Qual fruto o crente produz?

Analisando João 15, não é o fruto do espírito que glorifica a Deus, mas, o fruto produzido pelas varas, ligada à videira verdadeira, que glorificam a Deus.


Qual fruto o crente produz?

“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim, nada podeis fazer.” (João 15:5)

 

Ganhar almas

É comum ouvirmos que dar fruto é ganhar almas! Sermões e mais sermões, orientando os cristãos a produzirem fruto são ministrados e, na sua grande maioria, a ideia de frutificar ensinada, é conquistar almas para o reino de Deus.

No Sermão de Jesus, que consta no capítulo 15, do evangelho de João, Jesus se apresenta como a videira verdadeira e os que estão ligados a Ele, como as varas (Jo 15:2-5).

Daí a pergunta: um novo convertido constitui ‘fruto’ ou, ‘vara’? Considerando que qualquer que confessa a Cristo, como salvador, passa a estar ligado n’Ele, que é a videira verdadeira, isso significa que os novos ‘convertidos’ constituem-se varas e não fruto. Certo é que o cristão, como vara ligada à videira, produz fruto, porém, o fruto não são os novos convertidos, pois, todos os que se convertem, passam à condição de varas e não à condição de fruto.

Cada cristão é uma vara e, por isso mesmo, Jesus diz que os seus discípulos são as varas (plural). Já, com relação ao fruto, ele é apresentado no singular, o que demonstra que é impossível os novos convertidos serem fruto.

Analisando as Escrituras, evidencia-se que não há qualquer relação entre dar fruto e ‘ganhar almas’. Ou seja, tal colocação é decorrente de má compreensão das Escrituras.

Um cristão tem a função de plantar e o outro de regar, porém, dar o crescimento, é algo que pertence a Deus. Novos convertidos não são o ‘fruto’ produzido por outros cristãos, antes, varas ligadas à videira.

“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1 Co 3:7).

 

Moral e caráter

Outros apregoam que o fruto do cristão é a sua moral e o seu caráter. Para esse entendimento, apontam para o fruto do espírito que consta na epístola de Paulo aos Gálatas:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5:22; Ef 5:9).

O primeiro equívoco se dá ao atribuir à pessoa do Espírito Santo o ‘fruto do espírito’. Ora, se são as varas (cristãos) que produzem fruto, conclui-se que o fruto não é produzido pelo Espirito Santo, pois o Espírito Santo é o Consolador prometido (Jo 14:26; Jo 15:26) e não uma vara.

Em segundo lugar, se considerarmos que o ‘fruto é do espírito’, isso significa que tal fruto não diz do fruto das varas! O fruto provém das varas ou, do espírito?

Observe que, no capítulo 3, o apóstolo Paulo repreende os cristãos da Galácia, por terem iniciado a carreira cristã pelo espírito e que, após serem fascinados por doutrinas estranhas, estavam voltando à carne.

É imprescindível observar que o termo ‘espírito’ refere-se à verdade do evangelho, enquanto o termo ‘carne’ refere-se às questões decorrentes da lei, como circuncisão, tribo, nacionalidade, festas, sábados, luas, etc. Utilizando os termos ‘espírito’ e ‘carne’, o apóstolo dos gentios faz um contraponto entre ‘graça’ e ‘lei’.

Nesse sentido, os cristãos são ministros do espírito (2 Co 3:16), em outras palavras: pregoeiros da fé (Gl 3:10), diferentes dos judaizantes, que eram insensatos, ministros de um Velho Testamento, ou seja, da letra:

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2 Co 3:6);

A palavra de Cristo é espírito e vida (Jo 6:63), pois, Ele é espírito vivificante (1 Co 15:45), portanto, o fruto do espírito que o apóstolo Paulo descreve refere-se ao que o evangelho produz, que é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança.

Qualquer que se deixa guiar pelo evangelho (espírito), não está debaixo da lei (Gl 5:18), vez que crucificou a carne com as suas paixões e concupiscências e, portanto, pertence a Cristo (Gl 5:24).

Estar ligado à videira verdadeira não é uma questão moral ou, de caráter, antes, decorre da palavra de Cristo. Os cristãos são limpos por causa das palavras que Cristo falou e não por causa da moral ou, do caráter. Só é possível estar ligado à videira, após nascer da água e do espírito e não através de uma mudança de caráter ou, de prática de atitude moral (Jo 15:3; Jo 13:9-10).

Apesar de os filhos de Israel possuírem moral e caráter diferenciado da dos gentios, contudo, por estarem debaixo da lei, as suas obras eram manifestas: cobiçosos, idólatras, prostitutos, murmuradores, etc., pois, faziam da carne o seu braço (1 Co 10:6-10; Lc 19:11-12). O povo de Israel era contado como transgressor, motivo pelo qual foi dada a lei (1 Tm 1:9).

“Assim, diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5).

Os que confiam da carne, ou seja, na circuncisão, tribo, linhagem, zelo, fariseu, lei, etc., são malditos, pois fazem da carne o seu braço (força) e não confiam no Senhor (Fl 3:4-7). Já os que confiam em Deus, servem a Deus em espírito, ou seja, segundo a verdade do evangelho, que é água e espírito (Jo 3:5).

Aquele que está em Cristo é nova criatura, portanto, anda segundo o evangelho e não segundo a carne. Estar em Cristo é condição própria à nova criatura. Os que andam segundo o espírito são os que estão em Cristo Jesus, portanto, são novas criaturas:

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:1);

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17).

Os que estão em Cristo são reconhecidos pelas questões do espírito e os que são segundo a carne, pelas questões da carne. Daí, a recomendação paulina:

“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne e, ainda que, também, tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já não o conhecemos desse modo” (2 Co 5:16).

‘Carne’ é um modo de falar do que é exterior, não do coração, que leva o homem a gloriar-se:

“Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão, a que o é, exteriormente, na carne” (Rm 2:28);

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne” (Fl 3:3);

“Pois que, muitos se gloriam segundo a carne, eu, também, me gloriarei (…) São hebreus? Também, eu. São israelitas? Também, eu. São descendência de Abraão? Também, eu” (2 Co 11:18 e 22);

“Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a vos circuncidar, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. Porque nem, ainda, esses mesmos que se circuncidam, guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne” (Gl 6:12-13).

A circuncisão não concede a filiação de Abraão, antes, a fé (Rm 9:8; Gl 3:7 e 9). Os judeus, por sua vez, entendiam que ser descendente da carne de Abraão era o que os qualificava como filhos de Abraão, daí a confiança e o gloriar-se na carne.

Quem são as pessoas que vivem segundo a carne? Os israelitas! Nesse sentido, os filhos de Israel eram sujeitos à lei de Deus? Não! Antes, a inclinação deles era a morte, pois, não podiam agradar a Deus, visto que andavam segundo a carne (Rm 8:5-8).

Devemos ter em mente que ‘carne’ e ‘espírito’ são termos utilizados que remontam a alegoria de Sara e Hagar (Gl 4:24), esta, escrava e aquela, livre.

“Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o Espírito, assim é também agora” (Gl 4:29).

Essa alegoria é apresentada pelo apóstolo Paulo aos cristãos de Roma, através do exemplo do marido e da mulher. Pela lei a mulher está por toda vida ligada ao marido e somente será livre da lei do marido quando o marido morrer (Rm 7:1-3).

Pelo fato de Cristo ter morrido por todos e todos morrerem (2 Co 5:14-15), certo é que os cristãos estão mortos para a lei, por causa do corpo de Cristo, portanto, livres da lei (Rm 7:4 e 6). Desse modo, o cristão serve a Deus em novidade de espírito (evangelho) e não na velhice da letra (lei) (Rm 7:6).

Entretanto, o apóstolo Paulo lembra que, quando os cristãos estavam na carne, portanto, debaixo da lei (Gl 4:21), a lei somente realçava as paixões do pecado (Rm 7:5) e, assim, eram contados como transgressores (1 Tm 1:9). Embora a lei seja espiritual, qualquer que é carnal está vendido como escravo ao pecado (Rm 7:14-15) e, por mais que queira obedecer a Deus, estará fadado a fazer o que não quer, pois, é impossível a alguém na carne, sujeitar-se à lei de Deus (Rm 8:8).

Antes de crer em Cristo, o desejo do apóstolo Paulo era servir a Deus, tanto que ele era zeloso da lei, “Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível” (Fl 3:6). No entanto, o que ele queria fazer (servir a Deus), ele não fazia, mas o que aborrecia (não servir a Deus), acabava por fazer (Rm 7:15).

A vontade do apóstolo Paulo, quando era escravo do pecado e estava na carne, era servir a Deus, porém, fazia o que não queria, consentindo, assim, com a lei, que é boa.

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas, eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa” (Rm 7:14-16).

Embora, o prazer do apóstolo Paulo fosse a lei de Deus (Rm 7:22), por causa da carne, não era sujeito à lei de Deus (Rm 8:7-8). Esse quadro mudou quando Ele passou a andar segundo o evangelho (espírito) e não segundo a velhice da letra (carne).

De sorte que, com o entendimento que há no evangelho, o homem serve a lei de Deus, mas, com a carne, o homem somente tem zelo de Deus, porém, serve a lei do pecado (Rm 7:25; Rm 10:2).

 

Glorificar

Alguns entendem que glorificar a Deus é dar fruto, porém, Jesus é claro que o Pai é glorificado, quando as varas dão fruto.

“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15:8).

A ideia que muitos nutrem, acerca do glorificarem a Deus com palavras de ordem, como: ‘Aleluia’, ‘Glória’, etc., não é dar fruto, porque só é possível glorificar a Deus, dando fruto!

Observe que não é o fruto do espírito que glorifica a Deus, mas, o fruto produzido pela vara, ligada à videira verdadeira, que glorifica a Deus.

 

Qual o fruto produzido pelas varas?

O fruto produzido por aqueles que estão ligados a Cristo, diz do fruto dos lábios criados por Deus:

“Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” (Is 57:19).

A confissão de que Jesus é o Cristo, é o fruto dos lábios, que estabelece a paz, que excede todo entendimento, tanto para judeus (perto), quanto para gentios (longe).

A confissão do nome de Jesus é o fruto produzido pelas varas, pois, só por Cristo, é possível sacrifício de louvor:

“Portanto, ofereçamos sempre por ele, a Deus, sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome (Hb 13:15).

Quando o homem ouve a mensagem do evangelho, reconhece que é pecador e invoca a Cristo, rogando pelo perdão gracioso de todas as iniquidades, passando à condição de vara ligada a videira, então, oferecerá a Deus, como novilhos, os sacrifícios dos lábios, ou seja, a confissão de que Jesus Cristo é o Senhor, o fruto dos lábios (Os 14:2; Sl 50:14; Sl 51:15).

No Livro dos Provérbios, que foi escrito para se compreender os adágios, parábolas e enigmas (Pv 1:1-6), temos o seguinte verso:

“Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios, ficará satisfeito” (Pv 18:20).

‘Fruto’, em relação ao homem, está relacionado ao que procede dos lábios. Desse proverbio, o alerta:

“O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração, tira o mal, porque, da abundância do seu coração, fala a boca” (Lc 6:45).

Os homens sem Deus estão fartos dos renovos dos seus próprios lábios, pois, tudo o que dizem, procede dos seus corações enganosos.

Na Bíblia fruto está relacionado a palavras, como se lê:

“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Pv 25:11).

Em razão dessa verdade, Jesus alerta que não é possível identificar os falsos profetas pela aparência, pois são lobos devoradores que se disfarçam de ovelhas (Mt 7:15).

Como reconhecê-los? Pelos seus frutos!

“Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros, ou, figos dos abrolhos?” (Mt 7:16).

Os homens sem Deus produzem ‘frutos’ diversos, cada qual segundo os seus caminhos: “Portanto, comerão do fruto do seu caminho e fartar-se-ão dos seus próprios conselhos” (Pv 1:31), já o justo produz o fruto segundo a sua raiz:

“O ímpio deseja a rede dos maus, mas a raiz dos justos produz o seu fruto” (Pv 12:12).

Sabedor de que é pelo fruto que se conhece alguém, o evangelista João alerta acerca dos anticristos, apontando para a mensagem que anunciam, dizendo:

“AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne, é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne, não é de Deus; mas, este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” (1 Jo 4:1-3).

Deus é glorificado pelo fato de ter plantado árvores de justiça em Cristo, obras de Suas mãos (Is 60:21 e 61:3). Deus plantou, em Cristo, árvores de justiça, segundo o conselho de sua vontade, a fim de que os cristãos produzam muito fruto e constituam louvor à sua gloria (Ef 1:12; Is 43:7).

Qualquer que está em Cristo foi escolhido e designado para dar fruto, e o fruto permanecerá (Jo 15:16), o seja, o fruto que contém a semente que permanece para sempre:

“Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” (1Pe 1:25);

“Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus” (1Jo 4:15).

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto




Sacerdócio real ‘versus’ levitas

Quando o crente em Cristo ensina o evangelho, evangeliza um não crente ou, entoa uma canção, faz uma oração, etc., na verdade, está exercendo um sacerdócio, função que não tem relação alguma com o ministério desenvolvido pelos levitas da Antiga Aliança.


Sacerdócio real ‘versus’ levitas

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas, para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9).

 

Introdução

É comum, nas igrejas (congregações, comunidades) locais, os cantores e músicos evangélicos se autodenominarem levitas. Esse é um fenômeno recente nas comunidades evangélicas, daí alguns questionamentos: na Igreja, como corpo de Cristo, há levitas? O que entender por levitas, na Nova Aliança? Havia, na Antiga Aliança, a função de cantores e instrumentistas?

 

O fruto dos lábios

O crente em Cristo é geração escolhida, sacerdócio real, nação separada e povo comprado por bom preço, com uma missão especifica: anunciar as virtudes de Deus, que chamou os crentes das trevas para a Sua maravilhosa luz (Cl 1:13; 1 Co 6:20 e 7:23).

Por ter sido gerado de novo, o crente em Cristo é membro de um povo que pertence (adquirido) a Deus, portanto, separado (santificado) por Deus. Como o corpo de Cristo é constituído de iguais, o termo grego eκκλησία, traduzido por igreja, e transliterado ‘ekklesia’ (eclesia), passou a ser utilizado para nomear os membros do corpo de Cristo: uma assembleia de iguais, visto que todos são filhos de Deus, pela fé em Cristo!

“E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e vos separei dos povos, para serdes meus(Lv 20:26).

Ser ‘geração’, ‘nação’ e ‘povo’, é condição inerente ao crente, por estar em Cristo, ou seja, por ser uma nova criatura, gerada, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:24; 2 Co 5:17).

Agora, ‘sacerdócio’ aponta para a missão que o crente desempenha, como membro do corpo de Cristo! O cristão, ao exercer o seu sacerdócio, tem a missão de anunciar as virtudes de Deus, pois este é o sacrifício que Deus se agrada. O sacrifício exigido por Deus diz do ‘fruto dos lábios’, ou seja, anunciar ao mundo as virtudes de Deus!

“Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus, sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13:15).

Quando o crente admite (confessa) com os lábios que Jesus é o Cristo, vez que, com o coração creu que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos (Rm 10:9-10), Deus é glorificado. É tão somente na confissão de que Jesus é o Filho de Deus, que o homem oferece sacrifício de louvor a Deus, ou seja, o fruto dos lábios, pois, em confessar a Cristo, o crente glorifica a Deus.

“E me disse: Tu és meu servo; és Israel, aquele por quem hei de ser glorificado (Is 49:3).

Admitir que Jesus de Nazaré é o Cristo (Mt 16:16), ou seja, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo, é produzir o fruto pelo qual Deus é glorificado:

“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15:8).

Por três anos, Deus esperou que Israel (figueira) produzisse o fruto dos lábios, crendo em Cristo, a pedra que os edificadores rejeitaram, e confessando (louvor nos lábios) que Ele é a paz para os judeus (perto) e os gentios (longe), mas não produziram e foram cortados (Is 57:19; Lc 13:6-9).

Os cristãos são plantação do Senhor, por terem nascido da semente incorruptível, que é a palavra de Deus (Is 60:21 e Is 61:3). Ao anunciar a palavra de Deus, o cristão desempenha o seu sacerdócio, pois, através do fruto (louvor) dos seus lábios, anuncia a Cristo, um sacrifício santo e agradável!

“Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5).

Os verdadeiros adoradores, que o Pai procura, encontram-se em Cristo (Jo 4:24), pois adoram a Deus, em espírito e em verdade, uma vez que o evangelho é espírito e Cristo, a verdade (Jo 6:63; Fp 3:3). Os nascidos da carne, são carne e os nascidos do espírito, são espírito, portanto, estes, verdadeiros adoradores!

 

Levitas

Os “levitas” eram “descendentes da Tribo de Levi” e Levi, por sua vez, um dos doze filhos de Jacó. Os levitas eram ministros de Deus que cuidavam do serviço da tenda da congregação, auxiliares dos sacerdotes.

Dentre os levitas, alguns desempenhavam a função de sacerdotes, que eram os descendentes da família de Arão. Embora os sacerdotes fossem levitas e descendentes de Arão, os levitas cuidavam do tabernáculo e de seus utensílios, inclusive, eram responsáveis por carregar a tenda e os seus utensílios, durante a peregrinação pelo deserto, e os descendentes de Arão, que eram da Tribo de Levi, ofereciam a Deus dons e sacrifícios pelos homens (Hb 5:1).

“DEPOIS tu farás chegar a ti teu irmão Arão e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal, a saber: Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, os filhos de Arão” (Êx 28:1).

Para ser sacerdote, não bastava ser levita, tinha de ser, especificamente, da casa (descendência) de Arão! (Hb 5:4)

Não havia, na Antiga Aliança, alguém responsável por cânticos, músicas ou instrumentos musicais e, nem mesmo havia, durante o culto conduzido pelos sacerdotes, um momento de cânticos.

Encontramos, no Livro de Deuteronômio, Deus ordenando a Moisés que escrevesse um cântico profético, e que o ensinasse aos filhos de Israel, como testemunho em desfavor deles.

“Agora, pois, escrevei-vos este cântico e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel (Dt 31:19).

A mensagem do cântico era instrução para os filhos de Israel e o cântico, em si, um veículo para que a mensagem não fosse esquecida:

“E será que, quando o alcançarem muitos males e angústias, então este cântico responderá contra ele por testemunha, pois não será esquecido da boca de sua descendência; porquanto, conheço a sua boa imaginação, o que ele faz hoje, antes que o introduza na terra que tenho jurado” (Dt 31:20)

Daí, o cântico magnífico, no Capítulo 32, do Livro de Deuteronômio, denunciando que os filhos de Israel não eram filhos de Deus (Dt 32:5), sem entendimento das coisas de Deus (Dt 32:28; Sl 53:3), e a doutrina que ensinavam não passava de peçonha de víboras (Dt 32:32-33).

Muito tempo depois, o profeta Davi inseriu a música e os instrumentos musicais, como elemento assessório ao ministério dos profetas (1 Cr 25:1-3). Ora, alguns levitas eram cantores e instrumentistas, assim como, o rei Davi (2Cr 5:12-13), porém, o ministério de alguns levitas era o de profetizar, utilizando-se de instrumentos musicais, diferentemente de outros, que tinham atribuições como porteiros, guardas, padeiros, perfumistas, etc. (1 Cr 9:14-33).

As profecias de Davi e de alguns levitas, foram anunciadas ao povo, em forma de cânticos e poesias, poemas acompanhados de instrumentos musicais, o que facilitava o povo decorar o que ouviam no templo, visto que 98% da população não sabia ler.

O que é imprescindível no cântico é a mensagem, a doutrina, a profecia, etc., que deve ser obedecida, não a musicalidade, os instrumentos, os acordes, a voz, o conjunto, a dança, etc., que são elementos acessórios à mensagem.

Cânticos, canções, composições, etc., que não contém a mensagem do evangelho, são inócuos para a salvação e quem se aplica aos cânticos, sem obedecer ao mandamento de Deus (crer em Cristo, conforme as Escrituras) é manancial roto, sem vida, e não é aceito por Deus:

“Odeio, desprezo as vossas festas e as vossas assembleias solenes não me exalarão bom cheiro. E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas (Am 5:21-23).

Na Nova Aliança, não temos a figura dos levitas à semelhança dos homens que serviam na Antiga Aliança, que tinham a incumbência de conduzir a glória do Senhor sobre os ombros, com auxilio de varas, representada através da arca do Senhor (1 Cr 15:2).

“Porque havia sempre, naquele ofício, quatro porteiros principais, que eram levitas, e tinham a seu cargo as câmaras e os tesouros da Casa de Deus” (1 Cr 9:26);

“Quenanias, chefe dos levitas músicos, tinha o encargo de dirigir o canto, porque era perito nisso” (1 Cr 15:22)

Na igreja não temos levitas, porque a Igreja não possui paralelo com o Templo de Salomão, visto que o Templo de Salomão foi erguido com mãos humanas, no qual Deus não habita (At 17:24), e a Igreja está sendo erguida pelo descendente de Davi, sem auxilio de mãos humanas, no qual Deus habita.

A Igreja é o corpo de Cristo, templo santo ao Senhor, onde o Espírito Santo de Deus habita (1 Co 3:16). Os levitas eram ministros que cuidavam do templo auxiliando os sacerdotes, o crente, por sua vez, é ministro de Cristo e templo de Deus.

Os levitas tinham a incumbência de cuidar e de transportar os utensílios da tenda da congregação ou, prestavam serviço no templo (Nm 4:3-4), mas a glória do Senhor não estava sobre eles. Os levitas iam ao templo para adorar, os crentes em Cristo, por sua vez, são o templo, habitação do Altíssimo e adoram em todo tempo e em qualquer lugar.

Os levitas eram descendentes da tribo de Levi, separados por Deus para o serviço do culto na Antiga Aliança, e acabaram por não ter herança com os filhos de Israel (Dt 18:1-2). No corpo de Cristo não há subdivisão, pois todos são coerdeiros com Cristo e herdarão com Ele todas as coisas. Um levita não possui herança entre as onze tribos de Israel, já os membros do corpo de Cristo são herdeiros de Deus, vez que são filhos e coerdeiros de Cristo (Hb 9:15).

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17).

No exercício do seu sacerdócio, os cristãos são ministros do espírito, despenseiros dos mistérios de Deus, administrando aos outros a verdade do evangelho: o dom de Deus.

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (1 Co 4:1);

“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pe 4:10).

O apóstolo Paulo não queria ser considerado levita, e sim, ministro de Cristo, segundo a medida (padrão) do espirito (dom), segundo o que Deus repartiu a cada um:

“Pois, quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o SENHOR deu a cada um?” (1 Co 3:5; Rm 12:3 e 6).

Na qualidade de ministro de Jesus a serviço dos gentios, ministrando o evangelho, o apóstolo Paulo exercia o seu sacerdócio real, de modo que, assim era santificado pelo Espírito Santo, o que era ofertado pelos gentios.

“Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo” (Rm 15:16).

Ministro[1] diz de quem serve no templo, ou de alguém ocupado com o serviço do templo, um sacerdote ou dos servos de um rei. Quando é dito que o crente é sacerdócio real, é porque exerce o ministério do espírito, pelo dom do evangelho, que contém a virtude de Deus.

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2Co 3:6);

“Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder” (Ef 3:7).

 

Levita e a Igreja

Quando é feita a seguinte pergunta: – ‘Qual a verdadeira função dos levitas na Casa do Senhor?’, há um erro no questionamento, que induz a um equívoco, por causa de uma premissa errada.

Na casa do Senhor não há a função para levitas, considerando que a casa do Senhor diz do corpo de Cristo – a Igreja – e não de uma denominação, ou de uma igreja local.

“Porém vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios e na sua glória vos gloriareis” (Is 61:6);

“Mas, longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo” (Gl 6:14).

Não se pode confundir a função dos levitas da Antiga Aliança com a função dos diáconos na Nova Aliança.

O termo grego antigo διάκονος, traduzido por diácono, significa “ministro”, “servo”, “ajudante”, que é aplicado aos cristãos qualificados e selecionados para servir aos demais cristãos. Os diáconos são servos de Cristo, assim como os demais cristãos, e, em sujeição a Cristo, cuidam do interesse dos membros da igreja local.

Na igreja primitiva os diáconos foram comissionados para cuidar de questões materiais, como o sustento das viúvas (At 6:1). Em linhas gerais era uma espécie de tesoureiro da comunidade local, com a incumbência de tratar das necessidades dos mais pobres, visto que o estado não cuidava dessas questões (At 6:3).

O serviço do diácono, na igreja primitiva, devia primar pela equidade, de modo a não haver acepção de pessoas no momento da distribuição dos gêneros alimentícios. Para isso, os diáconos precisavam ser instruídos na palavra do evangelho, conscientes de que, no corpo de Cristo, não há melhor e nem pior, pois, todos são filhos de Deus, pela fé em Cristo.

Mas, apesar de um diácono ter a incumbência do serviço na comunidade local, com relação ao evangelho, exerce sacerdócio real como os demais, pois, também, é um despenseiro da graça de Deus.

Os levitas não podiam oferecer a gordura dos animais como os sacerdotes e nem podiam entrar no Santo dos Santos. Já os diáconos, com ousadia, têm acesso total a Deus, pelo novo e vivo caminho, consagrado através da carne de Cristo (Hb 10:19-20).

Quando o crente em Cristo ensina o evangelho, evangeliza um não crente ou, entoa uma canção, faz uma oração, etc., na verdade, está exercendo um sacerdócio, função que não tem relação alguma com o ministério desenvolvido pelos levitas da Antiga Aliança.

Arrogar para si a função de levita em uma igreja local é descabido, pois o sacerdócio araônico foi transitório, de modo que foi necessária a instituição de uma nova ordem: a ordem de Melquisedeque, rei de Salém (Hb 7:11). O Salmista Davi, muito depois da instituição do sacerdócio levítico, por intermédio de Arão, profetizou, acerca de Cristo, que Ele seria sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110:4; Hb 7:21).

O crente serve como membro do corpo de Cristo, do qual Cristo é a cabeça e, porque permanece eternamente, o seu sacerdócio é perpétuo: “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo” (Hb 7:24).

Um crente em Cristo é, acima de tudo, verdadeiro adorador, pois adora a Deus em espírito e em verdade. Em Cristo é santo e fiel, em qualquer lugar e em todo o tempo! Por crer em Cristo, realizou a obra de Deus, conforme Jesus asseverou aos seus ouvintes (Jo 6:29).

  • O crente não adora através de cânticos, danças, orações, jejuns, etc., pois esses recursos não são essenciais ao culto e, muitas das vezes somente refletem emoções da alma;
  • O crente não precisa de templo, pois é o templo;
  • O crente não precisa de sacrifício, pois apresenta o seu corpo e o fruto dos seus lábios, em sacrifício;
  • O crente não precisa de intermediário (sacerdote), pois tem amplo acesso ao trono da graça;
  • O crente não precisa de tempo ou de lugar para adorar a Deus, pois adora segundo o evangelho (espírito) e não na velhice da lei;
  • O crente goza de plena comunhão com Deus, pois tem comunhão com Cristo e os apóstolos em um mesmo espírito;
  • O crente goza de um nome e de uma posição superior à dos levitas: a de filhos e filhas.

Não queira se auto intitular levita, pois, foi honra concedida por Deus, somente aos descendentes da Tribo de Levi, da mesma forma que foi concedido à casa de Arão o sacerdócio. Assim como Cristo não se glorificou a si mesmo, antes foi Deus quem o honrou, ao estabelecê-Lo sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, contente-se com a posição superior que Deus te concedeu em Cristo: a condição de filho!

“E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão. Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote” (Hb 5:4-5).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “3011 λειτουργος leitourgos de um derivado de 2992 e 2041; TDNT – 4:229,526; n m 1) ministério público, empregado do estado 2) ministro, empregado 2a) assim de trabalhadores militares 2b) do templo 2b1) de alguém ocupado com coisas santas 2b2) de um sacerdote 2c) dos servos de um rei”, Dicionário Bíblico Strong.




Deus procura adorador ou adoração?

Deus procura adoradores, e não adoração, e os adoradores devem adorar em espírito e em verdade.


Deus procura adorador ou adoração?

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (João 4.23)

O que é necessário para adorar a Deus, em espírito e em verdade? É necessário ser gerado de Deus, pois, somente os nascidos do Espírito, são espirituais e verdadeiros “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3.6 ); “E nisto conhecemos que somos da verdade, e diante dele asseguraremos nossos corações” (1 João 3.19).

Para adorar a Deus é necessário ao homem ser espiritual e para ser espiritual é necessário ser nascido de Deus, condição decorrente do novo nascido ser participante da natureza divina (2 Pedro 1.4). Todo aquele que crê no Filho de Deus alcança a filiação divina (João 1.12), pois, aos que creem é concedido poder para serem feitos filhos de Deus: verdadeiros e espirituais (Efésios 4.24).

Todos os que creem no Unigênito Filho de Deus, que foi enviado ao mundo, nascem de novo (João 3.16; João 3.5), pois, Cristo é Espírito vivificante, o último Adão (1 Coríntios 15.45), e todos que d’Ele são gerados, são tal qual Ele é neste mundo.

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais” (1 Coríntios 15.48 -49; 1 João 4.17).

Somente os filhos de Deus, aqueles que são gerados segundo o último Adão, podem adorar a Deus em espírito e em verdade, pois, somente os filhos de Deus são espirituais e estão n’Aquele que é verdadeiro (1 João 5.20). Diante desta verdade, o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos, em Éfeso, demonstrando que eles foram criados, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4.24).

Todos os que são criados, segundo Deus, são novas criaturas, e estão assentados nas regiões celestiais em Cristo “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5.17; Efésios 1.3).

Os cristãos são:

  • Filhos de Deus (Gálatas 3.26 ; 1 João 3.1 -2);
  • Luz no Senhor “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (João 3.19); “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz” (Efésios 5.8); “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” (1 Tessalonicenses 5.5);
  • Pedras vivas (1 Pedro 2.5);
  • Sacrifício vivo (Romanos 12.1);
  • Sacerdócio real (1 Pedro 2.5);
  • Templos de Deus (1 Coríntios 3.16 -17);
  • Herdeiros e co-herdeiros (Romanos 8.17).

Todos os cristãos podem oferecer sacrifício a Deus, pois, são templos, exercem sacerdócio real e podem apresentar os seus corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus em um culto racional. Todas as vezes que professam o nome de Cristo, oferecem sacrifício de louvor, que é o fruto dos lábios (Romanos 12.1; Hebreus 13.15; Oseias 14.2; Provérbios 18.20).

A adoração não depende e nem está vinculado a templo, lugar, nacionalidade, sacrifícios, religiosidade, forma, ou rito, etc., pois, Jesus mesmo disse que nem em Samaria, nem em Jerusalém se adoraria o Pai, antes, em espírito e em verdade.

Para adorar a Deus basta que o Pai e o Filho façam morada no homem (João 14.23), e, no homem regenerado, todos os elementos essenciais ao culto estão presente: acesso a Deus, templo, sacerdócio e sacrifício.

Tudo o que relatamos é consequência da fé em Cristo, pois, Deus procura adoradores “… o Pai procura a tais…” (João 4.23). Quando se há verdadeiro adorador, a adoração é perene. Deus procura adoradores e estes, por sua vez, o adorarão, por estarem em Cristo, pois, Ele é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

Quando Abel e Caim foram adorar a Deus, resolveram oferecer, voluntariamente, uma oferta. Abel aproximou-se de Deus, pois cria na existência d’Ele e estava convicto de que Deus é galardoador dos que o buscam. Abel primeiramente foi aceito por Deus, e depois, a oferta. Deus aceitou em primeiro lugar o adorador, depois o sacrifício “Atentou o Senhor para Abel e para sua oferta…” (Gênesis 4.4).

Caim foi diferente, pois sabia da existência de Deus, mas quis se aproximar fiado que seria aceito pela oferta, e não em razão de Deus ser galardoador dos que O buscam. Primeiramente Caim foi rejeitado, e depois rejeitada a sua oferta “… mas para Caim e para a sua oferta não atentou” ( Gn 4:5 ).

O escritor aos Hebreus, ao fazer referencia a Caim e Abel, deixa claro que, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim e, mediante a fé, alcançou testemunho de que era justo. Em primeiro lugar, é necessário alcançar o testemunho de Deus, de que se é justo (justificação), e tudo o que for ofertado será aceito por Deus (Hebreus 11.4).

Assim como Cristo não veio oferecer sacrifico, antes, veio fazer a vontade do Pai (Hebreus 10.5 -9), Deus procura aqueles que faça a vontade d’Ele, ou seja, que creiam em Cristo (1 João 3.23). Em primeiro lugar, é necessário fazer a vontade de Deus e, somente assim, o sacrifício é recebido (Hebreus 10.9 -10).

Deus procura adoradores! Deus procura homens que façam a vontade d’Ele! Deus procura homens que O obedeçam, pois, melhor é obedecer do que oferecer sacrifícios.

“Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Samuel 15.22).

Os judeus se ocupavam dos sacrifícios, mas, quando foram concitados a obedecer a Deus, rejeitaram a Sua vontade “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo… “ (1 João 3.23).

É no adorador que Deus estabelece o seu louvor, pois os adoradores são criados cheios do fruto de justiça, para louvor e gloria da sua graça “Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Filipenses 1.11; Efésios 1.6).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto




O que é adorar em espírito e em verdade?

Muitos entendem que para adorar a Deus é necessário estar em um templo cercado de pessoas em atitude reverente. Para elas é preciso um momento de concentração, reforçado com meditação, rezas e orações. É o que chamam de ambiente propício. Este ambiente geralmente surge de um envolvimento emocional promovido pela expectativa de milagres, profecias, manifestações, etc. ( Jo 4:24 )


O que é adorar em espírito e em verdade?

“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” ( Jo 4:24 )

 

O que é a Verdade?

O que é a verdade? Do ponto de vista filosófico seria quase impossível dar uma resposta satisfatória a esta pergunta. Diante de Jesus Pilatos fez esta mesma pergunta com base em seu conhecimento filosófico de modo sarcástico ( Jo 18:38 ).

Porém, deixemos os problemas filosóficos de lado, uma vez que Jesus anunciou que veio dar testemunho da verdade, e que todos quantos deram crédito à sua palavra pertenciam à Verdade ( Jo 18:37 ).

O apóstolo Paulo, por sua vez, deixou registrado que Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Sabemos que Deus é verdadeiro do mesmo modo que Ele é luz ( 1Jo 1:5 e 1Jo 5:20 ). Também sabemos que quem não está em Deus é trevas, ou seja, é mentiroso ( 1Jo 1:5 ). Através destes versículos percebemos que, quando Paulo disse que Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso, ele estava fazendo referência à condição dos homens sem Deus ( Rm 3:10 à Rm 3:18 ).

Assim como os pecadores foram destituídos da glória de Deus e passaram à condição de trevas, todos os homens alienados de Deus igualmente tornaram-se mentirosos. Ao dizer que todos os homens são mentirosos, Paulo não estava se referindo a um tipo específico de conduta reprovável pela moral humana. Paulo fez referência à natureza humana decaída herdada de Adão!

Deus é luz, e todos quantos não estão em Deus são trevas. Deus é verdadeiro, e todos quantos não são participantes da sua natureza são mentirosos. Do mesmo modo que a injustiça dos homens contrasta com a justiça de Deus, a mentira dos homens contrasta com a verdade de Deus.

Paulo ao fazer referência ao seu antigo estado de alienação de Deus disse: “Mas, se por causa da minha mentira sobressai a verdade de Deus para sua glória, por que sou eu ainda julgado como pecador?” ( Rm 3:7 ). Ora, percebe-se que a condição de pecador é o mesmo que mentira.

Quando analisamos asserções como “Deus é luz”, ou “Deus é verdadeiro”, não devemos analisá-las do ponto de vista científico ou filosófico. Antes, é preciso compreender tais asserções como atributos de Deus. Quando a Bíblia estabelece o contraponto: “Deus é luz, e não há nele travas alguma”, a asserção “Deus é luz” demonstra que tudo que não está unido a Deus não tem relação nenhuma com Ele.

Jesus se apresentou como sendo o caminho, a verdade e a vida, ou seja, a única pessoa capaz de estabelecer comunhão entre Deus e os homens “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” ( Jo 14:6 ). O apóstolo Paulo demonstrou aos cristãos em Roma que todos os homens pecaram e foram alienados da glória de Deus por causa da desobediência de Adão. Jesus, por sua vez, ao se apresentar como o caminho, a verdade e a vida, promove a união dos homens com Deus. O homem por intermédio de Cristo passa a ser participante da glória de Deus.

Jesus compartilhou da sua glória com os que creem para que possam voltar à comunhão com o Pai “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ), pois tal glória foi perdida quando o homem pecou ( Rm 3:23 ).

De posse da glória concedida por Cristo, o homem deixa a condição de mentira e passa a ser verdadeiro, pois está na verdade.

 

“Em Verdade”

“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” ( 1Jo 5:20 )

O apóstolo João é claro ao demonstrar que Cristo é verdadeiro. Além dos cristãos terem ciência (saber) de que o Filho de Deus veio em carne, foi concedido também o entendimento (revelação) para que os cristãos passassem a estar unidos a Cristo (conhecermos).

A ideia da palavra ‘conhecer’ empregada pelo apóstolo João neste versículo é ‘estar unido a…’, ‘em comunhão com…’, ‘um só corpo’. Quando lemos que conhecemos a Deus, ou antes, que Ele nos conheceu, é o mesmo que dizer que estamos em plena comunhão com Ele ( Gl 4:9 ). Ex: Quando a Bíblia diz que ‘conheceu’ o homem a mulher, ela aponta comunhão íntima, um só corpo.

Quando o homem sem Deus (mentiroso) alcança o entendimento através da mensagem do evangelho, passa a conhecer (comunhão) o que é verdadeiro, ou seja, deixa a condição de mentira e passa a compartilhar da Verdade. João, ciente desta maravilhosa verdade, anuncia: “… no que é verdadeiro estamos…”, ou seja, estar ‘em Cristo’ é o mesmo que estar ‘em verdade’.

A condição ‘em verdade’ é proveniente de uma nova criação, como bem assevera o apóstolo Paulo: “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). O novo homem é criado por Deus ‘em verdadeira’ justiça e santidade. É por isso que todo aquele que está ‘em Cristo’ é uma nova criatura.

Muitos gramáticos são unânimes em reconhecer que a sintaxe e o estilo dos escritores do Novo Testamento possuem características que são próprias e exclusiva do evangelho. Vale salientar uma destas características, pois ela ajudará na composição da ideia ’em verdade’.

A frase preposicional ’em Cristo’ no grego é um uso específico do dativo. Como é sabido, antes dos escritores do Novo Testamento não há registro de que alguém dentre os gregos tenha utilizado o dativo preposicionado para expressar ideias como ’em Platão’, ’em Sócrates’, etc. Somente no Novo Testamento encontramos frases com este uso específico do dativo.

O capítulo 1 da carta aos Efésios aponta este uso do dativo em frase preposicional. O elemento gramatical mais repetido é a preposição grega ‘’, correspondente ao nosso “em”, seguida do dativo ‘Χριστ’. Ela vem com o pronome pessoal (“nele”), ou com um nome (“em Cristo”, “no Amado”).

A nova criatura resulta de uma nova criação de Deus. A nova criação é feita em verdadeira justiça e santidade. Cristo é a verdade, e todos que estão em Cristo são igualmente verdadeiros, porque no que é Verdadeiro os que creem estão ( 1Jo 5:20 ).

Com base no que analisamos, adorar ‘em verdade’ é o mesmo que estar em comunhão com Cristo. Ou seja, não se refere à atitude do adorador, ou ao ambiente que o adorador se encontra, antes diz da condição da nova criatura.

 

Como ser Verdadeiro?

A ideia da verdade, ou do que é verdadeiro que Jesus apresenta não tem relação com sentimento e práticas humanas cotidianas. A ideia de que ser verdadeiro é ser autêntico, ou seja, cercado de virtudes humanas, não se refere à verdade que Cristo estabeleceu.

Para que o homem seja verdadeiro é preciso estar unido a Cristo, em comunhão com Deus. Como? Ora, a comunhão com Deus é estabelecida através da mensagem do evangelho “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” ( 1Jo 1:3 ). O que é que João ouviu e estava retransmitindo aos Cristãos para que tivessem comunhão com Deus? A mensagem do evangelho!

A mensagem do evangelho constitui-se no chamado de Deus para que os homens estejam unidos a Ele “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” ( 1Co 1:9 ).

Após ouvir a mensagem do evangelho e crer em Cristo como o enviado de Deus, conforme diz as escrituras, o homem passa a viver ’em verdade’. Passa a compartilhar da vida que há em Deus, como luzeiros no mundo que jaz em trevas.

O homem que crê na mensagem do evangelho é novamente criado ’em verdade’. É produto do milagre da regeneração. O novo nascimento é o acesso (porta) para a glória de Deus. Quem estava alienado, agora passa a ver a glória de Deus, como está escrito: “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (João 11: 40).

Através do ouvir a mensagem do evangelho o homem passa a crer na esperança proposta, ou seja, a fé vem pelo ouvir. O evangelho é poder de Deus para os que creem, que faz dos homens que eram filhos de Adão filhos de Deus ( Jo 1:12 ; Jo 1:13; Rm 1:16 ). O poder regenerador da fé (evangelho) faz com que o homem passe a compartilhar a glória de Deus ( Jo 17:22 ; Jo 17:23 ).

 

Em espírito

“O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito” ( Jo 3:6 )

Pelo fato de os homens serem descendentes de Adão são designados carnais. Além de possuírem um corpo constituído de carne, a natureza dos homens sem Deus é designada ‘carnal’.

O que é ser carnal? ‘Carnal’ refere-se à natureza decaída, alienada de Deus, que foi herdada de Adão. Quem é carnal, ou seja, descendente na carne de Adão não pode agradar a Deus. Esta é uma condição intrínseca a natureza herdada de Adão. Por mais que uma pessoa tenha intenção e vontade de adorar a Deus, e não é nascida de novo, conforme o que propõe a mensagem do evangelho, não poderá agradar a Deus ( Rm 8:8 ).

Por ser gerada de Adão a tendência nata da carne é a morte. Quando falamos da tendência da carne como sendo morte, não nos referimos à morte física do homem, antes à alienação (separação) de Deus ( Rm 8:7 ).

Porém, do mesmo modo que os nascidos de Adão são carnais, os nascidos segundo o último Adão são espirituais. Como? Ora, do mesmo modo que o Espírito Eterno, que fez ressurgir o Cristo dentre os mortos, ele fez ressurgir os que creem e habita neles ( Rm 8:9 ).

Pelo fato de os cristãos terem o Espírito de Cristo, isto indica que também são filhos de Deus, portanto, espirituais. Todos quantos são nascidos de Deus (Espírito) são filhos de Deus (espírito).

 

Adorar em espírito e em verdade

Muitos pensam que para adorar a Deus é necessário estar em um templo cercado de pessoas em atitude reverente. Para elas é preciso um momento de concentração, reforçado com meditação, rezas e orações. É o que chamam de ambiente propício. Este ambiente geralmente surge de um envolvimento emocional promovido pela expectativa de milagres, profecias, manifestações, etc.

Consideram que adorar a Deus em espírito e em verdade é fruto da emoção, da vontade e do intelecto do homem. Para Eles adoração sem emoção, ou sem intelecto não é adoração, e é possível adorar em verdade sem ter nascido do Espírito, ou adorar em espírito sem ter nascido da Verdade.

A Bíblia demonstra que, se o homem adora em espírito, concomitantemente ele está na Verdade, e se adora ’em verdade’ é porque vive em Espírito! Adoração não é um estilo de vida como apregoam. Adorar em espírito e em verdade só é possível quando se conhece a Deus, ou seja, quando Deus passa a habitar no homem “O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” ( Jo 14:17 ).

Quando é que o homem passa a estar em Deus e Deus no homem, fazendo morada? ( 1Co 3:16 ). Somente após crer na mensagem do evangelho “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

Muitos se escudam no legalismo, outros no formalismo, sem nos esquecermos dos tradicionalistas. Os emocionalistas acusam os racionalistas, e surgem inúmeras forma de fanatismos. Porém, todos se esquecem que somente os nascidos de novo podem adorar a Deus em espírito e em verdade.

Quando o homem nasce de novo através da mensagem do evangelho, não há um tempo ou lugar específico para adorar. Os verdadeiros adoradores adoram em todo tempo e em todos os lugares.

  • Um verdadeiro adorador não está vinculado a templos, pois é templo e morada do Espírito Santo ( 1Co 3:16 );
  • Um verdadeiro adorador não necessita de sacrifícios, pois é sacrifício vivo, santo e agradável a Deus ( Rm 12:1 );
  • Um verdadeiro adorador oferta a Deus sacrifício de louvor, ou seja, o fruto dos lábios que professam a Cristo ( Hb 13:15 );
  • Um verdadeiro adorador não precisa de intermediário, pois exerce sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais a Deus ( 1Pe 2:5 );
  • Um verdadeiro adorador não precisa de tempo específico, pois o momento da adoração foi estabelecido quando Cristo chegou entre os homens, em que os verdadeiros adoradores adoram em espírito e em verdade ( Jo 4:23 ).

Em suma: para adorar em espírito e em verdade é preciso crer no que anunciou os profetas: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e um espírito novo (…) Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 18:31 ; Ez 36:25 -27).

Somente o Espírito Eterno “Então (Deus) aspergirei…” (v. 31), pode purificar o homem através da palavra do evangelho (água pura). O ‘aspergir água pura’ é o mesmo que nascer da água. Somente Deus pode aspergir a água pura, ou seja, o nascer do Espírito. Somente Deus pode fazer do homem uma nova criatura, com novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Is 57:15 ).

A nova criatura, ou o novo homem em Cristo é gerado de Deus para a sua glória ( Jo 1:12 ). Deus cria, forma e faz o novo homem em verdadeira justiça e santidade para a sua própria glória “A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória, os formei, e também os fiz” ( Is 43:7 ). Somente os nascidos da água e do Espírito, ou seja, da verdade e do Espírito são capazes de adorar a Deus em espírito e em verdade, pois estes foram criados para louvor da glória de Deus, ou seja, adoração verdadeira ( Ef 1:6 ; Ef 1:12 e Ef 1:14 ).

O verdadeiro louvor e adoração são provenientes da obra criada por Deus (nova criatura), pois quem dentre as suas criaturas poderá acrescentar honra, glória e louvor a Deus? É por isso que Deus faz todas as coisas para louvor de sua glória!




O descanso verdadeiro

Cristo é o descanso, o refrigério verdadeiro aos cansados, pois por Ele é possível a verdadeira adoração.


“Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” ( Is 28:12 )

Os seguidores de certos posicionamentos judaizantes geralmente fazem as seguintes perguntas a fim de confirmarem suas alegações acerca do sábado: Quem mudou o dia de adoração do sábado, o sétimo dia da semana, para o domingo, o primeiro dia da semana? Quando foi feita essa mudança? Será que Deus autorizou essa mudança?

Estas perguntas contêm certos elementos da doutrina judaizante, visto que buscam um retorno à lei mosaica e apresentavam a circuncisão e os sábado como elementos essenciais para o cristão ser salvo. Para os da circuncisão (judaizantes) o apóstolo Paulo apresentou a seguinte resposta: “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne” ( Fl 3:3 ).

Da resposta paulina temos dois conceitos:

  • A verdadeira circuncisão é servir a Deus em espírito, pois só serve a Deus os que foram submetidos à circuncisão de Cristo, que não é feita no prepúcio, antes se dá no coração, onde é lançado fora todo o corpo do pecado “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo” ( Cl 2:11 ). Somente em Cristo o homem consegue cumprir a lei, pois somente através d’Ele é possível fazer a circuncisão sem o auxilio de mãos humana, a do coração “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ; Jr 4:4 );
  • O cristão não se gloria do que é pertinente a carne (genealogia, circuncisão, nacionalidade, dias, festas, etc.), tais como ser descendente da carne de Abraão, ter sido circuncidado, participar das festas da lei, oferecer os sacrifícios segundo a lei, o descanso do corpo em dias específicos, etc.

Ou seja, o apóstolo Paulo deixa claro que o cristão não serve a Deus segundo a carne, mas em espírito. Mas, como se serve a Deus em espírito? Não há um lugar específico? Um dia propício para tal serviço?

Quando o homem vincula a adoração a objetos, dias, festas, sacrifícios, etc., é porque não sabe o que é adorar em espírito e nem com de estabeleceu a justiça de Deus. Adorar em espírito só é possível àqueles que nasceram de novo, ou seja, foram de novo gerados através da palavra de Deus, a semente incorruptível.

É através do evangelho, que é poder de Deus, que Deus estabelece a sua justiça, ou seja, Ele é quem justifica o homem com base no seu poder, que é o evangelho ( Rm 1:16 -17 ).

Cristo é Senhor do Sábado, o descanso verdadeiro, por quem os verdadeiros adoradores são gerados segundo o que o Pai procura. Todos que entram por Cristo não necessitam se preocupar com o lugar (Samaria ou Jerusalém), ou o com o tempo (dias) de adoração, pois Cristo é a posteridade prometida e, com o seu advento chegou a hora em que adoradores adorariam o Pai em verdade e em justiça “Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro” ( Gl 3:19 ); “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” ( Jo 4:21 -24).

Jesus deixa claro à samaritana que estava ocorrendo uma mudança autorizada pelo Pai ( Jo 4:23 ).

Na mudança estabelecida por Cristo, os dias de festas, luas novas, sábados, etc., deixaram de ter importância, o importante agora é ser uma nova criatura, visto que o que na antiga aliança parecia depender de lugar e de um tempo específico, Jesus demonstrou ser possível naquele exato momento e naquele lugar ( Gl 6:15 ). A hora já chegou!

Os judeus consideravam que os dias estabelecidos eram essenciais a adoração, destacando entre eles o dia de sábado, mas Cristo demonstrou que a verdadeira adoração só é possível através do poder de Deus, que é Cristo. Ele mudou a adoração que eram em dias específicos, semanas, luas, etc., para ser em todos os momentos e, o lugar deixou de ser apenas na cidade de Jerusalém para ser em todos os lugares, pois com a vinda do Messias as pessoas passaram a ser o sacrifício, o templo e a morada do espírito ( 1Co 3:16 ).

Após a mudança instituída por Cristo não há que o homem reclamar de que não há tempo para adoração, com base no antigo argumento de que o local era longe ou que era necessário aguardar tempos específicos como dias, meses, luas novas, semanas, sábados, etc.

Antes do advento do Messias, o pecado era apenas coberto com sangue de animais, representado a futura obra de Deus, o transitório seria definitivamente substituído, pois somente o Cordeiro de Deus faria a obra perfeita: tirar o pecado do mundo.

Agora, na condição de templos, sacerdotes e sacrifícios vivos, os homens podem em todo momento e em qualquer lugar oferecerem sacrifícios de louvor que é o fruto dos lábios que professam a Cristo ( Hb 13:15 ; Rm 12:1 ), pois são templo de Deus e possuem livre acesso ao trono da graça ( 1Pe 2:5 ; Hb 10:19 ).

O ritmo frenético do dia a dia não se constitui obstes em servir a Deus, pois agora já não se serve com base na velhice da letra, antes se serve a Deus através do conhecimento do Santo, que é Cristo ( Rm 10:2 ; Pv 9:10 ).

Quando Jesus ofereceu descanso, alivio aos cansados e oprimidos não estava oferecendo solução para os problemas diários dos homens, pois a fatiga do dia a dia é pertinente a todos os homens em decorrência do julgamento que se deu no Éden. A existência terrena sempre será afadigada, pois assim determinou Deus, seria um contra senso o Filho que faz a vontade do Pai contrariá-lo ( Gn 3:17 ). Se o homem esperar em Cristo por causa de questões pertinente a esta vida é o mais miserável dos homens, pois o trabalho e as aflições dele decorrentes foram estabelecidas por Deus ( Ec 3:10 ); “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” ( 1Co 15:19 ).

Mas, o que Jesus ofereceu ao dizer: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” ( Mt 11:28 -30)? Ele ofereceu alivio para os que estavam sob o jugo do pecado, e descanso para os que levavam o fardo pesado da lei mosaica. Jesus veio salvar o que se havia perdido, e não conceder aos homens qualidade existencial.

Os problemas de família, trabalho, estresse, qualidade de alimentação, férias, etc., são questões que o homem pode e deve resolver, pois faz parte de sua disposição interna (vontade) e isto é de inteira competência dos homens, no entanto, a salvação da condenação do pecado que é impossível ao homem compete a Deus ( Mt 19:26 ).

O alivio para os problemas diários também não está no sábado e nem no domingo, antes em seguir o alerta de Cristo: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” ( Jo 16:33 ).

A ordem é clara: “Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos” ( Lc 12:29 ), pois: ”Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” ( 1Tm 6:6 -8).

O descanso prometido aos cansados e oprimidos é para que o homem venha alimentar-se de Cristo, pois é Ele quem dá a vida eterna ( Jo 6:57 ). Após ser participante da carne e do sangue, o homem permanece em Cristo e Cristo e o Pai no homem ( Jo 15:4 -5).

Os judaizantes apregoavam o sábado como o dia do ‘descanso’ que a lei fazia referencia dizendo que Deus descansou neste dia ( Gn 1:31 ), porém, Jesus é claro ao dizer que o seu Pai trabalha até agora, e Ele também, o que demonstra que os sábados pertinentes aos dias da semana é uma alegoria para Cristo, o descanso dos cansados e oprimidos ( Jo 5:17 ).

Ora, Cristo, o criador dos céus e da terra ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ), após ter criado todas as coisas até o sexto dia, no sétimo descansou, porém, o Gênesis só fez referência a ordem natural deste mundo que são visíveis aos olhos do homem (primeira criação), ou seja, refere-se as coisas que não são eternas “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia. Assim, foram concluídos os céus, e a terra, e tudo o que neles há. No sétimo dia, Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação” ( Gn 1:31 ; Gn 2:3 ).

No sétimo dia Cristo descansou, no sentido de concluir, as obras pertinentes ao mundo dos homens, contudo, Ele e o Pai continuaram a trabalhar com vista aos bens futuros, aquilo que os olhos não viram e nem subiram ao coração do homem “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam” ( 1Co 2:9 ); “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” ( Hb 9:11 ).

O fato de ter sido registrado que no sétimo dia Cristo descansou, não é porque Ele tenha se cansado como se necessitasse de folga ou se dormir ( Sl 121:1 ), antes tem por objetivo alertar os homens que há um descanso e o descanso é Cristo.

Quando se utiliza Êxodo 20, verso 11 para dizer que o homem é abençoado por guardar o sétimo dia da semana, esquecem-se de considerar que descansou (concluiu) no sétimo dia foi aquele que criou todas as coisas, e não os homens. Quem descansou de tudo o que fizera foi Deus, e não os homens, como se lê: “Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou” ( Ex 20:11 ; Ex 31:17 ).

Por que inicialmente Deus separou o dia do sábado dos outros dias? Para lhes servir de memorial de que é Deus quem dá descanso “Lembrai-vos da palavra que vos mandou Moisés, o servo do SENHOR, dizendo: O SENHOR vosso Deus vos dá descanso, e vos dá esta terra” ( Js 1:13 ). Mas, como não quiseram ouvir e descansar em Deus “Porque o Egito os ajudará em vão, e para nenhum fim; por isso clamei acerca disto: No estarem quietos será a sua força” ( Is 30:7 ).

Enquanto na palavra de Deus há benção, pois de tudo que sai da boca de Deus viverá o homem ( Dt 8:3 ), na ordenança da guarda do sábado havia uma maldição “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá” ( Êx 31:15 ). Qualquer do povo que ouvisse (crer) a palavra de Deus viveria, o que significa que estavam mortos em delitos e pecados. Com o advento da lei, além de estarem separados de Deus, alienados, mortos, caso não descansasse no sétimo dia da semana, os filhos de Jacó sofreriam uma pena física: morte física.

Deus queira dar-lhes a entender que, se cressem entrariam no descanso prometido “Porque até agora não entrastes no descanso e na herança que vos dá o SENHOR vosso Deus. Mas passareis o Jordão, e habitareis na terra que vos fará herdar o SENHOR vosso Deus; e vos dará repouso de todos os vossos inimigos em redor, e morareis seguros” ( Dt 12:9 -10), mas como se desviaram de obedecê-lo, na sua ira Ele jurou que o povo de Israel não entraria no seu descanso ( Hb 4:1 ).

Assim como todas as coisas que foram postas no tabernáculo são figuras, o sábado também foi utilizado como figura para demonstrar que quem não crer não tem vida. Embora alertado de que Deus não os aceitava e que as suas festas, sábados, etc. eram insuportáveis, o povo continuava a ‘servir’ as alegorias e não a Deus “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer” ( Is 1:13 -14).

Mas, os cristãos por terem crido em Cristo já entraram no descanso prometido ( Hb 4:3 ), pois estão assentados nas regiões celestiais em Cristo ( Ef 2:6 ). Por que os cristãos já entraram no descanso? Porque foram vivificados com Cristo, ou seja, ressurgiram com Ele, portanto, estão descansados ( Ef 2:5 ; Co 3:1 ).

Portanto, todas as vezes que um cristão olha para a lei e os seus mandamentos, tem que considerar que tudo foi nos deixado como exemplo ( 1Co 10:11 ), e não como imposição “Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá” ( At 15:28 -29), mas qualquer que se propõe guardar qualquer quesito da lei, se obriga a guardar toda a lei “E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei” ( Gl 5:3 ).

O cristão deve analisar algumas passagens bíblicas com critério, visto que os seguidores das premissas judaizantes utilizam alguns versos para impor uma pratica que não é salutar à igreja de Cristo. Por exemplo, citam Lucas 4, verso 16 para dizer que Cristo utilizava o sábado para adorar a Deus, porém, o texto quer demonstrar somente que, era prática dele ensinar nas sinagogas ( Lc 4:15 ) e, que certa feita, foi num sábado a uma sinagoga de Nazaré ( Lc 4:16 ). Por que será? Não seria pelo fato de os judeus frequentarem a sinagoga no sábado? Por certo que ele ia às sinagogas no sábado porque os judeus frequentavam o templo no sábado.

Uma coisa é certa: segundo a visão distorcida dos fariseus, os discípulos de Cristo faziam o que era vetado no sábado e, Jesus recriminou os fariseus ao orienta-lós a aprenderem o significado de ‘misericórdia quero, e não sacrifícios’ ( Mt 12:7 ). Ou seja, Eles tinham que aprender que Deus busca o amor dos homens ( s 6:6 ), e não sacrifícios como prática de restrições no dia de sábados. Neste texto Jesus demonstra que o sábado é um mero sacrifício e, o Senhor que dá descanso espera somente que O amem ( Os 6:4 ).

Foi neste contexto que Jesus salientou que o descanso de Deus foi providenciado por causa da necessidade dos homens em serem salvos ( Mc 2:27 ). Observe que se faz referencia ao sábado no singular, ou seja, o descanso prometido, que é Cristo, e não aos sábados semanais.

Foi quando Jesus fez referencia a si mesmo como o Filho do homem, pois é Senhor dos homens e, até mesmo dos sábados ( Mc 2:28 ).

Como Jesus e seus discípulos não guardavam as mesmas práticas dos fariseus, tentam a Cristo perguntando: “É licito curar no sábado?” ( Mt 12:10 ). E, novamente Jesus curou no sábado.

Os acusadores de Cristo eram exímios guardadores da lei, porém, mesmo guardando o sábado Jesus os recriminou dizendo: “Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” ( Jo 7:19 ).

Portanto, qualquer ordenança para que se busque a Deus através de dias é um argumento fraco e pobre, pois tal pratica leva o homem somente a servi-las, e não a Deus, pois a Ele só é possível servir em espírito e em verdade “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco” ( Cl 4:9 -11), pois a lei cumpres-se em um só mandamento “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” ( Gl 5:14 ), e a salvação em crer que Cristo é o Filho de Deus ( Jo 3:23 ).




O perfeito louvor

Ao citar o Salmo, Jesus demonstra que Ele mesmo ‘preparou o louvor’ proveniente dos lábios das criancinhas, ou seja, Ele mesmo era a fonte, a força, daquela declaração. Sem o Filho de Davi não há louvor, pois o louvor é segundo o nome de Cristo, o que tem a mão plena de justiça.


“E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os. Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se, e disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” ( Mt 21:12 -16)

 

Introdução

Todos os evangelhos contém a narrativa de um evento curioso durante o ministério de Jesus: a expulsão dos que praticavam comércio no templo ( Mt 21:12 -16 ; Mc 11:15 -16 ; Lc 19:45 -48 ; Jo 2:13 -25). Mas, o evangelista Mateus destaca um aspecto importante do evento que devemos analisar.

Ele narra que certa feita Jesus entrou no templo onde os judeus frequentavam e expulsou as pessoas que faziam comércio (vendiam e compravam) no templo. Jesus não poupou os cambistas (pessoas que trocavam o dinheiro), e nem mesmo os comerciantes que vendiam para os pobres que vinham sacrificar no templo (os que vendiam pombas).

Para demonstrar com que autoridade acabara de expulsar aquelas pessoas que comercializavam no templo, Jesus combinou a citação de dois profetas: Jeremias e Isaías, dizendo: “A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (v. 13); “Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” ( Is 56:7 ); “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR” ( Jr 7:11 ).

Através destas citações Jesus demonstrou a sua autoridade e deixou claro que havia chegado o tempo em que todos os povos (gentios) seriam conduzidos ao templo de Deus (os levarei ao meu santo monte), seriam salvos (os alegrarei na minha casa de oração) e os seus sacrifícios seriam aceitos por Deus ( Is 56:7 ). Apesar de Cristo ter vindo congregar os dispersos de Israel, ainda ajuntaria outros aos que se achegaram a Ele ( Is 56:8 ; Jo 10:16 ; Jo 1:11 ).

A mesma profecia que indicava o tempo de entrada dos gentios, também indicava que os filhos de Israel estariam cegos para ver a maravilha prometida a Abraão “Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte” ( Is 56:10 -11; Gn 12:3 ).

O profeta Jeremias descreve os homens de Israel do tempo em que a salvação de Deus havia de se manifestar ( IS 56:1 ), como ladrões, salteadores, de modo que haviam convertido o templo em uma caverna de salteadores ( Jo 10:10 ).

A profecia de Jeremias deixa claro que o Senhor, o Senhor mesmo viu o que fizeram com o local que se chamava casa de oração “Mas eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor” ( Jr 7:11 ). Como não compreendiam o porquê Davi chamou em espírito o seu filho de Senhor “Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho? E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo” ( Mt 22:45 -46), tão pouco compreenderiam que o Senhor profetizado por Jeremias era o Senhor Jesus que havia de se assentar a destra de Deus nas alturas ( Sl 110:1 ). Eles não compreenderiam que o Senhor que falou por intermédio de Jeremias havia de colocar os seus pés no templo.

 

Milagres e maravilhas

Quando Jesus terminou de expulsar os comerciantes, vieram cegos e coxos a Cristo, e Ele os curou ( Mt 21:14 ).

Os principais dos sacerdotes e os escribas nada disseram enquanto Jesus expulsava os compradores e os vendedores. Também nada disseram quanto a Ele citar as Escrituras como base para a sua autoridade. Mas, quando viram as maravilhas operadas por Jesus e um certo número de crianças clamando: – “Hosana ao Filho de Davi”, indignaram-se e questionaram o Mestre dizendo: – “Ouves o que estes estão dizendo?” (v. 16 ).

Jesus enfatiza que estava ouvindo os meninos e novamente apresenta as Escrituras: – “Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” (v. 16).

Porque os principais dos sacerdotes e os escribas se indignaram por Jesus não fazer os meninos se calarem? Esta e uma questão que dá ênfase à declaração que os meninos estavam fazendo. Observe a seguinte prescrição na Lei de Moisés: “QUANDO profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o SENHOR vosso Deus vos prova, para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma. Após o SENHOR vosso Deus andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o SENHOR vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o SENHOR teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti. Quando te incitar teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio, ou teu amigo, que te é como a tua alma, dizendo-te em segredo: Vamos, e sirvamos a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; Dentre os deuses dos povos que estão em redor de vós, perto ou longe de ti, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade; Não consentirás com ele, nem o ouvirás; nem o teu olho o poupará, nem terás piedade dele, nem o esconderás; Mas certamente o matarás; a tua mão será a primeira contra ele, para o matar; e depois a mão de todo o povo. E o apedrejarás, até que morra, pois te procurou apartar do SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” ( Dt 13:1 -10).

Os principais dos sacerdotes e os escribas ficaram incomodados com o que os meninos falavam no interior do templo porque viram que Jesus havia operado sinais e maravilhas. Os meninos testificavam que um dos filhos de José e Maria era o Messias prometido nas Escrituras.

Ora, mas estava previsto que o Filho de Davi viria em nome do Senhor “Bendito aquele que vem em nome do SENHOR; nós vos bendizemos desde a casa do SENHOR” ( Sl 118:26 ), e que Ele seria a porta, a pedra de esquina e a vítima do altar ( Sl 118:27 ).

Tendo por pretexto a lei “Não terás outros deuses diante de mim” ( Ex 20:3 ), rejeitaram o Senhor Jesus porque demonstrou que Ele, na condição de Filho de Davi, era um com o Pai “Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?” ( Jo 10:36 ); “Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” ( Jo 10:33 ).

O que Jesus enfatizou ao citar o Salmo 8? Que Ele é o ‘Senhor nosso’ profetizado pelo Salmista, e que possui o ‘nome admirável’ em toda a terra ( Sl 8:1 ). Que Ele é o Senhor exaltado acima das nações e do próprio céus ( Sl 113:4 ; v. 1 ; Hb 1:4 ; Fl 2:9 -10).

Jesus estava demonstrando que aquele quadro era cumprimento do predito por “seu pai” Davi, que falou pelo Espírito de Deus que o louvor que procedia da boca daquelas crianças servia para calar os principais e os escribas, visto que eles se postaram como adversários do Messias ( Sl 8:2 ).

Com a citação que Jesus fez, aliado aos milagres e ao clamor das crianças, era para os principais dos sacerdotes e escribas compreenderem que Jesus era o Criador dos céus “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste” ( Sl 8:3 ). Era para eles compreenderem que Jesus “…estava no princípio com Deus”, e que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” ( Jo 1:2 -3 ), porém, estavam como pastores do povo, mas nada compreendiam. Eram cegos “E apalparás ao meio dia, como o cego apalpa na escuridão, e não prosperarás nos teus caminhos; porém somente serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve” ( Dt 28:29 ).

Era para compreenderem que, apesar de o homem mortal ser menos que a poeira fina em uma balança “Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade” ( Sl 62:9 ; Sl 8:4 ), contudo, o Filho do Homem que era o próprio Deus que fez os céus e a terra ( Sl 45:6 ; Hb 1:8 ), lembrou-se dos pecadores.

Eles deveriam compreender que o Jesus de Nazaré era quem criou os céus, conforme profetizou o salmista no Salmo 102:25 à 27: “Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim”. Compare com Hebreus 1, verso 10.

Os religiosos deviam ver que o Messias fora feito menor que os anjos quando introduzido no mundo, mas que era coroado de honra e majestade, pois era o Filho de Deus ( Pv 30:4 ), o prometido Filho de Davi!

Assim como foi dado a Adão o domínio sobre tudo que havia na terra ( Gn 1:26 ), deveriam olhar para o Messias e contemplar o último Adão que concedeu a sua imagem ao primeiro Adão ( Rm 5:14 ). Deveriam ver que Jesus exerce domínio sobre todas as coisa e que tudo está debaixo dos seus pés ( Sl 110:1 ; Ap 1:8 ; Mt 28:18 ).

 

Hosana ao Filho de Davi

Além de ser uma resposta à crítica dos principais dos sacerdotes e escribas, tem-se na citação do verso 2 do Salmo 8 elementos para analisarmos qual é o louvor perfeito “Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” ( Mt 21:12 -16).

Seria o perfeito louvor proveniente somente das criancinhas? Um adulto não pode produzir um louvor perfeito? Qual a essência do louvor perfeito?

Comparemos:

  • Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor” ( Mt 21:16 );
  • “Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador” ( Sl 8:2 )

Ao citar o Salmo, Jesus estava demonstrando que Ele mesmo havia ‘preparado o louvor’ proveniente dos lábios dos meninos, ou seja, Ele mesmo era a fonte, a força, daquela declaração. Sem o Filho de Davi não há louvor, pois o louvor é segundo o nome de Cristo, o que tem a mão plena de justiça Segundo é o teu nome, ó Deus, assim é o teu louvor, até aos fins da terra; a tua mão direita está cheia de justiça” ( Sl 48:10 ); “Também a minha mão fundou a terra, e a minha destra mediu os céus a palmos; eu os chamarei, e aparecerão juntos” ( Is 48:13 ; Sl 8:3 ); “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” ( Is 41:10 ).

Algumas traduções do Salmo 8, verso 2 assim reza: “Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor que confunde vossos adversários, e reduz ao silêncio vossos inimigos” ( Sl 8:2 ) Versão Católica; “Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos firmaste o teu nome como fortaleza, por causa dos teus adversários, para silenciar o inimigo que busca vingança” ( Sl 8:2 ) Nova Versão Internacional.

A declaração que procedia da boca dos meninos confundia os que serviam no templo, pois viam apenas um simples homem, porém, estavam frente a frente com Aquele que firmou o Seu nome por salvação, fortaleza, para todos os povos.

O louvor é perfeito por ser uma confissão acerca de Cristo, e não por ser proveniente da boca de criancinhas. O que confere o qualificativo de ‘perfeito’ ao louvor é o tema da confissão, pois Segundo é o teu nome, ó Deus, assim é o teu louvor…” ( Sl 48:10 ; Jo 11:27 ; Jo 20;21 ; 1Jo 4:2 ; 1Jo 5:1 ; At 8:37 ; 1Co 3:11 ).

Do mesmo modo que os religiosos queriam que as criancinhas fossem repreendidas no templo, pediram a Jesus que repreendesse os seus discípulos “E, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas” ( Lc 19:37 -38).

Então Jesus lhes respondeu: “Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” ( Lc 19:40 ). A ação dos discípulos de declarar abertamente “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu e glória nas alturas”, era o mesmo que ‘preparar’ o caminho ao povo; era o mesmo que remover da estrada as ‘pedras’ – constitui-se louvor perfeito.

Os discípulos estavam arvorando a bandeira aos povos, pois diziam à multidão ‘Eis que vem a tua salvação’ quando diziam: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor”, conforme o profetizado pelo profeta Isaías: “Passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aplainai, aplainai a estrada, limpai-a das pedras; arvorai a bandeira aos povos. Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação; eis que com ele vem o seu galardão, e a sua obra diante dele” ( Is 62:10 -11).

Apesar de o caminho ter sido preparado através da confissão dos discípulos, os fariseus tropeçaram na pedra de tropeço “Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém” ( Is 8:14 ); “Portanto assim diz o SENHOR: Eis que armarei tropeços a este povo; e tropeçarão neles pais e filhos juntamente; o vizinho e o seu companheiro perecerão” ( Jr 6:21 ).

O louvor “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor” é perfeito porque declara que Jesus é o Cristo. Cristo é o rei que Deus prometeu nas Escrituras, conforme atesta o apóstolo Paulo: “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor” ( Rm 1:3 -4).

Os quatro evangelhos tem como escopo principal demonstrar que Jesus é o Cristo, o rei dos judeus, o Filho de Davi “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ). O louvor é perfeito, pois todos que professam a Jesus como o Filho de Davi, verão a salvação de Deus.

E o que devemos confessar? “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus …” ( Rm 10:9 ). Confessar que Jesus de Nazaré é o Senhor prometido nas Escrituras, que veio em carne; que foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, sendo esta virgem; que é descendente da casa de Davi, Rei de Israel; e, que foi morto em uma cruz por ser o rei dos judeus.

E em que deve o cristão crer? “…, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ). É necessário crer que Jesus ressurgiu dentre os mortos para a glória de Deus Pai “Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus. Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” ( Ef 1:21 -22).

Aqui faço minhas as palavras de Hobbes:

“Portanto, acreditar que este Jesus era ele, era suficiente para a vida eterna, mas mais do que suficiente não é necessário, e consequentemente não é exigido nenhum outro artigo”  Hobbes, Thomas, Leviatã ou Matéria, Forma e poder de um Estado Eclesiástico e Civil, Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva, Nova Cultural, 1999, pág. 416 (A defesa desta verdade do evangelho feita por Hobbes é grandiosa e conforme as Escrituras, porém, não abraçamos todas as considerações que foram feitas por ele acerca do Estado e de outras doutrinas bíblicas).

O perfeito louvor diz do fruto dos lábios, que só produz quem está ligado à Videira verdadeira “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ); “Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará; e àquele que bem ordena o seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus” ( Sl 50:23 ; “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” ( Jo 15:5 ).

O louvor é perfeito porque é proveniente de Deus: “… de mim é achado o teu fruto” ( Os 14:8 ), e não porque procede da boca das crianças. Tal louvor só é achado nas crianças quando elas tornam-se plantação do Senhor “E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” ( Is 60:21 ); “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ).

 

As criancinhas

É por isso que Jesus alerta aos seus discípulos para não impedirem as crianças que se achegavam a Ele, porque somente as que se achegam têm direito ao reino dos céus “Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus” ( Mt 19:14 ). Observe que o texto não sugere que todas as crianças têm direito ao reino dos céus, antes tem direito ‘as tais’, ou seja, as que vêm até Cristo, pois Ele mesmo diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ); “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 ).

Quando lemos: – ‘deixai os pequeninos’, ou seja, ‘não os impeçais’, significa que o reino dos céus não pertence às crianças, antes pertence as ‘tais’ que vem a Cristo. Por que não podiam impedir as crianças? Porque das tais (tais = as que vem a Cristo) é o reino dos céus. Portanto, o reino dos céus pertence às crianças que vem a Cristo (tais). Dai a ordem: – ‘Não as impeçais’.

Há outro entrave a se considerar, pois o texto sugere que Jesus somente estabeleceu um comparativo para ilustrar uma verdade espiritual: “NAQUELA mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe” ( Mt 18:1 -5).

Ser um menino não dá direito ao reino dos céus, antes o se converter. Para se converter é necessário deixar ser instruído por Cristo, e as crianças tem esta característica peculiar. Ora, aquele que deixa ser instruído, aprende ser humilde de coração, pois Jesus diz: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” ( Mt 11:29 ).

Uma melhor tradução para o verso, é:

  • “Então disse Jesus: Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas” ( Mt 19:14 ) – NVI.
  • “Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino do Céu é das pessoas que são como estas crianças” ( Mt 19:14 ) – NTLH.

Compare:

  • “Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus” ( Mt 19:14 );
  • “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. E qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe” ( Mt 18:3 -5).
  • “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino de Deus é para os que são como elas” ( Mc 10:14 ) -Tradução Ecumênica da Bíblia;
  • “Deixai que as crianças se aproximem de mim; não as impeçais, porque o reino de Deus pertence aos que são como elas” ( Mc 10:14 ) – Bíblia do Peregrino.
  • “Ninguém pode vir ao Pai, nem mesmo as criancinhas, senão por intermédio de Cristo “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” ( Jo 14:6 ).

Ora, as criancinhas não possuem vida eterna em si mesma, pois elas estão inclusas no rol dos pecadores, porque ainda no ventre materno são formadas em iniquidade e concebidas em pecado “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” ( Sl 51:5 ). São tidas por ímpias desde a madre, e proferem mentiras desde que nascem ( Sl 58:3 ). Ou seja, apesar de simples, inocentes, diante de Deus não são justas, portanto, passíveis das consequências do pecado de Adão “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pr 27:12 ).

Apesar de existirem milhares de crianças em Sodoma e Gomora, Deus não as listou no rol dos justos “Então disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles” ( Ex 18:26 ), pois: “Na verdade não há homem justo sobre a terra” ( Ec 7:20 ).

Portanto, para que o homem (criança ou adulto, macho ou fêmea), seja achado justo, é necessário entrar pela porta dos justos, conforme aponta o salmista: “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão” ( Sl 118:20 ). Ou seja, para entrar pela porta é necessário ao homem nascer de novo. Quando o homem se converte ao Senhor, se faz menino de novo, pois é criado de novo em verdadeira justiça e santidade “E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” ( Mt 18:3 ; Jo 3:3 -4; Ef 4:24 ).

O único que não foi concebido em pecado foi Cristo, pois Maria achou-se gravida pelo Espírito Santo. Sobre essa verdade profetizou o salmista, dizendo: “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe” ( Sl 22:10 ). Como Jesus não foi gerado segundo a vontade da carne, da vontade do varão e do sangue, como homem não esteve sujeito ao pecado e não se achou engano (mentira) na sua boca ( 1Pe 2:22 ); “Por ti tenho sido sustentado desde o ventre; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe; o meu louvor será para ti constantemente” ( Sl 71:6 ); “E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó; porém Israel não se deixará ajuntar; contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, e o meu Deus será a minha força” ( Is 49:5 ).

Qualquer que humilhar-se a si mesmo, ou seja, que aprende de Cristo, tornar-se-á ‘pequeno’ como uma criança “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” ( Lc 18:14 ); “Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” ( Lc 14:11 ); “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ); “Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus” ( Mt 18:4 ).

Todos os homens que vem ao mundo estão condenados, portanto, não há injustiça alguma da parte de Deus naqueles que se perdem. O juízo já veio e foi estabelecido em Adão, pois pecou e todos morreram “Pois, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ); “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22).

Infelizmente, qualquer que não compreendeu o evangelho (aborígenes, índios, etc.), caso morram nesta condição herdada de Adão, estão sob condenação, são filhos da ira e da desobediência. Estão condenados por terem entrado no mundo por uma porta larga (Adão) que, inexoravelmente, os conduzirá à perdição.

É em decorrência desta realidade funesta de nascer em pecado que é necessário ao homem nascer de novo, nascer do último Adão, que é Cristo, a porta estreita. É este o significado da parábola das duas portas e dos dois caminhos ( Mt 7: 13 e 14).

Não há injustiça da parte de Deus nos que se perdem, pois o juízo foi estabelecido no principio segundo a palavra de Deus dita a Adão. Quando comeu do fruto, Adão foi julgado, condenado e apenado com a morte – separação da gloria de Deus. Por causa da desobediência de Adão toda humanidade foi condenada, e jazia em trevas sem esperança. Porém, a graça de Deus se manifestou trazendo salvação aos homens. Para os que morrem com Cristo e nascem de novo não há mais condenação ( Jo 3:16 ; Tt 2:11 ).

Ser inocente não é o mesmo que ser justo, pois a condenação decorre do nascimento natural. Desde a madre os homens desviam-se de Deus. Da madre o homem vem ao mundo inocente, porém, não é justo, ser justo só é possível através do novo nascimento. Desde a madre o homem é corrupto, destituído da glória de Deus, separado pela iniquidade ( Sl 51:5 ).

A resposta foi dada por Jesus: Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino dos céus! Não importa a inocência, somente os nascidos de Deus vão aos céus. Qualquer nascido de Adão é vaso de desonra criado para a perdição, qualquer nascido de novo é vaso de honra para a glória de Deus ( Rm 9:23 ).

O maior problema da atualidade é pensar o pecado como uma questão comportamental, sendo que a Bíblia demonstra que o pecado é uma condição proveniente de nascimento natural “E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou. Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” ( Rm 9:22 -24).

Desde a queda do homem Deus os tem suportado, pois todos são vasos da ira, da desobediência, preparados para a perdição. Mas, Deus dá a conhecer também a sua glória nos vasos de misericórdia, os crentes, que são preparados para a redenção segundo o último Adão.

Os filhos da desobediência e da ira são os vasos preparados para a perdição, ou seja, os incrédulos, porém, através de Cristo, a mesma massa é utilizada para fazer vasos de honra, porque “… assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22).

Há um único argumento: “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial. E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção” ( 1Co 15:15 -50).

Ora, os nascidos da carne são carne, portanto, não podem herdar o reino dos céus, seja homem formado ou criança. Mas, os nascidos do Espírito, ou seja, da palavra de Deus, são espirituais, portanto, herdarão a incorrupção ( 1Pe 1:3 e 23 ).




Como glorificar a Deus?

Imprecações como: Glorifiquem a Deus, adorem, louvem, etc., são inócuas. O correto é conscientizar que os cristãos que, como plantação do Senhor, Deus é glorificado, isto pelo ‘fruto’ que os ramos produz.


Como glorificar a Deus?

“Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; ainda que chamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta ( Os 11:7 )

Glória de homem

“Eu não recebo glória dos homens” ( Jo 5:41)

Estas foram as palavras de Jesus para os judeus que queriam mata-Lo. Se como servo o Filho de Deus não recebia gloria de homens, como glorificar a Deus sendo homem? Qual glória o Pai recebe? O que habilita o homem a glorificar a Deus?

Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8);

Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus ( Fl 1:11 )..

Não basta reconhecer a grandeza de Deus; agradecê-lo pelas benesses pertinentes a esta vida; realizar, em nome de Deus, ações louváveis do ponto de vista humano, ou dizer palavras que, segundo a concepção humana, demonstram devoção extrema e incondicional, antes é necessário crer  no testemunho proveniente de Deus, o que torna possível ao homem glorificá-Lo.

Embora Jesus tenha enfatizado que não aceitava testemunho de homem ( Jo 5:34 ), deixou claro que estava fazendo referência ao testemunho que João Batista deu da verdade com o intuito de que seus ouvintes cressem que as Escrituras continham o testemunho que Deus deu a respeito do seu Filho ( Jo 5:37 -39; Jo 8:18 ).

O testemunho de homem é uma gama de afirmações acerca de Cristo que não decorrem da verdade das Escrituras, tais como: Jesus é um dos profetas, Jesus é o Elias, Jesus é o maior psicólogo, ou Jesus é o maior líder, ou o mais notável dos homens, etc.

O testemunho que Deus aceita é o contido nas Escrituras, como: Jesus é o Filho de Davi, ou Jesus é o Filho do Deus vivo, Jesus é o príncipe da paz, Jesus é o Emanuel, Jesus é Deus forte, Jesus é o Cordeiro de Deus, etc. Não basta dizer: Bom mestre ( Lc 18:19 ), pensando em Cristo como um homem de excelência acadêmica, antes se faz necessário considerar o testemunho de Deus nas Escrituras. Jesus, o Bom Pastor, é o testemunho que Deus deu do seu Filho  ( Sl 23:1 ; Jo 1:34 e 36 ).

Qual o testemunho de João acerca da verdade? Um testemunho segundo as Escrituras:

“Este era aquele de quem eu dizia: O que vem depois de mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu” ( Jo 1:15 , 27 e 30 ; Jo 8:58 ; Is 43:13 ).

Crer em milagres, crer em Deus, acreditar no sobrenatural, acreditar em anjos, acreditar no bispo, no apóstolo ou no papa, etc., não é o que glorifica a Deus, pois tais posicionamentos não são o mesmo que crer que Jesus é o ‘Eu Sou’ ( Jo 1:29 ; Jo 8:24 ; Tg 2:19 ).

Em decorrência do testemunho que as Escrituras dão de Cristo é que o Filho de Deus glorificou o Pai “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” ( Jo 17:4 ; Mt 28:19 ).

E como o Filho consumou a obra que o Pai lhe deu? Sendo obediente ao Pai, o que resultou em morte e morte de cruz, ao que foi necessário ao Pai glorifica-lo, ressuscitando-o dentre os mortos de modo a reaver a sua glória que possuía antes que houvesse mundo “JESUS falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti” ( Jo 17:1 ).

A declaração de Cristo dá base para afirmar que só é possível glorificar a Deus quando na condição de ‘glorificado’ por Deus, pois só a obra de Deus O glorifica. É por isso que o apóstolo Paulo afirmou que, segundo o conselho e beneplácito de sua vontade, Deus faz todas as coisas para louvor e glória da sua graça ( Ef 1:5 -6 e 11-12).

Como resultado da obra de Deus de criar o novo homem em verdadeira justiça e santidade, o cristão constitui-se louvor à sua glória e graça. Do mesmo modo que os céus declaram a glória de Deus, o novo homem ressurreto em Cristo constitui-se louvor à glória e à graça de Deus “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ; Sl 19:1 ).

É a obra de arte que louva o artista que a criou, à plateia cabe apenas reconhecer a perícia do artista. É a obra do artista que lhe confere louvor, e não as pessoas que se aglomeram para admirar a arte. Assim também, o louvor e a glória de Deus decorrem da sua obra, e não do reconhecimento dos homens “E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” ( Is 60:21 ).

O apóstolo Paulo bendizia, louvava e rendia graças a Deus ( Ef 1:3 e 1:16 ), porém, tal reconhecimento é algo aquém do louvor e graça proveniente da nova condição do apóstolo dos gentios, visto que em Cristo ele era uma nova criatura, criada para louvor e glória de Deus ( 2Co 5:17 ). De per si o apóstolo constituía louvor e glória a Deus. O reconhecimento dos homens não acrescenta e nem diminui a glória de Deus, que é imutável. Bendizer a Deus é uma confissão, admitir que Ele é o que É, ato de reconhecimento do que Deus é: grande, eterno, imutável, misericordioso, salvador, redentor, etc ( Sl 103 e 104 ).

É por isso que para o homem entrar no reino dos céus é necessário nascer da água e do Espírito, pois para adorar a Deus é necessário estar em espírito e em verdade. Nascer da água diz da lavagem da regeneração, da purificação com a lavagem da água, que é a palavra ( Ef 5:26 e Tt 3:5 ). Nascer do Espírito é nascer de Deus, pois Deus é o Espírito ( Tt 3:5 confere com Ez 36:25 -27).

Nascer da água e do Espírito é nascer da palavra de Deus, e todos que são gerados de novo através da palavra da verdade, tornam-se participantes da natureza divina: são espirituais e verdadeiros, portanto, adoram a Deus em espírito e em verdade ( 2Pe 1:4 ; 1Jo 5:20 ; Jo 3:6 ).

Por mais que o povo de Israel oferecessem sacrifícios e clamassem a Deus, nenhum deles o exaltava, pois diante de Deus só é aceito as obras de suas próprias mãos “… ainda que chamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta” ( Os 11:7 ); “Abençoa o seu poder, ó SENHOR, e aceita a obra das suas mãos” ( Dt 33:11 ); “Então respondeu Ageu, dizendo: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é” ( Ag 2:14 ).

Ao ordenar que os homens deviam circuncidar o coração, o que é impossível ao homem fazê-lo, Deus queria dar a entender que precisavam confiar em Deus para serem aceitos por Deus, pois é Ele que circuncida o coração sem o auxílio de mão humanas “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ; Cl 2:11 ; Rm 4:11 ; Dt 10:16 ; Jr 4:4 ).

A circuncisão do prepúcio da carne era figura do que Deus, como Pai, faria com os homens que fossem recebidos por filho, sendo que a circuncisão do prepúcio da carne era obra de homem, portanto, imunda.

Por que a circuncisão do coração? Porque circuncisão do coração significa morte. É o despojar de toda a carne, e não só o prepúcio e, homem e mulher podem ser circuncidados por Deus no coração. Após o homem ser circuncidado por Deus, Deus dá um novo coração e um novo espírito e passa a habitar este novo homem ( Ez 36:25 -27).

É no momento de dar o novo coração e o novo espírito que Deus usa o mesmo poder que operou em Cristo ressuscitando-o dentre os mortos opera nos que creem ( Ef 1:19 -20 ; Jo 1:12 ). Quando glorificado, ressurreto, revestido de Cristo que o homem passa a glorificar a Deus com todo o seu ser “JESUS falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti” ( Jo 17:1 ; Cl 2:12 e 3:1 ; Gl 3:27 ).

É Deus quem dá glória ao seu nome “Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei” ( Jo 12:28 ; 2Ts 1:12 ), e todos os que creram foram glorificados com Cristo, pois são herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo “E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e nisso sou glorificado ( Jo 17:10 ); “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados ( Rm 8:17 ).

 

De mim vem o teu fruto

Jesus deixou claro que glorificar a Deus é algo específico: produzir muito fruto! Portanto, só há uma maneira possível de o homem glorificar a Deus: através do fruto “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto ( Jo 15:8 ).

Para glorificar a Deus é necessário que o homem esteja ligado à Videira verdadeira, que é Cristo. Cristo identificou-se como a Videira e deixou claro que seus seguidores são as varas e, por estarem ligados a Ele produzem muito fruto “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” ( Jo 15:5).

Se não estiver ligado à Videira é impossível o homem produzir fruto, consequentemente, é impossível glorificar a Deus. Mas, qualquer que estiver em Cristo, ou Cristo nele, dá muito fruto. Basta estar em Cristo para produzir fruto, por isso Jesus recomendou: “Estai em mim, e eu em vós” ( Jo 15:4 ).

A exposição de Cristo demonstra que glorificar a Deus não é decorrente da preocupação do homem em glorificá-lo, pois a partir do momento que o homem está ligado a Cristo, produzirá fruto, consequentemente, Deus é glorificado “… quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto” ( Jo 15:5 ).

Ocupar-se em glorificar a Deus sem o conhecimento das Escrituras faz com que o homem procure apoio no argumento errôneo de que é necessário dar o ‘melhor’ de si, e esquece que Deus exige somente que a vara esteja ligado n’Ele, pois pelo fruto Deus é glorificado. Basta estar ligado à videira para produzir o fruto. Basta estar em Cristo que todo o ser do cristão glorifica a Deus. Glorificar a Deus não possui vínculo com a concepção humana do que é melhor ou pior.

A preocupação do cristão deve estar em conhecer as Escrituras, pois será cauteloso quanto às falsas doutrinas. Quem se preocupa em permanecer na verdade, em Cristo, acertadamente passou a glorificar a Deus, diferente daquele que toma a atitude de oferecer o seu melhor pela preocupação de querer glorificar a Deus.

O cristão não deve se preocupar em como glorificar a Deus, antes deve se ocupar em permanecer glorificando-O, da mesma forma que há a necessidade de permanecer em Cristo.

 

Exemplos de desvios

Saul apresentou-se diante de Samuel com o argumento de que havia preservado o melhor do gado para apresentar a Deus em sacrifício. Foi rejeitado, pois Deus não se compraz em sacrifício, antes se compraz em que se obedeça à sua palavra.

Quando inquirido pelo profeta sobre o motivo que o levou a desobedecer a palavra do Senhor, Saul respondeu que deu ouvidos à voz de Deus e que havia caminhado pelo caminho do Senhor. Saul poupou a vida de Agague, rei dos amalequitas como se o rei não fosse amalequita e, por fim, justificou a atitude do povo com o argumento de que o melhor do interdito foi poupado para oferecer sacrifício ao Senhor “E enviou-te o SENHOR a este caminho, e disse: Vai, e destrói totalmente a estes pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até que os aniquiles. Por que, pois, não deste ouvidos à voz do SENHOR, antes te lançaste ao despojo, e fizeste o que parecia mau aos olhos do SENHOR? Então disse Saul a Samuel: Antes dei ouvidos à voz do SENHOR, e caminhei no caminho pelo qual o SENHOR me enviou; e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas destruí totalmente; Mas o povo tomou do despojo ovelhas e vacas, o melhor do interdito, para oferecer ao SENHOR teu Deus em Gilgal” ( 1Sm 15:18 -21).

A preocupação do homem em glorificar a Deus fez com que Caim trouxesse ao Senhor do fruto da terra uma oferta, mas como as suas obras eram más, não foi aceito por Deus e tão pouco a sua oferta.

Por que Caim foi rejeitado? Porque ele se aproximou de Deus acreditando que seria aceito por ter trazido o melhor do fruto da terra, porém, Deus não está a busca de oferendas provenientes da natureza que Lhe pertence, mas daqueles que se aproximam crentes que Deus os aceita porque Ele é misericordioso. Tomado de ira, matou ao seu irmão ( Gn 4:3 e 5).

Não são as oferendas que Deus procura, mas o ofertante. Deus não busca adoração, mas o adorador. O maior problema dos homens que querem glorificar a Deus com suas praticas, ofertas e sacrifícios é que serão rejeitados pelo Senhor, o que o levará a ter ira contra aqueles que realmente glorificam ao Senhor “Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas” ( 1Jo 3:12 ).

As obras de Caim eram más porque eram obras de violência, obras realizadas com o intuito de aproximar-se de Deus, derrubando a barreira de inimizade, com o seu melhor. Estava enganado em sua mente carnal, pois o melhor do homem imundo não passa de imundície, pois Deus aceita aquele que se aproxima d’Ele crendo que Deus é galardoador dos que O buscam.

Quando Saul viu que Davi era aceito pelo Senhor, intentou tirar-lhe a vida por diversas vezes, ou seja, comportamento próprio a quem é do maligno e que odeia o seu irmão ( 1Sm 18:11 ). No Antigo Testamento os filhos do maligno queriam tirar o fôlego de vida dos filhos de Deus, já na nova aliança, os filhos do maligno, apesar do mesmo caminho de Caim ( Jd 1:11 ), buscam tirar a vida do seu irmão com palavras persuasivas de engano ( Jd 1:12 ).

Este mau também se apegou ao rei Uzias, que apesar de ter sido um rei que honrava a Deus, quando se achou fortificado, seu coração se corrompeu e transgrediu, pois se achou digno de oferecer incenso no altar de incenso, e se indignou contra os sacerdotes que o contrariaram. O melhor que fazia fez com que considerasse que possuía o privilégio de aproximar-se de Deus sem a figura do mediador estabelecido por Deus “Então Uzias se indignou; e tinha o incensário na sua mão para queimar incenso. Indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes, na casa do SENHOR, junto ao altar do incenso” ( 2Cr 26:19 ).

A preocupação do cristão deve se fixar em permanecer em Cristo, pois se estiver em Cristo, dará muito fruto e o Senhor é glorificado. Após fazer a vontade de Deus, que é crer em Cristo, basta permanecer firme, permanecer no que é verdadeiro que glorifica a Deus “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” ( Hb 10:36 ).

A preocupação do cristão não deve ser em edificar a melhor casa, antes deve centrar-se em edificar a casa sobre a rocha, pois somente sobre a rocha é que a casa permanece para sempre. O mais importante é o fundamento, e não a disposição do construtor em fazer a melhor casa, pois quem edifica todas as coisas é Deus ( Hb 3:4 ).

Não é através da disposição do homem em oferecer o seu melhor a Deus que haverá de glorificá-Lo, antes só é possível glorificar a Deus quando o homem crê em Cristo, fazendo a sua vontade.

 

Cadê a minha honra?

O argumento: ‘eu quero dar o meu melhor’ é maligno, pois quando o homem se propõe em apresentar o seu melhor, esquece que Deus é Senhor, e como Senhor ele exige especificamente obediência, e não aquilo que o servo, na sua concepção, ‘entende’ por melhor.

A vontade do Senhor é absoluta e por si só é a melhor. Não cabe ao servo contestá-la ou sobrepujá-la com uma ideia melhor. ‘Eu quero dar o meu melhor para o Senhor’ não é a fala de um servo, pois o servo somente acata a vontade do seu senhor que é objetiva: “Estai em mim, e eu em vós” ( Jo 15:4 ).

Em segundo lugar, é impossível ao servo dar o melhor, pois tudo o que é e produz pertence ao seu senhor. Quem pressupõe que é possível dar o melhor de si para Deus é que desconhece que quem se oferece por servo pertence por completo ao seu Senhor, ou seja, tudo o que é e produz pertence ao seu Senhor ( Rm 6:18 ).

Jesus aceita somente servos que se oferecem voluntariamente para que a sua orelha seja furada por uma sovela ( Ex 21:6 ; Dt 15:17 ). Quando o servo se submete ao seu senhor, declara tacitamente que a vontade do seu senhor é o melhor para si. Tal resignação glorifica o seu senhor. Mas, o pretenso servo, aquele que substitui a ordem do seu senhor pela sua própria vontade, implicitamente revela que a vontade do seu senhor não é suficientemente boa para si, desonrando o seu senhor.

Em terceiro lugar, o servo não leva em conta a sua vontade, antes ele faz a vontade do seu Senhor. Aquele que se diz servo e que faz o que bem entende sob o pretexto que fará o melhor, não é servo “O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor?” ( Ml 1:6 ).

Quer honrar a Deus? Quer glorificá-lo? Quer adorá-lo? Basta obedecê-lo! Como? Como a vontade de Deus é objetiva: crer em Cristo ( 1Jo 3:23 ; Jo 6:29 ), o homem que crê honra a Deus como Pai e Senhor. Basta crer em Cristo que produzirá fruto. Basta a fé em Jesus que será um adorador que o Pai encontrou! Um adorador em espírito e em verdade.

 

A rejeição de Israel

Por que é necessário estar em Cristo? Porque a vara não produz fruto de si mesma, antes ela depende da videira “… como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim” ( Jo 15:4 ).

É da natureza da árvore produzir fruto e, como Cristo é a Videira é natural que Ele produza fruto, portanto, produzir fruto não depende dos ramos e, sim da árvore.

Não é a vontade do homem, segundo a concepção do que é melhor, que glorifica a Deus, pois é a Videira que os produz “Eu sou como a faia verde; de mim é achado o teu fruto” ( Os 14:8 ). Para produzir o fruto que glorifica a Deus basta estar ligado a Cristo, ou seja, permanecer nele, que o homem dará muito fruto e o Agricultor há de podá-lo, para que produza mais fruto ainda, para Sua própria glória ( Jo 15:1 ).

Jesus demonstrou que há só um modo de o homem glorificar a Deus, ou seja, permanecendo n’Ele, produzindo muito fruto “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” ( Jo 15:16 ).

É impossível ao homem, por si só, produzir o fruto que glorifica a Deus. Israel queria glorificar a Deus sem o essencial, ou seja, sem obedecê-lo, e esqueceram que o fruto provém de Deus “Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos? Eu o tenho ouvido, e cuidarei dele; eu sou como a faia verde; de mim é achado o teu fruto” ( Os 14:8 ). Israel foi comparado a uma vide estéril, pois não dava fruto para o Agricultor, mas para si mesmo. Tudo que produzia era para sua própria glória, o que não rendia o fruto exigido por Deus “Israel é uma vide estéril que dá fruto para si mesmo; conforme a abundância do seu fruto, multiplicou também os altares; conforme a bondade da sua terra, assim, fizeram boas as estátuas” ( Os 10:1 ).

O povo de Israel, apesar de ter uma cultura teocêntrica, pois se deleitavam em cantar e recitar os salmos, ler a Lei e os Profetas, ir ao templo, fazer orações, oferecer sacrifícios, guardar os sábados, etc., foram cortados, pois não produziram fruto para o Vinhateiro ( Lc 13:6 ).

Quando Jesus disse: “Eu sou a videira verdadeira” ( Jo 15:1 ), estava se revelando aos discípulos ( Jo 16:29 ), pois o povo de Israel havia rejeitado o único modo pelo qual produziriam o louvor devido a Deus “Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; ainda que chamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta” ( Os 11:7 ).

O povo de Israel havia investido em sacrifícios e somado regras sobre regras, por entender que este era o modo de glorificar a Deus. Por mais que Deus os repreendesse quanto à rebelião de seus intentos ( 1Sm 15:23 ), mais eles se empenhavam em oferecer sacrifícios ( Sl 51:17 ; Sl 50:8 -13 ; Is 1:11 ). Deus requeria obediência, e eles se lançam aos sacrifícios “Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” ( 1Sm 15:22 ).

A união com Deus não existia em Israel, pois lhes faltava obediência “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” ( Os 6:6 ), portanto, não podiam produzir o fruto que glorifica a Deus.

 

O Fruto

O que as pessoas entendem por glorificar a Deus em nossos dias?

Basta fazer uma consulta na internet sobre como glorificar a Deus que as respostas que oferecem levará o leitor à vários métodos e passos para glorificar a Deus. Embora Jesus tenha dito que é em estar ligado à videira (nisto), ou seja, em dar fruto que se glorifica a Deus, métodos e métodos são estabelecidos todos os dias para glorificar a Deus.

Qual o fruto que as varas produzem quando ligadas à Videira.

Jesus falou de um fruto único que produzem em abundância os que estão n’Ele, porém, ao longo dos tempos surgiram muitos conceitos de ‘fruto’ e várias concepções acerca de como glorificar a Deus.

O fruto é uma figura, assim como a vara, a videira e o agricultor. O agricultor é figura de Deus, a Videira é figura de Cristo e as varas figura dos cristãos. E o fruto? Como a Videira é Cristo e Cristo é o Verbo, a palavra de Deus encarnada, o ‘fruto’ que as varas produzem é a palavra do evangelho, pois no fruto está contido a semente incorruptível que dá vida a todos quanto ouvem e provam o que é bom.

Quando Jó indagou: “Porventura o ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas?” ( Jó 12:11 ), temos um parâmetro para estabelecer que o fruto que o crente produz serve para alimentar o faminto, o pobre, e que o alimento que Deus dá está relacionado à palavra e ao ouvido ( Is 55:3 ).

O livro de Provérbios deixa claro que a palavra está relacionada a fruto: “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” ( Pr 25:11 ). Quando Jesus disse que a boca fala do que o coração está cheio, fez referência a ideia contida no provérbio: “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” ( Pr 18:20 ; 12:14 ; Lc 6:45).

O escritor aos hebreus deixa claro que o fruto é algo proveniente dos lábios ( Hb 13:15 ). É por isso que Jesus chama os escribas e fariseus de raça de víboras, pois eram maus por natureza, consequentemente não podiam dizer boas coisas, ou seja, dar bons fruto, pois o coração era mau “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ); “Cada um se fartará do fruto da sua boca, e da obra das suas mãos o homem receberá a recompensa” ( Pr 12:14 ).

Embora praticassem boas ações, os fariseus continuavam maus diante de Deus, pois não estavam ligados a Cristo, a Videira verdadeira, consequentemente eram maus e os seus frutos maus “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” ( Lc 11:13 ).

Em toda a Bíblia o fruto é apresentado atrelado aos lábios. A mensagem de paz contida no evangelho é fruto de vida, pois ao estabelecer a paz entre Deus e os homens, quem crê é inundado de vida “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ).

Qualquer pessoa que crer em Cristo como diz as Escrituras tornou participante da semente incorruptível, que é Cristo, portanto, é plantação do Senhor, árvores de justiça, para que Deus seja glorificado “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ).

O conselho dos ímpios é caminho de perdição, pois só o conselho dos justos é vida. O fruto do caminho largo é morte, diferente do fruto do caminho estreito, que é vida. Quem entra pela porta estreita tornou-se participante da doutrina de Cristo, mas quem O rejeita, continua fartando o seu ventre do fruto do seu caminho: morte “Portanto comerão do fruto do seu caminho, e fartar-se-ão dos seus próprios conselhos” ( Pr 1:31 ); “O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio” ( Pr 11:30 ); “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” ( Pr 18:20 ).

Quem recebe Deus por Pai ouve a sua instrução, portanto, do fruto da boca de seu pai, cada homem comerá o bem ( Pr 13:1 ). Porém, há os prevaricadores, os que não ouvem ao Pai e desprezam o seu fruto. O povo de Israel se dizia filho, porém, prevaricaram na sua atribuição. Como a boca fala do que o coração está cheio, um coração maligno só produz violência, pois em vez de esperar no Espírito de Deus, querem tomar o reino d’Ele a força “Do fruto da boca cada um comerá o bem, mas a alma dos prevaricadores comerá a violência” ( Pr 13:2 ).

O fruto está vinculado à boca, e não às ações, como se lê: “A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto” ( Pr 18:21 ). Apesar de o povo de Israel falarem acerca de Deus, o fruto que produziam era segundo o coração enganoso, portanto, honravam com a boca, mas o coração (rins) estava longe de Deus “Plantaste-os, e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém longe dos seus rins” ( Jr 12:2 ).

A intenção dos homens, ao matarem o Senhor Jesus, era destruir a Videira e, consequentemente seus ‘fruto’, a sua doutrina, pois Cristo não foi crucificado por causa de suas ações, mas por causa da sua palavra. O que fizeram aos profetas, também fizeram ao Filho “E eu era como um cordeiro, como um boi que levam à matança; porque não sabia que maquinavam propósitos contra mim, dizendo: Destruamos a árvore com o seu fruto, e cortemo-lo da terra dos viventes, e não haja mais memória do seu nome” ( Jr 11:19 ; Mt 21:38 ; Hb 1:2 ; Jo 10:33 ).

Os falsos profetas são identificados por aquilo que falam acerca de Cristo, pois dizem que Jesus não veio em carne ou que Jesus não é o Cristo, e este é o fruto que os identifica. João Batista identificou que os escribas e fariseus não produziam o fruto digno de mudança de concepção (arrependimento), porque saíam do batismo e continuavam dizendo que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão “Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” ( Mt 7:20 ); “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” ( Mt 3:8 ).

Os fariseus não eram plantas plantadas por Deus, pois não nasceram da semente incorruptível, portanto não podiam produzir o fruto digno de arrependimento ( Mt 15:13 ). Eram condutores cegos guiando cegos, ou seja, tudo o que diziam procediam do coração deles, portanto, diante de Deus as suas palavras não passavam de pensamentos maus (veneno de áspides), eram homicidas por causa das palavras de morte que professavam. Adulteravam a palavra de Deus e foram nomeados povo de Sodoma e Gomorra, davam falso testemunho de Deus o que redundava em blasfêmias ( Mt 15:17- 20); “Lavrastes a impiedade, segastes a iniquidade, e comestes o fruto da mentira; porque confiaste no teu caminho, na multidão dos teus poderosos” ( Os 10:13 ).

Um fariseu era facilmente conhecido pelo que professava, pois se dizia salvo por ser descendente da carne de Abraão e por guardar a lei de Moisés “Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore” ( Mt 12:33 ).

Qualquer que fala segundo o seu coração enganoso é homicida, fala mentira, blasfema, adultera, pratica violência diante de Deus “Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” ( Is 59:13 ); “E nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas são coisas que eu odeio, diz o Senhor” ( Zc 8:17 ).

Todas as condutas descritas no verso 19 do capítulo 13 de Mateus são figuras do que procede do coração daqueles que falam segundo o seu coração enganoso “E vós fizestes pior do que vossos pais; porque, eis que cada um de vós anda segundo o propósito do seu mau coração, para não me dar ouvidos a mim” ( Jr 16:12 ); “Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure” ( Mt 13:15 ).

Somente produz o fruto que redunda em gloria a Deus os homens de novo plantados, o que demonstra que Deus faz todas as coisas para louvor da sua glória. É o que Deus faz que redunda em sua gloria, e não o que o homem oferece como seu melhor. Deus planta os seus renovos, pois esta é uma glória que a Ele pertence “E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” ( Is 60:21 ).

“Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém” ( 1Pe 4:11 )

Ordens diretas lançadas da tribuna tais como: – Glorifiquem a Deus, adorem, louvem, etc., são inócuas. O correto é conscientizar que os cristãos são plantação do Senhor de modo que Ele seja glorificado através dos muitos ‘frutos’ que através dos ramos a Videira produz.

Para os descrentes, se desejar que eles glorifiquem a Deus, basta anuncia-lhes a palavra da verdade, a semente incorruptível, pois quando a semente germinar no coração daquele que ouvir e compreender, automaticamente ele glorificará a Deus, pois produzirá fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta ( Mt 13 ).

Quando nos expressamos dizendo: – Glória a Deus!, ou – Aleluia!, saiba que tais expressões não é o mesmo que glorificar a Deus, antes são expressões vinculadas à alegria e reconhecimento por tudo que Deus é e tem feito ( Sl 103 e 104 ).

Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus ( Fl 1:11 ).

 




Adoração

Se não professam a Cristo segundo o que diz a Bíblia, não há adoração verdadeira, antes, estas reuniões constitui-se em deleite segundo uma concepção carnal.


Introdução

Em nossos dias tem-se multiplicado nos templos ‘evangélicos/protestantes’ o número de espetáculos e cantores “cristãos” que embriagam os espectadores de emoções. Seriam estes ‘cultos/espetáculos’ a verdadeira adoração? O que a Bíblia ensina acerca da adoração?

 

Cânticos

A concepção de que Lúcifer foi regente do coral celestial propagou-se em meio ao cristianismo e tornou-se consenso. As pessoas não questionam as ideias consensuais e acabam incorrendo e divulgando erros grosseiros. Por causa da ideia equivoca de que Satanás era o regente das hostes angelicais, surgiram às concepções de que Satanás era um exímio músico, um conhecedor do poder da música e, que por meio da música leva muitos à perdição.

A Bíblia não ensina que Satanás era regente do um coral celestial, e nem que ele era versado em música. Observe:

  • Lúcifer nunca regeu o ‘coral celestial’ – A Bíblia demonstra que Satanás exercia especificamente a função de vigia (guarda) do monte santo de Deus “Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; estavas no monte santo de Deus, andavas entre as pedras afogueadas” ( Ez 28:14 ). Ora, o querubim foi ungido para a função de vigia do monte santo de Deus, e o lugar que ele montava guarda era o Éden, o jardim de Deus, e não os céus “Estavas no Éden, jardim de Deus…” ( Ez 28:13 ). Como Lúcifer poderia reger o coral celestial se ele foi criado e ungido para guardar o monte santo de Deus que ficava nas bandas do norte do jardim do Éden?
  • Não é Satanás que conduz os homens à perdição – A Bíblia demonstra que todos os homens entram por uma porta larga (Adão) ao serem gerados segundo a semente corruptível de Adão e seguem por um caminho que conduz à perdição. Ora, é o caminho no qual os homens estão que os leva à perdição, e não Satanás. Satanás não tem a atribuição de conduzir os homens à perdição. A perdição é resultante da queda de Adão, onde todos os homens foram julgados e condenados.

A função de Satanás é promover a mentira, fazendo o homem permanecer na ignorância. Os homens sem Deus permanecem na condição de perdição por causa da ignorância e dureza de coração, e da ignorância dos homens surgem inúmeras mentiras. A mentira é algo nato do homem sem a revelação de Deus em Cristo.

“… separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza de coração…” ( Ef 4:18 );

“Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” (Sl 58:3).

Cristo é salvação poderosa para todos os homens, e basta crer na mensagem do evangelho que o homem entrará por Cristo (porta estreita), nascendo de novo (último Adão). Porém, a ação de Satanás é semear o joio, arrebatar a palavra semeada, estabelecer falsos mestres e falsos profetas para que os homens creiam na mentira, permanecendo no engodo do pecado “E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem” ( 2Ts 2:10 ).

Um consenso acerca das atribuições de Satanás antes da queda levou muitos cristãos ao engano de que ele era responsável pela regência do coral celestial; que há um poder indescritível na música e que Satanás sabe usá-la para arregimentar os homens para o inferno; Se esta estória acerca da música virou consenso e ludibriou muitos, qual será o consenso acerca da adoração?

 

O que é adoração?

Um leproso prostrou-se diante de Cristo dizendo que somente Ele poderia curá-lo e O adorou dizendo: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo” (Mt 8:2) Ou seja, o simples fato de reconhecer que somente Jesus poderia curá-lo constitui-se adoração.

“E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo” ( Mt 8:2 ).

Uma mulher suplicou o auxilio de Jesus, e este fato constitui-se adoração:

“Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!” ( Mt 15:25 ).

Por que pedir auxílio a Cristo constitui-se adoração? Qual o elemento comum a todos os pedidos? O Cristo-homem!

Cristo é a fé que se manifestou aos homem, por meio do qual o justo viverá (Gl 3:23). Cristo é o firme fundamento pelo qual os homens alcançam as firmes beneficências prometidas a Davi (Is 53:3). Cristo é o elemento essencial à adoração, pois todas as promessas de Deus tem n’Ele o sim, e por Ele o amém! (2Co 1:20)

Em ambos os casos temos um pedido, uma oração, a expressa da confiança do homem necessitado. Ao rogar a Cristo que resolva problemas impossíveis aos homens de resolver, temos a fé (crença) em exercício, um descasar na esperança proposta. Somente roga a Cristo quem crê que, por Ele Deus é propício as suas criaturas.

“Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou” ( Jo 9:38 ).

O elemento essencial a adoração é Cristo, pois sem Cristo é impossível agradar a Deus! A crença do homem só é aceita por Deus quando depositada em Cristo, constituindo assim adoração.  Reconhecer que o homem de Nazaré é capaz de realizar o que é impossível aos homens é uma forma de reconhecer que Cristo é o Filho Unigênito de Deus “Ó mulher, grande é a tua fé! Seja feito para contigo como tu desejas” ( Mt 15:28 ).

Através de várias passagens bíblicas é possível abstrair que o simples fato de o cristão dirigir a Deus um pedido, uma oração, já está adorando a Deus, visto que, somente ora ao Pai quem crê que será atendido “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” ( Hb 11:6 ).

A adoração também pode ser um ato de reconhecimento, o que se depreende do texto a seguir:

“E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” ( Mc 5:6 -7).

Os demônios adoraram a Jesus quando o reconheceram como o Cristo de Deus, porém, ao intentar revelar Cristo aos homens, pretendiam fazer o que é próprio as Escrituras. Os homens tem que reconhecer que Jesus é o Cristo pelo testemunho de Deus exarado nas Escrituras, e não por palavra de demônios, por isso a ordem para que se calassem “E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios, porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam” ( Mc 1:34 ).

Que relação tem a Luz com as trevas? Jesus proibia os demônios de anunciar que Ele era o Cristo porque o reino dos céus não depende do testemunho de demônio para ser estabelecido. Muitos pretensos adoradores em nossos dias dão mais credito ao que os possessos por demônios dizem, do que na verdade do evangelho. Observe a atitude de Paulo com a advinha que o seguia:

“Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu” ( At 16:17 -18).

A adoração a Deus é um reconhecimento somente?

A verdadeira adoração só ocorrer quando o homem é gerado de novo da semente incorruptível, ou seja, em espírito e em verdade, como lemos:

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” ( Jo 4:23 ).

Somente aqueles que são nascidos do Espírito, ou seja, que nasceram de novo são espirituais e adoram a Deus verdadeiramente ( Jo 3:6 ), o que só é possível através da crença em Cristo ( Jo 1:12 -13; Ef 4:24 ; Rm 1:16 ).

Todos os descendentes de Adão são carnais e precisam nascer de novo da palavra de Deus para serem contados como filhos de Deus. Somente através da obediência a palavra do evangelho, a semente incorruptível, ou seja, o poder de Deus, que o homem é de novo gerado, e passa a adorar a Deus em espírito e em verdade.

Fazer odes, músicas, poesias, gravuras, quadros, etc., em reconhecimento a existência de Deus não e adorar em espírito e verdade. Outros, como é o caso dos judeus, tem zelo de Deus, porém, sem entendimento, pois não deixaram se iluminar pela luz do evangelho, e por isso, também não adoram a Deus ( Rm 10:2 ).

Não terão conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo, como se comessem pão, e não invocam ao SENHOR?” (Sl 14:4).

Vários artistas, religiosos ou não, compõem canções, mas nem por isso adoram a Deus em verdade. A mentira faz parte da natureza que herdaram de Adão. A separação de Deus fez surgir uma nova natureza segundo a mentira. Deus é luz, e os que não são nascidos de Deus, são trevas. Deus é verdade, e os que estão separados d’Ele, são ‘mentira’. As trevas ou a mentira só é dissipada através do novo nascimento ( Rm 3:7 ).

Fica a pergunta: será que os espetáculos e cultos que são realizados constituem-se em verdadeira adoração a Deus? Não são modismos e uma imitação barata dos cultos que são dedicados aos ídolos?

Se nestas reuniões estiverem falando a verdade do evangelho, ou seja, professando a Cristo segundo diz as escrituras, é certo que estariam adorando a Deus em espírito e em verdade. Porém, se não professam a Cristo segundo o que diz a Bíblia, não há adoração verdadeira, antes, estas reuniões constitui-se em deleite segundo uma concepção carnal, ou seja, são reuniões cheias de emocionalismo, mas desprovida do Espírito de Deus.

As pessoas que fazem shows bendizem a Deus, porém, o bendizer por si só não é a verdadeira adoração, pois não procede de lábios de verdadeiros adoradores (homens nascidos de novo). Acaso monges, padres e sacerdotes que reverenciam a Deus em suas reuniões adoram a Deus simplesmente por bendizê-lo? Dizer “Senhor, Senhor” não se constitui em adoração, antes, para ser ‘conhecido’ do Senhor é necessário crer conforme diz as Escrituras.

“E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23)

Os salmos 103 e 104 são exemplos típicos de adoração a Deus, pois o salmista Davi era um verdadeiro adorador, visto que recebeu um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ). Davi bendiz ao Senhor por tudo que Ele faz pelos homens que N’Ele esperam ( Sl 103:1 ), e em seguida bendiz a Deus pela sua magnificência ( Sl 104:1 ).

Não se esqueça que o salmo 51 também é adoração, pois se constitui em oração a Deus, onde temos o salmista esperando em Deus que venha conceder um novo coração e um novo espírito (novo nascimento).

 

Adoração em espírito e em verdade

Somente adora a Deus em espírito e em verdade aqueles que são agradáveis a Deus. Apesar de ser bonito ver uma pessoa que, quando diz o nome de Deus tira o chapéu de sobre a cabeça em sinal de reverência, não é este o modo pelo qual os homens se submetem ao Senhorio de Deus, antes só é possível tomar o jugo da justiça obedecendo à palavra de Deus, que é: Crede naquele que Ele enviou. Gesto e sinais de reverência não tornam os homens agradáveis a Deus. Entrar nos templos descalço não é reverência ao Altíssimo. Falar baixinho não se constitui em reverencia a Deus. Entrar em um templo não é o mesmo que se apresentar ante o trono da graça. Somente por meio da verdade do evangelho (a fé que foi dada aos santos) o homem tem acesso à presença de Deus.

Quando a adoração de certos seguimentos evangélico/protestante foca-se na ritualística, na forma, na legalidade, na moral, em costumes, na tradição, e outros quesitos, simplesmente seguem o curso natural de outros seguimentos religiosos pagãos. Todas as religiões baseiam-se em conceitos, cerimônias, liturgia, rito padronizado, organização, liderança e experiência emocional ou mística.

O evangelho de Cristo não segue padrões humanos, visto que é pela fé e por fé somente. A fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos é a ancora da alma, segura e firme, que penetra além do véu, onde os que creem se refugiam e descansam (fé) na esperança proposta ( Hb 6:13 -20; Jd 1:3 ; Fl 1:27 ).

Para muitos a adoração vincula-se aos templos, sacrifícios, campanhas, peregrinações e cânticos e por um determinado espaço de tempo. Este modelo de culto segue a concepção carnal dos cultos das religiões em geral, visto que acabou por fomentar a ideia de que a adoração depende do comprometimento do homem com a instituição que frequenta, com a contribuição, com sacrifícios, meditação, êxtase, transe, orações repetitivas, etc.

Mas, o que Jesus anunciou acerca da verdadeira adoração? Que ela não está atrelada a templos (igrejas, mesquitas ou sinagogas), lugares (Jerusalém, Samaria, Gilgal), tempo (dias de festas e sábados), nação (judeus ou gentios), antes se vincula a nova natureza concedida na regeneração (novo nascimento).

O que o Pai procura nos verdadeiros adoradores? A conversa de Jesus com a mulher samaritana trás um escopo geral do que é essencial à adoração.

Qual o lugar de adoração dos verdadeiros adoradores? Ora, sabemos que Deus é Espírito, e que os seus adoradores o adoram em espírito e em verdade. Onde o espírito de Deus está ai há liberdade, ou seja, não importa o lugar, ou antes, em todos os lugares há liberdade para o homem estar na presença de Deus.

Como? Ora, não é necessário templos feitos por mãos humanas, pois todos os que creem foram edificados templos e casas espirituais, são templos e morada do Espírito “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:22 ). Não é necessário sacerdotes, pois todos que creram foram comissionados a sacerdócio real ( 2Pe 2:9 ). Aonde quer que o cristão vá, ali ele é templo e habitação do Altíssimo. Os verdadeiros adoradores adoram ao Pai em espírito e em verdade, para que de fato sejam livres.

Qualquer sistema religioso que aponta um determinado templo, cidade ou monte como sendo o lugar da manifestação da graça divina é um engodo. Você já ouviu do seu pastor que você é o templo onde Deus habita? Que você é a casa do Deus vivo? Que você adora o Pai em espírito e em verdade? Que não são as instituições e nem os homens que lhe conduziu a glória de Deus?

Se você é templo; Se você é sacerdote do Rei; Se você é o próprio sacrifício VIVO; se você é o ofertante, o que mais lhe falta para prestar o culto racional a Deus, onde, quando e com quem você estiver? Você é adorador em todos os momentos da sua nova vida em Cristo, e são estes adoradores que o Pai procura através da mensagem do evangelho. Se você crê em Cristo conforme as escrituras, você é um dos adoradores que o Pai ‘encontrou’ “E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida” ( Lc 15:6 ).

Em nossos dias muitas pessoas creem em promessas de prosperidade, em bênçãos materiais, em visões provenientes de mentes carnais, em profecias de homens corruptos de entendimento, porém, estas mesmas pessoas crédulas, diante da mensagem do evangelho que diz que todos os cristãos são pedras vivas, e que foram edificados casa espiritual sobre a Pedra Viva que foi rejeitada pelos homens, não creem. Rejeitam a palavra que diz que os cristãos são sacerdotes santos; rejeitam que os que creem oferecem sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus ( 1Pe 2:4 -5).

Não será cânticos gregorianos que fará os filhos da ira e da desobediência verdadeiros adoradores; cânticos e poesias sussurrados na penumbra de templos suntuosos não farão do homem natural um verdadeiro adorador. Não são os espetáculos de luzes e vozes em coro, acompanhado de instrumentos musicais, que servem somente para emocionar a platéia, que dará ao homem a alegria da salvação. Antes, necessário é nascer de novo, adquirindo um novo coração e um novo espírito.

Muitas pessoas pensam que o cântico é um modo do homem se aproximar de Deus e agradá-lo. Acham que nos hinos está o verdadeiro louvor. Enganoso é o coração dos homens. O povo de Israel em uma determinada guerra pensou deste modo, e a derrota na batalha foi maior! Pensaram que a vitória estaria na arca e cantaram com grande júbilo, que acabou por perturbar os inimigos. Porém, Deus não se sensibilizou com o espetáculo, com os cânticos e com as danças. O povo foi à guerra, foram derrotados e voltaram sem a arca da aliança, o ícone que elegeram para conduzi-los a vitória “E sucedeu que, vindo a arca da aliança do SENHOR ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu” ( 1Sm 4:5 ).

Na emoção não há vitória, antes a vitória está na obediência à palavra de Deus. Mas, como obedecer sem descansar (fé) naquele que prometeu? Não era melhor obedecer a Deus e não levar a arca da aliança para a guerra.

Davi deixou a emoção guiá-lo e trouxe sobre si o peso do Senhor:

“Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o Senhor, com todo tipo de instrumento…” ( 2Sm 6:5 ).

Deus não exige cânticos, júbilos, músicas, poesias e danças, antes quer que O obedeçam segundo a sua palavra ( Dt 10:12 -13). O temor é o princípio da sabedoria, e ao temer, Davi foi à fonte da sabedoria para inteirar-se da vontade de Deus: “Temeu Davi ao Senhor naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca do Senhor” ( 2Sm 6:9 ).

Muitos deixam de perguntar à sabedoria qual a verdadeira adoração e se deixam levar pelos grandes espetáculos e show de luzes, que na essência é um culto a Mamon. Tal ajuntamento simplesmente serve a interesses do capital. Tais cultos sevem aos interesses de homens movidos pela ganância e que busca o prêmio de Balaão ( Jd 1:11 ).

Porém, parece que nestes últimos dias o aviso solene que ecoa pela escrituras não sensibiliza as massas, e temos na Bíblia dois motivos como causa desta realidade:

  • Em nossos dias proliferaram os pastores que apascentam a si mesmos, que andam segundo a concupiscência dos olhos e consideram que o evangelho é fonte de lucro “Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências…” ( Jd 1:12 -16);
  • O público que atraem não é outro, a não ser àqueles que têm comichão nos ouvidos e que não querem receber a sã doutrina do evangelho “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” ( 2Tm 4:3 ).

Observe que a concupiscência é algo comum aos ‘pastores’ que apascentam a si mesmo e as ‘ovelhas’ que sofrem de comichão nos ouvidos e que buscam amontoar estes ‘pastores’.

Não sou contra o ajuntamento solene, pois a Bíblia demonstra que é imprescindível que os cristãos congreguem e se exercitem no amor; é nas reuniões que as escrituras são lidas, analisada e entoadas para que haja o consolo mútuo entre os cristãos através do que lhes é comum: a verdade do evangelho.

 

Cânticos e Salmos

Qual a função dos cânticos e salmos? Adoração? Ora, é de conhecimento geral que a maioria do povo não sabia ler. À época os livros eram caríssimos, e poucas pessoas possuíam um exemplar de algum livros das escrituras. Por causa desta carência de livros e de pessoas que soubessem ler os cânticos, os provérbios e os salmos foram instituídos para auxiliar o povo a gravar na memória o que aprenderam acerca da vontade de Deus.

Este era um dos motivos das escrituras ser lida nas sinagogas todos os sábados em voz alta. Tal rotina não constituía um ritual de per si, antes tina em vista uma carência do povo. Ora, a adoração não estava atrelada aos cânticos, salmos e provérbios, visto que a adoração verdadeira é proveniente do novo espírito e do novo coração concedidos por Deus ( Ez 18:31 ; Sl 51:10 ).

O objeto manipulado nas reuniões dos primeiros cristãos eram os salmos e cânticos espirituais, pois fixava na memória dos irmãos a verdade do evangelho “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração” ( Cl 3:16 ); “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:19 ).

Perceba que ensinar, ou admoestar e falar uns com os outros não se constitui em adoração como muitos entendem em nossos dias. Ou seja, cânticos, hinos e salmos eram utilizados no processo de ensino, admoestação e comentários à palavra do evangelho, o que é diferente da ideia de adoração, que só é possível em espírito e em verdade.

Ou seja, os cristãos devem reunir-se periodicamente (congregar), porém, as reuniões não se constituíram adoração ou culto ao Senhor. As reuniões têm como objetivo o ensino da palavra, visto que o culto é racional e a adoração perene (nunca cessa).