Cristão vota em partido de direita, de centro ou de esquerda?

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Ser cristão é comungar da doutrina de Cristo, de modo que, questões como nacionalidade, posição social, condição econômica, etc., tornam-se irrelevantes.


Cristão vota em partido de direita, de centro ou de esquerda?

“ADMOESTO-TE, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,” (1 Timóteo 2.1 -3).

Sedição dos judeus

Por volta de 66 d. C., os judeus da província da Judeia rebelaram-se contra o Império Romano, o que culminou com a invasão de Jerusalém pelo general Tito, no ano 70 d.C., encerrando a sedição após duro sítio imposto à cidade de Jerusalém por longos 47 dias.

Qual a relevância da informação acima com relação ao tema do título do artigo? Verificar como os apóstolos protegeram as comunidades cristãs do primeiro século da perseguição que sobreveio sobre os judeus, e que lições podemos aprender e aplicar aos cristãos do nosso tempo.

Por volta de 65 d. C., Judas escreveu aos cristãos convertidos dentre os judeus alertando que se introduziram na comunidade cristã homens ímpios que rejeitavam as dominações (governos) e falavam mal das autoridades constituídas (Judas 1.4 e 11). Os judaizantes eram esses homens ímpios, que se queixavam da sorte e que andavam segundo as suas concupiscências (ansiavam liberdade), pois não se conformavam de estarem sob jugo dos gentios (romanos).

Um pouco antes, por volta de 64 d. C., o apóstolo Paulo exortou Timóteo, seu filho na fé (evangelho), que se fizesse orações por todos os homens, inclusive pelos reis e autoridades em eminencia (1 Timóteo 2.1-3). Conhecedor da sociedade à época, o apóstolo Paulo bem sabia que os judeus, por serem sediciosos, não teriam uma vida quieta e sossegada, e por isso, recomendou aos cristãos, da qual faziam parte muitos judeus, que orassem por todos os homens, inclusive pelos Romanos, o que evitaria que cristãos apoiassem as sedições dos judeus.

O alerta para que os cristãos se sujeitassem as autoridades humanas era uma constante nas exortações dos apóstolos, inclusive Pedro (1 Pedro 2.13-17). O apóstolo da circuncisão orienta os cristãos convertidos dentre os judeus a viverem honestamente entre os gentios, sujeitos as ordenações humanas, ao rei e aos governadores (1 Pedro 2.12-13). Por causa da intransigência dos judeus em não aceitarem a dominação dos Romanos, os gentios, acabava por falar mal dos cristãos, pois não sabiam diferenciar os religiosos judeus dos seguidores de Cristo.

Na sua segunda epístola, o apóstolo Pedro classifica o desejo de insurreição dos judeus de atrevimento e arrogância, pois eram instruídos segundo a carne (doutrina de homens), e por isso, blasfemavam das dignidades e desprezavam as autoridades (2 Pedro 2.10).

Qual era o objetivo dos apóstolos com tais alertas? Favorecer a hegemonia política dos Romanos em detrimento dos judeus? Buscar o crescimento das comunidades cristãs em detrimento das comunidades judaicas? Acabar com o império e estabelecer a democracia? Acabar com a base da produção do império, a escravidão? Evidente que não!

A doutrina do evangelho não se firma e nem promove ideologias políticas, econômicas ou sociais, muito menos depende de sistemas políticos e instituições religiosas. Daí a pergunta: na atualidade, o que pretendem alguns pastores quando influenciam o voto dos seus congregados? Há base bíblica para se recomendar que cristãos tenham preferência por uma ideologia política em detrimento de outra? Há base bíblica para um cristão buscar um modelo econômico em detrimento de outro? O cristão deve votar em cristão, em detrimento de não cristãos? É o que veremos.

 

O que é ser cristão

Antes de prosseguirmos com a temática ‘Cristão vota em partido de direita, de centro ou de esquerda?’, primeiro se faz necessário definir o que é ser cristão.

Uma pessoa que confessa que Jesus é o Filho de Deus, e crê que Deus O ressuscitou dentre os mortos, conforme o testemunho das Escrituras, é o que pode ser denominado cristão (Romanos 10.9).

Por outro lado, uma pessoa que professa ser religioso, ou que segue uma filosofia de vida, ou que norteia a sua conduta segundo os bons costumes, moral, caráter, ou consciência, etc., na verdade, não é o que deva ser de fato nomeada cristã.

O apóstolo Paulo era cristão, vez que não se envergonhava do evangelho de Cristo (Romanos 1.16). Mesmo sendo perseguido por seus concidadãos, o apóstolo dos gentios prontamente admitia que servia o Deus de Abraão, Isaque e Jacó tendo por base o evangelho (Caminho) de Cristo, e que por isso mesmo, cria em tudo o que constava na lei e nos profetas (Atos 24: 14).

A exemplo do apóstolo Paulo, em essência, um cristão é um discípulo de Jesus. Ser discípulo é seguir a doutrina de Jesus, crendo que Ele é o enviado de Deus como salvador dos homens, e que, para serem salvos da condenação à morte eterna, que foi imposta por causa da ofensa de Adão, precisam crer que Jesus é o Cristo.

É imperioso considerar que ser cristão não é adotar uma filosofia de vida, ou um estilo de convivência. Ser cristão não é se portar segundo a moral e os bons costumes vigentes, e muito menos praticar preceitos de um determinado seguimento religioso ou filosófico.

É recorrente, em nossos dias, as pessoas lançarem mão de ideais éticos e alguns valores morais como sendo judaico-cristão, e alardeiam que, por agirem segundo esses ideais e valores, seriam cristãos. Entretanto, basta analisar o que professam acerca de Cristo, e se não corresponde à doutrina anunciada pelos apóstolos e pelos profetas, não se trata de uma pessoa cristã.

Ser cristão é comungar da doutrina de Cristo, de modo que, questões como nacionalidade, posição social, condição econômica, etc., tornam-se irrelevantes.

“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:27 -28)

Para o evangelho de Cristo é indiferente se o indivíduo que professa a Cristo é homem ou mulher, se é pobre ou rico, se é escravo ou livre, etc., o que importa é se creu que Jesus de Nazaré é o Cristo prometido nas Escrituras, o Filho do Deus bendito.

Por má leitura de algumas passagens do evangelho ou de algumas parábolas, há quem considere essencial à doutrina cristã socorrer os desvalidos, pagar-lhes as dívidas, dar pão aos necessitados, etc. Nesse sentido, qualquer seguimento religioso ou pensamento filosófico que adotem tais práticas são rotulados como seguidores de princípios cristãos, sendo que, na verdade, trata-se tão somente de questões humanitárias.

Um exemplo de preceitos humanista é a Teologia da Libertação, corrente teológica que surgiu na América Latina, depois do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín, que vislumbrou que o Evangelho exige a opção preferencial pelos pobres. Seus pensadores interpretam os ensinamentos de Jesus em termos de uma libertação de injustas e opressoras condições econômicas, políticas ou sociais.

As Escrituras determinam que ser cristão é favorecer o pobre? A premissa das Escrituras é nunca ter preferência, nas questões de justiça, por ninguém:

“Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.” (Êxodo 23.3);

“Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo.” (Levítico 19.15).

Em algum momento da história da cristandade, alguém idealizou que assistir os necessitados, dar esmolas, contribuir com obras assistenciais, acolher os desabrigados, etc., eram práticas cristãs, e que se alguém adota tais práticas como estilo de vida seria uma pessoa cristã. No entanto, essa pessoa, na essência não é cristã, antes é um filantropo.

Alguém pode contra argumentar: mas, além de ser desprendida e profundamente generosa para com outrem, se essa pessoa acredita que Jesus é um espírito iluminado, ou um ser caridoso, ou um anjo, ou um dos profetas, ou um homem generoso, ou um revolucionário religioso e político, etc., ela não seria cristã?

Partindo de uma concepção própria a humanidade, qualquer que acredita em qualquer questão acerca do Jesus histórico, seria um cristão, entretanto, para os apóstolos, cristão é somente aquele que acredita no nascimento virginal do Cristo, que Ele é o Filho de Deus que foi morto segundo as Escrituras, que ressurgiu dentre os mortos pelo poder de Deus e que está assentado a destra da Majestade nas alturas.

Qualquer pessoa que diz crer em Jesus, mas que não é conforme o modelo das sãs palavras dos apóstolos, é anátema, portanto, não é cristã.

“Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus.” (2 Timóteo 1.13).

 

As decisões de um cristão

O apóstolo Paulo deixou registrado uma recomendação que dá parâmetro de como os cristãos devem pautar as suas decisões no dia a dia.

Ao escrever aos cristãos de Corintos, instruindo-os acerca do casamento, fez a seguinte colocação:

“Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel. Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim. Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher. Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos.” (1 Coríntios 7.25-28).

O apóstolo dos gentios é cuidado ao destacar que, na questão do casamento das moças, não tinha um mandamento de Deus, antes estava dando o seu parecer: que cada qual permanecesse no estado em que se converteu ao evangelho. Se solteiro, que assim permanecesse, se casado, que não se separasse (1 Coríntios 7.24).

Por causa da crise à época (instante necessidade), não dá para precisar se social, política ou econômica, que seria bom ao homem agir da seguinte forma:

“Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher.” (1 Coríntios 7.27).

O apóstolo Paulo estava proibindo o casamento? Estava dando um mandamento de Deus? Estava instituindo o celibato? Evidente que não! Ele estava destacando que, antes de casar, o cristão deve atentar para a conjuntura social e econômica do momento. A temática é: em momento de crise social, política ou econômica, a melhor decisão quanto a casar é decisão nenhuma.

Que cada cristão, por causa da crise, permanecesse na vocação (estado, condição) que foi chamado:

“Cada um fique na vocação em que foi chamado. (…) Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado.” (1 Coríntios 7.20 e 24).

Isto posto, observe que, se o apóstolo Paulo não tinha mandamento do Senhor quanto as questões de casamento, certo é que, quem deseja casar, comprar, vender, construir, investir, etc., que observe a conjuntura socioeconômica que o país está atravessando, em vez de perguntar para o pastor, profeta, etc.

Em momento de grave crise, guerra, convulsão social, etc., não é o momento ideal para casar, contudo, a decisão pertence aos nubentes, e não a terceiros. Se alguém, mesmo diante da crise, deseja casar e casa, não comete pecado, ou seja, não erra, contudo, vai sofrer em decorrência da crise.

“Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos.” (1 Coríntios 7.28).

O apóstolo Paulo demonstra em outra carta que, o cristão tem que compreender as questões culturais da sociedade na qual está inserido. Sabedor de que entre os gregos, o silêncio da mulher era uma virtude apreciada[1], ao escrever aos cristãos de Corintos, o apóstolo dos gentios recomendou que, as mulheres dos cristãos estivessem caladas nas igrejas.

“As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas, estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja.” (1 Coríntios 14:34-35).

Isto significa que o apóstolo Paulo era machista? De maneira alguma. Mas, que fruto teria o evangelho, caso um grego participasse de uma reunião e visse uma mulher falando aos irmãos? Qual seria a primeira impressão do visitante? A mensagem seria desconsiderada, visto que uma mulher não estava preservando a sua virtude.

Mas, digamos que o apóstolo Paulo, a pretexto de proclamar o evangelho, contrariasse os costumes gregos e incentivasse as mulheres a falar em público. É evidente que, em curto espaço de tempo haveria uma grande aversão à comunidade de cristã.

Semelhante ao apóstolo Paulo, temos outro exemplo de pessoa antenada nas questões políticas do seu tempo: Abigail. Abigail estava ciente das atualidades, diferente do seu esposo, Nabal.

Quando Abigail foi informada por um dos servos do seu marido, que Nabal havia destratado Davi, ela saiu ao encontro de Davi, e demonstrou que estava ciente do que estava determinado acontecer:

“Perdoa, pois, à tua serva esta transgressão, porque certamente fará o SENHOR casa firme a meu senhor, porque meu senhor guerreia as guerras do SENHOR, e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias (…) E há de ser que, usando o SENHOR com o meu senhor conforme a todo o bem que já tem falado de ti, e te houver estabelecido príncipe sobre Israel (1 Samuel 25.28 e 30).

Nabal tratou Davi como se fosse um escravo fujão, Abigail, por sua vez, tratou Davi segundo a promessa que Deus havia feito, que Deus faria casa (descendência) a Davi e estabeleceria o seu trono.

Além de se apresentar a Davi subserviente, Abigail demonstrou estar ciente das questões que envolviam a casa de Davi e Saul, que este havia sido rejeitado por Deus, e aquele, apesar de fugitivo, era o escolhido para rei em Israel.

Semelhantemente, para tomar decisões no dia a dia, o cristão deve atentar para os eventos e circunstancias a sua volta.

Quando estava sendo procurado pelo rei Aretas, o apóstolo Paulo procurou fugir da cidade dos damascenos, e utilizou-se de uma cesta para ser descido da muralha (2 Coríntios 11.33).

Elias, ao ser ameaçado por Jezabel, evadiu-se, passou por Judá e refugiou-se no deserto (1 Reis 19.4).

Davi, quando se refugiou em Queila, soube que Saul estava em seu encalço, e consultou a Deus para saber se os cidadãos de Queila o entregariam nas mãos de Saul. Ao saber que seria entregue, fugiu juntamente com seus seiscentos homens (1 Samuel 23.13).

De todos os profetas acima, vê-se que as circunstâncias nortearam as decisões dos servos de Deus para fugirem, diferentemente da ideia de um servo de Deus deve enfrentar ameaças e perigos pelo fato de ser servo de Deus.

Davi, Elias e o apóstolo Paulo enfrentaram muitas adversidades quando em defesa de Israel ou do evangelho, mas quando a questão era pessoal, todos evitaram o confronto direto, preferindo evadir-se do que tentar a Deus.

O cristão deve se engajar nas guerras do Senhor, ou seja, na defesa do evangelho, e nesse quesito, o cristão terá a proteção do Senhor, como foi o caso da víbora que picou a mão do apóstolo Paulo durante uma viagem missionária. Nas questões pessoais, apesar de confiar em Deus, o cristão não deve esperar intervenções divina, antes analisar a circunstancias, se boas ou ruins, e tomar suas próprias decisões.

Quando marchou contra Nabal, Davi tomou uma decisão pessoal, e se esqueceu que só podia sair a guerra se fosse para guerrear as guerras do Senhor, e não em causa própria. Da mesma forma que Davi não podia julgar a sua própria causa com relação a Saul (1 Samuel 24.15), não podia faze-lo com relação a Nabal, mas Deus deu livramento usando Abigail, e Davi foi sensível a voz de Deus (1 Samuel 25.28).

Semelhantemente, o cristão não deve esperar que Deus intervenha em suas questões de ordem pessoal, ou que interfira em suas escolhas pessoas nas questões do dia a dia. Nada impede que um cristão faça imprecações e rogos antes de tomar uma decisão frente aos dilemas da vida, mas isso não significa que será atendido, pois envolve questões e vontades pessoais.

“Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” (Tiago 4.3).

Um cristão escravo à época do apóstolo Paulo podia orar para alcançar a liberdade? Podia. Mas, isso significa que seria atendido? Não! O modo como o apóstolo Paulo aconselhou os cristãos escravos envolve analisar as circunstâncias, e não fazer orações:

“Cada um fique na vocação em que foi chamado. Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião.” (1 Coríntios 7.20-21).

Se alguém se tornou cristão na condição de escravo, não tinha que viver a nova vida em Cristo em função da conquista da liberdade, visto que, o evangelho consiste em promessa de salvação da condenação eterna, e não da libertação de um sistema escravagista. Mas, caso aparecesse a oportunidade de ser livre, que o cristão aproveitasse a ocasião.

O cristão deve estar cônscio de que tudo sucede igualmente a todos:

“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.” (Eclesiastes 9.2).

Nas questões do dia a dia cabe uma boa observação e análise:

“Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas.” (Eclesiastes 11.6).

Se o cristão quiser comer e prosperar, terá que semear e cuidar do que plantou, pois, a única certeza existencial são as incertezas decorrentes das questões desta vida.

“No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez a este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Eclesiastes 7.14);

“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.” (Eclesiastes 9.11).

Não adianta ao crente orar e não semear. Não adianta orar, e não cuidar do que foi semeado. Não adianta orar e plantar fora da estação própria. Não adianta orar e não fazer a colheita, visto que o homem comerá do suor do seu rosto (Gêneses 3.17-19).

 

Sujeição a autoridade

Ao escrever acerca da sujeição as autoridades, temos que consideras os judeus como pano de fundo da abordagem.

O apóstolo dos gentios instrui os cristãos em Roma que toda pessoa deve se submeter às autoridades, e aponta dois motivos: a) toda autoridade vem de Deus; b) e as autoridades que existem foram estabelecidas por Deus (Romanos 13.1). Por conseguinte, qualquer que se opõe as autoridades constituídas resiste o que Deus estabeleceu, e trará sobre si condenação (Romanos 13.2).

Qual a ideia de autoridade apresentada pelo apóstolo Paulo? Autoridade são aqueles que estão em eminencia incumbidos de punir as más ações (Romanos 13.3-4). É um agente da ira, estabelecido para punir os maus.

Devemos considerar o exposto no Antigo Testamento, no qual Deus classifica os filhos de Israel de maus, e que as nações estrangeiras seriam estabelecidas como vara da correção e espada da ira de Deus.

“Por isso se acendeu a ira do SENHOR contra o seu povo, e estendeu a sua mão contra ele, e o feriu, de modo que as montanhas tremeram, e os seus cadáveres se fizeram como lixo no meio das ruas; com tudo isto não tornou atrás a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida. E ele arvorará o estandarte para as nações de longe, e lhes assobiará para que venham desde a extremidade da terra; e eis que virão apressurada e ligeiramente.” (Isaías 5.25-26).

É comum as pessoas lerem os versos iniciais do Capítulo 13 de Romanos como uma lição especifica para o nosso tempo, porém, quando o apóstolo apresenta a autoridade como agente da ira para punir os maus, temos que lembrar que os filhos de Israel era maus e acenderam a ira de Deus, consequentemente, as autoridades à época eram estrangeiras, em função de Deus arvorar a sua bandeira entre as nações convocando-as para serem agentes da ira de Deus. Rebelarem contra as autoridades estrangeiras era o mesmo que opor-se a Deus que as instituiu com o objetivo de punir o seu povo (os maus).

“Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.” (Mateus 12.34).

Mas, e em nossos dias? Até a autoridade corrupta é ministro de Deus? O conceito apresentado não trata da questão moral do agente (autoridade), antes destaca o exercício da função para o qual foi instituído. Um exemplo temos na autoridade decorrente do pátrio poder, vez que, não importa se o pai é moralmente correto ou não, antes o que importa é a autoridade investida no papel do pai, que visa a educação do filho, punindo as más ações visando o bem da criança.

A sujeição as autoridades se dá no pagamento dos impostos, pois é através dos impostos que a autoridade angaria os meios necessários para punir os maus. Adiantava os filhos de Israel injuriarem os publicanos? Não! Os publicanos estavam a serviço das autoridades constituídas, as mesmas que foram postas para punir os filhos de Israel pela desobediência.

O cristão sujeita-se a autoridade através de impostos, tributos, reverencia e honra (Romanos 13.7). Mas, se alguém que se diz autoridade (sacerdotes) impor obrigações que façam calar o evangelho, que se obedeça a Deus.

“Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5.29).

Voltando ao capítulo 13 da epístola aos Romanos, novamente o apóstolo Paulo estabelece um contraponto entre a lei mosaica e o evangelho, só que desta vez através das figuras noite e dia, e obras das trevas e armas da luz (Romanos 13.12).

O cristão deve andar (portar-se) de modo correto, ou seja, como filhos da luz, portanto, não pode coadunar com as obras das trevas, ou seja, com as práticas judaicas abomináveis, como: glutonarias (Salmos 106.14-15), bebedeiras, orgias (Salmos 106.19-22; Êxodo 32.6), dissoluções (Salmos 106.17), contendas (Números 20.13; 26.9) e invejas (Salmos 106.16).

“E vistes as suas abominações, e os seus ídolos, o pau e a pedra, a prata e o ouro que havia entre eles, Para que entre vós não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo, cujo coração hoje se desvie do SENHOR nosso Deus, para que vá servir aos deuses destas nações; para que entre vós não haja raiz que dê veneno e fel; E aconteça que, alguém ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande conforme o parecer do meu coração; para acrescentar à sede a bebedeira. (Deuteronômio 29.17-19).

O Salmo 106 descreve as dissoluções, contendas, bebedeiras, invejas, glutonarias, etc., praticadas pelos filhos de Israel no deserto:

“Porém cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu conselho. Mas deixaram-se levar à cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão. E ele lhes cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza às suas almas” (Salmo 106.13-15).

Em seguida descreve a punição:

“Assim se contaminaram com as suas obras, e se corromperam com os seus feitos. Então se acendeu a ira do SENHOR contra o seu povo, de modo que abominou a sua herança. E os entregou nas mãos dos gentios; e aqueles que os odiavam se assenhorearam deles. E os seus inimigos os oprimiram, e foram humilhados debaixo das suas mãos.” (Salmo 106.39-42).

Daí a recomendação paulina: revesti-vos do Senhor, ou seja, do evangelho, e, que o cristão não tenha cuidado da carne e suas concupiscências. Qual a concupiscência da carne (Romanos 13.14). O apóstolo Pedro responde:

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma; Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.” (1 Pedro 2.11-14).

“TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. (…) Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências. ” (Romanos 13.1 e 13-14).

Querer tomar o domínio das mãos das nações estrangeiras utilizando-se da espada a pretexto de estabelecer um domínio judaico era concupiscência da carne, e por isso, os judeus não se sujeitavam as dominações.

A concupiscência que visava tomar o domínio das nações estrangeiras combatia contra a alma (1 Pedro 2.11), assim como foram levados pela cobiça no deserto, quando satisfizeram o apetite, mas definharam as suas almas (Salmos 106.14-15). Lutar contra as nações estrangeiras era recalcitrar contra a punição de Deus, desejo que lhes fez sofrer inúmeras atrocidades ao longo da história.

“E sucederá que, quando disserdes: Por que nos fez o SENHOR nosso Deus todas estas coisas? Então lhes dirás: Como vós me deixastes, e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros, em terra que não é vossa.” (Jeremias 5.19).

 

Direita, centro ou esquerda?

A doutrina do evangelho não possui alinhamento nem com a direita, nem com o centro e nem com a esquerda. Qualquer tentativa de vincular o evangelho de Cristo com qualquer posição político-partidária não passa de invenção humana, portanto, qualquer dessas propostas devem ser ignoradas ou rechaçada.

O cristão deve ter em mente que o reino de Cristo não é deste mundo (João 18.36), e que cada cristão, pela esperança que possui, é um estrangeiro, um peregrino na terra, cuja cidade é a futura (Hebreus 11.13).

“Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.”  (Hebreus 13.14).

Com relação ao nascimento natural, o cristão pode ser brasileiro, colombiano, argentino, chileno, americano, judeu, etc., mas, após o novo nascimento, passa a ser concidadão dos santos e da família de Deus.

“Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus;” (Efésios 2.19).

Enquanto permanecer neste corpo (tabernáculo terrestre), apesar de ter uma pátria celestial, o cristão é detentor de uma nacionalidade e de uma cidadania, portanto, deve procurar se portar de modo honesto em tudo (Hebreus 13:18). Como possuidor de uma pátria celestial, a cidadania deste mundo não deve ser o mote do cristão, de modo que, ao fazer uso de sua cidadania, deve proceder como alertou o apóstolo: como se dela não abusasse.

“Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; E os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.” (1 Coríntios 7.29-31).

Quando estava sendo acoitado, o apóstolo dos gentios fez uso de sua cidadania romana (Atos 22.25), e quando os judeus tentaram emboscá-lo, apelou para Cesar (Atos 25.11). Ora, em um tribunal presidido por juízes humanos, não adianta um cristão apelar para Deus, antes é efetivo apelar para quem preside o tribunal. Diante de um juiz é compreensível apelar para os direitos pertinentes a sua cidadania, do que alegar: – ‘Sou servo do Deus Altíssimo’.

Enquanto estava preso, os judeus tornaram a causa contra o apóstolo Paulo uma questão de ordem pessoal, portanto, o apóstolo tinha que se defender por si mesmo, até porque, mesmo avisado, propôs em seu coração pregar em Roma (Atos 21.13). Diferentemente, temos o apóstolo Pedro, que no início da igreja foi preso e estava sendo perseguido por causa do evangelho, e Deus o livrou da prisão (Atos 12.11).

Apesar de fazer uso da sua cidadania para enfrentar algumas adversidades no seu ministério, o apóstolo Paulo nunca se utilizou da sua dupla cidadania (judaica e romana) para se impor sobre os cristãos. No entanto, o apóstolo dos gentios sabia que, após a sua morte, falsos mestres se assenhorariam do rebanho:

“Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.” (Atos 20.29-30).

Qual o objetivo desses homens atraírem os discípulos para si? Ao se assenhorarem dos discípulos, tais homens buscariam angariar lucro.

“Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.” (1 Timóteo 6.5);

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.” (1 Pedro 5.2-3).

A ordem paulina é: “Cada um fique na vocação em que foi chamado.” (1 Coríntios 7.20), ou seja, se foi chamado servo, permaneça servo (1 Coríntios 7.21), e só deixe tal condição caso apareça uma oportunidade.

Mas, o que diria um ‘lobo cruel’ no lugar do apóstolo Paulo? – ‘Se você é filho de Deus, como pode viver humilhado nessa condição de servo?’; – ‘Pressione o seu senhor até que ele te dê foro’; ‘Você é livre, lance mão da sua liberdade’, etc.

Por que um ‘lobo cruel’ promoveria tais recomendações? Primeiro, por não ter cuidado para com o nome de Deus e para com a doutrina do evangelho. Segundo, porque através de tais recomendações atrairia discípulos após si, angariando prestigio, força política, consequentemente, lucro.

Entretanto, essa é a recomendação de quem não buscou ouro, prata e nem vestimentas (Atos 20.33):

“TODOS os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados. Isto ensina e exorta. Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas,” (1 Timóteo 6.1-4).

No início da igreja, quando sob o cuidado dos apóstolos, o maior problema dos primeiros cristãos eram as divisões e dissenções no seio da comunidade por questões de nacionalidade e condição social: judeu, romano, grego, bárbaro, servo, livre, homem, mulher, etc. Na sociedade à época, as pessoas eram medidas e discriminavam as outras pelos parâmetros elencados acima, mas no corpo de Cristo não podia ser deste modo.

“Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.” (Gálatas 3.26-29).

Quantas dificuldades e quantos discursos os apóstolos tiveram que enfrentar e fazer para conscientizar os cristãos convertidos dentre os judeus a aceitarem que, em Cristo, não há distinção entre circuncisão e incircuncisão, judeu ou gentio, romano ou grego, etc. A mesma dificuldade se deu com os cristãos de cidadania romana, para conscientizá-los que, em Cristo, não havia qualquer distinção quanto a ser senhor ou servo. Com os gregos não foi diferente, pois eles se sentiam donos de um conhecimento superior, enquanto os outros povos eram tidos por bárbaros, e o discurso dos apóstolos demonstrava não haver diferença entre judeus e gregos, servos e senhores, bárbaros e citas, etc.

Com o crescimento da igreja primitiva, tais diferenças passaram a segundo plano, e homens ímpios passaram a observar a igreja sobre o prisma político e pecuniário, isto em função do número crescente de seguidores. Para um ímpio, com interesses mesquinhos, adotar pontos específicos da mensagem do evangelho para os seus objetivos era fácil.

Em uma sociedade dividida em classes sociais nacionalidades, línguas, etnias, etc., que discurso aprazível enfatizar não haver diferença entre as pessoas! Mas, esse não é o evangelho de Cristo, pois só não há diferença entre as pessoas quando consideramos o ‘estar em Cristo’, ou seja, quando se é membro do corpo de Cristo.

Para um lobo cruel, com aspirações políticas, adotar o discurso de que não pode haver distinção entre as pessoas era fácil, pois, resultaria em muitos seguidores. Dizer a um cristão que, para servir a Cristo convinha que se sujeitasse ao seu senhor, mesmo ele sendo mal, era um discurso pesado (Efésios 6.5-8).

Subverter a ordem social vigente é a temática do evangelho? Não! O evangelho não veio estabelecer igualdade social entre os homens, antes a igualdade segundo o evangelho só deve ser apregoada e considerada com relação ao corpo de Cristo, a Eclésia. À época dos apóstolos, judeus continuavam sendo judeus, romanos continuavam romanos, servos continuavam servos, senhores continuavam senhores e livres continuavam livres, etc., e a mensagem do evangelho não visava transtornar tais relações sociais.

Cristo veio ao mundo, o evangelho foi anunciado e as questões socioeconômicas não foram alteradas. Questões geopolíticas e de estado não fazem parte da pauta do evangelho. Discussões sobre sistemas de governo e posição político-partidária não fazem parte do evangelho.

A essência do evangelho é: em Cristo não há diferença entre as pessoas, pois ‘em Cristo’ todos são filhos de Deus pela fé. Agora, apregoar que todos são iguais perante a lei, ou fazer uma revolução com base na ‘Liberté, Egalité, Fraternité’ (Liberdade, igualdade, fraternidade), como proposta do evangelho é anátema. Anunciar redistribuição de renda de modo a estabelecer igualdade e independência financeira entre as pessoas não é a temática do evangelho.

Se o evangelho fosse instrumento de transformação das relações sociais, o apóstolo Paulo teria escrito ao irmão Filemom para libertar Onésimo, o escravo que pertencia a Filemom, entretanto, o apóstolo resignou-se a devolver Onésimo a Filemom.

Isto posto, podemos enfatizar com todas as letras que o evangelho não se alinha e nem possui tendência de direita, centro ou esquerda. O evangelho de Cristo não se alinha a nenhum partido político, e nenhum partido político está alinhado ao evangelho.

Alguém pode dizer: – ‘Mas, o presidente do partido ‘A’ é cristão’! Essa pessoa pode até ser cristã, porém, como político, esse cristão primeiro é político, portanto, se sujeita às questões político-partidárias e as de estado, e o evangelho, por sua vez, ficará em segundo ou terceiro plano.

Alguém pode dizer: – ‘Mas, o presidente acredita em Deus’! Essa pessoa pode até acreditar em Deus, mas isto não significa que ela é cristã ou que Deus apoio tal governo. Para ser salvo é imprescindível crer que Jesus é o Cristo, pois só crer em Deus não dá direito a salvação.

É imprescindível lembrar que o sufrágio universal é um direito social recente, e os partidos políticos e as tendências de centro, direita e esquerda são seguimentos mais recentes ainda, portanto, tanto esses seguimentos, quanto aquele direito social, não possuem qualquer relação com a proposta do evangelho.

O evangelho subsiste a qualquer forma de governo: monarquia, anarquismo e república, e suas práticas governamentais: absolutismo, democracia, parlamentarismo, aristocracia, presidencialismo, totalitarismo, teocracia, oligarquia, etc. (1 Pedro 1.25).

O evangelho não depende e nem se apoia em sistemas de governo, partidos políticos ou em instituições humanas. A igreja de Cristo é composta de pessoas que creem que Jesus é o Cristo, sem relação com quaisquer outras questões ou instituições humanas. O evangelho foi anunciado a homens, portanto, são os homens, e não as instituições, que tem obrigações para com o evangelho.

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.” (2 Timóteo 2.2).

O cristão, como cidadão brasileiro, goza de plena liberdade para votar em quem quiser. O cidadão, como cristão, pode votar em quem quiser, ter preferência pelo partido que desejar e adotar o posicionamento político que quiser, sem medo de ser acusado de pecado, pois a proposta do evangelho é de plena liberdade (2 Coríntios 3.17).

Semelhantemente, hoje é garantido aos cristãos, através de leis e princípios normativos, por serem cidadãos em um país de governo laico, liberdade para escolher os seus governantes, e essa liberdade não possui vínculo com o evangelho, e sim, decorre das leis vigentes no país.

Ao escolher um candidato, o cristão deve pautar a sua escolha através do que observar acerca das propostas do candidato e do seu partido político para a sociedade na qual está inserido, isto porque votar é exercer um direito de cidadão, e não um direito por ser cristão.

Como cristão, aponte como motivo para o seu voto as propostas do partido e do candidato, sem enfatizar que vota neste ou naquele por questões bíblicas, inclusive citando versículos. Ao revelar o seu candidato, os motivos pelas quais se deu a escolha do cristão deve estar atrelado as questões de cidadania, como: educação, segurança, transporte, saúde, economia, etc., e jamais vincular a sua escolha a Deus, ao evangelho, ao pastor, a textos bíblicos, a revelações, etc.

O voto é secreto, portanto, não é necessário ao cristão declarar em quem vai votar, ou em quem votou. Mas, se o cristão quiser declarar o seu voto, como uma espécie de propaganda para o seu candidato, pode fazê-lo, mas como cidadão, e não como cristão.

O cristão deve ter em mente que, entre políticos que concorrem a um cargo eletivo, Deus não tem preferência por nenhum deles. Quando um candidato ganha, e o outro perde, isto não significa que Deus favoreceu um candidato em detrimento do outro.

“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.” (Eclesiastes 9.2).

O propósito de Deus está estabelecido em Cristo, portanto, Deus não se intromete nas questões políticas dos países, e nem a igreja de Cristo depende de um candidato especifico no poder.

O propósito de Deus centra-se n’Ele mesmo, e não nas pessoas. Quando Deus quis fazer seu nome anunciado em toda a terra e mostrar o seu poder (Êxodo 9.16), escolheu um rei do Egito. Qualquer que fosse à época o rei do Egito, Deus evidenciaria o seu poder, pois o propósito de Deus não depende de uma pessoa especifica. Qualquer que fosse a deliberação do rei do Egito, serviria ao propósito de Deus: se o rei deixasse o povo ir, o nome de Deus seria exaltado, e como não deixou, o nome de Deus igualmente foi exaltado.

A única nação que Deus escolheu líderes específicos foi Israel, isto porque Ele estabeleceu um propósito eterno em Cristo, e, para leva-lo a efeito, a vinda de Cristo ao mundo se deu através da descendência de Abraão.

Deus escolheria um líder para uma nação gentílica? Evidente que não. Cada povo, nação ou reino tem os seus meios de elegerem os seus líderes, que pode ser através de nascimento, eleição ou conquistas bélicas. Deus não participa das escolhas dos líderes políticos, portanto, orar para que alguém ganhe as eleições é inócuo.

Alguém pode contestar: Deus escolheu Ciro como líder de uma nação gentílica. Sim, Deus estabeleceu Ciro como rei da Pérsia, mas o objetivo não era o governo da Pérsia, antes demonstrar aos filhos de Israel que Deus jamais se esqueceria da promessa feita a Abraão, e que tudo o que foi dito pelos seus profetas (Isaías 44.26), Deus haveria de cumprir cabalmente:

“Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR pela boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:” (2 Crônicas 36.22).

Deus escolheu e anunciou o nome de Ciro de antemão, não porque tive interesse na política e economia dos persas, antes para demonstrar a sua onipotência e onisciência.

O apóstolo Paulo recomenda aos cristãos que façam orações e intercessões por todos os homens, e isto inclui os que estão em eminência, ou seja, que exercem autoridade política, e o objetivo é claro: para que tenhamos uma vida quieta e sossegada!

“ADMOESTO-TE, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;” (1 Timóteo 2:1-2).

Os judeus insurgentes contra Roma tiveram uma vida quieta e sossegada? Evidente que não! Os cristãos deveriam impor as suas aspirações políticas e sociais à sociedade à época? Claro que não, pois qualquer atitude nesse sentido despertaria a repressão do estado, consequentemente, não teriam uma vida quieta e sossegada.

Nesse sentido, os cristãos em nossos dias jamais deveriam pautar as escolhas de seus candidatos tendo por pretexto o evangelho. Da mesma forma que um cristão pode comer de tudo quanto se vende no açougue, pode votar em qualquer político, desde que jamais busque o proveito próprio, mas o de outrem.

‘Há, mas aquele candidato não é cristão’. Não importa. Se a proposta dele é o melhor para a sociedade, nada impede que você vote nele. Por isso é de suma importância aos cristãos analisar a proposta do seu candidato para a sociedade em geral, e não naquilo que se promete fazer em prol de uma comunidade dita cristã.

Não caiamos na lábia de um candidato que se diz cristão, ou que defende princípios rotulados como cristãos, se a proposta apresentada não visa o benefício da sociedade no geral, pois se a sociedade estiver doente, você, como membro da sociedade, sofrerá também.

Se alguém disser que, segundo a Bíblia, o candidato ‘a’ é melhor que o ‘b’, mente, pois a Bíblia não diz em quem devemos votar. Cada cristão deve votar no candidato que entender mais adequado para governar, consciente de que nenhum candidato é perfeito e nenhum cristão está obrigado a votar em um partido específico.

Na condição de cidadão, o cristão precisa pensar quais são as propostas de suma importância para a comunidade e o país. É imprescindível questionar, o que será mais benéfico para o país: um candidato que apresenta uma boa proposta econômica, ou um que vai fazer concessões para os templos religiosos? Lembrando que, o que salva não são os templos, mas as boas novas do evangelho.

Só porque um candidato diz defender valores cristãos, isso não significa que as suas propostas promovem o evangelho de Cristo. O maior problema de quem se diz cristão e não conhece a proposta do evangelho é disseminar o ódio e o medo a quem não se professa cristão, surgindo assim, práticas de intolerância de ambas as partes.

O melhor candidato é aquele que possui valore firmes, e não tergiversa em seus argumentos somente para angariar votos. Alguém aberto ao diálogo e que entende pontos de vistas diferentes. Por isso, evite votar em que semeia a discórdia e coloca seguimentos da sociedade em rota de colisão.

Como despenseiro da graça de Deus (1 Pedro 4:10), um cristão não pode deixar que suas escolhas políticas fomentem inimizades, pois deste modo estará cerrando uma porta (possibilidade) de ganhar uma alma para o reino de Deus. Enquanto o apóstolo Paulo rogava aos irmãos para orarem para Deus abrir portas para anunciar o evangelho, o cristão não pode ser a causa de fecha-las, pois no que depender de um cristão, recomenda-se que tenha paz com todos os homens.

“Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso;” (Colossenses 4.3);

Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.”  (Romanos 12:18).

O cristão deve ter em mente que, nas questões deste mundo, não foi posto por juiz dos não cristãos (Lucas 12.14). Deve estar cônscio que não foi dado aos cristãos julgar os que não professam a Cristo como Senhor.

“Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?” (1 Coríntios 5.12).

Nas questões filosóficas, ideológicas, politicas, cientificas, etc., não é de bom alvitre os cristãos polemizar, polarizar ou radicalizar utilizando-se da Bíblia como pretexto para enfatizar razões próprias. O cristão deve ter em mente que nada é de todo mal, e nada é de todo bem, pois o mal que permeia o mundo está intrinsecamente ligado ao bem, visto que o fruto da árvore que estava no meio do jardim do Éden é do bem e do mal.

O apóstolo Paulo é claro:

“Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.” (2 Timóteo 2.4).

O cristão só será coroado se militar legitimamente, ou seja, deve estar pronto a sofrer pela causa do evangelho, ou seja, em defesa da verdade de ‘que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos’ (2 Timóteo 2.8). Qualquer outra causa não é legitima, não é um bom combate, se não for batalhar pela a verdade (fé) do evangelho (2 Timóteo 4.7; Judas 1.3).

A verdade do evangelho não versa sobre liberdade individual, intervenção mínima do estado ou mercado livre, e nem busca impor controle do mercado, assistencialismo do estado ou igualdade de oportunidades, portanto, utilizar a Bíblia para se rotular de direita, centro ou esquerda não tem respaldo nas Escrituras.

O evangelho de cristo não é conservador e nem progressista, não é republicano e nem democrata. O evangelho é universal e para o tempo que se chama hoje, pois hoje é o dia sobre modo oportuno para salvação.

“(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação).” (2 Coríntios 6.2).

Devido aos inúmeros grupos de cristãos católicos, evangélicos, protestantes, neo pentecostais, etc., e as recentes formas de polarização ideológica no Brasil e no mundo, muitos seguimentos lançam mão da Bíblia para justificar o seu posicionamento, e daí surgem inúmeras heresias e má leitura de passagens bíblicas.

Desde Moisés, a universalidade da palavra de Deus é patente. Considerando que todo homem é erva (Isaías 40.6), ou seja, não há distinção, certo é que a palavra de Deus deveria ser anunciada a todos os homens, ou seja, destilada como orvalho, como chuvisco sobre a erva.

“Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva.” (Deuteronômio 32.2).

Mas, como os filhos de Israel não anunciaram a palavra de Deus como ordenado, Deus estabeleceu que um dia a sua palavra (espírito) seria derramada sobre toda carne (erva).

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne…” (Joel 2.22).

Quando Jesus veio, tratou de cumprir o que dele estava escrito nos Salmos, anunciado a todos os homens, ricos ou pobres, enigmas e parábolas:

“OUVI isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os moradores do mundo, Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres. A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento. Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa.” (Salmos 49.1-4);

“Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade.” (Salmos 78.2).

A mensagem de Cristo não faz acepção de pessoas, e nesse sentido, não faz distinção se o homem é rico ou pobre, pois tanto esse quanto aquele igualmente precisa de salvação.

Daí a pergunta: por que muitos cristãos utilizam a passagem de Mateus 25, versos 31 a 46 para enfatizar que Jesus tinha um compromisso com os desprovidos de riquezas? Jesus tinha em preferência os pobres, ou a passagem bíblica enfatiza o que foi predito pelos profetas, que o evangelho seria anunciado aos ‘pobres de espírito’?

“Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.” (Isaías 66.2).

Pobre e abatido são figuras que remetem às pessoas que obedecem (tremem) a palavra de Deus. Famintos e sedentos são figuras que remetem aqueles que buscam a justiça que vem do alto, Cristo, e não aqueles que buscam justiça social.

Jesus não teve os pobres em preferência, tanto que entre os seus discípulos tinha um cobrador de impostos e entre os evangelistas um médico. A figura do ‘necessitado’ é utilizada pelos profetas para indicar aqueles que estavam na dependência da palavra de Deus, contrapondo a figura dos ‘abastados’, que são aqueles que confiavam em si mesmos, que são comparados a perdiz, que choca ovos que não pôs (Jeremias 17.5 e 11).

O irmão Tiago faz bom uso dessas figuras, visto que apresenta os judeus como os ricos, vez que mataram a Cristo (Tiago 5.1-5), contrastando-os com os cristãos, os pobres.

“Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?” (Tiago 2.5-7).

Tiago estava enfatizando que Deus tinha preferência pelos pobres? Não! Ao escrever as doze tribos (Tiago 1.1), cristãos convertidos dentre os judeus, Tiago enfatiza que Deus tornou os que creram em Cristo (pobres) ricos na fé, herdeiros do reino prometido aos que obedecem a Deus (amam). No entanto, os interlocutores de Tiago estavam agindo do mesmo modo que o apóstolo Pedro quando foi repreendido pelo apóstolo Paulo, tendo em preferência os judeus (os ricos opressores, que arrastavam os crentes aos tribunais e blasfemavam de Cristo), e desonravam os cristãos convertidos dentre os gentios.

“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.” (Gálatas 2.11-13).

A fala de muitos cristãos de que Cristo tinha compromisso com famintos, sedentos, descamisados, enfermos e condenados, etc., é estapafúrdia, pois Deus só tem compromisso com os que obedecem a sua palavra.

“Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.” (Isaías 66.2);

“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.” (Isaías 57.15).

A má leitura de textos bíblicos, quando se tenta aproximar posicionamento ideológicos ao evangelho é gritante. Utilizar a passagem da mulher samaritana para enfatizar que Jesus estendia a mão a rivais étnicos e religiosos não é o que enfatiza a passagem, visto que Jesus se revelou àquela mulher como o Cristo pelo fato de, ao reconhece-Lo como profeta, confessar que o Messias estava por vir, e que Ele haveria de esclarecer as muitas celeumas existentes (João 4.25-26).

“A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.” (João 4.25-26).

O fato de Jesus também conversar com Nicodemos demonstra que Jesus não veio somente em busca dos desajustados social, antes veio para todos os homens, independentemente das questões morais, políticas, religiosas, sociais, etc.

Deixando de lado a concepção progressista, tem-se os cristãos conservadores, que se esquecem do anunciado pelo Pregador:

“Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.” (Eclesiastes 7.10).

A Bíblia não impõe aos cristãos, isto na qualidade de cidadãos, qualquer restrição quanto a adotar uma perspectiva liberal, pois a livre iniciativa individual e as regras de mercado derivam de uma concepção social de que o estado deve se restringir a interferir minimamente nas questões econômicas.

Isto posto, é certo que o evangelho não possui relação alguma com as questões de mercado, economia e livre iniciativa, portanto, não há que se falar que o evangelho apresenta afinidade com questões conservadoras e republicanas.

É certo que os cristãos, enquanto cidadãos, devem votar, apoiar e fiscalizar os sistemas sociais, mas jamais afirmar que tais sistemas apresentam afinidades com o evangelho. Enquanto cristão, somos chamados para anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pedro 2.9), sendo Cristo o caminho, a verdade e a vida que concede plena liberdade aos cativos do pecado.

O valor do evangelho decorre de Cristo, e valores como verdade, liberdade e justiça, são ideais humanistas, sendo que esses valores não promovidos pelo evangelho. Quando o evangelho fala da verdade, aponta para Cristo. Quando o evangelho fala de liberdade, aponta para a nova condição de quem creu em Cristo: livre do pecado. Quando o evangelho fala de justiça, aponta para Cristo como a justiça de Deus.

Quando o homem se propõe a seguir a Cristo, deve deixar as outras questões em segundo plano, pois a ordem é:

“Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos.” (Mateus 8.22).

 

 

[1] “Se analisarmos o assunto em maiores detalhes, ele se tornará claro. Pois iludem a si mesmos aqueles que falam em generalidades e dizem que a virtude é ‘uma boa condição da alma’, ou ‘a conduta correta’. Melhores do que aqueles que procuram definições generalistas são os que, como Górgias, enumeram as diferentes virtudes. Assim, o poeta Sófocles preferiu dizer que ‘o silêncio é a gloria de uma mulher’, mas não do homem.” Aristóteles, A Política, Os Pensadores, Editora Nova Cultural, 1999. pág. 167.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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