O eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo

O propósito de Deus de estabelecer a sua palavra acima de todo o seu nome é eterno e imutável e foi levado a cabo quando Cristo ressurgiu dentre os mortos e tornou-se a cabeça da igreja, que é o seu corpo.


O eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo

O propósito eterno de Deus é um tema grandioso que permeia toda a bíblia e deveria direcionar o foco de todos os estudantes das Escrituras, visto que o predicativo ‘eterno’ que qualifica o propósito advém do Eterno, pois o propósito é eterno por ter sido estabelecido em Deus e não nas suas criaturas que são finitas.

Sem compreender o propósito eterno que Deus estabeleceu em si mesmo os estudos teológicos ficam desfocados “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo…” ( Ef 1:9 ), pois a essência das Escrituras é a Palavra que se fez carne ( Jo 6:39 ).

Portanto, se faz necessário compreendermos qual é o propósito eterno que Deus propôs em si mesmo “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor…” ( Ef 3:11 ). Todos os cristãos precisam compreender no que consiste o propósito de Deus, para não relacioná-lo com suas necessidades diárias, das quais Cristo nos asseverou: “…Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis” (Lc 12.22).

 

O motivo e objetivo do Propósito eterno

“Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” ( Ef 1:21)

Qual o propósito eterno de Deus? O que Ele propôs que permanecerá pela eternidade?

O propósito eterno de Deus é anterior à queda do homem e foi estabelecido antes mesmo da fundação do mundo.

Após trazer a existência os seres angelicais ( Ne 9:6 ; Sl 148:2 -5), Deus tornou-se conhecido e reverenciado pelas suas criaturas celestiais em decorrência da sua majestade, poderio, grandeza, força, onipotência, etc., atributos estes denominados pela teologia de ‘naturais’. Diante da imensidão do Altíssimo seus anjos O bendiziam desta forma: “E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” ( Is 6:3 ).

Porém, segundo o beneplácito e conselho da sua vontade, Deus estabeleceu na eternidade que seria conhecido e reverenciado por suas criaturas, não em decorrência da sua onipotência e imensidão, antes seria adorado e reverenciado em decorrência da sua multiforme sabedoria, benignidade e fidelidade.

Mas, como estabelecer tal propósito? Esta intenção benigna que prepusera fazer em si mesmo ( Ef 1:9 ), foi levada a efeito com base no conselho da sua vontade, sendo o conselho plenitude de sua sabedoria, entendimento e conhecimento e poder ( Pv 8:14 ).

Para ser reverenciado por todas as suas criaturas segundo a sua multiforme sabedoria, benignidade e fidelidade, na eternidade Deus propôs engrandecer a sua Palavra acima de todo o seu nome e de todos os principados e potestades “Inclinar-me-ei para o teu santo templo, e louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome ( Sl 138:2 ; Sl 89:2 ).

Ao propor estabelecer a sua palavra acima de todas as coisas e acima de todo o seu nome, que é onipotente, soberano, majestoso, eterno e infinito, Deus concedeu honra e glória ao seu nome em virtude do seu amor e da sua fidelidade “NÃO a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade” ( Sl 115:1 ).

Observe que é o próprio Deus quem dá glória ao seu nome, e isto se dá em função do seu amor e benignidade. Quando o seu Conselho resolveu elevar a sua palavra acima de todo o seu nome, os que esperam (creem) em sua Palavra que se fez carne, tornaram-se instrumento de louvor da sua glória “Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 ).

Para levar o seu propósito a cabo, Deus criou o mundo através da sua palavra – o Verbo de Deus “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” ( Jo 1:3 ). Embora o Verbo fosse Deus, despiu-se da sua glória e foi introduzido no mundo na condição de Unigênito de Deus, fazendo-se semelhante aos homens ( Fl 2:7 ).

Em tudo o Verbo divino se fez semelhante aos homens, por causa da paixão da morte, pois lhe era necessário provar a morte e morte de cruz ( Hb 2:9 ). Na condição de único gerado de Deus, a Palavra de Deus assumiu a condição de servo e em tudo foi obediente ao Pai pelo premio que lhe estava proposto ( Is 55:11 ; Fl 2:8 ; Hb 12:2 ).

Observe que, para expiar o pecado dos homens Jesus tornou-se semelhante aos homens em tudo, porém, a posição de sumo sacerdote misericordioso e fiel teve em vista o que era pertencente a Deus, ou seja, o seu eterno propósito “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” ( Hb 2:17 ).

Ao ressurgir dentre os mortos, o Verbo que se fez carne ascendeu aos céus e assentou-se a destra de Deus. Embora Deus tenha feito o mundo por intermédio da sua Palavra (Cristo) ( Hb 1:8- 10), após, Este se assentar à destra da Majestade nas alturas, foi constituído herdeiro de tudo ( Hb 1:3 ).

Deus exaltou a sua Palavra soberanamente e lhe deu um nome acima de todo o nome ( Fl 2:9 ). Da igreja tornou-se a cabeça, pois dentre os filhos de Deus que Ele conduziu à glória, tornou-se o Primogênito ( Cl 1:18 ), para que em tudo a Palavra seja preeminente “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ).

Deste modo, a vontade de Deus orientada pelo seu Conselho elevou a sua Palavra acima de todo o seu nome e de todos os nomes, principados e potestades, convergindo todas as coisas em Cristo, a Palavra de Deus que se fez carne ( Ef 1:10 ; Sl 89:27 -28).

Enquanto servo e despido de sua glória, a Palavra de Deus em tudo foi semelhante aos homens, mas ao ressurgir, Ele tornou-se a expressa imagem do Deus invisível “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ), tornando-se mais sublime que os céus, e herdou um nome que é acima de todo nome, não só neste século mais também no vindouro ( Ef 1:21 ).

Observe que todas as coisas foram postas debaixo dos pés de Cristo, a Palavra que se fez carne. A posição da igreja é superior à dos anjos ( 1Co 6:3 ), portanto, acima de todos os principados e potestades, porém, sobre todas as coisas Cristo foi constituído como a cabeça da igreja ( Ef 1:22 ), ou seja, assumiu posição acima dos anjos e dos semelhantes a Ele.

Deste modo, Deus levou a efeito seu propósito eterno, que não se restringe a este século, mas também abarca os séculos vindouros: engrandecer a sua palavra acima de todo o seu nome “Inclinar-me-ei para o teu santo templo, e louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome” ( Sl 138:2 ).

O propósito de Deus de estabelecer a sua palavra acima de todo o seu nome é eterno e imutável e foi levado a cabo quando Cristo ressurgiu dentre os mortos e tornou-se a cabeça da igreja.

O apóstolo Paulo deixa claro que Deus desvendou o mistério da sua vontade, o beneplácito que propusera em si mesmo, no Verbo encarnado: a sua Palavra foi engrandecida! “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor…” ( Ef 3:11 e Ef 1:9 -10).

 

O Propósito Eterno e a Salvação

Muitos possuem um entendimento equivocado de que o propósito eterno de Deus resume-se na salvação da humanidade e, que tal propósito começou a ser posto em prática a partir da queda da humanidade.

Neste sentido, se admitirmos que o propósito eterno de Deus centra-se na humanidade, tem-se que o propósito não é eterno, pois teria inicio em seres finitos e, o propósito não poderia ser eterno com base na salvação dos homens, visto que há um tempo determinado para que se encerre o tempo de salvação.

Deus é eterno e o seu propósito foi estabelecido sobre a sua palavra, que é viva e eficaz e é a mesma ontem, hoje e permanece eternamente.

Deste modo, é essencial que se compreenda que o propósito eterno de Deus seria levado a efeito com ou sem a queda da humanidade, pois o propósito foi estabelecido por Deus e para Ele ( Ef 1:4 e 11). O propósito de estabelecer a sua Palavra acima de todo o seu nome é eterno e imutável, e o seu propósito não foi e nem poderia ser alterado ou mudado por causa da queda da humanidade.

Se a salvação fosse o eterno propósito, necessariamente Deus seria cúmplice do pecado, pois ficaria na dependência de que Adão pecasse para que, só então, pudesse levar a efeito o seu propósito.

Devemos saber diferenciar propósito de vontade. Enquanto Deus quer que todos os homens se salvem (vontade), porém, espera que os homens venham ao conhecimento da verdade para que Ele possa salvá-los, mas, com relação ao seu propósito Deus é proativo e, segundo o seu beneplácito, fez todas as coisas necessárias para engrandecer a sua palavra.

Mesmo que Adão e Eva não houvesse pecado, Deus levaria a efeito o seu propósito: a sua Palavra seria engrandecida acima de todo o seu nome. Mas, como o homem pecou, Deus não poupou nem mesmo o Verbo para resgatá-lo do pecado para levar a efeito o seu propósito: elevar a sua Palavra “Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” ( Ef 1:21 ).

Portanto, apesar de a redenção da humanidade ser uma obra maravilhosa decorrente da benignidade de Deus, não podemos confundi-la com o propósito eterno de Deus.

A redenção dos homens não é o objetivo fim do Propósito eterno, antes revela a multiforme sabedoria de Deus que proveu o meio de reconciliar consigo mesmo suas criaturas e, concomitantemente fazer o seu Filho o primogênito entre muitos irmãos, através da igreja.

 

Por que Deus criou o Homem?

“Também disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26 )

Ao anunciar: “Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26 ), foi dado o ‘start’ para Deus estabelecer a sua palavra acima de todo o seu nome.

Diferente da primeira fala: ‘Haja luz’ ( Gn 1:3 ), onde o sujeito do verbo ‘haja’ precisa essencialmente de poder criativo, o sujeito do verbo ‘façamos’ o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança, além de poder, essencialmente deveria ser fiel a sua palavra, mantendo-a verdadeira, imutável.

Criar a terra e criar o homem por meio da sua palavra exige poder, manter a sua palavra e fazer o homem a sua imagem, exige sabedoria e fidelidade a sua palavra, porém, com a queda do homem, a benignidade de Deus foi revelada aos homens na pessoa do Messias prometido.

Com a queda do homem apareceu a benignidade de Deus, Jesus Cristo-homem e, agora, todas as criaturas podem e devem reconhecê-Lo pela sua multiforme sabedoria, fidelidade demonstrada a sua Palavra e a sua benignidade demonstrada para com os homens “NÃO a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade” ( Sl 115:1 ).

Deus criou o homem em função do propósito eterno estabelecido em Cristo, de elevar o nome de Cristo acima de todo o nome. E não somente isto, o seu propósito visava tornar Cristo a cabeça de seres semelhantes a ele, ou seja, alçando-O a posição de primogênito entre muitos irmãos.

Quando Deus disse: “Façamos o homem conforme a nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, Satanás tomado de loucura intentou alcançar tal semelhança para estar em posição superior aos seus pares “E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:13 -14 ).

Ou seja, Satanás intentou alcançar algo que Deus propôs em Cristo, ou seja, em si mesmo ( Ef 1:9 ). Equivocadamente, Satanás entendeu que Deus somente daria ao homem uma posição superior aos anjos, porém, por não compreender o propósito eterno de Deus devido a sua multiforme sabedoria, desconhecia que, a própria imagem expressa de Deus que a tudo criou haveria de se fazer carne e habitar entre os homens e, que após tornar-se servo, seria engrandecido e glorificado com a semelhança do Altíssimo.

Satanás não sabia que, para Cristo ter um nome que é sobre todo o nome e, por fim, ser a cabeça da igreja, Deus teria que se esvaziar da sua glória, ser encarnado, ser morto, ressurgir, tornando-se o primogênito dentre os mortos e, assim, conduzir muitos filhos a Deus semelhantes a Ele, o que lhe concedeu a posição mais elevada: primogênito entre muitos irmãos, ou seja, a cabeça da igreja ( Sl 89:27 ; Is 52:13 ).

Portanto, Deus criou o homem em função do seu propósito grandioso estabelecido em Cristo, demonstrando assim que o propósito de Deus está acima da vontade de salvar o homem, pois se o propósito de Deus fosse salvar os homens, teria que salvar a todos os homens.

 

O pecado não demoveu Deus do Seu propósito

Mesmo após a queda da humanidade Deus não mudou e nem reformulou o seu propósito inicial: engrandecer a sua Palavra acima de todo o seu nome!

Como já vimos, Satanás foi presunçoso ao intentar alcançar a posição de semelhante ao Altíssimo e, como não guardou o seu principado, foi lançado de diante da presença de Deus. Não contente e movido por um sentimento de inveja, Satanás se postou na posição de inimigo dos homens.

Diante do anuncio “Façamos o homem conforme a nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, Satanás tentou o casal e, este, por sua vez, creu na mentira e pecaram.

É comum pensar que, antes da queda, Adão possuía a imagem e a semelhança de Deus, porém, uma leitura mais detalhada revela que ele era detentor somente da figura (imagem) de Cristo, ou seja, ele possuía somente a figura daquele que havia de vir: Jesus Cristo-homem. Adão não possuía a semelhança do Altíssimo, pois a semelhança só é alcançada por aqueles que ressurgem com Cristo.

Antes de ser introduzido no mundo, Cristo era o Verbo de Deus e o Verbo era Deus ( Jo 1:1 ), porém, após despir-se da sua glória, tomou a forma de homem, a mesma forma (figura) que foi dada a Adão “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” ( Fl 2:7 ), e, somente após ressurgir dentre os mortos Cristo assumiu a posição de semelhante ao Altíssimo “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ).

Cristo Jesus ressurreto é a imagem exata de Deus e, por sua vez, Adão era somente figura de Cristo-homem, ou seja, figura (sombra) daquele que havia de vir em carne “… Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ). Adão foi criado pelo Verbo de Deus, que é a Imagem expressa de Deus ( Cristo), porém, foi concedido a Adão apenas a figura do Cristo-homem que estava por vir, e Cristo-homem, por sua vez, alcançaria para os seus descendentes (homens espirituais) a semelhança do Altíssimo e, concomitantemente, por isto mesmo, elevado por Deus recebendo um nome que é acima de todo o nome.

O Verbo de Deus veio em carne revelar Deus aos homens ( Jo 1:18 ), e para que em tudo fosse semelhante aos homens ( Hb 2:14 e 17), portanto, quando Adão foi criado, foi criado à imagem, à figura de Jesus Cristo o homem que havia de vir em carne e numa posição menor que a dos anjos, ou seja, Adão não foi criado segundo a imagem e semelhança do Sublime ( Is 52:13 ; Hb 7:26 ) .

A Palavra da vida foi encarnada em uma condição menor que a dos anjos por causa da paixão da morte ( Hb 2:7 ), e para tanto lhe foi concedido um corpo, em tudo, semelhante à sua figura, Adão ( Hb 10:5 ; Sl 80:17 ). Adão foi criado, não a semelhança do Altíssimo, antes, como sombra dos bens futuros, ou seja, sem ser a expressa imagem e semelhança do Deus invisível, somente como a expressa imagem de Cristo-homem quando fosse encarnado ( Sl 144:3 ), pois somente Cristo é a expressa imagem do Deus invisível.

A figura (homem) da Imagem do Deus invisível desvanece (vaidade), porém, a Expressa Imagem do Deus invisível permanece para sempre ( 2Co 5:16 ). Assim como a lei, a arca, o sacerdócio levítico, os sacrifícios, o tabernáculo, o templo, etc., eram sombras dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, Adão também não trouxe a imagem expressa do Deus invisível, antes trouxe a imagem do Verbo encarnado ( Hb 10:1 ; Hb 10:9 ).

Faz parte do propósito de Deus criar o homem a Sua imagem e a Sua semelhança, ou seja, a imagem e a semelhança é condição que pertencia somente a Deus e foi do seu agrado compartilhar com os homens “Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26 ).

Para que os homens compartilhassem da semelhança do Altíssimo, através de Cristo foram conduzidos à glória de Deus homens que, inicialmente foram criados como figuras daquele que havia de vir, mas que agora se assentam nas regiões celestiais em Cristo, sendo semelhantes a Ele, que por sua vez se assentou à destra da Majestade nas alturas ( Hb 1:3 ; Ef 1:3 e Ef 2:6 ).

Na condição de descendentes de Adão os homens são sombras, por intermédio do evangelho de Cristo os homens que creem são gerados de novo, com rostos descobertos passam a ter a imagem exata (refletindo como espelho) do Deus invisível, pois os que creem são transformados de glória em glória na mesma imagem do resplendor da glória de Deus ( 2Co 3:18 ; Hb 1:3 ).

Do mesmo modo, em outro tempo os cristãos possuíam a imagem transitória do homem terreno, agora em Cristo, trás a imagem do celestial ( 1Co 15:49 ), pois aqueles que conheceram a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele, não possuem outro destino (predestinados), serão conformes à imagem de Cristo, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Há uma diferença enorme entre Adão antes de pecar e os cristãos de novo gerados em Cristo. A condição de Adão antes de pecar, diante de Deus é semelhante a dos salvos antes e durante a ‘dispensação’ da antiga aliança e os que serão salvos na grande tribulação e no milênio: homens em comunhão com Deus.

Já os cristãos, homens pertencentes a igreja do Deus vivo, foram gerados de novo e possuem uma condição superior a de Adão antes da queda e dos salvos em outros tempos “O primeiro homem, Adão, foi feito ser vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual e, sim, o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e como é o homem celestial, tais também os celestiais” ( 1Co 15:45 -48).

Pelo nascimento natural (de carne e sangue), os homens pertencem a geração adâmica, sendo que, podem ser salvos do pecado, porém, estão aquém do propósito eterno. Mas, através do novo nascimento, o novo homem pertence a uma geração celestial, que além de salvar do pecado, também é participante do propósito que Deus estabeleceu em si mesmo ( Ef 1:9 ).

Adão perdeu a comunhão com Deus em decorrência da desobediência ( Gn 3:1 -7). Jesus, que é a imagem do Deus invisível que tudo criou, o Verbo encarnado ( Cl 1:15 ), que sempre fez a vontade do Pai ( Jo 4:34 ), que em tudo lhe agradou ( Jo 8:29 ), sendo obediente até a morte ( Fl 2:8 ).

Todo o homem que crê no enviado do Pai ( Jo 6:29 ), nega-se a si mesmo e toma a sua cruz ( Mt 16:24 ), perde a sua vida ( Mt 16:25 ), recebe o senhorio de Jesus Cristo ( Rm 10:9 -11) e é batizado na morte de Cristo ( Rm 6:4 ; Mc 16:16 ), ressurge uma nova criatura ( 2Co 5:17 ), segundo Deus ( Ef 4:24 ), recebe a semente e a natureza de Deus ( 1Pe 1:22 -23; 2Pe 1:4 ) e a semelhança d’Aquele que o criou ( Cl 3:10 ).

O pecado nada afetou o propósito de Deus estabelecido em Cristo e na sua geração “Cristo em vós, a esperança da glória” ( Cl 1:27 ).

 

A Igreja e o Propósito Eterno

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes a imagem de seu filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmão” ( Rm 8:28 -29)

O propósito eterno de Deus foi levado a efeito para estabelecer a sua palavra acima de todas as coisas, acima até mesmo de todo o seu nome para louvor da glória da sua graça ( Ef 1:5 -6). O propósito de Deus tem em vista o seu louvor ( Is 48:11 ; Ez 20:9 ).

Mas, estava incluso no seu propósito que a sua Palavra encarnada na condição de Unigênito de Deus seria elevado e exaltado muito além dos reis e príncipes da terra. O Unigênito de Deus, feito um pouco menor que os anjos, alçaria posição superior a todas as categorias de anjos. Entretanto, para Deus isto não era o bastante e estabeleceu que o Verbo encarnado, que foi morto e ressurgiu, seria elevado entre iguais e adorado por seres semelhantes a Ele.

Deus sempre foi reverenciado por ser único, tendo em vista que se distingui de suas criaturas por ser o Criador, onipotente, altíssimo, ou seja, inatingível. Desta peculiaridade pertinente ao Criador advém a pergunta: “Pois quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR?” ( Sl 89:6 ).

Ora, não há entre as criaturas de Deus quem possa ser semelhante ao Senhor, muito menos igualar-se a Ele. Porém, não é do seu agrado ser reverenciado única e exclusivamente em decorrência da relação Criador e criatura, Senhor e servo, pois se lançar sobre a questão o olhar da nobreza, que valor há em ser reverenciado por uma estirpe inferior?

A busca da ‘areté’ pertinente a sociedade e cultura (paidéia) da primeira Grécia retrata melhor esta relação, pois a perfeição que os nobres buscavam (areté) surgia da competição entre iguais. O valor do homem nobre media-se quando na batalha em busca do escol, iguais se digladiavam em busca do areté. Era sem valor um nobre vencer um escravo em batalha, pois o ideal aristocrático da nobreza atribuía valor ao enfrentamento entre iguais.

Embora entre os filhos dos poderosos não houvesse quem pudesse ser semelhante ao Altíssimo, o próprio Altíssimo esvaziou-se da sua glória e se fez semelhantes aos homens. Na condição de servo foi obediente em tudo ao Pai, pelo que herdou um nome que é sobre todos os nomes daqueles que lhe eram iguais “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” ( At 4:12 ; Ef 1:21 ).

O domínio da terra que havia sido entregue aos homens, Jesus conquistou e tornou a congregar todas as coisas, tanto o domínio na terra quanto nos céus ( Sl 2:8 ; Ef 1:10 ), embora esteja aguardando, assentado à destra do Senhor, que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés ( Sl 110:1 ).

Embora não haja entre os filhos dos poderosos quem possa ser semelhante ao Senhor, foi do seu agrado fazer o seu servo a cabeça de uma geração de homens espirituais semelhantes a Ele. Embora o termo mais utilizado para se fazer referência à igreja seja ‘família’ de Deus, contudo, a nova geração em Cristo diz de uma nova categoria de seres semelhantes a Ele.

Nesta nova categoria de seres, os que fizeram a vontade de Deus, ou seja, creram na Palavra da verdade que foi enviada por Deus, tem-se a mãe, os irmãos e as irmãs de Cristo ( Mt 12:50 ). Embora os filhos dos poderosos não podem ser semelhantes ao Senhor, contudo, aos que creram, Deus deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), ou seja, foi do agrado do Pai que o seu Filho galgasse a posição de primogênito (preeminência) entre muitos irmãos.

Diferentemente dos salvos em outras ‘dispensações’ que somente alcançaram a salvação do pecado que os alienava de Deus, a igreja de Cristo, além da salvação do pecado, também foram chamados segundo o propósito eterno que Deus estabeleceu em si mesmo ( Ef 1:9 ).

Como se deu o chamado da igreja para ser participante do propósito eterno?

Ora, como a vontade de Deus é que nenhum homem se perca, mas que todos venham ao conhecimento da verdade (pois Ele não tem prazer na morte do ímpio), todos quantos conheceram a Cristo, a verdade de Deus, foram libertos da escravidão do pecado.

Mas, desde a eternidade, segundo o conselho da sua vontade, Deus já havia escolhido o seu Descendente, ou seja, a Palavra encarnada, para ser santo e irrepreensível diante d’Ele. Por decreto foi estabelecido que o Verbo encarnado haveria de ser o Filho de Deus ( Sl 2:7 ; Pv 30:4 ), e que Ele seria elevado e mui sublime, possuidor de um nome acima de todo o nome que se nomeie neste século e no vindouro e, sobre tudo, a cabeça da igreja: um corpo constituído de homens semelhantes a Ele.

Com relação à salvação, Deus quer que todos se salvem, porém, com relação ao seu propósito eterno, Deus chamou (vocação) antes dos tempos eternos a descendência (geração) do Primogênito dentre os mortos, ou seja, todos os que conhecem (união intima) a Cristo para sejam filhos por Adoção (predestinação) e santos e irrepreensíveis (eleição).

De antemão Deus predestinou a geração do último Adão para serem filhos por adoção em função do seu propósito, para que Cristo fosse o Primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:28 -29). Ou seja, o propósito eterno de fazer Cristo o primogênito entre muitos irmãos predestinou os que creem em Cristo a serem filhos por adoção.

Como os descendentes do último Adão são criados em verdadeira justiça e santidade, segue-se que foram eleitos, segundo o propósito eterno, para serem santos e irrepreensíveis.

A salvação do pecado se dá pela manifestação de Cristo ao mundo, a fé que havia de se manifestar, o amor e a benignidade de Deus, porém, o propósito eterno foi estabelecido segundo o conselho da sua vontade, em Cristo. O beneplácito da vontade de Deus elegeu e predestinou os descendentes de Cristo, para serem conforme a imagem de Cristo, predestinados a filho por adoção e, eleitos para serem santos e irrepreensíveis diante de Deus.

A intenção benigna que prepusera fazer em si mesmo ( Ef 1:9 ), engrandecendo a sua Palavra acima de todo o seu nome, foi levada a efeito com base no conselho da sua vontade.

Na condição de primícias das criaturas de Deus, por ter alcançado a semelhança do Altíssimo, cada cristão constitui-se louvor da glória da sua Palavra, que é a cabeça, ou seja, tudo em todos ( Ef 1:23 ).




O propósito eterno de Deus

Na eternidade Deus estabeleceu o seu eterno propósito segundo o conselho da sua vontade: a preeminência de Cristo.


O propósito eterno de Deus

“Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 )

O Mistério de Deus

Como tornar ‘mui sublime’ aquele que já é o Altíssimo?

Não há como comparar o Criador com as suas criaturas. O Criador é designado o Altíssimo porque esta é uma condição inatingível à todas as suas criaturas.

Mas, segundo o conselho de sua vontade, o Altíssimo (El Eloim) soberanamente propôs na eternidade que, além de ser o Inatingível, tornar-se-ia também o mais ‘elevado’ e ‘mui sublime’.

Como se daria isto?

Nem mesmo os seres angelicais compreendiam como se daria tal propósito, mas através do corpo de Cristo o mistério é revelado ( Ef 4:30 )

É assente em meio aos cristãos que os anjos desejaram anunciar o evangelho, porém, não é isto que o texto apresenta.

Do mesmo modo que os profetas investigaram diligentemente para compreender a salvação que hoje é concedida aos que creem ( Ef 3:5 ), os anjos também procuraram compreender ( 1Pe 1:12 b).

Pedro evidenciou que, do mesmo modo que os profetas desconheciam como se daria a salvação em Cristo, os anjos também desejaram atentar (compreender).

Paulo detinha o conhecimento da dimensão desse propósito sendo possível perceber qual a sua compreensão acerca do mistério que esteve oculto através de suas cartas ( Ef 3:4 ). Ele demonstra que, através da igreja foi desvendado o mistério de Deus aos homens ( Ef 3:6 , 9), e também aos principados e potestades ( Ef 3:10 -11).

Não é possível alguém dissertar acerca do propósito eterno de Deus se não tem conhecimento das peculiaridades acerca do corpo de Cristo.

De longa data alguns afirmam que os anjos desejaram anunciar as boas novas do evangelho, mas não foi essa ideia que o apóstolo Pedro apresentou em ( 1Pe 1:12 b).

Muitos cristãos permanecem presos a esta compreensão porque aceitaram passivamente o que lhes foi divulgado. É imperioso quando se analisa os textos bíblicos que se investigue, analisando a ideia geral que o texto apresenta, despido de idéias pré-concebidas.

Não convêm aos estudiosos da bíblia aceitar passivamente as considerações acerca dalgum texto bíblico que homens tidos por ‘doutos’ emitem. Como aceitar passivamente o que é divulgado há séculos se não conseguiram interpretar um dos pontos básico das cartas de Pedro?

Como compreender a carta aos Efésios, se até mesmo Pedro deu testemunho de que as cartas de Paulo têm pontos difíceis de compreender, e que homens indoutos e inconstantes distorcem para a própria perdição? ( 2Pe 3:16 ).

Uma leitura equivocada traz um prejuízo tremendo à compreensão e acaba fomentando algum tipo de heresia. É por isso que Pedro recomenda: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo” ( 1Pe 1:13 ).

Ora, só é possível cingir o ‘lombo’ do entendimento quando o cristão limita-se ou restringe-se a aguardar a salvação oferecida na revelação do mistério que esteve oculto, que é proveniente do propósito eterno de Deus.

 

O Propósito de Deus

As hostes angélicas nem de longe servem de referência para se comparar àquele que é Alto e Sublime, que sozinho habita na luz inacessível ( 1Tm 6:16 ). Não há como comparar o Criador com a criatura.

Na eternidade Deus estabeleceu o seu eterno propósito segundo o conselho da sua vontade: a preeminência de Cristo “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

Que preeminência Deus propôs estabelecer em Cristo?

Aprouve a Deus estabelecer na eternidade que, entre ‘sublimes’ Jesus haveria de ser ‘mui sublime’.

Ao tornar-se o primogênito dentre os mortos, Cristo foi elevado à condição de ‘mui sublime’, pois conduziu muitos filhos a Deus semelhante a Ele ( 1Jo 3:2 ). Entre os filhos de Deus, que é a Igreja, Cristo é a cabeça, o Sublime: o primogênito entre muitos irmãos.

Cristo não é ‘o’ cabeça, ou seja, somente um líder. Antes, Ele é a cabeça, visto que o seu corpo, que é a Igreja, está intimamente ligado a Ele.

Jesus é o princípio de todas as coisas, porém, teve que se esvaziar de sua glória, vir a este mundo na condição de servo, tornou-se o primeiro ser gerado de Deus em contraste com toda a criação, morreu como maldito, é o primeiro ressurreto dentre os mortos e assentou-se à destra da Majestade nas alturas.

Através da oferta do seu corpo carnal, que foi gerado por Deus no ventre de Maria, Cristo estabeleceu um novo e vivo caminho pelo qual os homens nascidos em Adão, o primeiro homem criado (não gerado), têm acesso a Deus. Por serem descendentes de Adão os homens eram filhos da ira e da desobediência, somente criaturas de Deus.

Agora, em Cristo, por terem morrido e ressurgido dentre os mortos sendo uma nova criatura, os de novo gerados são criados segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). Os que creem deixam a condição de homem carnal e passam à condição de homem espiritual, um dos filhos de Deus ( Jo 3:6 ).

Os filhos de Deus são sublimes, pois em Cristo foram de novo criados à imagem e semelhança de Deus. São participantes da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), plenos da vida que há em Deus ( Cl 2:9 -10).

Na condição de (a) Cabeça do corpo Cristo é preeminente ( Ef 1:22 ). O ‘mui’ Sublime (Cristo) entre os sublimes (irmãos) é o mesmo que o Primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

As incontáveis hostes de seres angelicais inquiriram sobre o mistério que esteve oculto em Deus, mas, somente agora, através da Igreja, eles conseguiram compreender a multiforme sabedoria de Deus “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 ).

Entre Deus e as suas criaturas há somente o Inatingível, o Altíssimo. Agora, como Deus recebeu por filhos os homens que foram de novo gerados em Cristo, os cristãos são semelhantes ao Sublime (Cristo). Entre os seus semelhantes (irmãos), Cristo é ‘mui sublime’, segundo o propósito eterno estabelecido por Deus.

 

As Profecias

Todas as predições do Antigo Testamento faziam referência a Cristo, o Verbo encarnado “Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens portentosos; eis que eu farei vir o meu servo, o RENOVO” ( Zc 3:8 ).

Todas as profecias indicavam o propósito eterno de Deus que é segundo a eleição. Por que o propósito eterno é segundo a eleição, e não segundo as obras? Para que o propósito de Deus permanecesse firme. Ou seja, Aquele que chama é quem disse: “Eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo” ( Zc 3:8 ).

Paulo demonstra que todas as promessas de Deus cumprem-se única e exclusivamente em Cristo, pois todas quantas promessas existem, têm nele o sim, e por Ele o Amém ( 2Co 1:20 ; Ap 3:14 ).

Um exemplo claro de eleição e propósito é possível analisar em Esaú e Jacó.

Qual propósito de Deus permaneceu firme em Esaú e Jacó quando foi dito: “O maior servirá o menor” ( Rm 9:12 ). Deus prometeu que haveria de escolher Jacó? Não! O propósito eterno de Deus estava em promover e assegurar o direito de primogenitura, sem levar em conta qualquer mérito ou demérito por parte dos recém-nascidos (não tendo eles ainda nascido e nem tendo feito bem ou mal).

Para que o seu propósito permanecesse firme, Deus escolheu (elege) o primogênito, e não alguém em particular. Se Esaú guardasse o seu direito de primogenitura, seria abençoado com a porção dobrada, mas como vendeu, foi rejeitado ( Hb 12:17 ).

Qualquer um que busque a salvação em Deus alcançará misericórdia, porém, com relação à bênção da primogenitura, Deus não perverteu o que era de direito a Jacó. Jamais Deus transferiria o que foi concedido a Jacó, pois Esaú não mais fazia ‘jus’.

Somente um deles seria o primogênito. Como os gêmeos nasceram unidos, foi possível negociarem o direito de primogenitura. Caso houvesse qualquer interrupção no parto, não haveria como Esaú desfazer do direito.

Se dependesse de Rebeca, Jacó seria abençoado mesmo não tendo a primogenitura. Se dependesse de Isaque, Esaú seria abençoado mesmo após vende-lá a Jacó. Porém, a escolha de Deus foi estabelecida bem antes dos gêmeos nascerem ou terem feito bem ou mal através da primogenitura.

Quando Deus disse à Rebeca que ‘o maior serviria o menor’, a promessa foi feita e os eventos antecipados segundo a onisciência de Deus, mas a escolha (eleição) deu-se segundo a primogenitura. Não foi através da ideia equivocada construída em torno do termo ‘presciência’ que Deus estabeleceu a eleição, antes, foi através do direito de primogenitura.

Isto tudo foi realizado como está escrito: “Amei a Jacó, e aborreci a Esaú” ( Rm 9:13 ). Muitos entendem que Deus ‘soberanamente’ ou através da ‘presciência’* favoreceu Jacó em detrimento de Esaú, porém, esquecem de interpretar o versículo segundo o propósito estabelecido na primogenitura. Esquecem de comparar coisas espirituais com as espirituais.

O amor de Deus não é favoritista, antes se comporta segundo a sua retidão e justiça. Quando Deus diz: “Amei a Jacó”, é o mesmo que: Dei-lhe o que era de direito. Do mesmo modo, quando Ele diz: ‘aborreci a Esaú’, Deus demonstrou que, por Deus fazer ‘jus’ ao que era de direito a Jacó, Esaú ficou aborrecido com Deus.

Como o propósito de Deus é segundo a eleição, foi ele quem chamou o seu servo “…, o Renovo” ( Zc 3:8 ). Num primeiro momento o Renovo do Senhor foi rejeitado, não tinha parecer nem formosura, era desprezado, etc., ( Is 53:2 -4), contudo, do mesmo modo quando pasmaram em vê-lo desfigurado, pasmarão ao vê-lo engrandecido, elevado e muito sublime ( Is 52:13 -14).

Ora, Cristo não tomou para si a honra de ser muito sublime ( Hb 5:4 ), mas, segundo Aquele que O escolheu é que Ele disse “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra” ( Sl 46:10 ); “Agora, pois, me levantarei, diz o SENHOR; agora me erguerei. Agora serei exaltado” ( Is 33:10 ).

O Senhor que diz: “Serei exaltado”, é o Filho que foi introduzido no mundo na condição de servo por Deus tê-lo escolhido, e que, segundo o propósito eterno de Deus conforme a eleição disse: “Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra” ( Sl 89:27 ).

Ora, o propósito de Deus foi estabelecido na primogenitura de Cristo, visto que, ao ser introduzido no mundo tornou-se:

o Unigênito de Deus, e o Primogênito (primeiro gerado, diferente dos anjos e homens, que são criados) de toda a criação ( Cl 1:15 );

ao morrer e ressurgir, o Primogênito dentre os mortos ( Cl 1:18 );

Primogênito dentre muitos irmãos ( Rm 8:29 ; Hb 12:23 ), quando os que creem ressurgem com Ele dentre os mortos.

Por que a escolha de Deus fundamenta-se na primogenitura? Para que em tudo Cristo tenha a preeminência. Mas, para que Cristo alcançasse a primogenitura, Deus estabeleceu a salvação em Cristo através de sua graça, para a salvação não ser segundo as obras (bem ou mal), e nem por preferência (antes mesmo de terem nascidos), e sim, através de sua maravilhosa misericórdia.

Deus situa-se em pólo oposto as suas criaturas: Criador e criatura. Por natureza Deus é sublime.

Mas, foi segundo o conselho de sua vontade que Ele introduziu o Verbo que se fez carne no mundo à semelhança da carne do pecado (último Adão, homem gerado de Deus, sem vínculo com o pecado de Adão), humilhou-se ao sujeitar-se a vontade do Pai morrendo na cruz. Ao ressurgir dentre os mortos foi elevado sobre todas as coisas, e acima de todas as coisas foi constitui como a Cabeça da igreja.

 

Conscientização

Após falar do propósito eterno de Deus, o apóstolo Paulo procurou conscientizar os cristãos:

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

Deus prometeu ao Filho, o Escolhido (eleito), antes da fundação do mundo que Ele seria primogênito, e o mais elevado dentre os poderosos da terra “Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra” ( Sl 89:27 ). Na promessa feita a Cristo, que é Aquele que invocou a filiação divina entre os homens, surgiu um grande mistério!

Como Cristo seria primogênito se era Filho Unigênito? Como constituir o Filho na posição de primogênito sem conceder-lhe irmãos? Como Deus constituiria dentre os homens filhos para si? Este mistério pairou sobre os profetas e os anjos, até que, através da igreja, o mistério foi revelado.

Do mesmo modo que Adão trouxe semelhantes à existência segundo a palavra de Deus, participantes da mesma natureza, compartilhando do mesmo julgamento e condenação “E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra” ( Gn 1:22 ), Cristo foi introduzido no mundo na posição de último Adão, por quem os homens recebem poder para serem feitos, gerados de novo, na condição de filhos de Deus.

Para ser de novo gerado participante da natureza de Deus é preciso o homem tornar-se participante da carne e do sangue de Jesus (João 6: 53-56). Mas, como tornar-se participante da carne e do sangue de Cristo? Basta crer na palavra de Cristo “Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte” ( Jo 8:51 ).

Adão foi destituído da glória de Deus por não crer na palavra de Deus, agora, para tornar-se participante de Cristo é necessário que os homens gerados de Adão creiam no Verbo encarnado, a palavra de Deus que concede vida aos homens “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6:63 ).

Ora, Isaias demonstrou que a salvação de Deus (braço do Senhor) é concedida na pregação. Ou seja, a pregação é o meio de Deus borrifar entre as nações água limpa. Somente a palavra de Deus é apta para limpar o homem de toda imundícia, concedendo um novo coração e um novo espírito ( Is 52:15 ; Is 53:1 ; Ez 36:25 -27 e Rm 8:11 ).

A palavra de Deus anunciada por Cristo é o único meio pela qual o homem ficará limpo da imundície do pecado herdado de Adão ( Ef 5:25 -26). Através da palavra de Deus é criado (bara) um novo coração e um novo espírito, e o Espírito Eterno passa a habitar no interior do novo homem ( Sl 51:10 -11).

É impossível o homem se salvar ou participar da sua salvação, pois somente Deus cria (bara). O homem é de novo criado e não tem como participar deste ato criativo.

Como Cristo é o eleito antes da fundação do mundo, àqueles que creem e que são de novo criados, passam a estar em Cristo, o último Adão. Eles passam a condição de eleitos, pois esta é uma das bênçãos que recebem os co-herdeiros com Cristo: são santos e irrepreensíveis ( Ef 1:4 ). Paulo e os cristãos foram todos predestinados a serem filhos, pois esta é uma bênção pertinente aos que creem ( Ef 1:5 ).

Os descendentes de Adão herdaram a maldição do pecado, os descendentes do último Adão herdaram a eleição (santos e irrepreensíveis) e a predestinação (filiação divina), bênçãos espirituais.

É por isso que Pedro diz que os cristãos foram chamados através da mensagem do evangelho para receberem bênçãos por herança ( 1Pe 3:9 ). Quais bênçãos? As elencadas por Paulo no capítulo 1 da carta aos Efésios: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo…” ( Ef 1:3 ).

Para estar em Cristo é preciso ser participante da carne e do sangue, ou seja, ser salvo pela loucura da pregação. A salvação não é através da eleição ou predestinação, antes através da loucura da pregação. Após estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, torna-se possível receber todas as bênçãos espirituais: eleição, predestinação, redenção, remissão, herança…

Do mesmo modo que Isaque abençoou os seus filhos, embora ao primogênito coubesse a maior parte, Deus somente abençoa com bênçãos espirituais os seus filhos, e a Cristo coube a excelência.

Porém, muitos não creem na pregação “Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação?” ( Rm 10:16 ). Ora, obedecer ao evangelho é o mesmo que crer. Crer é o mesmo que descansar na salvação providenciada por Deus. Quem crê assenta-se nas regiões celestiais.

Hoje é o dia sobre modo oportuno, visto que a salvação não foi determinada na eternidade, e sim a eleição e predestinação. Deus salva hoje através da mensagem do evangelho para que os que creem sejam participantes do propósito eterno estabelecido antes do mundo vir à existência.

Antes de ser participante da carne e do sangue não há como o homem sem Cristo ser participante de suas bênçãos. Ora, os que atendem o chamado do evangelho recebem bênção por herança ( 1Pe 3:9 )

O propósito de Deus visa à preeminência de Cristo: a cabeça da igreja, o mui sublime entre os sublimes “…porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” ( 1Jo 4:17 b); “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele…” ( 1Jo 3:2 ).

Até lá toda a criação geme na expectativa da manifestação dos filhos de Deus, e todos os que são salvos e perseveram nesta esperança também gemem, aguardando a redenção do corpo para ser revestido da imortalidade ( Rm 8:19 -24).

 

A Igreja e o propósito eterno de Deus

A multiforme sabedoria de Deus foi revelada aos principados e potestades nas regiões celestiais através da Igreja ( Ef 3:10 ).

A igreja surgiu do amor de Cristo, que se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, ou seja, tornando-a santa e irrepreensível (eleição) ( Ef 1:4 ).

Ora, primeiro é aspergido água limpa (palavra) segundo o Espírito Eterno ( Ez 36:25 -27), para depois ocorrer à eleição.

Paulo demonstra: somos membros deste corpo ( Ef 6:30 ).

Quando Paulo fala da salvação que é comum a todos que creem, ele demonstra que no passado os cristãos estavam mortos em delitos e pecados. Todas as vezes que ele fala do homem no pecado, ele distingue bem: antes éreis trevas, agora sois luz! ( Ef 2:1 -3).

Quando ele escreveu o Capítulo 1 da carta, ele não estava se referindo aos cristãos quando eram trevas, antes, tudo se refere àqueles que já estavam em Cristo. Perceba que Paulo inclui-se na narrativa do capítulo 1 para demonstrar que eram cristãos ( Ef 1:3 -12), em contrate com a condição de pecado que todos outrora estiveram ( Ef 2:1 -2).

Ora, o capítulo 1 foi escrito para conscientizar os cristãos de que eles já estavam em Cristo, ou seja, de que já eram novas criaturas.

Os cristãos já eram heranças de Deus, propriedade de Deus, a fim de serem para louvor da sua glória. Todos que estão em Cristo (Nele), foram feitos herança (propriedade de uso exclusivo), sem outro destino, conforme o propósito de Deus, que é a primogenitura de Cristo: filhos de Adoção ( Ef 1:5 ).

Os homens não nascem predestinados à salvação ou perdição, pois a salvação é ofertada a todos que abandonarem os seus conceitos de como se salvarem (arrependimento). Porém, qualquer que crer em Cristo e torna-se participante do seu corpo, que é a Igreja, não terá outro destino: serão filhos!

Quem está em Cristo, além da salvação será inevitavelmente filhos por Adoção. Através da igreja é possível compreender que a preeminência está em ser a cabeça da igreja. O mais sublime entre os sublimes. Incomparável, apesar de ser concedido aos filhos de Deus a sua semelhança!

* A ‘presciência’ de Deus refere-se ao ‘conhecimento’, a ‘mensagem’ de Deus anunciada previamente pelos seus santos profetas de que Cristo seria morto na plenitude dos tempos em função do beneplácito da vontade de Deus, pois Cristo é o Cordeiro de Deus morto deste a fundação do mundo, ou seja, a ‘presciência’ ou o ‘pré-conhecimento’ diz dos eventos que se sucederam com relação à vida e morte de Cristo em conformidade com as Escrituras “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” ( Ap 13:8 ).




Ageu 2 – A glória do segundo templo

Por que o povo devia aplicar-se ao trabalho no templo? Deus responde: “Porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos, segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saíste do Egito” ( Ag 2:4 -5).


Ageu 2 – A glória do segundo templo

1 NO sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
2 Fala agora a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e ao restante do povo, dizendo:
3 Quem há entre vós que tendo ficado, viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é esta como nada diante dos vossos olhos, comparada com aquela?
4 Ora, pois, esforça-te, Zorobabel, diz o SENHOR, e esforça-te, Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforça-te, todo o povo da terra, diz o SENHOR, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos,
5 Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais.
6 Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca;
7 E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos.
8 Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos.
9 A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.

( Ag 2:1 -9)

 

A Glória do Segundo Templo

O Senhor convoca os velhos que anunciem diante do povo a diferença gritante entre o primeiro templo que foi destruído e o novo templo que estava sendo erguido.

Ora, somente os velhos viram a glória do Templo de Salomão e poderiam estabelecer uma relação com o templo que estava sendo erguido.

A pergunta é clara: “Quem há entre vós que, tendo edificado, viu esta casa na sua primeira glória?”. Como o cativeiro na terra dos caldeus durou 70 anos, ainda havia entre o povo quem viu o Templo de Salomão em sua magnificência arquitetônica.

Os velhos ao verem a casa do Senhor sendo construída, era como algo insignificante.

Deus esperava dos velhos que anunciassem aos jovem quão diferente eram os templos, pois este diferencial era essencial a mensagem que seria anunciada (v. 3).

Diante da aparente insignificância do novo templo, o governador de Judá tinha que ser forte. Josué tenha que ser forte. O povo tinha que ser forte, ou seja, confiar que o Senhor dos Exércitos estava com quem trabalhava na construção do novo templo.

Por que o povo devia aplicar-se ao trabalho no templo? Deus responde: “Porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos, segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saíste do Egito” ( Ag 2:4 -5). Ou seja, a aliança do Senhor não havia sido invalidada por causa da rebeldia de Israel. Eles podiam trabalhar fiados que Deus estava com eles, apesar da aparente insignificância do templo que estava sendo erguido.

Deus é categórico ao dizer: “O meu Espírito habita no meio de vós” (v. 5b). Por que Deus habita no meio do povo de Israel, e não no interior dos homens, como é o caso da Igreja? Porque para Deus habitar no homem é preciso circuncidarem os seus corações.

A circuncisão do coração só é possível através da fé em Deus, a mesma fé que teve o crente Abraão. Quem crê em Deus receberá a circuncisão que dá vida “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração dos teus descendentes, a fim de que ames o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Após a circuncisão do coração, obra exclusiva de Deus, é feito morada no interior do homem, pois Ele mesmo diz: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

O coração circuncidado é equivalente ao coração contrito. Somente quando Deus lança fora o coração enganoso e incorrigível ( Jr 17:9 ), é que ele torna-se contrito, e o habitar de Deus lhe concede vida, a vida que há em Deus “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” ( Sl 51:10 -11).

Naqueles que creem Deus faz morada em seus corações, mas no povo que foi escolhido, Deus habita no meio dele, ou seja, Deus não habita no interior dos homens (indivíduos), e sim, no meio do povo (coletivo).

Por causa da aliança que Deus fez com o povo de Israel, quando eles foram tirados do Egito, é que o Espírito de Deus permanecia com o povo (v. 5). Esta promessa foi feita a Moisés, como se lê: “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir deste lugar (…) Então disse o Senhor a Moisés: Farei também isso que disseste…” ( Ex 33:15 -17).

Deus promete ao povo e aos seus lideres que uma vez mais haveria de fazer tremer os céus e a terra, o mar e a terra. O tempo estipulado para ocorrer o evento prometido é incerto, mas Deus demonstra que será em breve. Com relação ao tempo, observe o diferencial entre esta promessa e o comentário ao verso 1, do capítulo 1, acerca das datas que Ageu colocou em cada profecia.

Embora alguns tradutores contestem a tradução de Almeida, por escrever: ‘virá o desejado de todas as nações’, ela é preferível a ideia que outros tradutores apresentam: ‘as coisas preciosas de todas as nações’.

É certo que no milênio as nações trarão das suas riquezas a Jerusalém “Então o verás, e serás iluminado, e o teu coração estremecerá e se alargará; porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas dos gentios virão a ti” ( Is 60:5 ), porém, a riqueza do qual o profeta faz referência e que as nações desejam, não diz de bens materiais.

Deus haveria de fazer tremer todas as nações e o desejo de todas elas haveria de vir. Aquele que veio e encheu de glória o templo que estava sendo construído pelo povo sob a supervisão de Zorobabel foi Cristo, o Messias. Ora, Cristo é o prometido a Israel, e o desejado de todas as nações.

Ora, todas as nações desejam ter um rei e um sacerdote como o Messias de Israel. O que as nações desejam foi concedido ao povo de Israel. Ele veio para os que eram seus, mas eles não o receberam.

As coisas preciosas (riquezas) das nações também serão levadas para um templo em Israel, porém, tal profecia não refere-se ao templo que foi construído pelo povo que retornou do cativeiro, pois ele foi destruído por Tito, General Romano, no ano 70 d. C.

Deus promete ao povo que haveria de encher a casa da sua glória. O primeiro Templo encheu-se de uma nuvem escura, e os sacerdotes não podiam ficar em pé, por causa da nuvem, pois a glória de Deus encheu a casa ( 2Cr 5:14 e 2Cr 6:1). Eles não puderam contemplar a glória do Senhor, pois nem mesmo a nuvem escura suportaram.

Porém, segundo relatou o apóstolo João, eles viram a glória do Senhor. Deus se fez carne e habitou (residiu) entre os homens. E muitos à época puderam contemplar a glória de Deus, a glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade ( Jo 1:14 ).

Deus enfatiza ao povo de Israel, que à época estava empobrecido, que Ele é o dono da prata e o dono do ouro. Por que Deus enfatiza que é dono das riquezas que há no mundo? Porque os velhos iriam relatar a grandeza e a riqueza despendida na construção do primeiro templo por Salomão.

Muitos dentre o povo iriam questionar: Se Deus é o dono do ouro e da prata, por que a dificuldade na construção do templo? Por que o templo era menor e inferior ao templo construído por Salomão, se este teria maior glória? Como seria isto possível?

Deus afirma ser o dono do ouro e da prata e aponta uma glória maior para o templo que estava sendo construído, se comparado com a glória do templo de Salomão.

A glória seria proveniente do ouro e da prata a ser empregada na construção? Não! Embora Deus é o dona do ouro e da prata, a glória seria maior porque Deus haveria da a paz tão almejada ao longo dos séculos.

A glória maior do segundo templo seria proveniente da paz que Deus estabeleceria entre Ele e os homens. Como Cristo, que é a paz de Deus concedida aos homens ( Ef 2:14 ), haveria de adentrar o templo que estava sendo construído, a glória do templo superou em muito a glória do primeiro templo.

Enquanto no templo construído por Salomão os sacerdotes não conseguiram ver a glória de Deus (não aguentaram ver uma nuvem escura), no novo templo, todos os homens viram a glória de Deus manifesta aos homens, como o Unigênito de Deus.

Enquanto no primeiro templo era necessário a figura do sacerdote para o homem ter acesso a Deus, no segundo templo, todos que quisessem tiveram acesso a Cristo. Ele mesmo disse ao povo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ).

Quem eram os cansado que foram convidados a ir a Cristo? Todos os pecadores, sem exceção! Observe que não há uma instituição e nem sacerdotes para fazer mediação entre Cristo e os pecadores. Ele mesmo disse: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” ( Mt 9:13 ).

 

10 Ao vigésimo quarto dia do mês nono, no segundo ano de Dario, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
11 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Pergunta agora aos sacerdotes, acerca da lei, dizendo:
12 Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? E os sacerdotes responderam: Não.
13 E disse Ageu: Se alguém que for contaminado pelo contato com o corpo morto, tocar nalguma destas coisas, ficará ela imunda? E os sacerdotes responderam, dizendo: Ficará imunda.
14 Então respondeu Ageu, dizendo: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é.
15 Agora, pois, eu vos rogo, considerai isto, desde este dia em diante, antes que se lançasse pedra sobre pedra no templo do SENHOR,
16 Antes que sucedessem estas coisas, vinha alguém a um montão de grão, de vinte medidas, e havia somente dez; quando vinha ao lagar para tirar cinqüenta, havia somente vinte.
17 Feri-vos com queimadura, e com ferrugem, e com saraiva, em toda a obra das vossas mãos, e não houve entre vós quem voltasse para mim, diz o SENHOR.

( Ag 2:10 -17)

 

Fundaram o Templo

Deus manda o profeta ao povo avisar-lhes de que deveriam ir aos sacerdotes perguntar acerca de um ponto específico da lei (v. 11). A pergunta que deveriam fazer aos sacerdotes era: “Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? (v. 12).

Eles foram ao sacerdote e a resposta foi: não! Caso alguém deixasse algo santo (separado) tocar em qualquer outro tipo de alimento, de maneira alguma haveria de ser santo “E os sacerdotes responderam: Não” (v. 12).

Do mesmo modo, se alguém tocasse um corpo morto, todas as coisas que tocassem ficaria imunda também. Ora, os sacerdotes estavam ouvindo as perguntas do profeta Ageu, e ele responderam dizendo: “Ficará imunda” (v. 13).

Com base nestas duas perguntas, que os sacerdotes conhecedores da lei auxiliaram na resposta, Ageu estabeleceu um comparativo segundo a palavra de Deus: “Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é” (v. 14).

Deus demonstra que, assim como alguém torna-se imundo por tocar nalgum corpo morto, e tudo quanto tocar, igualmente tornar-se-á imundo, assim era o povo de Israel. Como povo e como nação, apesar de terem sido escolhidos pelo Senhor dentre todas as nações, eles eram imundos, e tudo quanto tocavam, todas as obras que realizavam, eram imundas, e tudo que ofereciam, era imundo.

Ora, não é porque Deus escolheu o povo de Israel como seu povo especial dentre todos os povos da terra, que eles foram santificados, ou seja, mesmo após serem escolhidos, muitos deles permaneceram imundos.

Por Deus ter escolhido o povo de Israel dentre todos os povos, o povo (nação) tornou-se santo (separada) dos outros povos. Porém, individualmente, cada membro do povo de Israel em particular tinham uma condição diferenciada diante de Deus.

Aqueles que continuaram obstinados de coração, insensíveis à palavra de Deus, permaneciam imundos diante de Deus, embora fizessem parte do povo de Israel, que foi santificado pela escolha de Deus “Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o SENHOR teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado” ( Dt 9:6 ).

Porém, aqueles que ouviram a palavra de Deus e creram, foram agraciados com um novo coração (puro), uma vez que foram circuncidados por Deus ( Sl 51:10 ; Dt 30:6 ). A circuncisão de Deus (circuncisão do coração) leva a morte da velha natureza herdada em Adão, diferente da circuncisão feita no prepúcio da carne que é feita por mão humanas, pois não livra o homem da condenação do pecado de Adão.

Caso a circuncisão na carne livrasse o homem do pecado, as mulheres, por sua vez, não haveriam de livrar-se da condição do pecado, visto que elas não são passíveis da circuncisão na carne.

Como a graça de Deus contempla todos os homens, sem distinção de sexo, nação, povo e condição social, verifica-se que todo aquele que crer (invocar o Senhor) será salvo.

Ora, se a carne santa não santifica os alimentos que são tocados por ela “Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? E os sacerdotes” (v. 12), e, se tudo que é tocado pelo imundo torna-se imundo (v. 13), o resultado é o protesto divino por intermédio do profeta Ageu: “Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é” (v. 14).

O maior interesse dos homens para com Deus é ofertar e sacrificar. Porém, tudo que o imundo oferece também torna-se imundo. Todas as obras do imundo também é imunda. Toda a nação, todo o povo de Israel era imundo, e nada do que procuravam oferecer era aceitável diante de Deus.

Perceba que ofertar não torna ninguém agradável a Deus, antes é preciso ao ofertante torna-se agradável, que Ele aceitará a oferta. Por exemplo: Deus aceitou a oferta de Abel porque ele foi aceito por Deus, ou seja, Deus atentou para Abel, e depois, para a oferta “Atentou o Senhor Deus para Abel e para a sua oferta” ( Gn 4:4 ).

A oferta de Caim foi rejeitada porque ele foi confiado na oferta, e não que Deus é galardoador dos que o buscam. Caso Caim tivesse confiado em Deus e não se estribado na oferta, Deus haveria de aceitá-lo, e conseqüentemente para a sua oferta “…mas para Caim e para a sua oferta não atentou” ( Gn 4:5 ).

Por que Deus deu tal aviso solene ao povo? Porque construir o templo não tornaria o povo santo perante Deus. O povo deviam lembrar que, quando Moisés pediu aos seus pais bens e materiais (oferta voluntária) para construir o tabernáculo e o santuário, o povo contribuiu muito além do que era necessário para a construção do santuário, sendo que o povo foi impedido de trazer mais bens ( Ex 25:1 -9 e Ex 36:5 -6).

Porém, eles continuaram sendo imundos e obstinados diante d e Deus. Ou seja, não é porque eles se puseram a construir o templo que houve uma mudança em seus corações. Não era porque estavam trabalhando no templo que cada integrante do povo era santo. Por que? Mesmo o templo sendo santo ao Senhor, como era o caso da carne carregada nas vestes (v. 12), o templo não tinha poder de santificar aqueles que estavam edificando o templo.

Ora, o templo era santo ao Senhor, ou seja, separado para o Senhor porque ele agradou estabelecer ali o seu nome ( 2Cr 7:12 e 16). Porém, o templo e nem o altar podia mudar-lhes a condição de imundo, a não ser o próprio Deus, concedendo-lhes um novo coração e um novo espírito por meio da fé.

Mesmo o povo não sendo santo, agora que eles haviam lançado o fundamento do templo (v. 15), podiam considerar e comparar o que aconteceria com as suas vidas terrenas. Antes de construírem o templo, a instabilidade nos alimentos era visível, pois iam até um monte de grão de vinte medidas, porém, era como se estivesse só dez medidas. Procuravam tirar uma medida de cinqüenta no lagar, e obtinham efetivamente vinte (v. 16).

Antes de lançarem os fundamentos do templo, ele foram feridos pelo Senhor conforme as palavras de Salomão, que edificou o primeiro templo. Compare o verso 17 “Feri-vos com queimadura, e com ferrugem, e com saraiva, em toda a obra das vossas mãos, e não houve entre vós quem voltasse para mim, diz o SENHOR”, com o que disse Salomão em 2Cr 6:28 -31.

Mas, agora, por terem lançado os fundamento do templo, Deus estava lhes retribuindo, dando lhes estabilidade e retirando as pragas de sobre as suas obras “Considerai, pois, vos rogo, desde este dia em diante; desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do SENHOR, considerai essas coisas” (v. 18).

Deus estabeleceu uma data, e, a partir dela, o povo podia ver a diferença em suas vidas terrenas. Após o vigésimo dia, do nono mês, do segundo ano do reinado de Dario, dia em que foi lançada a pedra fundamental do templo, ou quando se inaugurou as obras para a construção do templo.

 

18 Considerai, pois, vos rogo, desde este dia em diante; desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do SENHOR, considerai essas coisas.
19 Porventura há ainda semente no celeiro? Além disso a videira, a figueira, a romeira, a oliveira, não têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei.
20 E veio a palavra do SENHOR segunda vez a Ageu, aos vinte e quatro dias do mês, dizendo:
21 Fala a Zorobabel, governador de Judá, dizendo: Farei tremer os céus e a terra;

22 E transtornarei o trono dos reinos, e destruirei a força dos reinos dos gentios; e transtornarei os carros e os que neles andam; e os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada do seu irmão.
23 Naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, tomar-te-ei, ó Zorobabel, servo meu, filho de Sealtiel, diz o SENHOR, e far-te-ei como um anel de selar; porque te escolhi, diz o SENHOR dos Exércitos.

( Ag 2:18 -23)

 

Promessas

Deus pergunta ao povo por intermédio de Ageu: “Porventura há ainda semente no celeiro? Além disso a videira, a figueira, a romeira, a oliveira, não têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei” (v. 19).

A pergunta divina demonstra que o povo estava passando necessidades. O que a terra produzia não dava para o povo armazenar. Eles não tinham sementes o bastante que pudessem armazenar nos celeiros.

Eles deviam considerar que a falta não era somente de sementes, antes faltava os frutos da videira, da figueira, da romeira e da oliveira. Deus ordenou ao povo que considerassem, ou seja, que analisassem os eventos, comparando a produtividade da terra antes e depois de lançarem os fundamentos do templo.

Antes de lançarem o fundamento do templo havia instabilidade de alimentos, após iniciarem a construção do templo, deu-se inicio o tempo estipulado em que Deus os abençoaria (v. 19).

No mesmo dia, ao vigésimo quarto dia do mesmo mês, Deus falou por intermédio de Ageu ao rei de Judá, Zorobabel. Foi lhe dito: “Farei tremer os céus e a terra” ( Ag 3:21 ).

À época de Zorobabel, rei de Judá, as nações gentílicas eram muito maiores em poder e força. Israel era somente um povo sob o jugo de outras nações. Zorobabel governava Israel por concessão dos medos.

Zorobabel foi um dos descendentes na carne de Jesus, e ao profetizar a um representante legal e legítimo da linhagem de Davi, Deus deu a entender a relação que havia entre o Messias e Zorobabel ( Ag 2:23 ).

A mensagem de Deus a Zorobabel tinha o objetivo de incentivá-lo na condição de líder do povo. Novamente Deus promete fazer tremer os céus e a terra conforme foi predito no capítulo 2, versos 6 à 9.

Há um dia específico para Deus fazer tremer os céus e a terra, e este dia não compete aos homens saber, pois Deus o estabeleceu pelo seu próprio poder ( At 1:7 ). A data quando o profeta anunciou a palavra de Deus é de conhecimento, pois o profeta deixou registrado (v. 20). Agora, quando se daria os eventos anunciados pelos profetas, eles mesmos inquiriam e indagavam acerca dos tempos e da salvação ( 1Pe 1:10 -11).

Quando Deus fará a terra e os céus tremer? O tempo estabelecido por Deus é: “Ainda uma vez, dentro em pouco”, ou seja, segundo o tempo que Deus estabeleceu ( Ag 2:6 ).

Como o céu e a terra será abalado? Através de tremores de terra (terremotos)? Mudanças climáticas acentuadas?

Ora, Deus disse a Zorobabel por intermédio de Ageu que, abalar céus e terra é o mesmo que transtornar o ‘trono’ dos reis e a destruição da força que sustentem o poder dos reinos “Farei abalar o céu e a terra; derrubarei o trono dos reinos e destruirei a força dos reinos das nações…” ( Ag 2:21 -22).

Como é possível destruir a força das nações? Derribando os homens dos seus cavalos de modo sobrenatural: cada homem cairá pela espada do outro “Naquele dia também haverá da parte do Senhor grande confusão entre eles; cada um agarrará mão do seu próximo, cada um levantará a sua mão contra o seu próximo” ( Zc 14:13 ).

Ageu demonstra que Deus haverá de abater as nações de modo espantoso e maravilhoso. O tempo em que as nações serão subvertidas não compete aos homens saber, mas Deus demonstra através de varias profecias que Deus haverá de entregar o poder dos reinos ao seu Cristo, conforme diz o Salmo segundo.

Observe que Ageu aponta dois momentos distintos da vida de Cristo. Ele aponta Cristo, o desejado de todas as nações adentrando no templo, o que tornou o templo que estava sendo desprezado superior em glória ao primeiro templo (Templo de Salomão). Ageu também demonstra uma fase na vida do Cristo que é sem par na história da humanidade, e refere-se a um futuro certo, porém, indeterminado no tempo.




O templo de Deus

A ideia de que os homens haveriam de ser templo de Deus surgiu das promessas anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Deus prometeu por intermédio do Profeta Isaías que haveria de vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos fazendo neles morada. O profeta Ezequiel anunciou que Deus poria dentro dos homens o seu Espírito, agraciando-os com um novo espírito e um novo coração ( Ez 36:27 ).


“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

O templo que Deus habita não se refere ao prédio onde os cristãos se reúnem, ou seja, a igreja de Deus não se constrói com tijolos, cimento, telhas, mosaicos, vidraças e portas.

De onde surgiu a ideia de que os cristãos são templo, casa, habitação, morada e santuário de Deus? Por que os cristãos são efetivamente templo e morada do Espírito? Por que os cristãos não são nomeados no plural de templo-s, santuário-s, etc.?

A ideia de que os homens haveriam de ser templo de Deus surgiu das promessas anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Deus prometeu por intermédio do Profeta Isaías que haveria de vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos fazendo neles morada.

O profeta Ezequiel anunciou que Deus poria dentro dos homens o seu Espírito, agraciando-os com um novo espírito e um novo coração ( Ez 36:27 ).

Como Deus haveria de vivificá-los? Fazendo neles morada: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

Somente quando o Autor da Vida passa a habitar no homem é que se dá a nova vida. Para que possa obter nova vida é imprescindível que Deus faça do homem ‘morada’.

Jesus anunciou aos seus discípulos esta verdade dizendo: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

Somente quem crê em Cristo Jesus como diz as escrituras guarda as suas palavras, e o Pai juntamente com o Filho fará nele morada. Então, cumpre-se o predito pelo profeta Isaías: O Alto e o Sublime que habitam a eternidade virão para o homem que crê e farão nele morada.

O objetivo de Deus em vivificá-los, concedendo-lhes um novo coração e um novo espírito é o de serem templo, lugar de habitação do Eterno ( Sl 51:10 ; Ez 36:27 ; Is 57:15 e Jo 14:23 ). O Pai é o Altíssimo, e o Filho é o Servo do Senhor, que ao ser entronizado no trono da sua glória, será mui Sublime, e ambos farão dos que creem morada ( Is 52:13 ).

Quais as características das pessoas que são chamadas a compor o templo do Senhor? São pobres, abatidos, contritos, sedentos, oprimidos, tristes, etc ( Is 61:1 ; Mt 11:28 ). A mensagem de Cristo sempre foi voltada aos pobres de espírito, aos cansados e oprimidos. Cristo veio em busca das ovelhas perdidas “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” ( Mt 15:24 ; Ez 34:16 ).

Os cristãos de Corintos pareciam desconhecer o que foi concedido gratuitamente por Deus, pois, além de não suportarem o ensinamento de do apóstolo Paulo (alimento sólido) ( 1Co 2:12 e 1Co 3:2 ), foram questionados: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

É assente entre os cristãos que todos são templo, morada, edifício e lavoura do Espírito de Deus ( 1Co 3:9 ), porém, esquecem que o santuário de Deus é sagrado. Cada cristão é sagrado, santo, morada do Altíssimo porque Deus habita em seu interior.

Ou seja, o templo de Deus é santo, sagrado, pois foi separado para propriedade e habitação inviolável de Deus (‘santo’ e ‘santificação’ são respectivamente ‘hagios’ e ‘hagiazõ’). Deus estabeleceu uma única morada, e todos os cristãos são morada de Deus. É por isso que Jesus disse aos discípulos: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” ( 1Co 11:24 ). O pão que foi repartido entre os discípulos representava o corpo de Cristo, que passaria a ser cada um dos cristãos.

Na santificação não existe um mero aspecto posicional, como alguns apregoam “Este aspecto da santificação é posicional…” Bíblia de Scofield com referências, Rm 1:7 , Pg. 1142.

A santificação não é posicional porque Deus efetivamente habita, ou seja, fez morada no Cristão. Cada cristão é uma ‘pedra viva’, edificados por Deus ‘casa espiritual’ ( 1Pe 2:5 )! Diferente do Antigo Testamento em que os homens construíram um templo de pedra e madeira, no Novo Testamento Deus edificou uma casa santa para sua habitação em Espírito ( Ef 2:22 ).

Ora, como é possível Deus habitar em algo ‘posicionalmente’ santo? Como é possível Deus edificar uma casa que não é efetivamente santa? Se Deus habita o crente, como é possível haver uma santificação posicional? Se o corpo de Cristo é repartido pelos cristãos, como é possível não serem santos?

Lembrando que a ideia de santificação que hoje muitos adotaram foi construída ao longo dos séculos, como foi exposto pelo Dr. Bancroft:

“A raiz da qual se originam esta e outras palavras correlatas, é o vocábulo grego ‘hágios’. O pensamento mais próximo da santidade de que era capaz o grego secular era ‘o sublime, o consagrado, o venerável’. O elemento moral está totalmente ausente. Ao ser adotada esta palavra nas Escrituras, entretanto, foi necessário proporcionar-lhe novo sentido. Empregando a palavra ‘santo’ em seu sentido mais elevado, quando aplicada a Deus, os melhores lexicógrafos definem-na como ‘aquilo que merece e exige reverência moral e religiosa’” Teologia Elementar, Bancroft, Emery H., pág. 260.

Não é o serviço do Cristão que o torna separado (santo), antes o que torna o homem santo é o fato de o Pai e o Filho vir e fazer nele morada, o que ocorre no momento em que ele crê na mensagem do evangelho. O que faz saltar uma fonte de água que jorra para a vida eterna é o fato de o homem beber da água ministrada por Cristo, e não o serviço que o homem prestará.

O crente é casa espiritual, pois como ‘pedras vivas’ foram edificados pelo Senhor como casa espiritual ( 1Pe 2:5 ; Hb 3:6 ). O cristão é templo e santuário de Deus, pois quem edificou a sua própria casa é o Senhor ( Hb 3:4 ), e não o serviço e a voluntariedade do homem ( 1Pe 1:2 ).

Quem serve no templo do Senhor?

O serviço no templo do Senhor ficou a cargo da geração eleita, ou seja, da geração que descende do último Adão, que é Cristo. A geração de Adão, por mais que construíssem templos, não podiam servir no templo. Porém, a nova geração de homens, criados segundo a palavra de Deus constituem uma linhagem de sacerdócio real, segundo a ordem de Melquisedeque ( 1Pe 2:9 ; Hb 7:11 ).

É com ousadia que os cristãos entram no santo dos santos para oferecer sacrifícios de louvor ( Hb 13:15 ), pois os seus próprios corpos constituem-se de ‘per si’ sacrifício vivo ( Rm 12:1 ). Ora, como os cristãos são filhos por adoção para louvor e glória da sua graça, os seus ‘corpos’ constituem em ‘sacrifícios de louvor’ a Deus ( Ef 1:5 e 6; Ef 1:11 e 12).

Assim como o sacrifício de Cristo foi submeter o seu corpo à vontade de Deus ( Hb 10:5 -10), o cristão deve apresentar o seu corpo como instrumento de justiça, seguindo a Cristo, que é: a justiça, a fé, o amor, a santificação, a paz, etc. ( 2Tm 2:22 ).

Onde estiver o cristão é templo e morada do Espírito. O cristão onde for oferece sacrifício vivo. Em todos os lugares e em qualquer tempo o cristão adora a Deus em espírito e em verdade, pois todos os elementos essenciais ao culto estão presentes nele.

O culto e adoração não cessam no cristão, pois é templo, santuário de Deus. É sacerdote e sacrifício. O louvor é perene, pois Deus criou o novo homem para louvor e glória de sua graça. O Cristão jamais se ausenta da presença de Deus, pois assim como o Pai e o Filho são um, todos que creem são um, pois da sua glória os cristãos receberam ( Jo 17:21 -23).




O tempo da salvação

Na eternidade não há salvação, se HOUVESSE, os anjos caídos seriam salvos. Na eternidade Deus não salvou e nem salvará, pois a salvação de Deus é revelada para o tempo que se chama hoje. Os perdidos que morrerem seguem para o juízo de suas obras, pois já estão debaixo de condenação eterna. Mas, para aqueles que morrerem com Cristo (quando creem), ressurgem uma nova criatura, onde o propósito de Deus cumpre-se e seguem para a eternidade participante da vida em Deus.


“Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação”
( 2Co 6:2 )

 

O Propósito Eterno de Deus

Qual o propósito eterno de Deus? O propósito eterno de Deus é a salvação do homem?

Os erros doutrinários que surgiram ao longo dos séculos acerca de como ocorre a salvação em Cristo é porque não conseguiram identificar qual é o propósito eterno de Deus. Não consideraram que a promessa de salvação não é eterna, uma vez que a porta de salvação, que hoje está aberta, um dia se fechará.

O propósito de Deus em Cristo sim, este é eterno, pois começou na eternidade e se perpetuará na eternidade. Embora a salvação conceda vida eterna para os que por ela são alcançados, na eternidade não haverá salvação.

Paulo apresentou o propósito eterno de Deus aos cristãos em Éfeso: “E desvendou-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, na plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:9 -10).

Deus tornou conhecida a sua vontade (desvendou o mistério oculto) que propusera e consentiu (beneplácito), de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus quanto as que estão na terra, para que (objetivo) em tudo Ele seja proeminente (superior, sublime, preeminente).

Como Deus ‘desvendou o mistério da sua vontade’, é sem razão de ser o argumento de que o homem não compreende as questões acerca da salvação por ter um mente finita. Como Deus desvendou o mistério da sua vontade é porque o homem é plenamente capaz de compreender os seus propósitos.

O propósito eterno de Deus é específico: a preeminência de Cristo sobre todas as coisas “Ele é a cabeça do corpo, a igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “E foi assim para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nas regiões celestiais, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:10 -11).

O propósito eterno é segundo a soberania de Deus, e jamais poderá ser revogado ou invalidado por criatura alguma, pois seu propósito não tem como base o homem ou algo que é passageiro. É por isso que ouvimos ecoar: “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós” ( 2Co 1:20 ).

Ora, de todas as promessas estabelecidas por Deus, todas cumprem-se em Cristo, e por Ele são plenamente confirmadas para a glória de Deus que se revela naqueles que são salvos.

Confundir o propósito de Deus, que é eterno, com a salvação em Cristo, que é temporal, fez surgir muitos erros doutrinários, pois a salvação restringe-se ao tempo chamado ‘hoje’.

Deus salva o homem ‘hoje’, visto que um dia a porta da graça se fechará, e será conhecido (manifesto) o juízo de Deus que se deu em Adão. A salvação é para a eternidade, mas não há um propósito eterno em salvar indefinidamente, visto que Deus não salvará na eternidade.

Salvação é para o tempo que se chama ‘hoje’. O tempo estipulado para o socorro de Deus é o ‘agora’. Porém, o propósito eterno de Deus em Cristo é para a eternidade, pois a preeminência de Cristo sobre todas as coisas é algo pertinente a eternidade.

 

O Propósito Eterno e a Salvação

O propósito eterno que Deus estabeleceu antes dos tempos dos séculos é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas. E no que consiste a preeminência de Cristo? A primogenitura de Cristo entre muitos irmãos “… a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Isto porque, além de Cristo assentar-se à destra da majestade nas alturas, com todas as coisas debaixo dos seus pés, Ele também foi constituído a cabeça da igreja, que é o seu corpo. Paulo demonstra que Cristo está ligado aos seus muitos irmãos, de forma que a plenitude dele enche tudo em todos ( Jo 1:16 ; Ef 1:21 -23).

Para levar a efeito o propósito eterno (segundo o conselho da sua vontade), que é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas, foi estabelecida na eternidade a criação do homem segundo a imagem e semelhança de Deus.

Tudo teve início quando foi dito: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” ( Gn 1:26 ). O homem foi criado perfeito (imagem e semelhança), com plena liberdade (De todas as árvores comerás livremente Gn 2:16 ), posto em um lugar perfeito ( Gn 2:15 ), com uma regra definida (dela não comeras) e com conhecimento essencial para exercer o seu livre-arbítrio (certamente morrerás).

O homem deixou de confiar na palavra de Deus e confiou nos seus sentidos.

Eva viu que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento (concupiscência), desobedeceu a Deus e comeu do fruto da árvore, e deu a Adão, esquecendo-se que foram alertados que não comessem ( Gn 3:6 ).

O homem pecou e foi destituído da vida que há em Deus. Ele passou a estar (separado de) morto diante de Deus. Deixou de ser participante da vida que há e provem de Deus, estabelecendo a inimizade entre Deus e os homens.

Porém, a queda de Adão não foi um obstáculo ao propósito eterno, pois segundo a sua providência, o Cordeiro de Deus foi morto antes da fundação do mundo em resgate da humanidade ( 1Pe 1:9 -20).

Todos que obedecem à verdade, ou seja, que creem na mensagem do evangelho, não segundo as suas obras de justiça, mas segundo o próprio propósito e graça que há em Deus, são de novo gerados homens espirituais, para uma viva esperança ( 1Pe 1:3 e 23).

A salvação em Cristo é anunciada a todos os homens perdidos em Adão, e todos que aceitam maravilhosa salvação são regenerados (criados novamente), segundo Deus em verdadeira justiça e santidade.

O propósito eterno não foi estabelecido nos homens carnais e terreno, mas, tal propósito é estabelecido nos homens espirituais e que pertencem aos céus ( 1Co 15:45 -49).

O novo homem foi criado em paz com Deus, a imagem e semelhança daquele que de novo os gerou segundo a palavra da verdade, que é semente incorruptível “Qual o terreno, tais também os terrenos; e qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” ( 1Co 15:48 -49).

Deus salvou os homens segundo a sua maravilhosa virtude (misericórdia) e graça “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ). Ele salvou e pós nos cristãos a palavra da reconciliação. Salvar não foi o bastante, pois segundo o propósito eterno (que é a preeminência de Cristo), Ele escolheu (elegeu) os salvos, e não os incrédulos, segundo a sua maravilhosa graça para serem irrepreensíveis e santos diante dele.

Deus salvou os homens segundo a sua maravilhosa graça e segundo o seu eterno propósito (a preeminência de Cristo), e, então, os recebeu por filhos, segundo o que havia predeterminado de ante mão. Todos que crerem em Cristo, são salvos e recebem a filiação divina, para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmão. Ou seja, se alguém não desejar ser filho de Deus, deve rejeitar o evangelho da graça, visto que, todos os que são salvos em Cristo não terão outro destino: são filhos de Deus segundo o Seu eterno propósito: a preeminência de Cristo como a cabeça da igreja.

Ora, a eleição e a predestinação são segundo o propósito eterno de Deus de fazer convergir em Cristo todas as coisas. Diferente é a salvação, que é segundo a sua misericórdia, graça e amor. Em amor, graça e misericórdia Deus resgata todos os homens da condição de sujeição ao pecado, e, segundo o seu propósito eterno, estes homens são constituídos filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos.

 

A Salvação

O ministério de Jesus consistiu em buscar e salvar o que se havia perdido “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido( Lc 19:10 ). Ora, segundo a‘visão’ Monergista, podemos considerar que os ‘eleitos’ e os ‘predestinados’, em última instância, nunca se perderam.

A teologia da livre graça demonstra que os perdidos nunca tiveram chance de salvar-se, e o escolhidos e predestinados, nunca tiveram oportunidade de se perder. Ora, há uma grande contradição entre o que Jesus disse, e o que apregoam os adeptos da livre graça, visto que, Jesus veio em busca do que havia efetivamente perdido, e eles demonstram que alguns nunca se perderam, pois Deus os salvou pela eleição e predestinação antes mesmo de se perderem.

Porém, o que se verifica nas escrituras é que todos os homens se perderam, e que Cristo veio buscá-los e salvá-los.

Depreende-se do texto, que efetivamente os homens se perderam em Adão, e que Jesus veio em busca dos perdidos, e não de salvos ( Lc 19:10 ). Ou seja, Jesus não estava em um faz de conta, buscando alguém que aparentemente estava perdido, mas que, em última instância, nunca esteve perdido, conforme apregoam os seguidores da teológica da ‘livre graça’.

Jesus veio salvar homens perdidos em conseqüência de uma condenação anterior. Sem contradição alguma! Primeiro os homens perderam-se em Adão, para depois ser oferecido por Deus redenção gratuita.

Deus nunca mandou os homens para o inferno como base na sua soberania, como se fosse um tirano. Antes, todos os homens foram julgados e condenados em Adão. Segundo a condenação em Adão é que os homens seguem à perdição.

Ora, Deus amou o mundo de tal forma que deu o seu Filho Unigênito, pois todos estavam debaixo de condenação. Ora, todos os que morrerem sem salvação evidenciaram a justiça de Deus, pois os condenados à morte seguem para a morte eterna “Mas se a nossa injustiça faz surgir a justiça de Deus, que diremos? Será Deus injusto, trazendo ira sobre nós?” ( Rm 3:5 ).

Ora, o amor de Deus em conceder o seu Filho não invalida a sua retidão e justiça: não é porque Jesus morreu em resgate de todos os homens, que os que estão sob condenação não serão punidos. Deus não faz acepção de pessoas, a alma que pecar essa morrerá, e o culpado não será tido por inocente.

O amor de Deus é evidente pela oferta de Cristo na cruz do calvário. Muito mais evidente é o amor porque ele morreu por pecadores. Aos que creem é oferecido uma nova vida, pois a ‘vida’ herdada de Adão não subsiste ao juízo de Deus: deve morrer e ser sepultada com Cristo.

Deus é justo, e todos que nascerem segundo a vontade da carne, vontade do sangue e vontade do varão, compartilham da natureza do homem terreno, e, são, portanto, condenáveis diante de Deus pela desobediência de Adão “Pois assim como por uma só ofensa veio a juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).

A salvação é oferecida hoje (agora), uma vez que:

  • o amanhã não pertence ao homem;
  • o juízo já ocorreu e todos os homens estão condenados, e necessita de salvação ‘hoje’;
  • se a condenação fosse no futuro, somente após a condenação teria razão oferecer redenção;
  • antes que houvesse mundo não houve oferta de salvação, nem por eleição e nem por predestinação.

Seria um contra senso Deus conceder salvação ao homem tendo em vista um juízo e uma condenação que ainda não havia ocorrido. Porém, Jesus veio em busca daquele que se havia perdido, porque todos juntamente se extraviaram, e não havia quem buscasse a Deus.

Se a salvação é segundo a eleição e a predestinação, o dia sobre modo oportuno seria na eternidade, antes que houvesse mundo. Como o ‘tempo aceitável’ pode ser hoje, se a eleição e a predestinação é antes dos tempos dos séculos? Como Deus oferece ‘aqui e agora’ o dia de salvação, se todos nasceram com um destino certo?

Jesus não veio julgar a humanidade porque todos já estavam debaixo de condenação “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” ( Jo 8:15 ). Caso Jesus declarasse juízo sobre os homens, estaria invalidando o juízo estabelecido no Éden “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ).

Jesus é claro em demonstrar a condenação dos homens que Ele veio salvar: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado…” ( Jo 3:18 ).

Ora, é plausível considerar que Deus determinou aqueles que haveriam de ser salvos antes que houvesse mundo através da sua soberania ou da sua onisciência, se os homens ainda não haviam se extraviado?

Ora, Adão era livre em todos os aspectos, e se ele não tivesse comido do fruto?

Ora, Deus é sabedor de todas as coisas pela sua onisciência, no entanto, jamais obrigaria Adão a comer do fruto proibido. Como determinar de ante mão quem seria salvo, se nem mesmo havia alguém perdido?

Considerando que Deus a ninguém oprime, temos que a soberania e a onisciência de Deus não leva ninguém a tomar decisões contra a sua própria vontade “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça” ( Jó 37:23 ).

Deus soube que o homem haveria de pecar, e soberanamente não interferiu na decisão do homem. Antes, Deus abriu uma nova porta em Cristo, o último Adão, para que os descendentes do primeiro Adão percebessem através da mensagem do evangelho que lhes é necessário decidirem pela salvação.

Sem oprimir ninguém a fazer escolhas, Deus soberano dá continuidade ao propósito eterno de fazer convergir em Cristo todas as cosias. De que se queixará o homem? Dos seus próprios pecados! Mas, como Deus predestina o homem à perdição e ainda o culpa?

O homem foi criado fadado a pecar? Não lhe foi dado o livre arbítrio?

Ora, o que se percebe é que a eleição e a predestinação referem-se ao propósito eterno que é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas, e não com relação à salvação.

A salvação é para quem está perdido. A salvação (é depois da perdição) é posterior à perdição, segundo o propósito eterno, que é anterior a perdição. Segundo o propósito eterno o Cordeiro foi morto, para que Ele recebesse glória e honra acima de todo o nome “Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças” ( Ap 5:12 ); “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” ( Ap 13:8 ).

A salvação não é através da oferta do Cordeiro, se não todos indistintamente seriam salvos. A oferta do cordeiro é segundo o propósito eterno, para que Cristo recebesse poder e honra acima de todo o nome que se nomeia.

A salvação é para aqueles que tornam-se participantes da carne e do sangue do Cordeiro, pois pela fé morrem, são sepultados e ressurgem com Cristo uma nova criatura “Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos” ( Rm 14:9 ).

A morte e a ressurreição de Cristo foram para estabelecer o seu Senhoril sobre mortos e vivos. Mas, na ressurreição é que os perdidos encontram refrigério “Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo” ( 1Pe 3:21 ).

Deus não salvou ninguém na eternidade, pois a salvação é para o tempo dos homens que se chama ‘hoje’. ‘Agora vos salva’, ou seja, na eternidade Deus não determinou e não predestinou ninguém à salvação.

O apóstolo Paulo ao interpretar o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Assim diz o Senhor: No tempo favorável te ouvirei, e no dia da salvação te ajudarei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurardes a terra…” ( Is 49:8 ), demonstra que, aqui e agora é o tempo aceitável de Deus. Ou seja, Ele não aceitou ninguém na eternidade como diz a ‘visão monergista’ ou o ‘evangelho’ segundo Calvino e Armínio. Se Deus houvesse predestinado ou escolhidos alguns para a salvação, ‘eis aqui agora’ não seria o tempo da salvação ( 2Co 6:2 ).

Isto demonstra que na eternidade foi estabelecido o propósito eterno de Deus para que em tudo Cristo tivesse a preeminência. Segundo o seu eterno propósito, os que creem em Cristo para salvação, ou seja, que aceitam beber da água que faz uma fonte que jorra para a vida eterna são eleitos e predestinados para serem conforme a imagem de Cristo, co-herdeiros com Cristo, e Ele primogênito entre muitos irmãos.

Na eternidade não há salvação, se HOUVESSE, os anjos caídos seriam salvos. Na eternidade Deus não salvou e nem salvará, pois a salvação de Deus é revelada para o tempo que se chama hoje. Os perdidos que morrerem seguem para o juízo de suas obras, pois já estão debaixo de condenação eterna. Mas, para aqueles que morrerem com Cristo (quando creem), ressurgem uma nova criatura, onde o propósito de Deus cumpre-se e seguem para a eternidade participante da vida em Deus.

É por isso que o apóstolo Paulo ao escrever a Timóteo demonstrou que Deus nos salva no tempo que se chama ‘hoje’, no momento aceitável. É preciso dar ouvido ao convite do Pai Eterno que o evangelho apresenta: “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações…” ( Hb 3:7 ).

A voz do Espírito ressoa ‘hoje’, e quem ouve pode aceitá-lo ou não. Mas, aqueles que ouvem e não resistem ao Espírito são salvos. Os salvos são chamados com uma santa vocação, segundo o propósito eterno que é a preeminência de Cristo, e são constituídos filhos de Deus, santos e irrepreensíveis “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

A ‘eleição’ é segundo o propósito eterno e a ‘graça’ é concedida segundo Cristo. Mas, tanto a graça quanto o propósito eterno são antes dos tempos dos séculos, pois são provenientes de Cristo.

Deus salvou Paulo e Timóteo segundo o poder que há no evangelho ( 2Tm 1:8 ), pois sabemos que o evangelho é poder de Deus para todo aquele que crê ( Jo 1:12 ; Rm 1:16 ; 1Co 1:24 ).

O apóstolo Paulo apresentou um argumento aos que não criam na ressurreição dos mortos, que também é válida para os monergistas: “Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos” ( 1Co 15:19 ).

Tal argumento é totalmente pertinente! Como é impossível alguém esperar em Cristo segundo a visão monergista, se não há como determinar quem é ou não predestinado à salvação? O recomendado é comer e beber, pois se você for um dos escolhidos para a salvação, será salvo. Porém, se você não tiver tal sorte, ao menos não viveu em busca de uma esperança morta.

Amados, consideremos o que o Espírito diz: “Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações…” ( Sl 95:7 -8).