Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito

É com base nessas duas figuras: ‘violência’ e ‘força’, que Jesus asseverou aos seus interlocutores, que, desde os dias dos profetas, até aquele momento, os homens se ‘apoderavam’ do reino dos céus à força, ou seja, confiados que eram descendência de Abraão e oferecendo sacrifícios!


Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito

“Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas, sim, pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos (Zacarias 4:6).

Introdução

O profeta Zacarias teve uma visão, cuja mensagem deveria ser repassada a Zorobabel, um líder de Judá, que liderou o primeiro grupo de judeus exilados, que voltaram do cativeiro babilônico a Jerusalém, por volta de 539 a.C., quando o rei Ciro era o regente da Pérsia. (Ed 1:1)

Zacarias foi contemporâneo do profeta Ageu (Esdras 5:1). Ambos foram comissionados para despertar os judeus a retomarem a construção do templo (Esdras 6:14). O profeta Zacarias era descendente de famílias sacerdotais, da tribo de Levi, sendo filho de Baraquias, filho de Ido. Zacarias se apresentou como “o Filho de Baraquias” (Zacarias 1:1).  Foi nomeado por Esdras como “o filho de Ido”, avô de Zacarias.

Ele foi um profeta das tribos do Reino de Judá e, conforme os livros que compõe o Cânon Sagrado, é o décimo primeiro livro dos doze profetas menores.

Vale lembrar que, quando Nabucodonosor, o rei da Babilônia, conquistou Jerusalém, o templo construído por Salomão foi completamente destruído e o povo de Israel deportado, tudo conforme predito pelos profetas. Após setenta anos de cativeiro, o rei Ciro da Pérsia decretou que alguns israelitas poderiam voltar a Jerusalém e reconstruir o templo (Esdras 1:2-4).

Zorobabel era um dos exilados que retornaram a Jerusalém e como era da linhagem real, descendente de Davi, tornou-se governador de Judá. Zorobabel organizou a reconstrução do templo, tendo o sacerdote Jesua e outros líderes do povo como seus auxiliares, restabelecendo o culto, os sacrifícios e as celebrações estabelecidas na Lei (Esdras 3:2-3; Rm 9:4).

 

A visão

O profeta Zacarias teve diversas visões e, em uma das visões, ele parecia estar absorto pelas coisas que viu. Em determinado momento, o mensageiro celestial que falava com Zacarias fez ele voltar a si, ação que o profeta descreveu como quando alguém é despertado de um sono.

O profeta foi interpelado: – “Que vês?” E o profeta responde, descrevendo o que estava contemplando. Zacarias viu um castiçal todo de ouro de sete ‘lâmpadas’ e, acima, um vaso de azeite. Do vaso de azeite procediam sete canudos que abasteciam as lâmpadas do candelabro, um canudo para cada lâmpada. Por cima do candelabro, acima das lâmpadas e do vaso, havia duas oliveiras, uma à esquerda e outra à direita do vaso de azeite.

Ao que o profeta Zacarias interpelou o ser celestial: – “Senhor meu, que é isto?” Note que o profeta desconhecia o significado daquela visão, ao que o anjo respondeu, dizendo:

“Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas, sim, pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos (Zc 4:6).

Zacarias teve uma visão e o significado da visão era uma mensagem a ser entregue ao rei Zorobabel, que dizia: ‘Não por força nem por violência, mas, sim, pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos’. Qual o significado da mensagem? Qual o significado de ‘força’ e ‘violência’? Qual o significado de ‘espírito’?

A mensagem de Deus a Zorobabel é enigmática, com pelo menos três figuras a serem interpretadas.

Para compreender essa mensagem, temos de lembrar que Deus falava abertamente somente a Moisés, e que, com relação ao povo, Deus falava por enigmas.

“E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer, ou, em sonhos falarei com ele. Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?” (Nm 12:6-8).

 

Força

Quando da leitura das Escrituras, verifica-se Moisés bendizendo a Deus como sendo a sua força, a sua salvação (Êx 15:2). No mesmo capítulo, Moisés substitui o termo ‘força’ por ‘destra’ (Êx 15:6), ‘mão direita’ (Êx 15:12). Neste sentido, através do que é próprio às poesias hebraicas, paralelismo, podemos afirmar que o termo ‘força’ substitui os termos braço, destra e mão direita.

“Tu, com a tua beneficência, guiaste a este povo, que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade” (Êx 15:13).

De Deus é a glória e a honra em salvar o seu povo, mas ‘qualquer que faz da sua carne o seu braço’ é maldito diante de Deus, pois Deus não dá a sua glória a outrem (Is 48:11).

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5).

Ao dizer por enigmas a Zorobabel: ‘nem por força’, Deus estava enfatizando que a salvação não decorre da carne, ou seja, da carne de Abraão. Qualquer dos filhos de Israel que fizesse da carne o seu braço, seria maldito diante de Deus. Um dos modos de confiar na carne é dizer: ‘Temos por pai Abraão’, ‘Somos descendência de Abraão’ ou, ‘Nunca fomos escravos de ninguém’ (Mt 3:9; Lc 3:8; Jo 8:33).

Quem confia na carne, como faziam os judeus, não podem agradar a Deus! Saulo de Tarso é exemplo de tudo o que a ‘carne’ representa:

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne. Ainda que, também eu, podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível” (Fl 3:3-6).

A força dos judeus estava na sua carne, porém, como bem asseverou o apóstolo Paulo:

“Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” (Rm 9:6-8).

Os filhos, descendentes da carne de Abraão, equivocadamente pensavam que havia alcançado a bem-aventurança, só por serem filhos da carne de Abraão, porém, não atentaram que a promessa tem em vista a descendência de Abraão, que é Cristo (Gl 3:16).

Essa é a força do Senhor na qual os filhos de Israel deveriam se socorrer:

“Porque, assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando, sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes” (Is 30:15).

 

Violência

E por que Deus disse a Zorobabel que ‘não é por violência’? Qual o significado da figura ‘violência’, que os profetas sempre alardeavam ao povo de Israel?

“Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue e os vossos dedos de iniquidade (…) As suas teias não prestam para vestes, nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade e obra de violência há nas suas mãos (Is 59:3 e 6).

Ao dizer: ‘nem por violência’, Deus estava enfatizando que não se agrada de sacrifícios. ‘Nem por violência’ tem o mesmo significado do texto a seguir:

“Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender, melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15:22).

Para Deus, os sacrifícios oferecidos pelos filhos de Israel não passavam de ‘violência’, como se lê:

“Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial, é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos e a sua alma se deleita nas suas abominações” (Is 66:3).

As práticas que os filhos de Israel consideram agradáveis a Deus, na verdade, Deus suportava:

“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação,  as luas novas,  os sábados e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue (Is 1:13-15).

Sacrifícios são repulsivos a Deus e comparados à violência, como quando alguém está com as mãos sujas de sangue! Quem oferece sacrifícios, comparece diante de Deus na condição de tolo, pois não sabe que eles não agradam a Deus, por meio de sacrifícios:

“GUARDA o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal” (Ec 5:1).

 

Espírito

Se agradar a Deus não se dá por ser descendência de Abraão (força) e nem por sacrifícios (violência), do que Deus se agrada? Qual o significado de ‘espírito’ na fala: ‘… mas, pelo meu espírito’?

O espírito refere-se à palavra de Deus! O termo espírito, na mensagem anunciada a Zorobabel, tem o mesmo significado de Joel 2, verso 28:

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne…” (Jl 2:28).

Esse mesmo significado se encontra em Isaías, quando Deus denuncia que os filhos de Israel não tomavam o conselho de Deus; pois, buscavam proteção (cobertura), mas não do Seu espirito, ou seja, não obedeciam a palavra de Deus.

“Ai dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado” (Is 30:1).

Por que os filhos de Israel não tomavam o conselho de Deus? Porque não queriam ouvir o mandamento de Deus, pois diziam aos profetas para não verem e nem profetizarem da parte do Senhor.

“Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. Que dizem aos videntes: Não vejais e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis e vede para nós enganos. Desviai-vos do caminho, apartai-vos da vereda; fazei que o Santo de Israel cesse de estar perante nós” (Is 30:9-11).

Rejeitar a palavra de Deus, que é justiça e retidão, é o mesmo que confiar (estribar) na opressão e na perversidade. É desatino por parte do homem, que Deus tem por perversidade e maldade.

“Por isso, assim diz o Santo de Israel: porquanto rejeitais esta palavra e confiais na opressão e perversidade e sobre isso vos estribais, por isso, esta maldade vos será como a brecha de um alto muro que, formando uma barriga, está prestes a cair e cuja quebra virá subitamente” (Is 30:12-13).

Qualquer que confia em profetas que profetizam vaidades, se abrigan debaixo de uma cobertura feita com argamassa não temperada, ou seja, que ruirá:

“E os seus profetas têm feito para eles cobertura com argamassa não temperada, profetizando vaidade, adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor DEUS; sem que o SENHOR tivesse falado” (Ez 22:28).

Tanto a cobertura (proteção), quanto as vestes de quem se utiliza de sacrifícios, para agradar a Deus, são inócuas, sem valor, pois são obras de iniquidade, obras de violência!

“As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade e obra de violência há nas suas mãos” (Is 59:6).

A palavra de Deus é espírito, a mesma palavra que foi dada a Cristo e por isso mesmo Ele foi ungido (escolhido) por Deus, para pregar boas novas aos mansos e proclamar liberdade aos cativos (Is 61:1; Is 11:1; Is 42:1 e 7).

É em função do estabelecido por Deus nas Escrituras, que Jesus disse:

“… as palavras que eu vos disse são espírito e vida (Jo 6:63).

Cristo é o espírito vivificante (1 Co 15:45), Aquele que tem palavras de vida eterna (Jo 6:68).

 

Violência e força

Compreendendo o que foi dito a Zorobabel, compreende-se o que Jesus disse:

“E, desde os dias de João o Batista, até agora, se faz violência ao reino dos céus e pela força se apoderam dele” (Mt 11:12).

É com base nessas duas figuras: ‘violência’ e ‘força’, que Jesus asseverou aos seus interlocutores, que, desde os dias dos profetas, até aquele momento, os homens se ‘apoderavam’ do reino dos céus à força, ou seja, confiados que eram descendência de Abraão e oferecendo sacrifícios!

Um dos maiores erros da atualidade, ao ler a passagem bíblica que contém uma mensagem a Zorobabel, é pensar ‘violência’ e ‘força’, do ponto de vista socioeconômico, como pensam os acadêmicos marxistas, que reduzem os problemas de violência social a uma oposição de classes.

Desconsiderar que Jesus falava ao povo se utilizando de parábolas, propondo enigmas da antiguidade, resultará numa má leitura: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” (Sl 78:2; Mt 13:35).

Os que usam de ‘violência’ e ‘força’ são os ricos a que o irmão Tiago se refere e contra quem faz imprecações de aís (Tg 5:1-6).

 

Altivos

A palavra de Deus demonstra a grandeza da obra, executada sob o comando de Zorobabel, o segundo templo, que apesar de menor que o templo de Salomão, receberia o Cristo, a Pedra Angular do Templo que Deus prometeu a Davi (Ag 2:7-9).

Por causa da aparente insignificância da obra sob o comando de Zorobabel, visto que muitos meneavam a cabeça ao se lembrarem da glória do Templo de Salomão (Ag 2:3), Deus questiona os altivos (monte) que desprezavam a obra sob o comando de Zorobabel (v. 10), pois seriam abatidos (campina), ante o fato de que a Pedra Angular seria a glória do segundo templo.

“Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel tornar-te-ás uma campina; porque ele trará a pedra angular com aclamações: Graça, graça a ela” (Zc 4:7).

Após a palavra de encorajamento a Zorobabel, Deus apresenta como prova de que falou por boca de Zacarias a palavra de que, quem lançou a pedra fundamental do templo, haveria de concluir a construção do templo (v. 8-9).

“E a palavra do SENHOR veio novamente a mim, dizendo: As mãos de Zorobabel têm lançado os alicerces desta casa; também as suas mãos a acabarão, para que saibais que o SENHOR dos Exércitos me enviou a vós” (Zc 4:8 -9).

Havia entre os filhos de Israel quem desprezava a construção do segundo templo, porém, a pedra sobre a qual estavam esculpidos setes olhos (Zc 3:9; Zc 4:10), aprova a execução da obra do templo por mão de Zorobabel.

Após receber a mensagem a ser retransmitida a Zorobabel, o profeta Zacarias, por curiosidade, perguntou ao mensageiro de Deus sobre as duas oliveiras que havia visto à direita e à esquerda do castiçal, especificamente, com relação a dois ramos de oliveira que estavam próximos aos tubos de ouro e que vertem azeite dourado (Zc 4:11).

Ao que foi respondido: “Não sabes tu o que é isto?” O profeta não se fez de rogado e disse: – ‘Não, SENHOR meu’. E foi esclarecida a questão: – ‘Estes são os dois ungidos, que estão diante do Senhor de toda a terra’.

A mensagem a ser retransmitida fica em segundo plano devido à visão e à curiosidade do profeta. E quem são os dois ungidos? As duas testemunhas do livro do Apocalipse? Não! No caso em questão, refere-se ao governador Zorobabel e ao sacerdote Josué, os dois ramos das oliveiras que abasteciam as lâmpadas do castiçal, que, por sua vez, representam a nação de Israel.

 

Aplicação prática

Geralmente, essa passagem bíblica, que contém a palavra de Deus, direcionada a Zorobabel, é lida quando do lançamento da pedra fundamental dos templos e, em seguida, o preletor transmite uma mensagem de encorajamento para o líder daquela comunidade, dando a entender que, da mesma forma que Deus foi com Zorobabel, Deus apoia o líder daquela comunidade local.

Tal posicionamento é verdadeiro? Não! A palavra de Deus dada a Zacarias é personalíssima. Somente Zorobabel teve garantia de que terminaria a obra do templo que iniciou. A promessa foi feita, como garantia de que Deus falou por boca de Zacarias, portanto, não se aplica a mais ninguém!

Dizer que as pessoas que se opõem à construção do templo serão abatidas, ou, que não se pode desprezar o fato de o templo ser pequeno, ou, que Deus está nesse ‘negócio’, etc., não se aplica aos eventos dos dias atuais. Essa profecia foi dada a Zorobabel e era exclusiva para ele. Ninguém pode se arvorar no direito de ser sujeito dessa profecia.

A única questão dessa passagem bíblica, que se aplica a todos os homens e em todas as épocas, é a palavra que diz: “Não por força, nem por violência, mas, sim, pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zc 4:6). O que se aplica a todos os homens foi dito através de enigmas, já a mensagem dada a Zorobabel, foi dada abertamente.

Percebe-se que, nas passagens bíblicas que Deus trata com algum personagem, o que é próprio ao individuo é dito abertamente, como foi a palavra dita a Saul, acerca dos amalequitas. O que é de importância para todos os homens, é dito de modo poético e enigmático, como se lê:

“Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15:22).

Os cristãos não tem que se preocupar com amalequitas e ninguém ou, qualquer instituição no tempo presente, se compara àquele povo destruído completamente por Deus. Mas, da desobediência de Saul ficou a instrução de que Deus não se agrada de sacrifícios, mas, que se obedeça à Sua palavra.

A obediência de Zorobabel e a desobediência de Saul são ‘figuras’ deixadas para instrução dos cristãos, para não incorrerem em desobediência ou, para os motivar a seguir o exemplo de obediência. Dessas figuras não se pode abstrair que, se os cristãos alcançam as promessas que foram feitas a eles ou, que é possível serem rejeitados, em função de alguma ação que não seja a desobediência ao evangelho.

“E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram” (1 Co 10:6).

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto




Ageu 2 – A glória do segundo templo

Por que o povo devia aplicar-se ao trabalho no templo? Deus responde: “Porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos, segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saíste do Egito” ( Ag 2:4 -5).


Ageu 2 – A glória do segundo templo

1 NO sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
2 Fala agora a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e ao restante do povo, dizendo:
3 Quem há entre vós que tendo ficado, viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é esta como nada diante dos vossos olhos, comparada com aquela?
4 Ora, pois, esforça-te, Zorobabel, diz o SENHOR, e esforça-te, Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforça-te, todo o povo da terra, diz o SENHOR, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos,
5 Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais.
6 Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca;
7 E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos.
8 Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos.
9 A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.

( Ag 2:1 -9)

 

A Glória do Segundo Templo

O Senhor convoca os velhos que anunciem diante do povo a diferença gritante entre o primeiro templo que foi destruído e o novo templo que estava sendo erguido.

Ora, somente os velhos viram a glória do Templo de Salomão e poderiam estabelecer uma relação com o templo que estava sendo erguido.

A pergunta é clara: “Quem há entre vós que, tendo edificado, viu esta casa na sua primeira glória?”. Como o cativeiro na terra dos caldeus durou 70 anos, ainda havia entre o povo quem viu o Templo de Salomão em sua magnificência arquitetônica.

Os velhos ao verem a casa do Senhor sendo construída, era como algo insignificante.

Deus esperava dos velhos que anunciassem aos jovem quão diferente eram os templos, pois este diferencial era essencial a mensagem que seria anunciada (v. 3).

Diante da aparente insignificância do novo templo, o governador de Judá tinha que ser forte. Josué tenha que ser forte. O povo tinha que ser forte, ou seja, confiar que o Senhor dos Exércitos estava com quem trabalhava na construção do novo templo.

Por que o povo devia aplicar-se ao trabalho no templo? Deus responde: “Porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos, segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saíste do Egito” ( Ag 2:4 -5). Ou seja, a aliança do Senhor não havia sido invalidada por causa da rebeldia de Israel. Eles podiam trabalhar fiados que Deus estava com eles, apesar da aparente insignificância do templo que estava sendo erguido.

Deus é categórico ao dizer: “O meu Espírito habita no meio de vós” (v. 5b). Por que Deus habita no meio do povo de Israel, e não no interior dos homens, como é o caso da Igreja? Porque para Deus habitar no homem é preciso circuncidarem os seus corações.

A circuncisão do coração só é possível através da fé em Deus, a mesma fé que teve o crente Abraão. Quem crê em Deus receberá a circuncisão que dá vida “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração dos teus descendentes, a fim de que ames o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Após a circuncisão do coração, obra exclusiva de Deus, é feito morada no interior do homem, pois Ele mesmo diz: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

O coração circuncidado é equivalente ao coração contrito. Somente quando Deus lança fora o coração enganoso e incorrigível ( Jr 17:9 ), é que ele torna-se contrito, e o habitar de Deus lhe concede vida, a vida que há em Deus “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” ( Sl 51:10 -11).

Naqueles que creem Deus faz morada em seus corações, mas no povo que foi escolhido, Deus habita no meio dele, ou seja, Deus não habita no interior dos homens (indivíduos), e sim, no meio do povo (coletivo).

Por causa da aliança que Deus fez com o povo de Israel, quando eles foram tirados do Egito, é que o Espírito de Deus permanecia com o povo (v. 5). Esta promessa foi feita a Moisés, como se lê: “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir deste lugar (…) Então disse o Senhor a Moisés: Farei também isso que disseste…” ( Ex 33:15 -17).

Deus promete ao povo e aos seus lideres que uma vez mais haveria de fazer tremer os céus e a terra, o mar e a terra. O tempo estipulado para ocorrer o evento prometido é incerto, mas Deus demonstra que será em breve. Com relação ao tempo, observe o diferencial entre esta promessa e o comentário ao verso 1, do capítulo 1, acerca das datas que Ageu colocou em cada profecia.

Embora alguns tradutores contestem a tradução de Almeida, por escrever: ‘virá o desejado de todas as nações’, ela é preferível a ideia que outros tradutores apresentam: ‘as coisas preciosas de todas as nações’.

É certo que no milênio as nações trarão das suas riquezas a Jerusalém “Então o verás, e serás iluminado, e o teu coração estremecerá e se alargará; porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas dos gentios virão a ti” ( Is 60:5 ), porém, a riqueza do qual o profeta faz referência e que as nações desejam, não diz de bens materiais.

Deus haveria de fazer tremer todas as nações e o desejo de todas elas haveria de vir. Aquele que veio e encheu de glória o templo que estava sendo construído pelo povo sob a supervisão de Zorobabel foi Cristo, o Messias. Ora, Cristo é o prometido a Israel, e o desejado de todas as nações.

Ora, todas as nações desejam ter um rei e um sacerdote como o Messias de Israel. O que as nações desejam foi concedido ao povo de Israel. Ele veio para os que eram seus, mas eles não o receberam.

As coisas preciosas (riquezas) das nações também serão levadas para um templo em Israel, porém, tal profecia não refere-se ao templo que foi construído pelo povo que retornou do cativeiro, pois ele foi destruído por Tito, General Romano, no ano 70 d. C.

Deus promete ao povo que haveria de encher a casa da sua glória. O primeiro Templo encheu-se de uma nuvem escura, e os sacerdotes não podiam ficar em pé, por causa da nuvem, pois a glória de Deus encheu a casa ( 2Cr 5:14 e 2Cr 6:1). Eles não puderam contemplar a glória do Senhor, pois nem mesmo a nuvem escura suportaram.

Porém, segundo relatou o apóstolo João, eles viram a glória do Senhor. Deus se fez carne e habitou (residiu) entre os homens. E muitos à época puderam contemplar a glória de Deus, a glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade ( Jo 1:14 ).

Deus enfatiza ao povo de Israel, que à época estava empobrecido, que Ele é o dono da prata e o dono do ouro. Por que Deus enfatiza que é dono das riquezas que há no mundo? Porque os velhos iriam relatar a grandeza e a riqueza despendida na construção do primeiro templo por Salomão.

Muitos dentre o povo iriam questionar: Se Deus é o dono do ouro e da prata, por que a dificuldade na construção do templo? Por que o templo era menor e inferior ao templo construído por Salomão, se este teria maior glória? Como seria isto possível?

Deus afirma ser o dono do ouro e da prata e aponta uma glória maior para o templo que estava sendo construído, se comparado com a glória do templo de Salomão.

A glória seria proveniente do ouro e da prata a ser empregada na construção? Não! Embora Deus é o dona do ouro e da prata, a glória seria maior porque Deus haveria da a paz tão almejada ao longo dos séculos.

A glória maior do segundo templo seria proveniente da paz que Deus estabeleceria entre Ele e os homens. Como Cristo, que é a paz de Deus concedida aos homens ( Ef 2:14 ), haveria de adentrar o templo que estava sendo construído, a glória do templo superou em muito a glória do primeiro templo.

Enquanto no templo construído por Salomão os sacerdotes não conseguiram ver a glória de Deus (não aguentaram ver uma nuvem escura), no novo templo, todos os homens viram a glória de Deus manifesta aos homens, como o Unigênito de Deus.

Enquanto no primeiro templo era necessário a figura do sacerdote para o homem ter acesso a Deus, no segundo templo, todos que quisessem tiveram acesso a Cristo. Ele mesmo disse ao povo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ).

Quem eram os cansado que foram convidados a ir a Cristo? Todos os pecadores, sem exceção! Observe que não há uma instituição e nem sacerdotes para fazer mediação entre Cristo e os pecadores. Ele mesmo disse: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” ( Mt 9:13 ).

 

10 Ao vigésimo quarto dia do mês nono, no segundo ano de Dario, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
11 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Pergunta agora aos sacerdotes, acerca da lei, dizendo:
12 Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? E os sacerdotes responderam: Não.
13 E disse Ageu: Se alguém que for contaminado pelo contato com o corpo morto, tocar nalguma destas coisas, ficará ela imunda? E os sacerdotes responderam, dizendo: Ficará imunda.
14 Então respondeu Ageu, dizendo: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é.
15 Agora, pois, eu vos rogo, considerai isto, desde este dia em diante, antes que se lançasse pedra sobre pedra no templo do SENHOR,
16 Antes que sucedessem estas coisas, vinha alguém a um montão de grão, de vinte medidas, e havia somente dez; quando vinha ao lagar para tirar cinqüenta, havia somente vinte.
17 Feri-vos com queimadura, e com ferrugem, e com saraiva, em toda a obra das vossas mãos, e não houve entre vós quem voltasse para mim, diz o SENHOR.

( Ag 2:10 -17)

 

Fundaram o Templo

Deus manda o profeta ao povo avisar-lhes de que deveriam ir aos sacerdotes perguntar acerca de um ponto específico da lei (v. 11). A pergunta que deveriam fazer aos sacerdotes era: “Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? (v. 12).

Eles foram ao sacerdote e a resposta foi: não! Caso alguém deixasse algo santo (separado) tocar em qualquer outro tipo de alimento, de maneira alguma haveria de ser santo “E os sacerdotes responderam: Não” (v. 12).

Do mesmo modo, se alguém tocasse um corpo morto, todas as coisas que tocassem ficaria imunda também. Ora, os sacerdotes estavam ouvindo as perguntas do profeta Ageu, e ele responderam dizendo: “Ficará imunda” (v. 13).

Com base nestas duas perguntas, que os sacerdotes conhecedores da lei auxiliaram na resposta, Ageu estabeleceu um comparativo segundo a palavra de Deus: “Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é” (v. 14).

Deus demonstra que, assim como alguém torna-se imundo por tocar nalgum corpo morto, e tudo quanto tocar, igualmente tornar-se-á imundo, assim era o povo de Israel. Como povo e como nação, apesar de terem sido escolhidos pelo Senhor dentre todas as nações, eles eram imundos, e tudo quanto tocavam, todas as obras que realizavam, eram imundas, e tudo que ofereciam, era imundo.

Ora, não é porque Deus escolheu o povo de Israel como seu povo especial dentre todos os povos da terra, que eles foram santificados, ou seja, mesmo após serem escolhidos, muitos deles permaneceram imundos.

Por Deus ter escolhido o povo de Israel dentre todos os povos, o povo (nação) tornou-se santo (separada) dos outros povos. Porém, individualmente, cada membro do povo de Israel em particular tinham uma condição diferenciada diante de Deus.

Aqueles que continuaram obstinados de coração, insensíveis à palavra de Deus, permaneciam imundos diante de Deus, embora fizessem parte do povo de Israel, que foi santificado pela escolha de Deus “Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o SENHOR teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado” ( Dt 9:6 ).

Porém, aqueles que ouviram a palavra de Deus e creram, foram agraciados com um novo coração (puro), uma vez que foram circuncidados por Deus ( Sl 51:10 ; Dt 30:6 ). A circuncisão de Deus (circuncisão do coração) leva a morte da velha natureza herdada em Adão, diferente da circuncisão feita no prepúcio da carne que é feita por mão humanas, pois não livra o homem da condenação do pecado de Adão.

Caso a circuncisão na carne livrasse o homem do pecado, as mulheres, por sua vez, não haveriam de livrar-se da condição do pecado, visto que elas não são passíveis da circuncisão na carne.

Como a graça de Deus contempla todos os homens, sem distinção de sexo, nação, povo e condição social, verifica-se que todo aquele que crer (invocar o Senhor) será salvo.

Ora, se a carne santa não santifica os alimentos que são tocados por ela “Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? E os sacerdotes” (v. 12), e, se tudo que é tocado pelo imundo torna-se imundo (v. 13), o resultado é o protesto divino por intermédio do profeta Ageu: “Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é” (v. 14).

O maior interesse dos homens para com Deus é ofertar e sacrificar. Porém, tudo que o imundo oferece também torna-se imundo. Todas as obras do imundo também é imunda. Toda a nação, todo o povo de Israel era imundo, e nada do que procuravam oferecer era aceitável diante de Deus.

Perceba que ofertar não torna ninguém agradável a Deus, antes é preciso ao ofertante torna-se agradável, que Ele aceitará a oferta. Por exemplo: Deus aceitou a oferta de Abel porque ele foi aceito por Deus, ou seja, Deus atentou para Abel, e depois, para a oferta “Atentou o Senhor Deus para Abel e para a sua oferta” ( Gn 4:4 ).

A oferta de Caim foi rejeitada porque ele foi confiado na oferta, e não que Deus é galardoador dos que o buscam. Caso Caim tivesse confiado em Deus e não se estribado na oferta, Deus haveria de aceitá-lo, e conseqüentemente para a sua oferta “…mas para Caim e para a sua oferta não atentou” ( Gn 4:5 ).

Por que Deus deu tal aviso solene ao povo? Porque construir o templo não tornaria o povo santo perante Deus. O povo deviam lembrar que, quando Moisés pediu aos seus pais bens e materiais (oferta voluntária) para construir o tabernáculo e o santuário, o povo contribuiu muito além do que era necessário para a construção do santuário, sendo que o povo foi impedido de trazer mais bens ( Ex 25:1 -9 e Ex 36:5 -6).

Porém, eles continuaram sendo imundos e obstinados diante d e Deus. Ou seja, não é porque eles se puseram a construir o templo que houve uma mudança em seus corações. Não era porque estavam trabalhando no templo que cada integrante do povo era santo. Por que? Mesmo o templo sendo santo ao Senhor, como era o caso da carne carregada nas vestes (v. 12), o templo não tinha poder de santificar aqueles que estavam edificando o templo.

Ora, o templo era santo ao Senhor, ou seja, separado para o Senhor porque ele agradou estabelecer ali o seu nome ( 2Cr 7:12 e 16). Porém, o templo e nem o altar podia mudar-lhes a condição de imundo, a não ser o próprio Deus, concedendo-lhes um novo coração e um novo espírito por meio da fé.

Mesmo o povo não sendo santo, agora que eles haviam lançado o fundamento do templo (v. 15), podiam considerar e comparar o que aconteceria com as suas vidas terrenas. Antes de construírem o templo, a instabilidade nos alimentos era visível, pois iam até um monte de grão de vinte medidas, porém, era como se estivesse só dez medidas. Procuravam tirar uma medida de cinqüenta no lagar, e obtinham efetivamente vinte (v. 16).

Antes de lançarem os fundamentos do templo, ele foram feridos pelo Senhor conforme as palavras de Salomão, que edificou o primeiro templo. Compare o verso 17 “Feri-vos com queimadura, e com ferrugem, e com saraiva, em toda a obra das vossas mãos, e não houve entre vós quem voltasse para mim, diz o SENHOR”, com o que disse Salomão em 2Cr 6:28 -31.

Mas, agora, por terem lançado os fundamento do templo, Deus estava lhes retribuindo, dando lhes estabilidade e retirando as pragas de sobre as suas obras “Considerai, pois, vos rogo, desde este dia em diante; desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do SENHOR, considerai essas coisas” (v. 18).

Deus estabeleceu uma data, e, a partir dela, o povo podia ver a diferença em suas vidas terrenas. Após o vigésimo dia, do nono mês, do segundo ano do reinado de Dario, dia em que foi lançada a pedra fundamental do templo, ou quando se inaugurou as obras para a construção do templo.

 

18 Considerai, pois, vos rogo, desde este dia em diante; desde o vigésimo quarto dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do SENHOR, considerai essas coisas.
19 Porventura há ainda semente no celeiro? Além disso a videira, a figueira, a romeira, a oliveira, não têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei.
20 E veio a palavra do SENHOR segunda vez a Ageu, aos vinte e quatro dias do mês, dizendo:
21 Fala a Zorobabel, governador de Judá, dizendo: Farei tremer os céus e a terra;

22 E transtornarei o trono dos reinos, e destruirei a força dos reinos dos gentios; e transtornarei os carros e os que neles andam; e os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada do seu irmão.
23 Naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, tomar-te-ei, ó Zorobabel, servo meu, filho de Sealtiel, diz o SENHOR, e far-te-ei como um anel de selar; porque te escolhi, diz o SENHOR dos Exércitos.

( Ag 2:18 -23)

 

Promessas

Deus pergunta ao povo por intermédio de Ageu: “Porventura há ainda semente no celeiro? Além disso a videira, a figueira, a romeira, a oliveira, não têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei” (v. 19).

A pergunta divina demonstra que o povo estava passando necessidades. O que a terra produzia não dava para o povo armazenar. Eles não tinham sementes o bastante que pudessem armazenar nos celeiros.

Eles deviam considerar que a falta não era somente de sementes, antes faltava os frutos da videira, da figueira, da romeira e da oliveira. Deus ordenou ao povo que considerassem, ou seja, que analisassem os eventos, comparando a produtividade da terra antes e depois de lançarem os fundamentos do templo.

Antes de lançarem o fundamento do templo havia instabilidade de alimentos, após iniciarem a construção do templo, deu-se inicio o tempo estipulado em que Deus os abençoaria (v. 19).

No mesmo dia, ao vigésimo quarto dia do mesmo mês, Deus falou por intermédio de Ageu ao rei de Judá, Zorobabel. Foi lhe dito: “Farei tremer os céus e a terra” ( Ag 3:21 ).

À época de Zorobabel, rei de Judá, as nações gentílicas eram muito maiores em poder e força. Israel era somente um povo sob o jugo de outras nações. Zorobabel governava Israel por concessão dos medos.

Zorobabel foi um dos descendentes na carne de Jesus, e ao profetizar a um representante legal e legítimo da linhagem de Davi, Deus deu a entender a relação que havia entre o Messias e Zorobabel ( Ag 2:23 ).

A mensagem de Deus a Zorobabel tinha o objetivo de incentivá-lo na condição de líder do povo. Novamente Deus promete fazer tremer os céus e a terra conforme foi predito no capítulo 2, versos 6 à 9.

Há um dia específico para Deus fazer tremer os céus e a terra, e este dia não compete aos homens saber, pois Deus o estabeleceu pelo seu próprio poder ( At 1:7 ). A data quando o profeta anunciou a palavra de Deus é de conhecimento, pois o profeta deixou registrado (v. 20). Agora, quando se daria os eventos anunciados pelos profetas, eles mesmos inquiriam e indagavam acerca dos tempos e da salvação ( 1Pe 1:10 -11).

Quando Deus fará a terra e os céus tremer? O tempo estabelecido por Deus é: “Ainda uma vez, dentro em pouco”, ou seja, segundo o tempo que Deus estabeleceu ( Ag 2:6 ).

Como o céu e a terra será abalado? Através de tremores de terra (terremotos)? Mudanças climáticas acentuadas?

Ora, Deus disse a Zorobabel por intermédio de Ageu que, abalar céus e terra é o mesmo que transtornar o ‘trono’ dos reis e a destruição da força que sustentem o poder dos reinos “Farei abalar o céu e a terra; derrubarei o trono dos reinos e destruirei a força dos reinos das nações…” ( Ag 2:21 -22).

Como é possível destruir a força das nações? Derribando os homens dos seus cavalos de modo sobrenatural: cada homem cairá pela espada do outro “Naquele dia também haverá da parte do Senhor grande confusão entre eles; cada um agarrará mão do seu próximo, cada um levantará a sua mão contra o seu próximo” ( Zc 14:13 ).

Ageu demonstra que Deus haverá de abater as nações de modo espantoso e maravilhoso. O tempo em que as nações serão subvertidas não compete aos homens saber, mas Deus demonstra através de varias profecias que Deus haverá de entregar o poder dos reinos ao seu Cristo, conforme diz o Salmo segundo.

Observe que Ageu aponta dois momentos distintos da vida de Cristo. Ele aponta Cristo, o desejado de todas as nações adentrando no templo, o que tornou o templo que estava sendo desprezado superior em glória ao primeiro templo (Templo de Salomão). Ageu também demonstra uma fase na vida do Cristo que é sem par na história da humanidade, e refere-se a um futuro certo, porém, indeterminado no tempo.




Ageu 1 – A necessidade de construir o templo

Deus pergunta aos líderes do povo se era o tempo deles estarem morando em casas prontas (apaineladas), enquanto o templo estava em ruínas.


Ageu 1 – A necessidade de construir o templo

1 NO segundo ano do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR, por intermédio do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo:
2 Assim fala o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do SENHOR deve ser edificada.
3 Veio, pois, a palavra do SENHOR, por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
4 Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica deserta?
5 Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos.
6 Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, porém não vos fartais; bebeis, porém não vos saciais; vesti-vos, porém ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado.
7 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos.
8 Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei, e serei glorificado, diz o SENHOR.
9 Esperastes o muito, mas eis que veio a ser pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu dissipei com um sopro. Por que causa? disse o SENHOR dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está deserta, enquanto cada um de vós corre à sua própria casa.
10 Por isso retém os céus sobre vós o orvalho, e a terra detém os seus frutos.
11 E mandei vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz; como também sobre os homens, e sobre o gado, e sobre todo o trabalho das mãos.
12 Então Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e todo o restante do povo obedeceram à voz do SENHOR seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, assim como o SENHOR seu Deus o enviara; e temeu o povo diante do SENHOR.
13 Então Ageu, o mensageiro do SENHOR, falou ao povo conforme a mensagem do SENHOR, dizendo: Eu sou convosco, diz o SENHOR.
14 E o SENHOR suscitou o espírito de Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e o espírito de todo o restante do povo, e eles vieram, e fizeram a obra na casa do SENHOR dos Exércitos, seu Deus,
15 Ao vigésimo quarto dia do sexto mês, no segundo ano do rei Dario.

( Ag 1:1 -15)

 

Alerta aos Lideres

O nome Ageu significa ‘festivo’. Ele foi profeta para o restante de Judá deportado para a sua terra após os 70 anos de cativeiro.

Ageu deixou registrado cinco mensagens de Deus ao povo de Judá, e datou-as de acordo com o reinado gentílico dos medo-persa. Os estudiosos apontam Dario I Hystaspis como sendo o monarca à época.

Ora, não é porque Ageu datou as suas profecias que elas são consideradas as mais detalhadas. Observe que a função da profecia é consolar, edificar e exortar “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” ( 1Co 14:3 ), e, geralmente refere-se ao tempo presente dos ouvintes da mensagem.

A datação da profecia é possível, visto que ela visa consolar, edificar e exortar os ouvintes. Diferente é a visão, ou o oráculo, que refere-se a um tempo que não é pertinente aos homens saber, visto que o amanhã não pertence ao homem “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” ( Mt 6:34 ).

Jesus mesmo alertou acerca da coisas futuras: “Não vos pertence saber os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” ( At 1:7 ).

No primeiro dia, do sexto mês, do segundo ano de reinado do rei Dário (Dario I Hystaspis) profetizou Ageu ao governador de Judá Zorobabel e ao sumo sacerdote Josué, segundo a palavra do Senhor (v. 1).

Zorobabel era governador em Judá, sendo filho de Sealtiel. Já Josué era sumo sacerdote, filho de Jozadaque.

Por intermédio do profeta Ageu, Deus reproduz a fala do povo: “Não veio ainda o tempo, o tempo em que a casa do Senhor deve ser edificada” ( Ag 1:2 b). O povo estava desanimado quanto a reconstrução do templo.

Deus questiona a fala do povo através dos seus líderes: religioso e político. Respectivamente Judá e Zorobabel. Deus pergunta aos líderes do povo se era o tempo deles estarem morando em casas prontas (apaineladas), enquanto o templo estava em ruínas.

Ora, eles voltaram do cativeiro e o foco era construir as suas casas e terminá-las em todos os seus detalhes, mas não pensavam na restauração do templo.

Deus faz o povo relembrar o passado, para considerarem se não havia algo errado com eles. Eles semeavam muito e colhiam pouco. Comiam, mas não era o bastante para se fartarem. Bebiam, mas não estavam saciados. Apesar de estarem vestidos, não estavam aquecidos. Aqueles que recebiam salário era como se não recebessem (v. 6).

Deus chama o povo para analisarem o que estava ocorrendo com eles (v. 7).

Se eles percebessem que algo estava errado, que agilizassem a construção do templo. Que subissem ao monte e trouxessem madeira e construíssem o templo. Deus haveria de se agradar deles e ser glorificado (v. 8).

Enquanto o povo de Israel estivesse preocupado em construir as suas próprias casas, esquecendo-se do templo, Deus haveria de mitigar o que angariavam no dia-a-dia (v. 9).

Deus estava retendo o orvalho e os frutos da terra. A seca sobre a terra, a falta de cereal, de vinho, de azeite, e de tudo o que a terra produz era proveniente de Deus, uma vez que o povo não estava se importando com a reconstrução do templo.

As palavras de Deus por intermédio de Ageu visava restabelecer o culto em Judá. A profecia é conforme as leis do culto estipulada em Deuteronômio 12. Eles deviam reconstruir o templo porque foi ali o lugar que Deus escolheu para os filhos de Israel cultuarem a Deus ( Dt 12:10 -11).

Os cristãos não devem pautar a sua vida material e financeira segundo o estipulado nas palavras desta profecia ao povo de Judá. Porque? Por que a instabilidade na colheita, na alimentação, na bebida, nas vestes e no salário era um sinal de Deus ao povo de Israel conforme as palavras de Salomão quando da inauguração do primeiro Templo.

Ao orar a Deus, Salomão profetizou acerca do pecado de Israel e da sua dispersão entre os povos. Porém, quando orassem e suplicassem a Deus no templo, haveriam de ser perdoados ( 1Rs 8:33- 34).

Quando os céus se cerrassem, eles se lembrariam da palavras registradas por Salomão quando inaugurou o primeiro templo ( 1Rs 8:35 -36). A fome e todas as pragas seriam afastadas quando o povo orasse ao Senhor estendendo as suas mãos em direção ao templo ( 1Rs 8:37 -40).

Se o povo considerasse o passado, veriam que em nada tinham mudado. Continuavam do mesmo modo quando foram levados cativos. Ninguém havia considerado e verificado por que haviam sido dispersos. Todo mal sobreveio porque o povo havia pecado contra o Senhor. Agora que retornaram do cativeiro, continuavam centrados nos afazeres domésticos e não se lembravam do Senhor.

Ora, os cristãos não estão debaixo desta palavra, pois são templo e habitação do Deus vivo. Como foram recebidos por filhos, a correção do Senhor é diferente, conforme escreveu o escritor aos Hebreus ( Hb 12:5 -13).

 

Alerta aos Lideres e ao Povo

Diante da mensagem de Deus, Zorobabel e Josué, juntamente com o povo, atenderam a voz de Deus e se puseram a construir o templo.

Durante a construção do templo Deus confortou o povo dizendo: “Eu sou convosco, diz o Senhor” (v. 13b).

O povo atendeu a voz do Senhor, e após 24 dias da mensagem levada a Zorobabel e a Josué, a reconstrução do templo teve inicio (v. 15).

Observe que o povo e os lideres foram animados através da palavra do Senhor. Quando lemos no Novo Testamento o apóstolo Paulo dizendo: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” ( Ef 6:10 ), ele está recomendando que o cristão tome força na palavra de Deus, pois ela é o poder de Deus, para salvação e para fortalecer.

Através da profecia entregue por Ageu, o povo de Judá foi edificado, exortado e consolado.

 

1 NO sétimo mês, ao vigésimo primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
2 Fala agora a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e ao restante do povo, dizendo:
3 Quem há entre vós que tendo ficado, viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é esta como nada diante dos vossos olhos, comparada com aquela?
4 Ora, pois, esforça-te, Zorobabel, diz o SENHOR, e esforça-te, Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforça-te, todo o povo da terra, diz o SENHOR, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos,
5 Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais.
6 Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca;
7 E farei tremer todas as nações, e virão coisas preciosas de todas as nações, e encherei esta casa de glória, diz o SENHOR dos Exércitos.
8 Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos.
9 A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.

 

( Ag 2:1 -9)

 

A Glória do Segundo Templo

O Senhor convoca os velhos que anunciem diante do povo a diferença gritante entre o primeiro templo que foi destruído e o novo templo que estava sendo erguido.

Ora, somente os velhos viram a glória do Templo de Salomão e poderiam estabelecer uma relação com o templo que estava sendo erguido.

A pergunta é clara: “Quem há entre vós que, tendo edificado, viu esta casa na sua primeira glória?”. Como o cativeiro na terra dos caldeus durou 70 anos, ainda havia entre o povo quem viu o Templo de Salomão em sua magnificência arquitetônica.

Os velhos ao verem a casa do Senhor sendo construída, era como algo insignificante.

Deus esperava dos velhos que anunciassem aos jovem quão diferente eram os templos, pois este diferencial era essencial a mensagem que seria anunciada (v. 3).

Diante da aparente insignificância do novo templo, o governador de Judá tinha que ser forte. Josué tenha que ser forte. O povo tinha que ser forte, ou seja, confiar que o Senhor dos Exércitos estava com quem trabalhava na construção do novo templo.

Por que o povo devia aplicar-se ao trabalho no templo? Deus responde: “Porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos, segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saíste do Egito” ( Ag 2:4 -5). Ou seja, a aliança do Senhor não havia sido invalidada por causa da rebeldia de Israel. Eles podiam trabalhar fiados que Deus estava com eles, apesar da aparente insignificância do templo que estava sendo erguido.

Deus é categórico ao dizer: “O meu Espírito habita no meio de vós” (v. 5b). Por que Deus habita no meio do povo de Israel, e não no interior dos homens, como é o caso da Igreja? Porque para Deus habitar no homem é preciso circuncidarem os seus corações.

A circuncisão do coração só é possível através da fé em Deus, a mesma fé que teve o crente Abraão. Quem crê em Deus receberá a circuncisão que dá vida “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração dos teus descendentes, a fim de que ames o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Após a circuncisão do coração, obra exclusiva de Deus, é feito morada no interior do homem, pois Ele mesmo diz: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

O coração circuncidado é equivalente ao coração contrito. Somente quando Deus lança fora o coração enganoso e incorrigível ( Jr 17:9 ), é que ele torna-se contrito, e o habitar de Deus lhe concede vida, a vida que há em Deus “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” ( Sl 51:10 -11).

Naqueles que creem Deus faz morada em seus corações, mas no povo que foi escolhido, Deus habita no meio dele, ou seja, Deus não habita no interior dos homens (indivíduos), e sim, no meio do povo (coletivo).

Por causa da aliança que Deus fez com o povo de Israel, quando eles foram tirados do Egito, é que o Espírito de Deus permanecia com o povo (v. 5). Esta promessa foi feita a Moisés, como se lê: “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir deste lugar (…) Então disse o Senhor a Moisés: Farei também isso que disseste…” ( Ex 33:15 -17).

Deus promete ao povo e aos seus lideres que uma vez mais haveria de fazer tremer os céus e a terra, o mar e a terra. O tempo estipulado para ocorrer o evento prometido é incerto, mas Deus demonstra que será em breve. Com relação ao tempo, observe o diferencial entre esta promessa e o comentário ao verso 1, do capítulo 1, acerca das datas que Ageu colocou em cada profecia.

Embora alguns tradutores contestem a tradução de Almeida, por escrever: ‘virá o desejado de todas as nações’, ela é preferível a ideia que outros tradutores apresentam: ‘as coisas preciosas de todas as nações’.

É certo que no milênio as nações trarão das suas riquezas a Jerusalém “Então o verás, e serás iluminado, e o teu coração estremecerá e se alargará; porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas dos gentios virão a ti” ( Is 60:5 ), porém, a riqueza do qual o profeta faz referência e que as nações desejam, não diz de bens materiais.

Deus haveria de fazer tremer todas as nações e o desejo de todas elas haveria de vir. Aquele que veio e encheu de glória o templo que estava sendo construído pelo povo sob a supervisão de Zorobabel foi Cristo, o Messias. Ora, Cristo é o prometido a Israel, e o desejado de todas as nações.

Ora, todas as nações desejam ter um rei e um sacerdote como o Messias de Israel. O que as nações desejam foi concedido ao povo de Israel. Ele veio para os que eram seus, mas eles não o receberam.

As coisas preciosas (riquezas) das nações também serão levadas para um templo em Israel, porém, tal profecia não refere-se ao templo que foi construído pelo povo que retornou do cativeiro, pois ele foi destruído por Tito, General Romano, no ano 70 d. C.

Deus promete ao povo que haveria de encher a casa da sua glória. O primeiro Templo encheu-se de uma nuvem escura, e os sacerdotes não podiam ficar em pé, por causa da nuvem, pois a glória de Deus encheu a casa ( 2Cr 5:14 e 2Cr 6:1). Eles não puderam contemplar a glória do Senhor, pois nem mesmo a nuvem escura suportaram.

Porém, segundo relatou o apóstolo João, eles viram a glória do Senhor. Deus se fez carne e habitou (residiu) entre os homens. E muitos à época puderam contemplar a glória de Deus, a glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade ( Jo 1:14 ).

Deus enfatiza ao povo de Israel, que à época estava empobrecido, que Ele é o dono da prata e o dono do ouro. Por que Deus enfatiza que é dono das riquezas que há no mundo? Porque os velhos iriam relatar a grandeza e a riqueza despendida na construção do primeiro templo por Salomão.

Muitos dentre o povo iriam questionar: Se Deus é o dono do ouro e da prata, por que a dificuldade na construção do templo? Por que o templo era menor e inferior ao templo construído por Salomão, se este teria maior glória? Como seria isto possível?

Deus afirma ser o dono do ouro e da prata e aponta uma glória maior para o templo que estava sendo construído, se comparado com a glória do templo de Salomão.

A glória seria proveniente do ouro e da prata a ser empregada na construção? Não! Embora Deus é o dona do ouro e da prata, a glória seria maior porque Deus haveria da a paz tão almejada ao longo dos séculos.

A glória maior do segundo templo seria proveniente da paz que Deus estabeleceria entre Ele e os homens. Como Cristo, que é a paz de Deus concedida aos homens ( Ef 2:14 ), haveria de adentrar o templo que estava sendo construído, a glória do templo superou em muito a glória do primeiro templo.

Enquanto no templo construído por Salomão os sacerdotes não conseguiram ver a glória de Deus (não aguentaram ver uma nuvem escura), no novo templo, todos os homens viram a glória de Deus manifesta aos homens, como o Unigênito de Deus.

Enquanto no primeiro templo era necessário a figura do sacerdote para o homem ter acesso a Deus, no segundo templo, todos que quisessem tiveram acesso a Cristo. Ele mesmo disse ao povo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ).

Quem eram os cansado que foram convidados a ir a Cristo? Todos os pecadores, sem exceção! Observe que não há uma instituição e nem sacerdotes para fazer mediação entre Cristo e os pecadores. Ele mesmo disse: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” ( Mt 9:13 ).




É possível tomar o reino dos céus à força

A voz de Cristo ecoou em Jerusalém, e os seus súditos por se acharem ricos e abastados não o atenderam. Os ricos de “violência” não reconheceram as suas misérias quando o rei clamou: “Bem-aventurado os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus” ( Mt 5:3 ). Eles se escandalizaram de Cristo e da sua mensagem ( Mt 11:6 ; Mt 13:57 ). A rejeição à justiça de Deus é violência ao reino dos céus. Onde não se estabelece a justiça há violência! ( Lc 11:50 ).


É possível tomar o reino dos céus à força

“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 )

O escritor Myer Pearman deixou registrado o seguinte na tentativa de explicar Mateus 11: 12:

Ninguém entra por descuido na vida cristã vitoriosa; são os ativos que tomam o Reino por assalto (Mt 11. 12)” Pearlman, Myer, Mateus, o Evangelho do Grande Rei, 1. ed, Rj, CPAD, 1995, pág. 42.

É isto mesmo que Jesus procurou evidenciar àqueles que O ouviam? Ele apregoou ao povo que é possível ao homem se apossar do reino dos céus à força?

Para compreender a ideia da mensagem que Jesus apregoou ao povo de Israel, é preciso analisar alguns textos da Escritura (Antigo Testamento).

 

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5 )

 

Quando o profeta Jeremias disse: “Maldito o homem que confia no homem”, ele quis demonstrar que o homem que confia em si mesmo é maldito. Mas, por que o homem que confia em si mesmo é maldito?

É certo que o homem não é maldito por utilizar a força dos seus braços para trabalhar e obter o seu sustento, uma vez que Deus determinou ao homem viver do suor do seu rosto ( Gn 3:19 ).

A quem Deus reputa por maldito?

Os ouvintes de Jeremias eram dados a seguir o propósito de seus corações malignos ( Jr 16:12 ), e não davam ouvidos a palavra do Senhor. Confiavam em suas capacidades de articulação política e desviavam-se da determinação divina.

Eles se apartavam do Senhor pela incredulidade, pois confiavam em si mesmos e em elementos provenientes da carne.

Diferente da perspectiva dos ouvintes de Jeremias é a perspectiva dos que conhecem a verdade do evangelho.

À época de Cristo os judeus confiavam na carne, ou seja, confiavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Através do evangelho de Cristo sabemos que todos que confiam na carne apartam o seu coração do Senhor “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:8 ).

Quando o homem confia em sua carne, rejeita a salvação que é proveniente dos braços de Deus, como se lê: “Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão” ( Is 51:5 ; Is 33:2 ).

Através da perspectiva do evangelho, verifica-se que Deus tem por maldito o homem que faz da carne a sua salvação, ou seja, que considera a descendência de Abraão (carne) o seu braço.

Sabemos que a fé (confiança) é a única maneira de o homem aproximar-se de Deus ( Hb 11:6 ). A ausência de fé mantém-no afastado de Deus, ou seja, apartado de Deus.

Mas, em que confiam os homens?

 

“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus” ( Sl 20:7 ).

 

Dentre aqueles que confiam em si, ou que seus próprios braços os ‘salvará’, há aqueles que confiam em carros e cavalos (riquezas). São os néscios ( Sl 49:6 -9 ; Lc 12:20 ). Porém, também há os que se dizem religiosos, que confiam em suas ‘boas’ ações e que elas os salvará.

Dentre estes, há aqueles que confiam na carne, ou seja, que faz da sua origem em Abraão a sua força (salvação) “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ).

Observe a presunção dos fariseus e escribas: ‘temos por pai a Abraão’, ou seja, eles consideravam que não precisavam de arrependimento, pois entendiam que já estavam salvos por simplesmente serem descendentes de Abraão. Eles confiavam efetivamente na carne.

O apóstolo Paulo demonstrou que jamais voltaria a confiar na carne como os demais judeus. Eles tinham zelo de Deus, porém, sem entendimento: “Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu:” ( Fl 3:4 ; Rm 10:2 ).

Enquanto o homem confia que é filho de Deus por ser descendente de outro homem (ex.: os judeus), permanecerá debaixo da maldição de Adão. Todos os homens são gerados em pecado e concebidos em pecado por serem descendentes de Adão, sendo, portanto, filhos da desobediência e da ira ( Sl 51:5 ).

Aqueles que confiam no Senhor, e cuja esperança é o Senhor, receberão um novo coração e um novo espírito, e serão chamados filhos de Deus, porém, é preciso crer conforme diz as Escrituras “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ).

Através deste versículo conseguimos determinar que:

a) Somente pela fé o homem aproxima-se de Deus;

b) A carne representa todos os elementos pertinentes ao velho homem criado em Adão;

c) O braço expressa força e salvação.

Se o homem confia na sua carne e faz dela a sua força, braço ou salvação, será maldito. Mas, quem crer em Deus verá o ‘braço’ do Senhor que é Cristo revelado aos homens “O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” ( Is 52:10 ).

 

“E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 )

Se a palavra de Deus a Zorobabel diz que não é por força e nem por violência, porque muitos entendem que é possível tomar o reino de Deus por assalto?

O erro na interpretação bíblica tem início quando se utiliza somente do trabalho de lexicógrafos para interpretá-la. Só porque a palavra grega ‘harpazeia’ significa apanhar, agarrar, arrebatar, isto não determina que seja possível tomar o reino dos céus à força.

É preciso comparar as coisas espirituais com as espirituais, ou seja, somente a Bíblia pode explicar a si mesma!

Os judeus entendiam que o ‘reino dos céus’ seria estabelecido quando eles obtivessem poder e força bélica, mas Deus disse a Zorobabel que não seria por força e nem por violência, antes é Deus quem faria todas as coisas, ou seja, pelo Espírito de Deus “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” ( Is 66:2 ).

O homem que confia na sua carne, ou melhor, que por meio de sua origem é agradável a Deus é aquele que não ‘treme’ da sua palavra. Quem confia na sua carne não é bem-aventurado, pois não reconhece que é um pobre de espírito.

Mas, todos aqueles que confiam no Senhor, que temem ao seu nome ou que ‘treme’ da sua palavra, são bem-aventurados, uma vez que Deus olha para os ‘pobres’ de espírito “E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar por minha causa” ( Mt 11:6 ).

Os pobres de espírito são aqueles que não se escandalizam da doutrina de Cristo! Para não se escandalizar de Cristo é preciso não confiar na carne, como fazia os escribas e fariseus.

Jesus disse que o homem é bem-aventurado por não se escandalizar dele, ou seja, a partir do momento que o homem treme (confia) da palavra de Deus, que é Cristo, ele é bem-aventurado.

Para isto Cristo veio: para anunciar as boas novas do evangelho aos pobres de espírito, aos que não confiam na carne ( Mt 11:5 )!

Jamais a força ou a violência poderia estabelecer o reino dos céus! Enquanto os habitantes de Jerusalém esperavam estabelecer o reino de Deus através de alianças políticas, ou através de forças bélicas, a palavra de Deus por intermédio dos seus profetas alertava: o reino de Deus haveria de se revelar em glória através do seu servo, o ‘Renovo’ ( Zc 3:8 ).

Somente o Renovo do Senhor, que é Cristo, estabeleceria o reino de Deus entre os homens.

Há muito tempo, bem antes de Zorobabel nascer, Ana profetizou: “Ele guarda os pés dos seus santos, porém os ímpios emudecem nas trevas. Não é pela força que prevalece o homem” ( 1Sm 2:9 ).

A exemplo de Ana, a força do homem deve estar no Senhor ( 1Sm 2:1 ). As outras mulheres confiam literalmente na carne, pois elas não eram estéreis. Ana, porém, por ser estéril, passou a confiar exclusivamente no Senhor “O arco dos fortes está quebrado, mas os fracos são cingidos de força” ( 1Sm 2:4 ).

 

“Os seus profetas são levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santuário, e fizeram violência à lei” ( Sf 3:4 )

 

Há muito tempo os profetas de Deus denunciavam a violência dos homens em Israel. Por não ouvirem a palavra de Deus, deixavam de confiar em Deus e distorciam a lei de Deus ao bel prazer.

Os profetas e sacerdotes em Israel não seguiam aquilo que Deus havia preceituado, porém sobrecarregavam o povo de regras para poderem surrupiá-los “Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazendo violência ao pobre e necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão” ( Ez 22:29 ).

A mesma mensagem anunciada por Jeremias é a de Sofonias: “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5); “Não ouve a voz, não aceita o castigo. Não confia no Senhor, nem se aproxima do seu Deus” ( Sf 3:2 ).

Embora a palavra de Deus fosse transmitida por intermédio dos seus profetas, o povo não ouviam a sua voz. Não confiavam em Deus, e por isso, apartavam-se do Deus, permanecendo debaixo de maldição.

Através desta primeira análise já é possível determinar se é possível a alguém pela força se apoderar do reino dos céus.

 

“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 )

 

Para compreender Mateus 11, verso 12 é preciso determinar o público alvo da mensagem de Cristo, ou seja, é preciso contextualizar o versículo.

Após instruir os seus discípulos, aproximou-se de Jesus os discípulos de João Batista ( Mt 11:1 -2). Eles foram enviados por João para saber se Cristo era aquele que estava por vir, ou se era preciso esperar outro (v. 3).

Os discípulos de João foram instruídos por Jesus e foram anunciar as obras de Cristo a João Batista, que estava preso (v. 4- 6).

Em seguida Jesus passou a dizer a multidão, ou seja, ao povo de Israel acerca da missão de João Batista.

Verifica-se, então, que a mensagem do verso 7 ao 19 foi direcionada ao povo de Israel, pessoas que precisavam crer em Cristo para serem salvas.

Para crer em Cristo o povo não podia escandalizar-se dele. Porém, o povo olhava a aparência e se escandalizavam da sua pessoa “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa” ( Mt 13:55 -57).

Jesus passou a demonstrar que João Batista foi enviado como precursor do reino dos céus, conforme o predito por Isaías ( Mt 11:10 ).

Jesus questiona o interesse do povo em ir ver João Batista. Por que a necessidade de ir ver um profeta, se não davam ouvido a sua mensagem? ( Mt 11:7 -9).

Jesus também demonstrou ao povo que, dentre os nascidos de mulher (homens e mulheres), não havia ninguém maior que João Batista. Porém, o menor dentre o reino dos céus era maior que João Batista.

Jesus destaca o papel de João Batista no reino dos homens, e demonstra que ele era o maior dentre os homens por ter sido escolhido como mensageiro do Senhor “Mas, então, que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, mais do que profeta (…) não apareceu alguém maior do que João Batista” ( Mt 11:9 -11 ).

Lucas registrou: “E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele” ( Lc 7:28 ).

Dentre os homens (nascidos de mulher) João era o maior, porém, o ‘menor’ dentre os homens e profetas, no reino dos céus é maior do que João, e consequentemente, maior do de todos os profetas. Como pode ser isso? Quando Cristo demonstra que o menor no reino dos céus é maior do que João, Jesus estava falando de sua pessoa. Cristo é maior que João Batista no reino dos céus (mas, o menor é maior do que ele no reino de Deus), pois, Cristo se fez o menor dentre os homens, assumindo a condição de servo, para ser o maior no reino ( Mt 11:11 ).

Tudo o que Jesus disse ficou na dependência de seus ouvintes (povo) darem crédito “E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que havia de vir” ( Mt 11:14 ).

 

“E, desde os dias de João o Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus…” ( Mt 11:12 )

 

Desde os dias que João Batista passou a anunciar o reino dos céus até aquele momento em que Jesus estava falando ao povo, estava ocorrendo violência ao reino dos céus.

Agora, surgem as perguntas: sobre que tipo de violência Jesus fez menção? Que é o advento do reino dos céus? Que tipo de força utilizam? E, por que a violência passou a ocorrer após o início do ministério de João Batista?

 

O Reino dos Céus

Sabemos que nos dias de João Batista passou a ser proclamado o reino dos céus “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:2 ). Como João era precursor de Jesus, verifica-se que o reino dos céus vincula-se a pessoa de Cristo.

A mensagem de Jesus e dos seus discípulos era: “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus” ( Mt 10:7 ).

Os fariseus ao interrogarem a Cristo acerca do reino dos céus obtiveram a seguinte resposta: “E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior” ( Lc 17:20 ).

Os homens queriam ver o reino de Deus, porém, não entendiam no que consistia o reino dos céus. Eles queriam dizer uns aos outros: Olha ali o reino dos céus, porém, não conseguiam identificar que o reino dos céus já estava entre os homens “Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” ( Lc 17:21 ).

Quando Jesus disse que “o reino de Deus está entre vós”, ele não disse que o reino havia se estabelecido no coração dos seus ouvintes (fariseus), antes demonstrou que o Cristo encarnado é o reino dos céus. ‘Dentro em vós’ também pode significar ‘no meio de vós’.

Ora, quando Jesus disse que ‘desde os dias de João Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus’, ele estava demonstrando que faziam violência a sua pessoa. Isto porque a mensagem de João era acerca da pessoa de Cristo, e Cristo também falava do seu ministério entre os homens.

Cristo identificou-se como sendo o reino de Deus entre os homens, alvo de ‘violência’ desde os dias de João Batista até aquele momento que Jesus estava falando ao povo de Israel.

Por que Jesus identifica-se como sendo o reino dos céus?

Porque Cristo é o filho de Davi, e será rei sobre o reino literal, físico e visível sobre Israel e o mundo. Uma vez que os judeus aguardavam o reino de Deus, Cristo sendo o rei, apresenta-se aos seus ‘súditos’, e o seus não o receberam simplesmente pela sua aparência exterior.

A igreja é templo e morada do Espírito de Deus proveniente da mensagem do evangelho, que é: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;” ( Mt 16:24 ). Desta forma o crente torna-se participante de Cristo (em Cristo = nova criatura), promessa superior e condição superior a de súdito do reino.

A igreja herda com Cristo todas as coisas ( Rm 8:17 ), e reinará em glória com Ele ( 2Tm 2:12 ).

A mensagem do reino dos céus foi apresentada inicialmente aos judeus, ou seja, os discípulos de Jesus não deviam ir em direção aos gentios “Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidades de samaritanos” ( Mt 10:5 ).

Embora os judeus esperassem um reino visível e físico, havia um aspecto da missão do Messias que desconheciam. Este aspecto que desconheciam sobre o Messias é demonstrado em Miqueias: “Porque o filho despreza o pai a filha se levanta contra a mãe, a nora contra a sogra; os inimigos do homem são os da sua própria casa” ( Mq 7:6 ).

Em sua primeira vinda, o Messias não traria paz aos reinos deste mundo e nem haveria de governá-los, antes traria espada, ou seja, julgamento e morte (quem não toma a sua cruz e vem a pós mim, não é digno de mim).

Para o homem não ser condenado com o mundo é preciso ser julgado com Cristo, tomando a sua própria cruz e morrer com Ele. Jesus jamais declararia paz ao mundo pecaminoso que teve origem em Adão.

Jesus trouxe espada, ou seja, todos que negam a si mesmo deixando a sua origem em Adão e morrem por amor a Cristo através da fé no evangelho, serão de novo criados em verdadeira justiça e santidade através do último Adão, que é Cristo.

 

A violência

 

“E, desde os dias de João o Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus…” ( Mt 11:12 )

Sabemos que não é possível aos homens tomarem o reino dos céus a força, e que não foi esta a ideia que Cristo transmitiu ao povo de Israel. É correta a tradução que diz: “Desde os dias de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” ( Mt 11:12 )?

Nunca foi possível aos homens ‘tomar’ o reino dos céus à força, e por que isto seria diferente nos dias de João Batista? O esforço humano é contado na conquista do reino dos céus?

Esta não é a ideia bíblica. Jamais será possível ao homem tomar posse do reino dos céus através da força. Seria aquela geração à época de Cristo diferente das demais? Vemos que não: “Mas, a quem hei de comparar esta geração?” ( Mt 11:16 ).

A geração à época de Cristo era indiferente a mensagem de Cristo, pois as suas obras era segundo a sabedoria carnal ( Mt 11:16 -19 ; Lc 11:50 ). Estes versos demonstram efetivamente que pelas obras ninguém pode entrar ou tomar por assalto o reino dos céus. Muito menos a geração dos dias de João Batista poderia tomar o reino dos céus a força.

Percebe-se através da fala de Cristo, quando anunciou que ‘faziam violência ao reino dos céus’, que é uma reprimenda, uma censura a atitude do povo de Israel que rejeitavam a justiça de Deus. O que eles queriam apresentar na conquista do reino dos céus eram verdadeiramente obras de violência “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ).

Por deixarem de dar crédito à palavra de Deus, estavam fazendo violência ao reino dos céus “Assim diz o SENHOR: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar” ( Jr 22:3 ).

Onde há falta de justiça, sobra a violência “Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro” ( Os 4:2 ). Onde não aceitam o conhecimento de Deus que estabelece a sua justiça, sobra obras de violência ( Os 4:6 ).

Ou seja, desde que começou ser anunciado o reino dos céus (desde João Batista até agora), faz-se violência ao reino dos céus, pois rejeitavam a mensagem de João e de Cristo “A voz do SENHOR clama à cidade e o que é sábio verá o teu nome. Ouvi a vara, e quem a ordenou. Ainda há na casa do ímpio tesouros da impiedade, e medida escassa, que é detestável? Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos? Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” ( Mq 6:9 -12).

A voz de Cristo ecoou em Jerusalém, e os seus súditos por se acharem ricos e abastados não o atenderam. Os ricos de “violência” não reconheceram as suas misérias quando o rei clamou: “Bem-aventurado os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus” ( Mt 5:3 ). Eles se escandalizaram de Cristo e da sua mensagem ( Mt 11:6 e Mt 13:57 ).

A rejeição à justiça de Deus é violência ao reino dos céus. Onde não se estabelece a justiça há violência! ( Lc 11:50 ).

 

Que Força?

 

“…e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 ).

Será que os ‘enérgicos’ lançam mão do reino dos céus? É possível apoderar-se dele através da força?

Sabemos que pela fé em Cristo é possível ao homem tornar-se participante do reino de Deus na condição de súdito. Porém, é impossível alguém apoderar-se dele, visto que o reino é do Senhor e do seu Cristo ( Ap 11:15 ).

A palavra ‘apoderam’ está mais para uma afronta ao reino do que para uma conquista.

Como é impossível ‘apoderar-se do reino’, a frase “…e pela força se apoderam dele” assume um valor irônico, pois apresenta um sentido oposto ao original. É comum em nossa literatura utilizar um termo com o sentido oposto ao original, e Jesus fez uso desse recurso com a ideia que se depreende da frase. Ele faz uma frase de valor irônico diante da impossibilidade dos homens ‘apoderarem-se’ do reino dos céus à força.

 

Ironia (figura de pensamento) – utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim, valor irônico. Alguns denominam de antífrase. Ex: O ministro foi sutil como um elefante.

 

Agora, faz-se necessário utilizar todo o conhecimento que adquirimos anteriormente.

  • É preciso lembrar que o público alvo da mensagem de Cristo era o povo incrédulo;
  • É preciso ter em mente que nada é por força e nem por violência no reino dos céus, antes é pelo Espírito de Deus;
  • É preciso compreender a relação que a Bíblia estabelece entre força, braço e salvação;
  • A força do homem é proveniente da carne, sendo que os gerados da carne são carnais, e, portanto, não podem agradar a Deus;

 

Quem confia na carne e faz dela a sua força simplesmente continua apartado do Senhor, pois diante de Deus só é agradável aquele que crê em Cristo como diz a Escritura.

Qual a força do homem na tentativa de alcançar o reino dos céus?

Os Zelotes queriam estabelecer o reino de Deus através da força bélica, pois não compreendiam no que consiste o reino e quem irá estabelecê-lo.

Os escribas e fariseus confiavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Eles confiavam na carne (origem em Abraão) como sendo a força ou o braço que lhes concedia o direito de serem participantes do reino de Deus.

O povo de Israel entendia que a força dele era proveniente da lei entregue por Moisés. Entendia que, pela lei alcançava força suficiente para conquistar o reino dos céus.

  • O povo esqueceu que “no estarem quietos”, haveria força ( Is 30:7 );
  • Esquecera que pela força o homem não prevalecerá ( 1Sm 2:9 );
  • Esquecera que não é por força e nem por violência ( Zc 4:6 );
  • Esquecera que o arco dos fortes está quebrado, ou seja, a força do forte é sem valia, uma vez que o arco para nada serve ( 1Sm 2:4 );
  • Esquecera que as outras nações não poderiam salvá-lo; esquecera que carros e cavalos não tem serventia; esquecera que as obras de suas mãos era sem valor ( Os 14:3 ).

 

“Não vos salvará a Assíria, não iremos montados em cavalos, e à obra das nossas mãos não diremos mais: Tu és o nosso Deus; porque por ti o órfão alcançará misericórdia” ( Os 14:3 ).

 

A mensagem de Jesus ao povo de Israel quando disse: “Desde os dias de João Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus, e pela força apoderam-se dele” ( Mt 11:12 ) é a mesma do profeta Isaías, que no capítulo 30, em resumo, diz: “Por isso, assim diz o Santo de Israel: porquanto rejeitais esta palavra, e confiais na opressão e perversidade, e sobre isso vos estribais, Por isso esta maldade vos será como a brecha de um alto muro que, formando uma barriga, está prestes a cair e cuja quebra virá subitamente” ( Is 30:11 -12).

Quem confia na opressão e na perversidade faz violência ao reino dos céus. Quem se estriba na violência, faz dela a sua força! Mas, a obra do homem (muro) proveniente da sua força está prestes a ruir subitamente.

 

“Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes” ( Is 30:15 )

 

A confiança em Cristo é a força que o homem precisa, mas eles não quiseram.




Salmo 28 – Uma Oração

Se tivessem observado a lei de Deus e atentado para as obras de Suas mãos, entenderiam que as boas ações dos homens na tentativa de alcançar a salvação são obras de violência diante d’Ele. Fariam como o salmista: confiariam (pediriam) no Senhor, que lhes perdoaria as transgressões e a culpa do pecado “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Sl 32:5).


 

1 A TI clamarei, ó SENHOR, Rocha minha; não emudeças para comigo; não aconteça, calando-te tu para comigo, que eu fique semelhante aos que descem ao abismo.
2 Ouve a voz das minhas súplicas, quando a ti clamar, quando levantar as minhas mãos para o teu santo oráculo.
3 Não me arrastes com os ímpios e com os que praticam a iniquidade; que falam de paz ao seu próximo, mas têm mal nos seus corações.
4 Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malícia dos seus esforços; dá-lhes conforme a obra das suas mãos; torna-lhes a sua recompensa.
5 Porquanto não atentam às obras do SENHOR, nem à obra das suas mãos; pois que ele os derrubará e não os reedificará.
6 Bendito seja o SENHOR, porque ouviu a voz das minhas súplicas.
7 O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; assim o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei.
8 O SENHOR é a força do seu povo; também é a força salvadora do seu ungido.
9 Salva o teu povo, e abençoa a tua herança; e apascenta-os e exalta-os para sempre.

 

Este Salmo de Davi divide-se em clamor (v. 1-5), adoração (v. 6) e testemunho (v. 7- 9).

O salmista roga ao Senhor porque confia n’Ele. A confiança do salmista deriva do amor e da fidelidade de Deus, atributos inabaláveis. O amor e a fidelidade de Deus fazem com que o salmista O compare a uma rocha, a um rochedo.

Davi roga a Deus que o ouça, que não ignore as suas súplicas para que a sua sorte não se equipare a dos que descem à cova. Embora Davi tenha explicitado que se não fosse atendido por Deus haveria de ser semelhante aos que descem à cova, ele não apresenta seus problemas pessoais.

O salmista reitera o seu pedido: que o Senhor simplesmente o atendesse, quando clamasse, ou quando levantasse as suas mãos na direção do templo ( Sl 28:2 ).

Do verso 3 ao 5 o salmista passa a enumerar as suas petições.

“Não me arrastes com os ímpios e com os que praticam a iniquidade” – O salmista não pede carros, cavalos, guerreiros, riquezas, mulheres, reinos ou vitórias sobre os seus inimigos em redor, antes que o Senhor o justifique. Como? Ora, como sabemos, Deus é santo e justo. Para Deus não deixar o salmista perecer com os pecadores é necessário que Deus o justifique. Quando o salmista diz: “Não me arrastes com os ímpios”, é um modo de o salmista pedir a Deus que não lhe impute pecado ( Sl 32:2 ).

Quem são os ímpios e os que praticam a iniquidade? Seriam os filisteus? Seriam os gentios? Não! O salmista aponta quem são os ímpios e os que praticam a iniquidade: são aqueles “…que falam de paz ao seu próximo, mas têm mal nos seus corações” ( Sl 28:3 b).

Havia muitos compatriotas do salmista que utilizavam o nome do Senhor, o Deus de paz, para falarem e relacionarem-se com o próximo. – Shalom! Shalom! Porém, para eles não havia paz “Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz” ( Is 59:8 ). É por isso que Jesus alerta: “Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! Entrará no reino dos céus…” ( Mt 7:21 ). Embora muitos falem de paz, o problema deles esta no coração “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” ( Mt 15:8 ).

Observe que é próprio aos ímpios falarem de paz, porém, através do profeta Isaías Deus dá o alerta: “Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus” ( Is 57:21 ). Jesus demonstra esta mesma verdade ao declarar: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ); “…que maquinam maldades no coração e vivem projetando guerras. Aguçam a língua como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” ( Sl 140:2 -3). Falam de paz, mas para ele não há paz. Clamam: Senhor, Senhor, porém, o coração está longe de Deus. Os ímpios, ou os que praticam a iniquidade, embora falem em paz, para eles não há paz, visto que a boca fala do que há em abundância no coração.

“Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malícia dos seus esforços” – É estranho quando lemos o salmista pedindo ao Senhor que recompense os ímpios segundo as suas obras. Este comportamento não é um tipo de maldade da parte do salmista? Não!

Porque a oração do salmista é segundo a vontade de Deus e será plenamente atendida “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” ( 1Jo 5:14 ). Como a petição de Davi é segundo a vontade de Deus?

A palavra de Deus é clara e expressa a sua vontade: “Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, e provo a mente, e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto das suas ações” ( Jr 17:10 ). O que é que o salmista pede? Que Deus realize o seu propósito, a sua vontade ( Mt 6:10 ). A petição do salmista será atendida, visto que ele nada pediu para gastar em seu próprio deleite ( Tg 4:3 ).

No Grande Tribunal do Trono Branco todos os homens ímpios receberão de Deus conforme as suas obras ( Ap 20:12 ), e não haverá acepção de pessoas ( Rm 2:6 e Rm 2:11 ).

Mas, o que será concedido àqueles que agem segundo a ‘malícia dos seus esforços’? O que isto quer dizer? A malícia diz do intento dos homens que buscam salvar-se por meio de suas boas ações, porém, estas ‘boas’ ações não passam de obra de violência diante de Deus “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há em suas mãos” ( Is 59:6 ).

A mensagem de Deus é clara: “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ). Porém, os homens querem tomar o reino de Deus através da malícia das suas forças “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele” ( Lc 16:16 ).

Aos homens ímpios, Deus lhes enviará ‘a sua recompensa’! O que será concedido àqueles que agem segundo a ‘malícia dos seus esforços’? A eles será dado ‘conforme a obra das suas mãos’, pois são obras de violência, obras segundo a malícia dos seus esforços, que não foram feitas em Deus! ( Jo 3:21 ).

Por que o salmista tem certeza que será atendido? Porque a retidão e a justiça de Deus serão estabelecidas “Ele mesmo julgará o mundo com justiça; exercerá juízo sobre povos com retidão” ( Sl 9:8 ).

“Porquanto não atentam às obras do SENHOR, nem à obra das suas mãos” – Os ímpios serão ‘derribados’, ‘destruídos’ porque Não observaram como o Senhor Deus procede. Se analisassem a lei de Deus saberiam como Ele procede para com os filhos dos homens “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” ( Sl 119:165 ).

 

“Pois não observaram como Javé procede, nem atendem às obras de Suas mãos”

Se tivessem observado a lei de Deus e atentado para as obras de Suas mãos, entenderiam que as boas ações dos homens na tentativa de alcançar a salvação são obras de violência diante d’Ele. Fariam como o salmista: confiariam (pediriam) no Senhor, que lhes perdoaria as transgressões e a culpa do pecado ( Sl 32:5 ).

Se observassem como o Senhor procede, rogariam conforme o salmista: Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ). No salmo 51 o salmista Davi roga ao Senhor aquilo que somente Ele pode fazer: ‘Cria’ por meio da sua palavra! Somente Deus é sujeito do verbo ‘Bara’ (cria) no hebraico. Somente Deus pode criar um novo homem com um novo coração e um novo espírito!

Somente após criar o novo homem com um novo coração e um novo espírito ( Ez 36:25- 27 ; Ef 4:24 ; 1Pe 1:3 e 1Pe 1:23 ), é que Deus o declara justo, justificado. A palavra grega traduzida é o verbo ‘dikaioo’, que significa fazer justo, tornar justo e/ou declarar justo. Quando Deus cria o novo homem, a nova criatura é declarada justa, isto porque ela de fato é justa, pois Deus a criou em verdadeira justiça e santidade, dando um novo coração e um novo espírito.

Quem foi de novo gerado segundo a palavra da verdade não perecerá com os ímpios ( Sl 28:3 ; Jo 1:12 ).

O brado pela salvação do Senhor ecoa: “Bendito seja o SENHOR, porque ouviu a voz das minhas súplicas” ( Sl 28:6 ). Muito tempo depois o apóstolo Pedro também bendiz pela salvação alcançada: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos…” ( 1Pe 1:3 ).

Quem suplica, clama e invoca é porque crê que Deus é galardoador. Quem invoca ao Senhor o achará, visto que está perto, e será atendido “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” ( Is 55:6 ).

O salmista bendiz ao Senhor porque foi atendido. Ele tinha certeza que não seria arrastado com os ímpios e com os que praticam a iniquidade, por causa da misericórdia e da fidelidade de Deus. O Senhor se revelou como força e escudo e o salmista confiou e foi atendido ( Sl 28:7 ).

Na presença do Senhor o salmista se farta de alegria por causa da graça alcançada, pois ele recebeu um novo coração e um novo espírito passando a estar em comunhão com Deus ( Sl 51:11 -12). A alegria que o salmista faz referência diz do regozijo da salvação ( Sl 51:12 ), pois não será arrastado com os ímpios ( Sl 51:11 ).

A obra realizada por Deus, a salvação dos homens, é o motivo do cântico do salmista Davi “…e com o meu canto o louvarei” ( Sl 28:7). Ver, temer e confiar no Senhor é o novo cântico posto na boca dos que são agraciados com a salvação de Deus “E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” ( Sl 40:3 ).

A mesma força salvadora destinada ao Ungido de Deus também é utilizada para com o povo que pertence ao Senhor (v. 8). O apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos em Éfeso demonstrou que, a suprema grandeza do poder de Deus manifesto em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos, também foi utilizado para com os cristãos “…e qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos, e fazendo-O sentar-se à sua mão direita nos céus…” ( Ef 1:19 – 20).

O Senhor salva o povo que lhe pertence, e abençoa os seus filhos (v. 9). O senhor abençoa os seus filhos com toda a sorte de bênçãos espirituais, fazendo-os assentar nas regiões celestiais em Cristo, conforme Cristo se assentou à mão direita de Deus ( Ef 1:3 ; Ef 1:20 e Ef 2:6 ).