João 3 – Necessário vos é nascer de novo

É Deus quem faz todas as coisas! Se o homem desconhece como se dá as maravilhas da natureza (coisas naturais), como o caminho dos ventos, como entenderá o novo nascimento, se o nascer de novo é obra de Deus? “… assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” ( Ec 11:5 ), ou seja: “Assim é todo aquele que é nascido de Deus” ( Jo 3:8 ).


Necessário vos é nascer de novo

A Função dos Milagres

“Havia entre os fariseus um homem chamados Nicodemos, um dos principais dos Judeus. Este foi ter com Jesus de noite, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus. Pois ninguém poderia fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele” ( Jo 1:1 -2)

Entre os Judeus havia um mestre do judaísmo de nome Nicodemos. Ele era fariseu e foi encontrar-se com Jesus à noite. Neste encontro, surpreendentemente Nicodemos chamou Jesus de ‘Rabi’, ou seja, Mestre. Tal reconhecimento vindo da parte de um juiz, ou de um mestre em Israel era para deixar qualquer um dentre os homens lisonjeado.

Mas, por que Nicodemos chamou Jesus de Mestre? Em sua abordagem inicial Nicodemos fez a seguinte afirmação: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” ( Jo 3:2 ).

Nicodemos entendeu que Jesus era mestre por causa dos milagres que estavam sendo realizados. Nicodemos ao ter noticia dos milagres realizados por Jesus entendeu que Ele era Mestre, porém, um mestre enviado por Deus, o que tornava Jesus distinto de todos os outros mestre em Israel.

Quem poderia realizar os milagres que Jesus estava realizando sem o auxilio do dedo de Deus? O próprio Nicodemos responde: Ninguém poderia realizar estes sinais que Tu fazes! A análise de Nicodemos é totalmente válida, e a conclusão também ( Jo 5:36 ).

Nicodemos venceu uma grande barreira ao concluir que Jesus era Mestre vindo de Deus, e esta conclusão impulsionou Nicodemos a ter um encontro com Cristo à noite. Outros fariseus tiveram encontro com Cristo à luz do dia, porém, movidos de hipocrisia, querendo pegar Jesus nalguma contradição.

Após analisar a pessoa de Jesus através dos milagres que Ele operava, Nicodemos foi até Jesus e expôs a sua conclusão:

  • Jesus era Mestre;
  • Enviados por Deus, visto que:;
  • Ninguém poderia realizar tal milagres, se Deus não estiver com ele.

Nicodemos não foi atrás de um milagre, antes queria saber mais sobre Aquele que operava milagres.

Sabemos que Deus possui todo poder, e que milagres não são maravilhas superior a própria obra da criação. Não há milagres que supere a obra criativa de Deus, tais como: a vida, o universo, etc. Tudo é um milagre, pois todas as coisa foram operadas maravilhosamente através do poder de Deus.

A função precípua de um milagre é despertar o homem a conhecer o seu Criador. Qualquer uso ou discurso que se faz fora desta tônica desvirtua o ‘testemunho’ que Deus dá acerta d’Ele, para que o homem procure se aproximar de Deus ( Hb 2:4 ).

Milagres não é o primordial na vida do homem, antes é preciso ter em mente que os milagres são a confirmação de Deus do que foi anunciado pelos profetas e por Cristo. É preciso crer em Deus que opera maravilhosamente, e não nas maravilhas operadas. O homem precisa estar focado na mensagem de Deus, e não nas maravilhas que Dele procedem.

 

A Doutrina de Cristo

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 )

Embora reconhecesse Jesus como sendo Mestre da parte de Deus, Nicodemos desconhecia a doutrina de Cristo. O milagre foi à causa primária da conclusão de Nicodemos de que Cristo havia sido enviado por Deus, porém, Nicodemos precisava ouvir a doutrina do Mestre enviado .

Nicodemos estava focado na qualidade de Mestre daqueles que era enviado de Deus e operava milagres que ninguém poderia operar, se Deus não fosse com Ele “… porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”.

Qual não foi a surpresa de Nicodemos quando Cristo lhe respondeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

A estratégia de evangelismo de Jesus é a mesma adotada por João: os milagres tinham a função de demonstrar aos homens que Jesus era o enviado de Deus. Uma vez que Nicodemos já havia reconhecido que Cristo era Mestre enviado por Deus “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus…”, Jesus chama a atenção de Nicodemos para o primordial, o novo nascimento “… e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ).

Os milagres deixam de ter importância quando a verdade vem à tona e Nicodemos pergunta: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” ( Jo 3:4 ). Nicodemos não contesta a informação dada pelo Mestre enviado por Deus, antes se preocupou em entender a dinâmica do ‘novo nascimento’, ou da doutrina de Cristo.

Por estar vetado o reino dos céus àqueles que não nasceram de novo, Nicodemos ficou preocupado, uma vez que ele já era velho. Haveria um milagre extraordinário que tornaria possível Nicodemos voltar ao ventre materno para que ele pudesse nascer de novo, mesmo sendo velho?

O fariseu Nicodemos, seguidor de um seguimento mais severo da religião judaica, ao ser informado que não tinha direito de ver o Reino de Deus, deveria soar no mínimo como absurdo. Nicodemos poderia ter rejeitado de pronto a doutrina de Jesus, já que ele, além de ser fariseu, era um representante do melhor da nação e da religião judaica.

Fica claro que ser judeu ou gentil, ser fariseu ou de qualquer outro seguimento religioso, ser mestre ou leigo, ser juiz ou réu, não habilita ninguém a ter acesso ao Reino de Deus. Antes, todos, indistintamente precisam nascer de novo.

Em nossos dias há muitas pessoas que quem conhecer Cristo através de milagres e maravilhas, mas que não busca a sua palavra “Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:47 ).

Nicodemos foi além dos milagres operados por Cristo “porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”, e suportou a doutrina de Cristo, mesmo ela demonstrando que a sua condição não lhe dava direito ao reino dos céus.

Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus. É sobre estes aspectos que comentaremos o novo nascimento: Por que devemos passar pelo novo nascimento? O que é esse novo nascimento? O homem consegue nascer de novo sem a participação de Deus?

 

A Universalidade da Mensagem

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 )

A resposta de Jesus a abordagem de Nicodemos é taxativa e universal.

É taxativa porque se não for satisfeita a exigência, não há como o homem ver o Reino de Deus. É universal por englobar toda humanidade.

Visto que o novo nascimento é uma necessidade que abrange todos os homens, podemos inferir que a salvação não diz de uma restauração moral, nem tão pouco de uma restauração física. Se assim fosse, os homens de moral mais elevada não necessitariam do novo nascimento.

Através da declaração de Jesus vemos que, tanto aqueles que possuem, quanto os que não possuem qualidades e méritos, precisam do novo nascimento. Nicodemos é um exemplo claro desta verdade.

Nicodemos era membro do Sinédrio, supremo tribunal dos Judeus ( Jo 3:1 ). Ele era um dos mestres em Israel ( Jo 3:10 ). Era membro também de uma das mais severas seitas do judaísmo, o farisaísmo ( Jo 3:1 ). Perante a sociedade, os da seita do farisaísmo eram tidos por justos, pelo comportamento distinto que apresentavam ( Mt 5:20 ).

Mas, apesar de todas as suas qualidades pessoais (moral, caráter e comportamental), Nicodemos precisava nascer de novo, assim como qualquer outro homem desprovido de qualidades e méritos.

A abordagem de Jesus deixa evidente que os valores que os homens tanto primam (prezam) seguir não operam e nem mesmo promovem o novo nascimento.

۩

Jesus demonstrou que todos os homens precisam do novo nascimento, ou seja, é imprescindível o novo nascimento para se ver e ter acesso ao Reino de Deus.

Desta forma, verifica-se que o novo nascimento não está vinculado aos princípios em que as relações humanas se firmam.

O homem procura aprovação na religião, na sua origem, no comportamento, na moral, no caráter, na justiça própria, na justiça humana e até mesmo através dos sacrifícios, mas estas coisas também não promovem o novo nascimento.

Geralmente as religiões propõem uma melhora ou uma mudança no caráter e no comportamento do homem, o que é proveitoso para as relações humanas, porém, tal proposta não possui valor algum na obtenção da salvação.

Nicodemos era o melhor que a sociedade da época podia apresentar, mas a resposta de Jesus deixa implícito que o Reino de Deus não é conquistado por questões pertinentes a este mundo.

 

Como Nascer Novamente?

“Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Poderá voltar ao ventre da sua mãe e nascer?” ( Jo 3:4 )

A resposta de Jesus mudou as convicções de Nicodemos sobre como alcançar a salvação, visto que, até aquele momento ele acreditava que tinha direito ao reino de Deus por ser descendente (filho) de Abraão ( Mt 3:9 ; Jo 8:33 ).

Quando ele soube que era necessário um novo nascimento para ter acesso ao o reino de Deus, questionou: Como pode um homem velho nascer novamente? É possível que ele volte ao ventre materno para novamente nascer?

Ao preocupar-se em como um velho poderia nascer novamente, vemos que Nicodemos despiu-se de seus méritos e posições. Ele poderia ter perguntado como era possível alguém na posição de juiz, ou de mestre nascer de novo, mas diante de Jesus, Nicodemos viu a sua real posição: um homem já velho, que carecia de salvação (novo nascimento)!

۩

A conjectura de Nicodemos é descartada: ‘Poderá voltar ao ventre materno, e nascer?’, uma vez que o novo nascimento não tem relação com a descendência humana (maternidade ou paternidade).

Mesmo após ser descartada a conjectura de Nicodemos, ela nos auxilia na compreensão do sentido exato da palavra ‘nascer’ quando empregada por Jesus neste capítulo.

Quando Jesus falou da necessidade do novo nascimento, a ideia primária da palavra ‘nascer’ permaneceu a mesma (foi preservada).

Nascer ou nascimento refere-se à chegada de um novo ser ao mundo. Diz do início de uma nova vida neste mundo pleno da mesma vida que há em seus pais (natureza).

Se Nicodemos entendeu que, para ocorrer o novo nascimento era preciso voltar ao ventre materno, podemos inferir que o sentido exato da palavra ‘nascer’ utilizado por Jesus não diz de uma reforma na natureza do homem. Ela também não diz de uma possível recuperação moral e comportamental do homem. Não diz de uma conformidade. Não diz de uma reversão de atitude. Não é uma revitalização de uma vida que se extingue, etc.

Quando Jesus disse que é preciso nascer de novo, ele falou da vinda de um novo ser a existência pleno da vida que há em Deus, e de posse da natureza divina.

Jesus falou de uma ‘nova geração’, ou seja, de uma nova criação. Da mesma maneira que a palavra nascimento diz da vinda de um ser ao mundo pleno da vida que há em seus pais, o novo nascimento diz da criação de um novo ser pleno da vida que há em Deus.

 

Água e Espírito

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” ( Jo 3:5 )

 

A resposta de Jesus satisfaz a seguinte pergunta: “Como pode nascer um homem, sendo velho?” A resposta é precisa: o novo nascimento é por meio da água e do Espírito!

Para entendermos a resposta de Jesus é preciso saber que a doutrina apregoada por Ele em nada difere da mensagem apregoada na lei e pelos profetas.

Sabemos que a lei nunca pode aperfeiçoar ninguém por conter somente a sombra dos bens futuros ( Hb 10:1 ). Porém, ela sempre apontou a necessidade da circuncisão do coração.

O que a lei propunha era impossível o homem alcançar por meio dela, visto que, a própria lei estava enferma pela carne ( Rm 8:3 ). A lei somente serviu de ‘tutor’ para conduzir o homem a Cristo ( Gl 3:24 ), ou seja, ao apontar a necessidade da circuncisão do coração, a lei conduz o homem a Cristo, pois somente nele é possível alcançar circuncisão através do despojar do corpo da carne: a circuncisão de Cristo ( Cl 2:11 ).

Podemos extrair uma grande lição da lei: ela foi escrita em tábuas de pedras e entregue ao povo, mas, não pode aperfeiçoar ninguém, visto que, mesmo após a entrega da lei, Moisés continuou apregoando a necessidade da circuncisão do coração ( Dt 10:16 ; 30:6 ; 2Co 3:3 e 7).

Caso a lei fosse essencial para a salvação do homem não haveria a necessidade de Moisés apregoar a circuncisão do coração. Conclui-se que, a lei entregue em tábuas de pedra não operou a transformação necessária no coração do povo, visto que, eles ainda precisavam da circuncisão do coração.

A ação divina nunca foi por intermédio da lei, visto que, a mensagem de Deus sempre foi: “Ouve, ó Israel…”, pois a fé é o único meio de se achegar a Deus ( Rm 10:17 ). Caso ouvissem a voz de Deus, haveria uma mudança radical neles: deixariam de ter um coração de pedra e passariam a ter um coração de carne ( Dt 11:18 ; Jr 4:4 ).

A intervenção divina na vida do povo só ocorreria no momento em que eles ouvissem e gravassem a lei em seus corações. A circuncisão é uma ação divina por meio da sua palavra ( Dt 30:6 -8).

 

۩

O profeta Ezequiel sobre este assunto disse o seguinte: “Então espargirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:25 -27).

O mestre Nicodemos já conhecia esta passagem bíblica. Há muito que ele lia acerca da promessa de uma nova vida (um novo coração e um novo espírito), porém, não conseguia abstrair a essência do que Deus propôs.

Para alcançar a nova vida é necessário que o próprio Deus venha a espargir água pura sobre o homem (“EU” espargirei água pura sobre vós).

A doutrina de Jesus somente tornou evidente o que estava registrado nos profetas: nascer da água e do Espírito é o mesmo que Deus espargindo água pura sobre o homem. Somente Deus pode conceder um novo coração e um novo espírito, ou seja, uma nova vida ao homem!

Nascer da água é o mesmo que nascer da palavra: Jesus é o Verbo de Deus, ou seja, a Palavra encarnada ( Jo 1:14 ). Sobre este aspecto Paulo escreveu: “Para santificá-la, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra…” ( Ef 5:26 ); “Se alguém tem sede, vem a mim e beba” ( Jo 7:37 ). Jesus é a água que produz vida naqueles que são purificados por Ele, ou seja, naqueles que creem.

Nascer do Espírito é o mesmo que nascer de Deus, visto que, Deus é Espírito e aqueles que d’Ele são nascidos recebem um novo espírito e um novo coração. Portanto, “…o que é nascido do Espírito é espírito” ( Jo 3:6 ), e os que creem recebem poder para serem feitos filhos de Deus! Ora, se o homem crê, da plenitude de Deus já recebeu ( Jo 1:16 ; Cl 2:7 -8). Passa a ser participante da natureza natureza divina ( 2Pe 1:4 ).

Quem crê na Palavra encarnada como diz as Escrituras, do seu interior terá rios de água viva fluindo, ou seja, isto foi dito: “… do Espírito que haviam de receber os que nele cressem” ( Jo 7:37 -39), o nascer do Espírito.

Há uma ordem específica para se nascer de novo? Sim! Primeiro o homem nasce da água, depois do Espírito! Como?

Primeiro o homem precisa da Palavra de Deus para que possa crer, ou seja, para crer, primeiro é preciso ouvir (ser espargido por Deus com água limpa), e então, virá a fé que faz o homem receber poder para ser feitos (criados) filhos de Deus “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é Poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê” ( Rm 1:16 ).

O homem só tem acesso ao poder de Deus depois que ouve a palavra da verdade, conforme Paulo escreveu a Tito: “… Ele nos salvou mediante a lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo” ( Tt 3:5 ).

Paulo ao escrever a Tito demonstra que Deus lava e renova o homem por meio da palavra e do seu Espírito, ou seja, ele reafirma o que foi dito por Ezequiel: (“EU” “espargirei água pura sobre vós…”).

Através da Palavra de Deus, que é água pura espargida sobre o pecador, ocorre a lavagem da regeneração. Os que de Deus são nascidos, são renovados pelo Espírito Eterno, recebendo um coração de carne em lugar do coração de pedra e um novo espírito ( Sl 51:10 ).

 

O Primeiro e o Último Adão

“Ele porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 )

Há distinções claras entre nascimento e o Novo Nascimento. Enquanto este é por meio de Jesus Cristo, àquele decorre de Adão. Através do Novo Nascimento o homem adquire a natureza divina, enquanto através do nascimento, o homem adquire a natureza decaída de Adão.

O nascimento do homem natural está vinculado à natureza Adâmica e o novo nascimento à natureza de Cristo, o último Adão ( 1Co 15:45 ).

O nascimento do homem decorre da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue e o novo nascimento se dá por meio da Palavra de Deus (água) e pelo Espírito de Deus.

O ‘novo’ nascimento dá origem ao novo homem, ou ao homem espiritual, e o nascimento dá origem ao velho homem, ou ao homem carnal “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ).

A vontade do homem e a vontade de Deus dão origem a nascimentos distintos.

Os homens quando vêm ao mundo, nascem da vontade do homem, do sangue e da carne: este é o primeiro nascimento. É o nascimento do homem natural, segundo Adão.

O novo homem ao nascer, nasce da vontade de Deus por meio da água e do Espírito: este é o novo nascimento, o nascimento do homem espiritual.

Só é possível nascer da vontade de Deus aqueles que creem em Cristo, pois estes recebem poder para serem feitos filhos de Deus e tornam-se participantes da natureza divina. Estes recebem da plenitude que há em Cristo ( Cl 2:10 ; Ef 4:19 e Jo 1:16 ).

O novo nascimento só ocorre por meio da fé no Filho de Deus; não há outra maneira de se alcançar a filiação divina.

Todos os homens nascidos de Adão são plantas que Deus não plantou, visto que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. As plantas que o Pai ‘planta’ são aqueles que creem em Cristo. Estes não serão arrancados, e permanecem para sempre.

Outra figura que ilustra o nascimento e o novo nascimento é a parábola dos dois caminhos. O nascimento é porta de entrada tanto para o caminho largo, quanto para o caminho estreito. Quando nascido de Adão, o homem entra pelo caminho largo, quando nascido de novo em Cristo, o homem entra pelo caminho estreito.

Da mesma forma, os vasos para honra são feitos em Cristo, e os vasos para desonra feitos em Adão. Tanto os vasos para honra, quanto os para desonra são feitos da mesma massa.

Se o homem quiser nascer de novo, é preciso entrar pela porta estreita, e será feito vaso para honra.

 

 

O Que é Nascido…

“O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito” ( Jo 3:6 )

Nicodemos fez duas perguntas: ‘Como pode um homem nascer, sendo velho?’, e ‘Poderá este homem voltar ao ventre materno?’.

A resposta à primeira pergunta foi: um homem poderá nascer de novo da água e do Espírito. Já a segunda pergunta é esclarecida através da seguinte afirmação: “O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito” ( Jo 3:6 ).

Após esclarecer que o novo nascimento é por meio da palavra (água) e do Espírito (Deus), Jesus desfaz a confusão de Nicodemos que pensou ser o novo nascimento decorrente de filiação terrena.

O nascimento proveniente do ventre materno só produz homens carnais, ou seja, a carne só pode produzir carne. Em contra partida, aqueles que são nascidos de Deus (Espírito), estes são espirituais.

Enquanto o mundo vive a procura de uma espiritualidade através de sacrifícios, meditações, orações, promessas, oferendas, esmolas, etc, Jesus demonstra que estas coisas são inócuas na tentativa de se alcançar a nova vida.

Ao estabelecer que os nascidos da carne, são carnais, e os nascidos de Deus, são espirituais, é fácil distinguir quem é carnal e quem é espiritual: todos os homens ao nascerem são carnais. Todos os homens nascem de uma semente corruptível, a semente de Adão, e portanto, são carnais.

Todos os homens que recebem a Cristo por meio da fé, estes recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus. São os nascido segundo a vontade de Deus, e portanto, espirituais ( Jo 1:12 -13).

Ao falar com a mulher samaritana, Jesus deixa bem claro que somente os nascidos de novo, os espirituais, é que prestam uma verdadeira adoração a Deus ( Jo 4:23 -24).

 

Eclesiastes

“Não te maravilhes de eu te dizer: necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito” ( Jo 3:7 – 8)

Após afirmar que os nascidos da carne são carnais, e os nascidos do Espírito são espirituais, Jesus recomenda a Nicodemos que não ficasse maravilhado com o fato de ter-lhe sido recomendado o novo nascimento.

Todos os homens precisam nascer de novo, e não importa a sua origem (descendência de Abraão), religião (a ‘melhor’), posição (social), condição moral (caráter e comportamento). Até mesmo o velho Nicodemos, sendo juiz, fariseu, hebreu de hebreu e mestre em Israel precisava nascer de novo.

Porque Nicodemos haveria de ficar maravilhado com a necessidade de nascer de novo, se ele passou a vida estudando a lei e os profetas? A citação que Jesus faz de Eclesiastes esclarece o motivo: “Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” ( Ec 11:5 ).

Nicodemos desconhecia como Deus opera o novo nascimento da mesma forma que ele desconhecia como ocorrem todas as outras maravilhas do universo. Dois exemplos de maravilhas operadas por Deus, e que o homem desconhece são: o caminho do vento e a formação dos ossos de uma criança no ventre materno.

Todo aquele que é gerado de novo é uma obra de Deus, ou seja, todo aquele que é nascido do Espírito é uma obra criativa de Deus.

Observe que não há uma mudança no tema da conversa. Além de demonstrar a necessidade do novo nascimento, Jesus passou a explicar um novo aspecto: a impossibilidade dos homens em compreender como Deus opera as suas obras!

Jesus não estava falando da imprevisibilidade da rota dos ventos! Também não estava falando do que os cristãos haveriam de receber no dia de pentecostes! Jesus não fez referência ao batismo com Espírito Santo ao citar Eclesiastes!

Ao estabelecer uma relação entre o vento e os que são nascidos de Deus, Jesus estava demonstrando que tanto os ventos quanto os nascidos de novo são obras de Deus, e que o homem natural não entende.

Ou seja, assim como o vento, assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Tanto o vento quanto os nascidos do Espírito não depende das ações e concepções humanas. Tanto os caminhos dos ventos quanto os nascidos do Espírito os homens naturais desconhecem.

É Deus quem faz todas as coisas! Se o homem desconhece como se dá as maravilhas da natureza (coisas naturais), como o caminho dos ventos, como entenderá o novo nascimento, se o nascer de novo é obra de Deus? “… assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” ( Ec 11:5 ), ou seja: “Assim é todo aquele que é nascido de Deus” ( Jo 3:8 ).

 

“Como pode ser isso?”

“Nicodemos perguntou: Como pode ser isso?” ( Jo 3:9 )

Nascer do Espírito é uma obra essencialmente divina! Mas, como saber de que maneira ocorre o novo nascimento, se nem mesmo os caminhos dos ventos o homem natural consegue precisar?

Este foi o único momento em que Jesus censura Nicodemos: “Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?” ( Jo 3:10 ). Como é possível alguém ocupar a posição de mestre e desconhecer de que maneira ocorre o novo nascimento? Muitos em nossos dias se dizem mestres, porém, desconhecem como se dá o novo nascimento, condição indispensável à salvação do homem.

A censura de Jesus não foi por causa da falta de conhecimento de Nicodemos, antes, por Nicodemos ocupar a posição de Mestre e desconhecer algo essencial para condução do povo a Deus.

Alguém que tinha a missão instruir o povo na lei e nos profetas, que estudava as escrituras e que havia assumido a condição de mestre não saber como Deus concede uma nova vida ao homem (cria um coração puro e renova um espírito reto) Sl 51:10, restava ser censurado.

Nicodemos leu inúmeras vezes o livro de Isaías, mas não sabia como Deus haveria de vivificar o espírito e o coração do povo “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

O espírito e o coração dos homens haveriam de ser vivificados a partir do momento em que Deus passasse a habitar neles (nos contritos e abatidos de espírito) Mt 5:3.

Como pode ser isso? Jesus demonstrou que a compreensão de Nicodemos estava muito a quem do proposto pela Escritura. Nicodemos estava completamente enfatuado na sua carnal compreensão.

 

 

Um dos Preceitos em Israel

“Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos do que vimos; contudo, não aceitais o nosso testemunho” ( Jo 3:11 )

Nicodemos foi informado por Jesus da necessidade do novo nascimento. Também sabia que o novo nascimento é o nascer da água e do Espírito. Mas, de que maneira o homem torna-se um novo homem? O que é exigido? Depende de alguma atitude por parte do homem? Depende da moral, do caráter, de regras, da lei, da religião, etc? Como pode ser isso?

Segundo a lei de Moisés o testemunho de duas pessoas era tido como verdadeiro a ponto de condenar alguém à morte “Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá” ( Dt 17:6 ).

A lei estipulava que o testemunho de duas pessoas em Israel era equivalente à verdade, e Nicodemos como membro do Sinédrio sabia muito bem disto e de como aplicar a lei.

Da lei surgiram inúmeros preceitos em Israel e Jesus cita um destes preceitos: “Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos…” ( Jo 3:11 ). Ou seja, dizer somente o que se sabe e testificar somente o que se viu deveria ser uma característica própria aos judeus. Ou seja, da lei decorre o preceito de testemunhar somente o que é verdadeiro.

Outro preceito foi citado à mulher samaritana: “… nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus” ( Jo 4:22 ), ou seja, os judeus consideravam que somente eles conheciam o Deus que adoravam, uma vez que a salvação viria dos judeus.

Alguns estudiosos entendem que João 3, verso 11 diz das três pessoas na divindade, e que Jesus estava falando do Pai e do Espírito Santo. Porém, este não era o tema da conversa. Jesus não estava apresentando as pessoas da divindade a Nicodemos, e sim, estava abordando a necessidade do novo nascimento.

No versículo 8 o novo nascimento e apresentado como sendo uma obra de Deus, e no versículo 11, Jesus passa a demonstra como o novo nascimento ocorre: é preciso aceitar o testemunho de Cristo e o testemunho da Escritura (Pai).

Os judeus enfatizavam os seus preceitos e se gabavam de suas leis, porém, diante do testemunho de Cristo e da Escritura que era verdadeiro, contudo, não aceitavam o testemunho de Cristo.

 

۩

“Contudo, não aceitais o nosso testemunho” ( Jo 3:11 )

 

“Contudo…”, ou seja, apesar de haverem criado um preceito a partir da lei, as pessoas não aceitavam o testemunho de Jesus e o testemunho da Escritura (Pai).

Os ouvintes de Jesus tinham dois motivos bem fortes para aceitarem o testemunho de Jesus: primeiro, ele dizia e testificava o que tinha visto junto ao Pai, e a Escritura confirmava o testemunho de Jesus.

Com a relação estabelecida através do preceito existente em Israel, Jesus protesta a Nicodemos o fato de não aceitarem a sua palavra e o testemunho da Escritura “E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer. E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós” ( Jo 5:36 -38).

Era dever de um Judeu dizer somente o que sabia e testificar somente o que viu, e Jesus como filho de Davi e Filho de Deus somente estava dizendo do que viu (nem vistes o seu parecer) e ouviu (nunca ouvistes a sua vos) do Pai.

Uma vez que a Escritura é o testemunho do Pai a respeito do Filho “São estas mesmas Escrituras que testificam de mim” ( Jo 5:39 ). Os milagres era uma das confirmações de Deus acerca da obra realizada pelo Filho. O que Jesus estava anunciando, Ele havia ouvido e visto junto ao Pai. ‘Contudo…’, ou seja, apesar de falarem conforme a lei, rejeitaram o testemunho do Filho.

Eles estavam rejeitando a Escritura que tanto cultuavam, e que até transformaram em preceitos! Eles estavam rejeitando o Messias esperado. Eles estavam rejeitando o pão vivo enviado por Deus que concede vida aos homens.

 

Como Crereis?

“Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais” ( Jo 3:12 )

O testemunho de Jesus sempre foi acerca de elementos presentes na lei e nos profetas (coisas terrestres), e mesmo sendo Ele o tema central da lei os homens não haviam crido nele ( Jo 5:46 -47). Dai vem a pergunta: como haveriam de crer em Jesus se Ele passasse a falar do evangelho (coisas celestiais)?

Jesus apresenta outro aspecto importante do novo nascimento: a fé!

O profeta Isaías há muito tempo apresentou este tema ao povo de Israel: “Quem deu crédito à nossa pregação?” ( Is 53:1 ).

A pregação é clara: ‘falei de coisas terrestres’! Qual seria o comportamento dos homens quando fosse anunciado ‘as coisas celestiais’?

Cristo é o pregador nato! Mas, quem haveria de dar credito? Como crereis? Esta é a pergunta mais importante do diálogo.

 

 

Provérbios

“Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu – o Filho do homem [que está no céu]” ( Jo 3:13 )

Em Deuteronômio Moisés apresentou ao povo várias promessas de redenção. Ele demonstra que a circuncisão do coração é uma obra divina ( Dt 30:6 ), e que bastava o povo dar ouvido ao anunciado por Deus.

Porém, alguns dentre o povo alegariam que tal ordenança era difícil, e Moisés complementa: “Ora, este mandamento, que hoje te ordeno, não é difícil de mais (…) Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?” ( Dt 30:11 ).

Ao falar que “Ninguém subiu ao céu”, Nicodemos possivelmente tenha se lembrado desta passagem!

Mas, há outra passagem com abordagem semelhante em Provérbios: “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos em Seus Punhos? Quem..? Qual é o Seu Nome, e qual é o Nome de Seu Filho, se é que o sabes? Toda Palavra de Deus é perfeita; escudo Ele é para os que nEle confiam. Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração que é pura aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua imundícia” ( Pv 30:4 -5 e 12).

Observe que Agur, filho de Jaqué de Massa escreveu um provérbio onde foi feita várias perguntas. Dentre elas destacamos: Qual é o Seu Nome, e qual é o nome de seu Filho, se é que o sabes?

Não havia como Nicodemos negar que não conhecia este provérbio em Israel. Qualquer referência ou citação semelhante a um provérbio traz de imediato a memória do ouvinte àquela citação em específico. Era de se esperar que um mestre estabelecesse esta relação.

Jesus, através da pequena afirmação “Ninguém subiu ao céu…”, trouxe à memória de Nicodemos um provérbio corrente em Israel e passa a demonstrar o seu significado:

1. ‘Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu’ – Ninguém pode subir ao céu! Se for possível a alguém subir ao céu, é porque de lá este alguém desceu;

2. Jesus identificou-se como o Filho do homem ao povo de Israel por várias vezes. Muitos já tinham ouvido que Jesus andava apregoando ser o Filho do homem, e aquele era o momento em que Nicodemos precisava perceber que Jesus é o Filho do homem. Quem desceu e posteriormente haveria de subir aos céus era Jesus, o Filho do homem;

3. Todas as perguntas feitas por Agur no livro de Provérbios apontam para Deus. O ponto de maior importância da citação de provérbios está em que o texto demonstra que Deus tem um Filho: “Qual é o Seu Nome, e qual é o Nome de Seu Filho, se é que o sabes?” ( Pv 30:4 ). Jesus, na conversa com Nicodemos, demonstrou que Ele é o Filho Unigênito enviado ao mundo ( Jo 3:16 -17), e caso Nicodemos questionasse a possibilidade de Deus ter um Filho, nas escrituras estava registrado de maneira explicita que Deus tem um Filho;

4. Nicodemos deveria crer na Palavra que é perfeita, e que revela a vontade de Deus aos homens ( Sl 19) “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam n’Ele” ( Pv 30:5 ), e não somente nos sinais. Os sinais era uma confirmação de Deus, mas o que verdadeiramente salva o homem é a doutrina de Jesus. Nicodemos precisava aceitar o testemunho de Jesus e a escritura ( Jo 3:11 );

5. Nicodemos deveria se conscientizar da sua atual condição como fariseu. A referência: “Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração que é pura aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua imundícia” ( Pv 30:11 -12), demonstra de maneira clara e precisa a condição dos fariseus, religiosos da qual Nicodemos fazia parte ( Mt 15:5 ) e ( Lc 15:7 ).

A mensagem apresentada a Nicodemos foi completa: Jesus demonstrou que não era só por causa dos milagres que Nicodemos deveria afirmar que Cristo era “Mestre vindo da parte de Deus”, antes, deveria verificar que a Palavra de Deus é perfeita. Que nela está demonstrado que Cristo é o Filho de Deus. Que Jesus desceu dos céus e que para lá haveria de subir. Que a geração da qual Nicodemos fazia parte não estava executando a verdadeira vontade de Deus ( Jo 6:29 ).

 

A Serpente no Deserto

“Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, da mesma forma importa que o Filho do homem seja levantado…” ( Jo 3:14 )

Jesus estabelece um comparativo sem parar a explicação que vinha desenvolvendo. Complementando a ideia do versículo anterior, Jesus introduziu uma comparação: “Assim como…”.

Nicodemos conhecia a passagem bíblica das serpentes ardentes e Jesus passa a demonstrar a importância de sua morte e a forma (maneira) como haveria de ser morto através desta passagem.

O mestre da lei estava sendo esclarecido naquele instante, em linhas gerais, sobre o que haveria de ocorrer com o Filho do Homem.

Quanto à forma, Jesus haveria de ser levantado da terra dando da sua morte da mesma maneira que a serpente de metal foi erguida por Moisés no deserto.

Quanto à importância, a serpente de metal ‘trouxe’ vida àqueles que foram picados pelas serpentes (aos condenados à morte), e Cristo, trouxe vida ao mundo que “jaz”, ou seja, que está morto no pecado.

O contexto é delineado através de todos os elementos apresentados no texto. Não é só analisar as frases isoladamente da seguinte forma: “Moisés levantou a serpente no deserto”. Se analisarmos esta frase isoladamente teremos uma afirmação, mas quando analisamos a frase dentro do contexto, temos uma comparação.

Jesus fez uma comparação e passa a Nicodemos uma ideia que só entenderemos quando considerarmos todos os elementos presentes no texto: “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto…”.

Para melhor entender a comparação que Cristo fez, faz-se necessário analisar a referida passagem do Antigo Testamento.

A passagem de Números 21: 4- 9 relata que o povo de Israel ficou impaciente enquanto caminhavam pelo deserto e passaram a maldizer: “Por que nos fizestes subir do Egito, para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil” ( Nm 21:5 ).

Diante da murmuração, Deus enviou serpentes ardentes e estas mordiam o povo, e ao sentirem que estavam amaldiçoados, foram até Moisés e disseram: “Havemos pecado, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti”..

Então disse o Senhor a Moisés: “Faze uma serpente ardente, e põe na sobre uma haste, e será que viverá todo o mordido que olhar para ela”. Foi quando Moisés fez a serpente de metal, e colocou em uma haste, e “mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal, e ficava vivo”.

a) a praga das serpentes foi conseqüência direta do pecado do povo;

b) a salvação para os picados pelas serpentes estava na palavra de Deus anunciada por Moisés;

c) a serpente de metal foi erguida por ordem divina;

d) bastava um olhar para que o favor de Deus fosse alcançado.

A palavra de Deus foi: “E será que viverá todo o mordido que olhar para ela”, e Moisés anunciou ao povo o que Deus disse. Observe a universalidade da mensagem (todo o mordido) e a necessidade dos ouvintes de Israel (não morrerá). Da mesma forma que os picados pelas serpentes estavam condenados à morte, toda a humanidade também está condenada à morte em Adão.

A mensagem, a que Moisés foi comissionado a transmitir, não excluía nenhum dos picados pelas serpentes. Todos sem exceção que olhassem para a serpente de metal haveriam de alcançar uma nova oportunidade de vida. A oferta de salvação a humanidade também não é diferente: todos, sem exceção, são alvos da graça de Deus.

Os ouvintes de Moisés necessitavam da cura e nada lhes foi exigido. Bastava um simples olhar em direção à serpente de metal e haveria de ter uma ‘nova’ vida. Esta mesma oferta é feita a humanidade: precisam olhar para quem prometeu a nova vida, pois a garantia de nova vida esta em quem é Fiel, se qualquer exigência ou obras a serem realizadas por parte dos agraciados.

 

 

Quem Crer

“…da mesma forma importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” ( Jo 3:15 )

Jesus não estava evidenciando a Nicodemos o evento da sua morte. Ele anunciou a sua morte de maneira implícita ao destacar que o Filho do homem haveria de ser levantado. Mas, o que Jesus procurou destacar?

Jesus simplesmente estava destacando que, em importância, o que a serpente de metal representava para o povo de Israel, o Filho do homem representa para a humanidade.

A mesma importância que a serpente de metal erguida teve para o povo de Israel, Jesus Cristo crucificado representa para a humanidade: Cristo é vida para aqueles que estão mortos em delitos e pecados.

Deus não exigiu dos picados pelas serpentes que se fizesse algo em troca do livramento da morte iminente. Deus providenciou salvação poderosa ao povo de Israel e para serem participantes de tal salvação bastava simplesmente crer na palavra anunciada por Moisés: precisavam olhar para a serpente erguida na haste de metal.

O ponto principal da declaração de Jesus centra em uma única questão: da mesma forma que os picados pelas serpentes tiveram que crer na mensagem apregoada por Moisés, a humanidade precisa crer em Cristo para ter acesso à nova vida.

Deus não escolheu dentre o povo de Israel aqueles que seriam salvos, antes todo o mordido que olhasse para a haste haveria de viver, conforme a palavra de Deus. Da mesma forma Deus não escolhe dentre os homens perdidos aqueles que serão alvos de sua graça. Todos quantos crerem em Cristo terão vida eterna.

O novo nascimento dá acesso a vida eterna livrando o homem da morte eterna. Através do novo nascimento o homem entra pela porta estreita que é Cristo, visto que através do nascimento natural o homem teve acesso a porta estreita.

Quem não crer perecerá, e aquele que crer terá vida eterna. Não é uma escolha entre duas alternativas. É uma decisão: o homem já está condenado e deve decidir-se em aceitar a salvação proposta (v. 18).

Não há como o homem desconsiderar o convite de salvação, visto que, não é uma escolha, e sim uma decisão!

Aos picados pela serpentes não restava alternativa a não ser olhar para a haste de metal, uma vez que já estavam condenados ( Hb 2:3 ).

Da mesma forma que Adão decidiu de moto próprio comer do fruto da árvore do bem e do mal, é preciso o homem decidir-se de moto próprio comer o Pão vivo que desceu do céu que dá vida eterna aos homens.

 

O Amor de Deus

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 )

A base de tudo que Jesus disse a Nicodemos é o amor de Deus.

Deus amou todos os homens e Jesus é a prova evidente deste amor.

O ato de ter entregue o seu único Filho em resgate da humanidade concede-nos o parâmetro necessário para mensurarmos a dimensão deste amor.

Deus entregou o seu Filho em resgate da humanidade, e não de alguns. Da mesma maneira que a serpente de metal sinalizava vida a todos quantos olhassem para ela, Cristo é salvação a todos os homens, sem distinção alguma.

A salvação é para todo aquele que N’ele crê, da mesma maneira que foi dito “… viverá todo o mordido que olhar para ela”.

Em momento algum Jesus demonstra que Deus selecionou algumas pessoas para serem agraciadas em particular. Antes convida a todos que creiam na providência, para que tenham vida eterna.

۩

O amor de Deus não é demonstrado em conivência ao pecado, ou seja, ele não aceita o culpado como sendo inocente!

Deus é amor, mas também é justiça. O amor de Deus não é um sentimento, onde Ele tem preferência entre A e B. Deus comporta-se segundo o seu amor que é demonstrado em justiça.

Por Deus amar os homens a justiça de Deus foi manifesta em Cristo. Desta maneira verifica-se que Ele não pode aceitar o culpado como sendo inocente. Ele não pode estar (unir-se) com o impuro.

Os culpados estão sob condenação e não serão aceitos por Ele. Os culpados devem receber a pena estipulada: morte. Quando o homem morre com Cristo é justificado do pecado ( Rm 6:7 ), e ao ressurgir com Cristo (nascerem de novo) é declarado livre de culpa ( Rm 4:25 ).

A ação divina não é reconciliação com a criatura perdida (velho homem). Ele não toma o velho homem e o aceita na condição de justo. Antes o velho homem (o pecador) precisa ter um encontro com a cruz de Cristo. Este homem é crucificado, morre e é sepultado, tudo por meio da fé em Cristo.

Em seguida um novo homem é criado (ressurge) e Deus o declara justo diante d’Ele. Este novo homem é criado através da semente incorruptível (água), e segundo Deus (Espírito), em verdadeira Justiça e Santidade.

Estas são as bases para as doutrinas da Justificação e Santificação.

A justificação do homem é por meio da nova vida que se adquiri em Deus. Justiça esta que não é conforme a justiça que se estabelece nos tribunais humanos. A justificação é de vida, da mesma forma que a condenação foi de morte ( Rm 4:18 ).

 

 

Salvação

“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 )

A primeira ideia que as pessoas têm em mente é a de que Jesus trouxe um padrão de conduta tão alto que homem algum pode cumpri-lo. Pensa-se mais na condenação do que na oferta de salvação.

Em primeiro lugar a salvação não se dá através de um padrão de conduta.

Muitas pessoas se assuntam com o Sermão do Monte, onde Jesus parece apresentar um padrão de conduta inatingível. Este não era o intuito de Jesus ao dar o Sermão do Monte, estabelecer mais um padrão de conduta, ou o melhor padrão ético.

Jesus estava falando a um povo que detinha um dos padrões de condutas mais alto à época. Eles eram cumpridores de alguns aspectos da lei e tinham um padrão de conduta superior aos outros povos. Mas, o que Jesus pretendia com o Sermão do Monte?

O intento de Jesus é demonstrar que o espírito da lei é inatingível. Por mais que o homem procure seguir a lei ou qualquer outro padrão de conduta, sempre ficará aquém da lei. Ex: A lei dizia: “Não adulterarás”, mas se for perseguir o espírito da lei, qualquer que ao menos olhar para uma mulher com intenção impura, já é transgressor da lei ( Mt 5:27 -30).

Desta forma, antes de apresentar o espírito da lei aos seus ouvintes, Jesus deixa o alerta: quem quisesse entrar no reino dos céus deveria ter uma justiça maior do que a justiça dos fariseus ( Mt 5:20 ).

A conduta dos fariseus era irrepreensível perante a sociedade da época. Como, então, alcançar justiça maior dos que a dos fariseus? Não tendo pensamento impuro? Nunca fazer um xingamento? Jamais pensar no divorcio? Não! A justiça maior é pela fé! Se o homem aceitar a Cristo como Senhor, estará de posse da justiça que vem de Deus, pois é somente Ele quem justifica.

Desta maneira podemos compreender a missão de Jesus no mundo: Ele veio salvar o que estava perdido. Ele não veio apontar os erros dos homens. Não veio estabelecer outro padrão de conduta. Também não apresentou um código de Ética. Ele veio trazer salvação a todos os homens.

Deus enviou o seu Filho com a missão específica de salvar o mundo. A salvação do mundo está na vida que Deus oferece por meio da fé em Seu Filho. Ter Jesus é ter a vida eterna.

 

Condenação

“Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” ( Jo 3:18 )

Cristo foi enviado ao mundo para salvar e não para condenar os homens.

Quem crê em Cristo não é condenado com o mundo, mas quem não crê permanece sob uma condenação anterior.

A condenação do homem deu-se em Adão conforme Paulo demonstrou na carta aos Romanos: “Pois assim como por uma ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 4:18 ).

Em Adão se deu a ofensa, e nele foi estabelecido o juízo.

O juízo e a condenação de Deus foram estabelecidos apartir do momento em que Adão pecou! ( 1Co 15:22 ).

Jesus demonstrou a Nicodemos que o mundo precisava de salvação “…para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 ), visto que sobre a humanidade pesa uma condenação. Sem crer em Cristo o homem perece!

Quem não crê no filho de Deus já está condenado, pois só a crença na providência (salvação) de Deus poderá salvar o homem (João 3: 18).

Se o Sermão do Monte fosse um novo padrão de conduta que Cristo veio estabelecer, jamais o homem seria salvo, antes permaneceria debaixo do pecado. Ao apresentar o espírito inatingível da lei, a única coisa que restaria a seus ouvintes era atentar para a grande salvação: crer naquele que o Pai enviou!

 

 

Princípios Gerais

“A condenação é esta: A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz porque as obras deles eram más. Todo aquele que pratica o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem vive de acordo com a verdade vem para a luz, a fim de que se veja claramente que as suas obras são feitas em Deus” ( Jo 3:19 -21)

Deus enviou salvação poderosa a todos os homens, mas eles confiam mais em suas próprias ações. A condenação dos homens está em permanecer de posse de suas obras e concepções.

Porque Jesus disse que as obras dos homens são más?

Sabemos que os homens amaram mais as trevas porque as suas obras eram más. Mas, o que determina a qualidade das obras dos homens (boas e más)?

Se as ‘boas’ obras são feitas em Deus, as ‘más’ obras ganham este qualificativo por não serem feitas em Deus.

Como entender esta colocação de Jesus? Que princípio Jesus procurou evidenciar?

Todos os homens quem rejeitaram a Luz que veio ao mundo só praticam obras más. Eles são plantas que Deus não plantou ( Mt 15:13 0. Estão no caminho largo que conduz à perdição. São vasos de desonra. Eles praticam obras más por que são escravos do pecado, pois todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus.

Quando a Bíblia diz que o homem é escravo do pecado ela aponta estes três aspectos:

  • Um escravo não pode libertar a si mesmo;
  • Um escravo não pode servir a dois senhores, e;
  • Um escravo não pode produzir nada para si mesmo.

Os homens que rejeitam a Luz que Deus enviou permanecem escravos do pecado. Eles tem o pecado como senhor. Não podem libertar-se por meio de esforço próprios. E tudo o que produzem, produzem para o seu senhor, o pecado.

Com base nestes princípios verifica-se que o homem sem Cristo não pode praticar obras ‘boas’, pois eles não estão em Deus. Somente aqueles que estão em Deus é que praticam boas obras ( Ef 2:10 ).

Isto não quer dizer que os homens sem Cristo não consigam praticar boas ações. O que esta figura demonstra é que tudo o que o homem enquanto escravo do pecado produz, seja bem ou mal, pertence por direito ao seu senhor.

Nada que um escravo produz é para si mesmo. Por conseguinte, nada que um escravo do pecado produz é para si mesmo. O escravo do pecado só produz obras más, pois tudo o que faz é de propriedade de seu senhor.

Por isso é necessário o homem nascer de novo, visto que, o homem segundo Adão vive à mercê do pecado, e tudo o que produz (boas ou más ações) pertence ao seu senhor, o pecado!

Os fariseus tinham as melhores obras aos seus olhos, mas as obras deles não eram produzidas em Deus, antes em pecado, pois não receberam a Luz de Deus. Ex: O jovem rico cumpria a lei rigorosamente, mas o seu senhor era o pecado, e não Deus.

“todo aquele que faz o mal” refere-se aos homens sem Deus, pois, segundo os Salmos, temos que: “Não há um justo, nem um sequer (…) Não há quem faça o bem, não há nem um só” ( Sl 14:1 -3).

Se não há quem faça o bem, e como ressalva o salmista complementa ‘nem um homem sequer’, não havia como os que rejeitaram a luz de Deus fazer o bem. Perceba que Jesus não ordena aos homens que faça o bem, visto que não há quem faça o bem. Antes, Jesus ordenava aos seus ouvintes que viessem para Ele (para Luz), e então as suas obras seriam boas.

Seria um contra senso Jesus solicitar aos homens fazer o bem se não há um sequer que faça o bem. Somente aqueles que são participantes da nova vida é que podem fazer o bem, pois a semente de Deus permanece nele.

Jesus está falando de uma condição pertinente à velha criatura quando afirma que aqueles que fazem o ‘mal’ aborrecem a Deus. Se não há quem faça o bem, isto demonstra que, por mais que o homem que não nasceu de novo pratique ações que, segundo a sua concepção é o ‘bem’, para Deus as suas obras são o ‘mal’.

O homem precisa estar em Deus, ou seja, em Cristo, para que possa fazer o bem:

  • “Todo aquele que faz o mal aborrece a Luz” ( Jo 3:20 );
  • “Não há quem faça o bem, não há nem um só” ( Sl14:1-3; Rm 3:9 -17);
  • “…todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” ( Jo 8:34 ).

Todos os homens sem Cristo fazem o mal por terem nascido escravos do pecado. Por isso é necessário que todos nasçam novamente, da semente incorruptível, da palavra de DEUS, que é viva e permanente.

Os fariseus e escribas possuíam uma conduta invejável frente a seus concidadãos! Mas, assim mesmo, Jesus disse a um dos seus mestres: Você tem que nascer de novo!

Estes tinham receio de ir a Jesus (Luz do mundo) por medo de terem as suas obras reprovadas, como ocorreu com o jovem rico ( Mt 19:20 ).

Mas quem pratica a Verdade, ou seja, que vive a Verdade, estes vem para a Luz. Observe que aqueles que estão sem Cristo praticam o mal, e aqueles que estão em Cristo, praticam a verdade.

A finalidade de ir a Jesus é para que se manifeste que as obras do novo homem são feitas em Deus. Aqueles que nasceram de novo passam a viver uma nova vida, sujeito à justiça, e todas as suas obras são segundo a verdade, mesmo quando o cristão acaba errando.

A nova criatura é por natureza sujeita a lei de Deus, e ‘em verdade é’, visto que tudo o que o novo homem produzir pertence ao seu Senhor, que no tribunal de Cristo haverá de recompensar as obras dos seus filhos ( 2Co 5:10 ).

Por outro lado, o profeta Isaías, citado por Paulo, demonstra que a nova criatura foi criada por Deus em Cristo para as boas obras “…as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Ef 2:10 ; Is 26:12 ).




Como nascer novamente?

Ao preocupar-se em como um velho poderia nascer novamente, vemos que Nicodemos despiu-se de seus méritos e posições. Ele poderia ter perguntado como era possível alguém na posição de juiz, ou de mestre nascer de novo, mas diante de Jesus, Nicodemos viu a sua real posição: um homem já velho, que carecia de salvação (novo nascimento)!


Como nascer novamente?

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 )

A Universalidade da Mensagem

A resposta de Jesus a abordagem de Nicodemos é taxativa e universal.

É taxativa porque se não for satisfeita a exigência, não há como o homem ver o Reino de Deus. É universal por englobar toda humanidade.

Visto que o novo nascimento é uma necessidade que abrange todos os homens, podemos inferir que a salvação não diz de uma restauração moral, nem tão pouco de uma restauração física. Se assim fosse, os homens de moral mais elevada não necessitariam do novo nascimento.

Através da declaração de Jesus vemos que, tanto aqueles que possuem, quanto os que não possuem qualidades e méritos, precisam do novo nascimento. Nicodemos é um exemplo claro desta verdade.

Nicodemos era membro do Sinédrio, supremo tribunal dos Judeus ( Jo 3:1 ). Ele era um dos mestres em Israel ( Jo 3:10 ). Era membro também de uma das mais severas seitas do judaísmo, o farisaísmo ( Jo 3:1 ). Perante a sociedade, os da seita do farisaísmo eram tidos por justos pelo comportamento distinto que apresentavam ( Mt 5:20 ).

Mas, apesar de todas as suas qualidades pessoais (moral, caráter e comportamental), Nicodemos precisava nascer de novo, assim como qualquer outro homem desprovido de qualidades e méritos.

A abordagem de Jesus deixa evidente que os valores que os homens tanto primam (prezam) seguir não operam e nem mesmo promovem o novo nascimento.

 

Uma necessidade

Jesus demonstrou que todos os homens precisam do novo nascimento, ou seja, é imprescindível o novo nascimento para se ver e ter acesso ao Reino de Deus.

Desta forma, verifica-se que o novo nascimento não está vinculado aos princípios em que as relações humanas se firmam.

O homem procura aprovação na religião, na sua origem, no comportamento, na moral, no caráter, na justiça própria, na justiça humana e até mesmo através dos sacrifícios, mas estas coisas também não promovem o novo nascimento.

Geralmente as religiões propõem uma melhora ou uma mudança no caráter e no comportamento do homem, o que é proveitoso para as relações humanas, porém, tal proposta não possui valor algum na obtenção da salvação.

Nicodemos era o melhor que a sociedade da época podia apresentar, mas a resposta de Jesus deixa implícito que o Reino de Deus não é conquistado por questões pertinentes a este mundo.

 

Como Nascer Novamente?

“Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Poderá voltar ao ventre da sua mãe e nascer?” ( Jo 3:4 )

A resposta de Jesus mudou as convicções de Nicodemos sobre como alcançar a salvação, visto que, até aquele momento ele acreditava que tinha direito ao reino de Deus por ser descendente (filho) de Abraão ( Mt 3:9 ; Jo 8:33 ).

Quando ele soube que era necessário um novo nascimento para ter acesso ao o reino de Deus, questionou: Como pode um homem velho nascer novamente? É possível que ele volte ao ventre materno para novamente nascer?

Ao preocupar-se em como um velho poderia nascer novamente, vemos que Nicodemos despiu-se de seus méritos e posições. Ele poderia ter perguntado como era possível alguém na posição de juiz, ou de mestre nascer de novo, mas diante de Jesus, Nicodemos viu a sua real posição: um homem já velho, que carecia de salvação (novo nascimento)!

۩

A conjectura de Nicodemos é descartada: ‘Poderá voltar ao ventre materno, e nascer?’, uma vez que o novo nascimento não tem relação com a descendência humana (maternidade ou paternidade).

Mesmo após ser descartada a conjectura de Nicodemos, ela nos auxilia na compreensão do sentido exato da palavra ‘nascer’ quando empregada por Jesus neste capítulo.

Quando Jesus falou da necessidade do novo nascimento, a ideia primária da palavra ‘nascer’ permaneceu a mesma (foi preservada).

Nascer ou nascimento refere-se à chegada de um novo ser ao mundo. Diz do início de uma nova vida neste mundo pleno da mesma vida que há em seus pais (natureza).

Se Nicodemos entendeu que, para ocorrer o novo nascimento era preciso voltar ao ventre materno, podemos inferir que o sentido exato da palavra ‘nascer’ utilizado por Jesus não diz de uma reforma na natureza do homem. Ela também não diz de uma possível recuperação moral e comportamental do homem. Não diz de uma conformidade. Não diz de uma reversão de atitude. Não é uma revitalização de uma vida que se extingue etc.

Quando Jesus disse que é preciso nascer de novo, ele falou da vinda de um novo ser a existência, pleno da vida que há em Deus, e de posse da natureza divina.

Jesus falou de uma ‘nova geração’, ou seja, de uma nova criação. Da mesma maneira que a palavra nascimento diz da vinda de um ser ao mundo, pleno da vida que há em seus pais, o novo nascimento diz da criação de um novo ser pleno da vida que há em Deus.

Continua no artigo ‘Nascer da água e do Espírito’.




A doutrina de Cristo

Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus.


A doutrina de Cristo

A Função dos Milagres

“Havia entre os fariseus um homem chamados Nicodemos, um dos principais dos Judeus. Este foi ter com Jesus de noite, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus. Pois ninguém poderia fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele” ( Jo 1:1 -2)

Entre os Judeus havia um mestre do judaísmo de nome Nicodemos. Ele era fariseu e foi encontrar-se com Jesus à noite. Neste encontro, surpreendentemente Nicodemos chamou Jesus de ‘Rabi’, ou seja, Mestre. Tal reconhecimento vindo da parte de um juiz, ou de um mestre em Israel era para deixar qualquer um dentre os homens lisonjeado.

Mas, por que Nicodemos chamou Jesus de Mestre? Em sua abordagem inicial Nicodemos fez a seguinte afirmação: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” ( Jo 3:2 ).

Nicodemos entendeu que Jesus era mestre por causa dos milagres que estavam sendo realizados. Nicodemos ao ter noticia dos milagres realizados por Jesus entendeu que Ele era Mestre, porém, um mestre enviado por Deus, o que tornava Jesus distinto de todos os outros mestre em Israel.

Quem poderia realizar os milagres que Jesus estava realizando sem o auxilio do dedo de Deus? O próprio Nicodemos responde: Ninguém poderia realizar estes sinais que Tu fazes! A análise de Nicodemos é totalmente válida, e a conclusão também ( Jo 5:36 ).

Nicodemos venceu uma grande barreira ao concluir que Jesus era Mestre vindo de Deus, e esta conclusão impulsionou Nicodemos a ter um encontro com Cristo à noite. Outros fariseus tiveram encontro com Cristo à luz do dia, porém, movidos de hipocrisia, querendo pegar Jesus nalguma contradição.

Após analisar a pessoa de Jesus através dos milagres que Ele operava, Nicodemos foi até Jesus e expôs a sua conclusão:

  • Jesus era Mestre;
  • Enviados por Deus, visto que:;
  • Ninguém poderia realizar tal milagres, se Deus não estiver com ele.

Nicodemos não foi atrás de um milagre, antes queria saber mais sobre a doutrina d’Aquele que operava milagres.

Sabemos que Deus possui todo poder, e que milagres não são maravilhas superior a própria obra da criação. Não há milagres que supere a obra criativa de Deus, tais como: a vida, o universo, etc. Tudo é um milagre, pois todas as coisa foram operadas maravilhosamente através do poder de Deus.

A função precípua de um milagre é despertar o homem a conhecer o seu Criador. Qualquer uso ou discurso que se faz fora desta tônica desvirtua o ‘testemunho’ que Deus dá acerta d’Ele, para que o homem procure se aproximar de Deus ( Hb 2:4 ).

Milagres não é o primordial na vida do homem, antes é preciso ter em mente que os milagres são a confirmação de Deus do que foi anunciado pelos profetas e por Cristo. É preciso crer em Deus que opera maravilhosamente, e não nas maravilhas operadas. O homem precisa estar focado na mensagem de Deus, e não nas maravilhas que Dele procedem.

 

A Doutrina de Cristo

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 )

Embora reconhecesse Jesus como sendo Mestre da parte de Deus, Nicodemos desconhecia a doutrina de Cristo. O milagre foi à causa primária da conclusão de Nicodemos de que Cristo havia sido enviado por Deus, porém, Nicodemos precisava ouvir a doutrina do Mestre enviado .

Nicodemos estava focado na qualidade de Mestre daqueles que era enviado de Deus e operava milagres que ninguém poderia operar, se Deus não fosse com Ele “… porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” ( Jo 3:1 ).

Qual não foi a surpresa de Nicodemos quando Cristo lhe respondeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

A estratégia de evangelismo de Jesus é a mesma adotada por João: os milagres tinham a função de demonstrar aos homens que Jesus era o enviado de Deus. Uma vez que Nicodemos já havia reconhecido que Cristo era Mestre enviado por Deus “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus…”, Jesus chama a atenção de Nicodemos para o primordial, o novo nascimento “… e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ).

Os milagres deixam de ter importância quando a verdade vem à tona e Nicodemos pergunta: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” ( Jo 3:4 ). Nicodemos não contesta a informação dada pelo Mestre enviado por Deus, antes se preocupou em entender a dinâmica do ‘novo nascimento’, ou da doutrina de Cristo.

Por estar vetado o reino dos céus àqueles que não nasceram de novo, Nicodemos ficou preocupado, uma vez que ele já era velho. Haveria um milagre extraordinário que tornaria possível Nicodemos voltar ao ventre materno para que ele pudesse nascer de novo, mesmo sendo velho?

O fariseu Nicodemos, seguidor de um seguimento mais severo da religião judaica, ao ser informado que não tinha direito de ver o Reino de Deus, deveria soar no mínimo como absurdo. Nicodemos poderia ter rejeitado de pronto a doutrina de Jesus, já que ele, além de ser fariseu, era um representante do melhor da nação e da religião judaica.

Fica claro que ser judeu ou gentil, ser fariseu ou de qualquer outro seguimento religioso, ser mestre ou leigo, ser juiz ou réu, não habilita ninguém a ter acesso ao Reino de Deus. Antes, todos, indistintamente necessitam nascer de novo.

Em nossos dias há muitas pessoas que quem conhecer Cristo através de milagres e maravilhas, mas que não busca a sua palavra “Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:47 ).

Nicodemos foi além dos milagres operados por Cristo “porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”, e suportou a doutrina de Cristo, mesmo ela demonstrando que a sua condição não lhe dava direito ao reino dos céus.

Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus. É sobre estes aspectos que comentaremos o novo nascimento: Por que devemos passar pelo novo nascimento? O que é esse novo nascimento? O homem consegue nascer de novo sem a participação de Deus?

Continua no artigo ‘Como nascer novamente‘.




O novo nascimento

O que é Regenerar segundo a Bíblia? Regenerar não é uma reforma. Não é reaproveitar o velho. Regenerar é criar de novo! É um ato criativo de Deus sem qualquer referência a uma reforma na velha natureza do homem.Deus concede ao homem um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ).


O novo nascimento

O verso 12, do capítulo 1 do evangelho de João, diz:

“A Todos que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem em seu nome”.

O versículo demonstra que crer em Jesus é o mesmo que recebê-lo. Só é possível receber a Cristo quando o homem crê nele. Todos quantos creem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos (criados) filhos de Deus. Com base neste versículo, verifica-se que quem crê na palavra de Jesus (ou na pessoa de Jesus) recebe poder para ser feito filho de Deus. Mas, em que implica ser feito (criado) filho de Deus?

1- Quem crê em Cristo passa a pertencer à família de Deus;
Pertencer à família de Deus não é fazer parte de uma religião ou de uma igreja (instituição). Pertencer a família de Deus implica diretamente em receber uma natureza segundo a natureza daquele que o gerou (de Deus). Por você crer em Cristo, Deus lhe concedeu (deu) grandíssimas e preciosas promessas, e por meio delas você tornou-se participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ; Jo 1:16 ).

2- Quem crê é recebido por filho de Deus e passa a ser irmão de Cristo ( Gl 3:26 );
João ao escrever disse: “Amados, agora somos filhos de Deus… E somos mesmo seus filhos” ( 1Jo 3:1 -2).

3- Os filhos têm direito a herança, logo, quem crer passa a ter direito a herança;
Além de ser filho, os que creem tem direito a uma herança. Você como cristão é co-herdeiro com Cristo de todas as coisas “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

Quando se recebe (crê) a Cristo, o homem nasce na família de Deus. Quando se crê, o homem nasce de novo na condição de filho de Deus e com direito a herança dos santos na Luz.

Este novo nascimento não traz somente uma nova família, lhe concede também uma nova vida, segundo a vida que há em Deus. Os que recebem a Cristo ‘recebem’ poder para serem feitos filhos de Deus e recebe de sua plenitude ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ).

A nova vida do cristão tem início com uma nova criação, que a Bíblia apresenta como Regeneração “Bendito o Deus e Pai… que, segundo a sua muita misericórdia nos regenerou” ( 1Pe 1:3 ).

O que é Regenerar? Regenerar não é uma reforma. Não é reaproveitar o velho. Regenerar é criar de novo! É um ato criativo de Deus sem qualquer referência a uma reforma na velha natureza do homem. Deus concede ao homem um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ).

Desta maneira temos que:

a) O Novo Nascimento é ato criativo de Deus, onde ele faz nova todas as coisas;
b) O Novo Nascimento decorre do poder de Deus, ou seja, nenhum ser humano pode promover o novo nascimento;
c) O Novo Nascimento faz o homem filho de Deus, e irmão de Cristo;
d) Por meio do novo nascimento o homem passa a ter uma nova família e direitos;
e) Tudo ocorre por meio da fé em Cristo através do evangelho, que constitui poder de Deus a todos quantos crerem.

Deus deu ao homem capacidade de transformar coisas, porém, somente ele tem o poder de criar. Segue-se que o novo nascimento só é possível através do evangelho, que é poder de Deus que faz do homem seus filhos.

Perguntas e Respostas:

1) O Novo Nascimento é ato__criativo__ de Deus, que faz __nova__ todas as coisas;

2) O Novo Nascimento é o mesmo que re__generação___________, e significa___nascer___ de novo.

3) Ao nascer de Novo o homem passa a pertencer a___família____ de Deus, e com__direito a herança___.
4) Qual a natureza do Novo Homem?
R. Divina.

5) O que significa receber graça sobre graça?
R. 1) Graça – Favor imerecido;
2) Graça – Filiação divina.

6) Como o homem alcança a condição de filho de Deus? Por meio da_fé__em Cristo.

7) O Homem alcança o novo nascimento por pertencer a uma igreja, ou porque é religioso?
R. Não! Pertencer a alguma instituição não dá direito a vida eterna.




O primeiro e grande mandamento na lei

Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesto aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).


“Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” ( Mt 22:36 -40).

Certa feita Jesus foi questionado pelos discípulos porque falava aos seus ouvintes por parábolas. E Jesus lhes respondeu: “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” ( Mt 13:13 ).

Jesus falava ao povo por parábolas, pois neles se cumpria a profecia de Isaías, uma vez que o coração deles estava endurecido ( Mt 13:15 ).

No diálogo que Jesus teve com certo doutor da lei se faz necessário descobrir se Jesus também falou por parábolas, para que, o doutor da lei e fariseu ouvindo, não ouvisse e nem compreendesse ( Jo 1:5 ).

Os profetas anunciaram que o Cristo haveria de propor enigmas e parábolas aos seus ouvintes ( Sl 49:4 ; Sl 78:2 ), e Jesus não trouxe nada de diferente do que constava na lei, salmos e profetas ( Jo 5:39 ; Lc 24:44 ).

A pergunta capciosa de um fariseu foi: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”.

Jesus, por sua vez, demonstrou que o primeiro e grande mandamento na lei é: “Amará o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” ( Mt 22:37 ), e que o segundo, semelhante ao primeiro é: “Amará o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 22:39 ).

O mestre dos fariseus deu-se por satisfeito, pois era isto mesmo que ele queria ouvir. Ele escutou e aprovou a resposta de Cristo. Ele já havia lido e ouvido esta passagem bíblica inúmeras vezes, mas não ‘ouviu’ e nem ‘compreendeu’.

A pergunta que o doutor da lei precisava fazer para Jesus era: como se ama a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento?

As Escrituras nos revelam que cumprir todos os mandamentos assim como certo príncipe judeu cumpria a lei desde a mocidade, não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento ( Mt 19:20 ; Lc 18:18 -24).

“- Tudo isto tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” Se o Jovem rico amasse a Deus de todo o seu coração, não teria se retirado triste ( Mt 19:22 ). Se ele entendesse a proposta da lei, jamais teria perguntado: “Que bem farei para herdar a vida eterna” ( Lc 18:18 ), pois saberia que não há bem algum a ser realizado pelo homem que dê direito a salvação, antes, para que o homem possa herdar a vida eterna é necessário somente crer no Autor da salvação.

Mesmo sendo príncipe dos judeus, fariseu, juiz e mestre em Israel, Nicodemos também não amava o Senhor Deus de todo coração, de toda alma e de todo entendimento, uma vez que Jesus lhe disse: necessário vos é nascer de novo ( Jo 3:1 -5 ).

Outro fariseu subiu ao templo, e em oração disse: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” ( Lc 18:11 -12).

Mesmo ‘seguindo’ o que preceituava a lei, o fariseu que subiu ao templo não foi justificado! Não roubar, não matar, não furtar, não ser injusto ou adultero não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento, pois aqueles que amam a Deus e cumprem os seus mandamentos são declarados justos ( Dt 7:9 ).

Se os fariseus, apesar de serem religiosos, legalistas, formalistas e ritualistas, não cumpriram o primeiro e grande mandamento na lei, como esperar que qualquer do povo cumpriria o mandamento que diz: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” ( Dt 6:4 -5)?

A resposta está em Deuteronômio, verso 6, capítulo 30: “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Para que o homem possa ‘amar o Senhor Deus de todo o coração, de toda alma, de todas as forças e de todo o entendimento’ é necessário que o coração do homem seja circuncidado por Deus.

A circuncisão do coração feita por Deus tem dois objetivos definidos:

  • Que o homem obtenha vida, e;
  • Que o homem possa amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma, etc.

Somente um coração circuncidado pelo Senhor pode amá-Lo de todo. Somente após Deus realizar a sua obra, que é a circuncisão do coração, torna-se possível ao homem e a mulher amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo entendimento, etc “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…), para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma” ( Dt 30:6 ).

Um coração incircunciso está morto diante de Deus. Somente um coração circuncidado vive perante Ele “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…) para que vivas ( Dt 30:6 ). Nada representa diante de Deus os sentimentos de um coração incircunciso, ou seja, que está morto! A circuncisão de Deus é para que o homem tenha vida, pois Deus é Deus de vivos, e não de mortos.

O amor a Deus não se vincula a sentimentos humanos, à voluntariedade, aos serviços, aos sacrifícios ou esforço próprio, antes só é possível amar a Deus após a intervenção cirúrgica de Deus: a circuncisão do coração!

Havia um enigma no primeiro e grande mandamento da lei! Muitos leram, outros ouviram, porém, não entenderam e nem compreenderam como se cumpre o primeiro e grande mandamento na lei: circuncidai, pois o vosso coração!

Antes de entregar pela segunda vez as tábuas dos dez mandamentos, Deus orientou o povo a amá-lo ( Dt 10:12 ). De que modo? Circuncidando o prepúcio do coração ( Dt 10:16 ). Ou seja, o cumprimento da lei dependia diretamente da circuncisão do coração, o que só é possível através da ação divina, sem o auxílio de mãos humanas: obra exclusiva de Deus “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração…” ( Dt 30:6 ; Cl 2:11).

Da mesma forma que, segundo a carne, Abraão circuncidou Isaque, quando Deus recebe dentre os homens filhos para si, Ele circuncida o prepúcio do coração dos seus filhos. É o pai que circuncida o filho, e a circuncisão promovida por Deus demonstra que Ele recebeu o circuncidado por filho.

Os fariseus não amavam a Deus de todo o coração porque acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão. Por serem circuncidados na carne ao oitavo dia após nascerem, acreditavam que tal prática os tornava filhos de Deus.

Porém, Deus só recebe por filhos aqueles que ele circuncida. A circuncisão do coração é necessária para que o homem viva, ou seja, volte a ser participante da glória de Deus. Sem a circuncisão que Deus efetua no coração o homem está morto, continua na incircuncisão da carne herdada de Adão, mesmo após cumprir os quesitos da lei, como o é a circuncisão do prepúcio.

Enquanto a circuncisão do prepúcio era quesito para ser membro da nação de Israel, a circuncisão do coração é imprescindível para que fossem participantes do Israel de Deus ( Rm 9:6 ). Somente Deus pode realizar a circuncisão do coração do homem “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Após ser circuncidado pelo Senhor, o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ). É tirado o coração de pedra e concedido um coração de carne ( Ez 36:26 ). O criado em verdadeira justiça e santidade um novo homem( Ef 4:24 ). Tudo se faz novo!

Somente após receber um novo coração e um novo espírito, o homem regenerado passa a adorar a Deus em espírito e em verdade, ou seja, consegue amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.

O profeta Ezequiel anunciou que Deus haveria de espargir água pura sobre os homens, ou seja, através da sua palavra Deus haveria de conceder um novo coração e um novo espírito.

Após o novo nascimento, Deus haveria de habitá-los, condição imprescindível para que os homens andem, guardem e cumpram os estatutos de Deus ( Ez 36:25 -27 ). Para amar a Deus de todo o coração é necessário que Deus habite o homem.

Diante da lei e do protesto veemente dos profetas, o povo de Israel aplicavam-se a cumprir os mandamentos como guardar o sábado, utilizar os filactérios, jejuns, orações, sacrifícios, etc. Valorizavam a circuncisão ao oitavo dia, porém, o coração deles permanecia na incircuncisão, longe de Deus “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” ( Is 29:13 At 7:51 ).

O jovem rico era um perfeito retrato da nação de Israel, visto que a maioria seguia o estipulado nos dez mandamentos: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 19:18 -19 ; Ex 20:2 – 17), porém, sentiam que faltava alguma coisa.

Elogiar a Cristo não é o mesmo que amar a Deus de todo o coração: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste…!” ( Mt 12:32 -33). Para o escriba ainda faltava alguma coisa também, pois não basta reconhecer que Jesus apresentou um ensino verdadeiro: “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Se o escriba observasse melhor, veria que a porta para se entrar no reino de Deus estava aberta bem a sua frente! Se ele abandonasse os seus conceitos (arrependimento), veria o quão próximo estava o reino dos céus “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:2 ).

Após observarmos o jovem rico e o escriba, precisamos entender porque não basta guardar os mandamentos da lei “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” ( Mt 19:20 ). É essencial descobrir porque mesmo após admitir qual é o maior dos mandamentos, muitos ainda não tem acesso ao reino dos céus “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Embora fosse ferrenho seguidor da lei por ser fariseu, exemplo em Israel como mestre, conhecedor da lei como juiz, Nicodemos não podia entrar no reino dos céus, pois lhe faltava nascer de novo! ( Jo 3:2 ). Só é possível nascer de novo após morrer! Quando Deus oferece ao homem e a mulher a circuncisão do coração, ele demonstra a necessidade de se exterminar a velha natureza herdada de Adão, condição essencial para que ocorra o novo nascimento.

Para ser circuncidado pelo Senhor basta crer na palavra que diz: “Ouve, ó Israel…”, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus ( Sl 81:8 ).

Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesta aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).

 

O Sermão da Montanha e o espírito inatingível da lei

As bem-aventuranças e o ministério de Jesus Cristo

Não matarás e o Sermão da Montanha

O Sermão do Monte e o adultério

O Sermão da montanha e algumas práticas religiosas dos judeus – esmola, oração e jejum




O Homem sem Deus é ‘Mau até os Ossos’?

A alienação do homem de Deus não precisa ser enfatizada ou descrita através de palavras tais como: ‘todo’, ‘completamente’, ‘terrivelmente’, ‘maus até os ossos’ ou ‘totalmente depravados’.


O Homem sem Deus é ‘Mau até os Ossos’?

O calvinista Phil Johnson fez o seguinte comentário ao livro de Efésios, capítulo dois, versos um a três:

“Observem de perto o que ele diz ali: Toda pessoa não regenerada está espiritualmente morta, andando de acordo com Satanás, sendo por natureza filha da ira. Nós nascemos neste mundo como completos pecadores – não simplesmente um pouco manchado pelo pecado, mas completamente, desesperadamente, em escravidão a ele. Todo aspecto de nosso ser – mente, emoções, desejos, e até mesmo nossa constituição física – é corrompido, controlado, e desfigurado pelo pecado e seus efeitos. Ninguém escapa desse veredicto. Nós somos totalmente depravados” Phil Johnson, Maus até os Ossos, artigo publicado no Site Bom Caminho, tradução de Juliano Heyse, título original: B-b-b-b-bad to the bone, Blog Pyromaniacs (grifo nosso).

Neste pequeno parágrafo o Sr. Johnson nomeia a condição do homem sem Cristo de ‘totalmente depravados’, ‘completos pecadores’. Para descrever a condição de sujeição ao pecado ele utiliza as seguintes palavras: todo, completos, desesperadamente, totalmente, etc. Até mesmo a constituição emocional e física do homem é descrita por Johnson como sendo corrompida, controlada e desfigurada pelo pecado.

Analisemos o comentário do Sr. Phil Johnson à luz da Bíblia.

 

Princípios Bíblicos

A Bíblia demonstra que o melhor dos homens é comparável a uma sebe (cerca) de espinhos e o mais reto dos homens comparável a um espinho, ou seja, todos os homens gerados segundo Adão são pecadores “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão” ( Mq 7:4 ).

Não importa as questões morais, físicas ou psíquicas do homem: tanto o melhor quanto o mais reto dos homens são igualmente pecadores (comparáveis a uma cerca de espinhos ou a um espinho) por serem gerados participantes da natureza caída de Adão. Todos os homens ‘germinaram’ de uma semente corruptível (espinheiro), a semente de Adão.

Outra figura que ilustra esta mesma realidade foi exposta por Jesus no famoso Sermão do Monte. Os homens quando nascem entram por uma porta larga (Adão) e seguem por um caminho largo que os CONDUZEM à perdição. Jesus demonstrou que, para o homem ver-se livre de tal condenação é necessário nascer de novo ( Jo 3:3 -7; Mt 7:13 -14).

 

Aplicação Prática

Compare o que a Bíblia diz acerca destas quatro pessoas e aponte qual delas era mais (ou menos) pecadora (segundo Phil, depravados)?

  • Nicodemos, que era mestre, juiz, judeu e um religioso exemplar, e que, portanto, representava o melhor que a sociedade à época dispunha no comportamento e na moral ( Jo 3:1 );
  • A mulher samaritana, por ter convivido com cinco maridos e o que ela tinha não lhe pertencia ( Jo 4:18 );
  • O paralítico do tanque de Betesda, que ficou à beira do tanque por trinta e oito longos anos ( Jo 5:5 );
  • O jovem rico: apesar da religiosidade e cumpridor dos ‘mandamentos’, apegado a sua riqueza.

Embora não fosse dado à promiscuidade, Nicodemos não estava em uma posição melhor diante de Deus, se comparado à condição da mulher samaritana. Percebe-se que, diante de Deus, tanto Nicodemos quanto a mulher samaritana precisavam nascer de novo.

Do mesmo modo, tanto o Jovem rico, cumpridor dos mandamentos, quanto o paralítico, que passou trinta e oito anos deitado à beira do tanque, haveriam de perecer, caso não se arrependessem. Ora, quem era ‘mais’ pecador: o paralítico ou o jovem rico? Que ‘depravação’ há em ficar trinta e oito anos à beira do tanque de Betesda esperando um anjo agitar as águas? Como poderia o jovem rico ser completamente depravado, se ele era cumpridor dos mandamentos?

Porém, o que se observa diante da mensagem do evangelho, é que, tanto o paralítico no tanque de Betesda quanto o Jovem rico precisavam arrepender-se, pois ambos, de igual modo pereceriam, caso não se arrependessem “Não, vos digo! Antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” ( Lc 13:5 ).

 

Considerações Essenciais

Alguns judeus pensavam que os galileus que foram mortos por Pilatos, cujo sangue foi misturado aos sacrifícios que eles realizavam, eram mais pecadores que todos os outros galileus ( Lc 13:1 -5). Por que os judeus chegaram a esta conclusão?

Segundo a concepção deles, os galileus eram pecadores por serem gentios. Porém, havia um agravante: estavam sacrificando aos ídolos. Como o sangue dos galileus que foram mortos foi misturado ao sangue do sacrifico que ofereciam aos ídolos, concluíram que padeceram tais coisas por serem mais pecadores que todos os outros galileus.

Porém, Jesus afirmou que os galileus que foram mortos não eram mais pecadores que o restante dos galileus por terem sido mortos, antes, todos eles haveriam de perecer de igual modo, caso não se arrependessem.

Para ilustrar seu ensinamento, Jesus os fez lembrar a queda da torre de Siloé, que ficava em Jerusalém. Não é porque dezoito pessoas morreram na queda da torre, que eram mais pecadoras que os moradores de Jerusalém.

Como os judeus se consideravam filhos de Deus por serem descendentes de Abraão, acabavam por apontar as catástrofes envolvendo outros povos como sendo resultado do pecado, porém, esqueciam que também eram sujeitos as catástrofes.

Com base no alerta que Jesus deu, percebe-se que os judeus acreditavam (por serem descendentes de Abraão) que estavam em uma condição melhor diante de Deus, se comparados aos galileus que foram mortos por Pilatos.Mas, Jesus demonstrou que todos os homens precisam mudar de concepção acerca de como se alcança a salvação de Deus (arrependimento), pois se não mudarem de conceito, igualmente perecerão ( Lc 13:1 -5).

Este evento em particular demonstra que é uma concepção humana, desprovida de respaldo bíblico, apontar qualquer evento catastrófico, enfermidades, calamidades, deformidades, etc., como sendo provenientes ou causados pelo pecado.

 

 

O que diz as Escrituras

Segundo o que dispõe o profeta Miquéias, tanto o melhor quanto o mais justo dos homens são reprováveis diante de Deus e precisam nascer de novo. A reprovação divina não é por causa da moral, do comportamento, da psique, da condição física ou financeira dos homens. Os homens tornaram-se reprováveis (desagradáveis) diante de Deus por causa da condenação estabelecida em Adão. Em Adão ‘pereceu’ da terra o homem piedoso. Todos deixaram de ser retos diante de Deus ( Mq 7:2 ; Rm 3:23 ).

A Bíblia informa que toda humanidade estava destituída da glória de Deus porque pecaram ( Rm 3:23 ). Ora, pecaram não por causa de questões psíquicas, físicas, morais, comportamentais, etc., antes pecaram porque foram vendidos ao pecado como escravos. É por isso que as escrituras protestam contra os judeus, pois eles pensavam que eram salvos por serem descendentes de Abraão: “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ).

 

 

A Escravidão do Pecado

Assim como os descendestes de escravos nos regimes escravocratas já nasciam sob o jugo da servidão pelo simples fato de descenderem de escravos, o homem gerado da semente corruptível (Adão) vem ao mundo sob o jugo (escravidão) do pecado, e, portanto, são pecadores ( Jo 8:34).

À época de Jesus os escravos eram iguais aos homens ‘livres’, tanto no físico quanto na psique, ou seja, o fato de serem escravos não os tornava ‘menos’ humanos que os homens livres. Porém, o que pesava (diferencial) sobre eles era o jugo imposto pela sociedade escravocrata. Semelhantemente, não é a psique, nem as emoções e nem os desejos dos homens nascidos sob a égide do pecado que os tornam diferentes dos nascidos de novo.

As emoções são pertinentes a todos os homens e contempla tanto os que estão sob o jugo do pecado quanto os que estão sob o jugo da justiça “Fostes libertos do pecado, e vos tornastes escravos da justiça” ( Rm 6:18 ). O homem com Cristo é alvo das mesmas emoções que os homens sem Deus. Ambos ficam tristes, alegres, deprimidos, motivados, choram, riem, etc. Ambos pensam, raciocinam, trabalham, etc. Ambos tem fome, sede, apetite sexual, sonham, etc.

Através do comparativo acima se conclui que, nem o pecado e nem a justiça subjugam as emoções, as sensações, os desejos e a psique do homem. Nem o pecado nem a justiça subjugam os homens através das emoções, fraquezas, desejos, etc.

 

O Filho do Homem

Jesus chorou, esteve aflito, angustiou-se, alegrou-se, comeu, bebeu, foi às festas, ou seja, as emoções e sensações físicas de Jesus eram idênticas as dos seus irmãos carnais, porém, é certo que ele não foi sujeito ao pecado pelo fato de ter ficado aflito ou chorado ( Hb 4:15 ).

Por outro lado, não é por que os monges budistas vivem uma vida de meditação perene para afastar ou reprimir alguns sentimentos e emoções que serão livres de pecado.

Em que Jesus foi semelhante aos seus irmãos, se não nas fraquezas, emoções, sensações, desejos e psique? ( Hb 2:14 ; Mt 26:37 )

O verbo de Deus se fez carne, o que demonstra que o corpo físico não é o que vincula o homem a servidão do pecado. Assim como os filhos participam da carne e do sangue, Jesus também participou das mesmas coisas (carne, sangue), porém, sem pecado, visto que ele foi gerado de Deus ( Hb 2:14 ).

O que diferenciava o Cristo de Deus dos outros homens não era a psique (inteligência e moral superiores), ou o físico (carne e sangue), antes o diferencial estava no fato de Ele ser gerado de Deus, ou seja, sem pecado “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” ( 1Jo 3:9 ).

Do mesmo modo, o diferencial entre os que creem no evangelho de Cristo e os descrentes não estão na psique ou no corpo, antes, no fato de que creem no evangelho e foram de novo gerados segundo Deus, em espírito e em verdade.

O diferencial entre aqueles que servem e os que não servem a Deus está em que os que servem são nascidos de Deus, e os que não sevem nascidos segundo a vontade do varão, da carne e do sangue ( Jo 1:12 -13).

Para ser homem, ou seja, como ‘um de nós’, o Verbo de Deus teve que ser participante da carne e sangue, compartilhando das mesmas fraquezas e limitações pertinentes a natureza humana ( Jo 1:14 ). O fato de os homens serem sujeitos às fraquezas não se vincula e nem deriva do pecado, pois o Verbo de Deus teve que participar das mesmas fraquezas e limitações humanas para ser como ‘um de nós’.

Como seria possível Jesus ‘compartilhar’ das fraquezas humanas se ‘as fraquezas’ derivassem ou fossem produzidas pelo pecado?

 

 

O Homem

O que se observa através das escrituras é que os sentimentos e as emoções humanas vinculam-se diretamente à natureza humana. Deus criou o homem na condição e posição de homem, ou seja, fraquezas, necessidades, prazeres, sonhos, desejos, medos, coragens, etc., são elementos pertinentes à natureza humana “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” ( Hb 4:15 ).

Acaso o apóstolo Paulo sentiria prazer nas fraquezas e necessidades se tais sentimentos e emoções fossem provenientes do pecado? “Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte” ( 2Co 12:10 ).

A Bíblia é clara: “O salário do pecado é a morte”, e quando Adão pecou trouxe sobre si e sua descendência um julgamento com uma pena única, que resultou em destituição (alienação) da glória de Deus (condenação).

Ou seja, não podemos ser mais ‘realistas’ que a Bíblia e dizer que a condenação estabelecida em Adão influenciou a constituição física e emocional do homem. A pena estabelecida antes da desobediência de Adão foi única: “…certamente morrerás” ( Gn 2:17 ). Quando Deus falou com Adão e Eva na viração do dia, eles já estavam mortos, ou seja, destituídos da glória de Deus.

Logo em seguida, por causa da queda:

  • Deus retirou o homem do Éden – Deus retirou o homem do Éden para que ele não lançasse mão do fruto da árvore da vida; a condenação proveniente da desobediência foi alienação de Deus, e a saída do Éden para o homem não lançar mão da imortalidade ( Gn 3:22 );
  • Deus promete o descendente ( Gn 3:15 );
  • Estabelece a sujeição da mulher ao marido e a dor na gestação ( Gn 3:16 );
  • Por causa do homem Deus amaldiçoa a terra, institui o trabalho e apresenta a morte física “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; pois és pó, e ao pó tornarás” ( Gn 3:19 ); antes de pecar, o oficio do homem era lavrar e guardar o jardim do Éden ( Gn 2:15 ); após a queda, por ter sido lançado do jardim do Éden, Deus deu um novo oficio para o homem.

Quando o Verbo de Deus foi introduzido no mundo dos homens, ele tornou-se participante do pó da terra, porém, como Filho de Deus sempre esteve unido ao Pai. Ao despir-se da sua glória, o Verbo se fez carne e tornou-se como ‘um de nós’ “Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” ( Sl 103:14 ).

Porém, não podemos esquecer a relação estabelecida por Deus: “Tu és pó, e ao pó tornarás” ( Gn 3:19 ). Ao assumir a condição de Servo, Jesus teve que se sujeitar as mesmas leis e fraquezas pertinente aos homens. Ele teve que viver do suor do seu rosto, porém, viver do suor do rosto não é uma pena proveniente do pecado ( Gn 3:19 ), bem como tornar ao pó da terra.

Devemos ver nitidamente o que o escritor aos Hebreus apresenta acerca de Jesus: “Vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e de honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” ( Hb 2:9 ). Ele foi feito homem (menor que os anjos) por causa da paixão da morte. Para ser possível provar a morte física, que é totalmente diferente da morte espiritual ou destituição da glória de Deus, que Jesus se fez carne!

Isto indica que, provar a morte física não é conseqüência do pecado, antes é algo pertinente a fragilidade e fraqueza daqueles que foram tomados do pó da terra. Cristo provou a morte física, e isto demonstra que ela não está atrelada ou que deriva da desobediência de Adão.

Lembremos que Jesus é o Cordeiro de Deus; que sem derramamento de sangue não há remissão de pecado; sem a morte do cordeiro não há sacrifício. Ora, se Deus é luz e nele não há trevas alguma, como poderia receber o cheiro suave do sacrifício se a morte física teve origem no pecado?

Quando Cristo se ofereceu em holocausto ao Pai, ele disse: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”, ou seja, a morte física não é proveniente da condenação estabelecida em Adão, pois o sacrifício depende da morte do cordeiro “De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” ( Hb 9:26 ).

 

 

Posicionamento das Escrituras

A condenação da humanidade é (apenas) destituição da glória de Deus, e isto, tão somente isto, já é por ‘demais’ funesto. É indiscutível o fato da condenação e perdição do homem sem Deus. A alienação de Deus não precisa ser enfatizada ou descrita através de palavras tais como: ‘todo’, ‘completamente’, ‘terrivelmente’, ‘maus até os ossos’ ou ‘totalmente depravados’.

Se admitirmos que o homem sem Cristo é ‘completamente’, ‘totalmente’ perdido, também teríamos que admitir que os salvos são ‘completamente’, ‘totalmente’, ‘terrivelmente’ salvos.

O julgamento e condenação da humanidade ocorreram em Adão, e a pena estabelecida foi alienação de Deus ( Rm 5:18 ; Jo 3:18 ). A Bíblia descreve este estado como sendo separação, destituição, alienação de Deus. Ora, não há necessidade de superlativos ou de adjetivos adicionais para se enfatizar ou demonstrar qual é a condição da humanidade sem Cristo, visto que, não há na Bíblia o uso de superlativo para descrever a condição do homem sem Deus. Um condenado é condenado, e não totalmente condenado. Um perdido é somente perdido, o que de per si caracteriza uma condição terrível.

Não podemos confundir a universalidade do pecado quando se diz: “… todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, com a ideia de que o perdido é totalmente, completamente, irremediavelmente perdido.

 

O homem sem Cristo é totalmente depravado?

Se a ideia contida na palavra ‘depravado’ refere-se à condição daqueles que não creem em Cristo de alienação de Deus, podemos dizer que o homem é (totalmente) depravado (completamente perdido). Porém, por que não simplificar e falarmos como dizia o apóstolo Paulo: todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Por que transtornam a ideia apresentada por Paulo introduzindo a palavra totalmente? É certo dizer que todos pecaram e estão ‘totalmente’ destituídos da glória de Deus? Que ideia a fala procura transmitir com ‘totalmente depravado’?

O artifício de distorcer a palavra de Deus introduzindo uma única palavra foi utilizado no princípio por satanás “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ).

Porém, se a ideia que procuram enfatizar através da palavra ‘depravado’ denota perversão é fácil perceber que nem todos os homens são ‘totalmente’ pervertidos. Os judeus à época de Cristo eram pervertidos? Os monges que se isolam nos mosteiros são pervertidos? Que dizer das pessoas regradas que vivem nas sociedades orientais? Nicodemos era um homem depravado? Que dizer do homem comum da nossa sociedade?

O que se depreende do texto do calvinista Phil Johnson é que a ‘depravação total’ refere-se a um possível ‘controle’ que o pecado exerce sobre a psique, emoções e desejos, influenciando até mesmo a constituição física do homem, causando todos os males.

Diante desta afirmativa, vale questionar: O pecado desfigura o homem? Ora, os discípulos perguntaram ao Messias sobre quem pecou quando avistaram um paraplégico. A resposta de Cristo foi enfática: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” ( Jo 9:3 ).

Diante da resposta de Cristo fica demonstrado cabalmente que o pecado não é a causa de qualquer deformidade ou deficiência física. Ora, o interprete das Escrituras não pode confundir os vários comparativos que as Escrituras estabelecem entre o pecado e as enfermidades e admitir que as enfermidades físicas são provenientes do pecado. O pecado é comparado à lepra, porém, a lepra não decorre do pecado, pois o salário do pecado é uma única cédula: a morte proveniente de uma justa pena, ou seja, a destituição da glória de Deus ( Cl 2:14 ).

O pecado não decorre de um dilema moral, pois se assim fosse teríamos diferentes níveis de pecado e uma só punição. Porém, a Bíblia demonstra que o pecado é uma condição pertinente à natureza destituída de Deus. Quando Davi foi concebido e gerado, ele foi concebido e gerado na condição de destituído da glória de Deus, pois esta é a condição dos gerados segundo Adão ( Sl 51:5 ).

O pecado é uma condição da qual o homem não consegue por si só livrar-se, porque tal condição está vinculada a natureza herdada de Adão. Para se ver livre do pecado é necessário o poder de Deus contido no evangelho, visto que, através do evangelho, Deus faz nova todas às coisas: concede um novo espírito e um novo coração aos homens ( Sl 51:10 ).

Quando Paulo disse que os cristãos estavam mortos em delitos e pecados (antes de conhecerem a Cristo), ele somente estava demonstrando que todos estavam destituídos da glória de Deus ( Ef 2:1 ); que eles seguiam o curso deste mundo, ou seja, alienação eterna de Deus, que é o mesmo curso do príncipe da potestade do ar.

O apóstolo Paulo estava descrevendo a condição do homem sem Deus, e não os feitos do homem em sujeição ao pecado (filhos da ira e da desobediência, ou seja, filhos de Adão).

 

A Carne

Qual a vontade da carne, ou seja, a vontade da natureza decaída? A carne em Ef 2:1 -3 não diz da constituição física do homem, antes diz da natureza decaída proveniente de Adão. Ora, não podemos esquecer que, o que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito. A ‘vontade’ da carne é o mesmo que ‘inclinação’, e verifica-se que é da vontade da carne (inclinação) que todos os homens sem Cristo sigam para a morte ( Rm 8:6 ).

Os que estão na carne, ou seja, que foram gerados de Adão não pode agradar a Deus. Estão em inimizade contra Deus. Inclina-se para a morte. Fazem a vontade da carne. Diferem dos nascidos do Espírito, que estão em amizade com Deus e inclina-se para a vida e a paz.

É por isso que Paulo ao escrever aos Gálatas disse: “Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito o que é contrário à carne. Estes opõe-se um ao outro, para que não façais o que quereis” ( Gl 5:17 ). A oposição carne versus Espírito resume-se em morte e vida, conforme depreendemos o que lemos em ( Rm 8:6 ): “A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser”.

Não comungo com o pensamento calvinista porque acrescenta à palavra de Deus (a graça e poder de Deus manifesta aos homens) algumas palavras para dar ênfase a doutrinas calvinista, tais como: o homem é totalmente depravado, para dizerem que é impossível o homem que tem sede beber da água que faz jorrar uma fonte para a vida eterna oferecida através do evangelho. Para eles o simples fato de o homem aceitar a água ofertada por Cristo seria como se o homem estivesse se salvando.

Para demonstrar que alguns homens foram escolhidos para serem salvos, acrescentam a palavra ‘eleitos’ em versículos que demonstram que a salvação é para todos os homens.




A Justiça que excede a dos Escribas e Fariseus

Após ter um encontro com Cristo, o apóstolo Paulo, que também foi fariseu, compreendeu que, qualquer que busque estabelecer uma justiça com base em suas ações, por mais nobres que sejam, rejeita a justiça de Deus “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” ( Rm 10:3 ). O povo de Israel procurava servir a Deus, porém, sem entendimento ( Rm 10:2 ), e por mais que os profetas protestavam, não atinavam que estabelecer uma justiça com base em preceitos de homens é rejeitar a justiça de Deus.


A Justiça que excede a dos Escribas e Fariseus

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 )

Diante de uma multidão sequiosa de milagres e pão, Jesus alertou: “… se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Para compreender a declaração de Jesus, precisamos nos socorrer de outra declaração do Mestre por excelência feita a um fariseu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

Os fariseus eram referência moral, ética e religiosa para o povo de Israel à época de Jesus. Aos olhos do povo os fariseus eram tidos por justos “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:28 ).

Em nossos dias a palavra fariseu é utilizada de modo pejorativo, sinônimo de hipocrisia, mas à época de Cristo nomeava um grupo específico de seguidores do judaísmo.

O farisaísmo era uma das mais severas seitas do judaísmo e seus seguidores lideravam um movimento para trazer o povo a ‘submeter-se’ à lei de Deus. Eles eram extremamente legalistas, formalistas e tradicionalistas.

O que há em comum entre as declarações que Jesus fez a Nicodemos, um fariseu, e à multidão que ouviu o Sermão do Monte, que pouco entendia da lei?

As declarações de Jesus demonstram que, tanto a multidão julgada como maldita pelos fariseus quanto os próprios fariseus não podiam entrar no reino dos céus.

  • O Povo – “…se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus ( Mt 5:20 );
  • Os Fariseus “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus ( Jo 3:3 ).

A impossibilidade de o homem se salvar é destacada nos dois versos, sendo algo comum ao mestre, juiz e fariseu Nicodemos, e à multidão que estava ao pé do monte ( Jo 3:10 ; Jo 7:49 ). Em ambas as declarações, Jesus demonstra que não importa a condição social, econômica ou cultural: está vetado a entrada do homem no reino dos céus ( Mt 5:20 ; Jo 3:5 ).

Ao revelar que Nicodemos precisava nascer de novo, Jesus demonstrou que a justiça do juiz, mestre e fariseu estava aquém da justiça exigida por Deus. Nicodemos precisava obter justiça superior, assim como os outros fariseus e a multidão.

Ora, como seguidor da lei, Nicodemos não matava ( Mt 5:21 ), não roubava, não dizia falso testemunho ( Jo 3:11), não adulterava ( Mt 5:27 ), se necessário daria a carta de divórcio ( Mt 5:31 ), não perjurava ( Mt 5:33 ), amava o próximo ( Mt 5:43 ), ou seja, fazia tudo aquilo que os Antigos ensinaram.

Do mesmo modo que Nicodemos, a multidão tinha como meta fazer tudo conforme os seus mestres ensinavam, mas Jesus demonstrou que, mesmo que fizessem conforme os escribas e fariseus ensinavam, jamais entrariam no reino dos céus.

Jesus demonstrou no Sermão do Monte que é impossível ao homem salvar-se através das suas obras. Ora, quem dentre o povo nunca ficou nervoso com o irmão? Quem nunca chamou o próximo de tolo ( Mt 5:22 )? Como controlar os impulsos do corpo e os anseios do coração e dos pensamentos ( Mt 5:28 )? Quem consegue arrancar um braço, ou um olho? Quem consegue amar o inimigo? ( Mt 5:44 ), etc.

Através do Sermão da Montanha Jesus demonstrou que tudo que o povo de Israel fazia não era superior ao que os outros povos realizavam. Eles repousavam na lei, porém, os gentios também fazem naturalmente as mesmas coisas que a lei determinava ( Rm 2:14 ).

Diante do que Jesus propôs no Sermão da Montanha, os seus ouvintes viram a impossibilidade de se salvarem! ( Tg 2:10 ) Como obter justiça maior que a dos escribas e fariseus se é impossível fazer tudo quanto Jesus recomendou? Tanto a multidão quanto os escribas e fariseus precisavam alcançar justiça superior, mas qual justiça é superior a dos escribas e fariseus? Como alcançá-la?

Quando Jesus disse a Nicodemos que é necessário nascer de novo, o mestre fariseu também se viu envolto em uma impossibilidade: como poderia um homem voltar ao ventre materno e nascer? ( Jo 3:4 )

Após ter um encontro com Cristo, o apóstolo Paulo, que também foi fariseu, compreendeu que, qualquer que busque estabelecer uma justiça com base em suas ações, por mais nobres que sejam, rejeita a justiça de Deus “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” ( Rm 10:3 ).

O povo de Israel procurava servir a Deus, porém, sem entendimento ( Rm 10:2 ), e por mais que os profetas protestavam, não atinavam que estabelecer uma justiça com base em preceitos de homens é rejeitar a justiça de Deus.

O jovem rico é um exemplo de serviço sem entendimento, visto que desde a mocidade realizava tudo o que a lei preceituava, porém, faltava-lhe uma coisa: não tinha alcançado a justiça que excede a dos escribas e fariseus ( Mt 19:20 ).

O que ele fazia diante de Deus não passava de trapos de imundície. Tudo o que ele fazia não passava de obras de violência, ou seja, continuava culpado diante de Deus “Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão” ( Is 57:12 ); “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há em suas mãos” ( Is 59:6 ).

O fariseu que subiu ao templo para orar é outro exemplo esclarecedor, quando em oração agradeceu a Deus por não ser como os outros homens: roubadores, adúlteros, injustos, porém, não foi justificado por Deus ( Lc 18:14 ). Ora, ele fazia tudo quanto os Antigos prescreveram, porém, não alcançou a justiça que vem do alto.

A justiça que excede a dos escribas e fariseus é somente a justiça que vem de Deus.

Como obter justiça maior que a dos escribas e fariseus?

Ora, se para entrar no reino dos céus é necessário nascer de novo, segue-se que, em nascer de novo está a justiça que vem de Deus. Se não nascer de novo o homem não entra no reino dos céus, portanto, para obter a justiça que exceda a dos escribas e fariseus é necessário nascer de novo.

Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus”, ou seja, se não nascer de novo”: de modo nenhum entrareis no reino dos céus ( Mt 5:20 ; Jo 3:3 ).

Ao fariseu Nicodemos, Jesus recomendou nascer de novo, e à multidão que entrassem pela porta estreita. Ora, Cristo é a porta e o caminho que conduz à vida, e para entrar por ele é necessário nascer de novo ( Mt 7:13 ).

Jesus apontou a necessidade do novo nascimento porque o primeiro homem pecou ( Is 43:27 ). Desde a queda de Adão todos os homens são formados em iniquidade e concebidos em pecado ( Sl 51:5 ). Todos os homens se desviaram desde a madre. Andam errados e falam mentiras desde que nascem ( Sl 58:3 ). Depois que o homem piedoso pereceu (Adão), não há entre os homens um que seja reto ( Mq 7:2 ). Todos os descendentes de Adão se desviaram e não há quem faça o bem ( Sl 14:3 ; Sl 53:3 ), visto que, mesmo sem causa alguma transgridem ( Sl 25:3 ).

Mas, para nascer de novo, primeiro o pecador precisa morrer, pois Deus determinou que a alma que pecar, esta morrerá. Para estabelecer a justiça que excede a dos escribas e fariseus é necessário a morte do transgressor, visto que a pena imposta não pode passar da pessoa do transgressor ( Ez 18:20 ). Somente é justificado dentre os descendentes de Adão aquele que morre com Cristo, visto que ‘…aquele que está morto está justificado do pecado’ ( Rm 6:7 ).

Somente quando o homem morre com Cristo é que se dá a justiça de Deus. Somente após o velho homem ser crucificado com Cristo, Deus trás a existência o novo homem, gerado em verdadeira justiça e santidade. Após o corpo do pecado ser desfeito ( Cl 2:11 ), e sepultado com Cristo ( Cl 2:12 ), o homem é vivificado com Cristo ( Cl 2:13 ).

Através de Cristo o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Ez 18:31 ; Ez 36:25 -27), pois em Cristo é circuncidado para receber vida com Deus ( Dt 30:6 ; Cl 2:11 ). Deus não somente declara o homem justo, antes ele cria o novo homem segundo a sua justiça, e o novo homem é declarado justo.

A justiça que vem do alto é imputada por meio da fé em Cristo ( Rm 10:6 ). Ela vem do alto porque não se vincula a elementos humanos tais como comportamento, moral, caráter, sacrifícios, religiosidade, etc.

Conclui-se que a justiça que ultrapassa a dos escribas e fariseus decorre do novo nascimento. Enquanto os fariseus e saduceus não conseguiram ser justificados por intermédio das obras da lei, aqueles que creem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos (criados) filhos de Deus, nascidos de semente incorruptível (da água e do Espírito), que é a palavra de Deus, e declarados justos por Deus.

Os fariseus e a multidão que seguia a Cristo jamais seriam justificados por suas próprias obras, visto que em Adão já estavam condenados, e as suas obras reprováveis por não serem feitas em Deus ( Jo 3:18- 19). Já a nova criatura, é livre da condenação estabelecida em Adão porque é Deus quem os justifica, e as suas obras são aceitáveis, pois são feitas em Deus que as preparou para que andassem nelas ( Jo 3:21 : Ef 2:10 ).