Descubra o que poucos cristãos sabem sobre salvação e filiação divina

Somente os que primeiro ‘conheceram’ a Deus por intermédio do evangelho são predestinados à filiação divina. Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).


Descubra o que poucos cristãos sabem sobre salvação e filiação divina

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 )

Nova Criatura

Após ouvir a mensagem do evangelho (fé) e crer em Cristo os cristãos passaram a estar em Cristo “É nele que vós também estais…” (v. 1 ), ou seja, após ouvir e crer no evangelho da salvação todos os cristãos efetivamente passara a ser uma nova criatura ( 2Co 5:17 ).

O apóstolo Paulo é categórico ao afirmar: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 ). Qualquer que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura goza de uma nova condição. O que motivou o apóstolo dos gentios a bendizer a Deus no verso 3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” ( Ef 1:3 ).

Ao que parece, os cristãos em Éfeso desconheciam que estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, lhes concedia nova condição, pois o apóstolo teve que afirma de modo contundente que eles também estavam em Cristo após ouvir e crer na mensagem do evangelho.

Esta abordagem incisiva do apóstolo dos gentios deixa evidente o contexto do capítulo 1 da carta aos Efésios. Ele estava tratando especificamente das benesses pertinentes à nova criatura, posição recém adquirida pelos cristãos por estarem em Cristo.

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! Quem estava assentado nas regiões celestiais? Os cristãos!

E porque os cristãos foram abençoados com todas as bênçãos e gozavam de um lugar de descanso (assentados)? Porque estavam em Cristo, porque eram novas criaturas, ou seja, o apóstolo estava abordando questões especificas à nova criatura.

Ao dizer: ‘É nele que vós também estais…’, o apóstolo procura demonstrar que:

a) Eles foram abençoados com todas as bênçãos, e;

b) que estavam assentados nas regiões celestiais, porque foram gerados de novo e eram novas criaturas.

Faz-se necessário destacar que no Capítulo 1 da carta aos Efésios em momento algum o apóstolo dos gentios faz referencia ao homem sem Cristo. Todas as bênçãos espirituais pertencem aos que estão em Cristo! Somente os que são novas criaturas descansaram de todas as suas obras, ou seja, estão assentados!

Somente aqueles que ouviram a mensagem do evangelho e creram em Cristo, ou seja, que estão n’Ele, e que, portanto, são novas criaturas, são os eleitos de Deus. Observe que o apóstolo está tratando de questões pertinentes à nova criatura: “… nos elegeu n’Ele…”, ou seja, antes da fundação do mundo Deus determinou que, aqueles que estariam em Cristo, ou seja, que seriam novas criaturas, haveriam se ser santos e irrepreensíveis.

Deus escolheu a nova criatura para ser santa e irrepreensível diante d’Ele. Para ser eleito de Deus é necessário estar em Cristo, ou seja, é necessário ouvir e crer na mensagem do evangelho. Quando não se está em Cristo é impossível ser eleito de Deus. Como a posição de eleito é pertinente somente à nova criatura, segue-se que o pecador não preenche o quesito da eleição, pois jamais a velha criatura, alguém que ainda não está em Cristo, seria eleita para ser santa e irrepreensível.

Quando o apóstolo Paulo trata da eleição, ele diz da nova criatura, pois o pecador, o velho homem, a natureza pecaminosa não é escolhida por Deus. Como Deus elege o homem em pecado para ser santo e irrepreensível se ele precisa ser desfeito para surgir uma nova criatura? ( Rm 6;6 ). Deus não elege o homem sob o domínio do pecado porque o velho homem precisa morrer para Deus possa criar o novo homem em Cristo Jesus.

Como Deus escolheria o homem em pecado, se Deus elege o homem somente quando se está em Cristo? Se Deus “… nos elegeu n’Ele…”, acaso Cristo é ministro do pecado? Não! O homem em pecado não foi escolhido para ser santo e irrepreensível, antes, a nova criatura, aquele que está em Cristo, é a escolhida para ser santa e irrepreensível.

Jamais Deus elegeria ou predestinaria os homens sob o pecado, pois antes de ser servo da justiça o velho homem precisa ser crucificado e sepultado com Cristo. Se o velho homem é destruído para que o cristão tenha um encontro com Deus, como o homem em pecado pode ser escolhido ou predestinado?

A relação de equivalência na asserção:

a) ‘…se alguém está em Cristo…’, e;

b) ‘… nova criatura é’,

A relação a=b e b=a possibilita substituir no capítulo 1 da carta aos Efésios o ‘estar em Cristo’ por ‘nova criatura’.

Com a substituição teríamos a seguinte abordagem:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais por sermos uma nova criatura; Como também nos elegeu por sermos uma nova criatura antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele por sermos novas criaturas; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si por sermos novas criaturas. Por sermos novas criaturas temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça (…) novas criaturas vocês também são, depois que ouvistes a palavra da verdade…”.

O apóstolo procurou demonstrar aos cristãos em Éfeso que as benesses de Deus são pertinentes à nova criatura. Quando se admiti que, só após ser uma nova criatura é que se está de posse da redenção pelo sangue e da remissão das ofensas, tem-se que admitir também que só o homem em Cristo (nova criatura) assume a condição para a qual é eleito: santo e irrepreensível.

Tudo que foi demonstrado pelo apóstolo Paulo no capítulo 1 de Efésios refere-se aqueles que, primeiro esperaram em Cristo “… nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 ).

Quando o apóstolo Paulo menciona ‘… os que primeiro esperamos em Cristo’, não se refere aos apóstolos ou aos pais da igreja, antes diz daqueles que receberam as bênçãos porque ‘primeiramente’ creram em Cristo. Quando o homem crê em Cristo passa a ‘conhecer a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele’. Primeiro é necessário ao homem crer em Cristo (esperar, permanecer na palavra, ser discípulo), para depois conhecê-lo “Então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:32 ).

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! ‘Nos abençoou’, ou seja, o pronome na primeira pessoa do plural ‘nós’ demonstra que Deus abençoou ‘os que primeiro esperamos em Cristo’. Quem foi assentado nas regiões celestiais? ‘Nós’, ou seja, aqueles que foram feitos novas criaturas. Quem são os eleitos? ‘Nós’, ou seja, os que creram em Cristo! Quem é predestinado a ser filhos por adoção? ‘Nós’, os que esperamos em Cristo!

Segundo a riqueza da sua graça, Deus concedeu:

  • Sabedoria e prudência aos cristãos;
  • Revelou a sua vontade;
  • Foram feitos herdeiros, e;
  • Constituem-se louvor à Sua glória.

A quem Deus concedeu estas bênçãos? Aos que primeiramente esperaram em Cristo, ou seja, aos cristãos! Em momento algum o apóstolo Paulo faz referencia aos não cristãos.

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo deixa registrado tudo o que é pertinente à nova criatura, ou seja, ele faz alusão à nova condição pertinente aos cristãos, aqueles que esperam em Cristo, e que, apesar de desconhecer as benesses desta nova condição, também eram nova criaturas e necessitavam se conscientizar do que receberam após crer no evangelho ( Ef 1:13 ).

Tudo que o apóstolo dos gentios demonstra tem por sujeito os cristãos, sendo utilizada a primeira pessoa do plural (nós) para fazer referencia a tudo quanto os cristãos receberam após estarem em Cristo.

O que o apóstolo faz é lançar luz aos olhos do entendimento dos cristãos, para que eles soubessem o montante (todas) de benesses que receberam ao aceitar o chamado do Senhor segundo o evangelho ( Ef 1:18 ). O apóstolo assim o faz porque os cristãos de Éfeso desconheciam a riqueza da glória da herança de Deus nos santos.

Eles deviam saber que, o poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos foi o mesmo que operou sobre os cristãos por terem crido na mensagem do evangelho ( Ef 1:20 ), e que o mesmo Deus que fez o Senhor Jesus assentar a sua direita, também fez com que os cristãos assentassem nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo escreveu aos santos e fiéis em Cristo, ou seja, escreveu àqueles que são novas criaturas, que estão assentados nas regiões celestiais, que são herdeiros e herança, selados com o espírito santo da promessa, redimidos do pecado, gerados de novo para serem filhos por adoção (predestinados) e de posse da irrepreensibilidade e santidade que só é próprio aos de novo gerados em Cristo (eleitos).

Deus escolheu de antemão todos os que seriam gerados de novo para serem irrepreensíveis e santos. Deus predestinou todos os que seriam gerados de novo, segundo Cristo, para serem filhos de Deus por adoção.

Nenhuma destas benesses é pertinente aos filhos de Adão. Os filhos de Adão são imundos e infiéis. Não são eleitos e nem predestinados. Foram amaldiçoados e são cansados e oprimidos, ou seja, não encontraram descanso. Não são herança e nem herdeiros de Deus.

Como Cristo foi eleito para conduzir muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), e antes mesmo da fundação do mundo fora ofertado como cordeiro imaculado ( Ap 13:8 ), de antemão Deus elegeu (escolheu) os descendentes do último Adão, que é Cristo, para serem santos e irrepreensíveis, ou seja, elegeu aqueles que primeiro esperam em Cristo.

De igual modo, Deus estabeleceu os descendentes do Descendente, que é Cristo, como sua herança peculiar e os predestinou para serem filhos por adoção “… com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 e Ef 1:5 ).

A condição de filhos por adoção é para louvor e glória da sua graça, uma vez que os cristãos foram feitos agradáveis a Deus por esperarem em Cristo, ou seja, primeiro crerem na mensagem do evangelho e foram de novo criados, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, ou seja, irrepreensíveis e santos ( Ef 4:24 ). Ao crer na mensagem do evangelho, os cristãos receberam poder para serem feitos filhos de Deus, tornando-se agradáveis a Deus através do Amado Senhor Jesus Cristo ( Jo 1:12 ).

 

Velha Criatura

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo trata somente do que é pertinente aos cristãos. No capítulo 2, o apóstolo trás a lembrança dos cristãos qual era a condição deles antes de crer no evangelho de Cristo.

Após demonstrar aos cristãos que eles eram obras realizadas por Deus, criados em Cristo Jesus “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Ef 2:10 ), o apóstolo Paulo fez com que lembrassem que, houve um tempo em que todos não tinham esperança “Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” ( Ef 2:11 -12).

Ora, se noutro tempo os cristãos não tinham esperança, segue-se que nenhum deles era eleito ou predestinado à salvação aos moldes do que foi alardeado pelos reformadores, pois, se assim fosse, todos eles tinham uma esperança.

Como nova criaturas, os cristãos vivem um novo tempo de justiça, e paz e alegria no Espírito Santo ( Rm 14:17 ). Após ser gerado de novo, o calendário de medição do tempo do novo homem também muda. Ao fazer referencia a antiga condição, o apóstolo Paulo diz: “Noutro tempo”, ou “outrora”.

Quando os cristãos estavam sem Cristo eram estranhos à aliança da promessa, não tinham esperança, estavam sem Deus, e, por natureza, eram filhos da ira ( Ef 2:12 e Ef 2:2 -3).

Todos os homens gerados de Adão são filhos da desobediência, e, portanto, filhos da ira. Não têm esperança, pois entraram por uma porta larga que os conduz à perdição. Todos quantos querem ser salvos, precisam entrar pela porta estreita, que é Cristo, ou seja, precisam nascer de novo.

O último Adão é a porta estreita (por onde os homens entram e são conduzidos à salvação), e o primeiro Adão a porta larga (por onde os homens entram e são conduzidos à perdição).

Se a eleição e a predestinação fossem aos moldes da doutrina calvinista ou arminianista contrariaria o exposto pelo apóstolo Paulo, uma vez que alguns homens sempre estiveram de posse de uma garantia. Estes seriam filhos da desobediência, porém, não seriam filhos da ira. Nunca seriam perdidos de fato, pois antes mesmo de serem gerados já estavam destinados a salvação.

Mas, não é assim a verdade do evangelho, visto que, quanto ao trato passado (condição), todos os cristãos estavam efetivamente mortos, e, portanto, perdidos ( 1Co 15:22 ). A salvação se da através das boas novas do evangelho, ou seja, alguém anuncia as boas novas do evangelho e os que ouvem precisam crer ( 1Co 15:2 ; Rm 10:14 ).

A salvação em Cristo não se dá pela eleição e nem pela predestinação, como apregoam os que dizem que a soberania divina não coaduna com o livre arbítrio do homem. Para justificar este posicionamento, perguntam: Se o homem está morto, como poderia decidir servir a Deus? Esquecem do alerta de Cristo que diz: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

A condição do homem não é causa de impedimento para que se possa crer em Cristo, visto que, ainda que esteja morto, ao crer em Cristo, viverá.

Para que os cristãos alcançassem as benesses pelas quais o apóstolo Paulo bendiz a Deus no capítulo 1, foi necessário Deus vivificá-los, pois estavam todos mortos ( Ef 2:1 ). Para vivificar os cristãos, Deus ressuscitou-os juntamente com Cristo e os fez assentar nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo aponta dois tempos e duas condições específicas na vida dos cristãos: outrora éreis trevas, agora sois luz no Senhor (no Senhor=em Cristo=nova criatura), ou seja, sois luz por ser nova criatura “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR” ( Ef 5:8 ).

Mas, como os cristãos se tornaram luz? Foram escolhidos dentre os perdidos para serem luz? Foram predestinados para serem luz? Não!

O apóstolo João é claro ao repetir as palavras de Cristo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ). Ou seja, é necessário ao homem crer na luz para ser filho de Deus. Qualquer que recebe a Cristo, ou seja, crê na mensagem do evangelho, recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ).

Deixar de considerar que o apóstolo Paulo faz referencia a dois tempos, duas condições e dois tipos de criaturas no capítulo 1 da carta aos efésios, faz com que surja e se perpetue alguns erros de interpretação.

Os reformadores erraram:

  • Ao estabelecer como finalidade da eleição e da predestinação a salvação, e;
  • Por não levar em conta que o apóstolo Paulo faz referência a dois tipos de criaturas.

Erraram ao estabelecer que Deus elegeu e predestinou dentre os filhos da desobediência de Adão alguns para serem salvos. Deixaram de observar que a eleição refere-se à santidade e irrepreensibilidade, e que a predestinação refere-se a filiação.

Após observar que há os filhos da ira e os filhos da luz, e que, para ser filho da luz é necessário crer na luz, conclui-se que, antes da fundação do mundo Deus estabeleceu que, os que cressem na mensagem do evangelho, receberiam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e na condição de eleitos de Deus são santos e irrepreensíveis ( Tt 1:1 ).

Isto que dizer que, de antemão Deus estabeleceu um único destino (predestinou) aos que haveriam de crer em Cristo: seriam salvos da condenação estabelecida em Adão e seriam filhos por adoção.

Quando o apóstolo escreve aos cristãos em Éfeso, capítulo 1, ele trata única e exclusivamente das bênçãos que Deus concede aos cristãos na condição de novas criaturas. Para fazer alusão às bênçãos concedidas por Deus, o apóstolo utiliza os verbos no pretérito perfeito (elegeu, predestinou, deu, derramou, desvendou, etc.), tendo por sujeito dos verbos no pretérito perfeito, os cristãos (nos), e não aqueles que são filhos da ira e da desobediência.

Deste modo não há contradição alguma entre a soberania e o livre-arbítrio do homem, pois os filhos da ira são provenientes de uma geração e os filhos da luz proveniente de outra geração. A geração dos ímpios é segundo o sangue, a vontade da carne e a vontade do varão, e a geração dos justos segundo a vontade de Deus.

A geração dos ímpios jamais foi eleita, pois a eleição é pertinente a geração dos justos, como se lê: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ).

Os cristãos são geração eleita, pois a geração segundo a carne foi rejeitada. Como os cristãos alcançaram a eleição? Deus os chamou através do evangelho das trevas para a luz, ou seja, não foram predestinados e nem eleitos. Foram chamados!

 

Salvação e a filiação

No capítulo 1 da carta aos Efésios o apóstolo Paulo faz alusão ao propósito eterno de Deus. Qual o propósito eterno de Deus? Ora, o propósito eterno não se refere à salvação do homem, pois apesar de Deus querer e salvar os homens, há um tempo pré-determinado para a obra redentora ser encerrada.

A salvação é eterna, porém, Deus não continuara salvando os homens por toda a eternidade, portanto, a obra redentora de Deus não se refere ao propósito eterno.

O propósito eterno diz de algo que nunca terá fim, ou seja, o único evento que nunca terá fim é a preeminência de Cristo, pois ela perdurará pela eternidade ( Ef 1:10 ).

É propósito eterno de Deus:

  • Que a multiforme sabedoria de Deus seja revelada aos principados e potestades nas regiões celestiais;
  • Que Cristo tenha a preeminência em tudo;
  • Que Cristo seja o primogênito de toda criação;
  • Que Cristo seja o primogênito dentre os mortos, e;
  • Que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Através da igreja, que é o corpo de Cristo, Deus concretizou o seu propósito eterno!

Em todos os tempos os homens são salvos por Deus mediante a fé, porém, a condição dos membros do corpo de Cristo é diferente da condição dos outros salvos que existiram ao longo da história da humanidade. Como?

Ora, os homens são salvos em todos os tempos pela fé em Deus, pois Deus salvou e salvará:

  • Antes da lei de Moisés;
  • Durante o período da lei de Moisés;
  • Durante o período das boas novas do evangelho;
  • No período da grande tribulação, e;
  • Durante o milênio.

Porém, diferente dos outros salvos, que continuarão na posição de homens, a igreja de Cristo foi elevada a categoria de ‘semelhantes a Deus’, posição superior a dos anjos, uma vez que serão semelhantes a Cristo ( 1Jo 3:2 ). Observe a tabela abaixo:

 

Hierarquia dos seres antes da constituição da Igreja

Hierarquia dos seres depois da constituição da Igreja

Criador

Deus

Deus

Criaturas

—————-

Semelhantes a Deus

Anjos

Anjos

Homens

Homens

 

Aos salvos que não são membros do corpo de Cristo, que é a igreja, não será dado a autonomia de julgar os anjos ( 1Co 6:3 ), mas a igreja julgará o mundo e os anjos ( 1Co 6:2 -3).

Diferentemente dos salvos de outras épocas, a igreja foi participante da morte de Cristo e passou a ser semelhante a Ele na ressurreição “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6:5 ; Cl 3:1 -3).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, também operou sobre os membros do corpo de Cristo, a igreja ( Ef 1:19 ). Cristo é o primogênito dentre os mortos, e o seu corpo, também nomeado de a universal assembléia, é a igreja dos primogênitos ( Hb 12:23 ).

Cristo é Filho e herdeiro de todas as coisas, e os membros do seu corpo, filhos e co-herdeiros, pois é certo que os cristãos com Ele morreram (padecemos) para com Ele serem glorificados (ressurgir) ( Rm 8:17 ; Cl 3:3 ).

Tal qual Cristo é, é a sua igreja aqui neste mundo ( 1Jo 4:17 ). A igreja possui a imagem de Cristo, pois qual o Celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:47 -48). Esta condição é efetiva hoje, agora, não diz de algo para o futuro ( Ef 5:8 ).

Conclui-se que, todos os salvos de todas as épocas são filhos de Deus, porém, nem todos os salvos são qual o último Adão, que é Cristo. Há muitos filhos, mas somente a igreja é conforme a imagem de Cristo. Há muitos salvos, porém, somente através da igreja Cristo tornou-se primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

O apóstolo João e o apóstolo Paulo anunciaram que todos os cristãos receberam da plenitude de Cristo ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 -11), ou seja, todos são participantes da natureza divina, pois a semente de Deus permanece neles ( 2Pe 1:4 ; 1Jo 3:9 ).

A condição da igreja é tão diferenciada da dos outros salvos que os profetas estavam cientes que a graça que seria concedida à igreja não era igual a que lhes pertencia ( 1Pe 1:12 ).

As potestades e principados, por sua vez, desconheciam qual a multiforme sabedoria que foi revelada na igreja ( Ef 3:10 ), e assim como os profetas da antiga aliança também desejaram compreende-la “… para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 b).

Este verso tem causado inúmeros equívocos, visto que os anjos não desejaram anunciar o evangelho como muitos apregoam, antes eles desejavam atentar para as mesmas coisas que os profetas desejavam compreender Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 ).

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ).

Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).

No entanto, a manifestação dos filhos de Deus somente se dará quando Cristo se manifestar, e, então, a igreja será manifesta com Cristo em glória, ou seja, semelhantes a Ele ( Cl 2:11 ; 2Co 5:4 ; 1Co 15:53 -54).

Deus levou a efeito o seu propósito eterno quando adquiriu um povo, gerado segundo a palavra da verdade, constituído sacerdócio real e nação santa para que Cristo tenha a preeminência em tudo. Como? Através da igreja Cristo é o mais sublime entre os sublimes. Ele é o primogênito entre muitos irmãos! “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ).

Somente através da igreja, o Servo do Senhor, o Filho do Altíssimo, é exaltado, elevado e mui sublime.

 

Conheceu e Predestinou

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Após alertar que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que há de ser revelada, e lembrar a expectativa da criação quanto a revelação dos filhos de Deus ( Rm 8:18 -22), o apóstolo Paulo demonstrou estar ansioso quanto a redenção do corpo ( Rm 8:23 ).

Ele reitera o que os cristãos deviam saber: que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus ( Rm 8:28 ), ou seja, os ‘que amam a Deus’ são aqueles que foram ‘chamados segundo o seu propósito’.

Quem são os chamados? Todos os que ouvem a mensagem do evangelho. Quem são os que amam a Deus? Todos que atenderam o chamado contido no evangelho.

Ora, somente as ‘boas novas’ do evangelho promove o propósito de Deus, pois todos os que foram ‘conhecidos’ de Deus, também foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo ( Rm 8:29 ).

Deste verso surgem algumas perguntas essenciais a compreensão:

  • O que é conhecer a Deus?
  • O ‘dantes’ refere-se a que?
  • Foram predestinados a que?
  • Com que propósito Deus chama os homens através do evangelho?

Conhecer a Deus “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ) – ‘Conhecer’ a Deus não é ter ‘ciência’, ‘saber’ ou ‘conhecimento acerca de’ Deus, antes, ‘conhecer’ é tornar-se um só corpo e um só espírito com o Pai e o Filho ( Ef 4:4 ), ou seja, refere-se a comunhão intima ( 1Co 1:9 ). Assim como o homem torna-se um só corpo ao ‘conhecer’ a mulher, conhecer a Deus, ou antes, ser conhecido d’Ele, diz de comunhão intima. Conhecer a Deus é algo pertinente ao tempo presente dos cristãos “Mas, agora…” ( Gl 4:9 ).

Dantes conheceu – A que tempo refere o ‘dantes’? O que ‘dantes conheceu’ é o mesmo que ‘… primeiro esperamos em Cristo’ ( Ef 1:12 ). Os que primeiro esperaram em Cristo são os que conheceram a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele. Os que ‘dantes’, ou os que ‘primeiro’ conheceram a Deus, por esperar em Cristo, são os que foram feitos herança e predestinados segundo o propósito de Deus ( Ef 1:11 -12). ‘Dantes conheceu’ remete a mesma ideia que o apóstolo Paulo expôs aos cristãos da região da Galácia: conhecendo a Deus, ou ANTES, sendo conhecido d’Ele ( Gl 4:9 ). Este ‘dantes’ não tem relação com a ‘pré-ciência’ de Deus.

Predestinados a quê? – Deus predestinou os que ‘dantes’, ou seja, que em primeiro lugar O conheceram ao crer no evangelho para serem conformes à imagem de seu Filho. Observe que ninguém é predestinado a salvação! Antes de ser predestinado a ser conforme a imagem do Filho é necessário ao homem ‘conhecer’ a Deus, ou antes, ser ‘conhecido’ d’Ele.

O evangelho do propósito eterno – A oferta de salvação em Cristo, além da redenção do homem, faz parte do propósito eterno de Deus, que é tornar o Unigênito Filho de Deus no Primogênito de Deus entre muitos irmãos. Para tanto, todos os que creem no evangelho, além de salvos, são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo.

Somente os que primeiro ‘conheceram’ a Deus por intermédio do evangelho são predestinados à filiação divina. Ninguém é predestinado a ‘conhecer’ a Deus, ou seja, ninguém é predestinado a salvação, antes, é necessário primeiramente (dantes) crer em Cristo, que o homem terá o seu destino definido conforme o que foi proposto na eternidade: será conforme a imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

E qual o propósito de Deus ao conceder filiação aos remidos segundo a graça demonstrada no evangelho? Que o Unigênito Filho de Deus, que foi morto e ressurgiu, seja o primogênito dentre os mortos com muitos irmãos.




Predestinação

O termo predestinar é utilizado no Novo Testamento para fazer referência ao destino, que é exclusivo aos homens espirituais, gerados de novo em Cristo.


Predestinação

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 )

Destinados

O verbo grego traduzido por ‘predestinar’ é προορίζω (proorizó), e significa “decidir de antemão”, “demarcar de antemão”, “preordenar”.

O termo serve para apontar a condição do salvo estabelecida por Deus na eternidade. Todos os que creem em Cristo conforme a verdade do evangelho são de novo gerados através da semente incorruptível ( 1Pd 1:23 ), e quando revestidos da incorruptibilidade serão conforme a imagem expressa do Cristo glorificado “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

O homem vem ao mundo pela vontade da carne, vontade do varão e do sangue trazendo em si a imagem de Adão, o homem terreno ( Jo 1:12 ; 1Co 15:48 ), e somente quando creem em Cristo são gerados de novo da vontade de Deus segundo a verdade do evangelho, portanto, novas criaturas e, quando se der o revestimento da incorruptibilidade, todas as novas criaturas terão a imagem do homem espiritual, que é Cristo, o último Adão ( 1Co 15:48 -49).

O termo predestinar é utilizado no Novo Testamento para fazer referência ao destino, que é exclusivo aos homens espirituais, gerados de novo em Cristo. Os cristãos estão predestinados por Deus a serem conforme a expressa imagem de Cristo.

Deus estabeleceu de antemão que Cristo teria a posição de primogênito entre muitos irmãos, condição mais excelente que a de Unigênito, destinando aqueles que fazem parte do corpo de Cristo para este propósito “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

 

A semelhança do Altíssimo

Cristo homem foi o Unigênito de Deus introduzido no mundo em tudo semelhante aos homens para que fosse misericordioso sumo sacerdote ( Hb 2:17 ) e pudesse experimentar a morte por todos ( Hb 2:14 ).

Ao ser morto e ressurgir, Jesus foi glorificado à posição de primogênito dentre os mortos, e assumiu a posição de primogênito entre muitos irmãos, pois conduziu à gloria de Deus muitos irmãos ( Hb 2:10 ).

Cristo glorificado é a expressa imagem de Deus ( Hb 1:3 ; Cl 1:15 ), e herdou excelente nome que é acima de todos os nomes ( Fl 2:9 ), sendo Ele a cabeça do corpo, ou seja, da igreja, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos ( Ef 1:23 ). Os cristãos por sua vez, ressurgiram com Cristo e são membros do seu corpo, que é a igreja ( Cl 3:1 ).

Ainda não é manifesto como os salvos hão de ser ( 1Jo 3:2), contudo sabemos que todos os salvos serão conforme a imagem do Cristo glorificado, de modo que esta gloria que se revelará nos cristãos faz a criação gemer como se estivesse com dores de parto devido a expectativa no aguardando da manifestação dos filhos de Deus ( Rm 8:19 -21)

Quando revestidos da imortalidade e incorruptibilidade ( Rm 8:23), ou seja, quando se der a redenção do corpo no arrebatamento da igreja, os salvos em Cristo alcançarão a condição expressa por Deus registrada lá no Livro do Gênesis: – “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26 ), pois juntamente todos os gerados de Deus segundo a verdade do evangelho serão semelhantes ao Cristo glorificado, sendo Ele, por sua vez, a expressa imagem do Deus invisível ( Cl 1:19 ).

O propósito de Deus é eterno, e o seu propósito por ser eterno repousa sobre Ele mesmo, e não nas suas criaturas, que foram criadas, portanto, não são eternas.

“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo…” ( Ef 1:9 ).

E qual foi este propósito estabelecido ‘em Si mesmo’? Fazer o Filho Unigênito Primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele para que em tudo tenha preeminência.

“Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 );

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ; Cl 1:18 ).

Embora muitos filhos tenham sido conduzidos por Cristo à glória para levar a efeito o propósito eterno ( Hb 2:10 ), o cetro do propósito de Deus é o Cristo, ou seja, o Seu propósito foi estabelecido em Si mesmo ( Ef 1:9 ).

No corpo da carne do Filho Deus congregou todas as coisas ( Cl 1:20 -22), e Deus o exaltou soberanamente ( Fl 2:9 ), sujeitando todas as coisas aos seus pés e, acima de toda as coisas ( Cl 1:23 ), também foi constituindo como cabeça da igreja, o primogênito entre muitos irmãos ( Ef 1:22 ).

É necessário compreender qual a extensão da glória da igreja como corpo de Cristo, visto que Cristo foi posto acima de todo principado, domínio, autoridade, poder, etc., e acima de tudo, foi constituído cabeça da igreja, portanto, a igreja estará acima de todo principado, domínio, autoridade, poder, etc.

“Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” ( Ef 1:18-23).

Na eternidade, antes que houvesse mundo, Deus estabeleceu que a sua palavra fosse exaltada acima de todas as coisas ( Sl 138:2 ), e Cristo foi exaltado, pois ao ser introduzido na sua gloria se fez elevado e mui sublime ( Is 52:14 ). Para fazer o Cristo primogênito, seria necessário gerar muitos irmãos. Para torná-lo cabeça, seria necessário um corpo, a igreja.

Foi em vista do propósito estabelecido em Cristo que, por intermédio da pregação do evangelho (a loucura da pregação), Deus salva os descendentes de Adão que creem em seu testemunho acerca do Seu FIlho, pois aos que creem é dado o poder de serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12).

Aos perdidos no pecado é anunciado salvação no nome de Cristo, visto que os que comem da carne e bebem do sangue de Cristo tornam-se participantes de Cristo, ou seja, são constituídos membros do corpo de Cristo.

 

Vocação

Os que são salvos por intermédio do evangelho são chamados com uma vocação santa, ou seja, segundo o propósito estabelecido em Cristo antes dos tempos dos séculos “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

Por estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, o cristão está predestinado a ser conforme a imagem de Cristo, o que efetiva o propósito de Deus em Cristo, de torná-lo primogênito entre muitos irmãos, a mui sublime cabeça do corpo.

A vocação em Cristo foi estabelecida na eternidade com base no propósito estabelecido em Cristo, de modo que conceder à nova criatura a graça de ser participante deste propósito na condição de filhos ou de membros do corpo é graça que não decorre das nossas obras.

O apóstolo Paulo demonstra que, no corpo de Cristo quem planta e quem rega não há diferença, apesar de que cada um receberá individualmente o seu galardão conforme o seu trabalho “Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho” ( 1Co 3:8 ).

Isso significa que cada cristão será galardoado segundo o bem e o mal que houver feito por meio do corpo ( 1Co 3:13 -14; 1Co 9:17 ; 2Co 5:10 ; Cl 3:24 ), porém, a graça de ser contado como filho de Deus por estar em Cristo Jesus é graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos em virtude do propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

A vocação segundo o propósito de Deus estabelecido em Cristo antes dos tempos eternos é premio que só é dado aos que estão em Cristo, ou seja, às novas criaturas geradas de novo segundo a palavra da verdade “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” ( Fl 3:14 ).

Não se pode confundir o chamado do evangelho com a vocação segundo o propósito eterno, pois a vocação segundo o eterno propósito é para um conjunto específico de pessoas (todos os que creram em Cristo), enquanto o chamado do evangelho é universal (muitos), e tem por alvo todos os perdidos em decorrência da desobediência de Adão, mas os perdidos que atendem o convite são poucos ( Mt 7:14 ), dai o fato de poucos na condição de escolhidos “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” ( Mt 22:14 ).

Acerca do chamado universal do evangelho diz o apóstolo Paulo: “Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo” ( Rm 1:5 ).

A necessidade de obediência à palavra da fé é anunciada a todas as gentes ( At 15:14 -17), e entre todas as gentes os cristãos foram chamados para pertencerem a Jesus Cristo. Depois que ouviram a mensagem do evangelho de salvação e creram em Cristo, os cristãos passaram a ‘estar em Cristo’, ou seja, foram feitos novas criaturas “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

A salvação em Cristo é convite que se estende a todos os homens em todos os povos e durante o tempo que se chama hoje “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” ( Is 45:22 ); “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 ); “(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação)” ( 2Co 6:2 ).

Já a vocação segundo o propósito eterno se deu na eternidade, antes que houvesse mundo ( 2Tm 1:9 ). Na eternidade foi estabelecido Cristo preeminente entre muitos irmãos, acima de todas as coisas a cabeça da Igreja “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência ( Cl 1:18 ).

 

O propósito de Deus na criação

Para levar a efeito o Seu propósito, Deus criou Adão, o primeiro homem, segundo a imagem daquele que havia de vir, Jesus Cristo homem ( Rm 5:14 ).

Satanás, por sua vez, percebeu que Deus haveria de dar ao homem uma posição superior à dos anjos, a posição de semelhante ao Altíssimo, ao que intentou alcança-la para estar numa posição acima dos outros anjos ( Is 14:14 ).

A posição que Satanás cobiçou, Jesus Cristo ao ressurgir dentre os mortos alcançou, pois se satisfez da semelhança do Altíssimo, a expressa imagem de Deus ( Sl 17:15 ).

Todos que creem em Cristo, morrem, são sepultados e ressurgem com Cristo uma nova criatura na semelhança da sua ressurreição ( Rm 6:5 ),  e não possuem outro destino que não seja ser conforme a expressa imagem de Cristo para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos e, sobre todas as coisas a cabeça da igreja.

Todos os cristãos já são glorificados ( Jo 7:22 ; Rm 8:17 ; Rm 6:4 -5), pois já ressuscitaram com Cristo ( Cl 3:1 ) e estão assentados com Cristo nas regiões celestiais ( Ef 1:3 ; Ef 2:6 ; Hb 4:3 ).

Durante o tempo da peregrinação do crente, todos são concitados a permanecerem nesta graça e crescerem no conhecimento do evangelho, para que através do conhecimento chegue à medida da estatura de Cristo – homem perfeito – embora todos em Cristo sejam idôneos para a herança dos santos na luz “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” ( Ef 4:13 ; Cl 1:12 ).

É na redenção do corpo que o crente se conformará com a imagem de Cristo ressurreto. Só se dará no momento em que o que é mortal se revestir da imortalidade e o que é incorruptível se revestir da incorruptibilidade, o que se dará com o arrebatamento da igreja ( Rm 8:23 ).

O termo grego traduzido por ‘predestinar’ é utilizado pelo apóstolo Paulo na carta aos Romanos em conexão com a semelhança com Cristo, o que faz Cristo primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo utiliza o mesmo termo para lembrar os cristãos que eles foram abençoados com bênçãos espirituais por estarem em Cristo, ou seja, por serem novas criaturas.

Uma destas bênçãos é a ‘predestinação’ dos cristãos pelo fato de estarem em Cristo, o que os torna filhos de Deus por adoção ( Ef 1:4 ). Por serem novas criaturas, os cristãos foram feitos herança, pois a condição de semelhantes ao Filho de Deus a que foram predestinados redunda em louvor à glória de Deus ( Ef 1:11 -12).

A vocação que repousa sobre os membros do corpo de Cristo de serem conforme a imagem de Cristo é soberana e irrevogável, pois na eternidade Deus estabeleceu antes de todas as coisas que, para que Cristo fosse preeminente, a cabeça do corpo, todos os que fossem conduzidos á gloria por intermédio de Cristo seriam semelhantes a Ele.

 

A loucura da pregação

Deus salva os homens em todos os tempos, mas nenhum deles foi predestinado a ser conforme a imagem de Cristo senão os que foram vocacionados por Deus: a igreja. É no corpo de Cristo que a multiforme sabedoria de Deus é manifesta aos principados e potestades nos céus, pois o propósito estabelecido em fazer o Cristo preeminente entre muitos irmãos semelhantes a Ele se revela na igreja ( Ef 3:10 -11).

Enquanto na eternidade Deus soberanamente e irrevogavelmente predestinou os que no tempo em que se chama hoje aceitassem a salvação que Cristo oferece a serem conforme a expressa imagem do Cristo glorificado, no tempo presente, que se chama hoje, por intermédio dos seus embaixadores, que é a igreja, Deus roga aos perdidos que reconciliem com Ele “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ); “(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação)” ( 2Co 6:2 ).

Os que perseveram em Cristo estão predestinados a serem conforme a imagem do Cristo glorificado “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” ( Cl 1:23 ).

Enquanto os que estão ‘em Cristo’ (novas criaturas) serão conforme a imagem do Filho de Deus ressurreto, para estar ‘em Cristo’ é necessário ao perdido alcançar a salvação obedecendo a Cristo hoje “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” ( Hb 5:9 ).

Enquanto a bênção de ser conforme a imagem de Cristo é irrevogável aos que estão em Cristo, a graça da salvação por meio da obediência ao evangelho pode ser impedido “Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade?” ( Gl 5:7 ).

Diferente da ideia prolata pelos calvinistas e arminianistas, a Bíblia demonstra que ninguém vem ao mundo predestinado à salvação, pois todos são concebidos em pecado ( Sl 51:5 ), e precisam obedecer a forma de doutrina anunciada por Cristo e os apóstolos “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” ( Rm 6:17 ; Rm 10:8 ).

Somente após ouvir a palavra da verdade, o evangelho da salvação, e tendo crido em Cristo é que o homem é salvo “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ); “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Ninguém nasce segundo a carne predestinado a salvação, antes é necessário ouvir a mensagem de salvação e crer em Cristo como diz as Escrituras, decidindo-se por Cristo durante o tempo aceitável: hoje, perseverando até o fim crendo “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” ( Mc 16:16 ; Hb 3:6 e 14).

Só é predestinado aqueles que amam a Deus, ou seja, aqueles que obedeceram ao evangelho, pois só os que cumprem o mandamento de Deus que é crer em Cristo são chamados para serem  conforme a expressa imagem de Cristo, pois o propósito desta vocação é que o Cristo seja primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” ( Rm 8:28 ); “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” ( Jo 14:21 ; 1Jo 3:23 ).

Somente aqueles que previamente se tornam um com Cristo (conheceu) por intermédio do evangelho são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ); “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” ( 1Co 1:9 ).

O verbo grego traduzido por ‘conhecer’ não diz de ‘saber acerca de’, antes fala de comunhão intima, de ser um só corpo com Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” ( Rm 12:5 ); “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” ( 1Jo 3:24 ).

O chamado à comunhão do Filho promove a salvação no tempo que se chama hoje, já a vocação para ser conforme a imagem de Cristo se deu na eternidade segundo o propósito que Deus estabeleceu em Si mesmo, de tornar o Cristo glorioso e mui sublime entre muitos irmãos semelhantes a Ele.




Para que Deus seja justo

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).


Para que Deus seja justo

“Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença” ( Rm 3:22 )

Justiça de fé em fé

A Justiça de Deus é de fé (evangelho) e pela fé (confiança) em Cristo, para todos, sem distinção alguma, pois todos pecaram. Deus trouxe salvação poderosa a toda humanidade, visto que todos pecaram.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 )

Sabemos que Deus é justo, pois:

a) não faz acepção de pessoas, e;

b) Deus providenciou salvação para todos os homens, sem distinção (judeus e gentios) “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ).

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).

Observe que o juízo já foi realizado e está estabelecido sobre todos os homens para a condenação, visto que, aquele que não crê em Cristo, já está condenado, sem distinção, pois Deus não faz acepção de pessoas ( Jo 3:18 ).

Quando o juízo de Deus foi estabelecido em Adão, todos os homens morreram para Deus e passaram a viver para o mundo. A lei e o juízo foram estabelecidos em Adão: “…certamente morrerás” ( Gn 2:17 ), e o homem morreu para Deus “O juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para a condenação…” ( Rm 5:16 ), passando a viver para o mundo.

Os homens passaram a viver em inimizade com Deus e em amizade com o mundo ( Tg 4:4 )!

Como os homens vivem para o mundo (estão em inimizade com Deus), para voltarem a ter amizade com Deus, todos precisam morrer para o pecado.

Deus é justo, pois providenciou justiça gratuita a todos os homens por meio de sua graça. A graça de Deus está na redenção que há em Cristo Jesus.

A graça de Deus redime o homem, fazendo com que aqueles que a aceitem os sacrifícios de Cristo sejam reabilitados a glória de Deus. Como o homem foi destituído da glória de Deus, a redenção que há em Cristo reabilita o homem a receber o que se perdeu em Adão.

Como Deus é justo ( Rm 3:26 ), Ele propôs a Jesus Cristo como propiciação por meio da fé (como é por fé (evangelho), todos os homens têm livre acesso a Deus por Cristo). Ou seja, para que Deus demonstrasse o seu favor ao pecador, foi necessário que Cristo derramasse o seu sangue.

Sem o sangue de Cristo era impossível Deus ser favorável ao pecador, visto que, a justiça de Deus exige que o transgressor não seja absolvido, mas que receba o estabelecido na condenação: morte.

Diante da justiça em Deus nenhuma transgressão pode passar impune. A pena instituída pela lei nunca poderá passar da pessoa que cometeu a transgressão. Sendo Deus justo, não pode absolver o culpado. O culpado não pode ser tido por inocente.

Outra característica da justiça está na lei. A lei obriga tanto quem tem o dever de obedecer, tanto a quem a estabeleceu. Se o homem viver a altura da lei, Deus o justificará, mas se não conseguir, ele é sujeito da pena estabelecida “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” ( Rm 2:13 ).

Diante deste entrave fica claro que Deus justo não poderia justificar o pecador. Por causa deste entrave o apóstolo Paulo escreveu: “…para que Deus seja justo…”, Ele demonstrou a sua justiça pela remissão dos pecados que antes foram cometidos sob a tolerância de Deus.

Como se dá essa remissão? Como Deus justo justifica o pecador? Como Deus é justo e justificador ao mesmo tempo?

A justiça de Deus determina que:

  • o transgressor não seja tido por inocente;
  • que a alma que pecar, esta deve morrer, e;
  • que a pena não pode passar da pessoa do transgressor.

Através da propiciação em Cristo, Deus satisfaz a sua justiça, visto que as proposições que citamos anteriormente são plenamente satisfeitas.

Quando o apóstolo Paulo escreveu “… para que Deus seja Justo…”, tinha plena certeza de que Deus satisfez o que é exigido pela sua justiça, retidão e santidade.

  • Deus não tem o culpado por inocente ( Na 1:3 );

É certo, é pertinente à justiça, que o culpado não seja tido por inocente. Ao culpado só cabe a pena quando do descumprimento da lei.

Mesmo que haja uma anistia ampla e irrestrita concedida a quem descumpriu a lei, o culpado não será tido como inocente. A anistia livra o culpado da pena, porém o culpado sempre será culpado perante a lei: não há como declarar um anistiado justificado.

  • Imputar justiça de outrem no culpado não o torna inocente;

Tão certa é esta verdade que tal concepção não resiste aos versículos seguintes: “O filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

Não há como imputar ao ímpio a justiça do justo, porque a determinação divina é: ao ímpio só cabe a sua impiedade e a justiça do justo somente a ele.

 

Como a justiça de Cristo passa aos homens?

Ao culpado não cabe a vida, pois segundo o que Deus estabeleceu a alma que pecar, esta receberá a pena capital (morte).

Não há como o culpado ser tido por inocente por meio de um decreto soberano. Não há como ter o culpado por inocente hoje e aguardar que está condição efetive no futuro.

Qual o tratamento que deva ter o culpado para que Deus seja justo e justificador?

A justiça de Deus se manifesta em Cristo: “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença” ( Rm 3:22 ).

Deus instituiu a sua justiça pela fé (evangelho) em Cristo. Ou seja, o culpado (aquele que não pode ser tido por inocente), quando crê em Cristo, recebe o que está determinado na lei: morre com Cristo.

O culpado quando crê em Cristo é porque sente as suas misérias. Sente que é culpado, e que só lhe resta à morte. Ao reconhecer os seus próprios erros e que está condenado, o culpado louva e declara a justiça de Deus ( Rm 3:4 ).

Quando o culpado crê em Cristo, se conforma com Cristo na sua morte, e ao morrer com Cristo, tal ato demonstra que Deus é justo e qual a base da sua justiça. Por isso aquele que crê pode declarar: “Já estou crucificado com Cristo…” ( Gl 2:20 ); “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte” ( Rm 6:4 ).

Deus não tem o culpado por inocente, e todos os que creem em Cristo são crucificados e morrem com Cristo, portanto, a justiça de Deus se cumpre. Isto porque “…se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ).

Sem contradição alguma: O culpado ao ter um encontro com a cruz de Cristo, recebe o estipulado pela justiça divina, morre e é sepultado. Este velho homem é aniquilado por meio da cruz de Cristo, e nele a condenação em Adão se desfaz. Todos os erros cometidos até em tão, são lançados ao mar do esquecimento, ou cobertos (sepultados). Este é o novo e vivo caminho ( Hb 10:20 ).

Paulo faz referência ao passado dos cristãos sem Cristo como sendo ‘um outro tempo’, e que agora, em Cristo, há um novo tempo de paz e alegria “..noutro tempo…” ( Ef 2:2 -11 e Ef 5:8 ).




Crenças não removem montanhas

O evangelho é a fé (mensagem, doutrina, verdade) que possibilita ao homem crer, e dele decorre o arrependimento (mudança de concepção). Ao ouvir a mensagem do evangelho o homem pode se arrepender ou permanecer de posse dos seus conceitos.


“Foi por ela que os antigos alcançaram bom testemunho” ( Hb 11:2 )

Crenças não removem montanhas

Introdução

A mensagem do evangelho (fé) é essencial à regeneração do homem, pois através da fé (evangelho) ocorre o novo nascimento “Quem nele crê não é condenado…” ( Jo 3:18 ). Para nascer de novo é necessário ao homem crer em Cristo, o Verbo (Palavra) de Deus enviado ao mundo. A crença que salva diz do evangelho, pois só é possível aos homens se salvarem após ouvir e crer na palavra de Deus.

A confiança na salvação providenciada por Deus decorre da mensagem do evangelho, portanto, sem as boas novas de salvação não há como o homem crer para ser salvo. De acordo com o apóstolo Paulo é por intermédio de Cristo que os que os homens confiam em Deus ( 2Co 3:4 ).

O homem, por si mesmo, não é capaz de pensar coisa alguma a respeito dos bens futuros. A confiança em Deus não procede do homem, antes, como Deus é fiel e verdadeiro, concedeu aos homens a fé, o dom de Deus: a verdade do Evangelho.

A mensagem do evangelho contém as promessas de Deus, e em Cristo elas foram anunciadas e confirmadas ( 2Co 1:19 -20). Desta forma, o apóstolo Paulo demonstra que os que creem tem uma esperança, e que por intermédio de Cristo é que se dá a confiança em Deus ( 2Co 3:4 e 12).

 

Fé e arrependimento

O Dr. Emery. H. Bancroft, em seu livro Teologia Elementar deixou registrado o seguinte sobre a fé e o arrependimento:

“A fé é o aspecto positivo da verdadeira conversão, o lado humano da regeneração. Pelo arrependimento, o pecador abandona o pecado; pela fé ele se volta para Cristo. Mas o arrependimento são inseparáveis e paralelos. O verdadeiro arrependimento não pode existir à parte da fé, nem a fé à parte do arrependimento. Tem-se dito que o arrependimento é a fé em ação, e que a fé é o arrependimento em repouso” BANCROFT, Emery. H., Teologia Elementar – 3º Edição 2001, Ed. EBR, Pg. 242 (grifo nosso).

Enquanto a Bíblia apresenta a fé como dom de Deus, o firme fundamento, pela qual os cristãos devem batalhar (Judas 1.3; Hebreus 11.1; Efésios 2.18), o Dr. Bancroft confunde fé com crer. Essa confusão é nítida na asserção: ‘A fé é o aspecto positivo da verdadeira conversão’, vez que crer em Cristo é o aspecto positivo da verdadeira conversão, e a fé é o aspecto objetivo da salvação comum a todos que creem.

A Bíblia não apresenta um ‘lado humano da regeneração’, pois a regeneração diz do novo nascimento. A Regeneração é a doutrina que trata do criativo de Deus que se dá por intermédio do evangelho, a semente incorruptível. O homem não participa da regeneração como coadjuvante, antes é produto desta nova criação, pela qual tudo se faz novo. Da mesma maneira que um filho não coopera com os pais na concepção e nascimento, o novo homem, que é um novo se gerado de novo, não participa deste ato.

A ideia de que Pelo arrependimento, o pecador abandona o pecado’ é equivocada, pois não cabe ao homem abandonar o pecado, visto que o pecado é um senhor que não dá foro aos seus servos. A ideia de ‘abandonar o pecado’ não subsiste quando se compreende que, para se ver livre do pecado, o pecador tem que morrer, pois para não servir mais o pecado o velho homem tem que ser crucificado. 

“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.” (Romanos 6.6).

O equivoco do Dr. Bancroft se dá porque ele pensa o pecado e o arrependimento do ponto de vista das questões morais e comportamentais. O pecador não é abandonado através do arrependimento, e sim, através da morte com Cristo, e na regeneração passa a servir à justiça (Romanos 6.18).

Abandonar o pecado não decorre do ‘ódio’ às condutas reprováveis do povo de vista da moral humana. O arrependimento bíblico significa mudança de concepção (metanoia) após ouvir a mensagem do evangelho, diferente da concepção equivocada de que arrependimento seria um sentimento de tristeza à vista das ações reprováveis segundo a moral humana.

Exemplificando: por mais que um escravo tenha desejo de ser livre, jamais seria livre do seu senhor. A tristeza do escravo pela sua condição jamais promoveria a sua liberdade. Semelhantemente, se considerarmos que o arrependimento é tristeza frente ao pecado, conclui-se que a tristeza não promove a liberdade.

É impossível ao homem abandonar o pecado, antes, é preciso confiar em Deus que, ao recriá-lo, operará tanto a remissão quanto a redenção. Por nascer filho de Adão, o homem nasce escravo do pecado, e na regeneração o homem é recriado livre, na condição de um dos filhos de Deus.

Perceba que as considerações de Bancroft sobre o arrependimento são equivocadas: “Tem-se dito que o arrependimento é a fé em ação, e que a fé é o arrependimento em repouso”. A fé, como aquilo que estava por vir e veio (Gálatas 3.22-25), não pode ser considerada uma ação humana, visto que a fé diz de uma pregação (Gálatas 3.2 e 5). Crer em Cristo é o arrependimento, ou seja, a mudança de concepção.

“Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.” (Atos 19.4).

O arrependimento refere-se a uma ‘mudança de conceitos’ ou ‘entendimento’ acerca de como se alcança a salvação. Como o povo de Israel cria em Deus, na lei e em Moisés, frente a mensagem do evangelho precisavam mudar de entendimento. Não bastava dizer ‘Temos por pai a Abraão’, antes produzir o fruto dos lábios que professa que Jesus é o Cristo enviado de Deus (Mateus 3.7-9; Hebreus 13.15).  O arrependimento diz somente de uma ‘mudança de conceitos’ frente a verdade do evangelho, sem referência a qualquer sentimento ou emoção humana.

‘Fé’, no sentido de crer, acreditar, é proveniente daquilo que ouvimos acerca de Deus. Sem a palava de Deus que é firme e verdadeira, a crença do homem é inócua.  A fé (crer) do homem não move montanhas, porém, através da palavra de Deus crê em quem tem poder para movê-las.

A fé (crer) de Elias não produziu o fogo que consumiu o altar dos profetas de Baal, porém, o Deus de Elias, em quem ele depositou fé (confiança), fez descer fogo do céu. Os adoradores de Baal acreditavam que seriam ouvidos pelos seus ídolos. Acreditavam com tanta intensidade que aceitaram o desafio de Elias, porém, apesar de crerem com tanta intensidade, nada aconteceu. A adoração deles elevou o ídolo à condição de um deus? Não!

O evangelho é que produz crer (fé), e dele decorre o arrependimento (mudança de concepção). Ao ouvir a mensagem do evangelho o homem pode arrepende-se ou permanecer de posse dos seus conceitos. Pode crer ou rejeitar.

Conclui-se que ‘crer’ e ‘arrependimento’ são produzidos através da mensagem do evangelho, a fé que foi dada aos santos. Observe:

“Mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judeia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento” ( At 26:20 );
“Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse” ( Mc 6:12 );
“E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão…” ( Lc 24:47 ).

 

Boas novas

O anunciado pelos apóstolos, ou o conteúdo da mensagem do evangelho, determina que os homens se arrependam, ou seja, que abandonem os seus próprios conceitos de como se salvarem, e aceitem a Cristo para que sejam remidos do pecado. Quando o homem abandona os seus conceitos em função da verdade do evangelho, ele se converte a Deus, pois crê em Cristo.

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé…” ( 1Tm 4:1 );
“Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?” ( Gl 3:2 e 5 );
“Mas que diz? A palavra está junto de ti; está na tua boca e no teu coração, isto é, a palavra da fé que pregamos” ( Rm 10:8 ).

Nos versículos acima, o conteúdo da mensagem do evangelho é designado de ‘fé’: apostatar da fé, pregação da fé, fé que pregamos. É por isso que Judas exorta os cristãos a batalharem pela fé que um dia foi dada aos santos! ( Jd 1:3 ).

É comum os teólogos falarem de um fé geral, ou fé natural. Essa ‘fé’ é o mesmo que crença, que resulta de experiências próprias, ensinamentos, evidências, etc. A fé geral, em última instância, tem a sua base em Deus, pois Ele, em sua magnificência, se fez conhecer através da natureza, demonstrando a infinita grandeza através das leis preestabelecidas.

As leis pré-estabelecida que regem o universo dá segurança ao homem, o que gera a confiança natural. Exemplo: os homens confiam que sempre haverá um amanhã. É com base na grandeza de Deus que o homem natural semeia, procria, faz planos, etc. Se não fosse a segurança de que não haverá mudança repentina nos eventos do dia adia, o homem não teria como acreditar em nada.

Mesmo quando a certeza do homem se apóia em probabilidades, o homem consegue guiar-se ante a certeza dos riscos. Por não haver caos instalado no universo, o homem tem a capacidade de acreditar ( ter fé, acreditar, crer), entretanto, esta não é a fé salvadora. Todos os homens nascem sem uma crença e, ao se desenvolverem, vão aprendendo a confiar nos pais, amigos, na vida, etc.

O homem descendente de Adão (homem natural) tem em si uma sentença de morte que operou uma mudança radical em sua natureza. Mesmo após esta mudança radical, o homem continua sendo o recipiente da fé, tanto da fé geral, quanto da fé salvadora. Isto porque, da mesma forma que a fé geral tem a sua origem em Deus, a fé para a salvação também é concedida por Deus, pois todos os homens são recipientes da fé.

A queda do homem mudou-lhe a natureza, mas quanto a ter certeza das coisas que o cercam, esta capacidade não foi afetada. É quanto a isso que se aplica a alegoria da escravidão: mesmo não podendo alterar a sua condição, quanto a ser livre, o escravo tem liberdade para ver o mundo sob uma óptica própria, aprender e acreditar nas coisas que bem entender.

O homem preso nas amaras do pecado, ao ouvir a mensagem salvadora, tem plena liberdade para crer. A mensagem do evangelho promete liberdade ao escravo do pecado oferecendo morte com Cristo, quando o corpo do pecado é desfeito, e em seguida, ao ser ressuscitado com Cristo  recebe de Deus uma nova vida, liberto da antiga natureza e condição.

Observe que a mensagem do evangelho é argumentativa, demonstrando ao homem a sua real condição sob a égide do pecado, a necessidade de mudança de conceitos para que possa se salvar, a promessa de um novo nascimento e que tal mudança necessária à natureza se alcança somente por meio da crença em Cristo.

A mensagem do evangelho é única, objetiva e destina-se a todos os homens, que precisam ouvir a mensagem e se decidir por Cristo.

Observe o quanto Paulo argumentou sobre o evangelho ao falar com Félix e sua mulher Drusila, e depois com o rei Agripa, tentando convencê-los de aceitarem a fé em Cristo “E discorrendo ele sobre a justiça, o domínio próprio e o juízo vindouro…” ( At 24:25 ).

A decisão em aceitar a mensagem do evangelho compete ao ouvinte, que após se inteirar daquilo que Deus fez em prol dos pecadores, confia em Deus, que prometeu e tem poder para salvá-lo.

A mensagem que diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ), permanece viva: é preciso crer para ter vida eterna.

A pergunta: “Como crerão se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ), também é atual.

Através desta análise procuramos evidenciar que: a mensagem do evangelho em muitos versos bíblicos é designada ‘fé’, e esse mesmo nome é atribuído ao que produz: crença, acreditar, crer.  A definição que se encontra na carta aos Hebreus diz de um fundamento (objetivo), e não de uma certeza (subjetivo) “Ora, a fé é o fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” ( Hb 11:1 ).

Abordagem acerca da fé na carta aos Hebreus é uma Figura de Estilo, utilizada na escrita para dar maior expressividade ao que se pretende transmitir. Quando se troca em um texto um nome por outro, havendo entre eles uma relação lógica, é o que denominamos Metonímia. Quando se troca o autor pela obra, temos um Metonímia, pois como Jesus é o autor da fé, o termo fé acaba sendo utilizado para indicar que Jesus é o fundamento do que se espera: salvação.




Vitória sobre o mundo

O bom ânimo é uma ordem de Cristo, e está deve ser uma das características dos cristãos neste mundo. Aqueles que creem em Cristo não devem estar turbados ( Jo 14:1 ). As aflições deste mundo presente são certas, porém, elas não são para se comparar com a glória do mundo vindouro, do qual você é participante.


Vitória sobre o mundo

Recapitulando: Você foi gerado de novo, e agora faz parte da família de Deus na condição de filho, porém, é da vontade d’Ele que você não seja tirado do mundo “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” ( Jo 17:15 ). Diante deste mundo a ordem de Cristo é clara: tende bom ânimo, Eu venci o mundo! ( Jo 16:36 ).

Sabemos que “Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu Filho unigênito…” ( Jo 3:16 ), para que todo aquele que cresse em Cristo não perecesse e obtivesse a vida eterna. Que mundo Deus amou? Deus amou a humanidade, ou seja, Deus amou sem distinção alguma todos os homens nascidos de Adão (humanidade=mundo).

Você era uma das pessoas que Deus amou de tal maneira, e Cristo foi entregue para que você não perecesse, pois este seria o fim da humanidade, por causa da semente corruptível de Adão.

Agora, por estar em Cristo, você não mais faz parte da humanidade que está perdida “Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou” ( Jo 17:16 ). Deus amou todos os homens, e aqueles que creram foram criados novamente na condição de homens espirituais, e deixaram de pertencer ao mundo de Adão.

Você creu, nasceu de novo e passou a ser participante da natureza e família de Deus. Deixou de ser filho de Adão e passou a ser filho de Deus em Cristo (o último Adão), homem espiritual.

Cristo, antes de ser crucificado, orou ao Pai dizendo: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guarde do mal” ( Jo 17:15 ). Ou seja, Jesus estava prestes a ser tirado deste mundo, porém, os que nele creram não seriam tirados deste mundo. Isso demostra que, apesar de você ainda não ter sido tirado deste mundo, não mais pertence a ele (o mundo).

Você é propriedade exclusiva de Deus, selado com o Espírito Santo que fora prometido: “… o qual é a garantia da nossa herança, para redenção da propriedade de Deus, em louvor da sua glória” ( Ef 1:14 ).

Embora ainda não tenha sido tirado do mundo, você já escapou da corrupção que nele há “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 2Pe 1:4 ).

Tendo sempre na memória “… que somos de Deus, e que o mundo jaz no maligno” ( 1Jo 5:19 ).

Jesus pediu ao Pai para que você não fosse tirado do mundo e que fosse guardado livre do mal. Desta forma, confie também que é Jesus quem te guarda intocado do maligno ( 1Jo 5:18 ).

Jesus venceu o mundo e você é participante desta vitória. Porém, isto não significa que, enquanto estiver neste mundo você é imune às aflições “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” ( Jo 16:33 ).

O bom ânimo é uma ordem de Cristo e esta deve ser uma das características daqueles que n’Ele crê. Aqueles que creem em Cristo não devem ficar turbados quando se depararem com problemas desta vida ( Jo 14:1 ). As aflições deste mundo são certas, porém, elas nem de longe são comparáveis com a glória do mundo vindouro, do qual você é participante.

Você venceu o mundo quando passou a pertencer a família de Deus “Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” ( 1Jo 4:4 ).

Você é mais que vencedor por aquele que te amou ( Rm 8:37 )!

Porém, há uma mensagem de alerta: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo…” ( 1Jo 2:15 ). Sabemos que Cristo é a propiciação pelos pecados do mundo todo, quem O aceita é porque O ama e ama aquele que O gerou.

Quem crê em Cristo faz a vontade de Deus, é o mesmo que amar a Deus. Quem ama a Deus não ama o mundo e nem pertence ao mundo, ou seja, por ter feito a vontade de Deus, que é crer naquele que Ele enviou, você não ama o mundo. Mas, aos que não amam o mundo (os que creem em Cristo), resta não amar o que há no mundo.

Para não amar o que há no mundo você deve acatar a recomendação do apóstolo Paulo: “E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” ( 1Co 7:31 ). “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência…” ( 1Jo 2:17 ), mas você permanecerá para sempre com Cristo.

Ao nascer de Deus você venceu o mundo e passou a viver no espírito. Por isso, aquele que vive no espírito (evangelho), deve também andar em espírito “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” ( 1Jo 5:4 ).

Você tem fé (descansa) em Deus, e por isto, já venceu o mundo. Tal vitória foi concedida através do evangelho de Cristo, a fé que vence o mundo. Agora, resta a você andar entre os homens de modo digno da vocação que foste chamado. Ou seja, não andar (comportar-se) mais como andam os outros gentios, cometendo toda sorte de dissolução e torpezas ( Ef 4:1 e 17).

 

Perguntas e Respostas:

1) Quem não é deste mundo?

R) Você, por agora estar em Cristo “Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou” ( Jo 17:16 )

2) Este mundo está morto (jaz) no mali__gno___ .

3) Por que você não foi tirado do mundo? ( Jo 17:15 )

R) Porque este foi um pedido do Filho ao Pai com o objetivo de que seus irmãos sejam luzeiros no mundo que está em trevas “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” ( Mt 5:16 ).

4) A quem você pertence?

R) Você é propriedade exclusiva de Deus, selado com o Espírito Santo da promessa.

5) O que você já venceu por pertencer a Deus?

R) O mundo.

6) Quem não pode te tocar? ( 1Jo 5:18 )

R) O maligno.

7) O maligno não lhe toca por que você não pertence mais ao _mundo________ .

8) Você ama a Deus por ter fé em Cristo, agora você precisa não amar as coisas que há no __mundo____. ( 1Jo 2:15 )

7) Você permanecerá para sempre porque já venceste o _maligno____ e o maligno não lhe __TOCA_________. ( 1Jo 2:17 ) e ( 1Jo 5:18 ).

8) Você vive agora em Paz com Deus, porém, por permanecer neste mundo ainda vai ter __aflições________.

9) É preciso ter bom ânimo e não turbar o coração, pois Cristo venceu o mundo, e você igualmente venceu por ter fé em Cristo. Isto porque você é nascido de _Deus___. ( 1Jo 5:4 )




O conselho de Deus

Ninguém nasce do ventre materno predestinado à salvação. Todos os homens nascem condenados por terem entrado neste mundo pela porta larga que é Adão, porém não estão predestinados a perdição, visto que podem decidirem-se pela Vida eterna entrando pela porta estreita (último Adão), crendo em Jesus Cristo. A condição dos descendentes de Adão é diferente da de Adão que nasceu livre de condenação, mas escolheu a morte, crendo na palavra do pai da mentira, Satanás.


O conselho de Deus

São Paulo, ___ de _______ de 20___.

Prezado (a) ________,

 

Continuando nosso estudo em Efésios, capítulo 1, analisemos o verso 5: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (v. 5)

Imagine você que as últimas três cartas foram para falar apenas da primeira parte do versículo 5, e ainda não esgotamos o tema sobre as bênçãos adquiridas pelo fato de sermos filhos de Deus.

Por sermos filhos de Deus temos uma herança que é incorruptível, incontaminável, e que não murcha ( 1Pe 1:4 ). Tais bênçãos são inconcebíveis, pois não subiu ao coração do homem o que Deus tem reservado para seus filhos.

A nossa herança é tão excelente que, muitos dos que alcançaram uma noção do que possuíam como coerdeiros de Cristo já não deram valor as coisas terrenas, e até desprezaram a própria existência aqui na terra. E não podemos parar a análise, portanto continuaremos na segunda parte do versículo: “…segundo o beneplácito da sua vontade”.

Beneplácito significa consentimento, anuência, aprovação, ou seja, consentimento segundo a sua vontade. Vê-se no verso 11 que a vontade de Deus é segundo o seu conselho, como o conselho de uma empresa, onde comparecem apenas os diretores: o diretor de produção, o diretor de vendas, o diretor de recursos humanos, e diretor de exportação, etc.

Colocando em termos humanos, sem desprezar a atemporalidade da divindade, digamos que está reunido o Conselho de Deus, o conselho mais importante do Universo.

A data do conselho se deu na eternidade, o que envolve um tempo singular onde não há presente, passado ou futuro, mas o já. Diz de um estado de coisas que não é sujeito ao espaço/tempo.

O conselho foi estabelecido tendo como ‘membros’ a sabedoria, a prudência, a onisciência e a onipotência de Deus.

O assunto em pauta era o Propósito eterno de Deus.

Segundo a sua sabedoria, prudência, onisciência e onipotência, manifestou-se a vontade de Deus nos seguintes termos: – Quero fazer seres semelhantes a nós, de modo que sejam participantes de nossa GLÓRIA, a fim de que sejamos Sublime entre os sublimes.

A prudência assentiu: – Muito bom! Faremos estes seres com capacidade de trazer outros semelhante à existência com liberdade para querer ou não serem participantes de nossa GLÓRIA.

A sabedoria se posicionou: Faremos macho e fêmea e com um lugar especial para eles livremente possam escolher se permanecerão em comunhão conosco ou não. Para isto basta colocarmos entre inúmeras árvores, uma árvore que represente o conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida, advertindo-os da seriedade da decisão deles.

A onisciência é precisa: Eles serão tentados pelo anjo presunçoso que deliberadamente se afastou de nós por não guardar o seu principado e serão acometidos de total injustiça, de modo que deixarão de ter comunhão Conosco, que Somos santo, luz, vida, etc. Tornar-se-á escravo do Pecado ao dar ouvido à serpente.

A sabedoria prossegue: O homem e todos os seus descendentes não poderão libertar-se sozinho da sua condição alienada de Deus (morte, escravidão ao pecado), pois serão filhos das trevas, da ira e da desobediência.

A prudência opina: Nenhuma das nossas criaturas prosperaria na empreitada de resgate da humanidade. Na plenitude dos tempos, nos faremos homem para libertá-lo do pecado.

Onisciência: O FILHO DE DEUS, o Emanuel (eleição de Jesus) prosperará na salvação do homem, pois será obediente até à morte e, morte de cruz. Será condenado injustamente por causa da inveja de seus irmãos, mas será FIEL até o fim.

Prudência: Se o UNIGÊNITO continuar morto não haverá resgate.

Onipotência: Eu o ressuscitarei, o que lhe dará a posição de primogênito dentre os mortos.

Onisciência: E todo que n’Ele crer morrerá para o pecado e ressurgirá (com Jesus) à semelhança do Filho, servos da justiça e participantes da nossa GLÓRIA.

Sabedoria: Os homens sob domínio do pecado serão livres decidir-se pela salvação que lhes será revelada na manifestação do Unigênito, mas quem não crer permanecerá sob condenação.

Deus: A comunhão entre os homens e Nós será estabelecida por meu Unigênito, que terá a função de mediador e conquistará a glória que será compartilhada como os que crerem. O meu Unigênito nascerá de mulher para que possa ser sujeito à morte e participante da aflição dos homens. Quando homem terá a imagem e semelhança dos homens, porém, ao ressurgir dentre os mortos, alcançará a nossa imagem e nossa semelhança que será concedida a todos quantos ressurgirem com o primeiro ressurreto dentre os mortos, o meu Primogênito. Meu Filho será a cabeça de um corpo constituído de homens sublimes semelhantes a Ele e Eu serei tudo em todos. Será o Primogênito entre muitos irmãos, será O SUBLIME entre os sublimes por toda a ETERNIDADE, concluindo assim o propósito eterno.

Este diálogo foi construído para ilustrar a ideia do Conselho de Deus.

Foi neste conselho que O CORDEIRO de Deus foi ELEITO e é n’Ele que os homens tornam-se eleitos. Quando se tornam um com Ele, os homens também desfrutam da mesma condição do ELEITO: santos e irrepreensíveis e, foi neste conselho que os crentes em Cristo Jesus, a geração eleita, foram predestinados para filhos por adoção.

Este foi um conselho importantíssimo, isto porque, neste conselho, Deus determinou o seu Propósito Eterno.

Conforme a Bíblia diz: Depois do julgamento do Grande Trono Branco, Deus fará um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça. Não haverá mais necessidade de continuar salvando os homens. Nesta época os salvos já estarão de posse de sua herança no céu e o propósito Eterno continuará: Cristo permanecerá o centro deste propósito, pois por causa do seu corpo, que é a igreja, pela eternidade será o Sublime entre muitos irmãos semelhantes a Ele.

Talvez você não compreenda todos os aspectos e a profundidade deste assunto, mas não tem problema. Com o tempo, se continuar estudando a palavra de Deus, ganhará profundidade e largura no conhecimento.

Espero _______ (a), que ao ler passagens na Bíblia que fale sobre conselho ou beneplácito, você se lembre desta carta. Não se esqueça deste ensino quando falar de coisas que ocorreram na eternidade.

Prossigamos para a análise do verso 6. O fato de sermos santos, irrepreensíveis e filhos por adoção por Jesus Cristo nos tornou agradáveis a Ele. Esta obra de Deus em nós nos constitui em louvor da sua própria glória e graça.

Pelo fato de o apóstolo dizer que somos predestinados, muitos estudiosos concluíram que Deus predestinou alguns para a salvação e outros para a perdição, mas isto não é verdade, porque a vontade de Deus é que todos os homens se salvem.

Como Deus verdadeiro e todo Poderoso iria ter vontade de que todos se salvassem e de antemão determinaria quem seria salvo e, concomitantemente, condenasse alguns? Ou é mentira que a vontade d’Ele é que todos se salvem, ou é mentira que Ele salvou de antemão alguns homens, condenando o restante, pois mesmo possuindo a vontade de que todos se salvassem destinou muitos à perdição.

Deus é a Verdade, logo… não há n’Ele nenhuma mentira.

Agora você pode perguntar: Então por que um Deus todo Poderoso tem vontade que todos se salvem e não predestinou todos para salvação?

Porque Deus não pode negar a si mesmo. Onde está o Espírito de Deus, aí há LIBERDADE! “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” ( 2Co 3:17 ).

Se Deus não desse ao homem liberdade para se separar d’Ele estaria negando a si mesmo, contrariando sua própria natureza. DEUS criou o homem livre de condenação, mas lhe deu liberdade de permanecer unido ou afastar-se d’Ele.

Se Adão cresse na palavra de Deus, não comeria do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e permaneceria unido a Deus, livre de condenação, bem como toda a sua descendência que estava em sua ‘coxa’.

Mas, por Adão preferir a palavra do engano, hoje qualquer homem pode ser livre da condenação apenas e, tão somente, se, por livre vontade, preferir a VERDADE (Jesus Cristo).

Ninguém nasce do ventre materno predestinado à salvação. Todos os homens nascem condenados por terem entrado neste mundo pela porta larga que é Adão, porém não estão predestinados a perdição, visto que podem decidirem-se pela Vida eterna entrando pela porta estreita (último Adão), crendo em Jesus Cristo. A condição dos descendentes de Adão é diferente da de Adão que nasceu livre de condenação, mas escolheu a morte, crendo na palavra do pai da mentira, Satanás.

Do ventre materno alguns homens foram escolhidos por Deus para uma missão, como por exemplo Saul. Saul foi escolhido para ser rei de Israel, porém, não creu em Deus e, possivelmente teve um triste fim. Diferente de Davi, que foi escolhido para ser rei de Israel, mas creu em Deus para salvação e, além de desempenhar a sua missão de rei em Israel, a Bíblia dá testemunho de que era um homem segundo o coração de Deus.

Quando uma pessoa NASCE DE NOVO, naquele instante é salva e, concomitantemente predestinada a ser filho de Deus por adoção por Jesus Cristo, torna-se membro da geração eleita, pois é gerado de Cristo, o Eleito.

O apóstolo é enfático e repete várias vezes que nossa predestinação e eleição se deu no Amado, ou seja, em Cristo. Lembre-se que estas maravilhas que Deus nos concedeu, de nos eleger e predestinar em Cristo, são para louvor da sua glória e graça.

Assim como uma escultura louva seu escultor, ou uma pintura louva a capacidade do pintor, a obra que Deus realiza no homem louva a Deus, por si só enaltece a sua glória, ou seja, glorifica a Deus.

Um Deus Santo, Justo, Perfeito, Luz, Vida, Amor, que faz de um homem era pecador e que se tornar sua morada é COISA MARVILHOSA.

Morrer ou matar são coisas possíveis ao homem, mas ressuscitar O HOMEM para vida eterna e fazê-lo filho de Deus só é possível a DEUS.

Por esta obra, o crente constitui-se ‘louvor e glória da graça de Deus, pela qual também nos fez agradáveis a si no Amado’ ( Ef 1:6 ).

Deus seja louvado e glorificado em sua vida, _________ (a)!

 

De seu pastor

_____________________

 

Observação:

A carta faz referência aos seguintes versículos:

O conselho de Deus – ( Ef 1:11 ; Hb 6:17 ; Pv 8:12 ; Mq 4:12 ; “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” ( Is 46:10 );

O propósito de Deus – ( Ef 1:9 ; Ef 3:11 );

A graça de Deus – ( Ef 2:7 -8).