornou-se destituída da glória de Deus ( Rm 3:23 ; 1Co 15:22 ). Como a pena emitida no ‘tribunal’ do Éden poderia ser aplicada a Cristo se a pena não pode passar da pessoa do transgressor? Como a justiça de Cristo pode ser atribuída por Deus aos culpados?

Naquele tribunal houve uma única sentença: condenação!

E como uma pessoa condenada pode ser declarada justa por Deus se a justificação bíblica não é forense?

Por causa destas indagações, muitos teólogos, ao especular sobre a natureza da justificação consideram que o homem justificado não se torna justo, antes só é declarado justo. Ou seja, embora não seja justo, Deus faz uma declaração e trata tal homem como se fosse justo, mas que na realidade não é justo. Está é a teoria predominante nos meios acadêmicos que se firmou desde a reforma com Lutero.

Para os acadêmicos, ‘tornar justo’ e ‘declarar justo’ são afirmações distintas, ao afirmar que Deus declara o homem justo sem torná-lo justo.

É possível Deus verdadeiro declarar uma mentira? Não é injusto tratar o injusto como se fosse justo?

Mesmo que se considere que ser declarado justo não possui relação direta com ser justo, não se pode ignorar que a declaração procede de Deus que, além de ser justo, vela sobre a sua palavra para cumprir e, a sua palavra jamais volta vazia. Se Deus declarar justo o homem que não é justo comete injustiça, assim como também se mostra impotente para cumprir sua palavra, que seria inócua.

Portanto, em conformidade com Antigo Testamento, justificar implica na certeza de que a pessoa é inocente e, depois, declarar o que de fato é a verdade: que a pessoa é isenta de culpa, justa, que se porta conforme a lei. Se isto era exigido dos tribunais humanos que se dirá de Deus? ( Dt 25:1 )

Na Reforma protestante, Lutero procurou reafirmar um sentido forense para o termo ‘justificação’, considerando que a ‘justificação’ seria um ‘direito legal’ de se ter comunhão com Deus. Ele apresentou esta proposta para fugir da afirmação de que a justificação seria uma justiça infundida no homem. Mas, de onde tal direito ‘legal’ surgiu para que o homem lançasse mão dele?

Todos os questionamentos surgem porque falta a compreensão de como se dá a justiça de Deus. Como Deus justifica o ímpio ( Rm 3:26 ), se Ele mesmo afirmou que jamais justifica o ímpio ( Ex 23:7 ). Se é reto que a justiça condene o culpado, um juiz que absolve ou justifique o injusto não age injustamente?

Millard J. Erickson, em sua Introdução à Teologia sistemática, define que a justificação é um ato forense de imputação da justiça de Cristo ao crente’, mas que não é de fato uma infusão de santidade no indivíduo. Ele arremata dizendo que não é uma questão de tornar a pessoa justa ou de alterar a sua condição espiritual Erickson, Introdução a Teologia Sistemática, p. 409.

Neste mesmo sentido Scofield diz que o pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa… Scofield, Bíblia de Scofield com referencias, Rm 3:28, p. 1147.

O Dr. Emery H. Bancroft diz que o método da justificação é divino e não humano, visto que o homem só pode justificar o inocente e Deus justifica o culpado, sendo que ‘Deus justifica à base da misericórdia’ e o ‘homem justifica a base do mérito’ Bancroft, Teologia Elementar, p. 256. Por fim, ele alega que o homem precisa ser salvo do seu caráter, esquecendo-se que não foi o caráter que estabeleceu a alienação de Deus, mas o pecado.

Certo é que, quanto ao fundamento, a justificação tem por base a justiça de Cristo, pois o homem é incapaz de promover a sua justificação. Embora seja verdadeira a premissa de que Cristo se fez justiça para a humanidade, persiste a pergunta: como se processa a justiça de Deus ao justificar o injusto, sendo Ele absolutamente justo?

A resposta encontra-se no evangelho, ou seja, no poder de Deus.

 

O poder de Deus para justificação

A necessidade de justificação se deu a partir da queda de Adão. Com a desobediência de Adão o pecado entrou no mundo e a humanidade herdou uma natureza alienada de Deus, uma natureza separada e, consequentemente, toda a humanidade é injusta desde seu nascimento ( Sl 51:5 ; Sl 58:3 ; Gn 8:21 ).

A justiça é reta: a alma que pecar esta mesma morrerá ( Ez 18:20 ). De igual modo, a Bíblia deixa claro que todos pecaram e foram destituídos de compartilhar da comunhão com Deus ( Rm 3:23 ). Neste sentido, todos devem ser assalariados com a morte, pois a pena não pode passar da pessoa do transgressor e Deus jamais declara o ímpio justo.

Embora Deus seja misericordioso, a sua justiça não tem por base a misericórdia, e sim o seu poder. Como a todos os homens está determinado morrerem uma só vez, vindo após isto o juízo de obras que se realizará diante do grande trono branco, juízo onde ninguém será justificado tendo em vista a condenação do Éden “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo…” ( Hb 9:27 ; Ap 20:12 -13 ), o evangelho é a providencia divina para que o homem seja apenado com Cristo, e não com o mundo.

Quando o homem crê em Cristo conforme o que as Escrituras dizem, naquele instante toma sobre si a própria cruz e segue após Cristo “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” ( Mt 10:38 ). Ao crer, o homem torna-se participante da carne e do sangue de Cristo, momento que lhe é comunicado as aflições, vitupérios e a morte de Cristo “Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte ( Fl 3:10 ).

Quem crê sai juntamente com Cristo ao arraial e leva sobre si o vitupério de Cristo, pois é crucificado e morto juntamente com Cristo “Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério ( Hb 13:13 ). Quando o homem é morto com Cristo, Deus executa justiça e, consequentemente a sua palavra, pois a alma que pecar esta mesma morrerá, ou seja, a penalidade não passa da pessoa do transgressor, pois quem está morto está justificado do pecado.

Quando o homem crê em Cristo, ou seja, admite (confissão) que Ele é o Filho do Deus vivo, é porque também admitiu (confissão) que é pecador. Neste instante o homem é crucificado, morre e é sepultado com Cristo “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte ( Rm 6:3 – 4).

Ou seja, a justiça exigida por Deus é estabelecida, pois a pena prevista não passa da pessoa do transgressor. Embora a morte física de Cristo tenha sido substitutiva, contudo a cruz, a morte e o sepultamento não o são, pois os que creem são participantes da circuncisão de Cristo, que é o despojar de toda a carne ( Cl 2:11 ).

Através da morte de Cristo, o homem culpado que surgiu através da semente de Adão é apenado com a morte, de sorte que Deus jamais justifica o ímpio. A alma que pecar, esta mesma morrerá e, através da morte com Cristo a determinação divina se concretiza. A ira divina requer juízo e a sua misericórdia não impede que esse juízo seja executado: o homem precisa morrer com Cristo.

É por isso que o apóstolo Paulo diz: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ), pois o velho homem foi crucificado, morto e sepultado conforme merecia. O homem gerado segundo a semente corruptível de Adão jamais receberá de Deus a declaração de justo. Deus jamais justifica o ímpio, pois ao ímpio não há paz, antes espada, morte.

Demonstramos que Deus é justo, agora falta demonstrar como Ele é justificador dos que creem em Cristo “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ).

 

Justificador

Quando o pecador morre com Cristo Deus é justo, quando ressurge um novo homem dentre os mortos com Cristo pelo poder de Deus, Deus é justificador! Sem contradição alguma! Justo e justificador é o Senhor!

No momento que é criado um novo homem, Deus o declara justo, livre de culpa, pois o novo homem é criado em perfeita justiça e santidade ( Ef 4:24 ). A velha criatura jamais é declarada justa, mas aqueles que recebem poder para serem feitos filhos, estes Deus os declara justos.

Quando Deus olha o homem ressurreto com Cristo, não precisa olhar para Cristo para declará-lo justo, visto que ao olhar para o cristão Deus vê um dos seus filhos, gerado segundo a palavra da verdade. Deus só declara justos os nascidos de novo e, para os de novo nascidos, eis que tudo se fez novo.

Quando Deus anuncia que jamais justifica o ímpio, temos que considerar que Ele se refere ao homem gerado de Adão. Quando lemos o apóstolo Paulo afirmando que Deus justifica o ímpio temos um novo contexto, pois ele faz referencia a fé que o ímpio professa “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ).

A Bíblia demonstra que Jesus ressurgiu para a nossa justificação “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação ( Rm 4:25 ), pois ao ressurgir com Cristo, o homem é criado justo e declarado justo, pois tal declaração implica em uma atestado divino de que a nova criatura em Cristo de fato foi criada em verdade e justiça , portanto, é justa.

Assim como o pecado de Adão foi imputado à humanidade por causa da semente corruptível, assim também a justiça de Cristo é imputada ao homem em decorrência da semente incorruptível, pois na regeneração os homens passam a ser participantes da natureza divina, sendo justos e perfeitos como o é o Pai celeste quando ressurgem dentre os mortos com Cristo ( Rm 1:4 ).

O meio pelo qual o homem se apropria da justificação é somente pela fé. Quando dizemos que é pela fé, não quero dizer com isso que é a crença do homem que opera tal obra, antes é a fé que havia de se manifestar, Cristo, o poder de Deus, o evangelho. Como já mencionamos. A justificação se dá em decorrência do poder de Deus, ou seja, basta confiar no poder de Deus contido no evangelho “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” ( Cl 2:12 ).

É por isso que Jesus perdoou os pecados do paralitico com base no seu poder, visto que a justificação se dá através do poder que trás à luz o novo homem, e não conforme muitos apregoam, de que a justificação se dá através de princípios forenses “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo ressuscitando-o dentre os mortos é o poder que opera naqueles que creem na força do poder de Deus, que é o evangelho. Todos quantos já ressurgiram são de fato justificados, pois além de serem declarados justos, também foram feitos justos “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:19 -20 ; 1Co 1:18 e 24).




Para que Deus seja justo

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).


Para que Deus seja justo

“Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença” ( Rm 3:22 )

Justiça de fé em fé

A Justiça de Deus é de fé (evangelho) e pela fé (confiança) em Cristo, para todos, sem distinção alguma, pois todos pecaram. Deus trouxe salvação poderosa a toda humanidade, visto que todos pecaram.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 )

Sabemos que Deus é justo, pois:

a) não faz acepção de pessoas, e;

b) Deus providenciou salvação para todos os homens, sem distinção (judeus e gentios) “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ).

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).

Observe que o juízo já foi realizado e está estabelecido sobre todos os homens para a condenação, visto que, aquele que não crê em Cristo, já está condenado, sem distinção, pois Deus não faz acepção de pessoas ( Jo 3:18 ).

Quando o juízo de Deus foi estabelecido em Adão, todos os homens morreram para Deus e passaram a viver para o mundo. A lei e o juízo foram estabelecidos em Adão: “…certamente morrerás” ( Gn 2:17 ), e o homem morreu para Deus “O juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para a condenação…” ( Rm 5:16 ), passando a viver para o mundo.

Os homens passaram a viver em inimizade com Deus e em amizade com o mundo ( Tg 4:4 )!

Como os homens vivem para o mundo (estão em inimizade com Deus), para voltarem a ter amizade com Deus, todos precisam morrer para o pecado.

Deus é justo, pois providenciou justiça gratuita a todos os homens por meio de sua graça. A graça de Deus está na redenção que há em Cristo Jesus.

A graça de Deus redime o homem, fazendo com que aqueles que a aceitem os sacrifícios de Cristo sejam reabilitados a glória de Deus. Como o homem foi destituído da glória de Deus, a redenção que há em Cristo reabilita o homem a receber o que se perdeu em Adão.

Como Deus é justo ( Rm 3:26 ), Ele propôs a Jesus Cristo como propiciação por meio da fé (como é por fé (evangelho), todos os homens têm livre acesso a Deus por Cristo). Ou seja, para que Deus demonstrasse o seu favor ao pecador, foi necessário que Cristo derramasse o seu sangue.

Sem o sangue de Cristo era impossível Deus ser favorável ao pecador, visto que, a justiça de Deus exige que o transgressor não seja absolvido, mas que receba o estabelecido na condenação: morte.

Diante da justiça em Deus nenhuma transgressão pode passar impune. A pena instituída pela lei nunca poderá passar da pessoa que cometeu a transgressão. Sendo Deus justo, não pode absolver o culpado. O culpado não pode ser tido por inocente.

Outra característica da justiça está na lei. A lei obriga tanto quem tem o dever de obedecer, tanto a quem a estabeleceu. Se o homem viver a altura da lei, Deus o justificará, mas se não conseguir, ele é sujeito da pena estabelecida “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” ( Rm 2:13 ).

Diante deste entrave fica claro que Deus justo não poderia justificar o pecador. Por causa deste entrave o apóstolo Paulo escreveu: “…para que Deus seja justo…”, Ele demonstrou a sua justiça pela remissão dos pecados que antes foram cometidos sob a tolerância de Deus.

Como se dá essa remissão? Como Deus justo justifica o pecador? Como Deus é justo e justificador ao mesmo tempo?

A justiça de Deus determina que:

  • o transgressor não seja tido por inocente;
  • que a alma que pecar, esta deve morrer, e;
  • que a pena não pode passar da pessoa do transgressor.

Através da propiciação em Cristo, Deus satisfaz a sua justiça, visto que as proposições que citamos anteriormente são plenamente satisfeitas.

Quando o apóstolo Paulo escreveu “… para que Deus seja Justo…”, tinha plena certeza de que Deus satisfez o que é exigido pela sua justiça, retidão e santidade.

  • Deus não tem o culpado por inocente ( Na 1:3 );

É certo, é pertinente à justiça, que o culpado não seja tido por inocente. Ao culpado só cabe a pena quando do descumprimento da lei.

Mesmo que haja uma anistia ampla e irrestrita concedida a quem descumpriu a lei, o culpado não será tido como inocente. A anistia livra o culpado da pena, porém o culpado sempre será culpado perante a lei: não há como declarar um anistiado justificado.

  • Imputar justiça de outrem no culpado não o torna inocente;

Tão certa é esta verdade que tal concepção não resiste aos versículos seguintes: “O filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

Não há como imputar ao ímpio a justiça do justo, porque a determinação divina é: ao ímpio só cabe a sua impiedade e a justiça do justo somente a ele.

 

Como a justiça de Cristo passa aos homens?

Ao culpado não cabe a vida, pois segundo o que Deus estabeleceu a alma que pecar, esta receberá a pena capital (morte).

Não há como o culpado ser tido por inocente por meio de um decreto soberano. Não há como ter o culpado por inocente hoje e aguardar que está condição efetive no futuro.

Qual o tratamento que deva ter o culpado para que Deus seja justo e justificador?

A justiça de Deus se manifesta em Cristo: “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença” ( Rm 3:22 ).

Deus instituiu a sua justiça pela fé (evangelho) em Cristo. Ou seja, o culpado (aquele que não pode ser tido por inocente), quando crê em Cristo, recebe o que está determinado na lei: morre com Cristo.

O culpado quando crê em Cristo é porque sente as suas misérias. Sente que é culpado, e que só lhe resta à morte. Ao reconhecer os seus próprios erros e que está condenado, o culpado louva e declara a justiça de Deus ( Rm 3:4 ).

Quando o culpado crê em Cristo, se conforma com Cristo na sua morte, e ao morrer com Cristo, tal ato demonstra que Deus é justo e qual a base da sua justiça. Por isso aquele que crê pode declarar: “Já estou crucificado com Cristo…” ( Gl 2:20 ); “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte” ( Rm 6:4 ).

Deus não tem o culpado por inocente, e todos os que creem em Cristo são crucificados e morrem com Cristo, portanto, a justiça de Deus se cumpre. Isto porque “…se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ).

Sem contradição alguma: O culpado ao ter um encontro com a cruz de Cristo, recebe o estipulado pela justiça divina, morre e é sepultado. Este velho homem é aniquilado por meio da cruz de Cristo, e nele a condenação em Adão se desfaz. Todos os erros cometidos até em tão, são lançados ao mar do esquecimento, ou cobertos (sepultados). Este é o novo e vivo caminho ( Hb 10:20 ).

Paulo faz referência ao passado dos cristãos sem Cristo como sendo ‘um outro tempo’, e que agora, em Cristo, há um novo tempo de paz e alegria “..noutro tempo…” ( Ef 2:2 -11 e Ef 5:8 ).




O que é estar ‘vivo’ e ‘morto’?

A condição de mortos perante Deus decorre da pena instituída no alerta divina (certamente morrerás), como resultado do juízo e condenação. A condenação trouxe inimizada e separação, visto que Deus é vida e todos que existem separados d’Ele estão mortos. Em Deus não há trevas nenhuma, pois todos que são trevas estão separados d’Ele. Como não há comunhão entre a Luz e as trevas, claro está que não há comunhão entre Deus (vida) e os homens sob condenação (mortos).


O que é estar ‘vivo’ e ‘morto’?

Como o apóstolo Paulo declarou que aqueles que estão mortos estão justificados, a resposta para as quatro premissas em pauta só pode estar na frase: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

Antes de esclarecemos o mistério acima, devemos verificar no que consiste ‘estar morto’, e no que consiste ‘estar vivo’.

A Bíblia estabelece uma relação entre ‘morte’ e ‘vida’. Da relação verifica-se que é impossível estar vivo para o pecado e vivo para Deus simultaneamente. Não há como o homem assumir as duas condições (posições) simultaneamente diante de Deus. Ou seja, quando o homem está vivo para o pecado, ele está morto para Deus, ou, quando ele está vivo para Deus, está morto para o pecado.

Talvez o leitor pergunte: porque não é possível estar vivo para o pecado e vivo para Deus simultaneamente?

Não é possível por causa das seguintes razões:

“Pois é Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos…” ( Rm 8:34 )

Paulo em seu cântico de vitória fez referência à morte de Cristo. Porém, o Cristo que morreu, também ressuscitou dentre os mortos. Da mesma forma que os que creem se conformam com Cristo na morte (morre com ele), com Ele também ressurgem dentre os mortos (ou antes).

É instantâneo! Ou seja, aquele que crê em Cristo morre para o pecado e passa a viver para Deus. Da mesma forma que ao desobedecer à determinação divina, Adão passou de imediato à condição de morto para Deus, assim também, aqueles que creem em Cristo são ressuscitados de imediato com Cristo, e passam a viver para Deus.

Devemos ter em mente que Deus é Senhor de todos e de todas as coisas. Deus é Senhor de Vivos e de Mortos, pois para ele, todos vivem “Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos ( Lc 20:38 ; 2Tm 4:1 ; Rm 14:9 ).

Estes versículos referem-se a vivos e mortos, ou seja, ele aborda tanto a morte do corpo quanto a imortalidade da alma. Ex: Lázaro, o mendigo, viveu neste mundo e quando morreu, somente deixou de habitar este tabernáculo terrestre e passou a viver na eternidade ( Lc 16:20 -25). O homem rico, que também morreu, estava morto para Deus enquanto existia neste mundo, e quando morreu (deixou o tabernáculo terrestre) passou a eternidade na condição de morto (separado).

Estas são algumas referências à palavra morte e possíveis usos que a Bíblia contém dos termos ‘morte’ e ‘vida’.

Porém, quando a Bíblia diz: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo…” ( Ef 2:5 ), demonstra que há outro emprego para os termos ‘morte’ e ‘vida’.

Quando o homem está sem Deus no mundo (sem Cristo) ( Ef 2:12 ), está morto para Deus. A condição ‘morte’ do homem é resultado da condenação estabelecida lá no jardim do Éden, em Adão.

Quando Deus disse ao casal que no dia em que comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreriam, foi dada uma determinação ou alerta (não comerás), um tempo (no dia), a certeza de punição (certamente), e o tipo de punição (morrerá): a morte.

Do juízo lá no Éden resultou a condenação da humanidade! Ou seja, “O Juízo veio de uma só ofensa na verdade, para condenação…” ( Rm 5:16 ). Adão e Eva foram criados vivos para Deus, e após a condenação, passaram a condição de mortos perante Deus.

A condição de mortos perante Deus decorre da pena instituída no alerta divina (certamente morrerás), como resultado do juízo e condenação. A condenação trouxe inimizada e separação, visto que Deus é vida e todos que existem separados d’Ele estão mortos. Em Deus não há trevas nenhuma, pois todos que são trevas estão separados d’Ele.

Como não há comunhão entre a Luz e as trevas, claro está que não há comunhão entre Deus (vida) e os homens sob condenação (mortos).

Por ‘estar’ morto perante Deus, todas as obras que o homem realiza nesta condição está maculada pelo pecado. Se fizer boas ou más ações perante os homens, elas não mudam a condição do homem culpado perante Deus, pois as ‘boas obras’ só são realizáveis em Deus, que às preparou de antemão, para aqueles que creem em Cristo.

Ao pecar, Adão foi condenado à morte, e todos os homens foram condenados com ele. Como todos morrem, e certo que todos pecaram “…assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

A vida só é possível em Jesus, pois por meio de Cristo o homem alcança o dom gratuito de Deus, que é a vida eterna. Cristo é o único acesso dos homens a Deus. Se aceitar a Cristo, o homem passa a ser filho da luz, e viverá na luz de Deus (comunhão).

Assim que: morte é resultado da condenação que ocorreu no jardim do Éden, onde todos os homens tornaram pecadores. Vida é resultado da reconciliação dos homens com Deus. O homem é novamente criado em verdadeira justiça e santidade e passa a viver para Deus ( Ef 4:24 ).

Precisaremos deste conceito posteriormente: O velho homem morre, é sepultado, e após, surge um novo homem, criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Com base no que acabamos de ver, percebe-se que, quando o apóstolo Paulo diz que “… estou crucificado com Cristo…”, ele faz referência à morte com Cristo e não a sua morte física.

Quando ele diz que vive (… e vivo …), expressa uma nova condição perante Deus. Ele não fez referência a sua vida física.

Já na segunda parte do versículo, quando ele diz: “… e a vida que agora vivo na carne…”, esta ‘vida’ refere-se à vida física.

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 )

Quando o apóstolo Paulo afirma que já está crucificado com Cristo, ele deixa claro que morreu para o pecado, e que, agora, a sua vida está escondida com Cristo em Deus (Cristo vive em mim). Paulo deixou de viver uma vida de ‘sujeição’ à lei (farisaísmo), e passou a viver o seu dia-a-dia (na carne) por meio da fé em Jesus.

Só é possível ao homem estar na condição de “vivo em Cristo” após ter sido crucificado e sepultado com Cristo.

“Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” ( Rm 8:2 )

A nova vida que o homem vive em Cristo (vida) não pode ser compartilhada quando se está no pecado (morte), pois o pecado é causa da condenação do homem sem Cristo. A vida que Deus concede ao homem por intermédio da fé em Cristo livra-o da condição anterior: do pecado (causa do juízo e condenação) e da morte (pena).

De sorte que, ao crer em Cristo, o homem torna-se participantes da sua morte, por meio do corpo de Cristo que foi entregue em prol dos pecadores. O velho homem é morto quando crucificado com Cristo (ou, o homem é circuncidado com a circuncisão de Cristo, que é o despojar do corpo da carne) ( Cl 2:11 ), e passa a viver (nova criatura) por meio do Espírito Eterno, por causa da justiça.

Desta maneira, quando o apóstolo demonstra que o cristão esta morto com Cristo para o pecado, é o mesmo que dizer que os cristãos estavam vivos por meio do Espírito Eterno.

“E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça” ( Rm 8:10 );

“Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus” ( Cl 3:3 )




O cristianismo e o julgamento final

Estes estudiosos chegam a afirmar que grande parte da cultura Persa foi adaptada e copiada pelos Judeus, e, que, grande parte do Antigo Testamento é Cópia do Zend-avesta, um livro sagrado dos Mazdeistas, seguidores de Zoroastro. Um dos mitos presente na maioria das civilizações e religiões é a do juízo final, sendo que Egípcios, Babilônicos, Persas, e outras civilizações acreditavam em um juízo final. As religiões apostam em um julgamento final, mas a Bíblia não apresenta a mesma ideia. O que a Bíblia diz acerca deste tema? Haverá um julgamento final?


 

O que os homens dizem

A humanidade ao longo dos séculos acreditou em um Juízo final, mas, o que a Bíblia diz? Haverá mesmo um juízo final? O que será julgado em tal juízo?

Alguns estudiosos comparam a cultura judaico-cristã com outras culturas e alegam que o cristianismo e o judaísmo adotaram vários mitos provenientes de outras civilizações.

Estes estudiosos chegam a afirmar que grande parte da cultura Persa foi adaptada e copiada pelos Judeus, e, que, grande parte do Antigo Testamento é cópia do Zend-avesta, um livro sagrado dos Mazdeistas, seguidores de Zoroastro.

Um dos mitos presente na maioria das civilizações e religiões é a do juízo final, sendo que Egípcios, Babilônicos, Persas, e outras civilizações acreditavam em um juízo final.

As religiões apostam em um julgamento final, mas a Bíblia não apresenta a mesma ideia. O que a Bíblia diz acerca deste tema? Haverá um julgamento final? Vejamos!

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:18 ).

A Bíblia é enfática ao demonstrar que o tal juízo final esperado pela humanidade já ocorreu no início da civilização humana. O julgamento da humanidade se deu em Adão e através dele uma condenação pesa sobre todos os homens.

 

O homem

Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Muitos questionam o que vem a ser a imagem e a semelhança que o homem adquiriu do seu Criador, visto que Deus é Espírito, e como tal, não possui partes ou substâncias tangíveis para que o homem fosse feito a Sua semelhança. Paulo esclarece este ponto: “… o qual (Adão) é a figura daquele que havia de vir (Jesus)” ( Rm 5:14 ), Adão foi agraciado com a figura de Cristo, o último Adão ( 1Co 15:45 ).

Adão também foi agraciado com a semelhança do seu Criador. Que semelhança? Intelectual? Moral? Não! A semelhança com o Criador não se fixa em elementos pertinentes a humanidade.

Antes, por Deus exercer domínio sobre o universo, ao homem foi dado por semelhança domínio sobre a face da terra “… domine ele (…) sobre toda a terra” ( Gn 1:26 ). Para exercer domínio sobre a terra, Adão foi agraciado com intelecto e livre-arbítrio.

Deus exerce domínio sobre todas as coisas e Adão, por semelhança, passou a exercer domínio sobre a terra. Deus é plena liberdade e Adão, por semelhança, foi agraciado com o livre-arbítrio. Deus é criador e o homem foi agraciado com a autonomia de poder trazer outro semelhante à existência através de sua própria vontade.

Nem mesmo os anjos, superiores em poder e glória, podem trazer à existência outro ser, que o homem, por semelhança ao seu Criador, traz ao mundo.

Com a ordenança divina surge um entrave: Adão não devia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Muitos vêem na determinação divina uma simples proibição. Porém, através da ordenança divina Adão adquiriu outra semelhança com o Criador. Vejamos:

Deus soberano é plenamente livre, porém, Ele não pode mentir, ou seja, Deus não pode negar-se a si mesmo, ou seja, atentar contra a Sua própria natureza. Deus jamais atentará contra a sua própria natureza ou existência, e ao ser instituída a ordenança no Jardim do Éden, Adão por semelhança foi instruído a não atentar contra a sua própria natureza.

Após a ordenança de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, Adão tornou-se semelhante ao seu Criador, visto que, não podia atentar contra a sua própria natureza: vida proveniente da comunhão com Deus.

Adão possuía plena liberdade, visto que podia comer de todas as árvores do jardim: “De toda a árvore do jardim comerás livremente…” ( Gn 2:16 ). Deus não impôs a necessidade de escolha, mas Adão possuía liberdade para escolher comer de toda árvore ou não. Ele não era obrigado a escolher nada. Se quisesses, viveria passivamente, sem fazer escolha alguma, e continuaria livre.

Adão era perfeito e habitava em um lugar perfeito. Posteriormente, o Jardim tornou-se o cenário do Tribunal onde a humanidade foi julgada e condenada.

 

 

A Regra

“…mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2: 17 ).

Deus é onipotente, porém não pode mentir ou negar-se a si mesmo ( 2Tm 2:13 ). Deus é fiel e justo. Se Deus mentisse, fosse infiel ou injusto, Ele deixaria de ser Deus: o Deus que conhecemos: santo, justo e bom. Esta mesma regra foi estabelecida por Deus ao homem.

O homem de posse de plena liberdade não podia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mesmo sendo livre e capaz, Adão não devia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Há certas coisas que Deus não pode fazer, e da mesma forma, por semelhança, foi demonstrado ao homem o que ele não podia fazer, visto que, comprometeria a sua própria natureza.

Deus podia intervir não deixando Adão exercer a sua livre vontade quando intentou comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus podia, mas não o fez, uma vez que Ele não voltar atrás em seus propósitos.

Adão podia comer de todas as árvores do jardim, mas no dia em que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, neste dia haveria de morrer. De que morte Deus falou a Adão?

Como a regra foi instituída por Deus, o conceito de morte expressava uma ideia presente no próprio Deus e não segundo a concepção humana, que é voltar ao seio da terra.

O conceito de morte que a humanidade conhece foi instituída somente após a queda de Adão, quando Deus disse: “…és pó, e ao pó tornarás” ( Gn 3:19 ) (morte física). Quando foi dito que Adão certamente morreria, caso comesse da árvore do conhecimento, Deus não estava falando da volta do homem ao pó da terra (morte física), e sim da separação que se estabeleceria entre o homem e Deus, tornando o homem alienado da vida que há em Deus.

Após comer da árvore ‘proibida’, Adão deixou a condição de santo, justo e bom, e passou a estar separado do seu Criador. Deus é vida, e separado do seu Criador, que é santo, justo e bom em essência, Adão passou a condição de morto, ou seja, a sua natureza deixou de possuir as mesmas características da natureza do seu Criador.

 

A Ofensa, o Juízo e a Condenação

Adão desobedeceu ao Criador e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão com capacidade plena para comer de todas às árvores do jardim escolheu justamente a árvore que lhe era vetada. Ele lançou mão do juízo e da condenação.

No instante em que Adão comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele abraçou um juízo, uma condenação e foi apenado: morreu! O que ocorreu com Adão passou a toda humanidade, e por isso a Bíblia diz que ‘todos pecaram e destituídos estão de Deus’.

Paulo descreve o que ocorreu com a humanidade em conseqüência da ação de Adão: “O juízo veio de uma só ofensa, na verdade para condenação (…) Pois se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse (…) assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação (…) Pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores” ( Rm 5:16 -19 ; 1Co 15:21 -22).

Sobre a condição da humanidade Jesus disse: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado…” ( Jo 3:18 ), ou: “…tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

Através destes versículos é possível perceber que o julgamento da humanidade se deu no passado. Todos os homens foram julgados e condenados em Adão. O juízo ‘final’, que muitos esperam, deu-se no início da história da humanidade e todos os homens nascem debaixo de condenação.

O posicionamento da Bíblia difere em muito do que as nações e religiões pagãs anunciam. Não há paralelo no patrimônio histórico cultural da humanidade, ou uma similaridade entre o que as religiões do mundo acreditam e o posicionamento bíblico. Que cultura apresenta a humanidade como julgada e debaixo de condenação?

Enquanto muitos esperam comparecer perante um tribunal semelhante aos tribunais humanos, onde o conceito de justiça é segundo parâmetros de certo e errado, leis, moral, caráter, comportamento, que decorrem das ações praticadas no dia-a-dia. Enquanto a humanidade espera um julgamento por suas próprias ações individuais, a Bíblia demonstra que toda a humanidade está condenada como conseqüência do ato de um único homem: Adão.

A Bíblia apresenta uma única transgressão, um único juízo e uma condenação que se estende a humanidade.

Sobre este aspecto Davi disse: “Certamente em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” ( Sl 51:5 ). A sujeição ao pecado vem desde o nascimento do homem. Por conseguinte “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há se quer um” ( Sl 14:3 e Sl 53:3 ). Tal condição afeta o homem desde a madre: “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ).

O profeta Isaías em seu livro descreve a condição dos homens retratando tal condição em seu povo ( Is 59 ).

Certamente que a humanidade já está julgada e pesa sobre ela uma condenação. Por isso o escritor aos Hebreus diz: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?” ( Hb 2:3 ).

Somente o cristianismo apresenta a urgência da salvação para o dia que se chama ‘hoje’, visto que, os homens estão perdidos (condenados) em Adão. As religiões e a própria cultura da humanidade aponta o futuro na espera de uma decisão de que serão ou não condenados, porém, a Bíblia demonstra que estão enfatuados em sua carnal compreensão.

O mito do juízo final presente na maioria das civilizações e religiões não resiste à verdade do evangelho, que demonstra que a humanidade está de baixo de condenação ( Jo 3:18 ), e que a salvação encontra-se em Cristo, o último Adão.

Haverá sim um juízo no futuro da humanidade, porém, este juízo será quanto às obras dos homens perdidos, que foram condenados em Adão.




O julgamento do Grande Trono Branco

As obras dos homens sob condenação serão consideradas por Deus como sendo ‘trapos’ de imundície, ou seja, que não pode justificar (não prestam para vestes). Todos que comparecerem diante de Deus no Grande Tribunal do Trono Branco estarão como nus, visto que não poderão cobrir a nudez com suas obras ( Is 59:6 ).


“Então vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele. Da presença dele fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se livros. Abriu-se outro livro, que é o da vida. Os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” ( Ap 20:11 )

O Grande Trono Branco que João descreve no livro do Apocalipse, quando ele estava na ilha de Patmos, é tido por muitos como sendo o lugar onde se dará o Juízo Final. Muitos pensam que diante do Grande Trono Branco será descido quem será salvo ou não.

Porém, a Bíblia demonstra que todos quantos comparecerem diante do Grande Trono Branco já foi condenado. Todos quantos comparecerem perante o Grande Trono Branco está perdido para sempre, isto por causa da condenação que se deu em Adão “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).

Mas, se a humanidade já está condenada, qual é o propósito do Grande Trono Branco? Diante dele haverá o julgamento das obras de todos os homens que estão sob a ofensa, juízo e condenação de Adão.

O Livro de Jó, o livro mais antigo da Bíblia, demonstra que Deus haveria de trazer os homens a juízo por causa de suas ações “Segundo a obra do homem, ele lhe paga, e faz a cada um segundo o seu caminho” ( Jó 34:11 ).

Muito tempo depois, Jeremias também deixou registrado: “Os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” ( Jr 32:19 ).

Sabemos que nada há que se esconda da presença de Deus e que Ele é perfeito juiz ( Hb 4:13 ). O Grande Trono Branco quando estabelecido trará a lume a medida da ira de Deus que os homens perdidos acumularam por ter um coração impenitente “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” ( Rm 2:5 ).

Com relação à salvação é certo que as obras dos homens de nada lhes aproveitarão diante do Grande Trono Branco, uma vez que, sem ser gerado de novo ‘não há quem faça o bem’ ( Sl 53:3 ). As obras dos homens sob condenação serão consideradas por Deus como sendo ‘trapos’ de imundície, ou seja, que não pode justificar (não prestam para vestes). Todos que comparecerem diante de Deus no Grande Tribunal do Trono Branco estarão como nus, visto que não poderão cobrir a nudez com suas obras ( Is 59:6 ).

A queda da humanidade em Adão trouxe condenação, separação, destituição da glória de Deus, ou seja, todos os homens pecaram. Isto porque a humanidade ‘entra’ por uma porta larga, que é Adão, e passa a trilhar um caminho espaçoso que conduz à perdição. Como sabemos, há somente dois caminhos, um de perdição e outro de salvação, e os homens que entraram por Adão terá um destino segundo ao caminho que trilham “…e faz a cada um segundo o seu caminho ( Jr 32:19 ; Jó 34:11 )

As obras dos homens por serem destituídos da glória de Deus também ficaram comprometidas, pois as suas obras deixaram de ser feitas em Deus ( Jo 3:19 ). Quando o homem não está em Deus, conseqüentemente as suas obras não são feitas n’Ele. Por este motivo, os homens religiosos que confiam em suas ‘boas’ obras (ações) rejeitaram a Cristo, pois não compreendem que as suas obras más.

O que os homens sem Deus ignoram hoje, Deus haverá de revelar diante do Trono Branco, pois lá serão informados o quão reprováveis são as suas obras porque não foram realizadas em Deus.

Por que as obras dos homens sem Deus são más? São más por causa da condenação em Adão. Ao desobedecer à determinação divina, a natureza de Adão deixou de ser santa, justa e boa. Adão passou à condição de reprovável, condenável diante de Deus, e, por conseqüência, todas as suas obras passaram a ser reprováveis.

A condenação de Adão passou a todos os homens, e por isso Paulo disse: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” ( Rm 5:12 ). A condenação decorrente de Adão comprometeu a natureza de toda humanidade, e, por conseguinte, todas as obras dos homens passaram a ser segundo a sua natureza: obras más.

Sobre este aspecto Jesus comparou os homens com as árvores: “Colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Do mesmo modo, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus” ( Mt 7:16 -17).

Ou seja, somente através do evangelho é possível cortar a má árvore. Para que o homem venha produzir frutos bons é preciso estar ligado em Cristo, a videira verdadeira. Todos que permanecem em Cristo dão muito fruto. Fruto segundo a Oliveira Verdadeira, fruto bons! Pois as ‘boas obras’ somente são feitas em Deus, que as preparou de ante mão ( Ef 2:10 ; Jo 3:21 ).

As obras dos homens serão reprovadas diante do Trono Branco por não terem sido feitas em Deus. Por não aceitarem a Cristo, a Oliveira Verdadeira, as obras daqueles que comparecerem perante o Grande Trono Branco será reprovada ( Jo 15:5 ).

A religiosidade, a moralidade, a legalidade, o formalismo não aprovará ninguém diante do Trono Branco. Mesmo a melhor religião será reprovada diante de Deus, ou seja, mesmo a religião que se aplica em visitar órfãs e viúvas haverá de ser rejeitada. A única religião pura e imaculada para com Deus, que livra o homem de comparecer diante do Trono Branco é o guardar-se incontaminado do mundo, condição que só é possível alcançar quando se está em Cristo ( Tg 1:27 ; 1Ts 5:23 ).

A moral, a justiça humana, o comportamento regrado, as esmolas, os sacrifícios, não aproveitará ao homem quando comparecer perante o Justo juiz. Deus livra da tentação os piedosos, ou seja, aqueles que estão salvos em Cristo, mas os injustos são reservados para o dia do juízo, quando receberão o veredicto acerca de suas obras e seguiram para a perdição eterna “Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados” ( 2Pe 2:9 ; Rm 2:6 ).

 

Por isso o apóstolo Paulo diz:

“(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação)” ( 2Co 6:2 ) (grifo nosso)

No último dia, perante o Trono Branco, o homem não será aceito diante de Deus, pois hoje é o tempo aceitável, o dia de salvação.




O Arrependimento

O arrependimento bíblico não se constitui em uma mudança de atitude promovida pela consciência humana. Uma vida integra diante dos homens diz de outro aspecto da vida cristã, e não do arrependimento promovido pelo evangelho. O verdadeiro arrependimento diz de uma mudança na concepção (metanóia), ou seja, uma mudança na maneira de pensar sobre como o homem alcança a salvação de Deus.


O Arrependimento

“E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão…” ( Mt 3:9 )

Para alcançar a salvação em Cristo foi necessário uma grande mudança (radical) na sua maneira de pensar e, essa mudança se deu quando você ouviu a mensagem do evangelho e creu em Cristo. O evangelho é boas novas que produz uma transformação radical na maneira de compreender a salvação. Essa mudança radical na maneira de pensar que o evangelho estabelece no homem que estava sem Deus é nomeada na Bíblia de ARREPENDIMENTO. Arrependimento é mudança de concepção, de conceito, acerca de como o homem alcança a salvação de Deus.

Muitos escribas e fariseus vinham ao batismo de João Batista, porém, mesmo após serem batizados, continuavam declarando que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. João Batista observou por meio daquilo que professavam que eles não tiveram um arrependimento genuíno “E não penseis que basta dizer: temos por pai a Abraão” ( Mt 3:9 ). Era preciso aos escribas e fariseus arrependerem-se de seus conceitos errôneos acerca de como ser salvo, ou seja, de como ser filho de Deus. João Batista é enfático, pois até mesmo das pedras Deus tem poder para fazer filhos a Abraão, ou seja, de fazer (criar) filhos para Si.

Qual é a sua concepção acerca da salvação? Você já se arrependeu de fato? Você está produzindo frutos dignos de Arrependimento?

Para você responder e verificar se já alcançou o arrependimento genuíno, note o seguinte:

a) Todos os homens já se arrependeram de algo errado que fizeram no decurso de sua vida. Arrependem-se de seus erros, atitudes, decisões, etc. Porém, é este tipo de arrependimento que concede Salvação?

b) Uma pessoa que vivia uma vida dissoluta, de crimes, promiscuidades e mentiras, mas que, ao arrepender-se dos erros cometidos (atitudes) e passa a morar em um mosteiro, alcançou o arrependimento genuíno?

c) Um cidadão que se dedica a viver uma vida regrada na sociedade, religioso, e que ao cometer um ato ilícito ou errôneo, e sente profunda tristeza pelo seu ato, alcançou o verdadeiro arrependimento?

Não! Não são estes tipos de arrependimentos que descrevemos acima que João Batista recomendou! Este arrependimento promovido pela consciência humana é o que a Bíblia denomina de arrependimentos de obras mortas.

O arrependimento bíblico não se constitui em uma mudança de atitude promovida pela consciência humana. A vida de integridade diante dos homens diz de outro aspecto da vida cristã.

O verdadeiro arrependimento diz de uma mudança na concepção, ou seja, na maneira de pensar sobre como alcançar a salvação de Deus.

Para os fariseus e escribas não bastava presumir que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão” Mt 3: 9. Para o Jovem Rico não bastava cumprir a lei ou fazer algo pela salvação “Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?” (Mateus 19: 16). Para Nicodemos não bastava ser juiz, mestre, fariseus, judeu, etc. “Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus ” ( Jo 3:1 ).

O apóstolo Pedro, ao falar do arrependimento, exortou os judeus a mudarem de pensamento, mudarem de ponto de vista a respeito do Cristo que crucificaram. Somente após os judeus crerem em Cristo como Senhor estariam de fato arrependidos ( At 2:38 ).

Observe que João Batista não repreendeu aos fariseus e escribas sobre erros que eles houvessem cometido. Antes, deveriam se arrepender porque, ou seja, por causa da proximidade do Reino de Deus, que é Cristo entre os homens “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:1 -2).

A missão de João Batista era essa: a de preparar o caminho do Senhor, ou seja, apregoar aos homens que eles precisavam abandonar a concepção deles de como ser salvo, e receber a Cristo.

Certa feita Jesus repreendeu alguns discípulos que não tiveram o arrependimento genuíno. Observe que estes discípulos criam em Cristo, porém, estavam confiados que eram salvos por serem descendentes de Abraão. Eles ainda não haviam tido um arrependimento genuíno, uma vez que continuavam presos à antiga concepção de como alcançar a salvação de Deus.

“Disse Jesus aos judeus que criam nele: Se permanecerdes no meu ensino, verdadeiramente sereis o meus discípulos. Então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Responderam eles: somos descendentes de Abraão, e jamais fomos escravos de ninguém” ( Jo 8:11 -34).

Aqueles judeus não haviam se arrependido. Eles eram simples seguidores de Cristo, por causa de pão, milagres, de um rei, etc. Mas, ao serem arguidos que, para serem verdadeiros discípulos era preciso conhecer a verdade, ou seja, abandonar a ignorância do pecado (arrependimento), evidenciaram qual era a concepção deles acerca da salvação: estavam confiados em uma presunção própria, a de que eram descendentes de Abraão.

Os seguidores de Cristo (os judeus que criam n’Ele) estavam na mesma condição dos escribas e fariseus que foram ao batismo de João Batista: estavam confiados que a salvação era proveniente da geração (descendência) de Abraão ( Mt 3:9 ) compare com ( Jo 8:33 ).

Portanto, se você creu em Cristo como o seu único e suficiente salvador, e abandonou a concepção antiga de que era preciso sacrifícios, orações, castigos, origens, esmolas, religião, etc, para ser salvo, você alcançou o arrependimento genuíno. Você se arrependeu de fato, houve uma mudança de pensamento decorrente do conhecimento do evangelho que o libertou da ignorância do pecado.

Por você ter se arrependido genuinamente, agora, ao professar o nome de Cristo como único salvador, estais produzindo o fruto digno do arrependimento, ou seja, o fruto dos lábios que professam a Cristo como Senhor ( At 4:12 ; Hb 13:15 ).

Um erro sobre o arrependimento surge da má interpretação do versículo: “Produzi frutos dignos de Arrependimento” ( Jo 3:8 ), quando inferem que ‘frutos dignos de arrependimento’ refere-se ao comportamento humano. Perceba que o fruto a que João Batista referiu diz daquilo que o homem professa acerca de como se alcança a salvação, uma vez que, em seguida ele trata da presunção dos fariseus e escribas.

Por que aquilo que uma pessoa professa (fruto) evidência se ela se arrependeu ou não? Porque o comportamento é algo externo, que não evidência o que está no coração do homem. Observe que os falsos profetas vêm disfarçados de ovelhas (comportamento), mas interiormente são lobos devoradores, e somente pelos seus frutos (o que professam) é possível conhecê-los ( Mt 7:15 -16).

Perguntas e Respostas:

1) Qual o pensamento dos escribas e fariseus sobre como alcançar a salvação? ( Mt 3:9 )
R. Pensavam que bastava ser descendente de Abraão (filho na carne) para alcançar a filiação divina.

2) Cite quatro exemplos de ‘arrependimento’ que não promove salvação:
R. Arrepender-se de uma briga com o esposo; arrepender-se de comportar-se mal na escola; arrepender-se de não tomar uma decisão importante na vida; arrepender-se por ter omitido ajuda a alguém.

3) O que é arrependimento para salvação?
R. Abandonar os conceitos antigos sobre como alcançar a salvação e aceitar a doutrina de Cristo.

4) O que o jovem rico pensava ser necessário para ser salvo?
R. Fazer algum ‘bem’ para Deus.

5) Qual o conselho de Pedro para os judeus que crucificaram o Senhor Jesus?
R. Arrependei-vos, ou seja, abandonem os conceitos concernentes a filiação segundo a carne de Abraão e a lei de Moisés, e sejam batizados em nome de Jesus ( At 2:38 ).

6) Qual o conselho que João Batista deu aos escribas e fariseus para serem salvos?
R. Não penseis que basta dizer: temos por Pai Abraão. Arrependei-vos, ou seja, abandonem este conceito!

7) Como o crente genuíno produz fruto digno de arrependimento?
Professando Jesus como Senhor de sua vida conforme a verdade contida na Bíblia.