Por que o homem precisa de salvação?

Para compreender o motivo pelo qual o homem precisa de salvação se faz necessário saber como, quando, onde e porque se está condenado e qual pena foi estabelecida. É necessário compreender como Deus justifica aquele que está condenado sem invalidar a sua justiça e o porquê da necessidade de um salvador. Por fim, se faz necessário identificar a verdadeira causa do sofrimento da humanidade.


Por que o homem precisa de salvação?

Introdução

“Por que o homem precisa de salvação?” é uma explicação sucinta do plano da salvação para que fique claro o porquê e por quem Jesus morreu, ou antes, ressurgiu dentre os mortos. Que fique claro que Ele não veio condenar o mundo, mas veio salvá-lo “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 ).

Todos passam por muitos problemas e sofrimentos nesta existência, mas estes não são os motivos pelos quais o homem precisa de salvação.

O homem precisa de salvação hoje por causa de uma condenação que sujeitou toda a humanidade à morte no passado. A morte foi imposta pelo pecado, uma barreira erguida que separa o homem de Deus. No entanto, por causa de uma visão desfocada, geralmente os homens só se perguntam se estão perdidos quando defrontam com alguma vicissitude – não rotineira – da vida.

A Bíblia nos revela que Deus já julgou a humanidade lá no Éden, e que todos os homens estão sob condenação, mas equivocadamente acredita-se que Deus ainda há de julgar a humanidade para determinar aqueles que serão salvos ou que perecerão.

Por causa de uma visão distorcida, várias religiões prometem salvação após o julgamento final, mas Jesus e os apóstolos afirmaram que o juízo de Deus já foi estabelecido e que todos estão debaixo de condenação. Como a perdição é uma realidade, através do evangelho de Cristo é oferecido salvação hoje, o chamado ‘dia aceitável’ ( Rm 5:16 ; Jo 3:18 ; 2Co 6:2 ).

Apesar da condenação que pesa sobre a humanidade, com o nascimento de Jesus, o Emanuel, cumpriu-se a profecia que diz: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ), e Cristo foi estabelecido por salvação para todos os povos.

 

O problema da humanidade

Geralmente o que salta aos olhos quando se pensa em salvação são os erros de conduta das pessoas. Por causa de questões comportamentais e morais muitos entendem que se a pessoa for ‘boazinha’, será salva.

Quando se observa uma pessoa desregrada, transviada, má, criminosa, etc., de imediato acredita-se que o tal necessita de salvação muito mais que o restante da humanidade. Isto não é verdade, pois as pessoas desregradas precisam de salvação, como também todos os demais homens, mesmo os religiosos, sábios, regrados, ordeiros, etc.

A Bíblia nos diz que Jesus veio salvar os perdidos, e os perdidos não estão somente entre os desajustados da sociedade. Os perdidos são vistos nas sarjetas e nos palácios, nos templos e nos prostíbulos, na filosofia e na religião, nos ateus e nos crédulos, etc.

Uma visão distorcida dá a falsa segurança para alguém que é saudável, inteligente, abastado de bens, pertencente a uma família e tem muitos amigos, que não necessita de salvação. Mas, segundo a Bíblia, nenhum desses quesitos são indicativos de que o homem está salvo.

 

Uma natureza má

Todo homem sem Cristo está sob o domínio do pecado, ou seja, são escravos do pecado. A sujeição ao pecado não é perceptível aos sentidos naturais e nem é possível identifica-lo através dos sentimentos ou das emoções. Somente as Escrituras revelam o pecado como o mal que afeta a todos através da revelação das Escrituras.

Isto significa dizer que o pecado não tem cheiro, gosto, forma, não emite som, etc. Todos os homens possuem sentimentos e emoções, porém, não é possível identifica-los como pecadores através das emoções ou dos sentimentos, porque quando a Bíblia aponta para a natureza má do homem aponta para uma condição que se estabeleceu desde o nascimento.

A natureza má do homem não se manifesta somente através de condutas desregradas como matar, mentir, roubar, etc. Mesmo quando o homem parece correto, controla as suas emoções, segue bons princípios de convivência e sabe dar boas dádivas aos seus semelhantes, diante de Deus tal pessoa é designada má tal qual os desregrados “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos…” ( Mt 7:11 ).

A Bíblia nos informa que tanto o religioso, o monge, o padre, o juiz, etc., quanto o roubador, homicida, estuprador, etc., se não aceitarem a Cristo, são igualmente maus diante de Deus. O mal está na natureza humana, pois é contaria a natureza de Deus. Deus é vida e a natureza humana herdada de Adão morte.

O mal da natureza herdada de Adão não é o caráter, a moral ou a índole do indivíduo, mas uma condição contraria à natureza de Deus. Se o homem possui comunhão com Deus: é luz, é verdadeiro, é justo, é santo e bom (nobre). Se não há comunhão com Deus, a sua condição é contraria à nobre, ou seja, é treva, mentiroso, injusto, impuro e mau, no sentido de baixo, vil.

Quando a Bíblia diz que o homem é mau, não se refere às ações – se boas ou más.

O Salmista enfatiza do ponto de vista social que tanto os homens nobres, quantos os homens da ralé são mais leves que o efêmero. No quesito mal – não importa o comportamento – e sim o nascimento. Se descendente de Adão, são mentirosos, ruins “Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade” ( Sl 62:9 ); “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Quando é dito na Bíblia que todo homem é mentiroso, não significa que todos são desonestos, ou que todos faltam com a verdade para com os seus semelhantes. ‘Mentiroso’ é condição decorrente do coração enganoso herdado de Adão e não uma falha de caráter ( Sl 58:3 ; Jr 17:9 ).

O problema da humanidade teve início na ofensa de Adão, pois através de uma ofensa veio o juízo de Deus sobre todos os homens para condenação: morte. O juízo já foi estabelecido, por isso Jesus não veio condenar o mundo, mas salvá-lo ( Rm 5:18 ).

Deus é vida, luz, bom, santo, justo, etc., e o homem alienado de Deus passou a condição de morto, trevas, ruim, impuro, injusto, etc.

O problema da humanidade não está em suas ações, assim como o problema de uma infecção não está no pus, antes o problema está e decorre da semente que foi gerada. Todos os homens são gerados da semente corruptível de Adão, árvores que Deus não plantou, mas se crer em Cristo é enxertado na oliveira verdadeira, transportado das trevas para luz.

O homem sem Cristo é miserável pelo que é, e não pelo que faz. Adão, o primeiro homem, foi criado justo e santo, mas desobedeceu o Criador e sofreu as consequências da sua decisão: separou-se de Deus. Em razão da sua condição maldita, a semente de Adão tornou-se má e só produz descendentes maus.

Semelhante a semente de uma árvore má que produz outra árvore também má, assim são os descendentes de Adão concebidos em pecado: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores …” ( Rm 5:19 ).

O homem não possui o poder de mudar a sua natureza, assim como os anjos não podem mudar a deles. Os homens precisam de Cristo porque só no evangelho há poder que faz de quem crê uma nova criatura participante da natureza divina.

 

Boas e más ações

A desobediência de Adão (que foi comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal) é a ofensa que alienou toda a humanidade da glória de Deus. Um mal que se perpetua de pai para filho, independentemente de quaisquer ações que o homem realize.

Além de se tornar pecador, algo decorrente da desobediência ao mandamento dado no Éden, o homem também adquiriu um conhecimento: o conhecimento do bem e do mal. Conhecer o bem e o mal não é o pecado, antes é consequência de ter comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Por causa do conhecimento do bem e do mal todos os homens, tanto justos como injustos, são capazes de realizar boas ações e más ações, entretanto, a natureza em pecado do homem não pode ser alterada através de suas ações, quer sejam boas ou más ( Ec 7:20 ). Se fizer boas ações, a natureza permanecerá má, se fizer más ações, a sua natureza permanecerá igualmente má.

Geralmente se presume que somente as pessoas que comentem más ações são pecadoras, porém, Jesus evidencia através da parábola do ‘Fariseu e o Publicano’ que, apesar de o fariseu se cercar de boas ações, diante de Deus não estava justificado.

No período da escravidão tudo que um escravo produzia – por lei – pertencia ao seu senhor. Esse mesmo princípio aplica-se ao homem sem Cristo, pois tudo que o pecador produz pertence ao pecado, quer sejam boas ou más ações.

O pior homem sem Cristo não se mensura por suas más ações, e mesmo o melhor homem sem Cristo não se mensura por suas boas ou más ações “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos” ( Mq 7:4 ). Diante de Deus o melhor dos homens quanto o mais reto estão em igual condição ( Sl 53:3 ).

Devemos olhar com reservas para concepção do homem sem Cristo, por mais justo e correto que pareça, pois a aparência engana e, a concepção deste homem acerca das coisas de Deus é tão perniciosa quanto à do pior dos homens: o melhor e o pior dos homens estão equivocados. Por causa da natureza má, o pensamento do homem alienado de Deus é permanentemente mau. Por causa da natureza herdada de Adão, o homem sem Deus, além de trilhar um caminho de perdição, é mentira desde a origem ( Rm 3.4; Sl 58:3 ).

É em função da natureza do homem sem Deus que Cristo conta a parábola da ‘Árvore boa e a má’: a árvore má produz maus frutos e a árvore boa produz bons frutos ( Mt 12:33 ). A figura da árvore representa o homem; a árvore má representa o homem que não nasceu de novo, árvore que não foi plantada por Deus, ou seja, é árvore nascida de uma semente corrupta, a semente de Adão.

O homem (árvore má) pode até dar coisas boas aos seus semelhantes, porém, dizer coisas boas é impossível, pois possui um mau tesouro no coração enganoso e corrupto ( Mt 12:35 ), e Jesus aplica a figura da árvore má diretamente aos fariseus, porque sendo maus, nascidos de Adão, era impossível (não podiam) dizer boas coisas ( Mt 12:34 ).

É por causa da impossibilidade de um homem sem Cristo (árvore má) dizer (fruto) coisas boas que Jesus alerta acerca de como identificar os falsos profetas: pelo fruto, ou seja, pelo que dizem, pois a boca evidencia o que há no coração. É possível um falso profeta se manter escondido sob o disfarce de ovelha, ou seja, pela aparência (boas ações), mas é impossível disfarçar o fruto ( Mt 7:15 -16).

Embora muitos pensem: “Eu não sou malévolo”, ou até diga: “Cometo erros, mas isto não me faz merecer queimar em fogo pela eternidade”, o juízo de Deus para condenação foi estabelecido por causa de um só homem que pecou. Por causa da ofensa de Adão a condenação se abateu sobre todos os homens ( 1Co 15:21 -22), e muitos ignoram o fato de estarem condenados.

Muitos argumentam que é injusto ser condenado à perdição eterna porque um homem pecou! Este era o sentimento dos filhos dos escravos, pois nada fizeram para estarem sujeitos ao mando de seus senhores, entretanto, estavam condenados a uma existência de servidão.

Alegar que é injusto ser condenado pelo erro de outro não livra o homem da sua condição de sujeição ao pecado. O que livra o homem de tal condenação é crer no evangelho, que é poder de Deus para fazer dos filhos de Adão filhos de Deus.

 

A doutrina de Cristo

“O que eu devo fazer para ser salvo?”

A Bíblia dá a seguinte resposta: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” ( At 16:30 -31).

Quem é Jesus para que eu possa confiar n’Ele?

Jesus foi um homem da cidade de Nazaré como qualquer outro homem, porém, o diferencial entre Cristo e os demais homens está na forma como veio ao mundo. Enquanto os demais homens vêm à existência da concepção derivada da união íntima de um homem e uma mulher – na eternidade o Verbo Eterno teve que se esvaziar da sua glória, ou seja, deixar o seu divino poder, e ser ‘lançado’ pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem (Maria). Fato que determina que nasceu sem pecado!

O Verbo – desde sempre existiu – mas ao despir-se da sua glória, conforme as profecias se fez homem e nasceu na casa de Davi. Entre os homens foi nomeado ‘Jesus’ conforme orientação de Deus, e tudo o que estava escrito acerca d’Ele nas Escrituras cumpriu-se ( Rm 1:3 ).

Enquanto o primeiro homem Adão, que veio ao mundo sem pecado, desobedeceu a Deus, o Verbo eterno – ao assumir a forma humana – se fez servo e foi obediente até a mote, e morte de cruz. A desobediência de Adão trouxe condenação sobre todos os homens, e Cristo, pela Sua obediência, trouxe salvação a todos quanto crerem n’Ele.

Jesus foi declarado Filho de Deus com poder quando Deus O ressuscitou dentre os mortos ( Rm 1:4 ), cumprindo cabalmente o que foi dito a Davi:- “O teu descendente que proceder das tuas entranhas (…) Eu lhe serei por Pai e Ele me será por Filho” ( 2Sm 7:12 -14).

O apóstolo Pedro deu testemunho que Cristo foi crucificado, mas que Deus o ressuscitou dentre os mortos e que em nenhuma outra pessoa há salvação, pois na terra não há outro nome pelo qual os homens são salvos ( At 4:11 -12).

Jesus é o Salvador, porque quando o homem (Adão) pecou contra o Criador, Deus prometeu um libertador (O Messias, que é o Cristo) e, na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Unigênito aos homens, cumprindo-se as profecias escritas a respeito de Jesus séculos antes do Seu nascimento.

Jesus é o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra seriam benditas. Ele é o rebento na casa de Jessé, o Filho de Davi. Conforme a profecia, Jesus nasceu de uma virgem na cidade de Belém, e na sua boca nunca houve engano, porque falava verazmente segundo o seu coração.

Conforme as profecias, na crucificação, as mãos e pés de Jesus foram perfurados, morreu e foi sepultado na cova de um homem rico e ao terceiro dia ressurgiu dos mortos, provando assim que o Jesus de Nazaré é efetivamente o Cristo, o Filho de Davi conforme confessou o cego a beira do caminho de Jericó.

Até aqui, apresentamos aspectos da vida de Jesus homem quando habitou entre nós, porém é imprescindível salientar que Jesus também é o Senhor da Glória.

Jesus, desde sempre (eternidade) é Deus ( Jo 1:1 ). De posse do Seu eterno poder tem toda autoridade. Na eternidade não há hierarquia entre as pessoas da trindade (são um) “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra (Verbo Eterno), e o Espírito Santo; e estes três são um” ( 1Jo 5:7 ) , de modo que o Verbo Eterno possui toda autoridade, é conhecedor de todas as coisas, é onipresente e dá vida a todos que crerem nele conforme as Escrituras.

Antes de haver mundo, o Verbo eterno criou todas as coisas e Ele sustem todas as coisas pelo Seu poder, mas para ser introduzido no mundo o Verbo eterno despiu-se do seu eterno poder (Jo 17.5; Fl 2.7), e se fez carne e passou a habitar entre os homens na qualidade de único gerado de Deus, pois a sombra do Espírito repousou sobre Maria e ela achou-se grávida.

Quando esteve entre os homens admitiu abertamente: “Eu e o Pai somos um”. E aquele que o ouviram retrucaram: “… tu, sendo homem, te fazes Deus” ( Jo 10:30 -33). Eles achavam que Jesus estivesse blasfemando e queriam matá-lo. Todas as vezes que Jesus anunciou a sua divindade, os seus ouvintes quiseram apedrejá-Lo: – “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse ‘Eu Sou’” ( Jo 8:58 ).

Quando João Batista deparou-se com Jesus, apesar de ver um homem semelhante a ele, declarou: – “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Jesus sendo homem, João batista enfatizou: – “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que tem a primazia, porque era primeiro do que eu”, apontando a preexistência de Cristo ( Jo 1:30 ).

Na eternidade não havia a relação Pai, Filho e Espírito Santo. Na eternidade o Verbo é 100% Deus, e ao deixar a sua glória ao ser introduzido no ventre de Maria se fez 100% homem. No mundo dos homens com a encarnação do Verbo eterno passou a existir a relação Pai e Filho, pois seres celestiais não procriam e, este foi o acordo de Deus Elohim na eternidade ( 2Sm 7:14 ).

Em meio aos homens, Jesus não deteve nem se quer 0.0001% do poder que possui antes de ser introduzido no mundo, pois só tornando-se efetivamente homem reuniria os elementos imprescindíveis para ser mediador entre Deus e os homens, ou seja, em tudo Cristo foi semelhante aos homens “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” ( 1Tm 2:5 ; Hb 2:17 ).

Lembrando que o poder de Deus é infinito, qualquer porcentagem do poder de Deus, a mais ínfima, diz de um poder ilimitado. Quando em meio aos homens, Jesus viveu na dependência completa do Pai, ou seja, efetivamente se fez homem e foi obediente ao Pai até o fim.

Quando homem, apesar de não estar de posse da sua glória (poder), Jesus – o Espírito Eterno encarnado – era digno de adoração. Os discípulos e os seguidores de Jesus não conseguiam compreender que, aquele homem nascido em Belém e que residiu na cidade de Nazaré era o Criador do mundo.

Os contemporâneos de Jesus não conseguiam ter ideia da glória e majestade de Cristo porque Ele se fez homem por causa da paixão da morte. Mas através da sua ressurreição, agora é possível compreender que todas as coisas estão sujeitas a Cristo ( Hb 2:8 -10).

É imprescindível ao crente compreender que Jesus é o Sumo-sacerdote da Nova Aliança que pode compadecer dos pecadores, pois esteve sujeito às mesmas fraquezas e em tudo foi tentado, porém, sem pecado ( Hb 4:15 ). Ele mesmo – em obediência ao Pai – se interpôs como sacrifício ( Hb 9:15 ), e entrou nos céus, em um tabernáculo não feito por mãos de homens ( Hb 9:24 ); “Mas Ele, que já permanece para a eternidade, possui um sacerdócio exclusivo. Eis porque tem condições de salvar definitivamente os que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois está sempre vivo para interceder em favor dele” ( Hb 7:24- 25).

A mensagem de Jesus é universal e atemporal: Jesus salva crianças, velhos, mulheres, homens, rico, pobre, sábio, ignorante, etc.

Quando entre os homens, Jesus recebeu afetuosamente tanto os rejeitados pela sociedade e pela religião, quanto aqueles que, tendo uma religião e desempenhando um papel social, creram n’Ele.

Jesus comissionou os seus discípulos, dizendo: – “Ide e fazei discípulos de todas as nações” ( Mt 28:9 ; Jo 3:16 ), pois Ele morreu pela humanidade inteira.

Cristo morreu por todos os homens, e não por alguns em particular ou em especial, pois o desejo de Deus é que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade ( 1Tm 2:4 ).

Para ser salvo é necessário crer que aquele Jesus que residiu na cidade de Nazaré é o Filho de Deus, nascido da descendência de Abraão e na casa de Davi. Que Ele fez muitos milagres e maravilhas enquanto andou entre os homens com a missão de revelar Deus a humanidade ( At 4:10 ). Foi morto, sepultado, mas ressurgiu ao terceiro dia e está à destra da Majestade nas alturas.

Jesus veio ao mundo como o Unigênito do Pai e, por tudo que sofreu, fica evidente que, mesmo sendo o Filho de Deus, foi obediente em tudo, até à morte ( Hb 5:8 ). Ele foi conduzido ao calvário como um cordeiro que não abriu sua boca e, abdicou de fazer a sua vontade, sujeitou-se à vontade do Pai ( Lc 22:42 ). E, ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos como o Primogênito de Deus, pois por Ele muitos filhos são conduzidos a Deus ( Hb 2:10 ), pois aqueles que creem em Cristo – morrem para o mundo e nascem de novo – como filhos de Deus.

 

Novo Nascimento

O novo nascimento através da semente incorruptível é providência graciosa de Deus que torna o homem livre da natureza má herdada de Adão.

Quando você crê que Jesus é o Cristo, torna-se participante da carne e do sangue de Cristo ( Jo 6:35 e 53). Isto significa que você é participante da morte de Cristo, ou seja, tomou a sua própria cruz e seguiu após Cristo, foi crucificado, morto e sepultado à semelhança da Sua morte ( Rm 6:5 ).

Quando o homem crê em Cristo, o juízo de Deus estabelecido no Éden é satisfeito, pois a pena estabelecida para os pecadores – a morte – não passa da pessoa do transgressor. Deus é justo juiz quando o pecador morre com Cristo, pois recebe o cumprimento da sua sentença , pois o salário do pecado é a morte.

É no momento da morte com Cristo que o homem passa à condição de morto para o pecado ( Rm 6;11 ), e a maravilhosa graça de Deus se manifesta, pois mesmo não tendo obrigação nenhuma para com aquele que foi apenado na morte com Cristo, graciosamente Deus traz a existência um novo homem pela ressurreição de Cristo.

O velho homem é crucificado para que o corpo que pertencia ao pecado seja aniquilado ( Rm 6:6 ), e o pecado não tenha mais domínio sobre o tal homem , pois é certo que, morrendo o homem não há mais lei que o vincule ao pecado ( Rm 7:4 ).

O crente em Cristo ressurge com Cristo ( Cl 3:1 ) uma nova criatura criada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ), de modo que já não há nenhuma condenação ( Rm 8:1 ).

O apóstolo Paulo diz que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, porque aquele que está em Cristo Jesus é uma nova criatura isenta de culpa ( Rm 8:1 ; 2Co 5:17 ). Esta nova criatura é participante da natureza divina, ou seja, bom, luz, filho, etc. ( 2Pd 1:4 ). Do bom tesouro do coração fala coisas boas: confessa que Jesus é o Filho de Deus, produz o fruto dos lábios de quem está ligado à oliveira verdadeira: – “Paz, paz, para os que estão longe e para os que estão perto” ( Is 57:19 ).

A nova criatura não mais comete erros? Sim comete, pois apesar de se livrar da condenação estabelecida no Éden, ainda é conhecedor do bem e do mal. Entretanto, as suas obras e intenções do seu coração serão julgadas no Tribunal de Cristo, e não mais no Grande Trono Branco ( 2Co 5:10 ).

 

Falta alguma coisa?

O crente em Cristo arrependeu-se quando creu em Cristo conforme tudo o que foi predito acerca d’Ele nas Escrituras, momento em que Deus concedeu o perdão de todos os seus pecados e delitos.

Agora em Cristo – uma nova criatura – você não precisa viver admitindo culpa (confessando erros do cotidiano) diante de Deus para garantir a salvação, pois nenhuma condenação há que pese sobre você como nova criatura.

Todas as ações dos cristãos serão julgadas no Tribunal de Cristo, portanto, você pode pedir perdão a Deus por questão de consciência, mas não são estas questões que te levará à perdição.

Como crente, você não precisa mais arrepender-se acerca de como alcançar salvação, ou seja, mudar de concepção (metanoia), pois o seu arrependimento diante da mensagem do evangelho é o que te levou a crer em Cristo. O arrependimento bíblico não se repete ao longo da existência do cristão neste mundo, pois crer em Cristo se dá de uma vez por todas, sendo necessário somente a perseverança.

O arrependimento ligado ao remorso e que se concita a confissão de erros diante de um sacerdote, ministro, padre, etc., decorre de uma concepção católica antiga que vinculava o arrependimento à penitência, ou indulgência.

Por causa das questões próprias à penitencia e à indulgencia surgiram afirmações como: – “Não basta admitir culpa, tem que se arrepender”; ou – “Arrependimento genuíno só parte de um coração quebrantado”; ou – “Arrependimento é mais que remorso”, etc.

A culpa pelos erros cometidos, somado à ideia de arrependimento como penitencia e indulgência fazia com que as pessoas doassem seus bens como prova de genuíno arrependimento e devoção, porém, o arrependimento bíblico é somente admitir que Jesus é o Cristo de Deus que tira o pecado do homem.

A oração do crente nascido de novo é de alegria, expressão verbalizada da sua confiança por ter amplo acesso ao trono de Deus “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” ( Ef 3:12 ; Hb 10:19 ). Você não deve se apresentar como indigente diante de Deus, mas como filho agradecido por todas as bênçãos concedidas, pois Deus nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus ( Ef 1:3 ).

Ainda falta alguma coisa para o crente? Sim.

Há a necessidade de se alimentar constantemente. Primeiro com leite racional, depois com alimento sólido até chegar a estatura de varão perfeito, a medida da estatura de Cristo. Prosseguir para o alvo, que é o pleno conhecimento de Cristo. Combater o bom combate em defesa do evangelho e permanecer crendo nele!

E depois de haver feito isto, permanecer firme, até que o corpo mortal seja revestido da imortalidade.




O primeiro e grande mandamento na lei

Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesto aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).


“Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” ( Mt 22:36 -40).

Certa feita Jesus foi questionado pelos discípulos porque falava aos seus ouvintes por parábolas. E Jesus lhes respondeu: “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” ( Mt 13:13 ).

Jesus falava ao povo por parábolas, pois neles se cumpria a profecia de Isaías, uma vez que o coração deles estava endurecido ( Mt 13:15 ).

No diálogo que Jesus teve com certo doutor da lei se faz necessário descobrir se Jesus também falou por parábolas, para que, o doutor da lei e fariseu ouvindo, não ouvisse e nem compreendesse ( Jo 1:5 ).

Os profetas anunciaram que o Cristo haveria de propor enigmas e parábolas aos seus ouvintes ( Sl 49:4 ; Sl 78:2 ), e Jesus não trouxe nada de diferente do que constava na lei, salmos e profetas ( Jo 5:39 ; Lc 24:44 ).

A pergunta capciosa de um fariseu foi: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”.

Jesus, por sua vez, demonstrou que o primeiro e grande mandamento na lei é: “Amará o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” ( Mt 22:37 ), e que o segundo, semelhante ao primeiro é: “Amará o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 22:39 ).

O mestre dos fariseus deu-se por satisfeito, pois era isto mesmo que ele queria ouvir. Ele escutou e aprovou a resposta de Cristo. Ele já havia lido e ouvido esta passagem bíblica inúmeras vezes, mas não ‘ouviu’ e nem ‘compreendeu’.

A pergunta que o doutor da lei precisava fazer para Jesus era: como se ama a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento?

As Escrituras nos revelam que cumprir todos os mandamentos assim como certo príncipe judeu cumpria a lei desde a mocidade, não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento ( Mt 19:20 ; Lc 18:18 -24).

“- Tudo isto tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” Se o Jovem rico amasse a Deus de todo o seu coração, não teria se retirado triste ( Mt 19:22 ). Se ele entendesse a proposta da lei, jamais teria perguntado: “Que bem farei para herdar a vida eterna” ( Lc 18:18 ), pois saberia que não há bem algum a ser realizado pelo homem que dê direito a salvação, antes, para que o homem possa herdar a vida eterna é necessário somente crer no Autor da salvação.

Mesmo sendo príncipe dos judeus, fariseu, juiz e mestre em Israel, Nicodemos também não amava o Senhor Deus de todo coração, de toda alma e de todo entendimento, uma vez que Jesus lhe disse: necessário vos é nascer de novo ( Jo 3:1 -5 ).

Outro fariseu subiu ao templo, e em oração disse: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” ( Lc 18:11 -12).

Mesmo ‘seguindo’ o que preceituava a lei, o fariseu que subiu ao templo não foi justificado! Não roubar, não matar, não furtar, não ser injusto ou adultero não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento, pois aqueles que amam a Deus e cumprem os seus mandamentos são declarados justos ( Dt 7:9 ).

Se os fariseus, apesar de serem religiosos, legalistas, formalistas e ritualistas, não cumpriram o primeiro e grande mandamento na lei, como esperar que qualquer do povo cumpriria o mandamento que diz: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” ( Dt 6:4 -5)?

A resposta está em Deuteronômio, verso 6, capítulo 30: “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Para que o homem possa ‘amar o Senhor Deus de todo o coração, de toda alma, de todas as forças e de todo o entendimento’ é necessário que o coração do homem seja circuncidado por Deus.

A circuncisão do coração feita por Deus tem dois objetivos definidos:

  • Que o homem obtenha vida, e;
  • Que o homem possa amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma, etc.

Somente um coração circuncidado pelo Senhor pode amá-Lo de todo. Somente após Deus realizar a sua obra, que é a circuncisão do coração, torna-se possível ao homem e a mulher amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo entendimento, etc “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…), para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma” ( Dt 30:6 ).

Um coração incircunciso está morto diante de Deus. Somente um coração circuncidado vive perante Ele “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…) para que vivas ( Dt 30:6 ). Nada representa diante de Deus os sentimentos de um coração incircunciso, ou seja, que está morto! A circuncisão de Deus é para que o homem tenha vida, pois Deus é Deus de vivos, e não de mortos.

O amor a Deus não se vincula a sentimentos humanos, à voluntariedade, aos serviços, aos sacrifícios ou esforço próprio, antes só é possível amar a Deus após a intervenção cirúrgica de Deus: a circuncisão do coração!

Havia um enigma no primeiro e grande mandamento da lei! Muitos leram, outros ouviram, porém, não entenderam e nem compreenderam como se cumpre o primeiro e grande mandamento na lei: circuncidai, pois o vosso coração!

Antes de entregar pela segunda vez as tábuas dos dez mandamentos, Deus orientou o povo a amá-lo ( Dt 10:12 ). De que modo? Circuncidando o prepúcio do coração ( Dt 10:16 ). Ou seja, o cumprimento da lei dependia diretamente da circuncisão do coração, o que só é possível através da ação divina, sem o auxílio de mãos humanas: obra exclusiva de Deus “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração…” ( Dt 30:6 ; Cl 2:11).

Da mesma forma que, segundo a carne, Abraão circuncidou Isaque, quando Deus recebe dentre os homens filhos para si, Ele circuncida o prepúcio do coração dos seus filhos. É o pai que circuncida o filho, e a circuncisão promovida por Deus demonstra que Ele recebeu o circuncidado por filho.

Os fariseus não amavam a Deus de todo o coração porque acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão. Por serem circuncidados na carne ao oitavo dia após nascerem, acreditavam que tal prática os tornava filhos de Deus.

Porém, Deus só recebe por filhos aqueles que ele circuncida. A circuncisão do coração é necessária para que o homem viva, ou seja, volte a ser participante da glória de Deus. Sem a circuncisão que Deus efetua no coração o homem está morto, continua na incircuncisão da carne herdada de Adão, mesmo após cumprir os quesitos da lei, como o é a circuncisão do prepúcio.

Enquanto a circuncisão do prepúcio era quesito para ser membro da nação de Israel, a circuncisão do coração é imprescindível para que fossem participantes do Israel de Deus ( Rm 9:6 ). Somente Deus pode realizar a circuncisão do coração do homem “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Após ser circuncidado pelo Senhor, o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ). É tirado o coração de pedra e concedido um coração de carne ( Ez 36:26 ). O criado em verdadeira justiça e santidade um novo homem( Ef 4:24 ). Tudo se faz novo!

Somente após receber um novo coração e um novo espírito, o homem regenerado passa a adorar a Deus em espírito e em verdade, ou seja, consegue amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.

O profeta Ezequiel anunciou que Deus haveria de espargir água pura sobre os homens, ou seja, através da sua palavra Deus haveria de conceder um novo coração e um novo espírito.

Após o novo nascimento, Deus haveria de habitá-los, condição imprescindível para que os homens andem, guardem e cumpram os estatutos de Deus ( Ez 36:25 -27 ). Para amar a Deus de todo o coração é necessário que Deus habite o homem.

Diante da lei e do protesto veemente dos profetas, o povo de Israel aplicavam-se a cumprir os mandamentos como guardar o sábado, utilizar os filactérios, jejuns, orações, sacrifícios, etc. Valorizavam a circuncisão ao oitavo dia, porém, o coração deles permanecia na incircuncisão, longe de Deus “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” ( Is 29:13 At 7:51 ).

O jovem rico era um perfeito retrato da nação de Israel, visto que a maioria seguia o estipulado nos dez mandamentos: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 19:18 -19 ; Ex 20:2 – 17), porém, sentiam que faltava alguma coisa.

Elogiar a Cristo não é o mesmo que amar a Deus de todo o coração: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste…!” ( Mt 12:32 -33). Para o escriba ainda faltava alguma coisa também, pois não basta reconhecer que Jesus apresentou um ensino verdadeiro: “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Se o escriba observasse melhor, veria que a porta para se entrar no reino de Deus estava aberta bem a sua frente! Se ele abandonasse os seus conceitos (arrependimento), veria o quão próximo estava o reino dos céus “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:2 ).

Após observarmos o jovem rico e o escriba, precisamos entender porque não basta guardar os mandamentos da lei “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” ( Mt 19:20 ). É essencial descobrir porque mesmo após admitir qual é o maior dos mandamentos, muitos ainda não tem acesso ao reino dos céus “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Embora fosse ferrenho seguidor da lei por ser fariseu, exemplo em Israel como mestre, conhecedor da lei como juiz, Nicodemos não podia entrar no reino dos céus, pois lhe faltava nascer de novo! ( Jo 3:2 ). Só é possível nascer de novo após morrer! Quando Deus oferece ao homem e a mulher a circuncisão do coração, ele demonstra a necessidade de se exterminar a velha natureza herdada de Adão, condição essencial para que ocorra o novo nascimento.

Para ser circuncidado pelo Senhor basta crer na palavra que diz: “Ouve, ó Israel…”, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus ( Sl 81:8 ).

Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesta aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).

 

O Sermão da Montanha e o espírito inatingível da lei

As bem-aventuranças e o ministério de Jesus Cristo

Não matarás e o Sermão da Montanha

O Sermão do Monte e o adultério

O Sermão da montanha e algumas práticas religiosas dos judeus – esmola, oração e jejum




O cristão frente ao movimento Ateísta

É razoável aos cristãos ficarem preocupados com a nova empreitada dos humanistas e ateístas? Com base no que expõe a Bíblia, os ateus não podem ser classificados como falsos profetas, visto que os falsos profetas se apresentam como se estivessem a serviço de Deus, e, para tanto, afirmam crer em Deus ( Mt 7:15 ). É impossível ser falso profeta negando a existência de Deus.

 


O movimento ateísta tem preocupado alguns cristãos, pois acreditam que tais acontecimentos referem-se à predição de Cristo, que diz: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” ( Mt 24:12 ).

Outros entendem que tal ‘ataque’ ateísta refere-se à seguinte pergunta do Senhor Jesus: “Quando, porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” ( Lc 18:8 ).

Será que o posicionamento de intelectuais ateístas promove um ‘esfriamento’ do amor segundo a predição de Mateus 24, verso 12? O movimento ateísta europeu possui alguma relação com a pergunta de Cristo em Lucas 18, verso 8? O que pensar do ateísmo?

 

Iniquidade ‘versus’ Amor

Quando Jesus declarou que, em decorrência da iniquidade o amor de muitos esfriaria, Ele o fez em particular com os seus discípulos no monte das Oliveiras ( Mt 24:3 ), pois eles queriam saber:

  • Quando o templo seria derribado;
  • Quais os sinais da vinda do Senhor, e;
  • O fim de todas as coisas.

Jesus alertou que muitos haveriam de ser enganados ( Mt 24:4 ; Lc 21:8 ), pois muitos falsos profetas viriam em nome de Cristo e enganariam a muitos ( Mt 24:5 ; Mt 24:24 ).

Foi predito também que haverá rumores de guerras, nação contra nação, reino contra reino, fome, pestes e terremotos, porém, estas coisas não eram o fim, antes era um prenúncio do tempo denominado de ‘princípios de dores’.

Neste tempo os filhos do povo do Messias (judeus) serão atormentados e mortos. Serão odiados por todas as nações por causa de Cristo. Neste tempo muitos dos judeus se escandalizarão, trairão uns aos outros e odiarão uns aos outros.

Falsos profetas enganarão a muitos e a iniquidade fará com que o amor de uns para com os outros diminua, ou seja, a traição e o ódio aumentam e o amor esfria (amor e ódio tornam-se grandezas inversamente proporcionais).

O tempo em que ‘o amor de muitos esfriará’ se dará somente após o período da ‘plenitude dos gentios’, ou seja, após o arrebatamento da igreja ( Mt 24:21 ). A instrução de Cristo aos discípulos tem em vista os judeus como nação, e não diz de um alerta específico para com a sua igreja.

Observe o que é predito em Mateus 24, versos 15 a 21. A igreja não tem que se preocupar com o inverno ou o sábado. A igreja não restringe a Judeia. A igreja não diz de uma nação. Portanto, a predição de Cristo em Mateus 24 e 25 têm em vista os judeus após a entrada do tempo dos gentios.

 

A Fé e a volta do Messias

É importante salientar que a fé que muitos dizem possuir quando tiram o chapéu para reverenciar a Deus não é a fé que salva. A fé que a religiosidade fomenta não é a fé que conduz o homem a Deus!

A única fé que salva é a que foi manifesta em Cristo Jesus “…aquela fé que havia de se manifestar” ( Gl 3:23 ), portanto, quando Jesus questiona se haverá ‘fé’ na terra quando da sua volta, ele inquiriu acerca da fé que foi manifesta aos homens, e não das crendices e misticismos que é próprio ao homem natural.

Jesus não afirma através deste versículo que o número de pessoas que não acreditam em Deus aumentará, ou que o número de religiões ao longo dos séculos reduzirá significativamente. A ênfase da pergunta de Cristo está na mensagem que Ele proclamava, ou seja, a fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ).

A questão levantada por Cristo tem em vista os que creem, para que reflitam se a mensagem do evangelho continuará sendo difundida da mesma forma que Ele ensinou. Será que até a volta de Cristo o evangelho continuará sendo anunciado aos homens assim como foi ensinado por Ele?

Dentro desta perspectiva, Judas, o servo de Jesus, conclama os cristãos a batalharem pela fé (evangelho) que foi entregue aos santos ( Jd 1:3 ; Fl 1:27 ). Se os cristãos não estiverem envolvidos nesta batalha, há de ser que, quando Jesus voltar, não mais haverá fé (evangelho genuíno) na terra.

 

 

O Ateísmo e a Doutrina de Cristo

O ateísmo é uma corrente filosófica que afirma não existir deuses, ou que rejeita a ideia de que Deus existe. Tal corrente filosófica encontrou terreno fértil na Europa e na Ásia com a disseminação de conceitos como a liberdade de pensamento, do ceticismo científico e através de críticas acida contra as religiões.

Esta onda ateísta que inundou a Europa fez com que aumentasse o número de publicações de livros ateus, e por último, fomentou o surgimento de campanhas publicitárias na mídia, sendo utilizados até mesmo outdoors com frases e slogans negando a existência de Deus.

É razoável aos cristãos ficarem preocupados com a nova empreitada dos humanistas e ateístas?

Com base no que expõe a Bíblia, os ateus não podem ser classificados como falsos profetas, visto que os falsos profetas se apresentam como se estivessem a serviço de Deus, e, para tanto, afirmam crer em Deus ( Mt 7:15 ). É impossível ser falso profeta negando a existência de Deus.

Poderíamos classificá-los como sendo anti-Cristo ou anti-Deus, porém, o espírito do anti-Cristo, que desde o princípio age no mundo, nega que Jesus é o Cristo e/ou que Ele tenha vindo em carne ( 1Jo 2:23 ; 1Jo 4:2 ), porém, não se aplica em negar a existência de Deus.

Por outro lado, devemos considerar que os ateus não são mais e nem menos perniciosos que as seitas e religiões que se proliferam no mundo. Há alarde quando uma pessoa nega a existência de Deus, e certo conformismo quando alguém, que distorce a verdade do evangelho, diz crer em Deus.

Há aqueles que até promovem o sincretismo religioso por causa de uma bandeira em defesa da existência de Deus. Não podemos descartar que a crescente onda ateísta tenha como plano de fundo uma estratégia demoníaca para se promover o ecumenismo.

Mesmo dizendo crer em Deus os falsos profetas são mais perigosos que os ateístas, visto que os falsos profetas vêm até os cristãos ‘vestidos’ de ovelhas e introduzem encobertamente heresias de perdição ( 2Pe 2:1 ).

A incredulidade dos ateus nem de longe ameaça a verdade do evangelho de Cristo ou a existência de Deus, porém, os falsos profetas, aqueles que dizem ‘Senhor’, ‘Senhor’, são a verdadeira ameaça, pois transtornam a mensagem do evangelho.

Diante do evangelho os ateístas não são melhores ou piores que os demais pecadores ( Mq 7:4 ), pois Deus amou o mundo sem acepção de pessoas. Deus ama o cético, o ateu e o religioso de igual modo, pois deseja que todos venham ao conhecimento desta fé (verdade) maravilhosa ( 1Tm 2:4 ).

Jesus não condena os ateus, da mesma forma que não condenou a mulher adultera, visto que a sua missão não é condenar o mundo, antes salvá-lo “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ). Seria um contra sendo Jesus condenar o mundo que já estava sob condenação ( Jo 3:18 ; Rm 5:18 ).

Como bem sabemos, a verdade (fé) produz fé (confiança), mas a fé (confiança) não produz verdade (fé). Por mais que alguém confie em algo que não é verdadeiro, jamais tal confiança tornará a ‘mentira’ em ‘verdade’.

Se os homens acreditam em Deus ou não, tal crença não influenciará o destino deles. Se o maior ateu passar a acreditar na existência de Deus, por observar e considerar a natureza, nada mudará para a humanidade ou para ele.

Agora, caso um ateu passe a crer em Deus, como diz as Escrituras, rios de água viva correrão do seu ventre ( Jo 7:38 ), pois esta é a promessa de Deus para os que creem em seu nome segundo o que preceitua a Bíblia.

Se Voltaire, o pensador Frances, que é tido por muitos como sendo o maior ateu, passasse a acreditar na existência de Deus, nada alcançaria de Deus, pois nenhuma promessa d’Ele há para os que acreditam em sua existência.

A mensagem do cristianismo deixa bem claro que ninguém é ou será punido por Deus por não acreditar em sua existência, visto que, sobre todos os homens já pesa, sejam ateus ou não, uma condenação.

Como qualquer descendente de Adão os ateus estão igualmente condenados diante de Deus ( Rm 5:19 ).

A condenação não foi estabelecida somente para os ateus, antes veio para todos os homens, visto que todos pecaram. Não é o entendimento filosófico que certos homens seguem que os condenam, antes a condenação foi estabelecida através da ofensa de Adão ( Rm 5:18 ).

É a incredulidade (ofensa) de Adão que trouxe condenação sobre todos os homens, pois através dele o pecado entrou no mundo, e por ele, todos pecaram ( 1Co 15:22 ).

A Bíblia demonstra que todos os homens sem Cristo estão debaixo do pecado. Não importa as correntes filosóficas, religiosas e morais que adotarem, se não crerem no Filho, já estão condenados ( Rm 3:23 e Rm 5:12 ).

A Bíblia também demonstra que o melhor homem é comparável a um espinho e o mais reto a uma sebe de espinhos “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos” ( Mq 7:4 ).

Este verso demonstra que os religiosos podem ser mais perniciosos que os ateus, pois o mais ‘reto’ dentre os homens, diante de Deus está em pior condição. Por que em pior condição? Porque os publicanos e meretrizes entram adiante dos religiosos no reino de Deus “Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer” ( Mt 21:31 -32).

A mensagem de Cristo pra todos os homens é a mesma: ‘necessário vos é nascer de novo’, não importando se são religiosos, juízes, ateus, cientistas, ricos, pobres, reis ou plebeus ( Jo 3:3 ).

 

Os cristãos e o ateísmo

Qual deve ser a atitude de um cristão frente ao posicionamento ateísta?

Em primeiro lugar os cristãos devem estar “… preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” ( 1Pe 3:15 ).

Em segundo lugar, o apóstolo Paulo alertou os cristãos a não lutarem contra a carne e o sangue, antes deveriam lutar contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais ( Ef 6:12 ).

Com base nestas duas premissas, conclui-se que um verdadeiro cristão não deve promover um embate contra qualquer homem ou contra suas vãs filosofias. Um verdadeiro cristão jamais deve estabelecer uma cruzada contra qualquer credo ou sistema filosófico. Jamais deve estabelecer um sistema inquisitório contra qualquer pessoa ou nação.

O mundo jaz no maligno por causa da queda no Éden, sem qualquer relação com filosofias, nações ou credos. Um enfrentamento contra qualquer ordem ou sistema humano não mudará a realidade da condenação herdada em Adão. Cruzadas e inquisições não salvam ninguém da condenação eterna.

Qual a batalha do cristão? Há uma única ordem para os cristãos se engajarem em uma batalha: “Amados, enquanto eu empregava toda diligência para vos escrever acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a batalhar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos” ( Jd 1:3 ).

Neste mesmo diapasão conclamou o apóstolo Paulo: “O que é mais importante, deveis porta-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo. Então, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais firmes em um mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho sem serdes intimidados pelos adversários” ( Fl 1:27 ).

Ele destacou o que é mais importante para os Cristãos:

  • Portarem-se dignamente conforme o evangelho de Cristo;
  • Que combatam juntamente pela fé do evangelho.

Para batalhar pelo evangelho, a fé dada aos homens, é necessário aos que creem estarem fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Qual a força do poder de Deus? Ora, o evangelho é o poder de Deus ( Rm 3:16 ), e os cristão tem que estar revestidos com o evangelho, que é a armadura de Deus para os seus servos ( Ef 6:13 ).

Após estar revestido, o cristão estará cônscio de que a ação de satanás neste mundo consiste em manter os homens entenebrecidos no entendimento, separados de Deus pela ignorância que há neles. Satanás luta para que não resplandeça aos homens ‘ignorantes’ a luz do evangelho “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ; Ef 4:18 ).

 

Conclusão

A incredulidade que condena o homem não está em dizer que não há Deus, pois a salvação não advém de afirmar que Deus existe.

Cartazes e outdoors negando ou afirmando a existência de Deus não mudam a realidade do pecado, pois um movimento pró-existência de Deus não salvará os homens.

O reino dos céus não depende de disputa publicitária em outdoors. Anúncios publicitários em transportes coletivos não têm poder para derrubar a barreira de separação que há entre Deus e os homens.

O poder de Deus é o evangelho, e o evangelho é poder de Deus. A ordem de Deus para os cristãos verdadeiros é anunciar o evangelho tal qual foi anunciado por Cristo. Slogan publicitário não promove a mudança de conceito (arrependimento) que só é possível através das boas novas do evangelho de Cristo.

Atacar os ateístas rotulando-os de burros, mentes fechadas, vazios, imorais, amoral, anarquistas, etc., não é o que ensina o evangelho de Cristo. Além do mais, a falta de moral, de conhecimento, de amor para com o próximo, de carinho, etc., é algo próprio a todos os homens, quer sejam ateus ou não.

Aliar-se a sistemas religiosos diversos tão somente para fazer tremular uma bandeira pró-existência de Deus também não é o que preceitua o evangelho de Cristo, pois não basta acreditar que Deus existe, antes é necessário crer naquele que Ele enviou para que possa alcançar salvação.