As doutrinas de João Calvino e Jacó Armínio

As doutrinas Calvinista e Arminianista estão equivocadas, pois ambas acreditam que Deus elegeu e predestinou alguns homens para a salvação.


As doutrinas de João Calvino e Jacó Armínio

Introdução

Analisaremos os cinco pontos segundo as perspectivas das doutrinas Calvinista e Arminianista, mas antes, faz-se necessário destacar que os cinco pontos da doutrina calvinista como conhecemos foram formulados pelo Sínodo de Dort, pontos estes destacados da doutrina defendida por João Calvino.

O Sínodo foi convocado pelos estados gerais da Holanda e composto por 84 teólogos e 18 representantes seculares, para debaterem os ensinamentos de Armínio, que fez objeções à Confissão de Fé Belga.

Os Cinco Pontos do Calvinismo foram formulados em resposta a um documento apresentado ao Estado da Holanda pelos discípulos de Jacob Hermann, um professor de um seminário holandês, e esse documento ficou conhecido na história como ‘Remonstrance’ ou ‘Protesto’.

A ‘Remonstrance’ possuía cinco pontos principais, conhecidos como “Os Cinco Pontos do Arminianismo”, e em resposta a estas cinco questões principais, o Sínodo de Dort elaborou o que passou a ser denominado “Os Cinco Pontos do Calvinismo”.

 

Os cinco Pontos em debate

Arminianismo Calvinismo
Vontade Livre Total Depravação
Eleição Condicional Eleição Incondicional
Expiação Universal Expiação Limitada
A Graça pode ser Impedida Graça Irresistível
O Homem pode Cair da Graça Perseverança dos Santos

 

Com relação ao evangelho, os alunos de Armínio alegaram que a vontade do homem é ‘livre’ para escolher, ou a palavra de Deus, ou a palavra de Satanás, e o Sínodo de Dort concluiu que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente para receber o evangelho, dependendo, portanto, da uma obra de Deus, que vivifica o homem habilitando a crer em Cristo.

Em ambos os seguimentos doutrinários há equívocos, mas o Calvinismo, neste ponto, é mais pernicioso que o Arminianismo.

Para compreender a essência dos erros destes dois seguimentos teológicos, se faz uma pequena análise da ofensa e condenação de Adão, consequentemente, da obediência e salvação em Cristo, o último Adão.

Vê-se nos argumentos apresentados durante a Reforma Protestante que os teólogos à época interpretavam a Bíblia com base em uma dualidade: Deus ‘versus’ Satanás, entretanto, a Bíblia deve ser interpretada tendo por base dois Adão (homens): Adão e Cristo.

 

Vontade Livre ‘versus’ Total Depravação

O apóstolo Paulo analisou as questões da perdição e da salvação nos seguintes termos:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5:18 -19).

A ofensa de Adão estabeleceu o juízo, e todos os homens foram condenados, por outro lado, com um só ato de justiça, a graça foi concedida sobre todos os homens, ou seja, sem distinção alguma de nação, tribo ou língua.

Em Adão a humanidade já foi julgada e apenda com a morte, em Cristo há salvação poderosa, de modo que por uma substituição de ato, obediência pela desobediência, muitos são feitos justos.

O primeiro equívoco do Arminianismo é afirma que a vontade do homem é livre para escolher, ou a palavra de Deus, ou a de Satanás.

Analisando o Éden, a vontade de Adão era livre caso se decidisse desobedecer a Deus. A palavra de Satanás à Eva não vem ao caso, visto que Adão recebeu mandamento diretamente de Deus, e cabia a Ele como a cabeça do corpo obedecer a Deus, tanto que o casal somente descobriu que estava nu quando Adão tomou do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e comeu.

A ofensa só se consumou quando Adão comeu do fruto, e assim, com a contaminação da cabeça (Adão), o corpo (casal) se perdeu por completo.

Por causa da ofensa, todos os descendentes de Adão foram vendidos ao pecado como escravos, de modo que todos os descendentes de Adão quando entram no mundo, já entram na condição de escravos do pecado.

Em razão da ofensa, o nascimento natural, pelo qual vêm todos os homens ao mundo, tornou-se a porta larga. Ao abrir a madre, todos os homens entram no mundo sob condenação, mesmo não tendo feito escolha ou decisão alguma, e estão em um caminho largo que os conduz à morte.

Para serem salvo, Deus enviou o seu Filho Unigênito na condição de último Adão, e Ele é a porta estreita pela qual os homens devem se decidir entrar, ou seja, novo nascimento para que possam trilhar um caminho estreito que os conduzirá a Deus.

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.” (1 Coríntios 15:45).

Hoje, o homem está no pecado porque entrou no mundo por Adão, a porta larga, e permanece neste estado sem tem feito uma escolha ou decisão, e não há uma palavra de Satanás anunciada no mundo que faz o homem ser conduzido à perdição, e sim, o caminho largo é o único meio que conduz o homem à perdição.

O homem antes da queda, e depois da queda, apesar de escravo do pecado, possui a vontade livre, mas não há a tal escolha entre a palavra de Deus e a palavra de Satanás.

A conclusão de que a salvação depende, portanto, ‘da obra de sua fé’ é outro equivoco completo, tendo em vista que não compreenderam a essência do termo ‘obra’, e nem a natureza do termo ‘fé’.

A salvação decorre de Cristo, a ‘fé’ manifesta, e que foi dada aos santos (Gálatas 3:23; Judas 1:3). Nesse sentido o termo ‘fé’, significa mensagem, verdade, querigma, doutrina, etc., de modo que a fé é anunciada, pregada aos homens (Gálatas 3:2), ao que se dá o nome de fé mutua (Romanos 1:12).

‘Sua fé’ é algo pessoal, no sentido de acreditar, crer, ter convicção, algo pertinente ao home, diferente da fé como dom de Deus, que é Cristo, a verdade anunciada.

Outra questão está relacionada ao termo ‘obra’, que devido ao trabalho de Lutero, acabou demonizada. Martinho Lutero apresentou a fé, no sentido de crer, como essencial à salvação, contrapondo a fé às exigências católicas das indulgencias para salvação, ao que se deu o nome obras.

Com o trabalho de Lutero, a essência do termo ‘obra’ perdeu-se, sendo que o termo era muito utilizado em meio à comunidade judaica à época de Jesus, principalmente nas relações senhor e servo, significando o resultado da obediência a um mandamento.

A obra só acontecia quando havia mandamento de um lado, e obediência do outro. Aristóteles bem apresenta o significado do termo à época:

“… existe uma obra, desde que haja comando de uma parte e de outra, obediência” (ARISTÓTELES, 2011, p. 25);

“… um ser que ordena e um ser que obedece” (ARISTÓTELES, op. cit., p. 20);

Crer em Cristo é uma obra? Conforme Jesus disse, sim!

“Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” (João 6:29).

Crer em Cristo é a obra da fé, pois a fé anunciada aos homens constitui-se mandamento de Deus que os homens devem obedecer para serem salvos.

“Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,” (1 Tessalonicenses 1:3).

Portanto, a salvação depende da obra da fé, que é crer no enviado de Deus, e não da obra da sua fé, que é a crença divorciada do mandamento de Deus, como indulgências, sacrifícios, esmolas, etc. A salvação é por meio do dom de Deus, a fé pela qual o justo viverá, ou seja, a palavra que sai da boca de Deus (Deuteronômio 8:3; Habacuque 2:4).

Os Arminianistas não souberam diferenciar a fé que é anunciada a todos os homens sem distinção alguma, da fé que se refere à crença dos homens.

“Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.” (Romanos 1:8)

A proposta da Vontade Livre é a essência da Bíblia, porém, a defesa formulada pelos Arminianista, equivocada.

Já o argumento da Depravação Total instituída no Sínodo de Dort é totalmente equivocada.

A Bíblia apresenta o homem como escravo do pecado, e não como escravo de Satanás. A morte é o que prendia o homens, sujeitando-os à servidão (Hebreus 2:15), de modo que a condição de pecado era determinada pela imposição (aguilhão) da morte decorrente da ofensa de Adão (1 Coríntios 15:56).

O homem pode exercer a sua vontade livremente, mas o que o torna ligado ao pecado é a lei, assim como a mulher quando ligada ao marido pela lei, e não a sua vontade livre (Romanos 7:1 -3).

Enquanto o homem viver para lei que diz: ‘certamente morrerás’, estará ligado ao pecado pela lei, pois a lei é à força do pecado. A vontade livre do homem não o livra do pecado, e sim, a sua morte para a lei. O problema do homem sob o domínio do pecado não está na sua livre vontade, mas na lei que o mantém ligado ao pecado.

“Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” (1 Coríntios 15:56).

O homem depende do mandamento de Deus para salvar-se (Salmo 71:3), e o evangelho é mandamento: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento.” (1 João 3:23), e quando o homem crê, a obra de Deus é realizada (João 6:29).

Enquanto a Bíblia enfatiza que a obra de Deus é o homem crer em Cristo, o Calvinismo apregoa que a obra de Deus é vivificar o homem para que seja habilitado a crer em Cristo.

Tem-se no conceito da Depravação Total três equívocos:

  1. a) o homem é escravo do pecado;
  2. b) é incapaz de exercer a sua própria vontade livremente, e;
  3. c) depende da obra de Deus para que possa crer.

 

Eleição Condicional versus Eleição Incondicional

Para os Arminianista a eleição é condicional, vez que acreditam que Deus escolheu aqueles que ‘pré-conheceu’. ‘Pré-conhecer’, na concepção Arminianista, é Deus saber antecipadamente quem haverá de aceitar a salvação, e assim escolhe-los, de modo que a escolha de Deus estaria condicionada a uma resposta prevista por Deus.

Os calvinistas, por sua vez, acreditam que o pré-conhecimento de Deus está relacionado ao Seu propósito ou plano, e decorre da livre vontade de Deus, sem qualquer cooperação do homem.

A doutrina calvinista da Eleição Incondicional é equivocada na sua essência, e os Arminianistas, acabaram sendo induzidos a outro erro, ao contraporem os calvinistas.

Os equívocos decorrem por três motivos:

  1. não sabem qual é o propósito eterno de Deus;
  2. desconhecem o que é ‘pré-conhecer’;
  3. desconhecem o objetivo da eleição.

Na Bíblia o proposito eterno de Deus refere-se a congregar em Cristo todas as coisas, de modo que Ele seja Primogênito entre muitos irmãos e mais elevado do que os reis da terra (Efésios 1:10; Efésios 3:11; Salmo 89:27), o Calvinismo entende que o propósito eterno de Deus é a salvação do homem.

O proposito eterno de Deus não é a salvação do homem, pois há um tempo determinado para findar a oportunidade de salvação dos homens. Como há um tempo determinado para findar a oportunidade de salvação, salvar não é o propósito eterno.

Como o proposito de Deus é eterno e, somente Deus é eterno, o propósito d’Ele foi estabelecido n’Ele mesmo, em Cristo. Para realizar o Seu propósito, Deus introduziria no mundo o seu Filho Unigênito, de modo que, quando retornasse à sua glória, alçasse a posição de Primogênito entre muitos irmãos.

Em função do propósito eterno estabelecido em Cristo, Deus criou o homem. Como o proposito de Deus foi estabelecido em Cristo, o eleito de Deus, na criação do homem havia duas alternativas:

  1. se o homem não se corrompesse, o propósito de Deus estaria firme, e;
  2. como o homem se corrompeu, o propósito de Deus permaneceu firme.

Por que o propósito permaneceu firme? Porque o propósito de Deus não se fundamenta em obras, antes n’Ele que chama.

Com a ofensa de Adão, os homens firam em uma condição imprópria para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo, que é fazê-lo primogênito entre muitos irmãos, embora ainda fosse possível fazê-lo o mais elevado do que os reis da terra.

Para introduzir o Seu Filho Unigênito no mundo, Deus elegeu a descendência de Abraão, e, na plenitude dos tempos, o Cristo veio ao mundo como o último Adão (1 Coríntios 15:45). Através de Cristo, o último Adão, todo aquele que crê conforme as Escrituras são crucificados, mortos e sepultados com Cristo, tornando-se livre da lei do pecado e da morte (Romanos 8:2).

Após ser morto e sepultado com Cristo, o homem que estava morto para Deus em delitos e pecados, ressurge com Cristo uma nova criatura, criada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4:24).

Essa nova criatura gerada segundo a semente incorruptível do evangelho torna-se uma com o Pai e o Filho (João 17:21), de modo que o homem ‘conhece’ a Deus, ou antes é ‘conhecido’ d’Ele.

“Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gálatas 4:9).

O crente em Cristo é membro do corpo de Cristo, portanto, ‘conhece’ a Cristo, ou seja, se fez um só corpo com Ele. Somente os que são um só corpo com Cristo, ou seja, que conheceram a Deus, são eleitos para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

‘Estar em Cristo’ é o que concede salvação, pois não há nenhuma condenação para os que são novas criaturas (Romanos 8:1; 2 Coríntios 5:17). Concomitantemente, por estar em Cristo, o crente é eleito para ser santo e irrepreensível diante de Deus.

O termo grego προγινοσ[1] (proginosko), geralmente traduzido por ‘ter conhecimento de antemão, prever, daqueles que Deus elegeu para a salvação, predestinar’, possui uma ideia que é desprezada: estar unido (conhecendo[2]) a Deus de antemão.

Quando lemos em Romanos 8, verso 29: “Porque os que dantes conheceu…”, a ideia em pauta diz daqueles que anteriormente ‘se tornaram um com o Pai e o Filho…’, diferentemente da a ideia equivocada de que Deus anteviu o futuro para eleger ou predestinar.

Qualquer que ama a Deus é ‘conhecido’ de Deus, não no sentido de pré-conhecer, mas no sentido de se tornar um com Ele. É conhecido de Deus quem ‘dantes’ amou a Deus!

“Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele.” (1 Coríntios 8:3).

É equivocada a ideia de que Deus antevê o futuro, conforme alegam através da malograda ideia de que Deus é ‘presciente’. Na verdade, Deus é onisciente, ou seja, conhecedor de todas as coisas, quer do passado, presente ou futuro, de modo que, a concepção da presciência não é um atributo divino.

A ideia defendida em Romanos 8, verso 29, é diferente da ideia contida em primeira Pedro 1, verso 2: “Eleitos segundo a presciência[3] de Deus Pai…”, pois este verso apresenta a ‘presciência’ como a profecia, ou o prognóstico das Escrituras (Atos 2:23), e aquele apresenta a ideia de conhecer previamente, no sentido de se faze um com o Pai e o Filho (Gálatas 4:9).

Considerando a concepção calvinista da soberania de Deus para a salvação, a eleição visa o propósito eterno de Deus estabelecido em Cristo, e não a salvação do homem. A salvação do homem em Cristo, quando se torna um com o Pai e o Filho, é o que torna o homem eleito para ser participante do proposito eterno, que é a preeminência de Cristo em todas as coisas.

A salvação se da pela pregação do evangelho, pois no evangelho está o poder de Deus para redenção do homem. Após ser salvo por intermédio do evangelho, o novo homem por estar em Cristo (conhecer), está apto ao propósito eterno. Nesse sentido a eleição é condicional.

Ao contestar o calvinismo, os Arminianistas além de abraçarem a premissa equivocada de que a eleição possui relação com a salvação, e não considerarem nas Escrituras a questão do propósito eterno, somente substituiu a ideia calvinista da salvação segundo a soberania de Deus pela ideia da salvação segundo a presciência de Deus.

Nem os calvinistas nem os Arminianistas consideraram a eleição tendo em vista o propósito eterno de Deus, antes ambos consideraram a eleição visando à salvação do homem, sendo que um sistema doutrinário aponta para a soberania de Deus e o outro para uma presciência que não é atributo de Deus, mas uma profecia de Deus dada ao homem.

 

Expiação Universal versus Expiação Limitada

A concepção da expiação universal é equivocada, bem como a concepção da expiação limitada.

Quando lemos João 3, verso 16, temos a seguinte declaração:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).

Jesus expôs a Nicodemos que, ao enviar o Seu Filho ao mundo, Deus não fez acepção de pessoas, pois Ele amou o mundo. Embora Deus tenha entregado o seu Filho ao mundo, só obtém vida eterna todo aquele que crê em Cristo.

A expressão ‘todo aquele’ é inclusiva, significando ‘qualquer que’. Por causa do amor de Deus o mundo todo foi agraciado com a vinda do Seu Filho unigênito, porém, a salvação eterna está ao alcance somente dos que creem em Cristo.

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” (Tito 2:11).

Cristo é a graça de Deus manifesta, e por meio dele qualquer homem, independentemente de tribo, nação ou língua, pode alcançar a salvação.

A proposta de Deus ao entregar o Seu Filho ao mundo é salvar os que creem pela loucura da pregação:

“Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” (I Coríntios 1:21).

O homem só conhece a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele, depois que ouve a palavra da verdade, o evangelho da salvação e crê.

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” (Efésios 1:13).

Essa mesma verdade é exposta em outras palavras pelo irmão Tiago, quando ele enfatiza que os cristãos são gerados de novo pela palavra da verdade (Tiago 1:18), e que, portanto, deveriam recebe-la com mansidão, visto que pode para salvar almas (Tiago 1:21). Receber a palavra é o mesmo que ser cumpridor da palavra, diferente do ouvinte esquecido, que não cumpre. Só é bem-aventurado aquele que atenta para o evangelho, à lei perfeita da liberdade, e é perseverante, portanto, uma fazedor da obra (Tiago 1:25 e Tiago 1:4).

Certo é que Cristo morreu, mas não para salvar algumas pessoas em particular ou determinadas, antes ele morreu para salvar a todos quantos crerem.

O erro do Calvinismo é entender que Deus, na eternidade, deu ao Filho pessoas em pecado determinadas para serem salvas, sendo que na eternidade Deus estabeleceu que os que fossem gerados de novo, pela palavra da verdade, seriam como primícias das suas criaturas. As primícias é que pertencem a Cristo, pois são os eleitos de Deus para esse propósito.

Deus não elegeu pessoas determinadas, antes elegeu uma geração: a geração de Cristo. Todos os que são nascidos da semente incorruptível, que é o evangelho, fazem parte da geração eleita, povo adquirido, portanto, primícias de todas as criaturas de Deus, para o seu eterno proposito: a preeminência de Cristo.

Para a salvação em Cristo é imprescindível que o homem ouça a verdade do evangelho, pois no evangelho está o poder para a salvação, e então, crer que Jesus é o Cristo.

 

A Graça pode ser Impedida versus Graça Irresistível

Em primeiro lugar, como a graça de Deus é Cristo, e Ele trouxe salvação a todos os homens, verifica-se que não houve impedimento algum quanto à manifestação da graça de Deus.

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” (Tito 2:11).

Em segundo lugar, Deus quer que todos os homens se salvem,  e para isso e necessário que venham ao conhecimento da verdade do evangelho, pois sem crer no Evangelho não há salvação.

“Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:4).

Assim como Adão sendo livre do pecado pode rejeitar o mandamento de Deus, homem o homem no pecado pode rejeitar o mandamento de Deus que há no evangelho.

Há algumas correções no posicionamento Arminianista a ser observado, vez que o Espírito Santo não tem a missão de levar os homens a Cristo, antes é Cristo que foi enviado como mediador para conduzir os homens a Deus. A missão do Espírito Santo é guiar o crente a toda verdade, diferente da ideia de que o Espírito Santo conduz o homem a Cristo (João 16:13).

Outro equivoco é entender que a vontade de Deus está amarrada à vontade do homem. Deus quer que todos os homens se salvem, diferentemente do Seu propósito, que não fica somente no Seu querer, antes Deus faz tudo o que lhe apraz para levar a efeito a preeminência de Cristo.

Em certo aspecto a teoria Arminianista, de que Deus concede a sua graça é verdadeira, pois se Deus não tomasse a iniciativa de enviar o seu Filho ao mundo ninguém seria salvo. A graça de Deus não induz o homem a crer n’Ele, e nem altera a sua natureza para que possa crer. Crer é capacidade inerente à natureza do homem.

O equivoco está em considerar que a fé é resultado da cooperação de Deus e do homem, o que denominam sinergismo. A fé é dom de Deus, pois se refere a Cristo, o tema da mensagem do evangelho. Mas, como a mensagem do evangelho, a fé entregue aos santos é firme, e Deus é fiel, poderoso e imutável para cumprir oque prometeu, resta ao homem confiar n’Ele, de modo que a crença do homem decorre da fé anunciada.

Quando alguém rejeita o convite do evangelho, não está resistindo o Espírito Santo de Deus como se fosse um oponente à altura, na verdade rejeitou a palavra de Cristo, que é espírito e vida. A mensagem do evangelho é espirito, concedido pela pregação da fé (Gálatas 3:2), e não podemos confundir a mensagem que é espírito, com a pessoa do Espírito Santo, como o fazem os Calvinistas.

Os Calvinistas, por sua vez, alegam que a graça de Deus não pode ser resistida pelo homem, vez que, aqueles que Deus escolheu e predestinou para serem salvos através da sua soberania, são agraciados com o dom da vida, a regeneração, o que os habilita a crer no evangelho, o que denominam monergismo.

Deste modo, os Calvinistas alegam que Deus não ignora a vontade do indivíduo suplantando-a, antes muda a orientação da sua vontade, concedendo-lhe uma graça superveniente.

Ora, considerando o posicionamento Calvinista de que é necessário o homem ser regenerado para que seja habilitado a crer, e assim, poder responder ao evangelho, crendo e ser salvo, segue-se que tal colocação é demasiadamente equivocada, pois desconsidera a verdade de que o homem morto em delitos e pecados, antes de ressurgir com Cristo, tem que ser crucificado, morrer e ser sepultado.

Dai a pergunta: Por que Deus concederia uma graça especial a um morto que, logo em seguida, tem que ser morto e sepultado? Tal proposta é descabida. O homem no pecado está morto para Deus, porém, vivo para a lei do pecado e da morte, e mesmo nessa condição a sua vontade é livre para decidir ouvir a voz do Filho de Deus (João 5:25).

O que retém o homem nessa condição é o medo da morte (Hebreus 2:16), mas quando lhe é anunciado a verdade do evangelho, em que o homem é informado que se crer em Cristo se conforma com Ele em sua morte, sendo crucificado, morto e sepultado, de modo que ressurgirá uma nova criatura para a glória de Deus Pai, como não atentar para tão grande salvação?

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;” (Hebreus 2:3).

As questões que envolvem a graça de Deus são diferentes das questões que envolvem o propósito eterno de Deus. Enquanto com relação a graça o homem é livre para aceitar a mensagem da cruz, crendo em Cristo, com relação ao propósito eterno de Deus, que é Cristo preeminente sobre todas as coisas, todos que creem em Cristo são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo.

Com relação ao propósito eterno o homem não tem com exercer escolha: se creu em Cristo, não terá outro destino a não ser conforme a imagem de Cristo, pois é assim que Ele é feito primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele. Observe que a predestinação é para ser conforme a imagem de Cristo, e não para ser salvo, pois a salvação é por meio do evangelho.

 

O Homem pode Cair da Graça versus Perseverança dos Santos

As questões da perda da salvação e da perseverança dos santos decorrem de questões lógicas, tanto no Calvinismo quanto no Arminianismo.

Como o Arminianismo não crê na predestinação para salvação segundo a soberania, mas numa predestinação segundo a presciência, logo, quem exerceu a livre vontade e creu, a qualquer momento, ante um vento de doutrina, pode deixar de crer ou passar a outro evangelho, como estava passando os cristãos da Galácia.

O Calvinismo, por sua vez, como crê na predestinação para a salvação segundo a soberania de Deus, sustenta que não perderá a salvação por ser decorrente de uma eleição e predestinação. Neste ponto, por mais absurdo que pareça ao Calvinismo manter a lógica, tiveram que abraça-la, para não fazerem ruir a concepção teológica.

Deus começou a sua boa obra nos que creem concedendo um mandamento como Senhor, o evangelho, e é certo que Ele a aperfeiçoará até o dia de Cristo, quando Ele se manifestará como a cabeça da igreja, o seu corpo, formado de irmãos semelhantes a Ele, sendo Ele o primogênito.

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” (Filipenses 1:6).

É Deus quem aperfeiçoa a Sua obra por Ela ser executada em Cristo, mas a perseverança é cuidado que fica a cargo dos que creem, e não uma obra que Deus realiza.

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” (Mateus 24:13).

Cabe ao cristão ter cuidado da doutrina e de si mesmo, perseverando nela, pois disto depende a salvação de quem crê dos que ouvem o evangelho.

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4:16).

A ideia da perseverança dos santos com apresentada pelo Calvinismo não é bíblica, pois cabe ao crente perseverar na doutrina para ter tanto o Pai como o Filho.

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.” (2 João 1:9).

O apóstolo Pedro se preocupava com aqueles que, sendo enganados, abandonassem a crença em Cristo.

“Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza;” (2 Pedro 3:17).

Os Calvinistas alegam que, caso alguém descaia, que o tal não era eleito e nem predestinado, pois se fosse, mesmo que abandone a verdade do evangelho, Deus o fará voltar porque está predestinado a ser salvo.

 

Eleição e predestinação para salvação

Conforme o exposto, a diferença crucial entre o Arminianismo e o Calvinismo se resume nas palavras soberania e livre-arbítrio. Enquanto os Calvinistas entendem que Deus opera a salvação na vida do homem conforme a sua livre e soberana vontade, os Arminianos salientam que o homem é capaz de por si só aceitar ou rejeitar a verdade do evangelho.

Entretanto, ambos os sistemas doutrinários estão equivocados, pois acreditam que Deus elegeu e predestinou alguns homens para a salvação, e a diferença entre ambos repousa em equívocos quanto à soberania e a presciência de Deus.

Primeiro porque Deus não salva ninguém porque escolheu ou predestinou, antes pela loucura da pregação. Deus elegeu e predestinou os que creem em Cristo para o seu propósito estabelecido em Cristo, e os salvos são chamados e predestinados a esse propósito, o que é completamente diferente da ideia de ser predestinado para a salvação.

Segundo, a concepção da presciência de Deus é equivocada, assim como a ideia construída sobre a soberania de Deus.

Deus não é presciente, antes é onisciente, vez que é onipresente. Ao revelar eventos futuros aos homens podemos falar em presciência, porém, Deus não precisa prever ou fazer prognóstico acerca do futuro, pois todas as coisas estão nuas e patentes aos seus olhos.

Quando dizemos que Deus é soberano, isto não quer dizer que Ele pode fazer o que quiser, mesmo tendo poder para tal. Deus é soberano por não haver quem olhe seja superior na ordem do universo, sendo Ele mesmo o criador de todas as cosias.

Mesmo sendo soberano, Deus não pode muitas coisas. Ele não pode mentir, negar a si mesmo, não cumprir a sua palavra, deixar de ser Deus, etc. Por causa da sua retidão e justiça, Deus não pode salvar quem quiser, vez que Ele sendo justo não pode justificar o ímpio. Entretanto, sendo justo e reto, Deus propôs exercer misericórdia aos que O obedecem, para que Ele seja justo e justificador dos que tem fé (creem) em Cristo.

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:26).

 

[1] “4267 προγινοσ κω proginosko de 4253 e 1097; TDNT – 1:715,119; v 1) ter conhecimento de antemão 2) prever 2a) daqueles que Deus elegeu para a salvação 3) predestinar” Dicionário bíblico Strong.

[2] “1097 γινωσ κω ginosko forma prolongada de um verbo primário; TDNT – 1:689,119; v 1) chegar a saber, vir a conhecer, obter conhecimento de, perceber, sentir 1a) tornar-se conhecido 2) conhecer, entender, perceber, ter conhecimento de 2a) entender 2b) saber 3) expressão idiomática judaica para relação sexual entre homem e mulher 4) tornar-se conhecido de, conhecer Sinônimos ver verbete 5825” Dicionário bíblico Strong.

[3] “4268 προγνω σις prognosis de 4267; TDNT – 1:715,119; n f 1) pre-conhecimento 2) presciência, prognóstico” Dicionário bíblico Strong.




Jesus veio salvar o que se havia perdido

A finalidade da predestinação é a primogenitura de Cristo, e não a salvação. O filhos de Israel segundo a carne que são salvos antes de Cristo e na grande Tribulação não fazem parte desta predestinação, não terão a imagem do Filho de Deus. Para Cristo ser o primogênito há a necessidade de existirem irmãos conforme a sua semelhança, por isso que assim como Ele é o veremos e seremos semelhantes a Ele ( 1Jo 3:2 ).


Jesus veio salvar o que se havia perdido

Ao ler o artigo “Questões sóbrias para aqueles que creem numa redenção universal ou expiação ilimitada” do Pr. Colin Maxwell[1], não me esquivei à oportunidade de tecer alguns comentários e responder alguns dos seus questionamentos.

Mas, antes de responder as ‘Questões sóbrias’ do Pr. Maxwell, segue uma breve exposição do que creio segundo as Escrituras.

 

Eleição e predestinação

Os crentes em Cristo Jesus, por fazerem parte do corpo de Cristo, que é a sua igreja, além da maravilhosa graça de terem alcançado a salvação gratuitamente, também foram chamados a fazer parte do eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo “… segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 ).

Deus introduziu o Seu Filho no mundo na condição de Unigênito, pois Ele foi o único homem concebido no ventre de uma virgem pelo poder do Espírito Santo ( Lc 1:35 ). Mas, ao ressuscitar o Seu Filho dentre os mortos, Cristo é declarado ‘primogênito’ entre muitos irmãos, pois todos que creem morrem com Cristo e ressurgem com Ele como filhos se Deus, uma nova criatura ( Cl 3:1 ).

Como o eterno propósito de Deus estabelecido na eternidade é constituir o Seu Filho primogênito entre muitos irmãos, todos quantos são salvos em Cristo Jesus através do evangelho foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo “… também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos( Rm 8:29 ).

O apóstolo Paulo deixa claro que o objetivo de predestinar os que ‘conheceram’ a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele é que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos ( Gl 4:9 ). Pela pregação da fé o homem ‘conhece’[2] a Deus, o que é impossível aos rudimentos fracos e pobres da lei ( Gl 3:2 com Gl 4:9 ).

Deus estabeleceu na eternidade (predestinou) que os membros do corpo de Cristo seriam conforme a imagem de Seu Filho por causa do beneplácito que propusera em Cristo: Ele será primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

A salvação difere da eleição e da predestinação quanto a finalidade. Enquanto a salvação diz da providência divina segundo as riquezas da graça de Deus que livra o homem da condenação estabelecida no Éden ( Ef 1:7 ), a eleição e a predestinação decorrem do conselho (beneplácito) da vontade de Deus, que é convergir na plenitude dos tempos todas as coisas em Cristo, e isso para louvor da Sua glória ( Ef 1:11 ).

Sem a salvação em Cristo é impossível ser eleito para o propósito de Deus que foi proposto em Cristo segundo o Seu beneplácito. É por isso que o apóstolo Paulo disse a Timóteo que Deus salva os crentes salva os crentes segundo o seu poder (evangelho) e que os chamou com santa vocação (eleição e predestinação).

O apóstolo Pedro ao falar da eleição aponta para uma geração: a geração eleita, ou seja, aqueles que foram gerados de novo através da semente incorruptível. Uma geração foi eleita, portanto a eleição não aponta para indivíduos “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pd 2:9 ).

Deus não elegeu e nem predestinou indivíduos para a salvação, antes Ele elegeu a geração de Cristo para serem santos e irrepreensíveis e os predestinou para serem conforme a imagem do Seu Filho, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

A salvação se dá no tempo que se chama hoje e o propósito eterno foi estabelecido antes de haver mundo (eternidade)! A eleição, segundo o propósito estabelecido em Cristo é anterior à salvação, porém, a vocação do crente para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo é posterior à salvação.

“Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:8 -9).

O apóstolo João destaca que os cristãos serão semelhantes a Cristo quando Ele se manifestar ( 1Jo 3:2 ), pois para isto foram predestinados a fim de que Jesus seja primogênito entre muitos irmãos.

 

Mundo

Quando é dito na Bíblia que Deus amou o mundo, certo é que o termo ‘mundo’ não se refere ao globo terrestre ou a sua fauna, visto que eles se reservam para o fogo. Quando é dito que Deus amou o mundo, o termo grego κόσμος, transliterado ‘kósmos’ foi empregado para fazer referência a todos habitantes do planeta terra.

Esta leitura do termo depreendemos do ‘Ide’ de Jesus aos seus discípulos. A mesma ordem foi registrada pelos evangelistas Mateus e Marcos, sendo que este registrou “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura ( Mc 16:15 ), e aquele registrou “Ide e fazei discípulos de todos os povos( Mt 28:19 ), o que demonstra que o termo grego κόσμος (mundo) deve ser lido com a conotação ‘de todos os povos’.

É no sentido de ‘povos’, e não de ‘extensão’ geográfica que o mesmo evangelho que estava com os cristãos em Colossos, estava se propagando pelo κόσμος (mundo) ( Cl 1:6 ).

No verso 23 do capítulo 1 de Colossenses, ao admoestar os cristãos a permanecerem firmes no evangelho (a não se afastar do evangelho que ouviram), o apóstolo Paulo enfatiza que o evangelho foi ‘proclamado’ a toda criatura debaixo do céu. ‘Toda criatura’ é um modo deixar evidente que a mensagem do evangelho não faz acepção de povo, língua ou nação ( Cl 1:23 ).

Agora, o mesmo termo ‘mundo’ quando empregado no contexto que se segue, possui outra conotação:

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo ( 1Jo 2:2 ).

O termo κόσμος (mundo) no verso acima não serve ao propósito de demonstrar que Deus não faz acepção de pessoas, antes é inclusivo, pois a propiciação em Cristo não era somente para os cristãos convertidos, mas pelos pecados de todo o mundo.

 

Pecadores

Por causa de uma só ofensa todos os homens ficaram sujeitos ao pecado, por isso a morte afetou todos os homens, de modo que todos são pecadores ( Rm 5:12 ; 15:21 -22).

Quando o apóstolo Paulo diz que o pecado entrou no ‘mundo’, o termo não tem a conotação de extensão geográfica, e sim de inclusão, indicando que o pecado afetou todos os homens sem distinção. Como os judeus se entendiam diferentes dos gentios, o termo ‘mundo’ foi utilizado para demonstrar que o pecado afetou judeus e gregos “Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” ( Rm 3:9 ).

Quando lemos o testemunho de João Batista acerca de Cristo, o Cordeio de Deus que tira o pecado do ‘mundo’, certo é que João Batista esta fazendo referencia aos profetas para demonstrar que aquele Jesus era o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra são benditas. Novamente verifica-se que o termo ‘mundo’ tem conotação inclusiva para indicar nações, povos e tribos de todas as línguas.

Todos os homens são pecadores, e Cristo veio salvar o que se havia perdido. A missão de Cristo é inclusiva e extensiva a todos os homens, até mesmo sobre aqueles que eram discriminados pelo seu próprio povo, como era o caso de Zaqueu, o publicano ( Lc 19:10 ).

Teria Cristo vindo salvar alguns que se perderam dentre muitos? Este não é o posicionamento das Escrituras, pois não há exceção: todo aquele que invocar o Senhor será salvo, visto que Deus quer que todos se salvem e que venham ao conhecimento da verdade ( 1Tm 2:4 ).

 

Resposta as indagações do Pr. Colin Maxwell

As respostas aqui apresentadas não possuem o condão de fomentar disputas teológicas, antes que cada cristão leia a Bíblia e medite nela.

Faz-se necessário deixar registrado que a visão bíblica é aquela que não acrescenta e nem diminui o conteúdo que há na Lei, nos Salmos e nos Profetas, porque foi isso que Cristo e os apóstolos fizeram: evidenciaram o cumprimento das Escrituras ( At 26:22 ; At 4:18 ; Lc 24:25 -27).

Como o Pr. Maxwell defende que o calvinismo deve ser difundido em suas ‘Questões sóbrias’, especificamente na de número 14, através da pergunta:

‘Você se refreia de crer na redenção particular por qualquer outra razão além do temor do homem?’, tenho que destacar que crer é algo de fórum íntimo, portanto, o pastor seria mais feliz se perguntasse se ‘você se refreia confessar a redenção particular por temor (medo) a homens’, porque quando creio, posso negar a crença e ninguém pode provar o contrário.

 

Crer em Cristo é suficiente

Respondendo a pergunta, devo afirmar segundo as Escrituras que, para alcançar a salvação em Cristo não é imprescindível confessar como se dá a redenção que Deus providenciou para a humanidade. Afinal, a redenção em Cristo é tão grandiosa que revela aos seres celestiais a multiforme sabedoria de Deus ( Ef 3:10 ).

Considerando que a redenção revela a multiforme sabedoria de Deus até aos seres celestiais, não podemos considerar que seja imprescindível para alcançar a salvação confessar como se dá a redenção ( Ef 2:2-3 e 4:17). As Escrituras afirmam categoricamente o que é necessário: confessar (admitir) que Jesus é o Senhor “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Quem evangeliza deve conhecer qual a esperança do salvo, quais as riquezas da glória da nossa herança e qual a excelente grandeza do poder de Deus sobre os que creem ( Ef 1:16 -20), mas ao evangelizar deve se ater a apresentar o Cristo, e este crucificado e ressurreto dentre os mortos.

O pastor insiste perguntando:

‘Se o temor do homem é a única razão (de não confessar a redenção particular), você não reconhece que isto no fim provará ser uma armadilha?’, o que me faz responder com outra pergunta: Se há predestinação para salvação, que armadilha pode haver em não confessar a redenção particular?

 

Crer na redenção particular ou em Cristo

Esta pergunta do pastor me levar a inferir que a intenção dele é afirmar que, saber como se dá a redenção: se particular ou universal, é garantia de salvação. Crer que Deus predestinou alguns para salvação é garantia da salvação? Ou melhor, seria garantia de predestinação? Se a garantia de salvação se encontra em Crer que o Senhor Jesus morreu por causa de nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, por que tanto empenho em convencer qual tipo de redenção crer? Por que perder tempo anunciando como se dá a redenção, se a salvação se alcança em crer em Cristo Jesus?

Devo lembrar aqui que crer que Jesus é o Senhor e confessar que Ele é ressurreto dentre os mortos é garantida de salvação, e nisto não há ‘armadilha’ alguma, porque Deus vela sobre a sua palavra para cumprir.

A seguir o Pr. Maxwell faz uma pergunta que mais parece uma espécie de chantagem emocional evocando o medo ao dizer:

“Você não pode conversar sobre e através das diferenças com aqueles que você teme, apontado o sucesso da pregação calvinista na história da igreja? (Provérbios 29:25)”.

 

A doutrina Calvinista é um sucesso?

Ao citar provérbios sem levar em consideração o contexto bíblico, depois de fazer sua pergunta, o pastor parece induzir ‘meninos’ em Cristo, aqueles que são suscetíveis a ventos de doutrinas, a conversar sobre a redenção particular e o sucesso da pregação calvinista, e não as Escrituras.

Por que intimidar o cristão para que converse sobre questões e sucesso da pregação calvinista, se a promessa bíblica é que não há mais nenhuma condenação para quem está em Cristo, e somos exortados a: conhecer qual a esperança dos santos, quais as riquezas da glória da nossa herança e qual a excelente grandeza do poder de Deus sobre os que creem ( Ef 1:16 -20), nada dizendo sobre se a redenção é geral ou particular?

O apóstolo João fez um alerta acerca da permanência em Cristo, mas o alerta não evoca medo e nem se apoia em chantagem emocional, como se lê:

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ).

A doutrina de Cristo que o apóstolo João faz referencia não se refere à pregação calvinista, mas ao mandamento que o Senhor Jesus deu, à saber: a ‘amar a Deus sobre todas as coisas’ crendo em Cristo, e ‘ao próximo como a si mesmo’ segundo o mandamento de Deus ( 1Jo 3:24 ).

Evoco o posicionamento do apóstolo Paulo:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 )

A Bíblia mostra que a graça de Deus se estende a todos os homens, assim como a ofensa de Adão trouxe juízo e condenação sobre todos os homens. Se admitirmos que o juízo de Deus veio sobre todos os homens para condenação sem exceção, também temos que admitir que a graça veio sobre todos os homens.

A condenação veio sobre todos os homens, porque ela é em função do nascimento natural segundo a carne de Adão. Mas, com relação à graça sobre todos os homens pela obediência de Cristo, só desfrutam dela aqueles que creem em Cristo conforme o poder que há no evangelho. A graça é poderosa para alcançar todos os homens sem exceção, pois a perdição foi para todos sem exceção!

“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” ( Rm 11:32 );

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo ( 1Jo 2:2 ).

Faço esta defesa do evangelho de Cristo por não temer qualquer posicionamento doutrinário, ou homem algum, pois devemos ter por lema: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade” ( 2Co 13:8 ).

Além do mais, o sucesso de qualquer agremiação ou tendência teológica não é selo de autenticidade doutrinária, por isso não me refreio em contestar o que se demonstra contrario às Escrituras mesmo que tenha atingido o sucesso.

Na questão de número 13[3], o Pr. Maxwell aponta a existência de calvinistas que ele desaprova. Na pergunta que contém muita argumentação, no afã de remover o que traz entrave à doutrina calvinista, o pastor lança descredito nos ‘hiper’ calvinistas por evidenciar que não há a necessidade de se evangelizar.

 

Evangelismo

No entanto, os ditos hiper calvinistas são ‘coerentes’ quando afirmam que não há necessidade de pregar quando se acredita na predestinação para a salvação. Segundo os hiper calvinista, se Deus só garante salvação para os eleitos segundo Sua soberania, exclui-se a necessidade de evangelizar.

Entendo que os hiper calvinista estão em extinção porque os demais calvinistas não sustentam o que afirmam. A recomendação de Tiago é: “Assim falai, e assim procedei, …” ( Tg 2:12 ), portanto, se a salvação decorre de uma predestinação, a pregação do evangelho fica sem finalidade. Uma característica de quem confessa a doutrina calvinista e defende a evangelização parece se amoldar muito bem ao alerta que o apostolo Paulo fez a Timóteo: “… Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” ( 1Tm 1:6 -7 ).

O cerne da questão não está na constatação de calvinistas que não recomendam evangelizar, e sim na essência do pensamento calvinista: por que evangelizar todos, se a salvação é para alguns escolhidos? Qual a necessidade de se evangelizar a todos, se a salvação é só dos eleitos? Se a salvação é só para alguns, porque o ‘ide’ de Jesus é para todos?

A energia que os não hiper calvinistas despendem para desqualificar a salvação ao alcance de todos deveria ser aplicada em encontrar argumentos que expliquem a necessidade de evangelismo considerando a lógica de sua doutrina, pois se de fato existe eleição e predestinação para a salvação, que se dê uma explicação plausível por que pregar o evangelho. Somente afirmar que também evangelizam não valida utilidade do evangelismo dentro da doutrina que anunciam.

Para defender o seu argumento, o Pr. Maxwell aponta na pergunta de n° 12 os pregadores George Whitefield e C. H. Spurgeon como os maiores evangelistas que já viveram. Volto a repetir, a postura desses homens e dos neo calvinistas não esclarece e nem valida a necessidade de evangelizar na doutrina calvinista.

Com relação à questão de n° 11:

“Você vê a redenção particular como estando em desvantagem quando se trata da livre oferta do evangelho? Tanto calvinistas como não calvinistas creem que o precioso sacrifício do Filho de Deus é suficiente para salvar o mundo, tanto os eleitos como os não eleitos – isto não remova qualquer senso de desvantagem?”;

Primeiro: ‘vantagem’ não é uma questão que se deva levar em conta quando o assunto é salvação. O que se deve considerar é a veracidade da palavra, e as palavras do artigo “Questões sóbrias…” se mostram duvidosas, porque enquanto aqui afirma que o precioso sacrifício de Jesus é suficiente para salvar o mundo todo, nas questões de número 02 e 03 argumenta contra esta mesma possibilidade dizendo:

“Cristo veio e morreu para salvar eficazmente homens ou apenas para fazer a salvação possível? Então, era teoricamente possível que Cristo falhou, no final das contas, no Seu propósito de Sua morte? Ele realmente verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará”, ou “Cristo está realmente satisfeito com o fruto do trabalho de Sua alma quando Ele vê Judas Iscariotes, (por quem, você insiste, Ele morreu, da mesma forma como por João e Pedro, etc.) indo para o próprio lugar onde teria sido melhor para ele nunca ter nascido? poderia morrer por pecados e ninguém ser salvo?”.

 

A redenção é falha?

O ‘ide’ de Jesus ao mundo como mandamento depõe contra a predestinação para a salvação. Ora, não encontramos termos como ‘redenção particular’ ou ‘redenção geral’ na Lei, Salmos, ou nos Profetas. A doutrina da redenção particular é incongruente com o evangelho de Cristo, porque quem nasce predestinado nunca esteve perdido, portanto, não precisa de salvação.

A Bíblia apresenta Jesus como salvador para todos que creem, sem distinção entre judeus e gregos, pois todos pecaram, e ainda afirma: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” ( Rm 11:32 ). Já o posicionamento calvinista afirma a existência de dois grupos de pessoas: as que foram predestinadas a serem salvas (o que significa que tais pessoas nunca estiveram perdidas), e outras que nascem predestinadas à perdição (nunca tiveram uma real oportunidade de salvação).

A eleição e a predestinação são, efetivamente, doutrinas bíblicas, porém não apontam diretamente para a salvação. A eleição aponta para Jesus, pois se dá em Cristo e a predestinação visa os que nascem de novo, ou seja, os crentes. Cristo é o eleito de Deus antes da fundação do mundo e todos que se tornam participantes do seu corpo crendo nele, foram predestinados para serem conforme a imagem de Cristo.

O apóstolo Paulo enfatiza que os cristãos foram predestinados para serem conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos. A finalidade da predestinação é a primogenitura de Cristo, e não a salvação. Os filhos de Israel segundo a carne que são salvos antes de Cristo e na grande Tribulação não fazem parte desta predestinação, não terão a imagem do Filho de Deus. Para Cristo ser o primogênito há a necessidade de existirem irmãos conforme a sua semelhança, por isso que assim como Ele é o veremos e seremos semelhantes a Ele ( 1Jo 3:2 ).

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conforme à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

A salvação é concedida aos homens que, por intermédio do evangelho conheceu a Deus, ou antes, foram conhecidos dele “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ). O homem conhece a Deus por intermédio do evangelho.

Conhecer aqui não é presciência, e sim ter comunhão íntima, participando de um só corpo e de um só espírito. Ora, primeiro o homem se torna um com Cristo, e consequentemente predestinado a ser conforme a imagem de Cristo, pois a predestinação tem por objetivo a preeminência de Cristo entre muitos semelhantes a ele.

Primeiro Deus salva o perdido segundo o poder do evangelho, depois o salvo em Cristo é chamado com santa vocação: eleição e predestinação. Deus não escolheu e nem predestinou alguns indivíduos à salvação, antes Ele elegeu e predestinou a nova geração em Cristo, sendo Ele o último Adão, para serem santos e irrepreensíveis e conforme a imagem do Seu Filho para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

A vocação do crente para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo não precede a salvação em Cristo, porém, o propósito estabelecido em Cristo foi estabelecido na eternidade antes de haver mundo.

Na questão de nº 10[4], vale destacar que a crença exigida nas Escrituras é que se creia que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. A essência do evangelho é universal e inclusiva: todo aquele “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Rm 10:13 ).

Este é o mandamento de Deus segundo registrou o apóstolo João: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( Jo 3:23 ).

Não há suporte nas Escrituras para o que o homem acredita segundo uma carnal compreensão, e nem para a tal redenção dita ‘particular’, pois o que é a base da salvação é Cristo: o fundamento de Deus. A salvação está em Cristo, pois Ele é a fé manifesta ( Gl 3:23 ). A vantagem está em crer n’Ele, pois Ele é fiel, agora, não há vantagem alguma em acreditar em algo que não seja as Escrituras.

O evangelho anunciado pelo apóstolo Pedro as pessoas que crucificaram o Cristo foi de salvação irrestrita, mesmo para os assassinos do Filho de Deus, desde que mudassem de concepção crendo em Cristo ( At 3:15 -19).

Ora, Deus é verdade, e não há nele injustiça nenhuma ( Dt 32:4 ). Ora, se Ele amou todos os homens (mundo), significa que Deus amou todos os homens, e não que Ele anunciou uma ficção aos homens. O apóstolo Pedro, quando fez este discurso, não estava pensando em uma redenção particular, antes foi verdadeiro ao propor a todos homicidas de Cristo ampla e irrestrita salvação.

Seria uma falácia a mensagem do apóstolo Pedro se algumas pessoas estivessem destinadas a salvação. Deus não trabalha com o engano. Ele não fala o que não vai cumprir. É desonesta uma mensagem de salvação a todos os pecadores se a proposta inicial é salvar alguns.

O Pr. Maxwell alega que é desvantagem crer numa ‘redenção geral’ vez que Deus não alcança 100% de sucesso. Deus retirou do Egito um povo numeroso com quase seiscentos mil homens de pé, porém, desses, somente dois entraram na terra prometida. O sucesso de Deus é analisado pela quantidade de crentes salvos, e não pela quantidade dos que se perdem.

A promessa de Deus não se manteve firme por apenas dois dos que saíram do Egito terem entrado na terra prometida? Se todos os crentes em Cristo são salvos, então há 100% de sucesso na obra de Cristo “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação ( 1Co 1:21 ); “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ).

Ora, o plano de redenção de Deus tem 100% de sucesso, pois Cristo veio ao mundo e foi obediente ao Pai em tudo. O seu eterno proposito que redunda em louvor a Sua glória tem 100% de sucesso, pois Cristo ao ressurgir dentre os mortos conduziu muitos filhos a Deus, e Cristo é primogênito entre muitos irmãos. Os muitos filhos são compostos de 100% crentes.

A incredulidade de alguns ou de muitos não aniquila a fidelidade de Deus. Deus é fiel e cumpriu o que prometeu: enviou o seu Filho e salva todo aquele que n’Ele crê. Agora, se formos infiéis, Ele permanece fiel, e a infidelidade do homem não depõe contra Deus ( Rm 3:3 ).

A questão de n° 9[5] acerca do significado de alguns termos na Bíblia como ‘todos’ e ‘mundo’, deve ser analisada criteriosamente, principalmente quanto à ênfase que o contexto apresenta.

 

Todos e mundo

Devemos reconhecer que, dependendo do contexto em que a palavra ‘mundo’ ou ‘todos’ é inserida, pode limitar o número de pessoas, contudo não anula o fato de que o termo ‘mundo’ empregado em João 3, verso 16, e em primeira João 2, verso 2 referem-se a todas e quaisquer pessoas, de todos os tempos e em todos lugares.

Foram citadas 5 passagens bíblicas e questionado o significado de algumas palavras. Atos 4, verso 35 é citado: “E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” onde se vê que os apóstolos repartiam o que era comum segundo a necessidade em particular de cada indivíduo que pertencia à igreja. Ou seja, a passagem demonstra que havia uma limitação quanto ao que era distribuído, e a limitação não era quanto ao indivíduo, mas quanto a necessidade do indivíduo.

Isto porque ‘ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria’, ou seja, ninguém assume o valor de ‘todos’, pois sem exceção todos consideravam o que possuíam como sendo propriedade de todos, de modo que tudo era comum a todos ( At 4:32 ).

O verso seguinte demonstra que todos os apóstolos, sem exceção, possuía abundante graça e testemunhavam acerca da ressureição de Jesus ( At 4:33 ). Entre os cristãos não havia necessidade alguma, pois aqueles que possuíam herdade vendiam e traziam o valor arrecadado e dava aos apóstolos. Neste caso, somente os cristãos que possuíam herdade é que vendiam-nas, mas dentre os que possuíam, todos se propuseram vender e dar o dinheiro aos apóstolos.

Com relação a recomendação acerca do casamento o apóstolo Paulo adverte que cada cristão em particular tenha a sua própria esposa, e cada mulher cristã que tenha o seu próprio marido. Ora, o texto limita a quantidade de esposas e esposos por causa da prostituição, porém, a ordem se estende a todos os cristãos. A ênfase do texto está em limitar uma única esposa por marido ( 1Co 7:2 ).

Para responder a pergunta do Pr. Maxwell com relação ao comentário que ele faz do evangelho de João 12, versos 19 à 20 (“mundo” significa os gentios em oposição aos judeus somente), vale destacar que ‘mundo’ não foi utilizado para destacar oposição entre judeus e gentios, porque tanto a multidão que viu a ressurreição de Lázaro como a que viera para a festa era composta de judeus e prosélitos ( Jo 12.9 ). Afinal haviam ido a Jerusalém para a festa da Páscoa ( Jo 12.1 )

Outra questão levantada é com relação a seguinte passagem “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” ( 1Jo 3:3 ). No verso ‘qualquer’ tem o sentido de ‘todo’, e isto não significa limitação, mas inclusão. Não importa a nação, o povo, ou a língua, se tem em Cristo esperança, purifica-se a si mesmo.

Nenhuma destas passagens depõe contra o fato de que Jesus veio salvar a todos, por isso a boa nova de salvação é anunciada a todos, sem exceção. A fidelidade de Deus é para todos, pois Ele providenciou poderosa salvação na casa de Davi para todos os povos, cumprindo a promessa a Abraão de que no descendente seriam benditas todas as famílias da terra “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:3 ).

A promessa de benção de Deus não é extensiva a ‘todas’ as famílias da terra? Há alguma limitação especifica no evangelho anunciado primeiramente a Abraão?

Não há limitação quanto aos tipos de famílias: todas.

Qual o significado de ‘todos’ no verso seguinte:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Existe limitação com relação ao juízo de Deus sobre todos os homens? Não! Então não há limitação quanto à graça de Deus sobre todos os homens!

Não há limitação da parte de Deus, pois Ele é fiel! Mas, há limitação por parte do homem: a incredulidade “Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus?” ( Rm 3:3 ).

A questão ‘incredulidade’ leva a pergunta de n° 8[6] onde há uma profusão de erros de interpretação bíblica.

A resposta para a pergunta: “Cristo morreu pelo pecado da incredulidade?” é não!

Cristo não morreu por ‘pecados’, antes ele morreu pelos pecadores, como se lê:

“Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios ( Rm 5:6 );

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores ( Rm 5:8 );

“Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos” ( Rm 14:9 );

“Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu” ( Rm 14:15 );

“E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu” ( 1Co 8:11 ).

Esses versículos citados enfatizam que Cristo morreu pelos homens, ou seja, pelos pecadores.

Há um único versículo que diz que Jesus morreu por nossos pecados:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” ( 1Co 15:3 ).

Ora, Jesus morreu pelos ‘ímpios’ ou pelos ‘pecados’?

O apóstolo Paulo nos responde:

“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ).

Há uma questão teológica a ser entendida com relação a morte de Cristo.

Em primeiro lugar devemos entender que o pecado que atingiu toda humanidade é decorrente da ofensa de Adão, que desobedeceu e trouxe morte sobre todos os homens “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22); “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

A ofensa contra Deus que resultou no pecado foi a desobediência de Adão, e a desobediência só poderia ser substituída pela obediência. Na verdade a redenção da humanidade é substituição de ato: obediência pela desobediência, como se lê:

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:18 )

A redenção está na obediência de Cristo.

Mas, para que Cristo obedecesse havia que ser revelada a vontade de Deus, que neste caso era a oblação do corpo de Cristo.

“Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:9 -10).

Mas, por que Cristo morreu?

Ao morrer Cristo não estava oferecendo um sacrifício a Deus, antes estava sendo obediente, e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Semelhante a Abraão que obedeceu a Deus e ia oferecer o seu único filho em holocausto, Jesus obedeceu a Deus como Abraão e foi a ovelha do holocausto. Ele morreu por causa do advento da Nova Aliança, pois era necessário a morte do testador para ter validade a aliança “Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador” ( Hb 9:16 ).

Não foi por pecados que Cristo morreu, antes Ele morreu pelos homens porque são pecadores, daí a colocação paulina: Cristo morreu pelos (por causa dos) nossos pecados “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” ( Is 53:5 ).

Analisaremos em conjunto as questões 6 e 7[7], pois estão intimamente ligadas.

O Pr. Maxwell quer validar o seu argumento com a pergunta: Isto é justo? Esta é uma artimanha das Testemunhas de Jeová ao negarem a existência do lago de fogo: É justo alguém padecer pela eternidade?

 

É justo?

Argumentar ante o juiz de toda terra se é justo o que ele faz, não valida qualquer argumento, pois a concepção de justiça do homem é como trapo de imundície diante de Deus.

Deus ordenou a destruição dos amalequitas, e incluiu na matança as crianças. Pergunto: Isto é justo? Mas, as crianças eram inocentes! Questionar se é justo ou não, não é base para validar um argumento, pois mesmo as crianças de Sodoma e Gomorra sendo inocentes, não eram justas diante de Deus “Se porventura de cinquenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco ( Gn 18:28 ).

Cristo veio ao mundo salvar o que se havia perdido. Quem se perdeu? Todos os homens, pelo que se conclui que Jesus veio salvar todos os homens Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos ( Is 53:6 ); “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” ( Lc 19:10 ).

A morte de Cristo garantiu salvação a todos os homens, porém, muitos permanecem separados da vida de Deus por causa da ignorância que há neles. O problema não está na salvação providenciada, pois é poderosa e alcança a todos os homens, sem exceção. O problema é a ignorância.

A Bíblia afirma que por uma só ofensa todos pecaram, e Cristo morreu por causa desta ofensa. Já o erro de conduta das pessoas quer sejam salvas ou não, serão julgadas em tribunal específico: Tribunal de Cristo para os salvos e Tribunal do Trono Branco para os perdidos, onde cada um receberá segundo as suas obras “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 ).

Devemos nos afastar de qualquer doutrina que tenha aparência de piedade, mas que negue a eficácia do evangelho “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” ( 2Tm 3:5 ).

Deus não se lembra dos pecados daqueles que ouviram a mensagem e misturaram com a fé “Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” ( Hb 4:2 ).

O escritor aos Hebreus destaca que o problema não está na mensagem pregada, o problema está naqueles que ouviram, mas ouviram de malgrado “Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure” ( Mt 13:15 ).

O castigo que nos trouxe a paz foi perfeito, mas se alguém negar a Cristo, Ele também o negará “Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará” ( 2Tm 2:12 ). Se a salvação fosse por predestinação, o aviso solene para permanecer firme é sem razão, pois os que creem é para conservar a alma, diferente dos que desistem ( Hb 10:39 ).

Quando Cristo venceu a morte, o pecado foi aniquilado ( Hb 9:26 ). Só permanecem separados de Deus aqueles que permanecem na ignorância.

Embora a questão de nº 7 não leve em consideração o fato de o Cordeiro de Deus ter sido morto desde a fundação do mundo ( Ap 13:8 ), vale salientar que embora a graça é para todos, a promessa de jamais se lembrar dos pecados alcança somente os crentes ( Hb 10:17 ).

Apesar de o Cordeiro de Deus ser manifesto oportunamente na plenitude dos tempos, ele foi morto desde a fundação do mundo. Logo, quando Cristo foi morto (desde a fundação do mundo) não havia homens no inferno, de modo que a sua morte era suficiente para beneficiar a todos que cressem.

Somente os crentes são remidos, porém, a oferta do corpo de Cristo foi feita de uma vez por todas de modo que não há mais oblação pelo pecado ( Rm 8:1 ; Hb 10:18 ). Devemos lembrar que as ações daqueles que creem serão julgadas no Tribunal de Cristo. Os descrentes carregam consigo a condenação decorrente da ofensa de Adão, mas também serão julgados quanto as suas obras “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” ( Ap 20:12 ); “O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou” ( Ec 3:15 ).

O juízo para condenação se deu em Adão, mas haverá juízo de obras. Os pecados que não serão lembrados referem-se aos erros de conduta dos salvos antes de conhecerem a Cristo, pois se deram sob a paciência de Deus “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:25 -26).

Cristo morreu por causa da ofensa de Adão e ressurgiu para a nossa justificação, o que demonstra que os erros de conduta e as boas ações dos crentes, quando praticados na ignorância são esquecidos. Cristo não morreu por pecados, antes por causa dos pecados para justificação de todo que crê.

Com relação a questão 5[8], entendo pelas Escrituras que Cristo morreu por todos os homens, até mesmo por Caim e Faraó. Devemos lembrar que Jesus é o Cordeiro de Deus que foi morto desde a fundação do mundo, e se Abel foi declarado justo por Deus, tal declaração foi decorrente da fé de Abel.

 

A incredulidade

Caim e Faraó se perderam não por ineficácia da morte de Cristo, mas pela incredulidade deles. Caim se perdeu, mas Abel foi salvo porque creu que Deus o aceitaria graciosamente, e não que seria aceito em função da oferta, de modo que Deus primeiramente o aceitou e depois a sua oferta ( Gn 4:4 ).

Abel se aproximou de Deus pois cria que Ele existe, e o buscou por que sabia que Deus é galardoador dos que O buscam, e não dos que apresentam uma oferta.

Sim! Creio que Jesus morreu por aqueles que já morreram, porque segundo as Escrituras para Deus vivem todos e, mesmo após morrerem, seguem para o juízo. Ora, todos os nascidos de Adão nasceram sob condenação, pois o juízo de Deus foi estabelecido na morte de Adão no Éden. O juízo que o homem segue após morrer a morte ordenada para ocorrer uma só vez é o juízo do Trono Branco, onde haverá julgamento das obras “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” ( Hb 9:27 ).

Cristo é Cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, porém, a sua morte se deu na plenitude dos tempos ( Gl 4:4 ). Jesus morreu em benefício de todos, porém, indivíduos como Caim e Faraó não se beneficiaram da graça de Deus pela incredulidade deles.

Sim! Jesus morreu de bom grado por homens como Caim e Faraó, pois Ele não se propôs a morrer por homens justos, mas sim pelos ímpios, visto que não havia um justo, nem um se quer ( Sl 53:3 ). Esta é uma prova do amor de Deus: morrer por ímpios como Caim, Faraó, etc. “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” ( Rm 5:8 ).

O convite de salvação é para pecadores, sejam eles a Madre Teresa de Calcutá ou Hitler. Este convite se estende até mesmo para aqueles que mataram o autor da vida ( At 3:19 ).

Com relação aos argumentos dos itens 3 e 4[9], tem-se um caloroso ‘sim’ à pergunta se Cristo morreu de igual forma para Pedro ou Judas.

A verdade é única: Cristo se fez maldito quando foi pendurado no madeiro e morreu pelos pecadores. Judas Iscariotes era pecador? Sim! Então Jesus morreu por ele. Pedro era pecador? Sim! Então, de igual modo Jesus morreu por Pedro.

Cristo não se sentiu satisfeito com a morte de Judas Iscariotes, mas sentiu-se satisfeito com o seu trabalho. Levando-se em conta a profecia de Isaías, com o seu trabalho Jesus ficou satisfeito, pois através do seu conhecimento Ele salvou muitos.

Judas não foi predestinado a perdição, antes Deus onisciente sabe de todas as coisas, e deixou tal evento registrado nas Escrituras. A decisão de Judas não foi estabelecida e nem sofreu influência de Deus, antes foi totalmente autônoma e voluntária.

O registro da traição nas Escrituras é um lampejo da onisciência de Deus, que para nós é presciência. A revelação de eventos futuros para o homem recebe o nome de presciência, já o atributo divino com relação ao conhecimento dá-se o nome de onisciência.

Deus é onisciente, e não presciente. A revelação de Deus aos homens é presciência. O fato de Deus saber da traição e deixar predito nas Escrituras não determinou a traição de Judas, pois tudo o que é já foi, e o que há de ser já ocorreu para Deus, mas Ele pede conta de cada um quanto aos seus feitos. O fato de Deus requerer dos homens seus feitos demonstra que Ele não determina os atos de ninguém ( Ec 3:15 ).

 

Jesus morreu por todos

Mas, porque Ele não salvou todos, se Ele morreu por todos? Porque onde há o Espírito de Deus, aí há liberdade, como se lê: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação” ( Hb 3:15 ; Sl 93:8 ). O convite é feito a todos, como se Deus por nos rogasse aos homens para que se reconciliem com Ele, mas Ele não sobrepuja os corações endurecidos ( 2Co 5:20 ).

É contra senso um Deus que escolhe e predestina alguns a salvação rogar através dos seus embaixadores que os homens se reconciliem com Ele.

Deus roga porque todos tem liberdade de aceitar ou recusar convite: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” ( Jo 7:37 ). A água oferecida não tem problema algum, pois é de uma fonte inesgotável e tem poder para saciar todos quanto beberem. O problema está naqueles que ouvem o convite e rejeitam a água.

Deus não tem prazer na morte do ímpio, e Cristo também “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” ( Ez 18:23 ).

Além de Deus não desejar a morte do ímpio, é desejo d’Ele que o ímpio se converta. O problema não está em Deus que faz um convite ao homem para que se converta, e sim nos homens que não dão ouvidos “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?” ( Ez 33:11 ).

Na questão do proposito que Deus estabeleceu na eternidade em Cristo, de fazê-lo cabeça da igreja e o mais elevado dos reis da terra, opera a soberania de Deus. Mas, nas questões relativas a salvação do homem, opera a misericórdia, por isso diz o apóstolo Paulo: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

Deus estabeleceu o Seu Filho como primogênito, pois Cristo conquistou este direito na cruz, já com relação à salvação, há um pedido aos homens que se reconciliem.

Cristo ficou satisfeito com o seu trabalho, porque embora tenha provido salvação a todos os homens, a proposta é salvar os que creem. Deus não salva pela predestinação ou eleição, e sim pela loucura da pregação, que é o poder de Deus “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” ( 1Co 1:21 ).

Com relação ao item 2[10], certo é que Cristo veio salvar a humanidade, e o termo ‘eficazmente’ foi amalgamado à salvação para pôr em xeque a salvação em Cristo. A salvação não é especulação teórica, assim como a perdição de todos em Adão não é teoria.

Analisando a doutrina calvinista da eleição e predestinação, a perdição de alguns não passou de teoria, visto que tais ‘salvos’ pela eleição e predestinação nunca estiveram perdidos de fato. De outra banda, os perdidos nunca tiveram a possibilidade de salvação, pois a salvação nunca foi uma providência divina para eles. Segundo a concepção calvinista a salvação é uma falácia!

A Bíblia como verdade deve ser analisada como fato, e não como teoria. Levantar teorias sobre se era possível Cristo morrer pela humanidade em pecado (e não por pecados) e ninguém ser salvo é semelhante a se ater às fábulas e a genealogias intermináveis que mais promovem contendas do que edificação. Mas, nunca houve a possibilidade de ninguém ser salvo, pois Deus mesmo diz que a Sua palavra não volta atrás vazia, e por isso mesmo providenciou poderosa salvação na casa de Davi.

A questão sóbria de n° 1[11] é a pior de todas do ponto de vista dos equívocos. Não é admissível que alguém que se coloca como mestre das Escrituras use os anjos caídos para provar a redenção particular, visto que um mestre das Escrituras deve conhecer as Escrituras.

Cristo não morreu para salvar os seres celestiais caídos! Vejamos os motivos:

  • Os anjos não fazem parte do propósito eterno estabelecido em Cristo, que é Cristo como primogênito entre muitos irmãos ( Hb 2:5 );
  • Com relação ao propósito eterno os anjos são espectadores da multiforme sabedoria de Deus ( Ef 3:10 );
  • Aos anjos caídos não foi dado um mandamento que os salvasse, pois igualmente na queda não desobedeceram um mandamento ( Sl 71:3 ); Um homem desobedeceu o mandamento dado no Éden, agora a salvação para os homens está em um novo mandamento: crer em Cristo;
  • Os anjos não necessitam crer, pois enquanto os homens veem por espelho através dos enigmas, os anjos caídos estavam em contato com a realidade quando caíram;
  • Como não há morte física para os anjos, pois são seres ‘espirituais’, a redenção em Cristo não os alcança. A morte de Cristo só alcança os seus semelhantes segundo a carne sujeitos à morte física, pois qualquer que nele crê é batizado na morte de Cristo para ressurgir uma nova criatura;
  • Cristo foi feito menor que os anjos precisamente para que participasse da paixão da morte, morrendo a morte física em nosso lugar. Entretanto, os pecadores por estarem em um caminho largo que conduz à perdição, isso causa da ofensa de Adão, precisam morrer para o pecado para que se cumpra a lei que diz: a alma que pecar, essa mesma morrerá;
  • Os homens tornaram-se pecadores por uma ofensa de um homem que pecou, já os anjos deliberadamente seguiram cada um a presunção de seus corações;
  • Cristo é mediador entre Deus e os homens, e não mediador entre Deus, anjos e homens.

O fato de Jesus não ter morrido pelos anjos não depõe contra o fato de Jesus ter morrido pela humanidade, pois ele como homem só podia ser mediador de homens, por isso em tudo se fez semelhante aos seus irmãos: participante de carne e sangue ( Hb 2:17 ).

Não existe um grupo particular de pecadores, pois nem mesmo os judeus são diferentes ou melhores diante de Deus que os demais pecadores gentios ( Rm 3:9 ).

A salvação é universal (ilimitada) e inclusiva (todo aquele), porém, só gozarão dessas benesses aqueles que creem no evangelho, ou seja, que invocarem o nome do Senhor, portanto, neste aspecto a salvação é exclusiva dos que creem “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Rm 10:13 ; Rm 1:16 ).

Em suma, Jesus disse que Deus deu o Seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Jesus disse que importava que Ele fosse levantado assim como a serpente de metal foi levantada no deserto por Moisés, para todo aquele que nele crê não perecesse, mas tivesse a vida eterna ( Jo 3:14 -16).

Deus amou o mundo que Deus o Seu Filho, porém, os adeptos da doutrina da ‘expiação limita’ fazem um esforço enorme para colocar uma dúvida no coração de quem ouve a mensagem do evangelho:

‘Será que Jesus morreu por você?’

Amado leitor, se esta dúvida sobressaltar o seu coração devido algumas questões doutrinárias, tenha este verso como lema:

“E ele [Jesus] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” ( 1Jo 2:2 ).

 


[1] Maxwell, Colin ‘Questões sóbrias para aqueles que creem numa redenção universal ou expiação ilimitada’, artigo disponível no Site Monergismo < http://www.monergismo.com/textos/expiacao_limitada/questoes.htm > consulta realizada em 26/06/15.

[2] ‘Conhecer’ no sentido de se fazer um com Cristo ( Ef 5:30 ). Não diz de ‘presciência’, ou de ‘antever’, e sim de comunhão intima “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” ( Jo 17:11 ).

[3] “13) Aparte da possibilidade de um ocasional hiper calvinista – uma espécie em extinção – você já ouviu um calvinista declarar que ele não necessita evangelizar, visto que o sacrifício de Cristo garante a salvação dos eleitos, quer ele evangelize, quer não?”

[4] “10) Você reconhece a distinta vantagem de se crer na redenção particular – que ela realmente realizará aquilo para o qual foi designada, isto é, a certa e infalível salvação daqueles por quem ela foi pretendida? Você reconhece a distinta desvantagem de se crer numa redenção geral que reside no tipo de imprecisão e o não poder reivindicar 100% de sucesso?”

[5] “9) Você crê que na Bíblia, palavras como “todos” e “mundo” e “todo homem” sempre significa cada pessoa ou coisa individualmente, a menos que seja limitada especificamente (por exemplo, 1 João 3:3) OU você reconhece que algumas vezes na Bíblia, palavras como “todos” significa “todos tipos de” (1 Timóteo 6:10) e “mundo” significa os gentios em oposição aos judeus somente (João 12:19-20) e “todo homem” significa “todos tipos de homem” (Atos 4:35/1 Coríntios 7:2), sem qualquer menção específica de uma limitação?”

[6] “8) Cristo morreu pelo pecado da incredulidade? Se sim, porque este pecado impede o pecador, mais do que qualquer outro pecado pelos quais Cristo morreu?”

[7] “6) Cristo realmente suportou os pecados daqueles que já estavam ou agora estão ou irão estar no inferno quando Ele morreu por eles? O resultado disto é o mesmo do crente, isto é, o esquecimento de Deus dos seus pecados (Hebreus 10:17)? Se sim, por que eles estão sendo relembrados agora? Se não, até que ponto é a diferença que você está introduzindo?” e; “7) Se Cristo sofreu e morreu por aqueles que estão agora sofrendo no inferno e agonizante pelos seus pecados… não estaria Deus exigindo castigo duas vezes pelos mesmos pecados? Isto é justo?”

[8] “5) Você crê que Cristo morreu por aqueles que já estavam no inferno, isto é, Caim, Faraó, etc., quando Ele veio ao mundo? Ele morreu de bom grado por eles, suportando todos os seus pecados, mesmo embora Ele soubesse que nem um milímetro de Seus sofrimentos jamais os beneficiaria?”

[9] “3) Cristo falhou, no final das contas, no Seu propósito de Sua morte? Ele realmente verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará SATISFEITO? (Isaías 53:11) Cristo está realmente satisfeito com o fruto do trabalho de Sua alma quando Ele vê Judas Iscariotes, (por quem, você insiste, Ele morreu, da mesma forma como por João e Pedro, etc.) indo para o próprio lugar onde teria sido melhor para ele nunca ter nascido? (Marcos 14:21) 4) Você relaciona a morte de Cristo – certamente o assunto mais importante sempre – com versos como Isaías 14:24/14:27/46:10/Salmos 115:3/Provérbios 19:21 etc., os quais ensinam que os propósitos de Deus são certos e não podem ser frustrados?”

[10] “2) Cristo veio e morreu para salvar eficazmente homens ou apenas para fazer a salvação possível? Então, era teoricamente possível que Cristo poderia morrer por pecados e ninguém ser salvo?”

[11] “1) Você crê que Cristo morreu pelos pecados dos anjos caídos, que estão reservados na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia (Judas 6), quando serão lançados como malditos no fogo eterno (Mateus 25:41), para serem atormentados de dia e de noite para todo o sempre (Apocalipse 20:10)? OU você crê que a expiação foi limitada a um grupo particular de pecadores?”